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Relatório estágio profissional

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Academic year: 2021

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RELATÓRIO FINAL

ESTÁGIO PROFISSIONALIZANTE 6ºANO

Nova Medical School | Faculdade de Ciências Médicas da

Universidade Nova de Lisboa

Mestrado Integrado em Medicina

Regente: Prof. Doutor Rui Maio

Tutor: Dra. Teresa Libório

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Índice

1. Introdução………..…………2

2. Objetivos………...……2

3. Descrição dos Estágios Parcelares 3.1 Ginecologia e Obstetrícia………..………...3

3.2 Saúde Mental……….……….……….…...3

3.3 Medicina Geral e Familiar………..………..…4

3.4 Pediatria………..……….……….…….…..….4 3.5 Cirurgia Geral………..…………....5 3.6 Medicina Interna.………..………..……….……5 4. Elementos Valorativos………..……..6 5. Reflexão Crítica………..………..…..7 6. Anexos 6.1 Tabela 1 – Apresentações teóricas realizadas e assistidas..……….…. 10

6.2 Certificado “TEAM – Trauma Evaluation and Management”………... 11

6.3 Certificado “I SIMPÓSIO IBÉRICO DOENÇA CELÍACA - PROTOCOLO PARA O DIAGNÓSTICO PRECOCE”……….………11

6.4 Certificado “Jornadas de formação – Vertente Saúde da Criança e do Adolescente”………..………12

6.5 Certificado “Simpósio Internacional de Cirurgia Hepatobiliar Especializada Inovadora”……….………..…....13

6.6 Certificado Estágio Peclicuf………..……….……….…...13

6.7 Certificado Intercâmbio Clínico……..………..……….………….…...14

6.8 Certificado Comissão Organizadora “Natal Diferente”………..………….….15

6.9 Certificado “O meu melhor amigo”……….……...…… 15

6.10 Certificado Academia do Futuro………..….…….16

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1. Introdução

O presente relatório pretende resumir a minha vivência e prestação no Estágio Profissionalizante inserido no plano curricular do 6º ano do Mestrado Integrado em Medicina (MIM) da NOVA Medical School | Faculdade de Ciências Médicas. Neste contexto, passei por seis áreas clínicas distintas, sendo estas Ginecologia e Obstetrícia, Saúde Mental, Medicina Geral e Familiar, Pediatria, Cirurgia Geral e Medicina Interna, que frequentei por esta ordem.

No presente documento começo por descrever os objectivos que me propus atingir durante este ano, seguidos de uma descrição sumária de cada estágio realizado e, por fim, apresento uma reflexão crítica do estágio na sua globalidade.

2. Objetivos

O sexto ano é o último ano da formação médica pré-graduada e daqui faz-se a transição para o exercício da Medicina profissionalmente, o que torna o estágio profissionalizante essencial para esta próxima etapa. De modo a avaliar a minha evolução ao longo dos estágios parcelares, é necessáriol começar por estabelecer os objetivos globais para este ano: aplicar os conhecimentos clínicos adquiridos nos anos anteriores na análise e solução de problemas clínicos comuns; avaliar os doentes, com a elaboração de histórias clínicas, identificação dos seus problemas de saúde, das potenciais causas e soluções, interpretação de métodos complementares de diagnóstico e ainda implementação de um plano de gestão dos problemas identificados; orientar a gestão do doente de acordo com o ambiente em que este se integra; demonstrar conhecimentos no âmbito da prevenção da doença e integrá-los nos planos de tratamento; aplicar princípios éticos que priorizem o bem-estar da pessoa; demonstrar comportamento profissional na comunicação com os restantes membros da equipa, outros profissionais de saúde e com os doentes e seus familiares.

Para além destes objetivos mais académicos, é também vital a demonstração de atributos como empenho, honestidade, preocupação com as necessidades dos doentes e comprometimento com a melhoria dos mesmos.

