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Oficina de Textos em Espanhol Avançado

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Academic year: 2022

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Texto

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Unidade 3

Prática de leitura e escrita em espanhol Francisco Thib É rio Arruda Sales

Oficina de Textos em Espanhol

Avançado

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Gerente Editorial

CRISTIANE SILVEIRA CESAR DE OLIVEIRA Projeto Gráfico

TIAGO DA ROCHA Autor

FRANCISCO THIBÉRIO ARRUDA SALES

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O AUTOR

Francisco Thibério Arruda Sales

Eu, Thibério, possuo graduação em Letras pela Universidade Estadual do Ceará (2009); Especialista em Linguística pela Universidade Estadual do Ceará (2013) e estou concluindo o Mestrado em Análise do Discurso na Universidade de Buenos Aires – Argentina. Atualmente, sou Professor Universitário e Conteudista. Na Argentina, trabalho como professor de português e de Linguística nas seguintes universidades:

Universidad Nacional de Avellaneda e Universidad Nacional de San Martin. Possuo diploma de Proficiência em Língua Espanhola emitido pelo Ministério de Educação da Argentina e obtive o nível “avanzado superior”. A minha proficiência na língua se deu através do exame CELU – Certificado de Español Lengua y Uso. Além disso, participo constantemente de Jornadas universitárias, Congressos e Seminários de temas relacionados à Linguística (como ouvinte e expositor). Atualmente elaboro livros de conjugação e expressões idiomáticas. Também desenvolvi uma metodologia focada na Abordagem Comunicativa para o ensino de línguas (português como língua estrangeira/espanhol). No Brasil, trabalhei como professor de espanhol e de Linguística em renomadas instituições e tenho experiência de ensino tanto na Graduação quanto na Pós-Graduação de forma presencial e online.

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ICONOGRÁFICOS

Olá. Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez que:

INTRODUÇÃO:

para o início do desenvolvimento de uma nova compe- tência;

DEFINIÇÃO:

houver necessidade de se apresentar um novo conceito;

NOTA:

quando forem necessários obser- vações ou comple- mentações para o seu conhecimento;

IMPORTANTE:

as observações escritas tiveram que ser priorizadas para você;

EXPLICANDO MELHOR:

algo precisa ser melhor explicado ou detalhado;

VOCÊ SABIA?

curiosidades e indagações lúdicas sobre o tema em estudo, se forem necessárias;

SAIBA MAIS:

textos, referências bibliográficas e links para aprofundamen- to do seu conheci- mento;

REFLITA:

se houver a neces- sidade de chamar a atenção sobre algo a ser refletido ou dis- cutido sobre;

ACESSE:

se for preciso aces- sar um ou mais sites para fazer download, assistir vídeos, ler textos, ouvir podcast;

RESUMINDO:

quando for preciso se fazer um resumo acumulativo das últi- mas abordagens;

ATIVIDADES:

quando alguma atividade de au- toaprendizagem for aplicada;

TESTANDO:

quando o desen- volvimento de uma competência for concluído e questões forem explicadas;

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SUMÁRIO

Estratégias de Leitura em Língua Estrangeira ... 10

A Leitura e a Comunicação ...10

Estratégias de Leitura ... 15

Estratégias de Escrita em Língua Estrangeira ...20

O Processo de Produção Escrita ... 20

Coesão e Coerência Textual em Espanhol...30

Coesão e Coerência Textual ... 30

O Texto Escrito e o Texto Falado em uma Aula de ELE ...39

A Composição Textual nos Exames de Proficiência em Língua Espanhola ... 39

Certificado de Español Lengua y Uso (CELU) ... 40

Diploma de Español como Lengua Extranjera (DELE) ...45

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PRÁTICA DE LEITURA E ESCRITA EM ESPANHOL

UNIDADE

03

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INTRODUÇÃO

Certamente a escrita é uma das atividades que devem ser trabalhadas em uma sala de ELE – espanhol língua estrangeira, porém, nem sempre essa habilidade é trabalhada da forma que corresponde.

A produção textual é tão importante quanto as demais competências visto que ela também faz parte da comunicação humana. Estudar os gêneros textuais e os tipos de textos e saber aplicar na prática é um requisito imprescindível tanto para os alunos quanto para os professores. Por outro lado, também deve-se entender os aspectos de coerência e coesão que envolvem o idioma, que no caso é o espanhol.

Exames de proficiência espanhola como o CELU (Certificado Lengua y Uso) e o DELE (Diploma de Español como Lengua Extranjera) exigem o desenvolvimento dessa competência para atestar o conhecimento dos alunos nos níveis básico, intermediário e avançado.

Para uma comunicação mais efetiva, deve-se aprender tanto o registro formal quanto o registro informal do espanhol visto que esse registro pode variar com a situação comunicativa em questão. Em suma, não reconhecer a importância da produção textual é limitar o conhecimento e fechar uma porta para o conhecimento e o desenvolvimento escrito da língua.

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OBJETIVOS

Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 3. Nosso propósito é auxiliar você no desenvolvimento das seguintes objetivos de aprendizagem até o término desta etapa de estudos:

1. Conhecer e aplicar as estratégias de leitura em língua estrangeira;

2. Conhecer e aplicar as estratégias de leitura em língua estrangeira;

3. Aplicar a coesão e coerência textual em espanhol em textos orais e escritos;

4. Refletir sobre a formação do texto escrito e o texto falado em uma aula de ELE (Espanhol língua estrangeira).

Então? Preparado para uma viagem sem volta rumo ao conhecimento?

Ao trabalho!

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Estratégias de Leitura em Língua Estrangeira

INTRODUÇÃO:

Estimado aluno, ao término desta seção você será capaz de identificar os principais aspectos da leitura e os elementos que a compõem. Por outro lado, você estudará que a mensagem passa por um processo de codificação e decodificação e que dentro da decodificação existem elementos que são processados em questão de segundos para se entender uma mensagem..

A Leitura e a Comunicação

Certamente você já sabe que o processo de ensino/aprendizagem de uma língua estrangeira é bem diferente da nossa língua nativa, não é mesmo? Pois bem, baseado no exposto, existem várias abordagens metodológicas no que diz respeito ao ensino e aprendizagem de uma língua estrangeira, que no nosso caso seria o espanhol.

