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IV EREEC Teresina - PI 15 a 17 de agosto de 2018

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15 a 17 de agosto de 2018

ACESSIBILIDADE E HUMANIZAÇÃO NA PRAÇA PORTUGAL

Patricia Correa de Sousa ([email protected]) Pedro Henrique Gomes Feitosa ([email protected])

Mônica Simioni ([email protected])

Resumo: A pesquisa realizou estudo sobre a acessibilidade na Praça Portugal, na cidade de Fortaleza, capital cearense. A partir da reflexão sobre a dimensão humana das cidades contemporâneas, foi realizada uma pesquisa de campo a fim de averiguar a aplicabilidade da NBR 9050/2015. Teve por base a metodologia utilizada por grupo de estudo, orientado pela professora Zilsa Maria Pinto Santiago, sobre desenho universal da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Ceará (UFC). O estudo tem como objetivo analisar a qualidade da aplicação da acessibilidade realizada na Praça Portugal, após a realização da última reforma em 2016. Com isso, todos os segmentos sociais, incluindo, principalmente, as pessoas portadoras de deficiência, possam alcançá-la e usufruí-la sem limitações em seu percurso. Trata-se de um estudo exploratório, qualitativo e quantitativo, com realização de pesquisa exploratória, juntamente com a elaboração e aplicação de um questionário com os frequentadores da Praça Portugal. Realizou-se ainda uma revisão bibliográfica. Além disso, foram feitas diversas visitas em campo para a produção de registros fotográficos e para vivência com muletas e vendas. Ademais, execução de visita para aplicação de um checklist feito pelo próprio grupo. Apesar de estar mantendo um bom estado de conservação e boas condições de revestimento, concluiu-se que a Praça Portugal apresenta acessibilidade limitada, comprometendo sua vocação enquanto lugar de encontro entre indivíduos.

Palavras-chave: Acessibilidade. Praça Portugal. Fortaleza.

INTRODUÇÃO

O presente projeto teve início com o Grupo de Estudos “Cidade, Engenharia e Processos Sociais: a re- alidade Fortalezense”. A partir de estudos aprofundados no segmento da acessibilidade, do parâmetro social contemporâneo local e estudo do livro “Cidades para pessoas” (GEHL, 2014), percebeu-se a importância de estudar os temas nas praças públicas da cidade de Fortaleza e enxergar o que tem de mais importante: sua di- mensão humana, as oportunidades de encontro que ocorrem nos espaços de vivência das relações cotidianas e como esses territórios precisam ser estruturados para que essa dimensão não se perca.

O espaço público é considerado um local de posse comum e uso de todos os habitantes de tal região.

Entendendo-se cidade como ponto de encontros, feita para uso das pessoas que nela residem, os espaços pú- blicos formam o eixo determinante nesse contexto. Nele se desenvolvem atividades de interação entre os di- versos grupos que compõem a cidade, trocam experiências e conhecimentos de outras vivências. Portanto, sua existência é de grande importância para a formação cultural conjunta e compartilhada entre todos os ci- dadãos.

Durante décadas a dimensão humana tem sido negligenciada, enquanto o crescente tráfego de automó- veis estava efetivamente acabando com o restante da vida urbana para fora do espaço público, decorrente do advento do modernismo na década de 1960, descaracterizando o espaço público como local de encontro entre pedestres.

Acessibilidade é definida pela NBR 9050/2015 como sendo a “possibilidade e condição de alcance,

percepção e entendimento para utilização, com segurança e autonomia, de espaços, mobiliários, equipamen-

tos urbanos, edificações, transportes, informação e comunicação, inclusive seus sistemas e tecnologias, bem

como outros serviços e instalações abertos ao público, de uso público ou privado de uso coletivo, tanto na zo-

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na urbana como na rural, por pessoa com deficiência ou mobilidade reduzida”

1

. Nesse contexto, o conceito de acessibilidade avançou e envolve não apenas o ambiente físico, mas também as edificações, os transportes e o acesso aos meios de comunicação.

Por esse viés, o projeto trata da praça pública no âmbito da acessibilidade, visando avaliar a Praça Por- tugal como bem comum à população, de acordo com os elementos presentes na NBR 9050/2015, e também adotando as ideias de GEHL (2014) da escala humana, que favorece “bons espaços urbanos”, e a dimensão hu- mana, que prioriza o convívio entre as pessoas, e, assim, classificá-la acessível ou não.

