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(1)

JOAO PEDRO R05A FERREIRA

TEMA5 PROBLEMAS CRITICA5

OU

PROPOSTAS

DE

ALCANCE

IDEOLOCICO

OU

POLÍTICO

VEICULADOS

PELO

CORREIO

BRAZIL1EN5E

2 íj

C

7 t

(2)

Dissertacão

de Mestrado

Apresentada

ao Curso de

Histôria

Cultural e

PoLítica

da Universidade Nova de Lisboa

(3)

A dissertacão cue agcra se apresenta constitui o culminar dc

trabaiho iniciado e

prosseguido

ac

lcngo

das sessoes do curso ie

Mestra^

do em

Histéria

Cultural e

Política,

e

depois

no åmbito do Centro áe His

téria da Cultura da Universidade Ncva de

Lisoca.

Uma

palavra

de

agradecimento

é

aqui

devida ac

?rof,

Doutcr

José Sebastião da Silva Dias

pela

sua esclarecida orientacão

cientíiica

e

pelo paciente

acompanhamento

cue sempre nos

prestou

nas diversas

fa-ses de elaboracao do

trabalho,

nunca faltando ccm uma

palavra

de er.cora

jamento

perante as dificuldades

surgiáas.

Ao Mestre e

A_r_igo,

um reco

-nhecido

obrigado.

Queremos

tarabém expressar o ncsso

a^radecimento

ao

?rcí,

Dou

tor José Esteves Pereira

pelas

nccoes teoréticas e sugestces ie

traba-Iho recebidas ao

longo

das suas

licces,

que se revelaram fecur.ias li

-nhas de

investigacão,

bem como

pelo

interesse deraonstrado

pelo

nosso

es_

tudc, ncmeadamer.te ao

pôr

a ncssa

disposicão

uir. :nar.U3crito inedito por

(4)

-?T" ""TT*

(5)

ĨTTECjUCAO a PARTE PRIMEIRA

Tendc-nos proposto com este trabalho levantar e analisar , â

luz da

conceptualiza^ão

elaborada a

partir

dos instrumentcs teoréticos

recebidos no curso de Mestrado em

Histôria

Cuitural e

Pclítica,

os

te-mas de aicance

ideolcgico

-

polí

tico veículadcs

pelo

Correio

5razilier.se,

impoe-se

uma

explicacãc

sobre a

n.etcdclogia

seguida

na sua

apresentacão.

da crofusão de material resultante do levantaraer.tc

sistemáti

co dos temas abarcados

pelo

âmbito do ncsso estudo

surgiu

a necessidade

de uma

seleccão.

A escclha da

proclerr.ática

ocnstituoicr.al e do per.sa

-mentc econcmico como núcleos de questoe3 å voita dcs ouais se

desenvcl-veu a temática

prcposta,

resultcu da cor.viceão de que ambos constituem

um campo

propício

â

experimentacao

ics conceitos e mécodos de tracaiao

de que nos consiieramcs

ievedores.

A operacao de

escoiha,

se determina uma

inclusac,

cbri:-ra

a

uma concomitante

exclusão.

Temas

havia,

pcrventura

iguaimente

sigr.ifi-cativos,

cujo

desenvclvimento se

justií

icaria. Ĩ7ãc fci

possível

fazê

--lo der.tro dos iimites deste

trabalho.

?ica a consciência da lacuna e

a afirmagac das

potencialidades

da

ir.vestigaeâo

a

prosseguir

nessa

fcn-te

privilegiada

para a Hislôria das Ideias dc

pnncípio

do

séc.

XIX,

eue

(6)

6

A

opcão

realizada

justifica

uraa

prévia apresentacão

do

perié

dico e do seu

redactor.

Iraporta

salientar que as

observagoes

sobre o

redactor do

C.3.

e a vida do

jornal

— em tensão

permanente

com os

a-contecimentos marcantes da evolucao

política

e social do binámio Pcrtu

gal-Brasil,

por um

lado,

e dc

estrangeiro,

pcr outro — devem ser enten

didas como u:_

quadro

introdutôrio

aos temas

desenvolvidos.

?inalmente,

iuigámos

oportuno

incluir nesta

parte

inicial

al_

gumas

observa^oes

sobre assuntos que, embora não desenvclvidos r.c corpo

do

trabalho,

estao de

aigum

modo relacionadoa com a sua

problemática

e

ajudam

â

compreensão

da

globalidade

da

ac^ão ideolôgica

e

política

pro^s

ser*uida celo

.";ornal

" .

(7)

0 Redactor

Hipolito

José da Ccsta Pereira ?urtado de Mer.dor.ca r.asceu r.a

onia do 3acrarner_to em

2?

de .•_argo ie

177--,

sendo caotizado r.a :!atriz

uela Praea a 2 de Abril do mesno ar.o ~ .

Ũs elementos bio.rraf iecs

aqui

avan.^adcs

se.-ruem cs estuccs mais com

-pietos

sobre

H.J.

ia

C._

::?C?:"A3

TCJR-OC, Hipôlito

da Ccsta e c Cor

eic

2rasilier.se,

2

Tomos,

Ric de

Janeiro,

Biblicteoa ic "::érci:o

ditora,

195?

e Câ?_1C5

?J3"I"I,

Hirôlito ;!a Costa e o Corr-io

3ra-. 1 -ĩ Hacio r.al

,

135T

. Arti go3 r.u biicados ar.teriormer_.te a edicac destas cbras dão ccmo iata dc nas-cimento do íuturo redactor dc

C. 5.

13

ie iLrosto de

177-.

C:r.

AU

■3. vi

-_.io inario __ic.Lio_rrar.r_ic: o.^r^l .

'

ricc. r p-ô.

-> - ^> > i-« ^> jUo.'j . iui _ íti.ív-' .1./. jC C_as_-_U™.. ■ l-_■ __?—.-i...-.,

3razi: eirc.

vol.

3,

Ric de

Janeirc,

Imprensa

1.

::::CĩrCIC FRAITCĨcCO 2A

3IL7Å,

Ticcior.ario

ĩihliograrhico

HortUouez,

Tomo

III,

Lisbca,

Ĩ859,

p.

ĩ?3;

ARTHCR MCTTA "?er:is Académicoo-Ca deira n5 17 -

Hippolvto

da Costa" in Revista da Academia 3-rasileira de

Letra.ĩ,

voi.

XXXI,

r.°

93,

?io de

Jar.eirc,

oetembro ds

1929,1.3-;

c;dt.

?.IZ2i::i,

C

Livro,

0 Jcrn; e a Tirc-rraiia nc :-■'":.

cich--IS22,

Rio de

Janeirc,

Livraria

Koemos,

1945,

P.

341

RC PSESjRI-vO DA

3I7.7A,

"Coníerência do 3r. :_ar.ael Cícerc

da

3ilva,

1« Vic:— Fresider.te do

Iiistituto,

so'rr-~ 0 Patriarcha dcs ■>o —,_>■». — n""w

.a Ccsta ~e r eir a r"jrvsic Jomalistas

Rrasileiros,

Hipi-olytc

Jos

(8)

Era filho do alferes de ordenancas ?élix da Costa Furtado de

Mendonga

(1735-1819),

natural da

freguesia

de Nf Sr» da Nazaré de

Saqua

rema, Rio de

Janeiro,

e de Ana Josefa

Pereira,

da Colonia do

Sacramento.

Um de seus

irmãos,

José Saturnino

(I778-I852),

viria a

distinguir-se co_

mo ministro e senador do

Império

do

Brasil.

Com a tomada da Colonia do Sacramento

pelos

espanhôis,em

1777,

?élix da Costa mudou-se com a família para 0 Rio

Grande,

onde se tornou

proprietário

de terras.

Hipôiito

passcu aí a infância e a

adolescência,

tendo

provavelmente

feito os

primeiros

estudos

junto

de seu

tio,

0 ? .

?edro ?ereira Fernandes de

Mesquita,

Doutor em Cânones

Veio para

Portugal

para

frequentar

a Universidade de

Coimbra,

matriculando-se na Faculdade de Filosofia em

29

de Cutubro de

1792

e na

de

Matemática

em 14 de Junho de

1793

(

curso de

1792)

2.