Existe um certo “mito” de que o espanhol é uma língua muito fácil e é por esse motivo que muitas pessoas não valorizam o idioma. Na verdade, isso deveria ser o contrário, pois como o espanhol é uma língua que pertence à família indo-europeia a sua estrutura sintática não é tão simples como se imagina.

Pois bem, passemos agora ao tema estratégias de leitura, mas antes disso, você sabe a diferença entre ler e compreender?

A leitura, assim como a escrita representa os dois pilares básicos no processo de alfabetização de um indivíduo e que continua se desenvolvendo durante todo o seu processo educacional.

Quantas vezes você leu um texto e não compreendeu?

Provavelmente muitas vezes, não é mesmo? Na verdade, isso é mais comum do que você imagina. Para começar, precisamos entender que há

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uma grande diferença entre ler um texto publicitário quando estamos na rua e ler um artigo científico. Estamos falando de dois processos distintos.

Trabalharemos a leitura como objeto de estudo a um nível mais profundo, mais acadêmico e partindo desse pressuposto, podemos dizer que um dos principais objetivos da leitura (levando em consideração o nosso nível de análise) é transformar essa informação dada em conhecimento e consequentemente essa nova informação fica armazenada em nosso cérebro. Do contrário, a informação não será assimilada.

Existem vários pontos de vista com respeito a leitura, dentre os quais podemos citar a definição de Bloomfield (1958), onde a leitura envolve a correlação de imagem sonora com a correspondência da imagem visual.

NOTA:

Você lembra desse autor, ou seja, do Bloomfield? Ele foi um dos fundadores do Estruturalismo norte-americano.

Perceba também que a sua definição não engloba completamente a definição de leitura, não é mesmo?

Veja bem, Bloomfield fez essa definição de leitura no ano de (1958) e notamos claramente a sua visão estruturalista, não é mesmo? Na verdade, a leitura é mais que isso, é um processo de envolvimento que o leitor tem com o escritor onde a mensagem pode chegar da forma esperada ou não.

Queríamos deixar claro que em nenhum momento estamos criticando Bloomfield ao definir dessa forma, na verdade, o que estamos querendo dizer é que dependendo do memento em que vivemos, é natural que a leitura e o seu processo mude com o passar do tempo graças aos avanços tecnológicos.

Quer ver um exemplo? Será que lemos um jornal nos dias de hoje da mesma forma que líamos antigamente? Provavelmente não!

Para começar, temos como grande aliado o desenvolvimento tecnológico. Antigamente (e até nos dias de hoje), os jornais eram/são páginas enormes com uma letra muito pequena. Por outro lado, podemos

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continuar lendo jornais desde o computador ou tablet, por exemplo e a grande vantagem é que se quisermos podemos aumentar o tamanho da fonte e marcar aquilo que é importante para a nossa compreensão.

Como consequência de tudo isso, o próprio entendimento da leitura foi mudando com o passar do tempo, principalmente através da “leitura de imagens”.

Outro fator sumamente importante é que ao escrever um texto, não podemos esperar que os destinatários entendam o documento da mesma forma e é a partir desse momento que entramos no campo da compreensão.

Poderíamos dizer que a leitura é bem mais fácil do que a compreensão visto que na leitura, lemos uma determinada coisa e que não é processada pelo nosso cérebro.

A compreensão exige um maior nível de análise. É inevitável falar da compreensão sem lembrar do canal da comunicação de Jakobson, não é mesmo?

Jakobson (1975) tentava explicar nesse canal da comunicação como se dava o processo de uma mensagem, desde o emissor até o destinatário.

NOTA:

É importante esclarecer que esse canal da comunicação tanto serve para o texto escrito quanto para o texto oral.

Para entender o canal da comunicação de Jakobson (1875) veja o esquema abaixo e as suas principais funções.

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Figura 1 : Canal da Comunicação de Jakobson

Fonte: Adaptado de Jakobson (1975).

Esse esquema está composto por seis elementos e cada um deles apresenta uma função específica. Veja logo abaixo:

NOTA:

Provavelmente você já estudou esse esquema, mas não custa nada relembrar, não é mesmo?

• Emissor: é aquele que transmite a mensagem, podendo ser um ou vários dependendo da situação comunicativa.

• Receptor: é aquele que recebe a mensagem por diferentes formas. O receptor pode ser um ou vários, isso vai depender muito da situação comunicacional. É interessante destacar nesse ponto e que não foi estudado por Jakobson (1975) que existem vários receptores que são intitulados receptores sem querer, ou seja, porque estão ouvindo uma conversa em uma cafeteria, por exemplo.

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Figura 2 : Receptor por acaso

Fonte: @pixabay.

• Mensagem: é a informação que é transmitida. É o que fica exatamente entre o emissor e o receptor.

NOTA:

Existe um mundo de informações que precisamos considerar no que corresponde ao processo de codificação e decodificação de uma mensagem, no entanto, esses componentes não serão trabalhados nesta unidade porque não é o nosso ponto principal de estudo.

• Código: esse elemento é entendido como um conjunto de sinais e o uso de determinadas regras para que a comunicação possa ser realizada. Nesse caso, o código pode ser representado pela língua (seja ela oral ou escrita) assim como o uso de gestos, como é o caso da língua de sinais.

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NOTA:

Kerbrat Orecchini (1990) estabelece uma outra definição para o código, pois para ela, todos os participantes de uma comunicação apresentam um “idioleto”, maneira particular que cada indivíduo tem de falar uma língua.

• Canal: é o elemento que garante que a mensagem saia corretamente do emissor em direção ao receptor. Em linhas gerais, o canal pode ser auditivo e visual, no entanto existem outros como o cinestésico, por exemplo.

• Contexto: o contexto está relacionado diretamente com a situação da comunicação, ou seja, para eu transmitir uma mensagem, teoricamente deve existir seu respectivo contexto para que o receptor possa entender a mensagem em questão.

Estratégias de Leitura

Vimos que comunicar não é um processo tão simples, não é mesmo? Pelo mesmo comunicar de forma eficaz. Dentro da comunicação você está estudando as principais estratégias de leitura, então, sem muitas delongas, vejamos os seus principais componentes.

Temos como principais pilares dos componentes da leitura a descodificação e a compreensão, mas o que seria isso?

