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A imagem do gaúcho na obra de Pedro Weingärtner

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A imagem do gaúcho na obra de Pedro Weingärtner

Luciana da Costa de Oliveira1

Resumo: O presente estudo tem por objetivo analisar a elaboração da imagem do

gaúcho bem como a paisagem campeira na obra do pintor sul-riograndense Pedro Weingärtner. Por ser considerado o primeiro artista que, no Rio Grande do Sul, debruçou-se sobre tal temática quando o campo artístico ainda estava em desenvolvimento no Estado, torna-se relevante buscar, na tessitura de suas referências, formação e plástica, a forma e os motivos que o levaram a trabalhar tal temática nas primeiras décadas do século XX. Não apenas esses elementos, mas os que são referentes às próprias imagens, igualmente amparam o trabalho em questão.

Palavras-chave: Pintura, Gaúcho, Pedro Weingärtner.

I

Ao se propor um estudo que tenha como objeto de análise a imagem do gaúcho na obra do artista sul-rio-grandense Pedro Weingärtner (1860-1929), inúmeras possibilidades se desdobram ao pesquisador. Perceber as obras do artista, especialmente as relacionadas ao tema gauchesco, a partir de metodologias que, desde Aby Warburg, apontam novos elementos para a análise imagética, é fundamental para a apreensão de suas especificidades.

Nesse sentido, o presente artigo objetiva, inicialmente, perceber a forma com a qual Pedro Weingärtner trabalhou a temática do gaúcho em sua obra, atentando, especialmente, aos elementos que estiveram no entorno de sua produção. Com isso, busca-se compreender, a partir de sua formação artística, de seus laços com a terra natal, bem como do contexto em que estava

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Doutoranda em História pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, desenvolve a pesquisa intitulada “A imagem do gaúcho na pintura platina e brasileira: um estudo sobre as obras de Cesáreo Bernaldo de Quirós, Pedro Figari e Pedro Weingärtner”, sob orientação da Prof.ª Dr.ª Maria Lúcia Bastos Kern.

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inserido, a forma com a qual o tema gauchesco torna-se recorrente em sua obra durante as primeiras décadas do século XX.

II

A obra de Pedro Weingärtner é de fundamental importância tanto para o campo da arte brasileira quanto da arte sul-rio-grandense. Artista que teve sua formação em importantes centros europeus, ele desenvolveu uma obra que, afora primar pelo aspecto compositivo, é marcada, igualmente, pelo diversificado rol temático que apresenta ao público. Nesse sentido, compreender de que maneira o gaúcho aparece ao artista como um tema e, ainda, como uma inquietação ao seu trabalho como pintor, possibilita uma série de questões que, em suma, correspondem aos entornos da produção dessas obras.

A trajetória artística de Pedro Weingärtner, neste momento, se mostra relevante para se pensar e problematizar tanto a sua obra quanto o desenvolvimento de suas temáticas, especialmente as relacionadas ao Rio Grande do Sul. Além disso, o próprio campo artístico porto-alegrense, ainda em desenvolvimento no período, oferece subsídios para a compreensão da recepção e circulação das obras do artista.

Pedro Weingärtner, que desde muito jovem mostrava inclinação à arte, realiza seus primeiros estudos na Alemanha. Após um ano em Hamburgo, em 1879 matricula-se na Nobre Escola de Arte de Baden, em Karlsruhe, onde tem aulas com Theodor Poeckh e, mais tarde, com Ernst Hildebrand, artistas que destacam-se pela pintura de gênero e retratos. Ângelo Guido, ao comentar essa fase de aprendizado a partir de um caderno de desenhos da época em que Pedro era estudante, assim coloca:

Esses primeiros desenhos mostram que evidentemente o aluno de Poeckh e de Hildebrand já tinha apreciável maestria de traço, bom golpe de vista e a linha incisiva e limpa. (...). A característica observação do detalhe que o acompanhará em

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todas as fases de seu desenvolvimento artístico já se nota evidente (...). (GUIDO, 1956: 22).

