• Nenhum resultado encontrado

PANORAMA DA APRENDIZAGEM PELO PRISMA DE PIAGET

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2022

Share "PANORAMA DA APRENDIZAGEM PELO PRISMA DE PIAGET"

Copied!
17
0
0

Texto

(1)

PANORAMA DA APRENDIZAGEM PELO PRISMA DE PIAGET

PANORAMA OF LEARNING THROUGH THE PRISM OF PIAGET

CANSI, Ricardo Loureira de Mello1 NEVES, Eleonora Moreira Nemer2

RESUMO

O homem é um ser em desenvolvimento e os estudos no campo da psicologia ajudam a compreender melhor as formas pela qual o processo de aprendizagem ocorre. Com o objetivo de analisar as etapas do desenvolvimento cognitivo humano, o teórico Jean Piaget elaborou a Teoria da Cognição, classificando o desenvolvimento humano em quatro etapas, que consistem no objeto deste estudo. Ao se afirmar que a construção do homem é um processo que se desenvolve ao longo de sua vida, faz-se necessário analisar as especificidades de cada um dos estágios do desenvolvimento pois, conhecendo as características próprias dos indivíduos em cada estágio da vida, o profissional da Educação poderá interpretar melhor os comportamentos e propor adequações. Defensor do Interacionismo, pelo fato de destacar que tanto o organismo quanto o meio exercem influência sobre o homem, Piaget dela se valeu para investigar cientificamente a construção do conhecimento. Na posse de tais conhecimentos, torna-se mais fácil para qualquer pessoa interpretar as diversas facetas do comportamento humano, e identificar quando determinado comportamento não corresponde ao esperado, tentando intervir de forma precoce, pois, a criança e o adolescente possuem uma lógica de funcionamento mental diferente do adulto, consequentemente, o profissional precisa entender esse funcionamento para adaptar a sua postura. As ideias de Piaget representam um salto na compreensão do desenvolvimento humano, e como é na escola que a criança passa grande parte de seu tempo, é lá que desenvolve também seus principais aspectos cognitivos.

Palavras-Chave: Desenvolvimento Humano; Jean Piaget; Teoria da Cognição.

ABSTRACT

Man is a being in development and studies in the field of psychology help to better understand the ways in which the learning process takes place. In order to analyze the stages of human cognitive development, the theorist Jean Piaget elaborated the Theory of Cognition, classifying human development in four stages, consisting of the object of this study. To say that the construction of man is a process that develops throughout his life, it is necessary to analyze the specificities of each of the stages of development because knowing the characteristics of individuals at every stage of life, Professional Education can better interpret the behavior and propose adjustments. Advocate of Interactionism for means at the theory highlights as much the organism as the environment influence a man. In order to investigate scientifically the construction of knowledge, Piaget applied it culminating in the creation of his theory. The possession of such knowledge, it becomes easier for anyone to interpret the various facets of human behavior, and to identify when one's behavior does not correspond to what is expected,

1 Graduando do Curso de Letras-Inglês do Centro Universitário São Camilo-ES – [email protected]

2 Professora orientadora: Centro Universitário São Camilo-ES – [email protected] Centro Universitário São Camilo Espirito Santo

Cachoeiro de Itapemirim – ES, julho de 2018.

(2)

attempting to intervene early, because the child and the adolescent have a different logical mental functioning from the adult, consequently, the professional needs to understand this functioning to adapt their posture. Piaget's ideas represent a leap in the understanding of human development, and as it is in school that the children spend much of your time, it is there that they also develop their main cognitive aspects.

Keywords: Human development; Jean Piaget; Theory of Cognition.

INTRODUÇÃO

Levando-se em consideração que o homem é um ser em desenvolvimento e que os estudos no campo da psicologia ajudam a compreender melhor as formas pela qual esse primoroso processo ocorre desde o seu nascimento até a vida adulta, Jean Piaget elaborou a Teoria da Cognição, classificando o desenvolvimento humano em quatro etapas, que serão objeto de estudo do presente trabalho.

Uma vez delimitado o tema e de uma forma geral definido sua extensão e profundidade, faz-se necessário abordar qual o resultado prático que se pretende obter com essa pesquisa. Portanto, pergunta-se: de acordo com a teoria do desenvolvimento humano proposta por Piaget, podemos afirmar que a construção do homem é um processo que se desenvolve ao longo de sua vida enquanto criança?

O objetivo da pesquisa cientifica é ajudar a contribuir com a disseminação do conhecimento no mundo acadêmico. Em se tratando de um tema afeto a área da educação, o objetivo geral desta pesquisa é analisar de forma minuciosa as quatro etapas do desenvolvimento cognitivo humano.