Kerbrat Orecchini (1990) apresenta um modelo comunicacional bem mais complexo do que foi idealizado por Jakobson (1975) e um dos seus elementos consiste em codificar e descodificar. Codificar é uma atividade que deve partir do emissor, já descodificar deve partir do receptor.

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Figura 3 : Relação emissor e receptor na transmissão de uma mensagem

Fonte: Adaptado de Kerbrat Orecchini (1990).

Por sua vez, Casas (1988) divide a decodificação em dois grupos:

Figura 4 : Tipos de decodificação

Fonte: Adaptado de Casas (1988).

Esse elemento é considerado a primeira etapa de leitura e é entendido como um processo cognitivo.

NOTA:

Entendemos processo cognitivo como tudo aquilo que esteja relacionado ao conhecimento, ao acúmulo de informações adquiridas ao longo da vida (seja através da aprendizagem ou pela própria experiência de vida).

O nível perceptivo é aquele primeiro contato que nós temos com a palavra, seria a primeira aproximação, já o nível léxico é o vocabulário utilizado no texto, se é de fácil entendimento ou não, por exemplo.

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Dentro da própria leitura, devemos também mencionar a compreensão, que por sua vez é dividida em:

Figura 5 : Níveis de compreensão

Fonte: Adaptado de Casas (1988).

NOTA:

Esses dois termos já são bem conhecidos por você, não é mesmo? Mas o que acha de fazer uma pequena revisão?

Vamos lá!

• Nível Sintático

Esse nível se responsabiliza pelo estudo das frases, como elas são construídas e como elas são escritas.

• Nível Semântico

É o estudo dos significados dos vocábulos de uma determinada língua.

Voltando ao tema decodificação, é necessário entender que esse elemento pode reconhecer as letras isoladas ou em grupo, no entanto, dentro da decodificação também implica a compreensão.

O léxico e a semântica também são de fundamental importância, pois é através dele que, segundo Stahovich (1982), para que haja descodificação é necessário reconhecer palavras pelo processo que extrai informação através da ativação do léxico mental, para possibilitar que a informação semântica se torne consciente.

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Cruz (2007) sugere que deve existir uma diferença de etapas no processo de aprendizagem:

• Decodificação;

• Identificação;

• Reconhecimento.

NOTA:

Não se esqueça que estes três elementos se relacionam diretamente com a palavra.

Tudo o que foi mencionado é bastante relativo porque isso vai depender muito da experiência de leitura que um indivíduo pode ter. Por um lado temos os leitores “com menor experiência” de leitura e por outro lado, temos os leitores “com maior experiência” de leitura.

Ainda sobre o processo de decodificação, Casas (1988) entende que existem quatro processos:

• Visual

É quando analisamos todos os componentes de uma estrutura frasal.

• Fonológico

É quando reconhecemos e identificamos os sons da frase em questão.

• Linguístico

O sistema linguístico faz referência diretamente com a linguagem oral e a linguagem escrita, estabelecendo uma relação lógica entre esses componentes.

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• Contextual

O processo contextual consiste em descobrir ou tentar descobrir o significado de uma palavra através do seu contexto oracional, ou seja, pode ser que dentro de uma frase exista uma palavra que eu não conheça, no entanto, analisando uma frase completa é possível entender essa palavra.

IMPORTANTE:

Vale a pena destacar que esse processo acontece de forma muito rápida, poderíamos dizer inclusive que isso acontece em segundos.

Figura 6 : Elementos da decodificação

Fonte: Adaptado de Casas (1988).

RESUMINDO:

Nessa primeira seção você aprendeu que a leitura e a compreensão são dois elementos que estão juntos e que a leitura requer vários processos para que se possa entender o produto final, que é a transmissão da mensagem. Por outro lado, você viu de forma resumida como se dá o processo de comunicação proposto por Jakobson. Por último, você estudou que a mensagem está composta basicamente por uma codificação, que se dá por parte do emissor e decodificação, que se dá por parte do receptor, onde a decodificação se divide em quatro níveis: visual, fonológico, linguístico e contextual. Até a próxima!

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Estratégias de Escrita em Língua Estrangeira

INTRODUÇÃO:

Estimado aluno, ao término desta seção você será capaz de identificar os principais gêneros discursivos e os principais tipos de texto em língua espanhola. Você verá exemplos assim como sugestões para fazer uma oficina de produção textual baseado nas principais situações comunicacionais do nosso cotidiano.

O Processo de Produção Escrita

Desenvolver um trabalho no âmbito da Didática de línguas estrangeiras, seja na oralidade ou na estrita é um tanto quanto relativo, pois antes de mais nada, deve-se conhecer que tipo de metodologia está sendo utilizado no processo de ensino e aprendizagem do espanhol como língua estrangeira (ELE), por exemplo.

Como você já sabe, a Abordagem Comunicativa é a metodologia mais aplicada nos dias de hoje, no entanto, outros métodos também são trabalhados, como por exemplo o método Audiolingual.

VOCÊ SABIA?

Você sabia que o método da Abordagem Comunicativa surgiu nos Estados Unidos por causa da rejeição do método Audiolingual em 1960?

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Em linhas gerais, Freeman (1986) afirma que as principais características da Abordagem Comunicativa são:

• Interação entre aluno e professor;

• Trabalhos em grupo;

• Atividades a um nível discursivo ao modelo mais próximo falado por um nativo;

• Fluência e precisão no idioma;

• Uso do contexto;

• Trabalhar a língua focando nas quatro habilidades comunicacionais:

leitura, escrita, compreensão e fala.

Sem a menor dúvida e como você pode perceber, Abordagem Comunicativa é considerada uma das metodologias mais completas, no entanto, ano nosso ponto de vista, alguns aspectos para desenvolver a escrita ainda deve ser visto de forma mais intensa.

Todo estudante tem a expectativa de falar corretamente um idioma estrangeiro, não é mesmo? Mas e a escrita? Será que a expectativa é a mesma? Provavelmente não.

Vimos anteriormente os gêneros discursivos e as suas composições assim como os principais tipos de texto. Pois bem, esse estudo não foi visto por acaso, o que acha de colocar na prática esse conhecimento teórico adquirido na sala de espanhol como língua estrangeira?