Defini ainda dois objetivos extra para este ano, sendo o primeiro averiguar qual a especialidade em que revejo e na qual gostaria de ingressar e o segundo sentir-me mais autónoma quando na abordagem do doente.

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3. Síntese dos estágios parcelares realizadas:

3.1

Ginecologia e Obstetrícia

Realizei o estágio de Ginecologia e Obstetrícia no Hospital de Vila Franca de Xira, no período entre 10 de Setembro e 4 de Outubro de 2018, sob orientação das Dr.ªs Lucinda Mata e Mariana Panaro. Destaco como principais objetivos deste estágio a aplicação de conhecimentos teóricos adquiridos em anos anteriores do curso, o treino da colheita de anamnese e do exame objetivo dirigido à patologia ginecológica e obstétrica e o treino de procedimentos comuns na especialidade, como a citologia e a colposcopia. Neste âmbito, frequentei várias valências da especialidade, nomeadamente a Consulta Externa, tendo assistido à de Obstetrícia (incluindo consultas de Alto Risco, onde observei grávidas com diabetes gestacional, hiperémese gravídica, pré-eclâmpsia e colestase), de Ginecologia (neste contexto, observei consultas motivadas por hemorragia uterina anómala, prolapso uterino, hipertrofia da vulva e para acompanhamento da menopausa), de Patologia do Colo e de Interrupção Voluntária da Gravidez; o Internamento, no qual a minha participação ocorreu principalmente no contexto da obstetrícia, com observação e realização do exame objetivo das puérperas; o Bloco Operatório, quer em contexto de cirurgia eletiva, quer em contexto urgente e, por último, o Serviço de Urgência, com a realização de bancos de 12 horas semanalmente, cujas atividades se dividiam entre o serviço de urgência, o bloco operatório e o bloco de partos (neste contexto observei vários partos eutócicos e tive a oportunidade de participar como 2º ajudante em 2 cesarianas). No âmbito da avaliação, apresentei em grupo o tema “Prevenção Primária e Secundária em Ginecologia” numa das sessões clínicas do serviço e, ainda no contexto desta reunião semanal, assisti à revisão teórica de outros temas importantes para a especialidade (temas descriminados na Tabela 1 em Anexo).

3.2

Saúde Mental

O estágio de Saúde Mental foi realizado no Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa, no período de 8 de Outubro a 2 de Novembro de 2018, sob orientação da Dr.ª Margarida Baptista, no serviço de Psicogeriatria. Dos objetivos específicos deste estágio destaco a avaliação do doente com identificação dos elementos patológicos na personalidade, comportamentos e relacionamento pessoal e identificação de situações de risco, tal como a prática da entrevista clínica ao doente com patologia psiquiátrica e à sua família. No contexto deste estágio, assisti à consulta externa de psicogeriatria, onde presenciei a entrevista a doentes com patologias como Depressão com sintomas psicóticos, Demência Frontotemporal e Perturbação Delirante Crónica. Frequentei também o internamento, e neste contexto colhi a história clínica de uma doente com Síndrome Demencial com sintomas psicóticos. Assisti a sessões de eletroconvulsivoterapia, dirigidas a doentes com depressão major e/ou recorrente, perturbação bipolar em fase depressiva e um

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4 dos doentes apresentava ainda Transtorno do Espectro do Autismo com perturbação de controlo de impulsos. A nível teórico, o estágio foi complementado com aulas teórico-práticas e ainda pude assistir a sessões para internos e ao Journal Club no serviço de Psicogeriatria (temas abordados descriminados na Tabela 1 em Anexo).