Especificamente objetiva-se demonstrar as especificidades do comportamento em cada um dos estágios do desenvolvimento, investigar as bases teóricas que serviram de aporte para a concepção da Teoria Cognitiva e discutir suas possíveis aplicações no dia-a-dia de um profissional da educação.

Destaca-se que, a importância de tal pesquisa se dá, haja vista a uniformidade com a qual os indivíduos vivenciam os estágios de desenvolvimento conforme proposto por Piaget, dessa feita, torna-se estreita sua ligação com a experiência profissional visada pelos acadêmicos de um curso de Licenciatura.

O modelo proposto por Piaget é totalmente inovador por ser baseado na linha

de pensamento Interacionista, adotando não de forma antagônica, como faziam os

(3)

antigos pesquisadores, mas sim de maneira a integrar duas posições distintas que por diversos anos permearam os estudos no campo da psicologia, mas que se mostraram estanques, quando se tentava explicar alguns comportamentos observáveis principalmente em crianças e adolescentes.

As considerações feitas no presente trabalho tiveram como o objetivo, compreender a constituição do sujeito e consequentemente apresentou resultados validos na medida em que proporcionou conhecimentos, de extremo rigor cientifico, aptos a auxiliar e permear a atuação dos profissionais da educação.

Muito embora a intenção do teórico ao formular suas pesquisas seja o de buscar a verdade dos fatos que lhe causam estranheza, a contribuição de Piaget no que se refere a concepções de Ensino-Aprendizagem extrapolam os limites meramente de pesquisa científica e funcionam como postulados a serem observados e aplicados no contexto educacional.

METODOLOGIA

A pesquisa exploratória ou bibliográfica se define basicamente pelo estudo e análise de documentos. Para o pesquisador que elabora a pesquisa, ela ajuda a delimitar o assunto principal que se pretende abordar, traz maiores informações à cerca do tema e ajuda a definir objetivos e formular hipóteses, descobrindo uma forma original de desenvolver o objeto a que se propôs pesquisar.

O presente trabalho adotou como procedimento metodológico a pesquisa bibliográfica, que tem o objetivo de, partindo-se de um ponto de vista hipotético, analisar diferentes referências para resolver uma problemática. Em se tratando da análise de uma das teorias desenvolvidas pelo pensador Jean Piaget, as fontes primárias de pesquisa consistem em livros didáticos de sua autoria, e de outros renomados autores no campo da psicologia, bem como artigos científicos relacionados ao tema em questão.

DESENVOLVIMENTO HUMANO

(4)

A psicologia do desenvolvimento humano é uma área de conhecimento da Psicologia que estuda as mudanças de comportamento do ser humano ao longo de sua vida, e como ele se caracteriza em determinadas fases, até que suas estruturas orgânicas e mentais alcancem certo grau de estabilidade.

A importância do estudo do desenvolvimento humano se dá tendo em vista que os profissionais da educação precisam conhecer as características próprias dos indivíduos em cada estágio da vida, para que possam reconhecer as individualidades de cada um e dessa forma melhor interpretar suas necessidades.

A compreensão dessas peculiaridades pode ser obtida principalmente com a análise das pesquisas do teórico Jean Piaget, já que ele demonstrou com seus estudos que:

Existem formas de perceber, compreender e se comportar diante do mundo, próprias de cada faixa etária, isto é, existe uma assimilação progressiva do meio ambiente, que implica uma acomodação das estruturas mentais a este novo dado do mundo exterior. Estudar o desenvolvimento humano significa conhecer as características comuns de uma faixa etária[...] o que nos torna mais aptos para a observação e interpretação dos comportamentos (BOCK; FURTADO;

TEIXEIRA, 2004, p.98).

Todo esse conjunto de fatores tem implicações na área da Educação. O planejamento daquilo que será ensinado e de que forma será ensinado, depende necessariamente de se saber quem é o alvo deste ensino, o educando. Por exemplo, A linguagem a ser usada com uma criança das séries iniciais não pode ser a mesma para uma que está no final do ensino fundamental. Muito além da linguagem, diversos outros fatores estão envolvidos neste processo.

Atualmente, seria inconcebível que um professor, dirigisse a sua atuação de maneira genérica, sem pensar nas particularidades de cada aluno que compõe uma sala de aula, e sem ter subsídios para conseguir identificar quais são essas necessidades de cada um, o que se pode esperar de seus alunos e como agir em determinadas circunstancias ao perceber um comportamento estranho dos demais.

Mas para conseguir observar essas peculiaridades, o profissional precisa

primeiro entender como ocorre no ser humano o processo de desenvolvimento, quais

fatores podem ou não influenciar esses acontecimentos, e qual seria o comportamento

(5)

ideal correspondente a cada idade (ou período) de um aluno, ou o que se pode esperar que ele compreenda e desenvolva naquele determinado tempo.