No ano seguinte, ao acompanhar Hildebrand a Berlim, Weingärtner inicia seus estudos na Real Academia, onde fica até o ano de 1883. Sua nova fase de formação será em Paris, onde, afora o contato com novas formas artísticas, passa a frequentar a Académie Julien, onde tem aulas com Tony Robert-Fleury e Adolf Bouguereau, “ambos de largo prestígio na época, porém de firme orientação acadêmica”. (DAMASCENO, 1971: 199). É importante colocar ainda que, afora os ensinamentos práticos obtidos junto a Bouguereau, este o incentiva a ir para a Itália completar seus estudos. De acordo com Guido,

Ele o adestraria nos desenho dos nus que mais tarde colocaria em em seus quadros de assuntos clássicos, na composição ordenada segundo um equilíbrio agradável e harmonioso e estimularia em seu devotado discípulo (...) o desejo de ir completar na Itália a sua formação artística, como ele mesmo o fizera, quando jovem, conquistanto o “grand prix de Rome” (...). (GUIDO, 1956: 33).

É importante mencionar, mesmo que brevemente, que a ida de Weingärtner para a Itália, bem como seu estabelecimento em Roma, foi possibilitada pelo auxílio financeiro concedido por D. Pedro II. No momento em que o artista encerrava seu aprendizado na França, problemas de ordem financeira lhe ocorreram. Sob o risco de não poder dar continuidade aos estudos, foi solicitado, por intermédio também de Bouguereau, auxílio financeiro ao Imperador que, em 1884, concedia a pensão ao artista2.

Os anos de formação de Weingärtner na Europa, afora lhe proporcionarem o aprimoramento do desenho, igualmente forneceram elementos que seriam constantes em seus trabalhos. Em primeiro lugar deve-se mencionar sua plástica notadamente tradicional. Apesar de ter entrado em contato, tanto na Alemanha quanto na França, com as pinceladas impressionistas, o artista em

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Tanto a carta de Pedro Weingärtner ao Imperador quanto a resposta a ele enviada podem ser conferidas na edição de 29 de agosto de 1981 do Jornal Correio do Povo. As originais encontram-se, atualmente, no Museu Imperial de Petrópolis. WEINGÄRTNER e o Imperador. Correio do Povo, Porto Alegre, 29 ago. 1981, p.04.

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nenhum momento voltou-se a tal movimento. Pelo contrário, “(...) permanecia fiel àquele detalhismo que é característico de uma grande parte da pintura de gênero de orientação acadêmica (...)”. (GUIDO, 1956: 27).

Além disso, sua ida à Itália está relacionada, também, a essa predileção pela pintura de viés tradicional. Se, por um lado, a França impulsionava a produção das vanguardas artísticas, especialmente o impressionismo, por outro, Roma mantinha-se fiel aos postulados acadêmicos. A respeito de tal questão, Flávio Krawczyk é bastante pontual: “Não é a toa que Weingärtner escolhe Roma – grande centro europeu do academicismo – para instalar seu atelier a partir de 1886. Lá, exerce sua profissão, optando pela arte acadêmica.” (KRAWCZYC, 1996: 5). Além disso, o artista ingressa no grupo In Arte Libertas, marcado sobremodo pela ligação com a tradição clássica. Para Neiva Bohns,

Naquele ambiente favorável ao gosto tradicional, com redutos que se mantiveram fiéis à tradição clássica, Pedro Weingärtner filiou-se ao grupo In Arte Libertas, interessado em temas mitológicos, na vida popular ou em paisagens rurais. Não viu – ou não quis ver – os movimentos artísticos revolucionários que se desencadeavam em outras partes. (BOHNS, 2008: 4).

O que se pode apreender desse momento de formação de Pedro Weingärtner, iniciado na Alemanha e, de certa forma, finalizado na França e na Itália, é seu traço fundamentalmente tradicional. Junto a isso, importa mencionar, igualmente, que suas composições são trabalhadas de forma minuciosa e detalhista, sendo necessário, em algumas de suas telas, o uso da lupa para visualizar determinados objetos.