A definição da Praça Portugal como objeto de estudo se deve ao fato de ela ter sido alvo de uma grande e polêmica reforma em setembro de 2016, e também devido à sua localização num dos bairros de classe mé- dia alta da cidade, a Aldeota, cujo Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) é 0, 915, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (IPEA).

Assim, foi realizada uma pesquisa exploratória sobre a qualidade da aplicação da acessibilidade realiza- da na Praça Portugal, com base na NBR 9050/2015 e nas ideias de uma cidade mais humana de Gehl, com uma definição prévia de prioridades e critérios estabelecidos a serem aplicados em praças públicas com base nas variáveis utilizadas no artigo científico “Acessibilidade no espaço público: o caso das praças de Fortaleza”

2

, do grupo de estudo do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Ceará. Também foi ela- borado e aplicado um questionário com os frequentadores da Praça Portugal com o objetivo de saber a opinião dos mesmos sobre a acessibilidade, dimensão humana e as condições da praça atualmente. Realizou-se ainda, uma revisão bibliográfica. Além disso, foram feitas diversas visitas em campo para realização de registros fo- tográficos e para vivência com muletas e vendas com todos os membros do grupo, além da realização de visita para aplicação do checklist de autoria do grupo.

1. DESENVOLVIMENTO

Esta pesquisa é relevante por se tratar de um assunto não muito comum nas engenharias: a reflexão de se construir uma cidade inclusiva, voltada para o bem-estar das pessoas, e não apenas preocupada com a ex- pansão de vias para veículos.

Diariamente cresce o número de portadores de deficiências em Fortaleza e, devido a isso, o tema aces- sibilidade foi de grande interesse dos integrantes do grupo de estudo “Cidade, engenharia e processos sociais:

a realidade fortalezense”. Como futuros engenheiros, consideramos que não há desenvolvimento urbano sem planejar uma cidade onde a premissa seja a de que todos os segmentos sociais que a compõe possam usufruí- -la sem que haja a presença de obstáculos em seu caminho.

Nessa perspectiva, voltamos o nosso olhar para as praças públicas de Fortaleza, analisando e verificando se a Praça Portugal está adequada para receber toda a diversidade de segmentos da população. Além disso, é preciso que a nossa consciência, como profissionais da construção civil, se baseie em soluções para as pessoas, criar obras que se adequem às necessidades da população em primeiro lugar.

Conforme Gehl aponta: “O natural ponto de partida do trabalho de projetar cidades para pessoas é a mo- bilidade e os sentidos humanos, já que estes fornecem a base biológica das atividades, do comportamento e da comunicação no espaço urbano” (2014: p. 33).

O estudo tem como ponto de partida a reforma na Praça Portugal que foi alvo de diversas manifestações antes da aprovação de seu projeto, envolvendo visões que colocavam em lados opostos ideias sobre a cida- de que queremos: soluções para melhorar fluxos viários ou para a manutenção de sua história e memória? Os R$ 6 milhões investidos na elaboração e execução do projeto atenderam, de fato, a sociabilidade das pessoas?

De acordo com a NBR 9050/2015, acessibilidade é a possibilidade e condição de alcance, percepção e entendimento com segurança e autonomia de edificação, espaço, mobiliário, equipamento urbano e elemen- tos

3

. No Brasil, conforme o Censo 2010

4

, 23,9% da população brasileira possuía pelo menos umas das seguin- tes deficiências: visual, auditiva, motora, mental ou intelectual.

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Item 03 da NBR 9050/2015 (p. 2).

2

Disponível em: <http://www.repositorio.ufc.br/bitstream/riufc/22651/1/2015_art_zmpsantiago.pdf>. Acessado em 04/03/2017.

3

Item 03 da NBR 9050/2015 (p. 2).

4

Disponível em: www.ibge.gov.br/.

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Gráfico 1.

População residente no Brasil, por tipo de deficiência

Fonte: Elaboração dos autores (IBGE - Censo 2010).