Construídas a partir de várias pesquisas cientificas e estudos clínicos, existem na Psicologia diversas teorias acerca do desenvolvimento humano. Destacaremos as três principais, abordando de forma detalhada a do psicólogo suíço Jean Piaget tendo em vista suas implicações práticas.

A concepção de que o homem é um ser em desenvolvimento é, historicamente, recente. Num primeiro momento, duas correntes buscaram elaborar teorias para explicar tal fenômeno, elas foram nomeadas conforme a importância que davam ao papel da interação entre o homem e os fatores internos ou externos no processo de desenvolvimento (DAVIS; OLIVEIRA, 2010).

Essas teorias foram chamadas de Inatismo e Ambientalismo. Elas foram formuladas para explicar o psiquismo humano e revelam diferentes concepções das dimensões biológicas e culturais de um indivíduo pela forma como ele aprende e desenvolve as suas diversas possibilidades na educação.

Segundo Davis e Oliveira (2010, p.34), “A concepção inatista parte do pressuposto de que os eventos que ocorrem após o nascimento não são essenciais e\ou importantes para o desenvolvimento”. Dessa forma, tem-se que, as qualidades básicas do ser humano, como personalidade, valores e hábitos, já se encontram prontas e finalizadas no momento do nascimento.

Quando a abordagem Inatista é analisada sob o prisma da prática pedagógica diz-se que ela não advém de circunstâncias contextualizadas, portanto a forma de pensar do indivíduo já nasce com ele, ou vem predeterminado, desta feita, para essa teoria:

A prática escolar não importa e nem desafia o aluno, já que está restrito àquilo que o educando já conquistou. O desenvolvimento biológico é que é determinante para a aprendizagem. O processo de ensinar e aprender só irá ocorrer quando o educando estiver maduro.

A educação tem o papel de aprimorar o educando. Para os postulados inatistas o sucesso escolar está no educando e não na escola (QUEIROZ, 2008, p.5).

(6)

Entretanto, pelo âmbito da psicologia, a visão inatista é errônea, já que não apresenta uma base empírica sustentável, uma vez que seus fundamentos teóricos não conseguem explicar o papel das experiências vividas após o nascimento, mas tão somente o papel do ambiente no desenvolvimento do embrião.

Por sua vez, a concepção ambientalista confere ao ambiente um grande poder no desenvolvimento humano, afirmando que o homem desenvolve suas principais características em função daquelas condições presentes no meio em que se encontra (DAVIS; OLIVEIRA, 2010).

O maior defensor dessa corrente ambientalista é o norte americano Burrhus Freeric Skinner (apud DAVIS; OLIVEIRA, 2010, p. 37), segundo qual, o papel do ambiente é mais importante do que a maturação biológica, já que os estímulos presentes em uma situação fazem nascer no indivíduo um determinado comportamento, demonstrando assim que ele é reativo as ações do meio.

Desta feita, para essa corrente o comportamento humano se modifica em função da observação de como agem outras pessoas tidas como modelos a serem copiadas se esse comportamento for reforçado, e evitado quando for punido (QUEIROZ, 2008).

Pela ótica da educação, a aprendizagem pode ser entendida como o processo pelo qual o comportamento é modificado como resultado das experiências. Portanto, para que ela ocorra “é preciso que se considere a natureza dos estímulos, o tipo de resposta que se espera obter, e aquilo que resultará da própria aprendizagem como, mais conhecimentos, elogios, prestígio, notas altas” (QUEIROZ, 2008, p. 7).

Ou seja, para os ambientalistas, o comportamento é solidificado conforme os resultados das experiências vividas. Contudo, Davis e Oliveira (2010, p. 41) nos apresentam uma crítica que se faz a essa corrente:

A principal crítica que se faz ao ambientalismo é quanto à própria visão de homem adotada: a de seres humanos como criaturas passivas face ao ambiente, que podem ser manipuladas e controladas pela simples alteração das situações em que se encontram. Nesta concepção, não há lugar para a criação de novos comportamentos.

Todavia, com os avanços do estudo científico, essas teorias se mostraram

incapazes de explicar a realidade. Suas bases psicológicas foram duramente

(7)

criticadas, e para explanar seus equívocos foi proposta uma nova visão: a concepção Interacionista.

Esta teoria é sem dúvida, a mais difundida quanto a suas contribuições no ramo da psicologia do desenvolvimento humano pelo fato de destacar que tanto o organismo quanto o meio exercem influência sobre o homem.

