R E L A Ó R I O F I N A L
E
Á G I O
P R O F I
I O N A L I A N E
A N O M E
R A D O
Índice
I. Introdução ... 2
II. Objetivos ... 2
III. Descrição dos estágios parcelares ... 3
Ginecologia e Obstetrícia ... 3
Saúde Mental ... 3
Medicina Geral e Familiar ... 4
Pediatria ... 4
Cirurgia Geral ... 5
Medicina Interna ... 6
IV. Formação extracurricular ... 6
V. Reflexão Crítica ... 7
VI. Anexos ... 10
A. Atividades desenvolvidas ... 10
A.1 Cronograma Ginecologia e Obstetrícia ... 10
A.2. Cronograma Saúde Mental ... 10
A.3. Cronograma Medicina Geral e Familiar ... 11
A.4. Cronograma Pediatria ... 11
A.5. Cronograma Cirurgia Geral ... 12
B. Tabela de tutores, locais de estágio e temas dos trabalhos de avaliação ... 12
I.
Introdução
O Mestrado Integrado em Medicina (MIM) é o core na formação médica pré-graduada e constitui o meio pelo qual o licenciado médico adquire os seus conhecimentos, aptidões clínicas e profissionais que o tornarão autónomo e capaz de exercer no futuro.1 O 6º ano do MIM da Nova Medical School/Faculdade de Ciências Médicas (NMS|FCM) é de caracter profissionalizante e essencial na medida em que, pela integração de áreas basilares como a Saúde Mental, Ginecologia e Obstetrícia, Medicina Geral e Familiar, Pediatria, Cirurgia Geral e a Medicina Interna, permite a aquisição progressiva de autonomia e competência sobre as quais o futuro médico poderá alicerçar uma carreira de sucesso.
O presente relatório tem como objetivo apresentar as atividades desenvolvidas ao longo do 6º ano. Para tal, o mesmo está estruturado em 5 partes: Introdução; enumeração dos Objetivos propostos; descrição sucinta das Atividades Desenvolvidas em cada Estágio Parcelar; Formação Extracurricular; Apreciação Crítica do trabalho desenvolvido e por fim uma secção de Anexos onde se apresentam os trabalhos realizados no âmbito desta UC e outros elementos valorativos.
II.
Objetivos
Os principais objetivos do ensino pré-graduado definidos para a educação médica pré-graduada que constam no documento “O Licenciado Médico em Portugal”, passam por (1) adquirir conhecimentos das ciências básicas e clínicas, de epidemiologia, de humanidade e de ética, (2) desenvolver atitudes e comportamentos profissionais essenciais ao exercício da prática clinica, (3) construir aptidões clínicas e procedimentos práticos e, por fim mas não menos importante, (4) aptidões interpessoais de comunicação. Em complemento, delineei ainda os seguintes objetivos pessoais: 1) rever e aprofundar conhecimentos teóricos necessários para o exercício das várias especialidades; 2) ser pró-ativa na procura de momentos de aprendizagem e de autonomia no desempenho das atividades assistenciais; 3) aprender continuamente com as minhas experiências, limitações e erros, e procurar colmatá-los devidamente; 4) consolidar as marchas diagnóstica e terapêutica nos diferentes contextos; 5) ser parte integrante da equipa de trabalho, participando ativamente nas diferentes vertentes do serviço; e não menos importante, 6) procurar abordar o doente atendendo ao seu contexto pessoal, familiar e social.
1. Victorino RM et al.; O Licenciado Médico em Portugal – Core Graduates Learning Outcomes Project; Coord. Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, 2005
III. Descrição dos estágios parcelares
Ginecologia e Obstetrícia
09 Setembro a 04 Outubro de 2019 - Maternidade Alfredo da Costa (MAC)
O primeiro estágio parcelar decorreu na MAC, no âmbito da Ginecologia e Obstetrícia sob orientação da Drª. Maria João Campos e Drª. Marta Plancha. As 4 semanas de estágio permitiram a passagem pelas seguintes valências: consultas externas, bloco operatório, internamento materno-fetal, bloco de partos, serviço de urgência e técnicas complementares de diagnóstico e/ou terapêutica.