A

18

de Outu

bro de

1793

foi admitido no l5 ano da Faculdade de Direito

,f

indo 0 cual

lhe foi atribuído um

prémio

de mérito académico ■> . Frestou exame para

1. Cfr.

KSCSiTAS

DOURADC,

op.

cit.,

Tomo

1«,

p.

32,

nota

28.

2.

Cfr.

FRANCISCO

MCRAI3,

"Estudantes da Universidaie ie Coimbra :Tasci-dos no Brasil" in

Brasília,

suplemento

ao volume

IV,

Coimbra,?acul_

dade de Letras - Institutc de Sstudos

Brasileiros, 1949,

P.

355. :,-£

cenas Dourado aponta a data de 29 de Cutubro de

1792

como sendo a da matrícula na Faculdade de

î'atemática,

adiantando cue a sua en -trada em Filosofia se teria dado

"....

no mesmo mês

....".

Cfr.

KE C3ĨTA3

DOURADO,

op.

cit.,

Tomo

l2,

p.

33.

0 mesmo autor refere 0 seu bacharelato em Filosofia em

1796

(Cfr.

Idem,

p.

34)

, e 0 contacto com Félix de Aveiar

Brctero,

na cadeira de Botânica

(Cfr.

Idem,

p.

45

e TEOFILO

3RA3A,

Historia da Universidade de Coimbra nas suas Relacoes ccm a Ir.strucao Rública

?orrur*uesa,

Tcmo

III,

17'CO

a

l6C0,

Lisboa,

Tyro.trfiphia

da Academia Real das

Sciencias,

I898,

p.

720).

(9)

lembraoseu

condiscípulo

na

Universidade,ao

citar um passo do

C.3.

elogioso

para os membros da Comissâo para o exame dos

forais,nomea

da na

sequência

da Carta

Régia

de

7

de

Margo

de

1810.

(Cfr.

FRAN-CI3C0 MANU3L TRI00S0 DS ARASAO

MORATO,

Memánas ....

(1777

a

1826),

revi3tas e coordenadas por Ernesto de

Campos

de

Andraie,

Coimera ,

Imprensa

da

Universidade, 1933,

?. 6 y. A

apetência

de

Hipôiitc

pe_

las ideias veiculadas

pelos

expcentes

do mcderno pensamento

fiios_6

fico e científico seria testemunhada

pela

iiscordância de um dos membrcs do

júri,

relativamer.te a classif

icagac

de Muito 3om , que lhe foi atribuíia na rubrica "merecimentc literário" dc Sxame de Conduta

Mcral,

posterior

a

formatura,

"Ssse vctc

marcaria,

entao,

as

diferengas

de

convicgoes

dcutrinárias er.tre

discípulo

e mestre.

Hipélito

nessa

época

..e embebera da dcutrir.a de

Condillac,que

cc_

megara a estudar nos

primôriios

do curso académico ....

Ora,

Con-dillac,

na Universidade de

Ccimbra,

ao tempo de

D.

Maria

I,

não fa zia

figura

de bom

guia

doutrinário e assim teremcs a

explicagão

das

restrigoes

que o dcutcr coimbrão fazia dos dotes mcrais e

iiterá-rios de

Hipôlito".

(M3C3NA3

DOURADO,

op. cit. , Tcmo

1Q,

p.

38).

0 contacto do redactor dc

C.B.

cem o pensair.ento de Condillac e re-ferido num

panfleto

polémico

contra

aquele periôdico.

"....poÍ3me

lembro de ouvir no ano de

1794

em

Coimbra,

que ele buscava certo su

jeito

para que Ihe

expiicasse alguns lugares

de Condillac que não entendia! .... S

depois,

com uma ccnsiderada

presungão,

intentava

inculcar-se pcr mestre de quem 0 ensinava

...."

(Provas

ia Falsida de e

Ir.'ustiga

ccm qu? 0 Sditcr do Cerreio Brasilier.se Intentou 3e sacreditar Antonio de

Araujo

de Azevedo e

Algumas

Refiexoes a cer-ca desse Jorr.al Cfferecidas aos seus

Leitcres,

Lisbca,

1810,

r.a

:7o_

va Officina de Joac

Rcdrigues

Neves,

pp.

1^-16).

"A transformacãc

dos estudos filosôficos raanifestava-se

pela

admissac de doutrinas de

Condillac,

sendo a Arte de Fensar traduzida em

1794

por José

Li_

(10)

10

bacharel a 10 de Junho de

1797,

concluindo a formatura em Direito em

5

de Julho de

1798

Sscassos três meses

apôs

a sua

graduagac

em

Coicbra,

Hipcii-to foi incumbido

pelo

Ministro da Marinha e

Xegôcios

Uitramarincs,

D.

Ro

drigo

de Sousa Ccutinho de uma missao nos Sstados Ur.idos com o

objecti-vo de estudar a cultura do

tabaco,

a do linho cânhamo e as árvcres euĩ-tivadas

pelos

americanos . A missao tinha ainda uma

compcnente

secre

tat a

obtengão

do insecto e

planta

da

ccchinilha,

criados

pelos

espa-., . - + ~ 1

nhois nc Mexico sob estnta

prcibigao

ie

expcrtagao

- .

De regresso a Lisboa fci ncmeado director

literário

da Junta

dalmpressâc Régia

. Ao

servigo

desta

instituigac

deslccou-se a

Lon-ires e, nc re.rresso, em fins de Julho de

lSC2,

fci preso

peio

correge-dor io crime sob a

acusagão

de

pedreiro-livre.

Conseguiu

evacir-se uos

cárceres da

Inquisigão,

provavelmente

em

Agostc

de

1805,

numa

fuga

rccaji

bolesca

cujos

pormenores cmite na obra que dediccu ao sucedidc J

, «_cse

1.

0 Júri para 0 Acto de formatura foi

presidido

por Bernardo Carneirc Vieira da 3ilva

(por

iapso,

Mecer.as Dcurado chama-lhe

Sousa),

sen-do

arguente

Jcsé Carlos Barccsa de Souaa

(Cfr.

M3C3NAS

DCLRADC,or.

cit.,Tomo

l5,

?.

33).

2.

Cfr.

"Memoria sobre a

viagem

aos 3stadcs Unidos pcr

Hippclvtc

Jcsé ia Costa Pereira"

/~1801

1

in Revista do Instituto Histcrico e Oecerá

pcico

Brasileirc, Tomô 31,

1858,

p.

352.

3. Cfr.

Idem,

p?.

362-363.

4.

Cfr.

Gazeta de

Lisboa,

30 de Janeiro de

1802,

/ p.

4_7.

c# Narrativa da

rerseguigão

de

Hippolyto

Joseph

da Costa Pereira Furta-do de

Mer.donga

r.atura. da Colcnia do Sacramento no Ric da

Prata,?re

so e Processado em Lisboa

pelo

Pretenso Crime de

Fra-Magon

ou

?e-dreiro-Livre,

Londres, ISII.

Camilo Castelo Eranco poe em desta-que o ccntraste entre a

apcicgia

da

Inquisigão

no

prefácio

â Histc rii de Portu.val

Composta

em

Inglez

por huma Sociedade de

Literatcs,

(11)

que atribui a

Hipolito,

e a

Narrativa,

para concluir que

"....

i,

pois,

benemérito de

epítetos

que a decência

veda,

um

sujeito

que faz a

apologia

da

Inquisigão

dois anos

depois

que Ihe

fugiu

âs gar

ras; e, transcorridos outros dois anos, desmente com o seu

teste-munho

pessoal

o

primeiro

depoimento".

(CAKILO

CA3T3L0

5RAJ:C0,Fre_

fácio a AMTCĩriO DE

CASTRC,

Os Ratcs da

Inquisigão, Porto,

Srnesto Chardron

Sditor,

1883,

p.

89).

Camilo labcra em erro e comete uca

injustiga.