A corrente Interacionista supera a inatista pelo fato de esta desprezar o papel do ambiente, e a ambientalista por ignorar fatores maturacionais. Isso porque para os interacionistas, fatores internos e externos se relacionam mutuamente formando uma complexa rede interligada (DAVIS; OLIVEIRA, 2010).

“A concepção interacionista de desenvolvimento apoia-se, portanto, na ideia de interação entre organismo e meio e vê a aquisição de conhecimento como um processo construído pelo indivíduo durante toda a sua vida” (DAVIS; OLIVEIRA, 2010, p. 43).

Assim sendo, o conhecimento não procede somente da experiência única dos objetos e nem de uma programação pré-formada (inata), mas sim de construções sucessivas com a elaboração de novas estruturas (TERRA, 2006).

Portanto, é através da interação que o bebê vai construindo suas características e seu conhecimento de mundo. Além dos fatores biológicos, a relação que o indivíduo possui com o ambiente, serve de base para novas construções de conhecimento. A partir de então se torna perceptível as peculiaridades dessa forma com a qual a criança compreende aquilo que vivência (DAVIS; OLIVEIRA, 2010).

O teórico mais conhecido por defender a concepção interacionista foi o psicólogo Jean Piaget que dedicou sua vida a investigar cientificamente a construção do conhecimento. Valendo-se de um teste (o teste de inteligência Binet-Simon), ele concentrou seus esforços em descobrir o porquê de algumas crianças produzirem respostas erradas (DAVIS; OLIVEIRA, 2010).

Os testes de inteligência criados por Alfred Binet e Theodore Simon, visavam

determinar a capacidade intelectual de crianças em relação a sua idade cronológica,

e se expressava em Quociente de Inteligência (QI), o quociente era considerado

estável proporcionalmente as condições de desenvolvimento da criança.

(8)

Sob o aspecto educacional, as crianças poderiam ser classificadas em DEPENDENTES, quando seu Q.I chegasse ao máximo de 30, TREINÁVEL, se esse valor alcançasse 50, EDUCÁVEL, quando ficasse entre 50 e 70, LIMÍTROFE (ou APRENDIZAGEM LENTA), para valores entre 70 e 90, NORMAIS, quando a variação alcançava de 90 a 110, e SUPERIORES quando seu Q.I alcançasse de 110 a 130.

Acima destes níveis, a criança já era considerada de inteligência muito superior, ou seja, um gênio (BASTOS, 2009).

Importante destacar que à sua época, esses testes foram duramente criticados.

Atualmente, eles deixaram de ser utilizados com a finalidade a que foram propostos, qual seja, a de medida de inteligência, e agora servem como medidas de eficiência, que ajudam o profissional a traçar o perfil do comportamento cognitivo, mas adotando uma abordagem mais dinâmica, e tomando por base o contexto social do indivíduo.

Com seus estudos, após a aplicação dos testes Binet-Simon, Piaget logo chegou à conclusão de que, em verdade, as respostas não estavam erradas, elas apenas estavam sendo analisadas por um prisma que partia do ponto de vista do adulto. Contudo, respostas infantis deveriam ser ponderadas seguindo uma lógica infantil (PIAGET, 1999).

Piaget (apud DAVIS; OLIVEIRA, 2010, p. 37), idealizou que:

A criança possui uma lógica de funcionamento mental que difere – qualitativamente – da lógica do funcionamento mental do adulto, e propôs-se consequentemente a investigar como, através de quais mecanismos, a lógica infantil se transforma em lógica adulta.

Partindo-se desse ponto, Piaget desenvolveu a Teoria da Cognição, definindo o desenvolvimento humano como um processo contínuo e caracterizado por diversas fases, ou etapas, ou períodos (PIAGET, 1999).

O desenvolvimento humano é um processo global, e envolve diversos fatores

como a HEREDITARIEDADE, já que o potencial de um indivíduo é estabelecido pela

carga genética, o CRESCIMENTO ORGÂNICO, que reflete o aspecto físico

permitindo ao indivíduo um domínio de mundo que antes não lhe era possível, a

MATURAÇÃO NEUROFISIOLÓGICA, que torna possível um determinado padrão de

comportamento necessária por exemplo para que ocorra a alfabetização, e por fim, o

MEIO, composto pelas influências e estímulos ambientais.

(9)

Da mesma maneira, vários são os aspectos que estão indissociavelmente ligados ao desenvolvimento. São os principais, o Aspecto Físico-motor, relacionado ao crescimento orgânico e a maturação neurofisiológica, diz respeito a capacidades de coordenação motora para a manipulação de objetos com exercícios do próprio corpo. O Aspecto Intelectual, que é a capacidade de pensamento e raciocínio, o Aspecto Afetivo-emocional, ligado aos sentimentos e ao modo particular de cada indivíduo integrar suas experiências. E o Aspecto Social, que é a maneira como um indivíduo reage na interação com outras pessoas. Todos eles se relacionam permanentemente (BOCK; FURTADO; TEIXEIRA, 2004).