No âmbito da ginecologia, presenciei várias consultas externas nomeadamente: consulta de Planeamento Familiar; consulta de Ginecologia; Patologia do Colo e Consulta de Menopausa. Destaco as consultas de patologia do colo que se baseiam no seguimento de mulheres que apresentam alterações na citologia cervical, durante as quais foi possível rever conteúdos relacionados com o cancro do colo do útero bem como a realização de citologias e colposcopias sob supervisão. A passagem pelo Bloco Operatório permitiu assistir a uma salpingectomia esquerda laparoscópica por hidrosalpinge, e ainda a uma histerectomia laparoscópica total com salpingectomia bilateral em doente com formação polipoide e adenomiose suspeita.
No âmbito da obstetrícia presenciei as consultas de Obstetrícia/Alto Risco onde pude observar e analisar cardiotocografias (CTG) e efetuar sistematicamente a medição da altura uterina e a auscultação do foco fetal. Algumas das patologias de alto risco mais frequentemente observadas incluem a Isoimunização anti-D e a idade materna avançada com restrição de crescimento fetal.No internamento materno-fetal participei na vigilância das grávidas e puérperas. Dentro das entidades clínicas observadas destaco uma pré-eclâmpsia grave; síndrome de HELLP e uma gravidez gemelar monocoriónica biamniótica com ameaça de parto pré-termo por colo curto. O contexto de urgência permitiu o acompanhamento de diversas situações clínicas agudas na mulher não grávida e de intercorrências no período de gravidez, alguns dos diagnósticos efetuados incluem: candidíase, sífilis primária, adenomiose, quistos ováricos, dismenorreia primária, confirmação de gravidez, pré-eclampsia, diabetes gestacional e infeções urinárias. Quanto ao Bloco de Partos, assisti a partos de termo eutócicos, uma cesariana por apresentação fetal pélvica e uma cesariana por adinamia com suspeita de corioamnionite.
Relativamente à metodologia de avaliação apresentei um caso clínico de uma gravidez de alto risco complicada por síndrome de HELLP. O cronograma das atividades desenvolvidas encontra-se no anexo A.1.
Saúde Mental
07 de Outubro a 01 de Novembro de 2019 – Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa (CHPL)
O estágio de sáude mental decorreu no Clínica 5 do CHPL, destinada aos doentes abrangidos pela ACES Lisboa Central, sob orientação da Drª. Mariana Lázaro. No internamento, contactei com diversos tipos de
psicopatologia onde as perturbações do humor eram mais prevalentes (57,2%), seguidas das perturbações da personalidade (28,6%) e das perturbações esquizoafetivas (14,2%). Colaborei sobretudo com a Drª. Mariana Lázaro no acompanhamento diário dos seus doentes, ajuste terapêutico e seguimento clínico, elaboração de diários, notas de entrada e notas de alta. Participei também em reuniões de serviço multidisciplinares e sessões de internos. A consulta externa proporcionou o contacto com muitos doentes psiquiátricos com insight mantido para a sua patologia e que se encontravam sob terapêutica médica. Permitiu ainda observar o relato do dia-a-dia do doente com doença mental na sociedade atual o que, por vezes, pode ser muito desafiante. No total observei 26 doentes em consulta, com idades entre os 18 e 81 anos, com destaque para as perturbações do humor entre as mais prevalentes neste grupo de doentes. Relativamente à metodologia de avaliação realizei uma história clínica de um doente com perturbação afetiva bipolar. O cronograma das atividades desenvolvidas encontra-se no anexo A.2.
Medicina Geral e Familiar
04 de Novembro a 29 de Novembro de 2019 – USF Arco Íris, Amadora
O estágio de Medicina Geral e Familiar decorreu na Unidade de Saúde Familiar Arco Íris, na Amadora, sob tutela da Drª. Ana Mordomo. Presenciei a Consulta de Saúde Infantil, Consulta de Planeamento Familiar, Consulta Aberta, Saúde de Adultos e Consulta de Diabetes. No decorrer das 4 semanas foi-me atribuída autonomia crescente, sendo que acabei por conduzir algumas consultas, propor planos de diagnóstico, terapêuticos e de gestão dos utentes, sempre com supervisão. A oportunidade de assistir a um domicílio médico possibilitou o contacto com a realidade e importância do papel do médico e da USF na comunidade em que estão inseridos.
