ITALO BRUNO ALVES
INVESTIGAÇÃO SOBRE A MATÉRIA DO PENSAMENTO: UM ESTUDO SOBRE A NÃO-FORMA COMO GÊNESE
Dissertação de Mestrado em História da Arte
Universidade Federal do Rio de Janeiro Centro de Letras e Artes
Escola de Belas Artes Rio de Janeiro
IT ALO BRUNO ALVES
INVESTIGAÇÃO SOBRE A MATÉRIA DO PENSAMENTO: UM ESTUDO SOBRE A NÃO-FORMA COMO GÊNESE
Dissertação de Mestrado em História da Arte Orientador: Professor Doutor Paulo Houayek
Universidade Federal do Rio de Janeiro Centro de Letras e Artes
Escola de Belas Artes
Rio de Janeiro 1998
A
n
n
s\~ /*> r\ FICHA CATALOGRÁFICAALVES, Italo Bruno.
r
\Investigação Sobre a Matéria do Pensamento: Um Estudo sobre a Não
-
Forma como Génese.
Rio de Janeiro: EBA/UFRJ, 1998.
(
rv
r^ xii
.
143p.rs
Dissertação: Mestre em História da Arte (Linguagens
Visuais) O
1. ArteConceituai2. ArteContemporânea 3. Linguagens Visuais 4.Nuveiís!
O
r'
I. UniversidadeFederal do Rio de Janeiro
II.Título r'
n
n O On
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uSS
ITALO BRUNO ALVES
INVESTIGAÇÃOSOBRE A MATÉRIADO PENSAMENTO:
UMESTUDOSOBRE A NÃO
-
FORMA COMO GÉNESEr\
ry
r\
Dissertação submetida ao corpo docente da Escolade Belas Artesda Universidade Federal
r\
doRiodeJaneiro,como parte dos requisitos necessáriosàobtençãodo grau deMestre.
r\
A
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Aiu
7ProfessorDoutorPauloHouayek Escolade Belas Artes
\
UFRJ}
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professor
Doutor CarlosZílio Escola de Belas Artes-
UFRJo
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-Profòslsóra MestreLygi
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PapeEscbla
de Belas Artes-
UFRJ/\^\y r\ r r\ 7 c\ o
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\ Riode Janeiro Maio de 1998. uirs A
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rs rs r\ r\ rs rs r\ rs r\ r\rs
O poeta dovagosó pode
ser
ors poeta da precisão
.
ítalo Calvino rs rs rs r\ IVo
o. o O Os r\ O Os so
* O O O, / s 0\ Os OACeleida Tostes (in memorian)
o Os o o o o V o\ '"N
r O AGRADECIMENTOS r\ üiüsliüs SSSÄSSÄSSX :-i:ïïï SÎ2 r\ r\
n
r\ r\-
A Paulo Houayek, pela orientação atenta ecriteriosa. A Lygia Pape, pelo estímulo. A dona
Dirce e a biblioteca do M.A.M., pelos livros
acessíveis. A tia Sandra, Thamires, Junior, Diana,
vó Marilda;pelo carinho
.
AJorge, pelo apoio./"“N ' 1 ^“s r\ VI
n
s~\ r\ RESUMO ::: IIII;::::::::::::INVESTIGAÇÃO SOBRE A MATÉRIA DO PENSAMENTO:
UM ESTUDO SOBRE A NÃO
-
FORMA COMO GÉNESE./>
/~N
Esta dissertação apresenta uma investigaçã
o
teórico-
prática processadanos dois anos de duração do curso de Mestrado na área de Linguagens Visuais. Neste estudo sobre a Matéria do Pensamento e sobre a Não
-Forma como génese pretendo esclarecer osnexos
entre os trabalhos que vinha desenvolvendo, desde a Graduação em Pintura nesta mesma instituição, com o que chamaríamos de desdobramentos da ArteConceituai, específicamente do binómio ‘Arte
-
Vida’. Através do objetoNuvem busquei analisar as alterações ocorridas na Arte Contemporânea
decorrentes tanto da presentificação atual e original da Não
-
Formametodológica histórica, quanto asdasnovas tecnologiasno conhecimento
visual deste objeto Nuvem. O objeto nuvem é então recodificado em
obras, a partir dos procedimentos que convencionei chamar de
NOMEAÇÃO.Avancei assim no território das investigações de
f \
designação do efémero, tarefa eminentemente artística, levantada também
por Wittgenstein.
r\ r\ ViZSZSZ essayas: r^.-S ABSTRACT5SS M :::::-: ZZ2Z mmm ??« ''
-
N /^NTHINKING MATERIAINVESTIGATION
:
A NON
-
FORM AS GENESISSTUDY/^S
This dissertation presents a teorical
-
pratic investigation processed in two years during of Visual Languages Mestrade.
In that studies about ‘Material’s Thinking’ and Non-
Form as genesis I intend to lightining thelink between the works I’ve been desenvolving in this institution sinse
A the Painting graduation, with what we use to call developings of
conceptualart,especifically Art and Life binomal.This way, inthe cloud object I looked for the reflections about the changes happened in
contemporany Art decorred of the today’s original presentification of a
historical méthodologie Non
-
Form and the new techicnologies’sr\ '"N
becaming as a new knowlegde of that cloud object. This cloud object is recoding in some works with the process that Iuse to call NAMING.So I walked towards the land of investigations about ephemeral designation, especially artistic work, raisedtoo in Wittgenstein.