No Ceará, a taxa de prevalência de pessoas com pelo menos uma das deficiências investigadas foi de 27,69%, o que aumenta a necessidade de mais estudos sobre o tema, diagnósticos e ações de políticas públicas voltadas para aperfeiçoar o caráter inclusivo das cidades.

Gráfico 2.

População residente no Ceará, por tipo de deficiência.

Fonte: Elaboração dos autores (IBGE - Censo 2010)

Segundo o Censo, na cidade metropolitana de Fortaleza, cerca de 646.493 pessoas apresentam pelo me- nos uma das deficiências investigadas, que representa 26,36% da população.

Gráfico 3.

População residente em

Fortaleza, por tipo de deficiência.

Fonte: Elaboração dos autores (IBGE -

Censo 2010)

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Segundo o IBGE, os tipos de deficiência são: deficiência visual (i),que não consegue enxergar de modo algum, ou com grande ou alguma dificuldade; deficiência auditiva (ii), consegue ouvir de modo algum, com grande ou alguma dificuldade; deficiência motora (iii), com os mesmos tipos de variações; e a mental/intelec- tual (iv), da mesma forma.

1.1 Dimensão Humana

Segundo GEHL (2014), “nos últimos 50 anos, a dimensão humana foi seriamente negligenciada no pla- nejamento urbano”. Contra o modelo das cidades modernistas – entre elas, Brasília –, o autor analisa casos de cidades planejadas para as pessoas, onde as formas são equilibradas e harmônicas, favorecendo encontros sau- dáveis e qualidade de vida para todos os cidadãos. Para o autor, cidade e pessoas se relacionam constantemente em processos dinâmicos que influenciam o sentimento de pertencimento nos indivíduos.

“Agora, no início do século XXI, podemos perceber os contornos dos vários e novos desafios globais que salientam a importância de uma preocupação muito mais focalizada na dimensão humana. A visão de ci- dades vivas, seguras, sustentáveis e saudáveis tornou-se um desejo universal urgente.” (GEHL, 2014: p. 6) A dimensão humana abordada por Gehlaponta como fundamental à qualidade de vida na cidade, o que se reflete na escala e nos espaços urbanos, permitindo aos moradores usufruir, em conexão com suas ativida- des corriqueiras, de mais opções para caminhar, pedalar e se encontrar.

Para GEHL (2014), a qualidade de vida nas cidades se reflete na escala dos espaços, nas ruas, praças e parques, que vai tornando a cidade cada vez mais viva e convidativa para as pessoas. Na cidade de Copenha- gue, capital da Dinamarca, foi desenvolvido por muitos anos o estímulo ao uso de bicicletas, e no ano de 2005 um maior número de bicicletas do que de carros entrava e saía da zona central da cidade durante as horas de pico. No ano de 2008, numa pesquisa sobre o percurso indo e vindo para o trabalho e/ou a escola naquela ci- dade, cerca de 4% da população fazia o percurso andando, 37% de bicicleta, 31% de carro e 28% de ônibus.

Floriculturas, cafeterias, bares, lojas e boulevares fazem das ruas da cidade um bom lugar. Copenhague é cidade que ostenta o título da cidade mais feliz do mundo por ter um dos mais altos níveis de vida e oferecer bem-estar aos habitantes.

1.2 Praça Portugal

A Praça Portugal, localizada no bairro Aldeota, na cidade de Fortaleza, foi inaugurada no ano de 1968 ocupando uma área de 13,44 m². A criação da Praça foi autorizada entre abril e dezembro de 1947, o local es- colhido foi o Loteamento Lydiápolis, num terreno adjacente ao que seria construída a Praça Nunes. A primeira planta local apresentada por Antônio Cristalino do Plano de Urbanização de Fortaleza mostrando a conveniên- cia da substituição do local da praça, que mostra ainda os primórdios do que viriam ser as avenidas Desembar- gador Moreira (primeiramente denominada Avenida Otto de Alencar) e Dom Luís, que se chamava Rua Farias Brito, localizando-se a Praça Nunes Weyne no cruzamento de ambas. Foi construída pela Superintendência Municipal de Obras e Viação (SUMOV), a praça contava com uma fonte, uma ponte, postes, bancos. Osten- tando ainda, um lago artificial e um grande obelisco.