Como elementos formais de avaliação, para além da atitude e capacidade profissional diariamente apreciadas, realizei um panfleto informativo direcionado às utentes sobre interrupção voluntária da gravidez (IVG) e apresentei o Diário do Exercício Orientado (DEO). O cronograma das atividades desenvolvidas encontra-se no anexo A.3.
Pediatria
2 de dezembro de 2019 a 10 janeiro 2020 – Hospital Dona Estefânia (HDE)
O estágio de pediatria decorreu no HDE no serviço de Pediatria Médica 5.2 sob orientação da Drª. Raquel Santos na subespecialidade de Nefrologia Pediátrica. Durante este período acompanhei 4 doentes em regime de internamento, dos quais destaco uma descompensação de Doença Renal Crónica (DRC) estadio III com síndrome nefrótico corticoresistente dependente de tranfusões de albumina, por constituir um caso social complexo de um doente institucionalizado, e cujo acompanhamento ao longo destas semanas me ilucidou para o papel do médico pediatra não só clinico, mas também logistico e legal em prol da segurança e bem
estar da criança. A consulta externa permitiu a vivência de várias subespecilidades como a Nefrologia Pediátrica, Reumatologia e Imuno-alergologia.
No serviço de urgência contactei com algumas situações clínicas frequentes na especialidade de pediatria sendo que, alguns dos diagnósticos efetuados dos 37 doentes observados incluem: bronquiolite, gastroenterite, amigdalite, síndrome gripal, escarlatina e traumatismos. Pude auxiliar na colheita de anamnese e exame objetivo dirigido, nomeadamente avaliei sinais de dificuldade respiratória; realizei otoscopias; avaliação da orofaringe; auscultação cardiopulmonar; auscultação, percussão e palpação do abdómen; avaliação de adenopatias e exame neurológico. Saliento ainda a oportunidade de acompanhar e compreender os raciocínios clínicos em cada caso; observar a requisição a dos métodos complementares de diagnóstico mais apropriados e acessíveis e, por último, a implementação do plano terapêutico e seguimento mais adequado para cada patologia e respetivo doente.
A estas atividades clínicas acrescem outras atividades como as reuniões de passagem de doentes, sessões clínicas e atividades formativas como o jornal club da equipa de nefrologia e o workshop de urgências pediátricas.
Relativamente à metodologia de avaliação, realizei uma história clínica de um doente com lesão renal aguda (LRA), oligoanúria e síndrome nefrótico/nefrítico e apresentei um seminário sobre o tema “Caso raro de hipoxemia refratária à oxigenoterapia”. O cronograma das atividades desenvolvidas encontra-se no anexo A.4.
Cirurgia Geral
20 Janeiro a 13 Março 2020 – Hospital da Luz
Com a duração total de oito semanas, o estágio dividiu-se em duas componentes: uma componente teórica/teórico-prática com duração de 1 semana que decorreu no Hospital Beatriz Ângelo (HBA); e uma componente prática com duração de 7 semanas, que decorreu no Hospital da Luz, sob orientação do Dr. João Rebelo de Andrade. Durante este período foram desenvolvidas inúmeras atividades práticas no âmbito da Cirurgia Geral, particularmente a vivência no Bloco Operatório e Pequena Cirurgia do Atendimento Médico Permanente (AMP) assim como o acompanhamento de Consultas de Cirurgia Geral e de Coloprotologia. Saleinta-se ainda, o estágio opcional em Anestesiologia no qual acompanhei da Dra. Cristina Pestana durante 2 semanas, onde pude observar e realizar vários procedimentos que caracterizam o quotidiano do anestesista, nomeadamente: ventilação por máscara facial e por máscara laríngea, entubação oro-traqueal e naso-gástrica, inserção de cateteres venosos centrais e acessos periféricos, inserção de linha arterial e cateterização vesical. A estas atividades clínicas acrescem atividades de caráter científico-pedagógico, nomeadamente as Sessões Clínicas e a Consulta Multidisciplinar de Tumores Gastro-Intestinais, ambas realizadas semanalmente. A estas acresce ainda um workshop sobre Suturas e uma palestra sobre Medicina
e Cirurgia de Guerra, lecionados pelo Dr. Carlos Ferreira. Os procedimentos cirurgicos observados durante o estágio foram realizados em contexto eletivo e urgente e refletem a prevalência de patologias cirúrgicas mais comuns como a patologia herniária, colelitíase e hemorroidária. Em resumo, assisti a 48 cirurgias sendo que participei como 1º ou 2º ajudante em 20 delas. Participei ainda em 7 pequenas cirurgias electivas, maioritariamente excisões de quistos sebáceos, como 1º ajudante.