Todos eles estão intrinsecamente ligados no que diz respeito ao desenvolvimento humano de maneira integral. No entanto, a teoria da cognição de Piaget enfatiza o desenvolvimento intelectual.

TEORIA DO DESENVOLVIMENTO COGNITIVO DE JEAN PIAGET

Após vários estudos, Piaget decidiu separar em períodos os lapsos temporais com o qual o ser humano se desenvolve desde o nascimento até a adolescência.

Essa divisão adotou critérios qualitativos, ou seja, cada período é caracterizado pelo surgimento de uma nova qualidade do pensamento humano, e com aquilo que de melhor ele consegue fazer em determinada faixa etária (DAVIS; OLIVEIRA, 2010).

Não obstante, essa divisão não pode ser tomada como norma rígida, pois elas dependem também de características biológicas e sociais. Porém, é certo que todas as fases ocorrem nesta sequência em qualquer indivíduo (DAVIS; OLIVEIRA, 2010).

1 Período Sensório Motor

Para tentar compreender o mundo, o bebê realiza um processo básico de assimilação, que, segundo BEE (2008, p.196), ele o faz através de “esquemas motores como olhar, escutar, sugar e agarrar”, e vai aos poucos acomodando esses esquemas baseado em suas experiências.

Esse primeiro Período é denominado Sensório-Motor, e compreende do recém-

nascido ao lactente (de 0 a 2 anos). É nele em que se inicia a noção de percepção do

(10)

mundo. Os movimentos, que no recém-nascido são reduzidos ao aparelho reflexo, vão aumentando com a passagem do tempo, facilitando com que a criança adquira novos hábitos (PIAGET, 1999).

De acordo com PIAGET (apud BEE, 2008, p.197) o bebê responde aos estímulos, “mas está preso em um presente imediato, em que não é capaz de lembrar acontecimentos ou mesmo objetos de um momento para o outro e não tem planos ou intenções”. Isso ocorre, pois, a sua vida mental é muito reduzida, e funciona apenas para exercícios dos aparelhos reflexos, que tem funções hereditárias, como por exemplo a sucção.

Uma vez que seu repertorio de esquemas é bastante limitado, Piaget separou o período Sensório-Motor em seis subestágios com base na gradual aquisição de novas capacidades. A capacidade de sugar, por exemplo, é apenas um reflexo inato, mas o ato de sucção vai ficando melhor à medida que o bebê passa a mamar mais, da mesma forma os movimentos das mãos e dos olhos ficam mais desenvolvidos, e ele será capaz de pegar objetos. Simultaneamente ocorre também o desenvolvimento ósseo, muscular e neurológico, permitindo a criação de novas ações como sentar e andar (BEE, 2008; PIAGET, 1999).

O primeiro subestágio (0-1 mês) se caracteriza apenas por reflexos inatos e sem imitação, como sugar e olhar. No subestágio 2 (1-4 meses), como consequência da prática, inicia-se uma coordenação de esquemas de diferentes sentidos como alcançar e sugar e olhar na direção de um som (BEE, 2008).

Ele é denominado de reações circulares primárias pois refere-se a ações organizadas em torno do corpo do próprio bebê como, quando ele “acidentalmente chupa o polegar, sente prazer ao fazer isso e repete a ação” (BEE, 2008, p.197).

Já nas reações circulares secundárias o bebê repete uma ação no intuito de causar uma reação externa ao próprio corpo, é a característica do subestágio 3 (4-8 meses), que tem como exemplos as seguintes ações

[...] bebê balbucia e a mãe sorri, de modo que o bebê balbucia de novo, talvez para fazer a mãe sorrir mais uma vez; o bebê, sem querer, bate no móbile pendurado sob o berço, e o móbile se movimenta, e ele vai repetir o movimento do braço, talvez com a intenção de fazer o móbile se mexer outra vez (BEE, 2008, p.197).

(11)

Agora que ele está mais consciente dos eventos fora do seu corpo, ele começa a coordenar esquemas secundários. No subestágio 4 (8-12 meses) o bebê combina dois esquemas para conseguir o que quer, como “empurrar uma almofada para o lado para pegar um brinquedo” (BEE, 2008, p.198).

Com o aparecimento das reações circulares terciárias, no subestágio 5 (12-18 meses) inicia a fase da experimentação. Seu comportamento tem uma qualidade intencional, e ele tenta novas maneiras de explorar um objeto para manipulá-lo (BEE, 2008).