Acreditamos que um estudo detalhado por parte do professor sobre o gênero discursivo e os tipos de texto sempre é bem-vindo, pois dessa forma, o profissional poderá orientar melhor o seu aluno durante a composição e produção de um texto.

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Antes de dar continuidade, o que acha de revisar um pouco quais são os gêneros textuais? Veja a figura a seguir.

Figura 7 : Principais tipos de texto

Fonte: Adaptado de Rojo (2008).

Por outro lado, como já foi mencionado anteriormente, são baseados na socio história e também são dinâmicos apesar de serem estáveis. Quando falamos o termo dinâmico, nos referimos as mudanças que podem ocorrer dentro do texto, seria uma característica que pode ser transformada.

Diante do exposto, Azofara (2014) entende que os gêneros discursivos se dividem basicamente em:

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Figura 8 : Principais gêneros discursivos

Fonte: Adaptado de Azorafa (2014).

Agora, tendo em conta os tipos de texto e os principais gêneros discursivo, pode-se trabalhar a escrita da língua estrangeira, que no nosso caso seria o espanhol como língua estrangeira (ELE). Para entender melhor o que está sendo abordado, acompanhe alguns exemplos sobre o processo de produção escrita.

Exemplo 1

Sem informar de que gênero se trata, o professor pode pedir para que seus alunos continuem o deem um final para o texto.

Na verdade, esse tipo de atividade é muito importante porque além de despertar a criatividade do aluno, o mesmo passa a entender mais a estrutura do gênero textual. Acompanhe:

Un asno y un caballo vivían juntos desde su más tierna infancia y, como buenos amigos que eran, utilizaban el mismo establo, compartían la bandeja de heno, y se repartían el trabajo equitativamente. Su dueño era molinero, así que su tarea diaria consistía en transportar la harina de trigo desde el campo al mercado principal de la ciudad.

[…]

Fonte: https://bit.ly/32f4OZu

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Veja bem, no exemplo representa uma fábula. Esse tipo de texto pode ser apresentado para alunos de nível inicial visto que a composição da própria fábula não requer um domínio muito avançado do espanhol.

Por outro lado, é importante entender que a fábula apresenta as seguintes características:

• Geralmente tem uma moral da história;

• É um texto muito curto;

• Apresenta poucos personagens;

• Requer muita imaginação daquele que a escreve ou daquele que está lendo.

Entenda que a fábula apesar de apresentar um vocabulário bastante básico assim como a sua própria estrutura, isso não quer dizer que é um texto fácil de ser trabalhado, ou melhor, nenhuma composição textual sem a ajuda do professor pode ser considerada fácil. A grande vantagem do uso da fábula como exercício nas aulas de ELE em níveis iniciais é que esse tipo de texto desperta a imaginação dos estudantes.

IMPORTANTE:

É comum ver muitos professores de língua estrangeira pedirem uma composição aos seus alunos, no entanto, sem sempre os estudantes recebem a orientação que corresponde. Também é muito importante que o aluno escreva em sala de aula, pois dessa forma, a dúvida é resolvida no momento da aula e o aluno não precisa esperar para a semana seguinte.

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Figura 9 : Fábula

Fonte: @pixabay.

Exemplo 2

Poderíamos também criar uma oficina de textos focado no gênero descritivo, onde o aluno vê uma imagem e ao mesmo tempo, ele deve descrever o que vê. Nesse caso, esse tipo de atividade pode exigir um pouco mais do aluno, visto que ele deve conhecer mais palavras e conhecer os adjetivos em espanhol.

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Figura 10 : Casarão

Fonte: @pixabay.

Uma simples imagem como essa estimula a criatividade do aluno, onde ele pode descrever o lugar, a situação etc. Nesse tipo de exercício, o uso de um bom dicionário é fundamental, pois ao mesmo tempo que o aluno compõe seu texto, ele vai aprendendo palavras novas e ao mesmo tempo se prepara para novos desafios com respeito a escrita.

Exemplo 3

Seguindo a ideia de produção de textos, o professor de ELE pode pedir aos seus alunos que escrevam uma notícia (fictícia ou não). Nesse tipo de atividade, por exemplo, o aluno pode usar um vocabulário um pouco mais técnico (dependendo da notícia a ser criada) e também se sentirá mais cômodo ao ler notícias na internet em espanhol visto que ele aos poucos está se acostumando com as novas palavras. Esse tipo de exercício pode ser aplicado a um nível intermediário do idioma.

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Também é interessante destacar que nesse exemplo, o aluno tem a liberdade de escrever sobre qualquer assunto que seja de seu interesse, por exemplo:

• Futebol;

• Turismo;

• Economia;

• Negócios etc.

Outra atividade de produção textual que também pode ser trabalhada é continuar a história. Nessa atividade, o professor pode trazer para o aluno um uma notícia e o aluno pode continuar da maneira que lhe achar mais conveniente, veja:

Figura 11 : Notícia

Fonte: @pixabay.

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¿Qué playas están abiertas durante la desescalada y qué restricciones tienecada una según su comunidad?

El plan de desescalada sigue adelante. Desde que el pasado sábado 2 de mayo se permitiese la salida restringida y por horarios de toda la población, las dudas sobre la legalidad de practicar ciertas actividades van saliendo y desde los Gobiernos, tanto los  autonómicos como el central, responden poco a poco.

En el territorio español se cuenta con 5.978 km de costa, repartidos en alrededor de 3.500 playas, algo que sin duda es una atracción turística clave en la economía, pero que también disfrutan muchos ciudadanos de provincias bañadas por el mar. 

[…]

Fonte: https://bit.ly/3663tVX

IMPORTANTE:

Com o constante avanço da tecnologia, faz-se cada vez mais necessário praticar a escrita com os alunos visto que a maioria das notícias se dão através de produções audiovisuais e isso faz com que a notícia de forma escrita desapareça pouco a pouco. O que tem de ser feito é saber equilibrar o uso do texto oral e do texto escrito em uma sala de ELE (isso também representa uma das propostas da Abordagem Comunicativa – mas nem sempre funciona).