3.3

Medicina Geral e Familiar

O estágio de Medicina Geral e Familiar decorreu no período de 5 a 30 de Novembro de 2018, na USF Tejo, sob orientação da Dra. Avelina Moniz. Para este estágio, destaco como objetivos principais a prática da condução da consulta e sistematização da mesma e da abordagem dos problemas de saúde mais comuns da comunidade, através da anamnese e exame objetivo dirigidos e com destaque na terapêutica destas patologias. Neste contexto, assisti a consultas de Saúde de Adultos, Saúde Materna, Saúde Infantil e Juvenil, de Intersubstituição e Consulta Aberta, tendo tido a oportunidade de conduzir sob supervisão algumas delas. Esta rotina possibilitou ainda a prática do registo da consulta conforme o Registo Médico Orientado por Problemas (RMOP), incluindo o SOAP e a lista de problemas dos doentes, e ainda da prescrição medicamentosa (sob supervisão). Tive ainda a oportunidade de assistir a consultas no domicílio, dirigida a doentes acamados, com acesso impossibilitado ao centro de saúde. Os problemas mais comuns observados foram Hipertensão Arterial, Diabetes não insulino-dependente e Insuficiência cardíaca. Assisti ainda a sessões teóricas no âmbito dos Encontros de Orientadores e Internos (temas das apresentações assistidas descriminados na Tabela 1 dos Anexos) e tive a oportunidade de apresentar uma revisão teórica acerca de Cefaleias Primárias numa das Reuniões de Serviço.

3.4

Pediatria

Realizei este estágio entre 3 de Dezembro de 2018 e 11 de Janeiro de 2019, no Hospital Dona Estefânia, sob a orientação da Dr.ª Sara Nóbrega. Como objetivos específicos deste estágio, destaco o treino da colheita de dados anamnésticos e do exame objetivo dirigidos à patologia pediátrica mais comum, e ainda a prática da elaboração de diários clínicos e da comunicação com a restante equipa médica, o doente e a sua família. O meu estágio focou-se principalmente na área da Gastrenterologia e participei em diversas valências da especialidade: Internamento, na Unidade de Cuidados Especiais Respiratórios e Nutricionais (UCERN), que recebe doentes cuja autonomia alimentar e/ou respiratória está comprometida e que requerem uma vigilância mais rigorosa do seu desenvolvimento. Neste âmbito, fiquei encarregada de observar 1 a 2 doentes por dia, realizar os diários clínicos e comunicar a evolução do doente numa reunião diária de passagem de doentes. Frequentei também o internamento de Cardiologia Pediátrica, que me

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5 permitiu contactar com diversas patologias cardíacas, principalmente de etiologia congénita; Serviço de Urgência, que possibilitou o contacto com patologia da pediatria geral; Técnicas de Gastrenterologia, onde se realizam endoscopias digestivas altas e colonoscopias, com intuito diagnóstico e de controlo de patologia crónica, como esofagite eosinofílica e doença celíaca; Consulta de Gastrenterologia, onde a patologia mais comummente observada foi a doença celíaca; Consulta de Pneumologia, onde observei doentes dependentes de ventilação não-invasiva; Consulta de Imunoalergologia, onde a patologia mais observada foi rinite alérgica. Para além destas atividades, ainda observei doentes de outros serviços, com necessidade de intervenção pela gastrenterologia. Assisti também a sessões clínicas (temas descritos na Tabela 1 em Anexo) e frequentei um Workshop de Urgência Pediátrica. Em contexto de avaliação, fiz uma apresentação em grupo intitulada “Não basta alimentar: Síndrome de Refeeding”.

3.5

Cirurgia Geral

O estágio de Cirurgia Geral ocorreu no período entre 21 de Janeiro e 15 de Março de 2019, no Hospital Beatriz Ângelo, sob a tutoria do Dr. Francesco Della Nave. A primeira semana consistiu em sessões teóricas e teórico-práticas, que permitiram a revisão e treino de diversas técnicas úteis para as atividades do restante estágio, incluindo o curso TEAM – Trauma Evaluation and Management. O estágio de Cirurgia Geral em si decorreu durante quatro semanas, onde pude acompanhar a equipa médica nas seguintes atividades: bloco operatório, sendo que as cirurgias mais frequentemente observadas foram hernioplastias e encerramento de ileostomias e participei numa delas como 2ª ajudante, e enfermaria, onde é feito o acompanhamento dos doentes no pós-operatório. Tive duas semanas de estágio opcional integrado na Cirurgia Geral, onde frequentei o serviço de Gastrenterologia. Neste âmbito, assisti a consultas de Gastrenterologia Geral e Hepatologia e também a técnicas como endoscopia digestiva alta e colonoscopia. Por último, uma das semanas destinou-se ao Serviço de Urgência, no contexto da urgência geral e na pequena cirurgia. No que diz respeito à avaliação, a minha apresentação no Mini-Congresso final intitula-se “Two is company, three is a crowd” e consiste num caso clínico de invaginação intestinal com uma revisão teórica do tema.