A Praça Portugal passou pela reforma em 1980, quando o lago ganhou um mural com uma caravela por- tuguesa. Em 2014, a Prefeitura Municipal de Fortaleza anunciou a reforma da Praça Portugal, o projeto de re- forma foi alvo de diversas manifestações da população devido à proposta de remover a rotatória e criar outras quatro praças menores nas laterais do cruzamento. As quatro praças menores teriam juntado 10,2 mil metros quadrados, ficando 35% maior. Além disso, outras mudanças seriam feitas: as vias internas até as quatro pe- quenas praças seriam incorporadas a área de cada praça, ou seja, as quatro praças laterais seriam estendidas até as calçadas. Haveria ainda uma passagem de pedestre elevada e ciclo faixa contínua. No entanto, a população manifestava com o intuito de manter o patrimônio histórico e preservar o legado cultural existente na praça.

Sendo assim, o projeto aprovado e executado manteve a rotatória, porém modificações foram feitas, como o

raio da praça reduzido em quatro metros, implementação de faixas e sinalizações, equipamentos de lazer, sinais

sonoros, e um grande aumento na arborização, segundo a Secretaria Municipal de Urbanismo e Meio Ambien-

te (SEUMA), um aumento de 90%. A Esfera Armilar, símbolo português, foi mantida em seu centro.

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A reinauguração do local contou com uma homenagem à comunidade portuguesa. Para este momen- to, Sr. Ivens Dias Branco foi prestigiado em memória com um monumento de sua imagem em uma estátua de bronze no centro da praça. A escolha do Ivens Dias Branco se dá devido ao fato, de seu pai pela sua história com Portugal, tendo em vista que seu pai, Manuel Dias Branco, é de nacionalidade portuguesa e edificou, jun- to com Ivens uma das maiores empresas de alimentos do Ceará e do Brasil.

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1.3 Hoje

O projeto atual contou com quatro construtoras responsáveis pela reforma e manutenção do equipamen- to. As empresas possuem empreendimentos no entorno, e cada uma delas ficaram responsáveis por um espaço, entre a rotatória e as quatro praças laterais, cujo valor global para as empresas foi de R$ 6 milhões. A obra foi iniciada no mês de maio de 2016 com conclusão no mês de agosto do mesmo ano.

Com base nos critérios pré-estabelecidos na NBR 9050/2015, a presente pesquisa realizou uma análise da estrutura da Praça Portugal. A ficha de análise seguiu os seguintes elementos: Quanto ao passeio, quanto às travessias e guias rebaixadas, sobre a vegetação, sobre o piso tátil de alerta e direcional contendo ainda espa- ços para observações e anotações.

Foram ainda abordados na ficha de análise os mobiliários urbanos e outros elementos presentes no espa- ço urbano (telefones públicos; caixas de correio; bancos; lixeiras; banca de revista/jornal; jardineiras; pontos de ônibus; semáforo sonoro; placas; postes; barreiras aéreas ou no piso). Na aplicação do check list (apêndice A), utilizou-se como ferramentas para a vivência vendas e muletas para analisar as condições da Praça, tam- bém, foi utilizada a fita métrica para auxiliar no cálculo de inclinação das rampas, sendo até 8,33% o recomen- dado, de acordo com a NBR 5090/2015.

Como apresentado no apêndice A, foi observado nos passeios da praça se há existência de revestimento, o tipo e o estado de conservação. Na Praça Portugal foi constatado a aplicação de revestimento de piso, que são de dois tipos: Piso Intertravado de Concreto Retangular, também conhecido como Piso Intertravado Tijolinho/

Paver ou Bloquetes, e o Revestimento de Pedra Portuguesa, ambos em bom estado de conservação.

Verificou-se também, que a Praça Portugal apresenta pelo menos duas rotas acessíveis, no entanto, nas rotas não foram implementadas guias e pisos direcionais de acordo com a NBR 9050/2015, pois em um dos acessos à praça, não existe um piso de alerta para que o deficiente visual perceba que a rua está próxima e a uma distância segura.