Relativamente à metodologia de avaliação, realizei o seminário com o tema “Nem todos os caminhos vão dar a Roma”- um caso clínico de uma doente colectomizada com presença de fístula enterovesical e Doença de Crohn ativa.
Medicina Interna
Dado este ser um ramo da medicina que se cruzará com qualquer uma das possíveis especialidades futuras de um aluno do 6º ano, é de enorme relevância a sua inclusão no âmbito do estágio profissionalizante. Por força das circunstâncias atuais que vivemos, este não pôde ser totalmente realizado nos moldes que inicialmente foi idealizado.
No entanto, realizei e apresentei um artigo de revisão, juntamente com minha colega Catarina Gama, com o tema “SARS-CoV-2 e potenciais sequelas tardias” para os médicos do serviço de Medicina Interna 2.3 do Hospital Santo António dos Capuchos.
IV. Formação extracurricular
As atividades extracurriculares desde sempre acompanharam todo o meu percurso de escolaridade. O desporto, em particular o Ballet clássico, sempre foi um dos pilares do meu desenvolvimento pessoal e que contribuiu para a estimular a minha capacidade de concentração, sacrifício, exigência e disciplina. A gestão de tempo implícita na conciliação destas atividades com a frequência escolar foi também uma mais-valia na minha formação.
Neste capítulo junto, em anexo, os certificados das atividades extracurriculares que considero mais relevantes. No ano de 2014-2015, fui voluntária durante 2 semanas na associação Vencer Autismo focada em fornecer conhecimento, técnicas e estratégias para todas as pessoas que lidam com o autismo melhor o compreenderem. No ano de 2015-2016, participei no projeto Just a Change, uma associação sem fins lucrativos que reabilita casas de pessoas carenciadas em Portugal. No ano de 2016-2017, participei no V AEICBAS Biomedical Congress no Porto e frequentei os workshops de Emergências Pediátricas, uma área pela qual tenho particular interesse, um workshop de Abordagem ao Doente Queimado e workshop de Cirurgia Reconstrutiva. Nesse mesmo ano participei como voluntária no Hospital da Bonecada, uma iniciativa da AEFCM que pretende desmitificar o medo do ambiente hospitalar junto das crianças. No ano de
2017-2018, assisti ao 3ºABC de imunologia-CUF, participei no iMed Conference 9.0 e no Clinical Mind Competition organizado pela Drª. Lisa Sanders. Frequentei ainda um workshop de Cirurgia Cardiotorácica e um workshop de Técnicas invasivas e Unidade de Cuidados Intensivos, por considerar uma possível ferramenta útil na abordagem do doente. No ano de 2018-2019, estive presente no “Future MD- o congresso pelo teu futuro” onde pude compreender melhor o funcionamento do internato médico e de cada especialidade, e fiz parte da organização (Crew) do iMed 10.0 que contribuiu para o desenvolvimento do trabalho em equipa e gestão de pessoas. Por fim, neste último ano de 2019-2020 assisti ao 21º Simpósio Anual-Dilemas na Prevenção Cardiovascular da Fundação Portuguesa de Cardiologia. Participei nas II Jornadas de Medicina Geral e Familiar e no curso TEAM (Trauma Evaluation and Management), temas que considerei particularmente úteis para os estágios parcelares que frequentei durante o ano e para a preparação para a Prova Nacional de Acesso.
V.
Reflexão Crítica
Os 6 anos do Mestrado Integrado em Medicina na Nova Medical School/Faculdade de Ciências Médicas foram uma verdadeira jornada. Ao iniciar o 6º ano encontrava-me entusiasmada e expectante com o que este último ano me poderia trazer, mas longe de imaginar o rumo que na realidade tomaria.
