2019
E mbElEzamEnto dos
a nExos C utânEos
Profa. Liliani Carolini Thiesen
Profa. Fernanda Blasius Monte Nevo
1a Edição
Elaboração:
Profa. Liliani Carolini Thiesen Profa. Fernanda Blasius Monte Nevo
Revisão, Diagramação e Produção:
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri UNIASSELVI – Indaial.
T439e
Thiesen, Liliani Carolini
Embelezamento dos anexos cutâneos. / Liliani Carolini Thiesen;
Fernanda Blasius Monte Nevo. – Indaial: UNIASSELVI, 2019.
179 p.; il.
ISBN 978-85-515-0274-7
1. Estética – Brasil. I. Nevo, Fernanda Blasius Monte. II. Centro Universitário Leonardo Da Vinci.
CDD 640
a prEsEntação
Caro acadêmico, seja bem-vindo à disciplina de Embelezamento dos Anexos Cutâneos, do curso de Estética e Imagem Pessoal. Neste módulo, você iniciará seus estudos na área de anexos cutâneos, tornando-se apto para avaliar os diferentes tipos de pelo e pele.
Você poderá conhecer técnicas de visagismo e epilação para atuar com as melhores opções para cada cliente, identificar patologias que impeçam um trabalho com segurança e, assim, se destacando com um atendimento completo, seguro e eficaz.
Ainda, você realizará práticas epilatórias com cera, fio egípcio, design de sobrancelha, protocolos de coloração e descoloração de pelos. Na área da estética, há uma infinidade de procedimentos e também de profissionais capacitados na atuação multidisciplinar.
Atuam em diferentes áreas, tornando-se profissionais integrais para o cliente, facilitando a vida e a rotina dele. Assim, neste módulo, abordaremos sobre distintos procedimentos não só com um olhar estético, mas também com abordagens clínicas e biológicas.
Desejamos para você um ótimo período de estudos!
Você já me conhece das outras disciplinas? Não? É calouro? Enfim, tanto para você que está chegando agora à UNIASSELVI quanto para você que já é veterano, há novidades em nosso material.
Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é o material base da disciplina. A partir de 2017, nossos livros estão de visual novo, com um formato mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura.
O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com nova diagramação no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página, o que também contribui para diminuir a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo.
Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto de nossas ações sobre o ambiente, apresenta também este livro no formato digital. Assim, você, acadêmico, tem a possibilidade de estudá-lo com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador.
Eu mesmo, UNI, ganhei um novo layout, você me verá frequentemente e surgirei para apresentar dicas de vídeos e outras fontes de conhecimento que complementam o assunto em questão.
Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa continuar seus estudos com um material de qualidade.
Aproveito o momento para convidá-lo para um bate-papo sobre o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes – ENADE.
Bons estudos!
UNIDADE 1 – INTRODUÇÃO AOS ANEXOS CUTÂNEOS ...1
TÓPICO 1 – FISIOLOGIA DA PELE ...3
1 INTRODUÇÃO ...3
2 FISIOLOGIA DA PELE...4
3 EPIDERME ...5
4 DERME...8
RESUMO DO TÓPICO 1... 11
AUTOATIVIDADE ... 13
TÓPICO 2 – FISIOLOGIA DOS ANEXOS CUTÂNEOS ... 15
1 INTRODUÇÃO ... 15
2 PELOS ... 15
3 GLÂNDULAS SUDORÍPARAS ... 19
4 GLÂNDULAS SEBÁCEAS ... 20
5 UNHAS ... 21
LEITURA COMPLEMENTAR ... 27
RESUMO DO TÓPICO 2... 33
AUTOATIVIDADE ... 34
TÓPICO 3 –PATOLOGIAS RELACIONADAS AOS ANEXOS CUTÂNEOS ... 35
1 INTRODUÇÃO ... 35
2 ACNE ... 35
3 ROSÁCEA ... 37
4 DERMATITE SEBORREICA ... 38
5 VITILIGO ... 38
6 ALOPECIA ... 39
7 TRICOTILOMANIA ... 42
8 PSORÍASE ... 42
9 TÍNEA CAPITIS ... 45
10 PITIRÍASE RÓSEA ... 45
11 FOLICULITE ... 45
12 HIPERTRICOSE ... 46
13 HIRSUTISMO ... 47
14 CISTO QUERATINOSO ... 48
15 ABSCESSO ... 48
16 MÍLIO ... 49
17 ONICOCRIPTOSE ... 49
18 UNHAS E DOENÇAS SISTÊMICAS ... 50
RESUMO DO TÓPICO 3... 52
AUTOATIVIDADE ... 54
s umário
TÓPICO 1 – BIOSSEGURANÇA E FICHA DE AVALIAÇÃO ... 57
1 INTRODUÇÃO ... 57
2 O QUE É BIOSSEGURANÇA? ... 57
2.1 BIOSSEGURANÇA NA ÁREA DA ESTÉTICA ... 58
3 NORMAS DA ANVISA... 58
4 ESTABELECIMENTO DE ESTÉTICA ... 59
5 DESCARTE E ESGOTAMENTO SANITÁRIO (ANVISA) ... 60
6 EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL – EPI ... 60
7 CUIDADOS GERAIS DE BIOSSEGURANÇA ... 63
7.1 PROCEDIMENTOS ... 64
7.2 NORMALIZAÇÕES DOS EQUIPAMENTOS ... 64
RESUMO DO TÓPICO 1... 73
AUTOATIVIDADE ... 75
TÓPICO 2 – EPILAÇÃO ... 77
1 INTRODUÇÃO ... 77
2 EPILAÇÃO X DEPILAÇÃO ... 77
3 MÉTODOS EPILATÓRIOS NA ESTÉTICA ... 78
3.1 CERA (MELLO, 2013) ... 78
3.2 FIO EGÍPCIO (MELLO, 2013) ...79
3.3 PINÇA (MELLO, 2013) ... 80
3.4 LASER (COELHO, 2006) ... 81
3.5 LUZ INTENSA PULSADA (COELHO, 2006) ... 82
3.6 ELETRÓLISE... 83
3.7 FOLICULITE NA DEPILAÇÃO E EPILAÇÃO ... 83
RESUMO DO TÓPICO 2... 88
AUTOATIVIDADE ... 90
TÓPICO 3 – EPILAÇÃO NAS REGIÕES CORPORAIS ... 91
1 INTRODUÇÃO ... 91
2 AXILA ... 91
3 ROSTO ... 93
4 VIRILHA ... 97
5 PERNA E COXA ... 99
6 PEITO E ABDÔMEN ...102
7 COSTAS ...106
LEITURA COMPLEMENTAR ...107
RESUMO DO TÓPICO 3...110
AUTOATIVIDADE ...111
UNIDADE 3 – EMBELEZAMENTO DE SOBRANCELHAS, CÍLIOS E TÉCNICA BANHO DE LUA ...113
TÓPICO 1 – SOBRANCELHAS: DA COLORIMETRIA AO DESIGN ...115
1 INTRODUÇÃO ...115
2 COLORIMETRIA – CLASSIFICAÇÃO DAS CORES NATURAIS ...115
3 VISAGISMO ...119
4 FORMATOS DE ROSTO ...120
5 DESIGN SOBRANCELHA – PRÁTICA ...123
6 HENNA ...125
RESUMO DO TÓPICO 1...131
AUTOATIVIDADE ...133
TÓPICO 2 – MICROPIGMENTAÇÃO E DESIGN DE CÍLIOS ...135
1 INTRODUÇÃO ...135
2 MICROPIGMENTAÇÃO ...135
2.1 DERMÓGRAFO ...138
2.2 TÉCNICA TEBORI (MICROBLANDING) ...140
3 CORREÇÕES E CAMUFLAGEM DE SOBRANCELHAS ...141
3.1 CUIDADOS APÓS O PROCEDIMENTO ...142
3.2 CONTRAINDICAÇÕES ...143
4 DESIGN DE CÍLIOS ...144
5 ALONGAMENTO DE CÍLIOS ...145
5.1 FIO A FIO ...147
5.2 VOLUME RUSSO ...148
5.3 MEGAVOLUME ...149
5.4 HÍBRIDO ...150
6 PRÁTICA DE ALONGAMENTO DE CÍLIOS ...150
7 PERMANENTE DE CÍLIOS ...152
8 LASH LIFTING ...155
RESUMO DO TÓPICO 2...158
AUTOATIVIDADE ...160
TÓPICO 3 – BANHO DE LUA, ÉTICA PROFISSIONAL E EMPREENDEDORISMO ...161
1 INTRODUÇÃO ...161
2 BANHO DE LUA ...161
2.1 PRÁTICA BANHO DE LUA ...162
2.2 RECOMENDAÇÕES APÓS O PROCEDIMENTO ...164
3 ÉTICA PROFISSIONAL ...165
3.1 BENEFÍCIOS DA ÉTICA NO TRABALHO ...166
4 EMPREENDEDORISMO ...167
5 MARKETING PESSOAL ...168
6 APRENDA A VENDER ...169
7 CONCLUSÃO ...171
LEITURA COMPLEMENTAR ...172
RESUMO DO TÓPICO 3...174
AUTOATIVIDADE ...176
REFERÊNCIAS ...177
UNIDADE 1
INTRODUÇÃO AOS ANEXOS CUTÂNEOS
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir dos estudos desta unidade, você será capaz de:
• compreender quais são os anexos cutâneos;
• refletir sobre como se formam desde a origem epidérmica;
• entender quais suas funções e funcionamento;
• conhecer as patologias relacionadas.