O subestágio 6 (18-24 meses) marca o fim desse período e o início do pensamento pré-operatório, quando surge a capacidade de manipular símbolos internos como palavras e imagens. “É nesse momento que começa a imitação diferida” (BEE, 2008, p.198).

Este primeiro período é marcado por um curto espaço de tempo, porém, é uma fase muito importante onde a criança que antes era passiva em relação ao ambiente no qual está inserida e as pessoas que a cercam, e adquire uma atitude ativa e totalmente participativa, e sua atuação se dá através da imitação das regras (BOCK;

FURTADO; TEIXEIRA, 2004).

2 Período Pré-Operatório

Quando por volta dos 2 anos a criança adquire uma atitude ativa em relação ao ambiente entra-se então no período Pré-Operatório (de 2 aos 7 anos) no qual surge a linguagem, ampliando a comunicação com outros indivíduos (BOCK; FURTADO;

TEIXEIRA, 2004).

De acordo com Piaget, existem evidencias de que nesta fase a criança começa a fazer o uso de símbolos. Elas passam a representar, o popularmente chamado

“fazer de conta”. Como decorrência disso, o pensamento se acelera, e a criança transforma o real em fantasia. “Aos dois, três ou quatro anos de idade, uma vassoura pode ser transformada em um cavalo, ou um bloco passa a ser um trem” (BEE, 2008, p.201).

E ainda:

(12)

Neste período, a maturação neurofisiológica completa-se, permitindo o desenvolvimento de novas habilidades, como a coordenação motora fina – pegar pequenos objetos com as pontas dos dedos, segurar o lápis corretamente e conseguir fazer os delicados movimentos exigidos pela escrita (BOCK; FURTADO; TEIXEIRA, 2004, p. 103).

Contudo, no que diz respeito aos anos pré-escolares, o surgimento dessas várias novas habilidades deve ser encarado com cautela para que não ocorra a superestimação das capacidades da criança neste período, principalmente por parte de professores, que passam a exigir mais do que elas são capazes de compreender ou fazer.

É preciso ter em mente que, grande parte do repertorio verbal da criança nos estágios iniciais desse período é consequência de sua capacidade de imitação, portanto, ela não domina o significado das palavras, apenas as repete. Da mesma maneira, ela tem dificuldades de reconhecer a ordem em que mais de dois eventos ocorrem e ainda não possui bem definido o conceito de número (BOCK; FURTADO;

TEIXEIRA, 2004).

Nessa fase, a criança começa a usar sua atividade mental para procurar a razão das coisas, e a se questionar o ‘porquê’ de tudo. Surgem também os significados de moral e de obediência, e a criança passa a ter sentimentos de respeito por pessoas que ela julga superiores a ela (BOCK; FURTADO; TEIXEIRA, 2004).

No entanto, ela está presa a sua própria perspectiva, uma característica denominada por Piaget de Egocentrismo. Não que ela esteja sendo egoísta, ela apenas parte do princípio de que todos veem o mundo da mesma forma como ela vê.

A criança utiliza a si mesma como estrutura de referência e não consegue ver as coisas de outra perspectiva (BEE, 2008).

3 Período das operações concretas

Superado este período, surge então o início da construção lógica, ou seja, a

capacidade de estabelecer relações de coordenação entre enunciados diferentes, e

classificar diferentes pontos de vista. Essa é a principal característica do período das

(13)

Operações Concretas, variando dos 6-7 anos até os 11-12 anos, quando então a criança consegue integrar mais de um ponto de vista de maneira lógica e coerente (BOCK; FURTADO; TEIXEIRA, 2004).

Isso se dá devido ao surgimento de uma capacidade mental denominada

‘operações’, que é a responsável por fazer com que a criança realize uma ação direcionada a uma finalidade e ainda consiga reverte-la, ou seja, traçar o caminho inverso até o seu início (BOCK; FURTADO; TEIXEIRA, 2004).

Operação, representa para Piaget a capacidade que a criança desenvolve criando ‘esquemas internos abstratos’, capazes de operar com adição, subtração, multiplicação, divisão, seriação e reversibilidade. São essas operações que constroem o pensamento lógico e ajudam a internalizar as regras sobre os objetos (BEE, 2008).

Na escola, a criança passa a entender por exemplo que um mesmo objeto pode pertencer simultaneamente a mais de uma categoria, e que todas elas possuem relações logicas entre si. A operação mais fenomenal nessa fase é a reversibilidade.

É por causa dela que a criança desenvolve o entendimento de que as ações, sejam elas físicas ou mentais, podem ser revertidas.

É nesse estágio que se consolida a evolução da inteligência representativa, uma fase intelectualmente nova, chamada por alguns de ‘a idade da razão’, que, em contrapartida, se constitui num período relativamente tranquilo no aspecto afetivo (COLL; PALACIOS; MARCHESI, 1995).

