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Sao Paulo Med. J. vol.123 suppl.spe

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Academic year: 2018

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Sao Paulo Med J. 2005;123(Suppl):31.

INTRODUÇÃO

O edema pulmonar agudo não-cardiogênico é uma compli-cação conseqüente da terapia transfusional, sendo considerada importante causa de mortalidade. Cursa com quadro de insufici-ência respiratória aguda, devendo ser feito o diagnóstico diferencial com sepsis, sobrecarga hídrica e edema pulmonar cardiogênico. Tem como principal fator desencadeante a alteração da perme-abilidade capilar pulmonar, ocasionada pelos seguintes fatores: presença de anticorpos, liberação de citocinas, fator ativador de plaquetas e lípides biologicamente ativos, resultantes da quebra de componentes celulares do sangue.

RELATO DO CASO

Paciente do sexo feminino, 27 anos, 56 kg, estado P2 (antigo ASA II) pela classificação da ASA, apresentando no dia da admis-são: dor abdominal, aparelhos cardiocirculatório e respiratório normais, consciente, orientada, sem edemas, RX de tórax e gasi-metria normais, Hb = 12,5 g%, Ht = 38,5%. Depois de 24 horas, evoluiu para abdome agudo hemorrágico, com mucosas hipoco-radas, Hb = 7,28 g%, Ht = 21,4%, plaquetas = 204 mil. Após venóclise e monitorização com oximetria de pulso, capnografia, cardioscópio, PVC e pressão arterial não-invasiva, foi submeti-da à laparotomia exploradora sob anestesia geral balanceasubmeti-da: indução com etomidato, precedido de fentanil; o relaxamento muscular para a intubação traqueal foi obtido com rocurônio. A manutenção se deu com sevoflurano veiculado em O2 a 100% e VCM. Os sinais vitais mantiveram-se estáveis durante o pro-cedimento e os exames laboratoriais intra-operatórios foram de: Hb = 5,4g%, Ht = 16,5%, plaquetas = 168 mil, RNI = 2,05 e R = 0,97. A reposição consistiu em Ringer com lactato (2.000 ml), concentrado de hemácias (3 U) e plasma fresco congelado (3 U). A cirurgia ocorreu sem outras intercorrências e a paciente foi

extubada após a descurarização. Na recuperação pós-anestésica, apresentou agitação, taquidispnéia, cianose, SaO2 = 45%, asculta pulmonar com estertores e roncos difusos, secreção oral espuman-te e rósea, PVC = 8 cm H2O e demais sinais vitais normais. Foram realizadas intubação traqueal e ventilação com pressão positiva, fu-rosemide e esteróides, observando-se elevação da SaO2 para 94% e PETCO2 = 42 mmHg; os demais parâmetros permaneceram nor-mais, com melhora da ausculta pulmonar e diurese de 1.000 ml. O RX após a comp1icação evidenciou infiltrado pulmonar bi-lateral, ausência de congestão vascular pulmonar e área cardíaca normal. A paciente foi encaminhada à UTI, extubada 3 horas depois, consciente e com dados vitais estáveis.

DISCUSSÃO

O edema pulmomar agudo não-cardiogênico constitui complicação rara, temporária, devendo ser diferenciada de ou-tras complicações relacionadas à transfusão de hemoderivados, particularmente da síndrome de TRALI, na qual há mecanismos imunomediados envolvidos em sua etiopatogenia. Os primeiros passos para o tratamento consistem no diagnóstico precoce, mo-nitorização hemodinâmica invasiva e, de acordo com a severidade dos sintomas cardiopulmonares, imediato suporte respiratório, com pronta recuperação do quadro.

REFERÊNCIA 1. Looney, et al. Transfusion related acute ling injury. A review. Chest. 2004;126:249-58.

Endereço para correspondência:

Leandro Yosmoka

Rua Baronesa Geraldo de Resende, 42 – apto. 164 – Taquaral Campinas (SP) – CEP 13075-270

Tel. (+55 19) 3254-1408 E-mail: [email protected]

Angélica de Assunção Braga

Leandro Yosmoka

Franklin da Silva Braga

Edema pulmonar agudo

não-cardiogênico como complicação

de transfusão de hemocomponentes

Departamento de Anestesiologia da Faculdade de Ciências Médicas

da Universidade Estadual de Campinas, Campinas, São Paulo

Referências

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