Esta unidade está dividida em três tópicos e, no final de cada um deles, você encontrará atividades que o ajudarão a ampliar os conhecimentos adquiridos.
TÓPICO 1 – FISIOLOGIA DA PELE
TÓPICO 2 – FISIOLOGIA DOS ANEXOS CUTÂNEOS
TÓPICO 3 – PATOLOGIAS RELACIONADAS AOS ANEXOS CUTÂNEOS
TÓPICO 1
UNIDADE 1
FISIOLOGIA DA PELE
1 INTRODUÇÃO
Muitas pessoas, quando escutam o termo “anexos cutâneos” pela primeira vez, não fazem ideia de que este abrange partes do corpo que usamos e cuidamos diariamente. Protegem contra lesões externas, químicas, físicas e microbiológicas.
Ainda, fazem regulação corporal, equilibram a hidratação e a flexibilidade da pele, dentre outras funções importantes para o bom funcionamento do organismo.
Compreender a importância e conhecer os detalhes sobre a constituição dos anexos cutâneos e os procedimentos corretos são pontos essenciais para um atendimento seguro. Ainda, ter essa capacitação profissional não só permite aplicar tratamentos estéticos com conhecimento e segurança, mas também gera conforto e reconhecimento. Incluímos, dentro dos anexos cutâneos, pelos, glândulas sebáceas, glândulas sudoríparas e as unhas.
Os pelos são estruturas queratinizadas e exercem diversas funções, como proteção, principalmente nas regiões que ficam expostas ao meio ambiente. Já as glândulas sebáceas são as estruturas que secretam o sebo, um emoliente natural da pele que contribui no equilíbrio da textura e flexibilidade da pele e que protege da exposição externa ambiental.
Ainda, as glândulas sudoríparas são as estruturas responsáveis pela produção do suor, componente importante no mecanismo da regulação corporal e eliminação de secreções resultantes do metabolismo celular.
Por último, temos as unhas, que são as placas de células altamente queratinizadas e compactadas (mais que os pelos). Crescem nas superfícies dorsais das falanges terminais dos dedos. Elas têm como principal função a manipulação de pequenos objetos e proteção.
Juntamente com os anexos cutâneos, veremos uma formação e apoio de outras estruturas de vários sistemas: sistema circulatório, sistema nervoso, sistema muscular e sistema endócrino.
Determinadas estruturas são denominadas como anexos pois são originadas por uma invaginação da epiderme na derme (AZULAY; AZULAY, 1999). Para melhor entender como cada uma exerce suas funções e a importância delas, veremos a seguir a parte fisiológica da pele. Na imagem a seguir, temos as divisões das camadas da pele e é possível identificar três anexos (pelo, glândula sebácea e glândula sudorípara):
FIGURA 1 – TEGUMENTO E ANEXOS CUTÂNEOS
FONTE: <https://www.auladeanatomia.com>. Acesso em: 15 ago. 2018.
Terminações nervosas livres Estrato basal Estrato córneo
Epiderme Poro
Derme
Telasubcutânea
Nervo (dor) Glândula sudorífera Tecido conjuntivo Tecido
adiposo Veia Artéria Receptor
de pressão Terminação nervosa
Glândula sebácea Receptor de tato Eixo do pêlo
2 FISIOLOGIA DA PELE
A pele é o maior órgão do corpo, atingindo cerca de 12 a 15% do peso corporal e com funções fundamentais: proteção, sensorial, regulação, excreção, absorção, comunicação com o ambiente, reação imunológica (através das células Langherans) e metabólica (sintetiza a vitamina D mediante exposição solar e ajuda no processo de fixação de cálcio e fósforo nos ossos e dentes).
No caso de proteção, atua como uma barreira física/química, protegendo dos raios ultravioleta, de traumas físicos e contra a penetração de microrganismos.
Já a regulação ocorre através da vasoconstrição/dilatação dos poros, diminuindo ou aumentando o calibre dos vasos sanguíneos, que irrigam a pele e recebem comando das células nervosas.
A pele apresenta diferenças segundo a sua localização. Na palma das mãos e na planta dos pés há um atrito maior. Há uma epiderme constituída por várias camadas celulares e por uma camada superficial de queratina mais espessa (AZULAY; AZULAY, 1999).
Determinado tipo de pele é denominado pele grossa (ou espessa), não possui pelos e glândulas sebáceas, mas as glândulas sudoríparas são abundantes.
Já a pele do restante do corpo tem uma epiderme com poucas camadas celulares e uma camada de queratina delgada, designada pele fina (ou delgada).
Ela é composta por duas camadas aderidas uma a outra e cada uma com determinadas formações celulares anexadas. Estas são a epiderme e derme, posicionadas logo acima da hipoderme ou tela subcutânea, que não é mais considerada parte da pele, somente uma camada complementar. Antes de entrar nos detalhes fisiológicos, vamos analisar a imagem anterior e identificar as três camadas citadas aqui.
3 EPIDERME
Epi = acima, ou seja, é a camada mais superficial, aquela que faz o contato direto com o ambiente. Também é encontrada a nomenclatura de epitélio estratificado pavimentoso queratinizado:
• epitélio: formado por tecido epitelial;
• estratificado: tecido com mais de uma camada de células;
• pavimentoso: constituição de células achatadas, principalmente no estrato córneo;
• queratinizado: há proteína queratina, ocorrendo a queratinização (ALBERTS, 2006).
As células que constituem o tecido epitelial são justapostas e ausentes de vascularização. São compactas e com pouco espaço intercelular. A nutrição e a vascularização do tecido são feitas pelo tecido conjuntivo subjacente (derme). É dividida em cinco partes, sendo o estrato basal, o estrato espinhoso, o estrato granuloso, estrato lúcido e o estrato córneo (AZULAY; AZULAY; AZULAY, 2013).
Veja a seguir:
FIGURA 2 – ESTRATOS DA EPIDERM
FONTE: <https://www.mundoestetica.com.br/wp-content/uploads/2018/01/epiderme- min.jpeg>. Acesso em: 20 set. 2018.
O estrato basal contém as células-tronco da epiderme e é também denominado germinativo, pela sua atividade mitótica (uma célula dá origem às células chamadas células-filhas). As células-filhas são os queratinócitos, que vão se agrupando nas camadas superiores até formarem o estrato córneo (GENESER, 2003).
As células do estrato basal estão aderidas com a membrana basal ou matriz extracelular através dos hemidesmossomos. Estes são constituídos por placas de ligação intracelular (ou disco citoplasmático interno). Ancoram-se aos filamentos intermediários, que se ligam aos elementos da lâmina basal e às células vizinhas através dos desmossomos (ALBERTS, 2006).
