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Rev. Bras. Hematol. Hemoter. vol.25 número4

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Academic year: 2018

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Edi tori ai s/Edi tori als Rev. bras. hematol. hemoter. 2003;25(4):193-199

Antígenos ABH-Lewis nos estudos de associações com doenças

ABH -Lewis antigens in studies investigating associations with diseases

Lu i z Carlos de Mattos

Pr ofessor Adju n to do Departamen to de Bi ologi a Molecu lar. Facu ldade de Medi ci n a de São José do Ri o Pr eto-SP.

Cor r espondência par a: Lu i z Carlos de Mattos Aven i da Bri gadei ro Fari a Li ma, 5.416 15090-000 – São José do Ri o Preto-SP – Brasi l E-mai l: lu i [email protected]

O polimorfismo resultante da expressão dos antígenos ABH-Lewis parece ser um evento evo-lutivo relativamente recente e, embora estes glico-conjugados tenham sido inicialmente encontrados nos eritrócitos, sabe-se que sua expressão em ou-tros tecidos e secreções humanos antecede sua pre-sença nas hemácias.1

A expressão dos antígenos ABH-Lewis defi-ne um perfil específico de glicoconjugados para cada indivíduo e também determina quais anti-corpos serão produzidos. A ausência de um ou mais antígenos ABH, em particular, quase sempre se relaciona com a presença de um potente anti-corpo regular também específico, e há evidências de que esta situação peculiar ao sistema ABO de-sempenha um importante papel na manutenção de seu polimorfismo.2

O perfil dos glicoconjugados presentes no tra-to gastrointestinal, no plasma e nas secreções apre-senta um nível polimórfico que, devido à influên-cia dos genes que ocupam os loci secretor (FUTII) e Lewis (FUTIII), pode ser diferenciado daquele verificado nos eritrócitos. A variabilidade dos alelos que codificam as glicosiltransferases de cada um destes loci pode alterar a competição destas enzimas pelos oligossacarídeos precursores, cri-ando perfis diferenciados de glicoconjugados em outros tecidos e secreções. Esta mesma variabili-dade também é dependente da origem étnica, pois tem se observado que a expressão de um fraco gene secretor comum nas populações asiáticas, aumenta consideravelmente o perfil de glico-conjugados do intestino e das secreções, o qual

que não pode ser definido apenas com base na fenotipagem eritrocitária.3

A ampla distribuição dos antígenos ABH-Lewis nos diferentes tecidos, principalmente na-queles que estão em contato com o meio externo (epiderme, mucosa gastrointestinal, etc...), sugere que seu polimorfismo seja resultado da pressão ambiental e há fortes evidências que estas molé-culas desempenham importantes propriedades bi-ológicas no organismo. Em favor de tal proposi-ção, estão as observações de associações com uma variedade de doenças infecciosas pois tem sido demonstrado que os glicoconjugados ABH-Lewis podem atuar como receptores aos quais aderem microrganismos.4,5

Há um número expressivo de estudos que avaliaram associações entre os grupos sangüíneos ABO, Lewis e doenças, com vista à definição de um ou mais fenótipos que possam ser utilizados como marcadores de suscetibilidade ou mesmo de resistência. Os resultados de muitos destes estu-dos fundamentaram excelentes publicações sobre este tema excitante, mas que ainda carece de pro-fundos esclarecimentos e representa, portanto, um vasto campo de investigações.6,7,8

Devido a limitações de caráter técnico, ape-nas o polimorfismo eritrocitário tem analisado na maioria das vezes e mesmo assim, vários estudos foram bem elaborados e alcançaram credibilidade no meio científico. Todavia, associações inconsis-tentes também foram demonstradas, tornando com-plexa a compreensão a origem e a manutenção do polimorfismo ABH-Lewis ao longo do tempo e sua importância biológica.

A diversidade de métodos voltados para as análises de diferentes moléculas parece ser crucial

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não somente para a avaliação dos fenótipos eritro-citários ABO e Lewis, mas também para a investi-gação do polimorfismo dos glicocojungados ABH-Lewis em outros tecidos e secreções, para que se possa estabelecer um melhor nível de associação entre a expressão destas moléculas e a susce-tibilidade ou resistência a doenças infecciosas. A ampla determinação do perfil de glicoconjugados poderá contribuir para o melhor entendimento das associações entre os grupos sangüíneos ABO, Lewis e o fenótipo secretor e doenças, além de auxiliar na compreensão da importância biológica e evolutiva destes glicoconjugados.9

Refer ências Bibliogr áficas

1. Oriol R, Le Pendu J, Mollicone R. Genetics of ABO, H, Lewis, X and related antigens. Vox Sang 1986;51:161-171.

2. Daniels G. Human blood groups. Cambridge: Blackell, p.737, 1995.

3. Henry SM, Samuelsson BE. ABO polymorphisms and their putative biological relationships with disease. In: King M-J, E. Human blood cells: consequences of genetic polymorphisms and variations. London: Impe-rial College Press; p.15-103, 2000.

4. Borén T, Falk P, Roth KA, Larson G, Normark S. Attachment of Heli cobacter pylor i to human gastric epithelium mediated by blood group antigens. Science, 1993;262:1.892-5.

5. Alkout AM, Blackwell CC, Weir DM, Poxton IR, Elton RA, Luman W, Palmer K. Isolation of cell surface component of Heli cobacter pylori that binds H type 2, Lewis a and Lewis b antigens. Gastroenterology 1997; 112:1.179-1.187.

6. Mourant AE, Kopec AC, Domaniewska-Sobczak K. Blood groups and diseases. A study of associations of diseases with blood groups and others polymorphisms. London Oxford University Press, p.328, 1978.

7. Greenwell P. Blood group antigens: molecules seeking a function? Glycoconj J 1997;14(2):159-173.

8. Garraty G. Blood groups and disease: a historical perspective. Transf Med Rev 2000;14(4):291-301.

9. Henry SM. Molecular diversity in the biosynthesis of GI tract glycoconjugates. A blood group related chart microorganism receptors. Transf Clin Biol 2001; 8: 226-230.

Avaliação

O tema abordado foi sugerido e avaliado pelo editor

Con fli to de i n teresse: não declarado

Recebi do: 05/11/2003 Acei to: 15/11/2003

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