Em seguida, foi feita a análise das travessias e guias rebaixadas na Praça. Segundo a NBR 9050/2015, os rebaixamentos das calçadas devem ser construídos na direção do fluxo da travessia de pedestres. A inclina- ção deve ser constante e não superior a 8,33% (1:2) no sentido longitudinal da rampa e na rampa das abas la- terais. A largura mínima do rebaixamento é de 1,5 m, sendo tolerável a largura mínima de 1,20 m em calçadas estreitas, quando a largura do passeio não for suficiente para acomodar o rebaixamento e a faixa livre. Na Pra- ça Portugal, a inclinação da rampa foi medida com auxílio da trena métrica de laser e obteve um valor inferior a 8,33/%. Concluindo, assim, que a rampa atende a exigência da norma.

Ainda sobre guias de rebaixamento, é necessário observar o desnível entre o término do rebaixamen- to da calçada e o leito carroçável. Em vias com inclinação transversal do leito carroçável superior a 5%, deve ser implantada uma faixa de acomodação de 0,45m a 0,60 m de largura ao longo da aresta de encontro de dois pontos inclinados em toda a largura do rebaixamento. No caso da praça, observou-se que não há rebaixamento entre o leito carroçável e a calçada, ou seja, ambas seguem no mesmo nível.

Quanto às abas laterais da rampa, que devem ter largura mínima de 50 cm e inclinação de 10%, a análise feita mostrou que os valores encontrados são menores que a exigência da norma regulamentadora.

Observou-se ainda, a inexistência do corte do canteiro central para acessar as praças laterais e, também, a falta de uma rampa de acesso, que inviabiliza o uso da mesma, já que dificulta o acesso para um deficiente visual e impede a passagem de um cadeirante.

Outro elemento analisado foi o estacionamento. Segundo a Resolução do Conselho Nacional de Trânsi- to (CONTRAN), a vaga especial é um direito por Lei Federal, que determina que 5% do total de vagas do es- tacionamento regulamentada sejam destinadas a idosos e 2% aos portadores de deficiência. Porém, neste caso, por se tratarem de vagas de uso das lojas próximas à praça, esta regra não se aplica.

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Disponível em: http://mdiasbranco.com.br/ivens-dias-branco-e-homenageado-em-memoria-com-monumento-em-praca-de-fortale-

za/. Acessado em: 27/05/2017.

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Sobre a vegetação, percebeu-se a não existência de vegetação que interrompe a rota acessível na circu- lação horizontal, de raízes que danificam o passeio, e a inexistência de espécies espinhosas ou venenosas. No entanto, em relação à circulação vertical, percebeu-se a existência de espécies que liberam frutos ou resinas sobre o piso, e galhos não podados com altura menor que 2,10m interrompendo a circulação de pedestres e não atendendo às exigências da NBR 9050/2015.

Sobre a sinalização, observou-se a sinalização tátil, que é necessária para a orientação de pessoas com deficiência visual. Como citado acima, foi encontrado um galho suspenso com altura menor que 2,10 m e não existe nenhuma sinalização de alerta, assim como em uma das abas das rampas de acesso a praça, próxima ao leito carroçável. Além disso, existe uma escada sem sinalização de piso tátil de alerta no começo e no término, e também, a inexistência do piso tátil direcional no percurso da escada.

Sobre a análise de mobiliários urbanos, na Praça Portugal existe diversos bancos, lixeiras, banca de re- vistas/jornal, jardineiras, semáforo sonoro, placas e postes.

Além disso, seguindo os princípios de dimensão humana de Jan Gehl – cidades vivas, seguras, susten- táveis e saudáveis – e cidades como local de encontro, foi elaborado e aplicado um questionário (Apêndice B) com os frequentadores da Praça Portugal, tendo como finalidade conhecer as impressões dos mesmos sobre a Praça antes da reforma e pós-reforma, na perspectiva de um lugar de encontro e acessível para todas as pesso- as, principalmente as que possuem algum tipo de deficiência. Na ocasião, foram entrevistadas dez pessoas, das quais 80% usufruem da praça quase que diariamente.

Na opinião da maioria dos entrevistados, a praça tinha um público maior antes da reforma, pois nos fi- nais de semana, diversos grupos se reuniam para desenvolver atividades de integração como luaus, danças e apresentações teatrais.

Quanto aos cuidados que a praça está recebendo na sua manutenção pós-reforma, todos os entrevistados responderam que a praça está sendo bem cuidada. Ainda, grande parte dos interrogados relatou que a estrutura da praça ficou melhor após a reforma, mas que o número de frequentadores diminuiu. Já os outros responde- ram que atualmente a praça está mais convidativa para encontros, porém faltam atividades na praça para que estes encontros aconteçam.