3.6

Medicina Interna

Realizei o estágio de Medicina Interna no período de 18 de Março a 17 de Maio de 2019, no Hospital S. José, no Serviço de Medicina Interna 1.4., sob tutoria do Dr. José Rola. Destaco como objectivos principais para este estágio a prática do trabalho na enfermaria, com observação de doentes, registo e comunicação da informação clínica, e desenvolvimento das capacidades necessárias para trabalhar em equipa. A grande maioria do estágio decorreu no contexto de Internamento, na enfermaria de homens do Serviço 1.4, sob

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6 orientação da Dr.ª Helena Amorim e integrada na “tira” por esta dirigida. Frequentei a enfermaria todas as manhãs e fiquei encarregada de acompanhar, diariamente, 1 a 3 doentes, procedendo à observação, redação de diários clínicos e notas de alta, requisição e interpretação de métodos complementares de diagnóstico e, por último, discussão de hipóteses diagnósticas e estratégias terapêuticas com a restante equipa. Os motivos de internamento mais comuns foram situações de descompensação de doença crónica, como Insuficiência Cardíaca (em contexto de cardiopatia isquémica e/ou hipertensiva, maioritariamente), Doença Renal Crónica, Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica ou sobreposição destas. No que toca a técnicas, na enfermaria pude praticar a execução de gasimetrias (não contabilizadas) e fiz pela primeira vez uma paracentese, sob supervisão. Também em contexto do internamento, realizei duas Histórias Clínicas e assisti a três visitas médicas, duas delas na enfermaria em que me encontrava e nas quais apresentei três doentes. Frequentei o Serviço de Urgência, onde as queixas mais observadas foram dispneia, dor abdominal e lipotímia. Assisti também à Consulta externa conduzida pelo Dr. José Rola, onde contactei principalmente com casos de Hipertensão Arterial de difícil controlo. A nível teórico, apresentei quatro revisões teóricas (em reunião com o meu tutor e o meu colega de estágio) e assisti a cinco Sessões Clínicas, que ocorrem semanalmente no serviço (temas descriminados na Tabela 1 em Anexo). Na última semana, apresentei na Sessão Clínica o tema “Parkinsonismo”, em conjunto com o meu colega de estágio.

4. Elementos valorativos

Durante este ano, participei em algumas atividades extra-estágio que considero academicamente enriquecedoras. Na sequência do estágio de pediatria, cujas atividades ocorreram principalmente no âmbito da gastrenterologia, assisti ao I SIMPÓSIO IBÉRICO DOENÇA CELÍACA - PROTOCOLO PARA O DIAGNÓSTICO PRECOCE, a 16 de Março de 2019, o que permitiu uma revisão teórica mais aprofundada sobre esta patologia que vi, tão frequentemente, na consulta de gastrenterologia pediátrica. Assisti ainda às Jornadas de formação – Vertente Saúde da Criança e do Adolescente, a 31 de Janeiro de 2019, onde foram abordados assuntos como a importância dos elogios no desenvolvimento infantil, amamentação e disforia de género. Relativamente à Cirurgia Geral, que é uma área que me desperta grande interesse, assisti ao Simpósio Internacional de Cirurgia Hepatobiliar Especializada Inovadora, que se realizou nos dias 23 a 25 de Maio deste ano, do qual destaco as sessões de casos clínicos, onde foram apresentadas diversas patologias hepatobiliopancreáticas, com posterior debate das possíveis abordagens terapêuticas. Participei também em três Encontros para Médicos organizados pelo Hospital da Luz, sobre os temas “Cancro do Pulmão / Rastreio e Diagnóstico Precoce”, “Avaliação Inicial da patologia da coluna vertebral e critérios de referenciação” e “Ansiedade, do sintoma à síndrome”.