îla

realidade,

0 redactor do

C. B.

foi

responsável

p_e

la

edigao

de Londres de

1809

da Historia de

Pcrtugai,

nela trans-crevendo o "Prefácio do

Tradutor",

que

já surgira

na

edigao

de

Li£

boa de

1802

e seria retomado nas de

1819

e

1828.

0

prefácio

da

e-digao

de

1809,

pelo

contrário nao voi tou a sair â

iuz.

Nele

jus-tificava

Hipolito

da Costa o critério que

presidiu

â

reformulagão

da

secgão

XI do Tomo

III,

"Histôria do Reinadc da Rainha D. Maria

I",

de que se encarregcuj "Haviam

tentadc istc na

edigãc

de

Li£

boa de

1802,

mas eu

Julguei

que devia

seguir

outra

vereda,e

tccar muitos factos que

naquele ccmpêndio

se

omitiram,

dando a outros uma forma

algum

tanto diferente do que ali se

acha.

0

públice

de_

cidirá

qual

destes

epítomes

se

aproxima

mais ao verdadeirc e ao

imparciai;

os mesmcs factos focam diferentemente diferentes

pes-soas, e cada urc os refere

segundo

a

impressãc

que Ihe fazem"

(HI-PPOLYTC J033 DA

CC3TA,

Historia de

Portugal

Ccmposta

em ĩr.rlez cer uma Sociedade de Li

tteratos,

Trasladada em

Vulgar

com as Noĩas oa

Sdicão Franeeza e do Tradutor

Portuguez,

Antor.io de Moraes da Sil va; e Continuada até aos Nossos

Tempos,

Londres,

Cficina 09

?.

Win grave e.a.,

I8C9,

Tomo

I,

p.

VII).

Na referida secgac

pcde

lor--se, a

propôsito

da "Viradeira"t "Cs sucessores

porém

do

Marquês,

que eram tcdos da

facgão

oposta,

e a cuja frente se aehava ei rei

D.

Pedro

III,

cuidaram mais em expor os vícios do

Marquês

do que em imitar as suas

virtudes,

e continuar os

plancs

que ele ccmega-ra .

..."

(Idem,

p.

218).

3 sobre a

instituigac

da Junta do

esta-dc actual e melhoramento das ordens

religicsas,

em

17^9:

"Mas

co-mo

aqui

não se trata de fazer o

elogio

desta soberara

(o

que será obra de mais elevada

pena)

, mas 3im de referir a histéria fiel dos acontecimentos de seus

reinados,

pede a verdade hi3tôric_. que se

diga

que este estabelecimentc não

produziu

os benefícios cue se

(12)

12

Liberato Freire de

Carvaiho,

que o

auxiiiou,

apresenta uma versao dos

acontecimentos que tem sido

aceite,

â falta de outro testemunho

Sxiiado em

Londres,

ceneficiou das boas

relagoes

que manti -o nha com o

duque

de

Sussex,

Augusto

Frederico,

filho do rei

Jorge

III ,

para assegurar a

sobrevivência,

iando

ligoes particulares

ie

línguas

es

trangeiras,

e para

prosseguir

a sua actividade literária e

política

J . Ficou a dever-lhe

iguaimente

a

prctecgao

contra as tentativas da

Legacãc

portuguesa

para o fazer

expulsar

de

Inglaterra,

sobretudo durante a per

manência do Smbaixador

D.

Dcmingos

de Sousa

Ccutinho,

futuro Conde de

Funchal 4 .

/

de

aás

teclogiast

e, o que pier

fci,

tiveram pcr

presidente

a

D.

Jo

Maria de

Mello,

Bispo

titular do

Aigarve

e Incuisid.cr

geral

que,

unindc c

espíritc

sanguinário

da

Inquisigãc

â

superstigãc

e

igno-rância que Ihe eram

naturais,

se fazia

incapacíssimo

de promever as

beneficas e

religiosas

vistas de

3.M.

. 3 se

algum

escritcr que

es_

creveu em

Portugal

disse c ecntrário do que

aqui

se assevera, lem-bre-se o

leitor,

para comparar as

autoricaies,

que nenhum livro se

pcde imprimir naquele

reino sem

licer.ga

daquelas

pesscas que a his

tária tem

obrigagãc

de censurar"

(liem,

p.

233).

Peics excertos

apresenrados

toma-se fácil comcreender a razão pcr que as

edigces

ul teriormente

pubiicadas

em Lisbca retomaram na

ínĩegra

a

primeira

e omitiram a

colaboragâo

de

Hipolito

da

Cesta.

. J033 LI33RAT0 FR3IR3 33

CARVALHC,

Memôrias da Vida de

J.L.F.

de

C.

,

Lisboa,

1855,

??.

42-45.

. Sstabelecidas

aquando

da__

diligências

efectuacas por

Hipôlito

ac ser

vigo

da

?:agonaria

durante a sua

primeira

estadia em

Londres,

se.r.in

do

RI22INI,

op. cit. , p.

17;

ou r.os meios

macônicos

de

Lisboa,

on-de residia o

pr»ncipe

desde

l8C'I,

de acordc com M3C3NA3 DCURA.DO,or:.

cit. , Tomo

ĨQ,

p.

108.

3. Cfr.

Idem,

p.

112.

(13)

Hipolito

da Costa

desempenhou importantes

fungoes

na

Magona-ria,

e

repetidamente

saiu â

liga

em defesa da ordem nas

páginas

do

C.5.

. Teria sido iniciado em

Filadélfia,

na

Loja Washington

nQ

59,

em 12 de

Margo

de

1799

* . A sua

prisac

em Lisboa terá ficado a dever-se

acs ne

gécios

magônicos

que tratara durante a

permanência

era Londres em

1802*

o acordo para a

filiagão

das

Lojas

pcrtuguesas "Amor e Razão"

,"Virtude",

p

"Concôrdia" e "União" å Grar.de

Lcja

de Lcndres . Durante a sua

resi-dência em

Inglaterra

foi sucessivamente

Secretário

para os assuntos

es-trangeiros

do "Freemason' s Hail" e "Grão Mestre Provincial da Província

de

Rutland",

em

1813

J .

?orém,

Mecenas

Dourado,

baseando-se numa afir

magao do

prôprio

C.B.

, nega que

Hipôlito

tivesse

desempenhado

o cargc

de

grão-mestre,

pelc

raenos

até

Fevereirc de

l8l;.

Atricui-lhe,

em

ccr.-trapartida,

o títuio de "First C-rand

Sxpert"

e c Grau

33,

ccnferide em

1819.

Dirigiu

ainda uma

Loja

composta de portugueses e

brasileiros,

a

. • • / .

e José Liberato Freire de

Carvalho,

acusaram-no de se ter

naturali_

zado cidadao

britânico.

Mecenas Dourado defende que Ihe :oi cor.ce dido a

dignidade

de

"der.izen", figura

jurídica

oriunda dos tempos do

feudalismo,

que colocava 0

indivíduo

directamente sob a

protec-gão

do

rei,

uma vez feito um

juramento pessoal

ie fidelidade

\,Cfr.

DCURADC,

co.

eit.,

Tomo

1«,

pp. 241 e

segs.).

Rizzmi,

pcr seu la

do,

rejeita

qualquer

das

alegagces

por falta de evidência

decumen-tal,

e acolhe como verdadeira a

Justificagão

ofereeida

pelo

pré

-prio

Hipélito

para a

obtengão

dos iireitos de cidadão

inglês:

ad

-quirira

a

equivalência

a.

nar.uralizagao

através da ccmpra de acgoes do Banco da Sscocia

(Cfr. RISZINĨ,

cp.

cit.,

p.

3?).

1. Cfr.

DCURADO,

op.

cit.,

Tcme

1%

p.

77.

2. Manuel Cicero

Peregrino

ia

Silva,

citando R. FR33H3

GCULD,

The Histo-ry of

Freemasonrv,

Filadélfia,

1898,

aiirrna que

Hipdlito

chegcu

a ascinar um tratado

(Cfr.

MAIiUSL

C.P.

DA

3ĨLVA,

op.

cit.,

p.