ns n\ /'"N LISTA DE ILUSTRAÇÕES ‘ZZSSZ m Ssï^H^sSSÜiiirHwív
1.Partenon.Vista Norte.GréciaClássica 12
2. Vitória.Grécia Clássica 14
3. UmbertoBoccioni: Formas Únicas na Continuidade do Espaço (1913), 1,10 m de
18
altura
4.Constantin Brancusi:AColuna Infinita(1937), 29,35m dealtura 21
5.Frank Stella:Marrakech(1964) 23
25
6. YvesKlein: The Void(1957)
27
7.FélixGonzález
-
Torres: Semtítulo(Aparição),(1991)36
8.Robert Rauschenberg: Persimon(1964)
/~N
9.Mathew Barney: Mile High Threshold:
38
Flight With Anal Sadistic Warrior(1992)
38
10.MathewBarneyTransexualis(incline) (1992)
38
11.Mathew Barney: Blind Pirineum (1992)
42
12.Robert Smithson: Spiral Jetty (1970)
''"'N
13.Alexander Cozens: De UmNovoMétodo(1785) 50
'"'N
14.Constanble: Estudo deNuvens (1882) 53
15.Pintura Chinesaatribuídoa GaoRanhui da tradição Mi Fu (séc.XHI
-
XIV) 5360
16.Jonh Cage: SemTítulo
> ~\
17.HélioOiticica: Apropriação 2,Bolóide Lata 1ouLata
-
Fogo(1966) 6518.Hélio Oiticica: Apropriação,MesadeBilhar (1966) 67
19.HélioOiticica: BolóideCaixa19,Apropriação 1 (1964) 69
20. Distribuição Global de Tipos de Nuvens sobre a Terra: Porcentagem de Céu
Coberto de Cada Tipo de Nuvem Nos Mesesdoano 78
21.ítalo Bruno Alves: Nuvens Nomeadas 5.2 (1997)
22.ítalo Buno Alves: Porta ContrapostaaoInfinito (1994)
23.Walter deMaria: Ligthining Field (1971
-
7)24.ítalo BrunoAlves: Guarda
-
Nuvem I(1997)25.ítalo Buno Alves:Tudo OQue É Tem Nome (1996)
26.ítalo Buno Alves:Tudo OQue É Tem Nome(1996)
27.ítalo BunoAlves:Tudo OQueÉ Tem Nome(1996)
83 96 98 106 '"N 112 \ 113 O 114 118
28.Richard Serra: Desenhomonocromático negro (1997)
121
29.ítalo Buno Alves: Hermeticulando
-
Me(1997)123
30. ítalo BrunoAlves: Self
-
Site(d)I(1997)31. Distribuição Global de Tipos de Nuvens sobre a Terra: Número de Nuvens
130
encontradas(Mil)
32.Brunelleschi:Reconstituição da primeira experiência com espelhos 131
o
r\ SUMÁRIO ssxssssxssszss /'S '•''v 1. INTRODUÇÃO
2. UMA PERSPECTIVA POÉTICADA MATÉRIA DOPENSAMENTO
2.1. APedra eaTradiçãoMonolítica
2.2.O Fogo e asTransformaçõesModernas
2.3.OAreaContemporaneidade
2.3.1.Não
-
Forma e o Pensamento Pós-
Modemo1 8 10 16 24 30
3. ARTE EVIDA,APROPRIAÇÕES E NÃO
-
FORMA3.1Apropriações,Projeções e Não
-
Forma Metodológica3.2 Investigaçãosobre ModosEfémerosde Arte
3.3. ‘Apropriações’da Vida em HélioOiticica
4.OOBJETO NUVEM: APROXIMAÇÕESPRELIMINARES
4.1
.
Fotografiae Investigação Planar4.1.1 Procedimentos Técnicos:Reflexões
4.2.lcono
-
poético-
\ogia: Diálogos4.2.1. A Land Artea Paisagem Contemporânea
5.TRICOTOMIAPARA MATÉRIASEOBJETOS EFÉMEROS
5.1.NuvensporAnalogia
5.2. NomeaçãodeNebulosidades ou‘Tudo o que é temnome’
5.3.Self
-
Site: Self-
Site(d)Ie Hermeticulando-
Me47 48 55 62 72 76 87 90 94 101 104 108 117 125 6.NUBIVESTIGAR 6.1 Nubivagar 6.2.Nubis in progress 6.3.Nemenclator 126 129 132 7.CONSIDERAÇÕES CONCLUSIVAS
8.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS..
134 137
s 1
.
INTRODUÇÃO S5S25Í S /^N /'“ VEsta dissertação se constitui numa investigação sobre
a
possibilidade de criação de um conjunto de obras baseando-
se emr\
procedimentos artísticos que estiveram ocultos metodologicamente nos
processos criativosao longoda História daArte, como foiocaso da Não
-Forma. Acredito ainda que há no centro da relação com a Não-
Forma uma‘
matéria do pensamento’, que se manifesta através de apropriaçõesr\
tanto em linguagens efémeras quanto nas linguagens tradicionais, em
projeções na Arte Pré
-
Moderna e mais intensamente em obrasconceituaisnaArte Contemporânea.
A Não
-
Forma das matérias efémeras-
as nuvens, como seráo
caso agora-
passará ateruma
identidade formal por procedimentos que chamareiaamplomodode NOMEAÇAO.Levando em consideraçãosua capacidade de criar, a
nomea
ção, classifica, diferencia e possibilitaacesso formal aoselementos não
-
formais.NOMEAÇÃO será o procedimento de recodificação então, nesta relação investigativa do objeto nuvem, que por
sua
vez foiuma das manifestações da Não
-
Forma metodológicar\
r\
tomado como
histórica, por sua
materialidade
aparentemente de fácil apropriaçãomental, sígnica ou poética caracterizado
-
se como uma das manifestaçõesO
da ‘materializaçã
o
do pensamento’.rs
Diante desta relação ancestral de ‘projetar’ formas para relacionar
-se
a nuvens e ainda das dificuldades perspectivas narepresentação pictórica deste objeto haverá a afirmação da nomeação,
como uma formaoriginalde relação.
Pode
-
se observar, no entanto que a codificação ligada amimesis na história da relação com o objeto nuvem e a codificação
conceituai através da nomeação possuem poximidades com a
Materialização do Pensamento. Isto aponta para algumas evidências: 1
-
Ao
génese da afirmação contemporânea de materializações do pensamento encontrava
-
se na Não-
Forma metodológica, 2-
O binómio Arte-
Vida e aslinguagens efémeras iniciam um processo gradativo de codificação nominativa da Não
-
Forma, materializações
do pensamento conceituai e não mais ‘projeções’ miméticas (capítulo 3), 3-
As novas tecnologiaspermitiram saltos significativos no conhecimento visual do objeto (não
-/Aformal)nuvem (capítulo 4,5e6). A
-A Não
-
Forma nas matérias efémeras-
pedra bruta-
foi o início da escultura grega. A não-
forma participou intensamente desde os /"Smétodos da Pintura Chinesa com as sugestões de cobrir muros com seda;
"A
/A
até aos métodos de Leonardo da Vinci que sugeriaaobservaçãode águas
lamacentas, paredes velhas e mesmo nuvens. A Não
-
Forma estevepresente como negação da ortodoxia tradicional da forma na
/A
modernidade. E hoje acredito, a mesma Não
-
Forma pode e vem sendoP
pensadacomoestrutura formal.