Ao longo do curso, tive a oportunidade de realizar dois estágios de verão, ambos na área da Cirurgia Geral, que considero importantes: um deles nas áreas Cirurgia Geral e Gastrenterologia, integrado no programa

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7 Peclicuf, tendo decorrido no verão de 2017, no Hospital Cuf Descobertas. Este teve a duração de duas semanas e estive sob orientação do Dr. Ricardo Girão; o segundo no âmbito dos intercâmbios clínicos da International Federation of Medical Students Associations (IFMSA), que me permitiu estagiar em Cirurgia Gastrointestinal no Clinical Hospital Center Rijeka, na Croácia, durante o mês de Agosto de 2018. Destaco deste último, como mais-valia, a minha participação em inúmeras cirurgias como 2ª ajudante, permitindo um estudo mais detalhado da anatomia e treino de técnicas cirúrgicas.

Para além destas atividades, ao longo destes 6 anos participei em ações que considero relevantes para desenvolver soft skills no âmbito da comunicação, liderança e gestão de stress, principalmente na área do voluntariado. Destas gostaria de destacar: voluntariado na Academia do Futuro, no ano lectivo 2014/2015 (2º ano), dando tutoria comportamental a crianças de escolas problemáticas, com apoio escolar. Neste contexto, acompanhei uma criança do 6º ano, com auxílio nos trabalhos escolares e também desenvolvimento de atividades estimulantes da assertividade e autoestima, em reuniões semanais durante todo o ano letivo; Em 2016, integrei na Comissão Organizadora da Atividade “Natal Diferente”, organizada pelas Associações de Estudantes de ambas as faculdades de medicina de Lisboa, e que consiste na visita de alunos de medicina e acompanhantes aos doentes internados, na véspera de natal, com oferta de prendas e atuações musicais para animar o Natal daqueles que não podem passar este dia em casa. Neste contexto fiquei encarregue de organizar as visitas aos hospitais do Centro Hospitalar de Lisboa Central; Em 2017, participei na atividade “O meu melhor amigo”, também organizado pela Associação de Estudantes da faculdade, no âmbito do qual fiz voluntariado na Casa dos Animais de Lisboa.

5. Reflexão Crítica

Este ano é o culminar de uma jornada longa de aquisição de conhecimentos e técnicas necessárias para o exercício da medicina e é a primeira verdadeira oportunidade para testar estas aprendizagens na prática, com alguma autonomia. Considero assim que este estágio foi de facto “profissionalizante”, na medida em que me tornou mais autónoma na observação e abordagem do doente em contexto de internamento, consulta externa e serviço de urgência, na comunicação de informação clínica com a restante equipa médica e na comunicação com o doente e familiares.

Relativamente aos objetivos estabelecidos para cada estágio, e começando pelo estágio de Ginecologia e Obstetrícia, considero que estes foram alcançados e destaco como muito positiva a autonomia que me foi dada para conduzir algumas das consultas de patologia do colo do útero, o que contribuiu muito para a organização mental dos passos da consulta e para a aquisição de conhecimento relativo a estas patologias, e também no contexto do serviço de urgência, com execução do exame ginecológico e treino de citologia e

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8 colposcopia. O facto de cada aluno ter dois tutores atribuídos permite a participação nas diversas valências da especialidade, o que considero uma mais-valia.

No estágio de Saúde Mental, considero que alcancei os objetivos que especifiquei, relativamente às capacidades diagnósticas e à prática da entrevista clínica, essencialmente na área geriátrica, onde tive a oportunidade de acompanhar doentes ao longo das 4 semanas. No entanto, penso que a minha permanência no serviço de Psicogeriatria me limitou em termos da patologia com que contactei – contactei principalmente com situações de alteração cognitiva, demências e depressões. Neste sentido, penso que seria vantajoso a criação de um sistema de rotação entre vários serviços do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa, que permitam o contacto com umespectro mais amplo de patologia.