Para você não ficar muito perdido, acompanhe logo abaixo as principais características do gênero notícia:

• São compostos por textos descritivos ou narrativos;

• Usa-se a linguagem formal e de forma clara;

• Trabalha com fatos reais e do cotidiano (no entanto, para fazer o exercício que está sendo sugerido, não é necessário que os fatos sejam reais);

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• Os textos devem ser escritos em terceira pessoa, ou seja, o texto deve ser impessoal.

Exemplo 4

Esse tipo de exemplo pode ser considerado um pouco complexo visto que exige do aluno um conhecimento específico de um determinado tema a nível científico. Em suas futuras aulas de ELE como professor, certamente você encontrará vários alunos que estão estudando espanhol para fazer uma pós graduação em algum país hispano. É aí que você deve aproveitar a oportunidade e explorar o texto científico com ele.

Obviamente, o aluno vai produzir esse texto baseado na sua área, mas atenção, o objetivo do exercício não é fazer com que o aluno escreva um artigo científico em sala de aula, é apenas uma pequena introdução do que seria uma investigação.

La vida es el fenómeno más fascinante del Universo. Pero el Cosmos no siempre ha tenido vida. La vida precisa de elementos que no existen desde el principio del Universo. Tal y como la conocemos, la vida se basa en la química del Carbono. Precisa del agua líquida, que está formada por Hidrógeno y Oxígeno. Precisa de un planeta rocoso, formado por Hierro, Níquel y Silicatos. Ninguno de estos elementos existían en el Universo primitivo, originado en una gran explosión en la que sólo se formaron el Hidrógeno y el Helio. La aparición de la vida es una fase reciente de la historia del Universo.

[…]

Fonte: https://bit.ly/356AFgR

RESUMINDO:

Nesta segunda seção você viu alguns aspectos relevantes sobre a composição de textos de ELE em uma sala de aula.

Foram apresentados alguns exemplos e que aspectos poderiam ser trabalhados em cada gênero textual. Por outro lado, cada gênero textual pode ser adaptado às necessidades do aluno, levando em consideração o nível em que o mesmo se encontra: básico, intermediário ou avançado.

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Coesão e Coerência Textual em Espanhol

INTRODUÇÃO:

Estimado aluno, ao término desta seção você será capaz de identificar os principais no tocante a coerência e coesão em língua espanhola. Você também estudará de forma introdutória as classes de palavras e seus respectivos exemplos em espanhol. Com relação ao estudo da coerência, você verá que ela está vinculada diretamente a estrutura macrotextual.

Coesão e Coerência Textual

Anteriormente foi trabalhado os principais tipos de textos e os principais gêneros textuais, não é mesmo, mas será que um texto é analisado somente dessa forma?

Veja bem, o que foi estudado anteriormente se trata de uma análise macro, ou seja, o estudo de um texto desde uma perspectiva mais ampla, no entanto, faz-se necessário estudar algumas estruturas mais específicas, algo mais interno, como por exemplo o estudo da coerência e da coesão em língua espanhola.

Certamente você já sabe o que esses elementos significam, mas aqui serão colocados exemplos em espanhol para uma melhor compreensão. Começaremos então com o estudo da coesão.

Segundo Koch e Travaglia (1989) a coesão são todos aqueles elementos linguísticos e se referem diretamente a conexão entre palavras, expressões, enfim, tudo aquilo faça com que a minha sentença tenha um sentido e que a minha mensagem possa ser transmitida da forma adequada.

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IMPORTANTE:

Vale a pena destacar que quando estamos falando de coesão e coerência textual, estamos falando dos textos escritos e orais.

Podemos considerar um texto como coeso quando ele está composto pelo uso adequado de:

• Pronomes;

• Verbos;

• Conjunções etc.

Em outras palavras, entendemos que esses elementos supracitados fazem parte do que chamamos de classe de palavras. Koch e Travaglia (1989) também afirmam que a coesão é identificada na porção superficial do texto e também é a maneira que esses elementos podem se conectar para dar sentido ao que se deseja comunicar.

Entender a composição da coesão é também entender um dos principais componentes da coerência visto que o estudo da coesão complementa o estudo da coerência, podendo ser confirmado por Tannen (1984) que diz que a coesão favorece o estabelecimento da coerência.

Você já percebeu que a coesão se relaciona com as classes de palavras, mas você sabe o que esse termo realmente significa? Também conhecida como classe gramatical, essa categoria é responsável por literalmente classificar um conjunto de palavras, podendo ser divididas em variáveis (gênero e número) e invariáveis.

IMPORTANTE:

De acordo com os estudos morfológicos da língua espanhola, as classes de palavras podem ser divididas em dez tipos.

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Veja a figura abaixo e relembre as dez classes de palavras:

Figura 12 : Classes de palavras

Fonte: Adaptado da Real Academia Espanhol (2009).

A continuação, veja uma breve definição com alguns exemplos em espanhol.

NOTA:

As classes gramaticais são serão estudadas com detalhes nesta unidade visto que não é o objetivo principal da mesma. O objetivo é mostrar a relação das classes de palavras com a coesão em língua espanhola.

a. Substantivos

São responsáveis por nomear coisas ou seres. Exemplos:

• Computadora;

• Libro;

• Estuche;

• Buenos Aires;

• Argentina.

b. Artículos

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São elementos que vem antes de um substantivo para designar o seu gênero e número. Em espanhol existe o artigo neutro que é representado por “lo”. Exemplos:

• El día está lindo;

• Un día conoceré Barcelona;

• La pantalla está rota;

• Quiero escuchar una canción más tranquila;

• Lo mejor de la vida es amar a si mismo.

c. Adjetivo

Essa classe de palavras é responsável por qualificar um substantivo.

Por outro lado, também pode variar de acordo com o gênero (masculino e feminino) e número (singular e plural). Exemplos:

• El día está muy lindo;

• Mi papá es muy alto;

• Estamos muy cansados;

• Mi madre es alegre.

d. Pronombre

Existem vários tipos de pronomes, eles são divididos em:

• Personal (Yo, tú, él etc);

• Posesivo (Mi, tu, su, nuestro etc);

• Demostrativo (Este, ese, Aquél);

• Interrogativo (Que, cual etc);

• Relativo (Cuyo etc);

• Indefinido (Alguien, nadie etc).

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Veja agora alguns exemplos:

• Yo soy Pablo;

• Mi vecino es muy amable;

• Esta casa es mía;

• ¿Qué día es hoy?

