A pele é o maior órgão do corpo, responsável por muitas funções (barreira física contra agente externos, proteção contra raios solares, produção de vitamina D, termorregulação, entre outras). Seu revestimento superficial é representado pela epiderme, um epitélio estratificado pavimentoso queratinizado, formado por diferentes estratos de
queratinócitos que vão sofrendo diferenciação celular (queratinização) em direção à superfície, à medida que vão produzindo e acumulando filamentos intermediários de
citoqueratinas em seu citoplasma. Na epiderme também se encontram os melanócitos (produtores de melanina, responsável pela tonalidade da pele e pela proteção contra raios ultravioleta da radiação solar), células de Langerhans (células dendríticas apresentadoras de antígenos), e células de Merkel (células sensoriais). Abaixo da epiderme, encontra-se a derme, um tecido conjuntivo de suporte físico e nutricional, acompanhado da hipoderme, ou tecido subcutâneo, que não faz parte da pele.
Esta fotomicrografia mostra um corte de pele espessa. Observe a epiderme (Ep) com seu
estrato córneo (Ec) bastante desenvolvido. Abaixo da epiderme, encontra-se a derme (De), seguida da hipoderme (Hi), com abundantes lóbulos de tecido adiposo unilocular, e que fixa a pele aos tecidos adjacentes. Coloração: H&E.
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3
As duas imagens desta prancha mostram cortes histológicos de pele espessa. Observe a epiderme bem desenvolvida, formada por 5 estratos, indicados em ambas as fotomicrografias: estrato
basal (B), estrato espinhoso (E), estrato granuloso (G), estrato lúcido (L) e estrato córneo (C). No
estrato basal, os queratinócitos são cuboides; à medida que se diferenciam em células do estrato
espinhoso, se tornam poligonais e com núcleo central, até gradativamente se tornarem achatadas no estrato granuloso. Neste estrato, ocorrem modificações importantes que culminam com a apoptose das células, que perdem o núcleo e originam o estrato lúcido (presente apenas na epiderme de pele espessa; talvez seja um artefato de técnica) e finalmente o estrato córneo, com queratinócitos plenamente diferenciados, anucleados e repletos de filamentos de
citoqueratinas em meio a uma matriz amorfa
proteica. Observe ainda a presença de
melanócitos (Me) com seu citoplasma não corado em meio aos queratinócitos da camada basal e as
papilas dérmicas (PD) da derme papilar, que costuma ser altas e bem desenvolvidas na pele espessa.
PD
As imagens desta prancha mostram cortes histológicos de pele delgada. A estrutura da epiderme (Ep) é bem menos complexa que a epiderme da pele espessa, apresentando apenas 4
estratos: basal, espinhoso, granuloso, e córneo (veja em 5) – o estrato lúcido está ausente. Além disso, o número de camadas por estrato é muito menor em comparação aos estrato da epiderme da pele espessa. A fotomicrografia em 4 mostra também a derme (De), contendo vários anexos cutâneos, como
folículos pilosos (FP), e a hipoderme (Hi), preenchida por tecido adiposo unilocular. A fotomicrografia em 5 destaca ainda melanócitos em meio ao estrato basal e seu citoplasma não corado pela falta de afinidade pelos corantes de rotina.
Coloração: H&E.
4
PD PD
EC Epiderme
Derme papilar
Derme reticular
A fotomicrografia acima mostra um corte histológico de pele delgada, com sua epiderme com pequeno número de camadas por estrato e o delgado estrato córneo (EC) superficial. A derme é composta pelas suas duas camadas: a derme papilar, mais superficial, formada por tecido conjuntivo frouxo que se organiza em papilas dérmicas (PD) e a derme reticular, mais profunda, formada por um típico tecido
conjuntivo denso não modelado, com espessos feixes de fibras colágenas em diferentes direções (além de fibras do sistema elástico, não evidenciadas pela coloração).
As imagens ao lado mostram cortes de pele
delgada destacando folículos pilosos (FP), que são invaginações epidérmicas cujas células na região dilatada mais profunda (bulbo piloso, BP) se diferenciam na haste
do pelo (P), formada por camadas de células intensamente queratinizadas, e que ocupa um canal no centro de cada folículo piloso. Glândulas sebáceas (Gse) estão frequentemente associadas a folículos pilosos, desembocando seu ducto no canal do folículo. Observe folículos pilosos em corte longitudinal em 7, tendo seu bulbo piloso profundamente situado na
hipoderme (Hi) e atravessando a derme
reticular (DR) e a derme papilar (DP). A imagem em 8 mostra folículos pilosos em corte transversal, ao nível da hipoderme (Hi), mostrando a camada fibrosa que os envolve, caracterizada como bainha
conjuntiva do folículo piloso (BC).
Coloração: H&E.
7
8
BP
9 10
As fotomicrografias acima mostram cortes histológicos de pele delgada, com destaque para
glândulas sebáceas (Se em 9 e seb em 10) e folículos pilosos (FP) em corte transversal em meio à derme reticular (DR). As glândulas sebáceas são glândulas alveolares, cujas porções secretoras de formato sacular, frequentemente encontradas nas proximidades de folículos piloso, possuem células poligonais palidamente coradas, de núcleo central, e com o
citoplasma vacuolizado em função da secreção lipídica (sebo) removida durante a preparação histológica. Em 9, um folículo piloso está sem o pelo (P) devido a este ter sido removido durante o processamento histológico. Observe ainda em 10 o músculo eretor do
11 12
sudoríparas: em 11 e 12, observam-se glândulas sudoríparas écrinas ou merócrinas, e em 13 e 14 são vistas glândulas sudoríparas apócrinas ou odoríferas.
As glândulas sudoríparas écrinas são o único tipo de anexo cutâneo presente tanto em pele delgada como em pele espessa (portanto, o único anexo cutâneo presente em áreas de pele espessa). Cada
glândula sudorípara écrina possui uma porção secretora tubulosa enovelada, que aos cortes histológicos aparece fragmentada, ou seja, com vários segmentos de uma mesma unidade secretora
agregados (setas em 11). A porção secretora possui um epitélio pouco corado, cujas células – que delimitam um lúmen estreito – possuem núcleos desnivelados, simulando um epitélio pseudoestratificado. A porção secretora se apresenta envolvida por delgadas células mioepiteliais. O
ducto das glândulas sudoríparas écrinas é único, e é formado por um epitélio estratificado cúbico com duas camadas de células intensamente coradas (cabeças de seta em 11). Nas proximidades da porção secretora, aparecem fragmentos de um mesmo ducto, que também possui um início enovelado e em seguida ascende em direção á superfície da epiderme, onde desemboca.
As glândulas sudoríparas apócrinas também são glândulas tubulosas enoveladas, mas possuem
porções secretoras maiores com células cilíndricas ou cuboides altas, que delimitam um amplo lúmen. Da mesma forma que as glândulas écrinas, as glândulas apócrinas aparecem com fragmentos de uma mesma porção secretora próximos uns aos outros, também sendo envolvidas por células
mioepiteliais. O ducto possui a mesma estrutura do das glândulas écrinas, mas desemboca no canal dos folículos pilosos. As células da porção secretora das glândulas apócrinas possuem um
abaulamento apical (setas em 14) que simula haver perda de parte do citoplasma da secreção, o que configuraria uma secreção apócrina. No entanto, na realidade a secreção destas glândulas é écrina, sem perda de componentes celulares durante a secreção.
• Identifique os anexos cutâneos nas imagens ao lado e abaixo, caracterize sua estrutura
histológica e o tipo de pele onde estão situados.
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