No contexto da Medicina Geral e Familiar, penso que alcancei os objetivos estabelecidos, com o treino diário da colheita de anamnese e exame objetivo, da interpretação de exames complementares de diagnóstico e do registo destas informações. Este estágio também me permitiu ficar mais consciente do impacto que os factores psicossociais têm na vida e saúde da população, e neste contexto observei diversas consultas motivadas não pela expectável doença física e “orgânica”, mas sim para “desabafo” sobre alterações marcantes na vida dos doentes. Daqui destaco também a importância da relação médico-doente, que é das principais armas utilizadas pela medicina geral e familiar (e não só) e que se destaca nas consultas observadas. Tive contacto com doentes com comorbilidades de grande prevalência na população portuguesa, como a diabetes mellitus, hipertensão arterial e doença coronária, o que me permitiu compreender como é feito o seu controlo e tratamento e passar algumas noções de terapêutica da teoria para a prática, e sendo esta última uma área na qual reconheço ter menos conhecimentos, foi sem dúvida uma mais-valia.

Relativamente ao estágio de Pediatria, confesso que este excedeu as minhas expectativas, e foi a primeira vez no curso em que me foram atribuídos doentes da enfermaria para seguir, observar e sobre os quais falar nas reuniões de serviço e considero este um ponto de viragem importante neste ano. Aqui tornei-me muito mais consciente do trabalho e rotina médica em contexto de internamento, através da avaliação de doentes com colheita de anamnese e exame objetivo, requisição e interpretação de métodos complementares de diagnóstico, redação dos diários clínicos e ainda comunicação da informação médica com a restante equipa. Isto foi essencial para me sentir mais autónoma na observação dos doentes e também para me consciencializar da responsabilidade que é ter um doente ao meu encargo. Destaco também como muito positivas as consultas de gastrenterologia, que me permitiram aprofundar conhecimentos acerca das doenças gastrointestinais mais frequentes na infância, e também a frequência do Serviço de Urgência, que me possibilitou contacto com patologia pediátrica mais geral e fora do âmbito da gastrenterologia. No sentido de facilitar o contacto dos alunos com patologia pediátrica diversificada, à

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9 semelhança do dito relativamente ao estágio de Saúde Mental, penso que a criação de um sistema de rotação por diversas subespecialidades seria vantajosa.

No contexto do estágio de Cirurgia Geral, considero ter cumprido os objetivos relativamente ao treino da colheita de anamnese e exame objetivo e à capacidade de diagnóstico de patologia cirúrgica, principalmente através da observação de doentes no internamento. No entanto, relativamente às atividades no bloco operatório, o espectro de patologia cirúrgica observado foi muito limitado, tendo assistido acima de tudo a hernioplastias e encerramento de ileostomias. Para além disto, considero que não houve muito espaço para prática de técnicas, como suturas, ou participação em cirurgias, visto que a equipa cirúrgica que acompanhei tinha cinco alunas e três internos, dois deles de formação geral. Neste sentido, penso que fiquei limitada no treino de técnicas cirúrgicas, e daí também a importância dos estágios extra-curriculares que fiz na área da Cirurgia Geral, que ajudam a colmatar este facto.

