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Ciênc. saúde coletiva vol.10 número3

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Academic year: 2018

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Humanização e cuidado em saúde

Diante dos inúm eros obstáculos que hoje se apresentam para a assistência à saúde no País, sejam de ordem financeira, política, organizativa ou ética, coloca-se em pauta o fundamental debate sobre a qualidade da atenção prestada. Qualidade esta que diz res-peito de maneira indissociável ao emprego de tecnologias, saberes, recursos considerados adequados e disponibilizados num contexto singular: o do encontro entre quem sofre, sejam in divíduos ou populações, e aqueles que se dedicam a m itigar este sofrim en to, profissionais de saúde, gestores ou técnicos.

Trata-se de uma proposta que busca aprofundar uma análise crítica das lógicas e re-lações que dão form a e sentido ao m odelo vigente de produzir os cuidados em saúde. Crítica construtiva, estrategicamente propositiva. Sob o amplo e polissêmico termo de “humanização” potencializam-se essas novas propostas da atenção à saúde da criança, da mulher, da população enfim. Propostas que põem em destaque o respeito à diferença, a valorização do protagonismo dos sujeitos (profissionais e pacientes) e a centralidade do diálogo.

O debate que envolve a humanização aposta em processos relacionais re-significados, tendo como horizonte uma maior reciprocidade entre as expectativas de vida, de felici-dade e a produção dos cuidados. O processo terapêutico, neste sentido, ganha em vali-dade cultural e afetiva, ampliando sua legitimivali-dade.

Entretanto, como toda proposta que é diretriz teórico-filosófica, campo discursivo, mas também se materializa em ação institucionalizada, demanda uma análise de sua in-corporação, leituras e apropriações no cotidiano dos serviços. Como as propostas de hu-manização são incorporadas às regras, hierarquias, negociações das instituições de saúde? Como as “políticas de humanização” se transformam em ação prática e como são rene-gociadas pelos sujeitos nesta ação prática? Analisar obstáculos e potencialidades à luz das experiências torna-se exame dialeticamente necessário.

Que poten cial de tran sform ação de um m odelo tecn o-assisten cial estas propostas contêm e como afetam seus agentes? Este número temático traz o debate à tona, convi-dando a um olhar crítico que se redimensiona na ação política dos discursos e na materia-lidade das dinâmicas de atenção produzidas nos serviços de saúde do país.

Suely Ferreira Deslandes

e José Ricardo de Carvalho Mesquita Ayres

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