O tornar-se médico durante uma crise global pandémica, permite-me refletir sobre o verdadeiro propósito de querer ser Médico. Durante os últimos meses centenas de profissionais de saúde em todo o mundo faleceram no combate da pandemia por SARS-CoV-2. Estes números impressionam tanto o público, como os que já praticam ou ambicionam uma carreira na área da saúde. O trabalho árduo, responsabilidade, dedicação, sacrífico e riscos inerentes à profissão, têm-se refletido durante a pandemia o que pode por criar algum receio no aspirante a médico. No entanto, ao assistir ao devastar de todo um planeta pelo vírus, sinto-me inspirada não apenas pela dedicação e vontade de ajudar de todos os profissionais de saúde, mas também pelo conhecimento de que, por mais difícil que seja o caminho deles, emergirão dele como melhores médicos, para benefício de todos nós. Deste modo, todo este acontecimento me motivou ainda mais a querer ter um papel ativo e presente no sistema nacional de saúde e com toda a certeza hoje sei que, ser Médica é o que mais ambiciono ser.
Refletindo neste último ano, apesar de todas as adversidades foi ainda possível vivenciar grande parte do Estágio Profissionalizante como inicialmente idealizado, exceto o estágio de Medicina Interna que, infelizmente, não foi passível de ser presencial. Olhando para os objetivos gerais do ensino pré-graduado, com satisfação concluo que estes foram globalmente cumpridos, fruto não só do meu trabalho individual, mas também de todas as oportunidades que me foram dadas pelos meus tutores, médicos e profissionais de saúde com quem diariamente me cruzei ao longo dos estágios parcelares.
Relativamente ao estágio de Ginecologia e Obstetrícia na MAC destaco a sua organização que permitiu a passagem pelas várias valências da especialidade, com o acompanhamento de todo o ciclo de vida da mulher. Positivo pela autonomia que me foi dada na colheita de anamnese, exame objetivo dirigido e procedimentos práticos desde a colocação de Implanon® e DIU nas consultas de planeamento familiar, à medição da altura uterina e a auscultação do foco fetal nas consultas de obstetrícia. A diversidade de patologias que observei no serviço de urgência permitiram aprofundar conhecimentos teóricos e consolidar a marcha diagnóstica e terapêutica nos diferentes contextos. Este estágio sensibilizou-me tanto para a importância da educação para a saúde da mulher na sociedade, como para a necessidade de uma abordagem respeitosa e dirigida por parte do médico no contacto com várias etnias, raças e culturas onde, devido às suas diferentes crenças e ideais, é necessário que incluir sempre, aquele que é, o desejo da doente.
Quanto ao estágio de Saúde Mental descrevo-o como o mais desafiante na medida em que, o doente psiquiátrico é, para mim, dos mais difíceis de abordar e no qual considero que estivesse menos preparada pois nunca tinha estagiado num hospital psiquiátrico. Consciencializei-me da dificuldade na colheita amnese e na abordagem do doente atendendo ao seu contexto pessoal, familiar e social. Foi muito interessante observar a interação do médico, do doente e respectivos familiares, nas reuniões familiares semanais, situação que não tinha assistido em nenhuma outra especialidade. Destaco também o investimento dos médicos e assistentes sociais dos serviços de Psiquiatria na re-inserção do doente na comunidade, como parte integrante da abordagem terapêutica. Na clinica 5 do CHPL pude presenciar o verdadeiro impacto da psicopatologia em todas as vertentes da vida dos doentes e a necessidade de minimizar o estigma associado à doença mental, não só a nivel global como dentro da comunidade médica.
O estágio de Medicina Geral e Familiar destaca-se pela autonomia crescente, sempre supervisionada, que me foi concebida. Permitiu-me consolidar aptidões clinicas, bem como reconhecer as minhas limitações e pedir auxilio sempre que necessário. Aprendi a importância de estabelecer uma relação de confiança com o utente, constatei pessoalmente a importância dos Cuidados de Saúde Primários na população e como a dinâmica das USF permite uma estruturação mais cuidada na promoção e vigilância da saúde e na prevenção da doença.