Relativamente ao estágio de Medicina Interna, considero que este foi dos estágios mais desafiantes que fiz e, ao mesmo tempo, dos mais marcantes para o meu crescimento enquanto pessoa e futura médica. À semelhança do estágio de pediatria, a atribuição de doentes para acompanhar diariamente foi essencial para a minha consciencialização da responsabilidade que é cuidar de alguém. Esta responsabilidade, ainda que algo stressante e inquietante no início, penso que foi essencial para me sentir mais autónoma na rotina dos serviços, para criar boas sistematizações de abordagem dos doentes e fez com que me esforçasse mais e mais para ir ao encontro do que era esperado de mim. Foi uma excelente forma de aplicação da teoria apreendida ao longo do curso na prática hospitalar, principalmente em contexto de internamento. Considero que cumpri os objetivos a que me propus neste estágio, relativamente à autonomia na abordagem do doente, redação de diários clínicos e notas de alta, discussão de métodos diagnósticos e de terapêutica e ainda transmissão de informações clínicas ao doente, à família e à restante equipa médica. Todas estas valências foram praticadas diariamente na enfermaria. Destaco ainda a oportunidade de praticar técnicas, como a gasimetria, e ainda a oportunidade que tive de realizar uma paracentese.

Concluindo, considero que este ano profissionalizante foi um ano de muito crescimento, tanto a nível profissional como pessoal, e considero ter cumprido os objetivos gerais deste estágio. Permitiu ainda moldar a minha opinião relativamente às áreas que me suscitam mais interesse para o futuro e contribuiu,

imensamente, para a minha autonomia e capacidade de trabalho integrado numa equipa médica.

Gostaria, por último, de agradecer aos tutores e restantes profissionais de saúde que me acompanharam ao longo deste percurso, pelos conhecimentos transmitidos e pelo nível de exigência, que contribuíram para a minha evolução ao longo destes anos, e também à minha família e aos meus colegas, cujo apoio foi e será sempre essencial.

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6. Anexos

6.1. Tabela 1 – Apresentações teóricas realizadas e assistidas

Estágio Contexto Tema

Apresentações realizadas

Ginecologia e Obstetrícia

Sessão Clínica Prevenção Primária e Secundária em Ginecologia Medicina Geral e Familiar Sessão Clínica Cefaleias Primárias Pediatria Seminário de apresentação dos trabalhos do 6º ano

Não basta alimentar: Síndrome de Refeeding Cirurgia

Geral

Mini-congresso de apresentação dos trabalhos do 6º ano

Two is company, three is a crowd – Caso clínico e revisão teórica sobre invaginação intestinal no adulto

Medicina Interna

Sessão Clínica Parkinsonismo

Revisão Teórica

Diagnóstico Diferencial de Coma

Desequilíbrio Ácido-Base e Distúrbios Hidroeletrolíticos Regras Gerais de Antibioterapia

Síndrome Febril Indeterminada

Apresentações assistidas Ginecologia e Obstetrícia Reunião Clínica Oligoâmnios no termo

“Subclinical hypothyroidism in women planning conception and during pregnancy: Who Should Be Treated and How”

Psiquiatria

Sessões para internos Comunicação não-verbal

Journal Club

“Alcohol consumption and risk of dementia: 23 years follow-up of Whitehall II cohort study”

“Association of Higher Cortical Amyloid Burden with Loneliness in Cognitively Normal Older Adults”

Medicina Geral e Familiar Encontros de Orientadores e Internos Disfunção erétil

Caso clínico de Perturbação da Ansiedade Abordagem à lombalgia

Pediatria Sessão Clínica

Apresentação de filme sobre Cuidados Intensivos;

"Cuidar em casa: objetivos, tarefas e obstáculos", no âmbito de Cuidados Paliativos;

“Síndrome de Sjogren Primário e Trombose Venosa Cerebral: um caso clínico”

Medicina Interna

Sessão Clínica

Seleção de Fonte de Oxigenoterapia Domiciliária. Clostridium difficile

DPOC GOLD – Atualização das Guidelines Helicobacter pylori

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6.2. Certificado TEAM – Trauma Evaluation and Managemen

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Certificado “

I SIMPÓSIO IBÉRICO DOENÇA CELÍACA - PROTOCOLO PARA O DIAGNÓSTICO PRECOCE”

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6.5. Certificado “Simpósio Internacional de Cirurgia Hepatobiliar Especializada Inovadora”

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6.8. Certificado Comissão Organizadora “Natal Diferente”

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Referências

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