Sobre a acessibilidade, segundo a opinião dos entrevistados, a praça tem estrutura para receber deficien- tes, no entanto ainda deixa a desejar quanto ao passeio, principalmente para os deficientes visuais, apesar de ter sinal sonoro em todos os lados da praça e pisos de alerta na maior parte. Além disso, perguntou-se aos mesmos se já haviam visto alguma pessoa com deficiência utilizando a praça, todos responderam que não.

Por último, foi questionado o que poderia melhorar para que a praça fosse mais bem utilizada, os entre- vistados responderam que deveria ter mais ações convidativas, como apresentações musicais e teatrais, tam- bém relataram que deveria melhorar a segurança do local, além disso, “feirinhas” e bancas de revistas foram sugestões para atrair a atenção das pessoas,

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A Praça Portugal apresentou diversas características positivas, bem como características que não estavam de acordo com as exigências da NBR 9050/2015. Quanto às positivas, a praça atualmente está sendo conserva- da e apresenta boas condições do seu revestimento. É de grande importância destacar que o revestimento deve sempre estar em boas condições, pois um tipo de revestimento não adequado, ou mal assentado, ou ainda sem manutenção, pode se apresentar como um obstáculo para usuários de cadeira de rodas e pessoas com mobilida- de reduzida, como idosos e crianças, portanto, são itens indispensáveis à análise de condições de acessibilidade.

Ainda é possível destacar a impressão do grupo quanto à arborização da praça, que aumentou cerca de 90% (SEUMA) pós-reforma, que proporciona à praça inúmeros benefícios relacionados à estabilidade climá- tica, ao conforto ambiental, na melhoria da qualidade do ar, bem como na saúde física e mental da população, esse avanço foi importante já que o movimento no trânsito é constante durante todo o dia.

Quanto às características da praça que não estavam de acordo com as exigências da norma, identificou-

-se a falta de piso tátil próximo ao leito carroçável e na escada de um dos acessos a praça, árvores com alturas

inferiores a 2,10 m, comprometendo o passeio; a não existência do corte no canteiro central em um acesso en-

tre as praças laterais e também o mau funcionamento dos semáforos sonoros. Diante disso, identificou-se que

a acessibilidade na Praça Portugal é limitada.

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Sobre a dimensão humana na Praça Portugal, observou-se o local como ponto de encontro, mas é preci- so que a praça seja mais convidativa para a realização do mesmo. Torná-la um local onde as pessoas possam parar para trocar ideias, interagir, comprar, caminhar, pedalar ou simplesmente relaxar e se divertir, é construir uma cidade viva, além da busca pela qualidade de vida e a escala humana. Diante disso, é possível afirmar que os objetivos foram alcançados e a hipótese foi confirmada.

Como estudantes de engenharia e futuros engenheiros, vimos o quanto é importante estudar sobre aces- sibilidade e dimensão humana para construção de cidades para pessoas, cidades vivas e mais humanas. Nesta pesquisa, foi possível enxergar a relevância que tem no curso de engenharia o estudo das cidades, afinal “nós moldamos as cidades, e elas nos moldam” (GEHL, 2014).

Nesse sentido é preciso humanizar cada vez mais o processo de graduação da engenharia para formar profissionais que planejam e executam projetos pensando no impacto dos mesmos na sociedade e na vida das pessoas. Como disse Vinicius de Morais: Se a vida é a arte do encontro, a cidade é o cenário desse encontro - encontro de pessoas, espaços das trocas que alimentam a centelha criativa do gênio humano.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 9050: Acessibilidade a edificações, mobili- ário, espaços e equipamentos urbanos. Rio de Janeiro, 2015.

GEHL, Jan. Cidade Para Pessoas. 2. ed. São Paulo: Perspectiva, 2014.

IBGE, Censo Demográfico 2010. Disponível em: <http://www.ibge.censo2010.gov.br> Acesso em: 14/04/2017.

LEAL. Ângela Barros. Praça Portugal: Um laço entre Portugal e o Ceará. 1. ed. Fortaleza: Editora Terra da Luz, 2009.