788)

. Tal assmatura 3

negada

?or Rizzini

(Cfr.

RIZ2INI,

op.

cit.,

?.

7).

(14)

Loja

Lusitana nQ

184,

cujos

regulamentos

Inocêncio Ihe atribui

Da actividade

política

do

publicista

em Londres sobressai

do o trabalho

doutrinário

realizado em torno do

C.3.

. 0

jornal

distin

guiu-se

pela campanha

a favor da reforma ias

instituigoes políticas

da

monarquia

lusíada e

pela

luta em

prol

da

emancipagãc

do Brasil.

Parale-lamente desenvolveu uma actividade literária denotando interesses varia

- 2

dos,

desde a

histária

â

poesia,

inciuindo uma incursâo

pelo

drama

Apos

a

proclamagao

da

independência

do Brasil foi nomeado su

ce33ivamente

encarregado

de

negocios

interino,

cônsul-geral

em Londres

(a

20 de Setembro de

1823),

e conselheiro honorário da

Legagão

do

Impé-rio do Drasil

junto

do embaixador Caldeira

Brant,

a 22 do mesmo

mês.

Não

desempenharia,

contudo,

os

últimos

cargos: morrera a 11 de Setembro de

1823.

Foi

sepultado

em

Hurley, Berkshire, Inglaterra,

tendo-lhe 0

du-que de -Sussex dedicado 0

seguinte epitáfic:

" a love cf

constitu-tional

liberty

founded in obediance to whole some laws and in ths

prin-ciples

of mutual benevolence and

good

wiil".

0 seu ncme consta da

pri-meira lista de

agraciados

ccm 0 grau de Oficial da Crdem

Imperial

do Cru

1. Cfr.

IN0C3NCI0

F.

DA

3ILVA,

op.

cit.,

vol.

X,

p.

34.

Veja-se

também GS0RG33

3CISVSRT,"La

Presse

Péricdique

Portugaise

de

Londres.

No-tes sur les circcnstances de scn

apparition

et de scn

dévelcppement'

in

Sillages,

n-

4, Département

des Stuies

Pcrtugaises

et Brésilieit nes de

L'Université

de

Poitiers,

1974,

?P.

69-88.

2.

Rizzini atribui a

Hipôlito

da Costa uma pega em um

acto,

Amor d' Ss

-tranja,

de

1811,

drama

joco-sério

de fundo morai criticando os sen

timentos

"aespertados

no

coragão

das senhoras portuguesas

peios

0-ficiais

britânicos".

Desta

"extravagante

incursao de

Hipôĩito

no

terreno da

ficgão"

recenseia um

exemplar

apografo

adquirido

por

?I_i

nio

Salgado

na Feira da Ladra ec Lisbca

(Cfr.

RĨZZINI,

op.

cit.,p.

45).

Devemos 0 eonhecimente da pega e a

possibilidade

da sua

trans_

crigâo

neste trabalho

(Apêndice III)

â

gentileza

do

Prcf.

Dcutor

Jo_

sé Ssteves Pereira cue

pôs

a. ncssa

dispcsigão

uma

fctccôpia

do

(15)

zeiro,

instituíla

a 1 de Dezerabro de

1822

por

D.

Pedro I do Brasil

2. 0 Correio Braziliense

0

C.

B.

ou Armazém

Literário

publicou-se

mensalmente sem in

terrupgão

de Junho de

1808

a Dezembro de

1822,

num total de

175

númercs

coligidos

em

29

voiumes

semestrais.

Foi sucessivamente

impresso

por

"í#

Lewis em Paternoster Row

(até

Dezembro de

l8ll)

e em

3t,

Joun's

Square,

Clerkenwell

(de

Janeiro de

1812

a Dezerabro ie

1816);

e por

L.

Thompson

na Oficina do Correio Braziliense em Great

3t.

Helens,

Bishcpsgate

Street,

a

partir

de Janeiro de

1817.

Trazia em

epígrafe

cs versos de Ca.__c.es •

"Na quarta

parte

nova os campos

ara/

3 se mais mundo hcuvera lá

chegara"

(

Lusíadas,

Canto

VII,

est.

14).

A

declaragão

de

princípios,

feita na

"Introdugão"

ao número

1,

elucida sobre os

objectivos

que o redactor se

propunha atingir

ccm a

fundagao

do

primeiro periodico

dadc â luz livre da censura que

coarcta-va as obras

impressas

no reinot

"0

primeiro

dever do homem em sociedade é ser util

aos membrcs

dela,

e cada um

ieve,

se:gundo

as suas

forgas

físicas cu

morais,

administrar em benefício da mesma os conhecimento3 ou talentos que a

nature_

za, a

arte,

cu a

educagão

lhe

prestou.

0 indivíduo

que

abrange

o bem

geral

de uraa scciedade vem a ser

o membro mais distinto dela: as luzes que ele espa

(16)

lha tiram das

trevas,

ou da

ilusão,

aqueles

que a

ignorância

precipitou

no labirinto da

apatia,da

i-népcia

e do engano.

Kinguém

mais

útil,

poisydo

que

aquele

que se destina a mostrar com

evidência

os

acontecimentos do

presente,

e desenvolver as

som-bras do

futuro.

Tal tem sido o trabalho dos

reda£

tores das folhas

públicas

quando estes,

munidos de

uma

crítica

sã e de uma censura

adequada,

apresen-tam os factos do

momento,

as reflexoes sobre o

pas_

sado e as soliias

oonjecturas

sobre o futuro ....

Levado destes sentiment03 de

patrioti3mo,

e dese

-jando

aclarar os meus

compatriotas

sobre os factos

políticos,

civis e literários da

Europa,

empreendi

este

projecto,

o

qual

espero merega a

geral

aceita

gão

daqueles

a quem o

dedico.

Longe

de imitar

o

primeiro despertador

da

opinião pública

nos factos

que excitam a curiosidade dos pcvos, quero , além

disso,

tragar

as melhorias das

Ciências,

das Artes

e, numa

palavTa,

de tudo

aquilo

que

pode

ser útil a sociedade em

geral.

Feliz eu 3e posso transmi

-tir a uma

nagão longínqua

e

sossegada,

na

língua

que lhe é mais natural e

conhecida,

os acontecimen

tos desta parte do mundo que a confusa

ambigâo

dos

homens vai ievando ao estado de mais

perfeita

bar-baridade. 0 meu único

desejo

será

de acertar na

geral opinião

de

todos,

e para o que dedico a esta

empresa todas as minhas

forgas,na persuasão

de que

(17)

a que eu me

propus"

A estrutura do

jornal

incluía

as rubricas

"Política",cnde

se

publicavam diplomas

oficiais;

"Comércio

e

Artes",

abordando assuntos de âmbito

econômico;

"Literatura e

Ciências",

em que

surgiam

comentárics

e

recensoes a ocras

publicadas

sobretudc em

Inglaterra

e

Portugal

e 3e ua

vam notícias de campos tão diversos comc a filoscfia e a

medicina;

"Mi_s

celânea",

onde o redactor se

pronunciava

directamente scbre a actualida

de

política

nacionai e internacionai , e cnde inseria os coletina milita

res nos

períodos

de guerra

(eampanhas napole6r.ica3,independência

das

lénias

espanholas

da

América,

intervengao

pcrtuguesa

na "banda orientai"

do Ric da

Prata)

; e a

"Ccrrespondência"

, cue

divulgava

cartas sobre va-2 riados

assuntos,

quase sempre ancnimas ou assinadas com pseuccnimc

Um crgac que se

prcpur.ha

intervir em questces

publi

cas até en

tac ciosamente reservadas ac manccrismo e â

intriga

ia eorte e das

__ega_

■^oes

diplomátieas,

viria fataimente a concitar a hcstilidade das

pcderc_

sas ener.^ias ie todos

aqueles

cuja

ir.fiuêr.cia e margem de manobra se viam reduziias celo

prôprio

facto ia sua

aparigâc.