Na consideração da História da Arte enquanto uma processualidade, o que implica numa relação entre as produções da Arte
Contemporânea eas daArte universal histórica, reafirmando ainda o fato
de que o diálogo com convenções tomarem as originalidades mais
Oi
nítidas. Sendo assim, a Não
-
Forma será abordada em sua constituição,A comométodo de pesquisa aolongo da história, e emsua afirmação como
formaem manifestaçõesdaArteContemporânea.
Na constatação de que as categorias tradicionais1 estão
defasadas em relação a sensibilidade e as possibilidades contemporâneas Os
1 cA
chamadamorteda Artenão é senão a decadência consumada de um conjunto de técnicas artesanais, que
jánão se coordenacomo sistemaindustrialda produção
-
em muitoscasos,da produção dosmesmostipos decoisas queeram produzidas pela Arte’.In: ARGAN,GiulioCario.Artemoderna.TraduçãoDeniseBottmann
&Frederico Carotti.SãoPaulo: CompanhiadaLetras, 1992.
vide item1do Capítulo4
A
e na evidência de que alguns elementos desta tradição podem permanecer
nas
linguagens que surgem a partir dasnovas
tecnologias2; tentar-
se-
a compreender as originalidades e as continuidades decorrentes dasensibilidade da Não
-
Forma como forma na Arte contemporânea pelosr\
processos nominativos e não ‘projetivos’e as alterações no conhecimento
visual do objeto nuvem, bem como sua caracteristica de em todos os
casos
realizar materializaçõesdo pensamento.O conjunto de autores estudados para a elaboração desta
r
\ dissertação não estarão inteiramente alinhados entre si, mas possem emcomum o interesse por investigaçõ
es
emterrenos não-
formalizados, tendo todos eles êxitoem investigações nominativasde amplasignificação.
Esta dissertação, como já foi afirmado, centrará sua
/''N
investigação na Não
-
Forma tendo por elemento principal dasinvestigações prático
-
teórica, a matéria nuvem bem como as questões denomeação. A nuvem é reconhecida historicamente como Não
-
Forma,podemos dizer que ela é a representação de uma matéria com ponto
crítico* formal. As nuvens foram utilizadas ao longo de toda história da visualidade como procedimento metodológico para se alcançar formas.
Atualmente, com o surgimento das novas tecnologias, uma investigação
sobre as nuvens pode aprofundar seu conhecimento enquanto objeto e
*
N.doA:pontocríticoéoconceitodafísicaque designa omomentoonde a matéria se transforma.
A através
do desenvolvimento de processos de nomeação considerá
-
las/s
formalmente.
Pretende
-
se investigar o objeto nuvem, aquele codificado/A
e aquele outro menos conhecido, que será pesquisado principalmente nas
/A
r\
obras práticas, buscando compreender no interior destas obras
a
relaçãors
da Arte com aNão
-
Forma,eestabelecendo a Não-
Forma como forma emr\
obras que procuram expandir materialmente o entendimento do objeto
o
(não)
-
formal nuvem, caracterizando-
o em última análise como umarN materialidade do pensamento.
A perspectiva histórica desta investigação se aproxima da
*2
sensibilidade conceituada como ‘pós
-
modema’ , mais especialmente quando esta é caracterizada pelo retomo e/ou pela fragmentação dan
o
o
história (item 2.3.1) Não negaremos esta afinidade,na medida em que
r\
trabalha
-
se dentro de limites que evidenciam um espírito de época, que ér
\elementarmente distinto daquele tipicamente moderno. Por outro lado, /""S
,4
Argan em seu capítulo CA crise da Arte como Ciência Européia
o explicita a crise das categorias históricas da Pintura e da Escultura, e
o
aponta para uma sociedade industrializada, onde os artistas tomariam
-
setécnicos de imagem.
3
FOSTER.Hal.Recodificação.TraduçãoDuda Machado.SãoPaulo:CasaEditorial Paulista,1996.
4
ARGAN, Giulio Carlo. Arte moderna. Tradução Denise Bottmann & Frederico Carotti. São Paulo:
Companhiada Letras,1992.
r\
<“ N
A visualidade contemporânea por um lado se afirma em
sua
‘hiper-
realidade’*, que em última análise determinará ar\
presentificação da Não
-
forma como forma e, por outro deixa a deriva opapel de organização da visualidade, inclusive sob seus aspectos
/N
cotidianos.
No entanto, certas alterações tecnológicas transformam
/"N
elementos
como
a nuvem, que acumularam em si a carga da artetradicional, numa novaordem quese seguenarelação Arte
-
Vida./"N
/r*\
Assim pretendo desenvolver processos que expandirão o
conhecimento visual do objeto nuvem a partir das alterações decorridas das tecnologias que permitem relacionar
-
mo-
nos com nuvens de maneiramais aprofundadamassem ilusões.
Acredito ainda através destes processos evidenciar uma
alteração mais profunda que seria a Não
-
Forma metodológica históricao
afirmada como forma na Arte Contemporânea, na maioria das vezes por processos de conceituação, caracterizando
-
se como matéria dopensamento.
Quais foram e quais serão as transformações decorridas no interior da relação hiperreal do objeto? E de que maneira a liberdade
*
semrepresentação,sem ilusão,semsimbolização.(Baudrillard, 1991)
'
-
'Nconquistada pelo Happening e pela Performance podem influenciar nas
investigações formais hoje?
Penso aprofundar assim os nexos na relação Arte
-
Vida estabelecida desde Kaprow, desenvolvendonexos
entremanifestações dor\
/ N
efémero,nomeseconceitos.
A r\ r\ r*\ /A 7
AN AN
2. UMA PERSPECTIVA POÉTICA DA MATÉRIA DO
AN PENSAMENTO : :í. s; SSSSÃÍ^SSSa: A A A AN AN /^\ A AN
Primeiramente, com o objetivo de caracterizar uma das
A A
sensibilidades que emergem na Forma Contemporânea, evidenciarei associações entreobras realizadas por artistas aolongo dahistória com os
/A
materiais que serviram aos processos metodológicos como Não
-
Forma.A
Essesmateriais podem se apresentar de maneira literal
,
comoéo caso darelação pedrae Arte monolítica Gregaaté a Pré
-
Moderna;ou de maneirafenomenológica, comoéocasodacorrespondênciaentreoelemento fogo
e as transformações na Arte Moderna. Estas associações permitirão
apontar a presença da Não
-
Forma metodológica histórica e assim,\
evidenciar o seu surgimento como elemento formal na Arte
Contemporânea. A
A
Os materiais que serão apontados como presentifícadores da Não
-
Forma para determinadosper
íodos demonstram características/~\
análogas. Conforme poderemos observar
na
relação estreita entre asdefinições simbólicas dos elementos e as afirmações ‘emblemáticas’ de autoresespecíficossobrecada respectivo
per
íodo.Os materiais emblemáticos utilizados aqui são a pedra, o
A
fogo conforme foi dito, e o ar associado a Arte Contemporânea,
partindo
-
se das evidências estruturais de cada um como não-
forma nasproduções artísticas da Grécia até a Arte Pré
-
Modema, Arte Moderna,Arte Moderna eArteContemporânea,respectivamente.