Relativamente ao estágio de Pediatria, especialidade particularmente querida por mim, reconheço o previlégio de estagiar num hospital pediátrico de referência como o HDE, permitindo o contacto com diversas sub-especialidades e patologias raras, que de outra forma não teria essa hipótese. Aqui destaco o período passado no serviço de urgência, que permitiu o contacto com muitos quadros clinicos agudos e/ou graves frequentes na criança e a sistematização da sua abordagem diagnóstica e terapêutica.
Relativamente ao estágio de Cirurgia Geral no Hospital da Luz considero que foi um dos estágios mais completos a nível formativo, clínico e pessoal. Destaco a sua boa organização que incluiu a passagem pelas diversas vertentes da cirurgia geral e, em alguns casos, o acompanhamento do doente desde a primeira
consulta, cirurgia eletiva, internamento e pós-operatório. A autonomia que me foi dada para assistir a mais de 40 cirurgias, nas quais muitas delas pude participar como 1º ou 2º ajudante, foi sem dúvida um ponto muito positivo, o qual só tenho que agradecer a todos os profissionais com quem me cruzei.
Infelizmente, o estágio de Medicina Interna ficou muitíssimo aquém do que seria esperado, face à condição pandémica actual. Para este estágio, em particular, objectivava ser parte integrante da equipa de trabalho, participando ativamente nas diferentes vertentes do serviço, o que não foi possível de concretizar. Ainda assim, tenho confiança em toda a formação que me foi dada ao longo destes 6 anos e pertendo procurar culmatar a falta desta experiência prática no futuro. Relativamente ao desenvolvimento pessoal, a procura de atividades extracurriculares que saciassem o meu interesse transformou-se em elementos valorativos que completaram a minha formação, como o desporto, o voluntariado, a participação em congressos nacionais, jornadas médicas e workshops em áreas do meu interesse.
Concluindo, este último ano do curso de Medicina foi, sem dúvida, um grande desafio. Pelo trabalho e responsabilidade que acarreta, pela gestão de tempo necessária à conciliação dos estágios parcelares com o estudo para a Prova Nacional de Acesso, pela ansiedade que a pandemia gerou e pelas incertezas relativamente ao futuro que nos espera. No entanto, acredito que a classe de novos médicos formados em 2020 não irá ser definida por aquilo que perdemos à custa deste vírus, mas sim pela maneira como respondemos ao mesmo. Termino este percurso académico entusiasmada pelos desafios que se seguem, consciente das minhas capacidades, mas também da necessidade de aprendizagem contínua inerente ao exercício da profissão médica.
Por tudo isto, agradeço àquela que será sempre a minha escola, a Nova Medical School e aos tutores, médicos e professores que contribuíram para o meu percurso sempre de forma disponível e atenciosa. Agradeço também aos meus colegas e amigos que me acompanharam ao longo destes anos e que levo para a vida, sem dúvida confirmo Medicina não se faz sozinho. Por último, e mais importante, agradeço à minha família em particular aos meus pais que, através da educação e apoio incondicional que sempre me deram, tanto contribuem para a pessoa que hoje sou e para a Médica que me tornarei.
VI. Anexos
A. Atividades desenvolvidas
A.1
Cronograma Ginecologia e Obstetrícia
2ª Feira 3ª Feira 4ª Feira 5ª Feira 6ª Feira
Semana 1 Consulta de Patologia do colo Ecografia Planeamento familiar Serviço de Urgência/ Bloco de Partos Workshop Semana 2 Serviço de Urgência/ Bloco de Partos Consulta de Menopausa
Bloco Operatório Histeroscopia Consulta de Ginecologia Semana 3 Enfermaria materno-fetal Enfermaria materno-fetal Bloco de partos/ Enfermaria Enfermaria materno-fetal Consulta Obstetrícia Alto Risco Semana 4 Consulta Obstetrícia Alto Risco Consulta Obstetrícia de Alto Risco Consulta Obstetrícia Alto Risco Serviço de Urgência Consulta Obstetrícia Alto Risco
A.2
. Cronograma Saúde Mental
2ª Feira 3ª Feira 4ª Feira 5ª Feira 6ª Feira
Semana 1 Seminário NMS|FCM Seminário NMS|FCM Consulta Externa Internamento + Reunião de serviço Internamento Semana 2 Consulta Externa Internamento Sessão formativa internato + Internamento Internamento Aula sinais e sintomas de doença mental Internamento Semana 3 Consulta Externa Internamento Sessão formativa internato + Internamento Serviço de Urgência Internamento Semana 4 Seminário NMS|FCM Jornadas MGF Consulta externa + Discussão da história clinica Discussão do relatório final Feriado
A.3.