As tentativas de cor.trolo pcr parte do en.baixadcr

D.Domingcs

de Sousa Ccutinho sucederam-se, eomeoar.do

pelo

f crneci_r.er.tc de

"fugas

de

informagac"

ter.dentes a enalteeer a

facgac

ehefiada

pelc

seu

irmãc,

o conde de

Linhares,

e a

prejudicar

a

imagem

de memcrcs da

facgac

rival ~.

1.

C.3.

,

I,

n*

1,

pp.

1-4.

2. Muitas das

quais

atribuíveis ao

prôpric redactor,

que assim

pcdia

u-sar

"....

de maior iiberdade de

linguagem"

(M.

DCURADC,

er. cit. ,

Tcmc

1«,

p.

142).

(18)

Mas a

aproximagão

mais ou menos informal revelar-se-ia

msuficiente,

e

D.

Domingos

recorreu â tentativa de

suborno,

que ficaria a coberto de

um acordo para a

aquisigão

de

quinhentas

assinaturas dc

jornal

"

.

Hi-pôlito

parece ter-se

prestado

ac

"namoro",

e durante um curtc

período

o

.../.

de Araú~'o de Azevedo durante o processc que culminou com a invasão de Junot

(veja-se

C.3.

I,

6,

:^.

518-520;

III,

16,

pp.

342--343; IV,

20,

pp.

119-124;

Idem,

n*

21,

pp.

211-215; liem,

n*

22,

pp.

312-314;

ĩdem,

n3

23,

??.

432-434).

A

convergência

entre as

sigoes

de

C.3.

e os interesses da faccâb Sousa Ccutinho foi de-nunciada nos

opúscuios

anénimos

Prcvas da Falsidade e

ĩnjustiga

cem que o Sditor do Correio Brasiliense Ir.tentcu Desacreditar Antcmo de

Araújo

de Azevedo e Alsumas Ref le.eces a eerca desoe Jornaĩ Cffe recido aos seus

Leitores,

Lisboa,

Nova Officina de Jcao

Rodrigues

Neves.

1810 e

Aoologia

da Conducta de

Jozé

Anselmo Cerrea contra

____ £ — ■

;=

as

Assergoes

mentirczas de Correio

3razilier.se,

s._-., s.e. P—

3îi

mivelmente

Londres,

1809,

com base em dades forneeidos

pelo

conteii do

7.

^este último o lorreio é

apresentado

como

"....

jcrnal

ec-i

prado

por

D* D*

/

obviamente Dom

Domingcs

/ para

preencher

ae vis-tas que nutre c seu

Pretector, segur.do

0

objecto

a que ele o quer

ii_

ri~ir. S.sta obra

cericdica,

su

Jeitando-se

a

venalidade,

vem a ser uma

perpétua

sátira contra es

fiéis

vassalos de

3.A..R.

que sac

avejs

sos ao

partido

de

D*

D*;

ela se censtitui 0 iesoirc das ideiae que ele

deseja espalhar

para vitimar a honra e a reputacao das pessoas que são contrários

/

sic

7

aos seus

planos

i-e

despctismo

. . . .

"(Acc

lcgia

ia

Cor.jucta,

p.

3).

Do mesmo auter da

Apclcgia

(prevavelmen

te 0

prorrio

José Anselmo Correia

Henriqces,

que em Lcndres

fund.a-ria,

durante o

perícde

ecr.stitucional, o ccntra-revoiueicnário Zur rague Pclítieo das Ccrtes

Novas'.

é 0

panfleto

Argus Luzit3.ne,ou

Car tas

Analíticas,

sobre 0 mereeimento de Jorr.a: intitulaio Correi<

Braeilense,

Londres,

Cfficina de

Cox,

Sou k

Bavlis,

/~1810

/,

quo nos versos da sua

eeígrafe

satirizava a de

proprio

Correio : " 0 Jornal 3razilier.se a vez

soltando,

/

Ccm mentircsa fama 0 ciarim soa;

/

Mil invectivas faisas

assoprando

/ Ac ncvo mundo \relozmente voat

/

sua doutrina

pérfida

e__palhar.dc,

/

Ccm

pestífero

bafc o ven to atroa;

/

îĩa ouarta oarte r.cva os campos ara,

/

S se maio mur.de houvera lá

chegara"

.

(19)

Braziliense moderou a3 suas críticas e veîcuiou notícias e

opinioes

favoráveis

ao governo.

Todavia,

verificando que o

objectivc

da

negocia

gao em curso visava

transformá-ĩo

num mero

orgão

do

poder,

considerou o

prego demasiado caro e voltou as

críticas

com redobrada

contur.dência.

0

seu alvo

preferencial

tornou-se o cla dos Sousas

(D.

Rodrigo

de Sousa

Coutinho,

conde de

Linhares,

Ministro dos

Negôcios

Estrangeiros

e da Ouer

ra no Rio de

Janeiro;

o

Principal

Sousa,

membro do Governo da

Regência

em

Lisboa;

e

D,

Domingos

Antônio de Sousa

Coutinho,

embaixadcr em

Lcn-dres)

- o

"partido

Roevídico"

As acusagoes de venalidade ao

jornalista

recrudesceram

cuan-do,

no culminar duma

prolongada

polémica,

o

Investigador Pcrtuguez

fci

forgado

a encerrar por Ihe ter sido retirado o

apoio

f inanceiro da em -baixada

portuguesa

em Lcndres . C redactor

principai

do

Investigadcr,

I.

A

ruptura

definitiva anuncia-se em Junho de

l8ĩ0

no

práprio

número em que

publica

uma

deciaragão

"desfazendo

completamente

te.ios os raciocínios" que em números anteriores fizera contra Antcnio de Ara

újo

de Azevedo

(Cfr.

C.3., IV,

n3

25,

pr.

667-669).

Anos mais tar

de seria o

prôprio

Braziliense a revelar

parcialmente

os suces-sos de

1809-10,

acusando sem

rebugo

0 entao

conde de Funchal de ter

procurado

manipulá-lo

e

intrigá-lo

com 0 futuro cende da

Barca,

utiiizando como

intermediários

aqueles

que viriam a ser os

fundadc_

res do

ĩnvestigador Portuguez

em

Inglaterra,

(Cfr.

ĩdem,

XIV,

nQ

c2,

?.

393; Idem,

XVI,

n*

93,

?.

191;

e

Idem, XVII,

n=

101,

PP.

474-476).

2.

0

Investigador Portu^uez

em

Inglaterra,

ou Jorr.a! Literário

Pclítico,

etc., Lcndres,

H, Brr^-ner

Imrresser, i8ll-l8l9.

0 seu

aparecimento

fora

patrocinado

por

D.

Dcmingos

de Sousa Coutinho com 0

objectivc

de veicular as

posigoes

governamentais

contra o

C.5.

, mas araren tandc uma certa

independência

e

imparcial

idade.

Co seus fundadores foram os médicos Bemardo Jcsé de Abrar.tes e Castrc e Vicente ?e -dro Nolasco da Cur.ha. Ccm a saída do

primeirc,

em

1814,

entrou pa.

(20)

20

então José Liberato Freire de

Carvalho,

acuscu o Correio de

pretender

"....

1. Malquistar

o

Investigador

com el rei e seus ministros no Rio

de Janeiro: 2.

Assassiná-lo

e ficar-lhe com os

desccjos!

" . 0s

desp£

jos

sublinhados seriam os subsídios resultantes da

prctecgao

governamen

tal.

A

reaproximagão

entre o

C.B.

e a corte do Brasil - ou

pe-lo menos a

facgão

opcsta

aos Sousas - teve ecmc

intermediários

o médico

Heliodoro Jacinto de

Araújo

Carneiro,

amigo

ie

Hipclitc,

correspondente

do Correio , e que gozava de certa ir.timidade

Junto

de

D.

João

VI;

e o

Intendente da Polícia de Rio de

Janeirc,

Paulo Fernandes

Viana.