Esta associação emblemática dos materiais pedra, fogo e
ar com os períodos históricos Pré
-
Moderno, Moderno e Contemporâneorespectivamente, não pretende ser completamente abrangente, mas
permite no entanto, uma visão dos materiais criativos comprometidos
com a poética decriaçãoecom ditoespíritodeépoca.
O que
se
evidenciana história é que amatéria significante varia, mas esta relaçãocom a Não-
Forma apresentando-
se como ‘matériado pensamento’ sempreestevepresente,por isto podemos constatar quea
matéria com que se constitui a arte é aquela que o próprio pensamento
e/ou conceito escolhe, em seus métodos de investigar e compreender a
materialidade.
2.1.APEDRA E ATRADIÇÃOMONOLÍTICA
S\~
Asconvenções não detectadas, por isso não enfrentadas, continuam sendo as quecontrolam
.
5r\
O interesse de colocara ArteGrega na perspectiva de uma
poética de formação de obras em Arte Contemporânea vêm da hipótese
da possível expansão na visualidade atual, partindo
-
se de reformulaçõesde algumas convençõesprimevas eaindanão detectadas.
Se numjogo estritamenteformal,pensássemosas bases da
ArteGrega, lançadas
na
contemplação e organização do espaçoaéreo das nuvens e não no espaço terrestre, das pedras, a visualidade guardaria asmesmas características? Descobriríamos se as nuvens variaram ao longo da história? E sobretudo, por que os Gregos apreenderam apedra em seu f s
estado original bruto mas não deixaram de identificar as matérias
efémerasemsuasemelhança aomundo rígido?
A partir deste jogo histórico pretendo investigar
características particulares da Não
-
Forma que não se podem pensar nasT\ 5
GREENBERG, Clement et al. Clemente Greenberg e o DebateCritico. TraduçãoMaria Luisa X. de A.
Borges.Riode Janeiro: Funarte & JorgeZahar,1997.
matérias resistentes,contanto que isto poderá contribuir aoconhecimento até da pedra.
/
—
NA utilização dos materiais naGrécia partiu da Não
-
Forma.Sabe
-
se que a primeiras manifestações escultórica na Grécia forampedras brutas, Não
-
Formas que ganhavam sentido segundo atributosmetafísicos, sendo portanto consideradas em seu aspecto sígnico e não
comopedrasemsi.
o
A escultura ocidental iniciada na Grécia clássica têm
como base a dureza dos materiais. O mármore possui a resistência
o
r
'necessária para que os produtos escultóricos de mais de dois mil anos se
conservem hoje.A utilizaçãoda dureza da pedra desenvolveu a noçãode
perenidade em arte,a autenticidade ea aura, a durabilidade eresistência dos materiais acompanha a escultura até o início da Arte Moderna,
o
n
n
n r" nr
mantendo-
se
atéaArteContemporânea.A associação da Arte Grega com a pedra, procura r>
O evidenciar, então, este estado na qual a criação artística foi envolta: a resistência dos materiais e também o carater fixo das
suas
convençõeso
{paragon).A esserespeito Walter Benjamin comenta:
r>
Os gregos foram obrigados, pelo estágio de sua
técnica, a produzir valores eternos6
.
r\
6
BENJAMIN, Walter. Magia e Técnica. Arte e Política. Tradução Sérgio Paulo Rouanet. São Paulo:
Brasiliense, 1987
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|
|
||
|
Partenon ;Vista Norte .Gr écia Cl ássica ."“
A r\
A resistência do mármore não impediu que a Arte Grega do
per
íodohelenístico representasse matérias fluídas, como panejamentosúmidos, pôr exemplo. Impediu, efetivamente que a sensibilidade dos
escultoresse voltasseparamateriais não
-
duradouros. Isto caracterizauma
relaçãocom‘matéria do pensamento’ submetida arigidez,a mimesis
A pedra possui dentresuas conotações simbólicas relações intrínsecas aculturaGrega:
Por sua dureza e imutabilidade a pedra
relaciona
-
se frequentemente com os poderes eternos imutáveis e divinos, sendo vista quase sempre como expressão da força concentrada. Mas apesar desua
solidez, ela não é vista comoalgo inerteesem vida. Nomito Grego, por exemplo, oshomens nascem,apósodilúvio,das pedras semeadas por Deucalião.
A pedra, como elemento da construção, está
ligada ao sedentarismo dos povos e a uma espécie de cristalização.
O
A pedra éaindasímbolo da Terra
-
mãe e foi esseum dosaspectos dosimbolismo deCibele
.
8LEXICON, Herder. Dicionário de Símbolos.TraduçãoErlonJoséPaschoal. SãoPaulo: Círculodo Livro,
[19-].
8
CHEVALIER,Jean& GHEERBRANT,Alain. Dicionário deSímbolos. TraduçãoVerada CostaeSilvaet
al.Rio deJaneiro: JoséOlympio,1988.
*Paragon
é oconceitoque em História da Arte designa oconjunto normativo das obrasem dadoperíodo
histórico.
"A
~\
Esta concepção mimética e relativa
aos
materiaisduradouros da arte Grega permanece como paragon até a arte Romântica. Associaremos a permanência nas produções baseadas na
*)
r\
rigidez de um modelo ao elemento pedra. Este tipo de atividade do fazer
artístico baseada na resistência dos materiais é reafirmada no
r\
o»
Renascimentoeaeste respeito Clement Greenberg afirma:
Entre o Renascimento e Rodin, a escultura
sofreu como veículo de expressão em razão de seu apego à tradição greco
-
romana monolítica, corpórea, de talhar e modelar.9Para facilitar o desenvolvimento desta investigação, será convencionado chamar a este conjunto de
caracter
ísticas da matéria -prima da Arte Clássica até a Arte Pré-
Modema de‘
matéria dura'. Os
-
\conceitode ‘matéria dura’será veiculado no pensamentoestruturador das obras práticas, sempre refletindo a alusão ao monolito (rígido) escultórico.