São placas de proteína presentes na membrana celular. Assim, partem filamentos de proteínas que atravessam a membrana plasmática e se associam aos filamentos de proteínas da placa da célula ao lado.
No estrato basal, há também os melanócitos e as células de Merkel. Os melanócitos são células arredondadas com longos prolongamentos. Os grãos de melanina são introduzidos nas células do estrato basal e do estrato espinhoso. As células de Merkel são semelhantes aos melanócitos para o microscópio de luz, mas, por serem mais escassas, são mais difíceis de serem observadas (GENESER, 2003).
Possuem processos curtos, os quais podem se ligar aos queratinócitos por desmossomos. Na base da célula, formam junções sinápticas com terminações nervosas sensitivas. Essas células são receptoras táteis (mecanorreceptores) e são abundantes nas pontas dos dedos e na base dos folículos pilosos (AZULAY;
AZULAY; AZULAY, 2013).
IMPORTANTE
Devido à grande quantidade de células de Merkel na base dos folículos pilosos, a epilação se torna sensível e, às vezes, dolorida. Assim, é importante ter cuidado nos procedimentos que envolvem os pelos, principalmente o ato de arrancar. Entenda como acontece a produção da melanina:
FIGURA 3 – BIOSSÍNTESE DE MELANINA
FONTE: <http://osfilhosdalua-albinismo.blogspot.com>. Acesso em: 19 jul. 2018.
Já o estrato espinhoso é uma camada formada pelos queratinócitos originados do estrato basal (células-filhas). Como as pressões adjacentes são mais uniformes, os queratinócitos têm formato poliédrico. Contêm muitos filamentos de citoqueratina e exibem projeções curtas ligadas por desmossomos nas células vizinhas, o que contribui para a resistência da epiderme ao atrito (ALBERTS, 2006).
No corte histológico, essas pontes intercelulares parecem espinhos e, por isso, o estrato é denominado espinhoso. Nos queratinócitos ocorre a síntese de colesterol, de ácidos graxos livres, ceramidas e do glicolipídio acilglicosilceramida.
São acondicionados em corpos lamelares e envoltos por membrana. No estrato espinhoso também são encontradas as células de Langerhans. Apresentam antígenos, ou seja, fagocitam e processam os antígenos estranhos na pele.
Ainda, apresentam os linfócitos T (leucócitos responsáveis pela defesa do organismo) na própria epiderme ou nos linfonodos regionais e estes iniciam a resposta imunológica do organismo. Tais células participam nas dermatites alérgicas por contato e na rejeição de transplantes cutâneos, identificando e sinalizando agentes estranhos na pele (GENESER, 2003).
No estrato granuloso, os queratinócitos modificam a expressão genética, sintetizando citoqueratinas de maior peso molecular e produzindo outras proteínas envolvidas na queratinização, como a involucrina, a loricrina e a filagrina.
Os precursores da proteína filagrina formam grânulos. Esses grânulos são constituídos de querato-hialina, que se agrupa e forma um envelope proteico sob a membrana das células, gerando mais acima o estrato lúcido.
Em relação ao estrato lúcido, em alguns materiais não há registros desse estrato, mas é aqui que acontece a transição das células do estrato granuloso para o estrato córneo. Como na camada há uma pressão maior da superfície externa, as células são pavimentosas.
Os corpos lamelares cheios de lipídios, originados no estrato espinhoso e pela pressão, são liberados para o espaço intercelular. Essa barreira intercelular formada pelos lipídios impede a passagem de nutrientes e as células degeneram.
O núcleo e as outras organelas são digeridos pelas enzimas lisossômicas e essas células mortas formam o estrato córneo (GENESER, 2003).
Finalizando com o estrato córneo, os queratinócitos se chamam corneócitos e as células são pavimentosas e anucleadas. Não possuem desmossomos e são descamadas com a abrasão. O estrato confere proteção contra o atrito, a invasão de microrganismos e a perda de água, mantendo a hidratação da pele (AZULAY;
AZULAY; AZULAY, 2013).
Sua espessura varia, sendo maior na pele grossa e submetida a uma maior fricção do que a pele fina. O tempo total de vida dos queratinócitos varia de 40 a 50 dias na pele fina e de 25 a 30 dias na pele grossa.
IMPORTANTE
Como as citoqueratinas são constituintes do citoesqueleto das células epiteliais, são também denominadas queratinas moles. Devem ser diferenciadas das tricoqueratinas, as chamadas queratinas duras, as quais formam a haste do cabelo e a unha.
4 DERME
A derme é a camada logo abaixo da epiderme. As duas são ancoradas através da junção dermoepidérmica, ou seja, são unidas pelo estrato basal, conferindo a nutrição e aderência da epiderme. A derme é subdividida em:
• derme papilar;
FIGURA 4 – SUBDIVISÃO DA DERME
FONTE: <https://www.todamateria.com.br/pele-humana/>. Acesso em: 14 ago. 2018.
A derme papilar corresponde às papilas dérmicas, constituídas por tecido conjuntivo frouxo e é responsável pela junção derme e epiderme, fazendo conexão com o estrato basal. É altamente vascularizada e podemos encontrar a formação dos pelos e glândulas sebáceas (GENESER, 2003).
Já a derme reticular, que constitui a maior parte da camada, é formada de tecido conjuntivo denso não modelado e responsável pela elasticidade e resistência da pele. O tecido é formado, principalmente, por fibroblastos, que são as células responsáveis pela formação das fibras colágenas (constituídas de tropocolágeno = moléculas de colágeno) e das fibras elásticas (constituídas de moléculas de elastina). As fibras se dispõem em diferentes sentidos, conferindo a elasticidade, firmeza e resistência.
Na camada acontece a formação dos anexos cutâneos e uma invaginação da epiderme, que veremos no próximo tópico desta unidade. Também encontramos na derme os nervos e as terminações nervosas sensoriais, que podem ser livres ou encapsuladas. Funcionam como mecanorreceptores (receptor sensorial ao estímulo mecânico, pressão, vibração, frio e calor) e nociceptores (receptores para dor) (AZULAY; AZULAY, 1999).
O suprimento sanguíneo da pele vem desde os vasos do tecido muscular e gordura subcutânea. A maioria do fluxo sanguíneo é direcionada aos componentes mais ativos ou com maior necessidade metabólica, principalmente para a epiderme, papila capilar e estruturas anexas. As papilas dérmicas são ricamente vascularizadas e nenhum folículo piloso receberá irrigação por difusão.
Epiderme
Derme Papilar Derme Reticular
Dos vasos subcutâneos aparecem dois plexos vasculares interligados por vasos intercomunicantes. O plexo vascular profundo repousa na região de interface entre a derme e gordura subcutânea. O plexo vascular superficial repousa na posição superficial da derme reticular e supre a derme papilar com seu sistema de canais como um candelabro.
Os vasos da papila dérmica englobam arteríolas terminais, capilares venosos e artérias e veias pós-capilares. Já no plexo vascular profundo encontramos pequenas artérias musculares que se erguem até arteríolas para poderem suprir o plexo vascular superficial.
Ainda como complemento da pele, temos o tecido subcutâneo, também conhecido como hipoderme ou tela subcutânea, constituído de tecido conjuntivo frouxo. As principais células são os fibroblastos, os adipócitos e os macrófagos.
Serve como base para a pele e faz a junção com as estruturas subjacentes (músculos, ossos etc.) (GENESER, 2003).
Os adipócitos têm uma aparência bolhosa e com núcleos localizados em direção ao centro celular. A gordura subcutânea está envolvida em termorregulação, isolamento, proteção e suporte, além da função de estocar energia e amortecer contra impactos físicos.
Concluindo, a pele tem uma vasta subdivisão de estruturas e camadas.
Cada uma tem sua função e aporte necessário para o bom funcionamento e equilíbrio cutâneo, suprindo a síntese natural de cada anexo cutâneo.
A importância de conhecer as camadas, estruturas e formação da pele gera o diferencial no atendimento. A partir desse aprendizado, o profissional saberá direcionar cada caso para o melhor serviço, reconhecendo como está a saúde da pele e a funcionalidade de cada anexo cutâneo.