A ex

-trema

orecaugão

de tcdas as referências feitas ao scoerano nas pagmas

dc

jornal

e o cuidado em

distinguir

o resceitc devido ao monarca ias

ori^

ticas aos que gcvernavam em seu r.cme, faeilitou o processc

corciliatô-rio. Constitui indício desse faeto a

mcdificagão

da

opiniao

dc

periédl

co reiativamente a Viana que, de instramento io

"partido

francês" "

,se

torncu no

principal

responsável

ceias refcrmas e melhoramentos nc

Bra-3il

C

1.

Ir.vestigador

?crtu--_.ez em

Inglaterra,

ou Jornal

Literárie,

Pelíti-co, etc.,

vol.

XXII,

37,

Setembro ie

I3l8,

p.

353.

" basta rá lemcrar os motivcs perque

preibiram

a

circuĩagão

ie dois núme

-ros io

ĩnvestigador Portuguez,

apesar de air.da nesse tempo ser acue le

jornal protegido

por a corte do Rio ie

Janeiro,

que deie também afinal estultacente se

vir.gou

por

insinuagces

io mesmo governo de

Lisboa,

por os

desejos

da

Legagac

de

Londres,

e por as

patriôticas

denúncias dc

patrioticc

e mui verdadeiro Correio Braziliense ....

(

0 Campeao

Portu/ruez

ou o

Amigo

dc Rei e io

Povo.

Jornal

Pclítico,

Publieado tcdes os Quinze Dias para

Advegar

a Cau.ea e Ir.teressea ie

Portugal,

vol.

IV,

33,

16 de

M.argo

de

18-21,

p.

17).

2.

Cfr.

C.3.,

III,

16,

?p.

339-343.

3.

"....

Remisso é o Intendente da Poĩícia do Rio de Jar.eirc em

prisoes

e cutros actos de

pciícia

maniquence;

por isso ĩhe têm má vontade

(21)

21

A insistente

argumentagão

a favor da

permanência

da facília

real no

Brasil,

se estava em consonância ccm as

pretensces

autonomistas

do Correic para

aquele territorio,

fci também

encorajada

a

partir

do

Rio de

Janeiro,

comc o prova a

correspondência

de Heliodoro Cameiro M .

A

divulgagão

do rumor de que o

jornal

recebia uma

pensão

da

corte,

espalhado

entre outros por Palcela

(que

substituira

D.

Dominrcs,

entac

oonde de

Funchal,

na embaixada ec

Lcndres,

apés

uma sucessao

de

peripécias

quase

anedéticas,

relatadas

pelo

3razilier.se

)

"

,foi am

piiada pelos

detractcres io

C.3.

, fazendo-o

perder

algum

do mui tc

pre£

. . ./ •

constituem a verdadeira

polícia

de

qualquer

país,e

terá sempre por si os vctos de seus

ccmpatriotas

e a

aprovagãc

de seu sc'cerar.o . . .

,"

(Idem,

XX,

n*

116,

p.

98.

Veja-se

também

Idem,

X,

61,

pp.

835--837; XI,

62,

pp.

169-171; HII,

74,

??.

9^-?6;

XX,

r.«

117,

PP.

223-224).

1.

"Amigo

e

Sr.

Costa: Assim que receber esta

veja

se arranja um

artigc

em que

faga

ver acs

pcrturjueses

a neceseidade da demora air.da de

el rei no

Brasil,

bem a seu eesar, e em que

diga,

oomc pcr ir.forma.

gão

que teve do Ric de

Janeirc,

que el

rei,

desejando

ccntentar de todo c modc uma nagao que Ihe é por tcdos os motivco cara, tem ie-termirado fazer chamar

deputagoes

de todcs cs

trihur.ais,

da

junta

dos três

estados,

e da casa dos vinte e

quatrc,

a fim de se

arran-Jar

um

plar.o

para a melhcr

expedigãc

dos

negccios

e interesses de

Pcrtugal;

e para que se pcssa na sua ausência ter tcda a comcdida-de na execuc.ão das

leis.

Snfim dê a eniende.r se Ihes quer prepa

-^5

. evitar/.

rar uma marcha

regular

e constitucional para se/irem por qua_.quer

coÍ3a ao

Brasil.

3u falei nisto a el rei e Ihe

pedi

iicenga

para lho mandar assim dizer"

(HSLICDCRC

JACVNTO D'ARAUJO

CARN3IRC,

Car-tas Diri-i.das a

S.M.

Sl-Rev

D.

Jcão VI desde

iSl?

A cerea dc

Ssta-do de Pcrtu-ral e Brazil e outros rr.ais Doeumentos

Secritcs,

Lcndres,

na Imrreeão

/

sic

/

de Mess. Ccx e

Baylis,

/

1821

/,

p.

71).

(22)

tígio

que gozava como

pioneiro

da luta

pelas

ideias liberais . 0 me-ihor testemunho da sua coerência

é,

contudo,

oferecido

pela

obstinada

.../.

Arquivos

do Centro Cultural

Português,

vol.

III,

?aris,?undagão

Ca louste

Gulbenkian, 1971,

PP.

480

e

489.

1.

Foi 0 que sucedeu com 0

orgão

dos

insurgentes

venezuelanos nos

arti_

gos em que

reagiu

â

cor.denagao

da revolta

pernambucana

de

1817

pe-lo Correio :

"....

Si no tuviésemos â la vista el

periôdico

impre_

so en

Londres,

no 3eriamos capaces de creer que el escritor incur-riese en

semejantes

extravios é

inconseqúencias.

Desde que

comen-z6

nuestra revolucion contra el

despotismo

religioso

y

pciítico

de la

Sspana

tuviraos I03 revolucionarios suficiente motivo para no

e_s

perar do Correo Brazilense tal como la que indicamos. Desde enton ces le

apreciamos

por sus ideas

liberales,

bien

pronunciadas

en los números _jue

Ilegaban

â nuestras manos sobre la

regeneracion

poiiti

ca ie este hemisferio .... Nos abstendreraos de

investigar

qual

haya

sido la causa que induxo ai Sditor â contradecirse en sus

princi

-pios,

vulnerando la alta

dignidad

del

hombre,

hollando sus dere -chos

imprescriptibles,

y echando sobre 3us escritos un borron casi

indeleble.

No

poderaos

creer que hubiesen tenido influxo en esta mancha los

respetos

del Conde de

Palmellas,

ni el deseo de que el Monarca del Brazil alzase la

prohibicicn

impuesta

â su

periôdico

de ser introducído y leido em

Portugal"

(Correo

Del

Ormoco,

Repro_

duccicn

Fac3imilar, Caracas,

Corporacion

Venezolana de

Guayana,196c,

n3

18,

13 de ?eve_rlro de

l8l8,

p.

l).

Dc mesmo modc fci censurado por liberais

portugueses

em Lisbca e em

Londres,

além do

já menci£

nado José Liberato:

"....

se de há tempos a esta parte

/

o

C.3.

^/

tão mudado se mostra em seus

discursos,

ainda assim não posso ccn-vencer-me de que totalmente se lhe apagasse a luz dos liberais e

ingénuos

sentimentos que r.outro temco eram seu

guia"

(C

Pcrtuguez

Constitucional,

voi.

I,

n2

8,

30

de Setembrc de

1820).

3 saborosa a crítica iror.ica do ?adre

Amaro,

que lhe cr.ama "0 Adão dos

periô-dicos

portug'ueses":

"....

Saber, talento, actividade,

tudo se acha reunido e:n grau eminente na pessoa do redaotor io

C.3.

.

Ajuntai

a

todas estas

perfeigôes

a graga

superabundante

de uma

longa

série ae

sofrimentos,

in^ustigas

e

perseguigoes,

que neces^ariacente c de-vem tornar

humano,

j-isto e defensor dos

oprimidos.

Assim,

quando

os seus folhetos apareceram nos Sstadcs

?crtug-__eses

foram vistos

(23)

agouro para os que abusavam do

poder

para os

oprimir.

Ha sido o

C.3.

quem

langara

os

primeiros

alicerces ia

Restauragão

Portuguesa,

e quem

foi,

por assim

dizer,

a causa remota do que agora está suce dendo em

Portugal.