Começa a surgir também uma noção de conservação da matéria dos objetos, bem como de comprimento e quantidade. Abre-se espaço também para o desenvolvimento de um senso de cooperação, uma outra capacidade característica desse período, que facilita o trabalho em grupo, no qual a criança e passa a ser capaz de trabalhar em conjunto sem perder sua autonomia pessoal (PIAGET, 1999).

4 Período das Operações Formais

A adolescência traz consigo profundas mudanças comportamentais, de

interação com outros indivíduos e cognitivas. O adolescente atinge um nível superior

de pensamento, caracterizado por maior autonomia e raciocínio, o que lhe permite

(14)

conceber alguns fenômenos de maneira completamente diferente de antes (COLL;

PALACIOS; MARCHESI, 1995).

Na tradição piagetiana, essa aquisição de um pensamento formal marca o início do período das Operações Formais, onde ocorre a “passagem do pensamento concreto para o pensamento formal, abstrato, isto é, o adolescente realiza operações no campo das ideias sem necessitar de manipulação”. Ele passa a abstrair e generalizar, graças a sua capacidade de reflexão (BOCK; FURTADO; TEIXEIRA, 2004, p. 105).

O primeiro passo nesse processo é quando o adolescente utiliza sua capacidade de raciocínio operacional em situações que ele não consegue ver e nem manipular de forma direta. “Em vez de pensar sobre coisas reais e sobre ocorrências verdadeiras, [...] começa a pensar sobre ocorrências possíveis”. Por conseguir imaginar futuras consequências, como por exemplo, casar ou ir para a faculdade, passa a ser concebível para o adolescente fazer um planejamento a longo prazo (BEE, 2008, p.217).

A teoria proposta por Piaget, inicialmente não tinha o propósito de funcionar como uma teoria da aprendizagem, seus objetivos não eram pedagógicos. Muito embora, mesmo que de forma contraditória aos interesses previstos, suas pesquisas se tornaram muito importantes no campo da aprendizagem escolar (TERRA, 2006).

Para a pesquisadora Márcia Regina Terra, várias são as contribuições de suas teorias, e podemos citar como exemplos:

a) a possibilidade de estabelecer objetivos educacionais uma vez que a teoria fornece parâmetros importantes sobre o 'processo de pensamento da criança' relacionados aos estádios (sic) do desenvolvimento; b) em oposição às visões de teorias behavioristas que consideravam o erro como interferências negativas no processo de aprendizagem, dentro da concepção cognitivista da teoria psicogenética, os erros passam a ser entendidos como estratégias usadas pelo aluno na sua tentativa de aprendizagem de novos conhecimentos; c) uma outra contribuição importante do enfoque psicogenético foi lançar luz à questão dos diferentes estilos individuais de aprendizagem (TERRA, 2006, p.10).

Em resumo, podemos considerar que as ideias de Piaget representam um salto

na compreensão do desenvolvimento humano, e tendo em vista que, é na escola que

a criança e adolescente passa grande parte de seu tempo e é lá que ele desenvolve

(15)

também seus principais aspectos cognitivos é de fundamental importância que o educador compreenda o educando em sua dimensão humana.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os estudos no campo da psicologia visam pesquisar as transformações pela qual o homem passa durante a vida e sua relação com o mundo a sua volta. É neste ponto que reside à importância do tema Psicologia do Desenvolvimento Humano, uma vez que esta linha de estudo se preocupa em analisar a evolução das capacidades intelectual, afetiva e social dos indivíduos.

É por isso que, os profissionais da educação precisam estar atentos às características próprias dos indivíduos em cada um de seus estágios, para que possam reconhecer as individualidades e adaptar a sua atuação.

Assim sendo, se torna mais fácil fazer o planejamento do que será ensinado e como será ensinado, adaptando-se a linguagem e a maneira de se expressar, sempre visando o melhor para o educando. Pois, em nossa sociedade atual é inconcebível que um professor, atue sem pensar nas particularidades e necessidades de cada aluno que está sob sua responsabilidade dentro da sala de aula, e para isso, ele precisa ter subsídios para identificar quais são essas necessidades de cada um.

É preciso ter em vista também que o desenvolvimento humano não se dá de forma estanque em momentos específicos, mas que ele é fruto de um processo global que envolve diversos fatores como a hereditariedade, o crescimento orgânico, a maturação neurofisiológica, e o meio.

Concomitantemente, vários são os aspectos que estão ligados ao desenvolvimento. São os principais, o Aspecto Físico-motor, o Intelectual, o Afetivo- emocional, e é claro o Aspecto Social. Todos eles estão intrinsecamente ligados no que diz respeito ao desenvolvimento humano de maneira integral.