Muitos profissionais não se aprofundam no conhecimento fisiológico da pele. Não são apenas informações extras, mas sim uma questão de segurança, tanto para o profissional como para o cliente.
Neste tópico, você aprendeu que:
• Anexos cutâneos são estruturas que fazem parte do nosso cotidiano: pelos, unhas, glândulas sebáceas e sudoríparas.
• Os pelos são estruturas queratinizadas que exercem diversas funções, como proteção.
• A pele é formada por duas camadas principais: epiderme e derme.
• A epiderme é formada basicamente por queratinócitos e é subdividida em estratos: córneo, lúcido, granuloso, espinhoso e basal.
• No estrato córneo está a camada mais externa, a que vemos a olho nu. O estrato é formado por células altamente queratinizadas e anucleadas.
• Regiões que sofrem mais atrito desenvolvem um estrato córneo mais espesso.
• O estrato lúcido é uma camada logo abaixo do estrato córneo e que faz a transição das células para a superfície.
• O estrato granuloso é composto de células queratinizadas compostas por substâncias que se assemelham a grânulos.
• No estrato espinhoso, as células do tecido basal continuam se multiplicando e há o aumento do processo de queratinização.
• O estrato basal, também conhecido como germinativo, é a camada que dá vida à epiderme. Está localizado nas papilas dérmicas e é constituído pelas células basais.
• Os queratinócitos são células altamente queratinizadas. São eliminados continuamente pela descamação da pele e substituídos por novas células, desde o estrato basal até a superfície.
• A derme está logo abaixo da epiderme. São conectadas pela junção dermoepidérmica.
• A derme é subdividida em: derme papilar e derme reticular.
RESUMO DO TÓPICO 1
conjuntivo frouxo.
• A derme reticular é a maior parte da derme e é formada principalmente por fibroblastos.
• Os fibroblastos são responsáveis pela formação das fibras colágenas e fibras elásticas.
1 Em qual camada da pele encontramos cada anexo cutâneo?
2 Quais as subdivisões que compõem a epiderme e a derme?
3 Cite duas funções da pele e explique-as.
4 Marque V (verdadeiro) ou F (falso):
a) ( ) Os corneócitos são células anucleadas presentes na última camada epidérmica: o estrato córneo.
b) ( ) Na palma das mãos e na planta dos pés a camada epidérmica é mais fina devido ao maior atrito externo.
c) ( ) Os mecanorreceptores (receptores sensoriais) são encontrados na epiderme.
d) ( ) A vascularização e a nutrição da epiderme são feitas pela derme.
e) ( ) Os melanócitos são responsáveis pela síntese de melanina na pele e estão localizados no estrato basal.
AUTOATIVIDADE
TÓPICO 2
FISIOLOGIA DOS ANEXOS CUTÂNEOS
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
Como vimos no Tópico 1, os anexos cutâneos são estruturas inseridas na derme, mas que se constituem em invaginações da epiderme, com envolvimento dos queratinócitos. São formados por: pelos, glândulas sebáceas, glândulas sudoríparas e unhas.
Os anexos cutâneos possuem diferentes propriedades e funções, sendo seu funcionamento vital para a manutenção das propriedades funcionais e para a recuperação da sua estrutura, no caso de lesões. Como o próprio nome diz, são 'agregados' que possuem a função de auxiliar a pele.
Os pelos, por exemplo, contribuem para o isolamento térmico e possuem a função de proteção; as glândulas sudoríparas ajudam a regular a temperatura corporal; as glândulas sebáceas correspondem à lubrificação da pele e proteção contra microrganismos e, as unhas, protegem as extremidades dos dedos das mãos e dos pés, bem como auxiliam na manipulação de pequenos objetos
Dada a importância das estruturas, neste tópico, vamos estudar a síntese de cada uma.
2 PELOS
Encontrados em quase toda a superfície do corpo, os pelos têm a função de proteger e manter a temperatura constante no corpo. Existem duas classificações de pelos: velos ou lanugem, que são finos, pouco pigmentados e frágeis; e os terminais, que são mais longos, espessos e pigmentados e crescem em locais como o couro cabeludo, axila e área genital.
Desenvolvem-se a partir dos folículos pilosos, que são invaginações da epiderme na derme. São constituídos por uma bainha radicular epitelial interna e por uma bainha radicular epitelial externa, derivadas da membrana basal. Ainda, há a bainha dérmica, com condensação de fibras colágenas. A bainha radicular externa corresponde aos estratos basal e espinhoso da epiderme, e a bainha radicular interna, aos estratos granuloso e córneo (GENESER, 2003).
Há o músculo eretor do pelo, fixado na bainha dérmica e na derme papilar e de músculo liso (feixe de fibras musculares lisas), que se origina na porção superficial da derme. Seu movimento de contração e descontração faz o pelo assumir uma posição mais vertical ou relaxada. É acionado através de impulsos conduzidos pelo sistema nervoso ou por sensações como frio e calor.
FIGURA 5 – FISIOLOGIA DO PELO
FONTE: <https://anatomychartpad.com>. Acesso em: 23 ago. 2018.
Eretor do pelo (músculo liso)
Folículo piloso Bainha radicular
epitelial interna Bainha radicular epitelial externa Bainha radicular dérmica Glândula sebácea
Bulbo capilar (base da raiz capilar) Raiz capilar (abaixo da superfície da pele)
Haste capilar (acima da superfície da pele)
Curticula Medula
Córtex Pelo
Papila capilar Matriz Tecido
adiposo ArtériaVeia
No folículo do pelo em fase de crescimento, a porção terminal expandida corresponde ao bulbo piloso ou bulbo capilar, constituído pela papila dérmica e pela matriz. A proliferação das células origina as bainhas radiculares e o pelo. Um corte transversal do pelo mostra três camadas centrais de células queratinizadas:
a medula, o córtex e a cutícula. Veja a seguir:
FIGURA 6 – ESTRUTURA INTERNA DO PELO
FONTE: <https://anatomychartpad.com>. Acesso em: 23 ago. 2018.
Folículo piloso Pelo Membrana basal
Estrato basal Melanócito Bainha radicular epitelial interna Bainha radicular epitelial externa Bainha radicular dérmica Cutícula
Medula Córtex
Matriz (zona de crescimento) Papila capilar
A medula consiste em queratina mole e o córtex e a cutícula contêm queratina dura. Esta apresenta mais ligações de cistina e dissulfeto, é compacta e não descama. Pelos mais finos não possuem a medula, apenas córtex e cutícula.
O córtex é a maior parte do pelo, simbolizando o corpo. É constituído por um feixe de proteínas fibrosas dispostas de forma compacta ao redor da medula.
Confere numerosas propriedades físicas e mecânicas ao pelo, como solidez, elasticidade e permeabilidade.
O córtex também é responsável pelo formato do pelo ser liso, ondulado ou cacheado e, além disso, a cor do pelo é resultante da melanina depositada nas células do córtex. É fornecida pelos melanócitos direto para a matriz.
A cutícula é a porção externa e se refere à parte que enxergamos do pelo. A função dela é proteger o córtex através de uma barreira de proteção das células sobrepostas em formação de escama. Quanto melhor for a hidratação dos pelos, mais alinhadas estarão essas escamas e, assim, mais saudável e macia se apresentará a haste capilar.
Quanto ao crescimento do pelo, dividimos em três fases: anágena, catágena e telógena. Na fase anágena (crescimento), os queratinócitos germinam no bulbo capilar e formam a haste. A cor do pelo é definida pela pigmentação através da ação dos melanócitos localizados no estrato basal da papila capilar. Também é nesta fase que se define o tempo de duração do pelo, variando de dois até cinco anos.
Conforme a diminuição da geminação dos queratinócitos, o folículo inicia um processo de involução, entrando na fase catágena, que dura em torno de duas até três semanas. Junto com o folículo, o tecido epitelial proximal também passa pelo processo de involução, formando uma bolsa ao redor da matriz do pelo, desprendendo-se da papila dérmica. Então, será geminado um novo pelo.