• ¿Alguien quiere galletitas?

e. Numeral

Essa classe gramatical se relaciona diretamente com a quantidade nos seus mais variados contextos. Veja os exemplos:

• Yo fui el segundo en llegar:

• Vivimos en el noveno piso;

• Quiero media docena de huevos;

• Tengo treinta años.

f. Verbos

Indicam ações, estados e fenômenos e talvez seja a classe gramatical mais complexa devido a sua própria estrutura. Os verbos apresentam três modos:

• Indicativo;

• Subjuntivo;

• Imperativo.

Por outro lado, eles apresentam três tempos:

• Presente;

• Passado;

• Futuro.

Veja alguns exemplos:

• Viviré em Roma muy pronto;

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• Yo tengo dos gatos;

• Nosotros estudiamos en España el año pasado.

g. Adverbio

São palavras que são chamadas de modificadoras porque podem mudar o sentido da oração. Exemplos:

• LLEGUÉ temprano hoy;

• ¿Saldremos mañana al parque?;

• Ayer estudiamos juntos.

• Mañana habrá tormenta.

h. Preposición

Essa classe de palavras é responsável por ligar dois elementos em uma oração. Veja os exemplos abaixo:

• Me voy a Madrid;

• Eso es para ti;

• Voy a la universidad en auto;

• Yo trabajo con mi primo.

i. Conjunción

Essa definição se parece muito com a preposição, no entanto, para essa classe de palavras, devemos entender que ela une termos ou orações que apresentam o mesmo valor gramatical.

• Me gusta comer carne y pescado;

• Yo estudio pero me gustaría hacer una pasantía;

• Aunque soy/sea brasileño, hablo español.

j. Interjección

É uma clase de palavra que apresenta um tom de palavra específico, que é a exclamação.

• ¡Che! ¿Qué es esto?;

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• ¡Enhorabuena!;

• ¡Dale!

IMPORTANTE:

Gostaríamos de reforçar que as classes de palavras foram estudadas de forma introdutória visto que cada classe tem a sua respectiva particularidade e divisão. Entender a definição a nível introdutório de cada uma delas com os seus respectivos exemplos faz com que você entenda ainda mais o uso da coesão nos textos escritos em língua espanhola.

Com respeito a coerência, podemos entendê-la como um conjunto de ideias, um conjunto de informações que apresentam sentido, que apresentam ideias agrupadas e uniformidade. Fávero (1983) afirma que a coesão se manifesta através da macro textualidade, ou seja, ela pode ser vista de uma forma mais ampla, sem analisar com muitos detalhes a análise textual, por exemplo. Como foi mencionado anteriormente, a coerência está mais relacionada com o sentido das palavras, a junção das orações no processo de formação de um texto. Para entender o que está sendo dito, observe o exemplo abaixo:

Exemplo 1

La recesión de 2009 aplicadas contra el COVID-19 puede teniendo una fuerte parecer una simple anécdota si lo comparamos con la caída del PIB que se Las consecuencias avecina para el economía mundial. anho en curso. econômicas derivadas de las medidas aplicadas contra el COVID-19, están repercusión en la mundial.

[…]

Adaptado de: https://bit.ly/352iNDO

(37)

NOTA:

O exemplo supracitado se trata de uma adaptação.

Modificamos a estrutura do texto original para exemplificar um caso de coerência.

Entenda, analisando esse exemplo, o papel da coerência textual.

Nesse caso a correta transmissão da informação não foi finalizada por falta de coerência, ou seja, além de erros gramaticais, podemos encontrar erros na estrutura da própria composição da informação. Em outras palavras, analisando essa mensagem a um nível macrotextual, temos um problema de coerência e a um nível gramatical, um problema de coesão.

Veja logo abaixo o texto original:

La recesión de 2009 puede parecer una simple anécdota si lo comparamos con la caída del PIB que se avecina para el año en curso. Las consecuencias económicas derivadas de las medidas aplicadas contra el COVID-19, están teniendo una  fuerte repercusión en la economía mundial.

[…]

Fonte: https://bit.ly/352iNDO

Vejamos agora outro exemplo de um texto sem coerência:

Exemplo 2

El territorio de España ocupa la mayor parte de la  Península Ibérica, junto con sus territorios insulares (Islas Baleares e Islas Canarias) y Ceuta y Melilla, en el Norte de África. España cuenta ya con 35.000 robots industriales y en 2016, último año en que se tiene datos pormenorizados, vendió 3.900 robots al exterior y adquirió 3.221 unidades. Son estadísticas de la Asociación Española de Robótica y Automatización (AER) que colocan a España como sido la séptima potencia mundial en robótica este año.

[…]

Fonte: https://bit.ly/2U1S1oo

(38)

Podemos ver através desse exemplo um texto que respeita as regras gramaticais, e apresenta uma estrutura compreensível, no entanto, estamos falando de um texto com dois temas distintos, com duas ideias diferentes, portanto, estamos falando de um texto sem coerência.

RESUMINDO:

Nesta terceira seção você estudou a coerência e coesão em língua espanhola. Por um lado, você viu que a coesão se relaciona diretamente com as classes de palavras/

classes gramaticais e por outro você viu que a coerência pertence mais a estrutura macrotextual e se relacionada com a homogeneização, a uniformidade de um texto. Até a próxima.

(39)

O Texto Escrito e o Texto Falado em uma Aula de ELE

INTRODUÇÃO:

Estimado aluno, ao término desta seção você será capaz de reconhecer a estrutura de dois exames de proficiência internacional de ELE – Espanhol língua estrangeira. Você verá como é que a produção textual é abordada nesses exames e de que forma através de exemplos práticos e reflexões sobre o tema. .

A Composição Textual nos Exames de Proficiência em Língua Espanhola

Vimos anteriormente os gêneros discursivos e os principais tipos de texto, por outro lado, você também estudou aspectos da coerência e coesão em língua espanhola. Todos esses itens estudados até o momento nos levam a um único caminho: a produção de texto (focamos principalmente na modalidade escrita).