Pretendo prosseguir
na
investigação sobre a noção deo
materiais resistentes, seus procedimentos intrínsecos, chamados aqui de
r\
‘matéria dura’ na
sua
contraposição com as ditas ‘matérias efémeras’,9
GREENBERG, Clement et al. ClementeGreenberg eo Debate Crítico. Tradução Maria Luisa X. de A.
Borges.Rio de Janeiro: Funarte&JorgeZahar,1997.
'"A
queserão abordadas no item 3 deste capítulo e mais detalhadamente nos
rs
r
\capítulos posteriores.
o
Obviamente não se pode afirmar que a solidez da pedra e
suas
propriedadesnãoestejam presentesna
ArteContemporânea. RichardA
Serra descreveo pesocomo umadas características desuaobra. Peso que
r*I
A
precisamente o coloca em perspectiva (de não afirmação) com a anterior
A
caracter
ística da produçãomonolítica.2
.
2.
O FOGO E AS TRANSFORMAÇÕES MODERNAS.Vincular períodos históricos a elementos emblemáticos
pode permitir dar umaênfase maiorao vigordo'espirito de época’ que a Ok
reflexões intrínsecas a criação de obras particularmente, mais ênfase no
pensamento que
na
matéria por ele escolhida. O dimensionamento que aevidenciação de um espírito de época permite traz a tona o caráter
A
transitório deste período, dos outros períodos antecedentes, e de algum
r \
modo,dos seussubsequentes.
A criação através de processos industriais, o ardente ímpeto fauvista, o < \
vigor expressionista, a criptação cubista,
a
luminosidade orfista, aO
16
O O
r~\
contestação dadaísta, a movimentação na arte cinética são ligações entre
ofogoe oModerno. Pela adequaçãodos adjetivos ígneos à Arte Moderna pode se demonstrar uma das arestas deste espírito de época moderno e nos faz refletir, será que sua totalidade? Constitui
-
se como uma matériafundamental que se desdobra em realizações do pensamento moderno.
Umanão
-
formaespecífica do espírito de época moderno.O crítico de arte Ronaldo Brito afirma sobre o
r
\Modernismo:
r\
r^
O projeto moderno, convém lembrar,
representou um esforço duploecontraditório: matar a arte para
salvá
-
la.10E Clement Greenbergnosdiz:
É comum a idéia do modernismo como algo de
febril, acalorado. Assim, Irving Howe lista entre os atributos formais ou literários do modernismo” o fato de a “Perversão
-isto é: Surpresa, Arrebatamento, Choque, Terror, afronta
tomar
-
se umTema DominanteC*
\
„11
o
10
BRITO, Ronaldo & VENÂNCIO FILHO, Paulo.Omodernoe contemporâneo (o novo e ooutronovo)...
RiodeJaneiro: Funarte, 1980.
11
GREENBERG, Clement et al.ClementeGreenberg eo Debate Crítico. Tradução Maria Luisa X. de A.
Borges.RiodeJaneiro: Funarte &JorgeZahar,1997.
''l C\ r\ r\ ii '"A % 'i
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‘-ífcj - ;r<. r< JV -* r , 5 & *"'—
-tî-.Umberto Boccioni: Formas Únicas na
Continuidade do Espaço (1913), 1,10 m de Wi .V Uf;ÿ i* altura •i' #**'
"\
Compare
-
seestas afirmações históricas com o simbolismodo elemento ancestral fogo:
É considerado por muitos povos como
purificador e regenerador; seu poder de destruição é interpretado geralmente como meio para o renascimento em
uma
esfera mais elevada.12Segundo certas lendas Cristo (e alguns santos) revivificava os corpos passando
-
os pelo fogo.
Sejestani considera o fogo em sua função de
levar as coisas ao estado sutil pela combustão do invólucro grosseiro13.
r\
O período Moderno é posterior ao período histórico
definido como Romântico
.
No início da industrialização, ocorremalteraçõestécnicas,e os artistas passam a se posicionar frentea industria.
Desde o início a Arte Moderna possui vínculos com o elemento fogo: a
O
industria, a metalurgia, as soldas. O posicionamento de artistas frente à
industria parece ter produzido correspondentes simbólicos ancestrais na
ação de diversos movimentos e artistas modernos: baseando
-
se
no12
LEXICON, Herder. DicionáriodeSímbolos.TraduçãoErlonJoséPaschoal. SãoPaulo: CírculodoLivro,
12
CHEVALIER,Jean&GHEERBRANT,Alain.Dicionáriode Símbolos.TraduçãoVera daCostaeSilvaet
al.Riode Janeiro:JoséOlympio, 1988.
r\
r\
/~\
material histórico acumulado pela arte mimética, a arte moderna transforma.
r\
A simbologia do fogo está ligada a transformação, a
sublimação. O fogo transforma física e quimicamentea matéria em outra
matéria menosdensa, a partir de reações intrínsecas a cada uma delas. O
fogo possui aimpetuosidade e mesmo aviolência de
n
ãopoupar nada que lhe sirva de combustível. Em sua relação ancestral coma
terra, é fixo e/"S
r\
transforma amatéria orgânica cansada em novos nutrientes à matéria que
rs
virá.
/“•N
A escultura moderna rompe
com
os matériasr\
convencionais, lançando
-
se assim em materiais menos convencionais emenosresistentes.ConformeafirmaClement Greenberg: r
-
\r>
Liberta da massa e da solidez, a escultura
encontraum mundo muito mais amplo diante desi14.
Nas afirmações de Greenberg pode
-
se notar atransferência da matéria pedra(alusiva ao modelar),para outras matérias
(onde o fogo participa estruturalmente). A escultura Moderna, no
entanto, em seu processo autorreflexivo nega a rigidez do monolito,
r\
como a Pinturanega ailusã
o
de profundidade:14
GREENBERG, Clement et al. Clemente Greenberge oDebate Critico. Tradução MariaLuisa X. de A.