Público: O caso das praças de Fortaleza. Departamento de Arquitetura e Urbanismo/CT/UFC, 2014.

SECRETARIA MUNICIPAL DE PLANEJAMENTO E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL. Projeto Calçada Acessível - Guia para projetos de espaços públicos. Rio de Janeiro, 2012.

SANTIAGO, Zilsa Maria Pinto; SANTIAGO, Cibele Queiroz de; SOARES, Thais Silveira; “ACESSIBILI- DADE NO ESPAÇO PÚBLICO: O CASO DAS PRAÇAS DE FORTALEZA”, p. 260-271. In: Anais do 15º Ergodesign&Usihc [=Blucher Design Proceedings, v. 2, num. 1]. São Paulo: Blucher, 2015. ISSN 2318-6968, DOI 10.5151/15ergodesign-48-E054

PLANO FORTALEZA 2040. Prefeitura Municipal de Fortaleza. Volume III - Partes I, II E III, Cidade Co- nectada, Acessível e Justa. 2016. Disponível em: <http://fortaleza2040.fortaleza.ce.gov.br/site/>. Acesso em:

14/04/2017.

“Praça Portugal é entregue após requalificação”. Disponível em: <http://www20.opovo.com.br/app/forta- leza/2016/09/02/noticiafortaleza,3656004/praca-portugal-e-entregue-apos-obras-de-requalificacao.shtml>.

Acesso em: 02 de jun. 2017.

(8)

APÊNDICE A

ELEMENTOS DE AVALIAÇÃO DE ACESSIBILIDADE QUANTO AO PASSEIO

Sim Não Não se aplica Observações

Existência de revestimento de piso X

Tipo de pavimentação dos passeios; Apresenta dois tipos: piso intertravado de concreto re- tangular e os bloquetes

Estado de conservação; Regular ( ) Ruim ( ) Bom (X) Excelente ( ) Existência de pelo menos uma rota acessível; X

Existência de passagens estreitas de circulação X

QUANTO ÀS TRAVESSIAS E GUIAS REBAIXADAS:

Sim Não Não se aplica Observações

Largura mínima de 1,20m; X Atende as exigências da ABNT NBR 9050/2015 Inclinação máxima de 8,33% X Atende as exigências da ABNT NBR 9050/2015 Abas laterais da rampa com largura 6mínima de 50cm; X Atende as exigências da ABNT NBR 9050/2015 Abas laterais com inclinação reco- mendada de 10%; X Atende as exigências da ABNT NBR 9050/2015 Desnível entre o término da rampa e o leito carroçável; X O nível é o mesmo

Localização da guia rebaixada X Atende as exigências da ABNT NBR

junto á faixa de pedestre; 9050/2015

Rampas alinhadas entre si dos lados opostos da via; X Atende as exigências da ABNT NBR 9050/2015 3ª edi- ção

Corte no canteiro central; X Não atende as exigências da ABNT NBR 9050/2015 3ª edição

Piso tátil de alerta; Existem locais na praça sem a presença do piso tátil (não atende as exigências da ABNT NBR 9050/9050*

Piso tátil direcional conectando a rampa de travessia Não atende as exigências da ABNT NBR 9050/2015 3ª edição

SOBRE ESTACIONAMENTOS NA VIA PÚBLICA JUNTO ÀS PRAÇAS:

Sim Não Não se aplica Observações

Vagas reservadas para pessoas com deficiência (PcD); X Não atende as exigências da ABNT NBR 9050/2015 3ª edição

Vagas reservadas para idosos; X Não atende as exigências da ABNT NBR 9050/2015 3ª edição

Nas vagas reservadas para PcD exis- tência de espaço lateral de 1,20m X Não atende as exigências da ABNT NBR 9050/2015 3ª edição

Sinalização visual horizontal e verti- cal para os dois tipo de vagas reser-

vadas X Não atende as exigências da ABNT NBR 9050/2015 3ª

edição

Localização das vagas reservadas próxima aos pólos de atração. X Não atende as exigências da ABNT NBR 9050/2015 3ª

edição

(9)

SOBRE A VEGETAÇÃO:

Sim Não Não se aplica Observações

Existência de vegetação que inter- rompe a rota acessível; X Atende as exigências da ABNT NBR 9050/2015 3ª edição Existência de raízes que danificam

o passeio; X Atende as exigências da ABNT NBR 9050/2015 3ª edição

Existência de espécies espinhosas; X Atende as exigências da ABNT NBR 9050/2015 3ª edição Existência de espécies venenosas; X Atende as exigências da ABNT NBR 9050/2015 3ª edição Espécies que liberam frutos ou re- sina sobre o piso; X

Existência de galhos podados dei- xando livre 2,10m. X Existem árvores com menos de 2,10m (Não atende as exi- gências da ABNT NBR 9050/2015)

SOBRE O PISO TÁTIL DE ALERTA E DIRECIONAL SINALIZAÇÃO DE ALERTA:

Sim Não Não se aplica Observações

Em torno dos obstáculos suspensos com altu- ra entre 0,60m e 2,10m; X Não atende as exigências da ABNT NBR 9050/2015

Nos rebaixamentos de calçadas; X X Existem espaços sem sinal No início e término de escadas; X Existem degraus não sinalizados

No início e término de rampas; X Não existe sinalização no início e nem no final Junto a desníveis e paradas de ônibus. X

SINALIZAÇÃO DIRECIONAL:

Sim Não Não se aplica Observações Em áreas de circulação na ausência de guia de balizamento; X

Em espaços amplos; X

De forma transversal às guias rebaixadas; X Na divisa da calçada com o lote, quando não houver muro. X

ANÁLISE DE MOBILIÁRIOS URBANOS:

Sim Não Não se aplica Observações Telefones públicos X

Caixas de correio X

Bancos X

Lixeiras X

Banca de revista/

jornal X

Jardineiras X

Pontos de ônibus; X

Semáforo sonoro X

Existe apenas em um lado da praça com o funcionamento correto. va- le ressaltar que seu tempo de duração para pedestres é pouco, de apenas 15 segundos. o sinal entre as avenidas dom luis e desembargador morei- ra também é curto, com tempo máximo de 13 segundos, e não funciona regularmente.

Placas X

Postes X

Planilha elaborada pelos membros do grupo.

(10)

APÊNDICE B

QUESTIONÁRIO PESQUISA ACESSIBILIDADE E HUMANIZAÇÃO NA PRAÇA PORTUGAL Data: ___/___/____

Nome: _________________________________________________________________________________

Idade: ________ reside no entorno da Praça Portugal? __________________

1. Há quanto tempo reside próximo à Praça Portugal?

_____________________________________________________________________________________

_____________________________________________________________________________________

2. Você usufrui da Praça? Sim ou não? Há quanto tempo? Com que frequência?

_____________________________________________________________________________________

_____________________________________________________________________________________

3. Em sua opinião, a praça é usada mais hoje ou antes da obra?

_____________________________________________________________________________________

_____________________________________________________________________________________

4. Em sua opinião, a praça está recebendo cuidados quanto à sua manutenção?

_____________________________________________________________________________________

_____________________________________________________________________________________

5. Em sua opinião, a praça ficou melhor ou pior? Por quê?

_____________________________________________________________________________________

_____________________________________________________________________________________

6. Em sua opinião, a frequência de pessoas na praça aumentou ou diminuiu? Por quê?

_____________________________________________________________________________________

_____________________________________________________________________________________

7. O que lhe motiva vir à praça?

_____________________________________________________________________________________

_____________________________________________________________________________________

8. Qual a faixa etária dos frequentadores da praça?

_____________________________________________________________________________________

_____________________________________________________________________________________

9. Você vê pessoas com alguém tipo de deficiência na praça?

_____________________________________________________________________________________

_____________________________________________________________________________________

10. Você considera que a praça é um espaço acessível? Por quê?

_____________________________________________________________________________________

_____________________________________________________________________________________

11. Em sua opinião, o que poderia melhorar para que a praça fosse mais bem utilizada?

_____________________________________________________________________________________

_____________________________________________________________________________________

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ANEXOS

Registros fotográficos feitos pelo grupo

Foto 1. Inexistência de rampa para cadeirante Foto 2. Interrupção do piso tátil

Foto 3. Inexistência do corte no canteiro central Foto 4. Árvores menores que 2,10 m

Foto 5. Vivência com muletas e vendas simulando deficiência física e mental

Referências

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