Assim, entramos na terceira e última etapa do pelo, a telógena, também chamada fase de repouso. A fase tem duração de aproximadamente três meses.
Ocorre o processo de queda natural do pelo através da expulsão por outro pelo que está geminando logo abaixo. Em condições saudáveis de um couro cabeludo, as seguintes proporções são encontradas: 85% na fase anágena, 1% na catágena e 14% na telógena.
FIGURA 7 – FASES DE CRESCIMENTO DO PELO
FONTE: <https://www.mundoestetica.com.br>. Acesso em: 23 ago. 2018.
Papíla
Membrana basal Pêlo novo
Anágena Telógena
Catágena Anágena tardia
IMPORTANTE
Sabendo que há de 100 a 150 mil folículos no couro cabeludo e que 10% destes estão em fase de repouso por aproximadamente 100 dias, considera-se normal a eliminação média de até 100 cabelos por dia.
3 GLÂNDULAS SUDORÍPARAS
A principal função das glândulas é a secreção de suor por toda a superfície corporal, exceto os lábios, o clitóris, os pequenos lábios, a glande e a superfície interna do prepúcio. São glândulas exócrinas tubulares simples enoveladas merócrinas, ou seja, estão localizadas na sua maior parte na derme. A extremidade profunda se enrola em formato de novelo e sobe para a superfície como tubos longos e delgados, abrindo-se para o exterior por um orifício ou poro, eliminando o suor.
FIGURA 8 – GLÂNDULA SUDORÍPARA
FONTE: <https://mundoeducacao.bol.uol.com.br/>. Acesso em: 22 ago. 2018.
Glândula Sudoripara
O suor é uma solução aquosa, hipotônica, com pH neutro ou levemente ácido, contendo íons de sódio, potássio e cloro, ureia, ácido úrico e amônia. Além da função excretora, as glândulas sudoríparas regulam a temperatura corporal pelo resfriamento em consequência da evaporação do suor.
A quantidade de suor varia muito, sendo influenciada por circunstâncias externas (temperatura, exercícios, umidade do ar) e por circunstâncias internas (alterações hormonais, emoções), mas a média em um dia é de 700 gramas.
Como uma subclassificação temos as glândulas sudoríparas odoríferas, que são encontradas nas axilas, nas aréolas mamárias e na região anogenital.
Assim como as glândulas sebáceas, as glândulas sudoríparas odoríferas são estimuladas pelos hormônios sexuais e se tornam funcionais na puberdade.
Estão localizadas profundamente na derme ou na região superior da hipoderme. A secreção contém proteínas, carboidratos, lipídios, amônia e feromônios envolvidos na atração sexual. Inicialmente inodora, adquire um odor acre ou almiscarado em resposta à decomposição por bactérias.
4 GLÂNDULAS SEBÁCEAS
Também conhecidas como glândulas exócrinas, encontram-se na derme, possuindo um ducto curto que desemboca no folículo piloso. As glândulas sebáceas são estruturas lobuladas, consistindo em vários lóbulos formados por uma camada externa de pequenas células cuboides germinativas.
As secreções drenam para dentro do ducto sebáceo, que se exterioriza na pele juntamente com o folículo piloso. O ducto sebáceo é revestido por um epitélio escamoso estratificado queratinizado e é contínuo com a parte externa da raiz do pelo.
Nas áreas do corpo sem pelos, abrem-se diretamente na superfície epidérmica, com exceção da face palmar das mãos e da face plantar dos pés.
São glândulas acinosas, ou seja, apresentam uma porção secretora com formato arredondado. Ainda, são holócrinas, uma vez que a secreção é eliminada levando juntamente toda a célula, ou seja, a própria célula constitui a secreção.
FIGURA 9 – GLÂNDULA SEBÁCEA
FONTE: <http://www.biogreen.com.ar>. Acesso em: 28 ago. 2018.
O mecanismo de controle da atividade sebácea não é completamente conhecido, mas a secreção parece respeitar um ritmo circadiano, altamente dependente da secreção de andrógenos (testosterona) e provavelmente inibido pelos estrógenos. Pode explicar o fato de as glândulas sebáceas serem maiores e metabolicamente mais ativas nos homens do que nas mulheres.
São estimuladas pelos hormônios e produzindo o sebo, que é uma secreção constituída pelas próprias células, além de ácidos graxos, ésteres de cera e esqualeno, tornando oleoso.
O sebo produzido chega na superfície através do ducto pilossebáceo, misturando-se com o suor entre os espaços do estrato córneo e na haste capilar. A ligação entre o sebo e o suor forma uma fina camada chamada película hidrolipídica. Esta lubrifica a superfície da pele e do pelo, aumenta as características hidrofóbicas da queratina e forma uma película protetora.
A secreção não apresenta cheiro, porém, na proliferação de bactérias, pode levar à produção de odores. A síntese de sebo tende a diminuir em mulheres após a menopausa e nos homens não ocorre nenhuma alteração significativa até os 80 anos de idade.
5 UNHAS
São formadas pela compactação de células escamosas altamente queratinizadas (queratina dura). Estão localizadas nas extremidades dos dedos, mais precisamente nas falanges distais das mãos e pés.
Atuam como proteção e também na manipulação de pequenos objetos. A formação da unha se inicia na nona semana do desenvolvimento embrionário.
Assim, ao nascermos, já possuímos determinada placa protetora. A anatomia ungueal é subdividida em três partes:
• Corpo: lâmina (ou lâmina ungueal) é a parte visível que se estende desde a raiz ao bordo livre.
• Raiz: inserida na pele e sempre com tecido fixado em crescimento, que é chamado de matriz.
• Bordo livre: parte da lâmina externa final até o hiponíquio.
Em seguida, conheceremos cada parte que envolve esse anexo tão utilizado por nós e que, muitas vezes, nem percebemos a existência e funcionalidade. Para compreendermos melhor, observe a figura a seguir:
FIGURA 10 – ESTRUTURA DA UNHA
FONTE: <https://cosmeticaemfoco.com.br/>. Acesso em: 22 ago. 2018.
Como você pode perceber, a unha não é apenas uma lâmina dura nas pontas dos dedos. Ela compreende um conjunto anatômico completo com várias estruturas internas e que fazem seu crescimento externo ser integral e contínuo.
Assim, é importante compreender a relevância de cada estrutura com suas funções:
• Matriz: é responsável pela produção da lâmina ungueal, constituída por uma quantidade de células córneas organizadas em um extrato compacto e duro.
A matriz se divide em duas porções: a proximal e a distal. A matriz proximal é responsável pela produção das camadas superiores da lâmina ungueal, enquanto a distal produz as inferiores.
• Lúnula: é a região branca em formato de meia-lua na parte proximal da unha e com convexidade voltada para a extremidade distal, sendo a porção visível da matriz. Está presente em todas as unhas, mas é mais visível nos polegares e dedões dos pés.
• Lâmina (lâmina ungueal): é composta por três camadas: uma camada interna macia (a unha ventral), uma camada intermediária de queratina dura e a camada mais externa (unha dorsal). Assim, o que parece simples para os olhos pode ter uma estrutura microscópica complexa. As camadas da lâmina da unha são achatadas e compostas por uma massa elástica de células paralelas queratinizadas e fundidas, os chamados onicócitos. Ao contrário dos corneócitos da epiderme, as células das unhas não descamam.
• Bordo livre: é a parte da lâmina que cresce além do dedo. Abaixo dessa região livre, há um excelente local para proliferação de bactérias e outros microrganismos. Assim, é importante manter as unhas limpas e, dependendo do trabalho que exerce, mantê-las curtas, além de lavar diariamente.
• Sulcos periungueais: são as regiões da extremidade da unha, quando ela ainda tem contato com a epiderme. Os sulcos são nomeados conforme a localização em relação à lâmina da unha. Temos dois sulcos ungueais laterais (nas bordas laterais): o sulco ungueal proximal (próximo da matriz) e o sulco ungueal distal (na ponta dos dedos).