Dizemos causa remcta pcrque, tendo ele dadc c

priraeiro

impulso,

outros o

seguiram, quar.dc

ele

arrependido

de c ter

dado,

o

quis suspender

ou

retariar.

Igr.oramos

se no

Paraíso

Periodical onde nem tudo são flores e

frutcs,

antes há muitos

espi_

nhos e

abrolhos,

fcra também

reproduzida

a árvore da Ciência do Bem e do Mal , e se o novo Adão foi seduzido

pela

Serpente,

ou se eeta

fcra seduzida por

ele;

mas o certo é que, na

cpiniâo

de

muitos,ele

perdeu

a graga

primitiva.

Adao! Adac ! Ubis es? - 3m

Lonires,

capi_

tal de um reinc livre e

poderoso,

onde eada um gcza da

p-lena

liee^r

dade de esorever o que quer e o que Ihe faz mais centa. 3m virtu-de virtu-desta liberdavirtu-de escrevi a bem de todo o mundo

enquanto

assim foi

meu gosto, e ec virtude da mesma escrevi contra todes os eue uan -tes tinha escrito

erô.

Snquanto

me lembrei dos raeus sofrimentcs escrevi em favor dcs

opricidos; porém iogc

que r..e

esqueci

de meus

males

passados,

entrei na classe dos felizes e

frequentei

nocres ,

poderoscs

e

validos,

escrevi so para mim e para os meus

amigos

. . . . - Mas

poder-vos-ão

chamar

inconsec/aente,

eontraditcrio e . . . .

- Cha

me__.-me o que

quiserem;

cada um é

iivre,

e eu ieixo a todes a mesma

liberdade de que gozo. Assim vai o

munio,

e oxalá que assim o

de_i

xem ir por muito

tempo.

Contra isto não há

réciica,

ne:r. se

peie

ti_

rar outra

consequência

ser.ão que c

C.3.

é um exeelente

Jorr.al

lio-e ral ....

r.inguém

se

persuada

que queremcs dizer

-que o

C.3.

seja

pensionado

dc governo e receba dinheire de el rei para fomentar in

trigas

de

oposigao

a ele mesmo; pcrque não scmos tão mal avisadcs que

espalhássemos

uma balela que

r.inguém

aereditaria,

per isso

mes_

mo que todos ccnhece::: a delicadeza dc

1.3.

, deiicaieza que c pce ao

acrigo

de tais suseeitas

....''

(0

Padre

Amaro,

ou 3cvela Pcliti

ca, Historica e

Literåria,

Tcrr.c

I,

r.î

9,

Cutubro

1020,

pp.

3I5-32ĨÍ

Sm tom mais sério Joao Bernario da Rocha Loureiro oritica o seu an

tigo

protectcr nc último número do Portuguez, acusando-o de se ter

tornado num

jornal

de

oposieão

(pcr

causa ia iinha

se.guida

relati-vamente å euestão

brasileira),

insinuando desta forma ura desvic ao ideário literal que ambcs haviam

prosseguido

(,Cfr.

»

Fcrtuguez

ou Mercurio Político Commercial e

Literario,

vol. XII , n3

71,

p.

(24)

24

pertinácia

dos incessantes ataques que Ihe foram movidos pcr tcdos os

contra-revolucionários,

desde a sua

fundagão.

Mesmc

quando

era acusado

de pactuar com o

poder,

o inconforcismo do redactor do Correio não ces

sou de ser

inccmodo.

A

estratégia

dos visados nas

páginas

do

periédico

desenvolveu-se em várias frentes: a manobra intiraidatoria ; as

medi-das administrativas ou

legais

para cercear a sua

circuiagao

; e a

pu-blicagao

de obras destinadas a contradizê-lo e

desacreditá-lo

,

oscilan-do entre o

panfleto

insultuoso e o

periodico

destinado â sistemática re

futagão

dos seus

artigos

" .

1.

Como o processc

judicial

movido

pelo

ccnde de Funchal eentra

Hipôli-to por libelo

(Cfr.

RIZZINI,

op.

cit.

, p.

__4)

, ou as aar.cbras ie Paimela ou do Secretário da Smbaixada Rafaeĩ da Cruz Guerreiro pu-ra imnedir o envio de exemolares do

jorr.al

para o rrasil

(

Cfr.

C.

3.,

XXV,

149,

FP.

480-461

e n«

ISC,

pp.

556-567;

HSLIODCRC

J.A.

CAR

N3IRC,

"Carta a Paulo Fernandes Viana" in op.

cit.,

pp.

5-6-57; Cfi^

cio de Palmeĩa a

D.

Miguel

Pereira

Fcrjaz

e

correspcndência

entre

Palmela e Lord

Castlereagh

in

G.

3CI3V3RT,

op.

cit.,

^t,.

490-495).

2.

Desde as

primeiras

apreensoes ordenadas em fins de

1809

pelc

gcverra dor do

?ará,

Jcsé Narciso de

Magalhães

(Cfr.

RIZZINI,

op.

eit.

, p,

29)

e

pelo

do Rio Grande do 3ul em

1810

e

1811

(Cfr.

FRACTCISCO INA CIO MARC0ND3S HCMEM DS

M3LL0,

"Biograrhia

dos Brasileiros Ilustres

por

Armas, Letras, Virtudes,

etc.

Hyppolito

José da Ccsta Pereira"

in Revista Tnmensal do Instituto

Geographico

e

3tr.ograr.hico

do

Brasil,

Temo

35,

Parte

I2,

Rio de

Janeiro,

1672,

pr:.

242-244);

até â Pcrtaria dos Governadores do

Reir.c,

de

17

de Junho de

l8l?

que,

ao ser

publicada

no

C.3.

, uma opcrtuna

gralha

transforma em "Pcr

caria":

"Manda el rei Nossc Senhcr excitar a exacta obser/ância da

sua Real Ordem de

17

de Setembrc de

1811

particieada

a. Mesa do

De-sembargc

do

Pago

em 22 de

Margo

de

i8l2,

e oue

prcibiu

nestes Rei-nos a entrada e

publicagao

do

pericdico

intitulaao Correio Brazili

ense, e de todos os escritcs de seu furicso e calvado autcr"

^C.B.,

XIX,

110,

pp.

3-4).

3

?r.

JCACUIM DE SAĩĩTC1 AGC3T1NHC BRITC FRANCA

GALVÃC,

Reflexces feitas

(25)

25

ĩ_ao tiveram êxito na empresa. 0 Correio Braziliense sô

des-cansou

quando

deu por

cumprido

o seu dever e

atingido

o

objectivo

pro •

posto:

o

regime

constitucional

implantado

em

Portugal

e no Brasil

inde-pendente,

"Este

periôdico,

destinado sempre a tratar como

o_b

jecto

primário

dos

negôcios

relativos ao

Brasil,

7

Re f1exoes sobre o Correio Brasiliense Caluniosamente atacado

pelo

Redactor do mesmo

Correio,

Lisboa,

1810;

JOSE

JOAQUIM

D3 ALM3IDA S ARATjJO CORSSIA DE

LACSRDA,

Exame dos

Artigos

Historicos e

Pcliti-CQ3, que se Contera na

Collecgão

Periodica Intitulada Correio Brazi

lienae,

ou Armazem

Literario,

no que Pertence aomente ao Reino de

Portugal,

2*

vol., Lisboa, Impressão

Regia, 1810.

E acintosaaente mencionado em

Fr.

MATEUS DA

ASSUTígÃO

3RA2TDÃO,

Reflexôes sobre a

Conspiragão

Descuberta,

e

Castigada

em Lisboa no Anno de

1817, Lis_

boa, Impressão Regia,

1818,

p.

41.

De todos os detractores do

C.B.

distinguiu-se pela

sua

persistência

o truculento

Pe.

José

Agostinho

de Macedo

(vide

J0S2 AGOSTINEO DS

MACSDO,

Carta de Hum Pai para seu

Fiiho,

Sstudante na Universidade de

Coimbra,

Sobre o

Sspírito

do

Investigador Portuguez

em

ĩnglaterra,

Lisboa, Impressão

Regia,l8l2,

pp.

12-13;

0

Sspectador

Portuguez,

Jornai de Critica e de

Littera-tura,

Lisboa,

I8l6-l8l8,

de3de o fim do 1°

semestre,

com o

supie

-mento ao n3

26

intitulado"Hip6lito

ou o Correio

Braziiiense^

até ao fim da

publicagao;

Os

Burros,

Paris,

Officina

Typographica

de

Casi_

mir,

1835,

pp.

250

e

278-79;

e em

colaboragão

com

JOAQUIM

JOSE PE-DRO

LOPES,

Gazeta

Universal, Lisboa,

1822,

nomeadamente o n2

64,

de

21 de

Margo

de

1822).

Sobre a3 obras

publicadas

contra o

C.B.

ve-ja-se

MSCSNAS

DOQRADO,

op. cit. , vol.

1«,

pp.

295-313;

e

RIZZINI,

op.

cit.

, pp,

40-41.

A análise da

desinformagão

contra-revolucio-nária

dirigida

contra 0 Correio é feita em

GRA^A

a JOSE

333A3TIÃ0

(26)

26

tem há

alguns

meses sido quase exclusivamente

ocu-pado

com os 3uces30S

daquele

país,ou

com os de Por

tugal,

que lhe diziam

respeito;

e os

acontecimen-tos últimos do Brasil fazem

desnecessário

ao

reda£

tor o encarregar-se da tarefa de recolher novida

-des

estrangeiras

para

aqueie

país,

quando

a

liber-dade de

imprensa

nele e aímuitas

gazetas

que se pu

blicam nas 3uas

principais

cidades escusam este

trabalho dantes tâo

necessário,

Deixará

poÍ3

o

Co£

reio Brazilien3e de

imprimir-se

mensalmente,

e

s6

sim todas as vezes que se oferecer

matéria

sobre

que

julguemos

dever dar a no3sa

opinião,

a bea da

nossa

pátria,

e houver ocasiâo oportuna de fazer

as remessas que,

pela

incerteza das saídas do3

pa-quetes

e

navios,

inutiiizam a

pontualidade

da pu

-blicagão

mensal de um

periôdico

cujo

escopo é uni-camente o

Brasil,

e aonde nao

pode chegar

com regu

laridade" 2 .

I,

C.B. XXIX n°

175,

p.

623.

Mesmo levando em conta o

cepticismo

evi_

denciado

perante

o rumo que

seguia

o processo

vintista,

a

contri-buigao

do

jornal

para a

instauragâo

do

regime

liberal é

inegável.

Por outro

lado,

nao Ihe

podem

se.r assacadas

responsabilidades pelo

fracasso da

experiência,

que aliás

previra aquando

da

opgão

defini_

tiva

pela

causa da

mdependência

brasileira: "Os

negôcios

políti-cos de

Portugal

tomaram uma

direcgão

tão alheia do que eu

desejava,

que desde o meado do ano

passado

ccmecei a escrever aos meus

(27)

3.

0 Pensamento Social

Das

posigoes

assumidas

pelo periodico

é

possivel

recortar o

pensamento

social do seu redactor. 0 Braziliense revela-se um orgao

de difusao de uma

ideologia

— a que fundamenta e vindica os interesses

imediatos de um grupo

social,

a

burguesia

comercial,

"a classe de

cida-dãos mais úteis ao goverao e mais interessantes ao Sstado do Brasil nas

,/.

gos em

Lisboa,

fazendo-lhes ver os erros em que se iam

precipitan-do,

posto

que continuasse no Correio Braziliense a sustentar e

a-poiar

a reforma que sempre me pareceu não

útil,

mas necessária a existência da

monarquia,

como ex-abundante provam os meus

escri-tos;

mas

pelas

respostas que

recebi,

e muito mais

pelos

factos,

me

desenganei

pouco

depois

que as medidas que censurava não eram

efei_

to de erro

acidental,

mas filhas do sistema que se havia

adoptado

por um

partido

dominante,

o

qual

olha para a união de

Portugal

â

Sspanha,

ainda â custa da

separagão

do

3rasil,como

única âncora da

salvagao

dos

regeneradores.

Convencido

disto, preciso

foi que eu

mudasse de

cbjecto,

9 comecei então a

dirigir-me

âs coisas do

Bra-sil;

porque

prevendo

a cisão da

monarquia,

por dever e por persua-são era que me

ajuntasse aquela

das duas

partes

desligadas

aonde tinha

nascido,

e que mai3 imediatamente tem direito aos raeus servi

gos, visto que em tal caso era

impossível

ficar neutral"

(Carta

de

Hipolito

ao Dr. Vicente José Ferreira Cardosc da

Costa,

datada de

Londres,

20 de Setembro de

1822,

"Correspondência

relativa aos Su-cessos Dados em

Portugaĩ

e no Brasil de

1822-23"

in Revista Trimen sal do Instituto Historico

Geographico

e

Etnographico

do

Brasil,Tc

(28)

28

circunstâncias

actuais"

. Sste grupo vinha ascendendo

progressivamen-te â voz

política,

era

um elemento determinante em mecanismos micrc

p „«..-■

da

circulagao

do

poder

e

aspirava

com

urgência

a

partiiha

da area

das decisoes

estratégicas,

do vértice do sistema de

poder

na

sociedade.

A

ideologia

de

emancipagão

^ que tem vindo a ser referida

coraporta

um elemento que, â luz do ulterior desenvolvimento da

socieda-de

liberai,

não será

impertinente

considerar

paradoxal.

Trata-se da ser.

sibilidade â

situagão

das "ciasses inferiores" 4 e a tcnica cclocada

1.

G.B.

VI,

nQ

35,

p.

435.

A dimensão de

galvanizador

da

acgão

pclíti

ca do

jornaĩ

entre os seus leitores toma-se mais faeilmente cem

-preensível

â luz dos conceitos de "referência" e "horizcnte" ia

tec_

ria de leitura

proposta

por PAUL

RICC3UR,

Temps

et

Récit,

Tomo

I,

Paris,

îditions

du

Seuil,

1983,

??.

117-124.

Smeora Ricoeur

esta-belega

c seu modelo em

fungac

do textc r.arrativc \. hmterioxrrafioo e de

ficgao)

parece-ncs

adequada

a sua

arlicagão

ac ncssc

estudo.

2.

?arece-ncs

apiicável

a análise dc

papel político

e

ideologicc

le C. 3.

a

terminolcgia

proposta por Foucault para a

descri;ao "genealcgica"

dcs comciexcs de

eocer/saber

na sua mútua

interacgão

de desenvol—

vimento das re.gras das

relagoes

de

poder.

Veja-se

a enfátiea cha-mada ie

atengão

para c

pric.ado

da dimensâo

pclítica

da cbra deste

pensadcr

er.. LARRY

3HĨM3R,

"Reading

Fcucaultj Anti-Method and the

Oer.ealc^y

of

Pcwer-Hnowledge"

in

Histery

ar.d

Theery,

vel.

XXI,

nQ

3,

MiidieTown-Ccnnecticut,

Vesleyan Univyrsity

Press,

1982,

pp.

382--398.

3. 3obre c conceito de

ideoiogia,

aeomranhancc a sua

génese

e

ieservci-vimento,

ver CLAUDS

LSFCRT,

Les Formes de

l'Histoire.

Sssais d'An

threpcIo,--ie,

Paris, Gallimard,

1976,

pp.

234-329.

Para a sua abcr

dagec: enquantc problema

do saber ristorico

veja-se

MICH3L VO'.

3L__3,

Idéologies

et

Mentalités,

Paris, Prangcis Masperc,

1982,

sebretudc PP,

p-i

7

.

i. Testemunhac essa sensibil idade os

repetidcs

ar.úncios a ocras de pen-dor filantrôrieo

publicados

na

secgão

"Lit-=ratura e

Ciêr:ciuc",c

a-cempanhamento

interessado da

polémica

sobre as "?ccr Laws" e, sc

-bretudo,

a

profunda

"Análise do folheto intitulado 'A Nev View of

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