Por tal motivo, muitos estudiosos que se debruçam sobre a obra de Weingärtner o associam, também, à tradição verista. Pelo fato de buscar, no detalhamento de cenas, paisagens e tipos humanos, tanto a singularidade dos elementos quanto os pormenores da composição, o artista “(...) com seu agudo senso de exatidão, [procurava] fixar o que via com uma grande acuidade”. (AVANCINI, 2010: 336).

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Intrinsecamente relacionados à questão da plástica, os temas desenvolvidos por Weingärtner também se constituem como fundamentais para a análise que se pretende. Mesmo que o artista tenha se dedicado, em sua fase inicial como pintor, aos retratos, paisagens, cenas campestres e mitológicas, o fato é que, após sua primeira estada na Europa, entre 1878 e 1887, os seus diversos retornos e longas estadas no Rio Grande do Sul lhe proporcionam novos temas para suas pinturas. Segundo Ângelo Guido, “O ano de 1893 tornou-se particularmente significativo para a pintura de Pedro Weingärtner, porque é o ano em que veio buscar no sul do Brasil motivos novos para as suas telas”. (GUIDO, 1956: 59).

É importante atentar, no entanto, no fato de que as obras realizadas antes desse período, mesmo tratando de temas específicos do Rio Grande do Sul, não trazem ainda o gaúcho como foco central. Assim, pinturas como “Chegou Tarde” (1890), “Kerb” (1892) e “Fios Emaranhados” (1892), afora tratar de forma verista os elementos e objetos que compõe a cena, apresentam os tipos e os costumes presentes na zona de imigração alemã de seu estado natal bem como de Santa Catarina. Se a primeira obra apresenta o característico caixeiro viajante germânico que vendia seus produtos em estabelecimentos dessa região, as outras duas evidenciam cenas e tipos cotidianos. É interessante analisar que, mesmo que o tema central faça referência aos imigrantes germânicos, o gaúcho se faz presente, ainda que o foco da narrativa pictórica não incida sobre ele.

As obras que trazem a imagem do gaúcho e o tornam o ponto central da obra de Pedro Weingärtner aparecem, de fato, a partir de 1893. Para Guido, é justamente “a principiar de 93 que aparecem na obra de Weingärtner cenas gaúchas, como as tradicionais carreiras e as pousadas de carreteiros, que pintará muitas vezes em épocas posteriores”. (GUIDO, 1956: 62).

O que se torna válido para pensar e problematizar as pinturas realizadas nesse momento é, pois, as vivências de Pedro Weingärtner no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, por onde empreendeu uma viagem com o objetivo de

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captar novas cenas e paisagens para suas obras. Iniciada a Revolução Federalista (1893-1895), o artista,

(...) contra a sua vontade, [entra] em contato, em pleno interior catarinense, com as tropas revolucionárias. Foram dias duros de inquietações e trabalhos, mas que lhe valeram, afinal, para a sua arte, pois que do seu contato com os revolucionários e do que pode presenciar resultaram duas obras que são das mais fortes por ele pintadas no Brasil. (...). São os quadros “Revolucionários”, pintado em 1893 e “Piquete de forças do governo de Santa Catarina”, datado de 1894. (GUIDO, 1956: 65).

Ao se analisar tais obras, primando por seu aspecto temático, percebe-se que, em um primeiro momento, Weingärtner elabora pinturas com temas regionais sem, no entanto, ater-se especificamente à figura do gaúcho. Já num segundo momento, quando de sua incursão pelo interior do Rio Grande do Sul e Santa Catarina e de seu encontro com as tropas federalistas, seus gaúchos estão voltados muito mais às observações de Weingärtner do conflito em si do que de suas especificidades regionais e culturais.

Assim, tendo essas questões em vista, é somente na segunda década do século XX, quando Weingärtner já é um artista consagrado tanto na Europa quanto no Brasil3, que este retorna mais uma vez à sua terra natal e retoma os temas regionais centrando seus pincéis, nesse momento, no cotidiano dos gaúchos. Entre 1912 e 1913, segundo seu biógrafo Ângelo Guido, se estabelece um período de crise na vida do artista, onde ele revê e reflete acerca de sua produção artística. É precisamente nesse momento que novos desafios parecem descortinar-se a um artista que já não problematizava a sua técnica, mas fundamentalmente as temáticas que trabalhava.