• Eponíquio: mais conhecido como cutícula, é uma camada fina de células epiteliais e que adere na superfície da unha. Atua como vedação entre a placa da unha e o sulco ungueal proximal. A remoção da cutícula possibilita a entrada de água, corpos estranhos, fungos e bactérias, favorecendo a inflamação. Pode ocasionar a perda da unha.
• Leito: inicia onde a matriz proximal termina. A lâmina cresce e se apoia na base.
Formado de epitélio fino e com poucas camadas celulares. Ainda, se queratiniza sem nenhuma camada de células granulares. É uma região altamente irrigada por vasos sanguíneos e pode ser visto através da unha. Também no leito, os melanócitos são raros ou até mesmo ausentes.
• Hiponíquio: a lâmina tem contato com a epiderme, ou seja, a lâmina se afasta do leito. É formado por uma fina camada epidérmica e, por conter terminações nervosas, é uma região sensível.
• Banda onicodermal: é um halo levemente alaranjado presente na região distal da unha. Trata-se de uma região de fixação entre o leito ungueal e a lâmina da unha. Com pressão, a banda onicodermal pode ficar branca ou avermelhada, pois há aumento da irrigação sanguínea local.
Estudos mostram que 80% da lâmina ungueal é produzida pela matriz e 20% da lâmina produzida pelo leito ungueal. Assim, a unha tem a sua formação da matriz para as pontas dos dedos e do leito para a superfície externa da unha.
A flexibilidade da lâmina ungueal é dada pela grande quantidade de fosfolipídeos. Ela é rica em cálcio, que é encontrado em forma de fosfato em cristais de hidoxiapatita. São encontrados ainda cobre, manganês, zinco e ferro.
Ainda, é preciso lembrar que o cálcio não é o responsável pela dureza da unha, embora sua concentração aqui seja dez vezes maior.
A dureza surge pela grande quantidade de matriz proteica (altamente rica em queratina) e juntamente com alto teor de enxofre, que contrasta com a queratina mais suave da epiderme. Assim, é resistente aos traumatismos que sofre diariamente e possui propriedade de barreira semipermeável.
A estrutura proteica também contém uma menor proporção de outros aminoácidos, como a metionina, tirosina, lisina e histidina. O enxofre representa 10% do peso seco da unha, enquanto o cálcio representa de 0,1 a 0,2%. Comparada ao estrato córneo da pele, a unha possui menos lipídeos (0,1 a 1% contra 10%) e menos água (7 a 12% contra 15 a 25%).
É importante lembrar que a unha é altamente permeável em relação à água. Assim, quando o nível de hidratação aumenta, ela fica macia e opaca.
Quando a hidratação diminui, ela fica seca e quebradiça.
É preciso cuidar com o uso de produtos destinados aos cuidados com as unhas. Eles não devem remover as substâncias naturais da lâmina, pois o uso prolongado pode acabar promovendo rachaduras ou até mesmo a quebra das unhas, dentre outras patologias.
IMPORTANTE
A idade, o frio, doenças que afetam a circulação sanguínea e má nutrição são fatores que reduzem a taxa de crescimento das unhas.
Muitos fatores determinam o crescimento das unhas e a unha de cada pessoa cresce de forma diferente. A hereditariedade e os hábitos de vida determinam como ela crescerá, embora o crescimento diminua muito com o envelhecimento. Ela é um anexo que se desenvolve diferente do pelo, pois não possui a fase de repouso, ou seja, suas camadas germinativas estão em atividade constante.
Unhas com boa saúde têm a lâmina com aspecto liso e brilhante, com o eponíquio fino e a borda livre sem escamas. Os sulcos laterais são macios, sem descamações, infecções ou feridas aparentes. Apresentam crescimento normal de, aproximadamente, 0,1 mm por dia.
Quando alguma lesão ou impacto faz com que a unha seja descolada do leito ungueal, necessitamos de quatro até cinco meses para que ela se regenere por completo após sua remoção.Ainda, as alterações ungueais são classificadas em: Linhas de Beau, Linhas de Muehrcke, Pittings e Leuconíquias.
IMPORTANTE
Linhas de Beau
A lesão é uma depressão linear transversa na lâmina ungueal e significa alteração temporária no crescimento ungueal. Sabe-se que as unhas crescem em torno de 0,10-0,15 mm/dia.
Assim, podemos estimar quando a doença iniciou ao medirmos a distância entre a prega ungueal proximal e a linha de Beau.
A causa mais comum é o trauma local. As linhas de Beau também podem refletir estado nutricional pobre, hipersensibilidade a drogas, doenças febris e exposição a temperaturas frias nos pacientes com fenômeno de Raynaud.
Linhas de Muehrcke
São linhas brancas transversas paralelas em relação à lúnula. Surgem aos pares, atravessando por toda a unha. Representam anormalidade vascular do leito ungueal e, assim, não se movimentam com o crescimento da unha.
Surgem nos pacientes com hipoalbuminemia (albumina < que 2 g/dL) e desaparecem quando as proteínas se normalizam. Também podem estar presentes em pacientes com síndrome nefrótica, doenças hepáticas, má nutrição, uso de drogas quimioterápicas, síndrome de Peutz-Jeghers, bem como nos transplantados renais.
Pittings
São pequenas depressões disseminadas na unha normal. Ocorrem devido a focos de paraceratose na matriz ungueal. Em geral, pitting está associado à psoríase. Podem ocorrer na dermatite atópica, líquen plano, sarcoidose, pênfigo vulgar, alopecia areata, incontinência pigmentar e síndrome de Reiter.
Leuconíquias
Crianças e adultos apresentam máculas ou linhas esbranquiçadas na lâmina ungueal em uma ou mais unhas. A leuconíquia pode ser estriada, puntata, parcial e total. A puntata é o padrão mais comum e ocorre em consequência de pequenos traumas locais. A leuconíquia estriada pode ter caráter hereditário, trauma local ou originada por doença sistêmica quando múltiplas unhas estão envolvidas.
Ainda, a parcial foi encontrada na tuberculose, nefrite, doença de Hodgkin, metástases de carcinomas, hanseníase, perniose etc. A leuconíquia total pode ser hereditária ou por doenças sistêmicas, como a febre tifoide, colite ulcerativa, cirrose e hanseníase.
FONTE: BARBOSA, M. L.; BRITO, E. D.; TEIXEIRA, I. A.; NASSIF, P. W. Uma lição de clínica médica através das unhas: lesões ungueais relacionadas a doenças sistêmicas. Brazilian Journal of Surgery and Clinical Research, v. 4, p. 75-78, 2013. FONTE: <https://www.mastereditora.com.
br/periodico/20130731_225255.pdf>. Acesso em: 21 set. 2018.
Fazer um procedimento com um profissional que conhece as estruturas do pelo é totalmente diferente daquele que desconhece. É preciso levar em consideração não só a segurança, mas também a postura ética. Assim, ter o conhecimento aprofundado de cada estrutura traz uma valorização ainda maior ao profissional, diferenciando o atendimento quando o cliente recebe as informações completas em relação ao que busca no serviço.
LEITURA COMPLEMENTAR
CARACTERIZAÇÃO DO FOLÍCULO PILOSO COMO NICHO DE CÉLULAS PROGENITORAS NEURAIS E EPIDERMAIS EM CAMUNDONGOS
Ricardo Mueller Cesario Pereira FOLÍCULO PILOSO
O folículo piloso é uma estrutura exclusiva de mamíferos e é considerado um anexo dérmico. Em camundongos, sua formação inicia com o surgimento do placoide no décimo terceiro dia de gestação.
A estrutura possui uma composição complexa. Destacam-se outras estruturas, como glândula sebácea, a saliência do bulge, haste do cabelo (que se projeta externamente da epiderme) e a papila dermal. Com exceção da última, que possui origem mesodérmica, as demais são provenientes da ectoderme e da mesma forma que o tecido epidermal (BLANPAIN; HORSLEY et al., 2007).
Assim como outros tecidos adultos, o folículo piloso também dispõe de células-tronco residentes no bulge, que é um discreto microambiente também conhecido como saliência do folículo piloso. O bulge é localizado na região medial do folículo, estabelecida durante a morfogênese e que não degenera durante o ciclo do cabelo.