Um professor de ELE deve conhecer vem o grupo que está trabalhando e principalmente conhecer o objetivo de cada um e as suas expectativas. Isso é importante porque alguns estudantes desejam aprender espanhol somente para fazer uma viagem, no entanto, existem outros estudantes que desejam estudar o idioma em algum país hispano e para isso necessitam mostrar proficiência no idioma. No decorrer desta seção serão abordados dois exemplos de proficiência em língua espanhola e quais são os seus principais critérios de avaliação.

Para que você entenda de forma mais clara o que está sendo abordado, imagine que um estudante quer fazer um Mestrado em outro país e precisa comprovar o seu conhecimento em língua espanhola para poder acompanhar as aulas.

(40)

Para começar, é importante que você saiba que dependendo do país de escolha, pode existir uma prova específica para cada caso e como exemplo, vamos falar da Argentina e da Espanha.

NOTA:

O que será apresentado logo abaixo são informações sobre dois exames de proficiência e o nosso objetivo é fazer com que você reflita sobre como esses exames abordam a produção textual dos alunos que não têm o espanhol como língua materna.

Certificado de Español Lengua y Uso (CELU)

Bem, então começamos com a Argentina. Se você quiser estudar no país do tango, boa parte das universidades pedem um exame de proficiência e geralmente o exame solicitado é o CELU (Certificado de Español Lengua y Uso), no entanto, se você tiver o DELE (Diploma de Español como Lengua Extranjera) – diploma emitido pelo governo espanhol, esse diploma também é aceito.

Figura 13 : Exames

Fonte: @pixabay.

(41)

Como você já sabe, quando aprendemos uma língua estrangeira, aprendemos as quatro habilidades, não é mesmo? Pois bem, esses exames também exigem o uso das quatro habilidades para obter o diploma.

Antes de seguir com o assunto, é necessário entender a nível teórico o que seria um exame de proficiência. De acordo com o CELU (2004), ser proficiente é poder usar a língua de maneira adequada em situações reais para cumprir com a finalidade comunicativa proposta. Esse tipo de exame avalia a competência linguística dos alunos a um nível oral e escrito através do uso de documentos autênticos e situações de comunicação previamente estabelecidas.

VOCÊ SABIA?

Você sabe o que significa um documento autêntico em língua estrangeira? Bem, esse tipo de documento indica que “é real”, ou seja, é veiculado em um determinado país. O documento autêntico pode ser visual, escrito e audiovisual, por exemplo.

Pois bem, uma vez que você já sabe que esse exame engloba os aspectos orais e escritos, ele é dividido em três níveis:

• Básico;

• Intermedio;

• Avanzado.

O nível do aluno é decidido através da correção da prova do aluno e sempre é feito com dois ou mais professores. Enfim, esse exame apresenta as principais características (levando em consideração tanto a parte escrita quanto a parte oral):

• Adequação contextual, descritiva, morfossintática e léxica;

• Identificar o nível que o aluno se encontra através do uso das quatro habilidades;

(42)

• Desenvolvimento de exercícios através de materiais autênticos (tanto oral como escrito) para avaliar o desenvolvimento linguístico do aluno na língua meta.

Como foi mencionado anteriormente, esse exame é dividido em três níveis e cada nível apresenta as seguintes características:

Figura 14 : Níveis do CELU

Fonte: CELU (2014).

a. Básico

Esse nível é dado para o aluno que é capaz de se comunicar em um contexto do cotidiano, ou seja:

• Ir ao supermercado;

• Pedir a conta;

• Escrever um bilhete;

• Dar e pedir uma informação etc.

(43)

O aluno de nível básico, capta o sentido geral da mensagem e a deduz através do seu contexto.

b. Intermedio

Nesse nível, o aluno tem mais autonomia para se expressar, principalmente expressar sua opinião sobre um determinado assunto.

Nesse nível, o aluno consegue escrever textos mais elaborados, como por exemplo um texto narrativo ou descritivo. Esse nível comprova que o aluno:

• Compreenda textos informativos;

• Saiba escrever textos com certa complexidade;

• Participe de conversas com nativos sobre o cotidiano ou temas específicos;

• Fundamenta sua opinião e discute a de outras pessoas.

c. Avanzado

O aluno chega a esse nível quando ele possui uma comunicação fluida no idioma tanto na parte escrita quanto na parte oral. Além de conhecer aspectos gramaticais, o mesmo também deve conhecer alguns aspectos culturais do país. Nesse nível, a compreensão leitora do aluno é ampla e variada. As principais características desse nível são:

• Distinção de registros formais e informais;

• Discussões formais e informais entre nativos;

• Conhece os gêneros acadêmicos e sabe produzi-lo.

NOTA:

Os níveis desse exame foram explicados baseados principalmente no processo de produção escrita do aluno.

É importante destacar que as universidades exigem o exame de proficiência nível intermediário ou avançado (isso vai depender de cada instituição).

(44)

Uma vez que você estudou as principais características dos níveis do CELU você deve estar se perguntando como está composta esta prova, não é mesmo? Primeiro, gostaríamos de esclarecer que estamos abordando somente a competência escrita e para conhecer a prova como um todo, entre no site correspondente.

ACESSE:

Para conhecer mais sobre esse exame, acesse o link.

Disponível em: https://www.celu.edu.ar/

Uma característica muito importante desse exame é que a produção auditiva consiste em ouvir o documento autêntico que corresponde para logo em seguida produzir um texto. Vejamos agora alguns exemplos de exercícios desse exame:

Exemplo 1 – Produção auditiva e Produção escrita

Usted escuchará el fragmento de un programa radial llamado

“Investigación Nacional” (Argentina, 19/1/2010) que se pasará dos veces.

En la página siguiente, usted tiene una hoja en blanco para tomar notas, si las necesita.

Fonte: https://bit.ly/3k9kLqg

Exemplo 2 – Produção auditiva e Produção escrita

Usted participó como público en la propuesta cultural que se describe en el programa de radio. Envíenles un correo electrónico a los organizadores del proyecto para contarles en qué oportunidad presenció el evento y qué opina de la propuesta.

Fonte: https://bit.ly/3k9kLqg

Exemplo 3 – Produção escrita

Usted trabaja en la editorial que va a publicar la versión en español del libro “El himno de batalla de la madre tigre” mencionado en el artículo siguiente. Redacte un texto de presentación que aparecerá en la contratapa del libro de Amy Chua traducido al español.