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É importante sinalizar, mesmo que brevemente, que Pedro Weingärtner, no trânsito que estabeleceu entre a Itália e o Brasil, consagrou-se no campo da arte brasileira em função das inúmeras exposições que realizou tanto em Porto Alegre quanto em São Paulo e no Rio de Janeiro. A recepção que sua obra teve pode ser verificada nos periódicos da época, onde há inúmeras referências ao artista e a sua obra. Para maiores detalhamentos, ver: GOMES, Paulo. A carreira e a obra de Pedro Weingärtner. In: VEECK, Marisa. Pedro Weingärtner. Obra gráfica. Porto Alegre: Ministério da Cultura, 2008, p.13-25.

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Com isso, em 1913 está Pedro Weingärtner “(...) de regresso ao Rio Grande do Sul e de novo a fazer estudos e quadros de motivos regionais”. (GUIDO, 1956: 130). A nova fase de sua pintura é marcada, também, pelo novo tipo humano que passa a figurar em seu trabalho: o gaúcho da campanha. Diferentemente de seus outros trabalhos, onde os tipos germânicos, os ambientes coloniais alemães e as tropas federalistas têm destaque, nesse momento lhe interessam os tipos, paisagens e temas específicos do gaúcho. Para Athos Damasceno,

Em princípios de 1913 já se acha em Porto Alegre e, dessa feita, não só decididoa renovar-se em sua arte – senão em técnica, pelo menos em tema e ambientes – como empenhado a ampliar seus estudos regionais, estendendo o interesse de sua palheta a áreas da província por ela ainda não exploradas e nas quais vai encontrar realmente os aspectos mais característicos da paisagem gaúcha, os tipos mais representativos de nossa vida rural e os costumes locais mais ricos de tradição e originalidade. (DAMASCENO, 1971: 213).

As obras que Weingärtner realiza acerca de tal temática centram-se, fundamentalmente, nas atividades cotidianas de carreteiros nas cercanias da cidade de Barra do Ribeiro. Segundo José Avancini, “a relativa proximidade dessa localidade de Porto Alegre facilitou as visitas que Pedro Weingärtner fez a região, tendo como resultado uma série de quadros que tem como cenário esse lugar”. (AVANCINI, 2010: 337). Dentre as que foram realizadas, importa citar as denominadas pelo artista como “Pousada de Carreteiros”.

Uma das primeiras pinturas realizadas com tal temática data de 1914 e, analisando-a, percebe-se o acurado trabalho de Weingärtner acerca dos detalhes e minúcias da cena. Ambientado na cidade de Barra do Ribeiro em um momento onde tanto os carreteiros quanto os cavalos e o gado descansam, o artista preocupa-se em mostrar ao observador não só os elementos característicos da paisagem sulina, como as grandes árvores e a vasta planície que, com o céu, divide a pintura, mas igualmente o tipo gaúcho que, em diversas situações, realiza atividades que, ao mesmo tempo em que são

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cotidianas nesse contexto, igualmente constituem-se em elementos típicos e característicos do homem do campo.

Pousada de Carreteiros – 1914

Óleo sobre tela / 34 X 60cm / Coleção Particular

Pousada de Carreteiros – 1916

Óleo sobre tela / 37 X 73 cm / Coleção APLUB

Já na pintura elaborada em 1916, a cena que Weingärtner elabora em muito se assemelha à realizada em 1914. Esta também é uma característica da obra do artista, uma vez que, em várias de suas pinturas, encontram-se paisagens e até mesmo figuras que já haviam sido traçadas em outros trabalhos (TARASANTCHI, 2009: 98). Nesta, a disposição dos grupos, bem como a paisagem, é bastante semelhante à anterior, a não ser pelas atividades que os carreteiros desempenham nos diferentes planos. Se na pintura de 1914 o grupo do primeiro plano apenas conversava e descansava, na de 1916

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percebe-se que, afora a inserção do cachorro, este grupo joga cartas em uma improvisada mesa. No segundo plano, o mesmo fogo de chão se faz presente, no entanto os gaúchos aparecem em poses diferenciadas.