Borges.RiodeJaneiro: Funarte & JorgeZahar,1997.
r\ A • Ä fi >•:••*
%
m
*
•A.’* <r“\ r\ lT\ r\ A\ r\ r\ A r“\. r\ r\ , A\ r\ r\ /A, AS r\ r\Constantin Brancusi:A ColunaInfinita(1937)
o
Essa nova escultura, pictórica, de projetista,
abandonou de certa forma os materiais tradicionais da pedra e
do bronze em favor de outros mais flexíveis a serem
trabalhados com ferramentas modernas como o maçarico de oxiacetileno: aço,ferro,ligas, vidro,plásticos1 .
O,
A força ígnea do pensamento moderno parece por vezes,
também se manifestar materialmente. Se observarmos algumas obras
deste períodos notaremos a grande incidência do triângulo16. Dentre
muitos podemos citar: Enzo Mari (Estrutura n° 495 (1959)), Alberto
/
~
\Biasi (Cine
-
retícula espectral n° 1 (1963)), Cario Lorenzetti (Esculturas(1966)), AttilioPierelli (Monumento Inox 4 (1966), Joe Tilson (Zigurat),
Antony Caro (Escultura XXII (1976), Kenneth Noland (Zona Tropical (1964),Frank Stella(Marrakech(1964)
.
A proximidade entreoespírito Moderno e ofogoquevêm afirmando um longo processo de queima de matéria histórica faz surgir uma espécie de dissolução na Arte contenporânea, que acredito possuir
como elemento catalisador da ‘matéria do pensamento’de época o
elementoar
.
15
GREENBERG, Clementet al. Clemente Greenberge o Debate Crítico. Tradução Maria Luisa X. de A.
Borges.Riode Janeiro:Funarte&JorgeZahar, 1997.
16
Otriângulo éaforma arquetipicadofogo.In:CHEVALIER,Jean &GHEERBRANT,Alain.Dicionáriode
Símbolos.TraduçãoVerada CostaeSilvaetal.Rio de Janeiro:JoséOlympio,1988.
2.3.O AR E A CONTEMPORANEIDADE
r
\Elaire naturales el aire libre17
Conforme se poderá observar no item posterior as noções
de antiforma (disjuntiva, aberta), ausência, mutante, polimorfo e
indeterminação circulam pelo momento dito pós
-
modemo. Caracterizam'““N
a ‘matéria do pensamento’ de época. Os adjetivos de desmaterializações
demonstram uma proximidade da cultura e daArte contemporâneas com
Os
o elemento ar
,
tanto por desmaterializações quanto pelo uso efetivo doO
elemento emobras.
r\
Esta proximidade, entre outros exemplos, leva o crítico Claus Jurgen a definir a arte de Robert Smithson como aérea e o
surgimento de obras que ocorrem em relação direta com o elemento ar, comoéo caso do‘Salto para o vazio’ de Yves Kline, e do ‘Air Show’ do grupo Art & Language
,
-
que nada mais é que uma coluna de ar comlocalização,áreaealturanãoespecificadas
-
, entre muitos outros.17
T.doA: Oarnatural éoarlivre.In:BACHELARD,Gaston.El aire vlossuenos-Traducción Emestina de
Champourcin.México:Fondo deCulturaEconómica, 1989.
o
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'JâW? ’'S. •P V v-.•V •"*va
s ••«.-. !* 3K •v Ä--YvesKlein:The Void(1957)
"'S
Paul Virilioementrevistaa Catherine David para aúltima Documenta de
Kassel (1997), afirma que a virtualização da experiência visual é inevitável.Esta virtualizaçãosegundo eleédecorrentedeumadeslocação
r\
espaço
-
temporal do senso contemporâneo, sendo que esta deslocação
é resultado de trocas de energia:Os
...You no longer make a phone call from your home, in a place, but you phone out in the street, the phone is on you, it’s portable, cellular. Arewe headingtoward a cellular
art, just as we have cellular telephones? A portable art, on you
oreven in you18?
O
o
n
A desmaterialização à que se refere paul Virilio é aquela O
decorrente das novas tecnologias e elementarmente diferente daquele
7
n
*outro tipo de imaterialidade já anunciado: a conceituai (como é o cao do
7
T
"‘Air Show’), bem evidenciada na afirmaçãodeCaron que situa o produto
resultantedeprocessos artísticos emseumomentomais imaterial:
o
O
Seja através da performance e do happening,
seja através de outras práticas “ eventualistas”, o valor
encarnado (inerente)eofetichismo ligado ao objetosão, assim,
mal tratados19.
O
a
I O
# #
T.doA.:...Vocêapoucotempofazia ligaçõesdetelefonedasuacasa,numlugar,mas agora você ligada
rua,otelefoneestáem você,é portátil, celular.Estamosnos aproximandodaartecelular? Assim comotemos
telefonescelulares? Umaarte portátil, em você, oucomvocê?In: DAVID, Catherine, VIRILIO, Paul. The
darkspotofart.DocumentaXDocuments.Germany: Cantz, 1997.
19
CARON,Muriel.“Reflexõessobreaspropostasde algunsmovimentosartísticosdosanos60”.Porto
Alegren.il vol.7, 1996.
n\
\
Félix González
-
Torres: Sem titulo1
A s
Observando a simbologia ancestral do elemento ar nota
-
seque de fato, assemelhanças estão tanto nos aspectos (não
-
)formais quanto no caratér de proximidade envolvente deste elemento que é afinal o meio em quevivemos, parecendo designar uma etapa mais profunda na relação Arte
-r\
Vida.
O
ar
é o meio próprio da luz, do alçar vôo, do perfume, da cor, das vibrações interplanetárias; é a via decomunicaçãoentrecéueterra.
/"A
Oelemento Ar,dizSãoMartinho, é um símbolo
sensível da vidainvisível20.
A criação de recursos eletrónicos permitiu manifestações
'"A
artísticas mais próximas da vida, que se uniram ao cinema e a fotografia
o
e vêm sendo um dos fatores que levaram a Arte Contemporânea a
desenvolver obras ligadas a vida diária. A arte conceituai colabora para
que 'resultados não necessariamente formais’ (Judd) sejam efetivados.
Poderíamos dizer que esta conjuntura de proximidade com o mundo efetivo e, simultaneamente com a vida, guarda afinidades profundas com
a
o oar.
Ok
20
CHEVALIER,Jean &GHEERBRANT, Alain.DicionáriodeSímbolos.Tradução Verada CostaeSilvaet
al.Rio de Janeiro: José Olympio, 1988.
O,
«4
Dos quatro elementos primordiais que compõe a natureza o ar é o menos
denso, o único quenão podemos tomar objeto, nem contê
-
lo como objetoem si,apenas conceitualmente como faz o Air Show do Art& Language.