A estrutura do bulge foi primeiramente descrita em 1903 pelo anatomista alemão Philipp Stöhr, da Universidade de Wurzburg, na Alemanha. A estrutura possui células-tronco com capacidade de diferenciação em múltiplos tipos celulares e também de renovação (BLANPAIN; HORSLEY et al., 2007).
As células-tronco do bulge são mais quiescentes do que as outras células do folículo. No entanto, durante o ciclo do cabelo, devem sair do seu nicho, proliferar e diferenciar, formando os tipos celulares maduros do folículo piloso. As células do bulge correspondem a um reservatório de células-tronco multipotentes e que podem ser recrutadas durante o reparo e regeneração da epiderme.
A sinalização para que as células se mantenham indiferenciadas ou iniciem sua diferenciação é proveniente de outras regiões do folículo piloso. Faz com que as células assumam diferentes 26 rotas de migração depois de diferenciadas, formando um fluxo celular bidirecional (BLANPAIN; HORSLEY et al., 2007).
Determinado fluxo pode ser utilizado para manutenção e crescimento do folículo ou ainda diferenciar células em resposta a uma lesão no epitélio.
CICLO DE CRESCIMENTO DO FOLÍCULO PILOSO
O ciclo de crescimento do folículo piloso pode ser dividido em três fases:
a telogenia ou fase de repouso, a anagenia ou fase de crescimento ou de expansão do folículo e a catagenia, ocorrendo a degeneração da porção inferior do folículo.
O bulge se mantém íntegro na última fase e as células-tronco são ativadas e iniciam a nova fase de crescimento. As células-tronco do bulge recebem estímulos provenientes da papila dermal (OHYAMA; TERUNUMA et al., 2006).
As células perdem o contato com seu nicho no bulge e migram repovoando a papila e contribuindo para o crescimento do cabelo. O ciclo possui duração média de quatro semanas, tendo início com a fase de anagênese e finalizando com a fase de catagênese (LEGUÉ; NICOLAS, 2005).
Telogenia Catagenia
Anagenia
DESENVOLVIMENTO DO FOLÍCULO PILOSO
Durante seu processo de formação, o folículo piloso desenvolve estruturas provenientes da epiderme (onde se localiza a saliência do bulge) e derme (onde se localiza a papila dermal). A interação das estruturas possui um importante papel tanto na morfogênese quanto no crescimento do folículo piloso (YANG;
COTSARELIS, 2010).
A formação do folículo piloso é precedida por um condensamento da derme, resultado de uma onda de sinalização indutiva. A onda se propaga ao longo da epiderme e que, em resposta, forma o placoide e, posteriormente, o broto do folículo.
Os brotos se arranjam em uma conformação específica. Ocorre uma sinalização mútua e polarizada e que segue a linha do eixo ântero-posterior do desenvolvimento. Funciona como uma região sinalizadora para a formação do folículo (HOUGHTON; LINDON et al., 2005).
O ponto de partida para o início da onda sinalizadora do placoide é a estabilização da β-catenina, a qual é mediadora da via de sinalização Wnt. A β-catenina adentra o núcleo, ativando o fator de transcrição LEF-1/TCF. Este, por sua vez, estimula a expressão de fatores morfogenéticos responsáveis pelo desenvolvimento do folículo.
Tais fatores podem ter caráter inibitório em relação à formação do folículo, como fator de crescimento epidermal (EGF) e as proteínas morfogenéticas ósseas (BMPs). Ainda, caráter de ativação, como os fatores de crescimento 28 29 fibroblasto (FGFs), Sonic headhog (SHH), Notch-1 e seu receptor Delta-1.
De uma forma geral, os fatores apresentam sinalização antagônica em relação à diferenciação das células do folículo piloso para a linhagem epidermal.
Como exemplo, os BMPs e EGF ativam a diferenciação das células para linhagens epidermais, enquanto SHH e FGF bloqueiam a diferenciação (BLANPAIN;
HORSLEY et al., 2007).
CÉLULAS-TRONCO EPIDERMAIS DE FOLÍCULO PILOSO
Estudos de análise de expressão de RNA mensageiro e em partes específicas do folículo piloso seccionado por microdissecção a laser revelaram regiões distintas em relação à expressão de diferentes marcadores moleculares no folículo 30 piloso. É o caso da expressão de marcadores de células-tronco de melanócitos e epidermais, que apresentam expressão heterogênea ao longo do folículo (YAMADA; AKAMATSU et al., 2010).
As células-tronco epidermais encontradas no bulge são identificadas principalmente pela expressão de CD34 e das citoqueratinas 15 e 19 (KRT 15 e 19), marcadores de superfície celular e citoplasmáticos, respectivamente. Tais marcadores caracterizam as células mais indiferenciadas (JAKS; BARKER et al., 2008).
Em contrapartida, também são encontradas células que apresentam as citoqueratinas 5 e 14 (KRT 5 e 14). Formam os filamentos intermediários das células estratificadas do tecido epitelial, caracterizando células no estágio final de diferenciação da linhagem epidermal (BLANPAIN; FUCHS, 2009).
As células do bulge positivas para CD34 podem ainda ser divididas em três grupos: com alta e baixa expressão de integrina α6 e com expressão do marcador Lgr5, esta última com potencialidade para diferenciação de todas as linhagens epidermais. Outro importante marcador encontrado em células do bulge é o CD200, o qual é caracterizado como marcador de célula indiferenciada com uma alta capacidade proliferativa (WATT; JENSEN, 2009; OHYAMA, 2007).
Além das populações celulares mencionadas, foi descrita, no folículo piloso, mais precisamente na região da papila, uma subpopulação de células derivadas de crista neural denominadas progenitores derivados de pele (Skin derivated progenitors ou SKPs).
Expressam fatores de transcrição característicos de crista neural, como Sox 2, Snail, Slug, Twist e apresentam potencialidade para diferenciação em células dermais e neurais (BLANPAIN; FUCHS, 2009).
Toda a gama de marcadores para células progenitoras ou mesmo de células-tronco confirma que o folículo piloso possui uma população celular bem heterogênea, capaz de gerar células epidermais in vitro ou in vivo (SIEBER- BLUM; GRIM et al., 2004).
FONTE: PEREIRA, Ricardo Mueller Cesario. Caracterização do folículo piloso como nicho de células progenitoras neurais e epidermais em camundongos. Dissertação (Mestrado em Biologia Celular e do Desenvolvimento) – Programa de Pós-Graduação em Biologia Celular e do Desenvolvimento, Universidade Regional de Santa Catarina. Florianópolis, 2011.
Disponível em: <https://repositorio.ufsc.br/bitstream/handle/123456789/95806/295105.
pdf?sequence=1&isAllowed=>. Acesso em: 17 ago. 2018.
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você aprendeu que:
• Os pelos são formados a partir do folículo piloso, localizado na papila dérmica.
• Os velos ou lanugem são os pelos finos, pouco pigmentados e frágeis.
• Os pelos terminais são mais longos, espessos, pigmentados e crescem em locais como o couro cabeludo, axila e área genital.
• Pelos são divididos em três partes principais: medula, córtex e cutícula.
• A função principal dos pelos é proteção e o equilíbrio da temperatura corporal.
• O crescimento do pelo é dividido em: anágena, catágena e telógena.
• As glândulas sudoríparas são responsáveis pela formação de suor (substâncias do metabolismo celular).
• Além da função excretora, as glândulas sudoríparas regulam a temperatura corporal pelo resfriamento e em consequência da evaporação do suor.
• O sebo é uma secreção constituída pelas próprias células, além de ácidos graxos, ésteres de cera e esqualeno.
• Lubrificando a superfície da pele e do pelo, o sebo forma uma película protetora.
• As unhas são formadas pela compactação de células escamosas altamente queratinizadas.
• A anatomia ungueal é dividida em três partes: raiz (matriz), lâmina ungueal e bordo livre.
• A lâmina é composta por três camadas: uma camada interna macia, uma camada intermediária de queratina dura e a camada mais externa.