(45)

Fonte: https://bit.ly/3k9kLqg

Exemplo 4 – Produção escrita

La Fundación del Libro ha realizado una encuesta sobre los hábitos de lectura de la población. Usted, como investigador, tome los datos de los gráficos y escriba un informe de los resultados de la encuesta, para ser publicado en la revista “Argentina lee”.

Fonte: https://bit.ly/3k9kLqg

Através desses quatro exemplos, podemos afirmar que esse exame:

• Trabalha com os mais variados gêneros discursivos;

• A atividade auditiva está relacionada com a produção de textos;

• O nível do aluno é determinado nessa competência baseado no que ele escreve, ou seja, não existem questões de múltipla escolha exatamente para o aluno se expressar de forma fluida.

Diploma de Español como Lengua Extranjera (DELE)

O Diploma de Español como Lengua Extranjera é um exame realizado pelo Instituto Cervantes e eles estão desenhados de acordo com as diretrizes do marco comum europeu (MCER) e por outro lado, esse exame está relacionado com o plano curricular de ensino do Instituto Cervantes – Níveis de Referência para o espanhol (NRE).

ACESSE:

Para saber um pouco mais sobre essa prova, acesse o link.

Disponível em: https://bit.ly/2JHGhpp

(46)

Em linhas gerais, os níveis estão distribuídos da seguinte forma:

a. Básico

• A1;

• A2.

b. Intermedio

• B1;

• B2.

c. Avanzado

• C1;

• C2.

NOTA:

Não vamos detalhar esses três níveis visto que eles já foram abordados anteriormente. O fato de se tratar de um outro exame, os critérios para considerar que o aluno apresenta um nível básico são mudam se compararmos com o exame CELU.

Esse exame é adotado por várias instituições e além de facilitar o acesso do aluno nas universidades espanholas, ele também facilita na promoção laboral. Vejamos logo abaixo alguns exemplos de como a produção escrita está composta nessa prova:

NOTA:

Para exemplificar, escolhemos o nível B2, ou seja, um nível intermediário do idioma (que também é considerado o nível mínimo para poder estudar em uma universidade espanhola).

(47)

Nesse exame, notamos claramente a divisão das quatro habilidades e boa parte dos exercícios são de múltipla escolha, exceto, obviamente, a produção escrita. Acompanhe alguns exemplos:

Exemplo 5 – Produção escrita

Usted colabora con una revista universitaria y le han pedido que escriba un artículo sobre las actividades culturales que realizan con más frecuencia los jóvenes universitarios. Redacte un texto en el que deberá:

• comentar la importancia que tiene el ocio cultural para los jóvenes;

• comparar de forma general los porcentajes de las distintas actividades culturales;

• destacar los datos que considere más relevantes;

• expresar su opinión sobre la información recogida en el gráfico;

• elaborar una conclusión.

Fonte:https://bit.ly/3520MFC

Exemplo 6 – Produção escrita

Usted escribe en un blog sobre teatro. Ayer asistió a una obra que se estrenó en su ciudad y debe escribir una crítica. Redacte un texto en el que deberá:

• hacer una pequeña introducción sobre la importancia del teatro infantil;

• valorar la interpretación de los actores;

• contar cómo reaccionó el público que asistió al espectáculo;

• elaborar una opinión personal sobre la obra de teatro.

Fonte: https://bit.ly/3520MFC

(48)

O que você achou desses dois exames que modelo você acha mais

completo para abordar a produção escrita?

RESUMINDO:

Nesta última seção, você estudou como a produção textual está configurada nos exames de proficiência CELU e DELE.

Você também viu exemplos práticos extraídos dos próprios exames em questão assim como as suas principais características e como abordam a escrita em cada um dos casos. Até a próxima!

(49)

REFERÊNCIAS

CELU. Certificado de Español Lengua y Uso. Disponível em:< https://www.

celu.edu.ar/>. Acesso em: 09 de maio de 2020.

FÁVERO, Leonor Lopes. Coesão e coerência textuais. São Paulo: Ática, 2003.

KOCH, Ingedore G. Villaça. Linguística textual: introdução. 5. ed. São Paulo:

Cortez, 2000.

GRAMSI, A. (1975). Cuadernos de la cárcel. Puebla-Era: Universidad Autónoma de Puebla-Era.

GREIMAS, Algirdas J. Las Relaciones entre la lingüística estructural y la poética. In: SAZBÓN, J. (org). Lingüística y communicación. Buenos Aires:

Nueva Visión, 1971.

GREIMAS, Algirdas J.; COURTÉS, Joseph (2008) Dicionário de semiótica.

Trad. Alceu D. Lima, Diana L. P. De Barros, Eduardo P. Cañizal, Edward Lopes, Ignacio A. da Silva, Maria José C. Sembra, Tieko Y. Miyazaki. São Paulo: Contexto.

GREIMAS, Algirdas. J.; FONTANILLE, Jacques. Semiótica das paixões. São Paulo: Ática, 1993.

HYMES, D. Language in Culture and Society. New York: Harper and Row, 1964.

KOCH, Ingedore. A coesão textual. 19. ed. São Paulo: Contexto, 2010.

MARCUSCHI, L.A. Linguística de Texto – o que é e como se faz. Recife:

Série Debates 1, Universidade Federal de Pernambuco, 1983.

Pixabay. Casarão. Disponível em < https://pixabay.com/pt/photos/

restaurante-pessoas-comer-690975/>. Acesso 5 mai. 2020.

Exames. Disponível em < https://pixabay.com/pt/illustrations/papel- bagun%C3%A7ado-notas-abstract-3033204/>. Acesso 5 mai. 2020.

Fábula. Disponível em < https://pixabay.com/pt/photos/ab%C3%B3bora- treinador-transporte-17662/>. Acesso 5 mai. 2020.

(50)

Notícia. Disponível em < <https://pixabay.com/pt/photos/restaurante- pessoas-comer-690975/>. Acesso 09 mai. 2020.

Receptor. Disponível em < https://pixabay.com/pt/photos/restaurante- pessoas-comer-690975/>. Acesso 5 mai. 2020.

Restaurante. Disponível em: <https://pixabay.com/pt/photos/restaurante- pessoas-comer-690975/>. Acesso 5 mai. 2020.

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Francisco Thibério Arruda Sales

Avançado

Referências

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