O elemento
ar
associa-
se a imaterialidade e transparência. Se por um 21lado há os avanços não necessariamente formais de Donald Judd; por
outro, a ‘desmaterialização’ vêm sendo afirmada frequentemente como
r 22
uma das principais características da escultura depoisnadécadade 60 , especificamente o Minimalismo, o parente vivo contemporâneo mais próximo da escultura monolítica
Domesmomodo,Adrian Henrinotexto “Towards aTotal
/^\
Art” afirma que as mais importantes imagens daarte no século vinte têm
em comum, nada menos, que a não adaptação à categorias pre
-concebidas de arte:
Yves Klein throwing gold
-
dust given him for apiece of‘The Void’ into the Siene
Allan Kaprow’smelting palacesof ice
-
blocks in city streetsChristo packaging a section of the Australian coasline
Claes Oldenburg proposing to cover Manhattan with
a
giant ironing-
board21
SMITH inSTANGOS,Nikos(org.).ConceitosdaArteModerna.Tradução Álvaro Cabral. Rio de Janeiro:
JorgeZahar, 1997
22
KRAUSS,Rosalind.SenseandSensibility.Art Forum.November, 1973.
diferente para o mesmo problema detectando a nebulosidade,o labirinto,
como figurasemblemáticas da contemporâneidade
.
Segundo Omar Calabrese, o termo pós
-
modemo estárelacionado a três campos de ação que são confundidos uns com os outros.
O primeiro deles, utilizado a partir do final da década de
60,
e
elaborado por PaoloCarravetta,Paolo Spedicato (1984) e Maurizio Ferraris(1986),ede fato,significava:/'“"x
A
muito simplesmente que havia certos produtos literários que não consistiam na experimentação (entendida como’modernidade'), mas sim na reelaboração, no pastiche, na
deconstrução do património literário (ou cinematográfico)
26
imediatamenteprecedente .
O segundo, diz respeito ao âmbitofilosófico, utilizado por Jean
-
François Lyotard, na sua obra "A Condição Pós-
modema", onde otermo foi colhido dos sociólogos norte americanos Derek Bell e Diab
Hassan,onde:
Simplificando ao máximo, poderemos considerar 'pó
s
-
modema' a incredulidade nos confrontos dasmetanarrativas27.
27
LyotardapudCALABRESE,Omar. AIdade Neobarroca.TraduçãoCarmemdeCarvalho eArturMorão.
SãoPaulo:Martins Fontes,1987
E o terceiro âmbito, de aplicação do termo "pós
-modemo",foi oda arquitetura:r
\r\
r>
e, em geral, das disciplinas projectivas, e teve
sucesso sobretudo em Itália e Estados Unidos. O seu ponto de partida foi a famosa exposição da Bienal de Veneza dedicada à
"Strada Novissima", cujo catálogo foi intitulado 'Postmodern' pelo seu organizador, Paolo Portoghesi. Neste sector, "pós
-modemo" começou a significar qualquer coisa deideologicamente preciso,ou seja,arebelião contra osprincípios do Movimento Modernista, o seu funcionalismo e racionalismo28.
Estas distinções de Calabrese se confirmam na informação de David Harvey (1992), segundo o qual, o pós
-modernismo na arquitetura, por exemplo, foi anunciado com dia, local e
9Q
hora pelo arquiteto Charles Jenks que decretou
o
fim da modernidadee, consequentementeo início de algum período, queapartir dali deveriaser/ \
definido.
28
CALABRESE, Omar. A Idade Neobarroca. Tradução Carmem de Carvalho e Artur Morão. SãoPaulo:
MartinsFontes,1987.
29
CharlesJenks dataofinal simbólicodomodernismoea passagem paraopós-modemode15h32mde15de
julho de 1972, quando o projeto de desenvolvimento da habitação Pruitt-Igoe, de St Louis (uma versão
premiada da'máquina para a vida modema'deLeCorbusier),foidinamitadacomoumambiente inabitávelpara
aspessoas de baixa renda que abrigava. In: HARVEY, David. ACondição Pós-Modema. Tradução Adail
UbirajaraSobral &Maria Stela Gonçalves.SãoPaulo:Loyola,1992.
' \
As datas apontadas por ambos autores, para o início do
r
-
\pós
-
modemo,n
ão divergem muito,Hal Foster cita Trilling em 1955 a sepela "legitimaçã
o
do subversivo" numa universalidadepluralista, e, em 1964, Hebert Marcuse condenando o pluralismo como
lamentar
um "novo totalitarismo” e este pluralismo chegando especifícamentenas
artes plásticas à década de 70. David Harvey aponta como antecedentes o n
uma declaração de Huyssens (1984) e o exemplo anteriormente citado,
do arquiteto Charles Jenks em 1972.
Nas artes plásticas as transformações estilísticas têm
rupturas determinadas, analisadas por David Harvey, que evidencia dicotomias claras numa tabela esquemática elaborada por Hassan,
apresentadaaseguir: O {
-i. 30‘Oque aparece numnívelcomo o último modismo,promoção publicitária e espetáculo vazio épartede uma
lenta transformação culturalemergentenassociedades ocidentais,uma mudança da sensibilidadeparaaqual o
termo Mpós-modemoMé na verdade,ao menospor agora,totalmente adequado. A naturezaea profundidade
dessatransformação são discutíveis, mastransformação ela é\ HARVEY,David. ACondiçãoPós-Modema.
Tradução Adail Ubirajara Sobral &MariaStelaGonçalves.São Paulo: Loyola,1992.
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estrutura do sentimento
Podemos afirmar que uma destas mudanças de sentimento é a valorização da não
-
forma, da antiformana medida que os avanços da sociedade capitalista estão ligados a avanços tecnológicos,fundamentais a expansão da sensibilidadenadireção doefémero.
David Harvey identifica na Body Art, no Happennings e
na Performance características como antiforma, acaso, desconstrução e
antítese; contrapostos a forma, projeto, totalização esíntese.
A linguagens do Happening, da Performance e Body Art
possuem de fato estruturas policêntricas, ou seja, partem da
diversificação expressiva, onde a intermedia (também as mídias
tecnológicas como vídeo) é tomada como característica intrínseca.
Especialmente no Happening e na Performance a conexão entre música,
dança e artes plásticas,sãoestruturais.