• A matriz da unha é o local onde acontece o processo da formação da lâmina e é dividida em proximal e distal.
• No bordo livre, a lâmina cresce além do dedo.
• O leito ungueal é a base do dedo. A lâmina cresce e se apoia neste.
• A cutícula da unha, chamada de eponíquio, é uma camada fina de células epiteliais. Adere na superfície da unha e atua como vedação entre a placa da unha e o sulco ungueal proximal.
1 Os pelos passam por três fases durante seu desenvolvimento. Descreva o processo.
2 Quais são as funções das glândulas sebáceas e das glândulas sudoríparas?
3 Quais são as três subdivisões principais da anatomia ungueal?
AUTOATIVIDADE
TÓPICO 3
PATOLOGIAS RELACIONADAS AOS ANEXOS CUTÂNEOS
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
Muitas das patologias cutâneas têm relação com os anexos cutâneos. É importante para nós, esteticistas e profissionais da beleza, sabermos distinguir ou pelo menos reconhecer as principais delas.
Nunca sugira qualquer tratamento, seja medicamentoso ou não. Mesmo que você conheça profundamente a patologia, é importante lembrar que a responsabilidade será sua, mesmo que o cliente venha a agir com imprudência.
Então, quando perceber alguma disfunção na região, recomende uma consulta ao médico especializado, podendo ser dermatologista, endocrinologista ou até mesmo ginecologista/urologista, dependendo do caso.
Neste tópico, veremos sobre as principais patologias e alguns sintomas, mas não abordaremos sobre tratamentos específicos, pois não é o propósito da nossa formação e também pelos motivos citados anteriormente. Então, vamos lá!
2 ACNE
Segundo Sabatovich (2004), é uma doença inflamatória comum da glândula sebácea e caracterizada por comedões, pápulas, pústulas, nódulos inflamados, cistos purulentos superficiais e, em casos extremos, lesões intercomunicantes profundas inflamadas e às vezes purulentas. Geralmente, é uma patologia ligada à puberdade, mas também existem os casos de acne adulta.
O processo inicia quando a quantidade de androgênio causa um aumento no tamanho e na atividade das glândulas pilossebáceas. A interação entre hormônios, queratina, sebo e bactérias determina a evolução e a gravidade da doença.
A hiperqueratinização intrafolicular leva à obstrução e ao bloqueio do folículo sebáceo, gerando a formação de comedões, compostos de sebo, queratina e microrganismos, principalmente a bactéria Propionibacterium acnes.
As lipases de P. acnes degradam os triglicerídeos do sebo em ácidos graxos livres, que irritam a parede do folículo.
Então, ocorre uma retenção da secreção sebácea, que dilata o folículo e forma as pústulas, podendo levar à formação de cistos. Quando o folículo se rompe, liberando os ácidos graxos livres, produtos bacterianos e queratina para o tecido, ocorre uma reação inflamatória, que usualmente resulta em abscessos.
Na cicatrização, podem ocorrer marcas nos casos graves (SABATOVICH, 2004).
IMPORTANTE
Nas mulheres, a acne pode ter picos nos ciclos menstruais e durante a gestação.
Também pode se desenvolver em contato com cosméticos que obstruem os folículos, embora seja menos comum.
A acne pode ser subdividida em duas fases: acne superficial e acne profunda.
A acne superficial é denominada quando há a presença de comedões abertos (pretos) ou fechados (brancos), pápulas inflamadas, cistos superficiais e pústulas.
Raramente pode existir a presença de cistos maiores, e estes serão decorrentes de manipulação errônea ou trauma de um comedão aberto previamente não inflamado. Os tratamentos são mais tranquilos e é raro o surgimento de cicatriz se seguirmos as orientações corretas.
Já a acne profunda é caracterizada pela mesma formação da acne superficial, porém com nódulos inflamatórios profundos e cistos purulentos que usualmente formam abscessos. Alguns dos abscessos se abrem para a superfície cutânea e secretam seus conteúdos, gerando ainda mais inflamações.
A pele fica sensível, dolorida e com aparência estética nada agradável.
Geralmente as lesões deixam cicatriz e são mais comuns na região facial, mas também podem acometer pescoço, tórax, costas e ombros.
FIGURA 11 – PROCESSO EVOLUTIVO DA ACNE
3 ROSÁCEA
Também conhecida como acne rosácea, é um distúrbio inflamatório crônico que tem início em geral na meia-idade. Há o surgimento de telangiectasias, aumento de eritema local e formação de pápulas e pústulas, acometendo principalmente as áreas centrais da face. Como consequência, pode ocorrer hipertrofia dos tecidos, principalmente no nariz (SABATOVICH, 2004).
A causa é desconhecida, mas a doença ocorre com maior frequência em pacientes de pele clara. A rosácea é muito confundida, no início, com a acne. Assim, é importante estar atento aos sinais que a pele mostra. Dentre os diagnósticos diferenciais estão erupções, granulomas da pele, lúpus eritematoso cutâneo e dermatite perioral (AZULAY; AZULAY; AZULAY, 2013).
FIGURA 12 – ROSÁCEA
FONTE: <http://www.dermaenvy.com/rosacea-treatments/>. Acesso em: 24 ago. 2018.
A rosácea afeta apenas o rosto e o couro cabeludo e pode ser subdividida em quatro fases (SABATOVICH, 2004):
• Fase pré-rosácea: a pele nas bochechas e no nariz fica ruborizada por períodos longos. A pessoa pode sentir coceiras ou pinicões.
• Fase vascular: além do rubor, início de retenção do líquido. Aparência da pele inchada e com pequenos vasos sanguíneos visíveis próximos à superfície, que são as telangiectasias.
• Fase inflamatória: aparência da pele mais grossa, com poros dilatados e o aparecimento de pápulas e pústulas.
• Fase tardia: na maioria dos casos, a pele ao redor do nariz engrossa, ocorrendo a hipertrofia cutânea, com aparência vermelha e bulbosa (rinofima).
Acompanhando alguns casos, há a presença da rosácea ocular (afeta os olhos). Os sintomas podem incluir inflamação das pálpebras, membrana conjuntiva, íris, esclera e córnea ou uma combinação que provoca coceira, uma sensação de algo no olho (sensação de corpo estranho), vermelhidão e inchaço do olho.
4 DERMATITE SEBORREICA
Conhecida popularmente como caspa, está diretamente relacionada com a alteração na produção de sebo pelas glândulas sebáceas, gerando uma oleosidade excessiva no couro cabeludo. Há o desequilíbrio na colonização de espécies de fungos e bactérias, gerando uma resposta inflamatória desregulada.
A inflamação gera uma irritação com vermelhidão, coceira e sensibilidade.
Ainda, há uma descamação que forma crostas, muitas vezes aderidas à pele e que, ao serem removidas, deixam feridas a ponto de sangrar.
FIGURA 13 – FORMAÇÃO DA CASPA
FONTE: <www.tratamentocapilar.net.br>. Acesso em: 24 ago. 2018.
É uma doença crônica que oscila entre períodos de crise e controle.
Alguns fatores podem agravar o caso, como a genética, agentes externos, alergias, situações de fadiga ou estresse emocional, baixa temperatura, álcool, alguns medicamentos e excesso de oleosidade. A causa não é totalmente conhecida, mas a proliferação do fungo Pityrosporum ovale também pode desencadear a doença.
5 VITILIGO
É uma doença caracterizada pela perda de pigmento na pele em determinadas regiões devido à destruição, diminuição ou ausência de melanócitos.
A maioria dos pacientes não manifesta qualquer sintoma além do surgimento das manchas brancas na pele. Há o segmentar (unilateral), que aparece apenas de um lado do corpo, e o não segmentar (bilateral), que se manifesta nos dois lados do corpo, como as duas mãos, pés e joelhos (SABATOVICH, 2004).
Em geral, o vitiligo surge primeiro nas extremidades, como mãos, pés e boca. Apresenta fases: ciclos de perda de cor, depois a doença se desenvolve em mais áreas e em proporção maior e, por fim, o período de estagnação.