O outro trabalho intitulado “Pousada de Carreteiros” foi realizado alguns anos depois das apresentadas anteriormente. Esta obra, datada de 1921, possui uma construção completamente diferenciada das de 1914 e 1916. Inicialmente, deve-se atentar à paisagem, elemento este trabalhado com maiores minúcias pelo artista. Além disso, o grupo de gaúchos que antes estava localizado no plano esquerdo das obras, nesta aparece no lado direito. A cena cotidiana, no entanto, se repete: são carreteiros que, em um momento de pausa, sentam ao lado do fogo de chão e, igualmente, conversam entre si.

Pousada de Carreteiros – 1921 Óleo sobre tela / Coleção Particular

Outra questão que se deve levar em consideração nessa obra é o ângulo com que o artista trabalha, igualmente diferente do visto nas obras dos anos anteriores. Além disso, a paisagem típica da região que Weingärtner escolheu para pintar aparece, nesta pintura, em seus pormenores.

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Ao se analisar, mesmo que brevemente, a forma com a qual Pedro Weingärtner apresenta a imagem do gaúcho em suas obras, percebe-se que, de acordo com sua formação e dedicação à pintura tradicional, tanto os tipos quanto as paisagens típicas são elaboradas de forma acurada e detalhada.

Além disso, conforme foi pontuado, o artista transitou durante muitos anos entre a Itália e o Brasil, o que fez seu rol temático ser bastante diversificado. No entanto, é precisamente quando ele questiona-se acerca de seu fazer artístico, especialmente sobre os temas a serem trabalhados, que o gaúcho e o campo lhe aparecem como uma nova fase de sua pintura, não apenas por tratar as questões regionais, mas especialmente por ter como centro de sua produção o tipo humano, os costumes e a natureza que caracterizam o gaúcho sul-rio-grandense.

Assim, importa colocar que, apesar de as obras não terem sido analisadas em seus pormenores compositivos, o fato de se compreender os entornos de sua produção, bem como a forma com a qual tal tema se apresenta a Pedro Weingärtner, constitui-se como elemento basilar para a apreensão das especificidades das imagens produzidas pelo artista. Com isso, a relevância de uma primeira análise que objetiva encontrar os fios de uma rede complexa de elementos está no fato de se poder pensar e questionar a imagem a partir de suas particularidades. Perceber seus detalhes e, a partir deles, problematizar a questão dos artista enquanto sujeito de sua produção, oportuniza um entendimento maior acerca da obra estudada.

Referências Bibliográficas

AVANCINI, José Augusto. A pintura de paisagem gaúcha na Primeira República. Análise de obras de Pedro Weingärtner e Libindo Ferraz. Anais do XXX Colóquio CBHA. Rio de Janeiro, out. 2010, p.335-344.

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BOHNS, Neiva Maria Fonseca. Realidades simultâneas. Contextualização histórica de Pedro Weingärtner. 19&20, Rio de Janeiro, v.III, n. 2, abr. 2008.

DAMASCENO, Athos. Artes plásticas no Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Globo, 1971.

GOMES, Paulo. A carreira e a obra de Pedro Weingärtner. In: VEECK, Marisa. Pedro Weingärtner. Obra gráfica. Porto Alegre: Ministério da Cultura, 2008, p.13-25.

GUIDO, Ângelo. Pedro Weingärtner. Porto Alegre: Divisão de Cultura, 1956.

________. Um século de pintura no Rio Grande do Sul. In: ENCICLOPÉDIA Rio-Grandense. Canoas: Regional, 1956.

KRAWCZYK, Flávio. O lugar das formas. In: PEDRO Weingärtner. Porto Alegre: Alto da Bronze, 1996.

TARASANTCHI, Ruth Sprung. O Brasil de Pedro Weingärtner. In: PEDRO Weingärtner (1853-1929). Um artista entre dois mundos. São Paulo: [s.e.], 2009.

WEINGÄRTNER e o Imperador. Correio do Povo, Porto Alegre, 29 ago. 1981, p.04.

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