Hal Foster e Harvey, acreditamque o surgimento do pós
-modemo, nas artes plásticas, dá
-
se pelo rompimento dos ideaismodernos. Harvey é da opinião de que "
as
metalinguagens, metateoriase metanarrativas do modernismo tendiam
ao
fato de apagar diferençasimportantes e não conseguiam atentar para disjunçõ
es
e detalhes importantes. E queo
pós
-
modernismo tem especial valor por) ) y ) ) J J ) ' ) I ) J V ) J ) ) )\ j j ) ) y ) ) j J J j \ j j ' j y j l J J K . J J y J j j J j ; y J j y y \ y > -M f i?; : •• iu
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se i • i » ' SS dm .. r ' . \ . • ». . . • •. •»
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;
$ . * • •: -; •)! > * .il
si 1 , « AH
ï * ti ; S m s s , •* CoV Mathew Barney ; -de cima para baixo -Blind Pirineum , Mile High Threshold : Flight With Anal Sadistic Warrior , Transexualis ( incline ) ( 1992 )reconhecer as múltiplas formas de alteridade que emergem das
diferen
ças
de subjetividade, de gêneroe
de sexualidade, de raça
, declasses de configurações de sensibilidade) temporal e de localizações e
deslocamentos geográficos espadase temporais".
-
\Hal Foster aponta que no pós
-
modemismo, determinada'"N
atitude é característica:
"A
Se a "essência" do modernismo é usar os métodos de uma disciplina para 'enraizá
-
la mais firmemente em sua área de competência", a "essência" dopós
-
modemismo é fazer omesmo
, mas exatamente parasubvertera disciplina31
.
—
s,Esta afirmaçãode Hal Fostersugere em si, a 'necessidade' daformação de tomadas de atitude originais diante das linguagens, o que
corresponde a opiniões de Harvey, quanto a manifestações artísticas
decorrentes dos parâmetros de sensibilidade pós
-
modemo,porexemplo.Cabelembrar que Hal Foster atribui "a dispersão daarte
em geral" a partir dos anos 70 também pela disseminação desta 'efêmeridade' nas linguagens mais 'tradicionais', o que é um dos pontos
31
FOSTER.Hal.Recodificacão.TraduçãoDudaMachado.São Paulo: Casa Editorial Paulista,1996.
o
o
/“N
que esta dissertação leva adiante, pensando a visualidade escultórica
numamatéria efémera, emboranumainvestigação formal.
Tanto para a tabela de Harvey quanto para Hal Foster
estas
as
linguagens artísticas efémerass
ão decorrentes, sobretudo pelas contraposições ao espírito moderno. É por conta destes parâmetros que Calabrese indaga:Poderá bastar um programa genérico (a reação
ao projeto moderno) para definir conjuntos de fenômenos
artísticos, científicos, sociais globais como contemporâneos? E
poderá bastar a declaração de fim de vanguarda e do
experimentalismo, como característica dos objetos pós
-modemos32?
Por esta razão, Omar Calabrese propõe uma etiqueta diferente:ade Neobarroco,baseando
-
seem
definições de Severo Sarduy, que define o Barroco como uma atitude generalizada e uma qualidadeformal dos objetos que o exprimem. O que possibilita que haja barroco
em qualquerépoca dacivilização:
"Barroco" quase se toma numa categoria do
espírito,opostaà de "clássico"33.
32
CALABRESE, Omar. A Idade Neobarroca. TraduçãoCarmemde Carvalho e Artur Morão. São Paulo:
MartinsFontes, 1987
33
CALABRESE, Omar. A Idade Neobarroca. Tradução Carmem de Carvalhoe Artur Morão. São Paulo:
Martins Fontes, 1987
r~\
r
'Embora o conceito <Neobarroco> de Omar Calabrese
O'
possua nomenclatura distinta, baseia
-
se, em última análise, nomesmo
princípio queo de <pós
-
modemo>, pois define-
se a partir da dicotomiacom
algum outro parâmetro anterior: o <barroco> contraposto ao<clássico>,o <pós
-
modemo> contrapostoao<modemo>.r
-
'r
^o
/"N
Omar Calabrese elucida a posição do historiador
r\
formalista Wölfflin, em seuOs Conceitos Fundamentais da História da Arte, onde evidencia
-
se a definição de que um estilo histórico é umconjunto de maneiras de tomar formas traduzidas em figuras
-
definiçãoque colabora nesta investigação nas caracterizações da matéria do
r\
O
pensamento das épocas abordadas
-
, conjuntamente a um estilo abstrato,queseráo conjuntode escolhas possíveisem dadaépoca. Dessamaneira,
Wôlfflin sugere à idéia de continuidade evolutiva dos estilos, definindo
clássico e barrocopeladicotomia entre categoriascomo:
/'"'N
linear/pictórico, superfície/profimdidade, forma
fechada/forma aberta, multiplicidade/unidade, clareza absoluta/clareza relativa34.
34
CALABRESE, Omar. A Idade Neobarroca. Tradução Carmemde Carvalho e Artur Morão. São Paulo:
MartinsFontes,1987
: V ' V , • 7 *V . * s m > mm
m
á
w * s 4 • >-• V » v -> r V \ V * * -û I * * . « « te % • vv . «r ; , * > • % I * * ••* . & • vBi
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Em nossa Perspectiva Poética da Matéria do Pensamento
afirmamos como dicotômicas as atitudes criativas baseadas na pedra
(referente a Grécia) e as baseadas no ar (referentes a
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Contemporaneidade). A análise de Calabrese sobre o Neobarroco também é construída a partir de uma contraposição, o clássico para se
contrapor aoBarroco que por sua vez seengendra noNeobarroco:
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o No que consiste o Neobarroco está quase dito. Encontra
-
se naprocura de formas
-
e nasua valorização-
, em que assistimos à perda da integridade, da globalidade, da sistematicidadeordenada em troca da instabilidade, da polidimensionalidade,
da mutabilidade35.
O
A Arte contemporânea também para Hal Foster, utiliza seus meios além da própria linguagem escultura. Inter, Trans, Meta, Pluri, Pós
-
modema., em sua opinião o pós-
modemismo possui umadistinção de estilos e política, revelando no entanto uma identidade histórica. O tipo mais comum de pós
-
modemo é aquele alinhado a umapolítica neoconservadora, que tende ao uso de referências historicistas
O
kitchizadas,ou melhor:
35
CALABRESE,Omar. A Idade Neobarroca. Tradução Carmem de Carvalho e Artur Morão. SãoPaulo: