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Rev. Bras. Hematol. Hemoter. vol.25 número4

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Academic year: 2018

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Edi tori ai s/Edi tori als Rev. bras. hematol. hemoter. 2003;25(4):193-199

Edi tori ai s / Edi tori als

25 anos de Educação Continuada em Hematologia

25 year s of Continuous Education in H ematology

Pau lo César Naou m

Bi omédi co, Professor Ti tu lar da Un esp.

Ex-assessor técn i co da OMS para o con trole de hemoglobi n opati as n o Brasi l (1988-1992). Di r etor da Academi a de Ci ên ci a e Tecn ologi a de São José do Ri o Pr eto-SP.

Cor r espondência par a: Pau lo C. Naou m Academi a de Ci ên ci a e Tecn ologi a

Ru a Bon fá Natale, 1860 – Bai rro San tos Du mon t 15020-130 – São José do Ri o Preto-SP

Fon e/Fax: (17) 233-4490 – E-mai l [email protected]

Em julho de 2003 completaram-se 25 anos de cursos ininterruptos sobre Diagnóstico das Hemo-globinopatias, os quais instituí e coordenei. A ins-piração para realizá-los teve início em 1971, em Caracas, Venezuela, durante estágio realizado no Instituto Venezolano de Investigaciones Científi-cas, sob orientação do Professor Tulio Arends. Em novembro daquele ano, o Dr. Arends promoveu um curso de hemoglobinopatias e enzimopatias com a participação dos dois maiores especialistas desses temas, o Professor Herman Lehmann e Ernest Beutler. Anos mais tarde, quando realizava meu pós-doutoramento no Department of Clinical Biochemistry, University of Cambridge, Inglater-ra, sob orientação do Professor Lehmann, ocorreu um fato inesquecível durante um encontro de es-pecialistas em hemoglobinopatias. Lá estavam os autores dos mais importantes trabalhos em hemo-globinopatias e talassemias, além de renomados autores de livros e um prêmio Nobel, o Dr. Max Perutz. Apesar de todos serem eminentes pesqui-sadores, suas aulas se caracterizavam pela singe-leza das abordagens que envolviam bioquímica molecular, hematologia clínica e laboratorial, his-tória, antropologia, e conhecimentos recentes so-bre biologia molecular. Demonstraram enfatica-mente a importância do diagnóstico laboratorial dos genótipos das hemoglobinas variantes e talassemias para a complementação do

diagnósti-co médidiagnósti-co. Mas, além de tudo, nos passaram a idéia da ciência abrangente, que envolve não somente um ângulo específico do conhecimento mas aque-la a quem se somam a arte, filosofia, política, reli-gião, entre outros. Uma ciência capaz de tornar fa-tos isolados em evenfa-tos biológicos harmoniosos.

Foi justamente nessa escola de renomados pesquisadores, com caráter de absoluta amplitu-de amplitu-de conhecimentos que suportam a ciência amplitu-de uma especialidade, que busquei os princípios bá-sicos que regeram os cursos de Hemoglobinopatias e que ocorrem anualmente desde 1978, a princí-pio na Unesp, de Botucatu, depois na Unesp, de São José do Rio Preto, e, atualmente, após a mi-nha aposentadoria da universidade, na Academia de Ciência e Tecnologia de São José do Rio Preto. De 1978 a 2003 passaram pelos cursos exata-mente 883 profissionais de todos os estados do Brasil, além de colegas da Bolívia, Paraguai, Co-lômbia e Venezuela. Foram médicos, bioquímicos, biomédicos, biólogos, enfermeiros, psicólogos, far-macêuticos e assistentes sociais, que somaram e dividiram conhecimentos. Muitos desses colegas iniciaram seus projetos científicos sobre hemoglo-binopatias inspirados nas bases científicas obti-das nesses cursos. Outros, com o passar do tem-po, assumiram posições importantes nos coman-dos de laboratórios, hemocentros, clínicas, e ór-gãos públicos de saúde, incluindo até ministério e secretarias estaduais e municipais de saúde. As-sim, as técnicas de identificação de hemoglo-binopatias e talassemias se difundiram em vários

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laboratórios e hemocentros, beneficiando o diag-nóstico laboratorial de portadores e doentes com síndromes falcêmicas e talassêmicas. Politicamen-te, alguns dos nossos ex-alunos influenciaram com competência no estabelecimento de programas de tratamento e prevenção dessas hemopatias. Por-tanto, sinto-me realizado com o trabalho desen-volvido na educação continuada das hemo-globinopatias. Mas seria injusto, ao terminar este editorial, se deixasse de citar alguns colegas bra-sileiros que me ensinaram os primeiros passos em eletroforeses e hematologia laboratorial. Destaco o Dr. Mário Florêncio e Sr. Décio Fuchs, ambos no Hospital São Paulo em 1969; Professor Doutor João Targino de Araújo, no Instituto de Medicina Tropi-cal em 1970; Professor Dr. Gunter Hoxter, na USP, em 1972. E aos constantes estímulos de quatro ícones da Hematologia e Hemoterapia brasileira, os Professores Pedro Clóvis Junqueira, Marcelo Pio da Silva, Michel Jamra e Hidelbrando Monteiro Ma-rinho. Todos eles também foram capazes de tor-nar fatos isolados em eventos biológicos harmo-niosos.

Avaliação:

O tema abordado foi sugerido e avaliado pelo editor

Con fli to de i n teresse: não declarado

Recebi do: 29/07/2003 Acei to: 11/08/2003

Referências

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