Uma vez demonstrado que a criança é um ser em desenvolvimento, e que sua

construção ocorre ao longo do tempo, e obedecendo quatro etapas sucessivas,

conforme proposto pela Teoria da Cognição de Jean Piaget, fica mais fácil observar

as especificidades do comportamento em cada estágio.

(16)

Cada uma dessas etapas contém características específicas que permitem distingui-la das outras, e é conceituada conforme as qualidades desenvolvidas naquele lapso temporal.

Os primeiros dois anos de vida são denominados como Período Sensório- Motor, que é onde se inicia a percepção de mundo e desenvolvimento dos movimentos. Posteriormente, com o advento do Período Pré-Operatório, ocorre uma impulsão nas atividades mentais, principalmente tendo-se em vista o aumento da capacidade comunicativa como decorrência do surgimento da linguagem.

O início da construção lógica se dá com o surgimento do Período das Operações Concretas, que aos poucos vão se transformando em construções formais, é o Período das Operações Formais, em que a linha de raciocínio se torna tão eficiente que é capaz de coordenar ideias abstratas.

Na posse de tais conhecimentos, torna-se mais fácil para o profissional da educação interpretar as diversas facetas do comportamento humano, e identificar quando determinado comportamento não corresponde ao esperado, podendo intervir de forma precoce.

A escola é um dos meios que mais agem no desenvolvimento emocional e cognitivo da criança e do adolescente, portanto é de fundamental importância que o professor tenha noção do grande papel social que exerce sob esse indivíduo, conduzindo o seu desenvolvimento cognitivo, e para isso, deve estar ciente de todos os fatores e aspectos que podem influenciar esse processo.

REFERÊNCIAS

BASTOS, Anabela Mafra Oliveira Santos Gonçalves. A percepção dos professores sobre os alunos superdotados versus o alheamento da escola. 2009.

Dissertação (Mestrado em Educação) – Escola Superior de Educação de Paula Frassinetti, Portugal.

BEE, Helen. A criança em desenvolvimento. 9. ed. Porto Alegre: Artmed, 2008.

BOCK, Ana Mercês Bahia; FURTADO, Odair; TEIXEIRA, Maria de Lourdes Trassi.

Psicologias uma introdução ao estudo de psicologia. 13. ed. São Paulo: Saraiva,

2004.

(17)

COLL, Cesar; PALACIOS, Jesus; MARCHESI, Álvaro. Desenvolvimento

Psicológico e Educação: psicologia evolutiva. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995.

DAVIS, Claudia; OLIVEIRA, Zilma de. Psicologia na educação. São Paulo: Cortez, 2010.

PIAGET, Jean. Seis estudos de psicologia. 24. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1999.

QUEIROZ, Elaine Moral. Teorias de Aprendizagem. 2008. Disponível em:

<https://philpapers.org/archive/LOPADQ.pdf>. Acesso em: 30 abril 2018.

TERRA, Márcia Regina. O desenvolvimento humano na teoria de Piaget. 2006.

Disponível em:

<https://docs.google.com/viewer?a=v&pid=sites&srcid=ZGVmYXVsdGRvbWFpbnxhc

nF1aXRldHVyYWVwc2ljb2xvZ2lhfGd4OjU0ZmVlNDU3MGIzYWVjMDA>. Acesso

em: 06 maio 2018.

Referências

Documentos relacionados

Para os tratamentos térmicos, foi preparada uma amostra do fio supercondutor com dimensões 150 mm de comprimento e 3,00 mm de diâmetro para cada perfil de

A descrição das atividades que podem vir a ser desempenhadas pelo AVISA, além de se fundamentar na perspectiva da integralidade da atenção à saúde, envolvendo desde as ações

Considerando uma avaliação de qualidade de forma quantitativa e classificatória, na variável de dados relevantes da realidade, utilizados para medidas serem

A espectrofotometria é uma técnica quantitativa e qualitativa, a qual se A espectrofotometria é uma técnica quantitativa e qualitativa, a qual se baseia no fato de que uma

Índices como os de riqueza de espécies e de diversidade tradicional, que são medidas de diversidade alfa, não são suficientes se o propósito for selecionar sítios

RESUMO: Busca-se neste trabalho analisar a fotografia como objeto de estudo nas áre- as da Arquivologia e Ciência da Informação a partir do levantamento, da leitura e da análise

ponto de acesso sem fios, você pode se conectar ao projetor sem fios através do ponto de acesso usando o software de rede da Epson.. Instalação do módulo de LAN

1º - Aprovar “ad referendum” o Projeto Pedagógico do Curso de Formação Inicial e Continuada de Língua Brasileira de Sinais Intermediário I e II do