Cronograma Medicina Geral e Familiar
2ª Feira 3ª Feira 4ª Feira 5ª Feira 6ª Feira
Semana 1 Consulta Consulta Consulta
Reunião Serviço
Consulta -Workshop
Semana 2 Consulta Consulta Consulta
Reunião Serviço Consulta Consulta Semana 3 Domicílio Médico Consulta Consulta Reunião Serviço Consulta Consulta
Semana 4 Consulta Consulta Consulta
Reunião Serviço
Consulta Discussão DEO
A.4.
Cronograma Pediatria
2ª Feira 3ª Feira 4ª Feira 5ª Feira 6ª Feira
Semana 1 Serviço
Urgência
Saída de banco Consulta Nefrologia Internamento 5.2 + Consulta doentes crónicos nefrológicos Internamento 5.2 Semana 2 Serviço Urgência
Saída de banco Consulta Nefrologia Internamento 5.2 + Consulta doentes crónicos nefrológicos Internamento 5.2 + WS urgências pediatricas Semana 3 Serviço Urgência Consulta Reumatologia Consulta Imunoalergologia + Aula Imunoalergologia Internamento 5.2 Internamento 5.2 Semana 4 Consulta doentes crónicos nefrológicos Consulta Nefrologia Serviço de Urgência Internamento 5.2 + Consulta doentes crónicos nefrológicos Apresentação Seminários
A.5. Cronograma Cirurgia Geral
2ª Feira 3ª Feira 4ª Feira 5ª Feira 6ª Feira
Semana 1 Sessões teorico-práticas Sessões teorico-práticas Sessões teorico-práticas Sessões teorico-práticas Sessões teorico-práticas Semana 2 Bloco Operatório + Consulta
Consulta Bloco Operatório +Sessão Clínica Pequena Cirurgia+ Bloco Operatório Bloco Operatório
Semana 3 Consulta Bloco
Operatório Bloco Operatório +Sessão Clínica Pequena Cirurgia+ Bloco Operatório Bloco Operatório Semana 4 Bloco Operatório + Consulta
Consulta Bloco Operatório +Sessão Clínica Pequena Cirurgia+ Bloco Operatório Bloco Operatório
Semana 5 Consulta Bloco
Operatório Bloco Operatório +Sessão Clínica Pequena Cirurgia+ Bloco Operatório Bloco Operatório
Semana 6 Anestesiologia Anestesiologia Anestesiologia Anestesiologia Anestesiologia
Semana 7 Anestesiologia Anestesiologia Anestesiologia Anestesiologia Anestesiologia
Nota: suspensão da 8ª semana de estágio prático no contexto da pandemia por SARS-CoV-2
B. Tabela de tutores, locais de estágio e temas dos trabalhos de avaliação
Estágio parcelar Local de estágio
Tutor Trabalho de avaliação
Ginecologia& Obstetrícia
MAC Drª Marta Plancha Drª Maria João Campos
“Síndrome de HELLP” Caso clínico
Saúde Mental CHPL Drª Mariana Lázaro “Perturbação bipolar” História Clínica
MGF USF- Arco Irís Drª Ana Mordomo “Interrupção voluntária da Gravidez” Panfleto
Pediatria HDE Drª Raquel Santos “Caso raro de hipoxemia refratária à oxigenoterapia”
Caso clínico
Cirurgia Geral Hospital Luz Dr. João Rebelo de Andrade “Nem todos os caminhos vão dar a Roma”
Caso clínico fistulização na Doença de Crohn
Medicina Interna HSAC Prof. Dr. Eduardo Gomes da Silva
“SAR-CoV2 e potenciais sequelas tardias”