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Relatório e Contas 2020

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Academic year: 2021

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(1)

Relatório

e Contas

(2)

01

Relatório de Gestão

___________________________________________01

02

Demonstrações Financeiras

______________________67

03

Notas às Demonstrações Financeiras

_72

04

Parecer do Conselho Fiscal

_______________________138

05

Certificação Legal das Contas

________________146

Principais Indicadores____________________________02 Mensagem do Conselho de Administração___________03 Enquadramento Macroeconómico e Operacional_____05 Indicadores macroeconómicos e tendências financeiras_05 Enquadramento Legal e Regulatório _________________10 O Atlantico Europa_______________________________12 Estrutura Acionista_______________________________12 Órgãos Sociais___________________________________13 Estrutura Orgânica_______________________________14 Modelo de Governo_______________________________15 Regulação e Supervisão___________________________16 Modelo de Negócio______________________________17 Modelo de Serviço________________________________19 Evolução do Negócio____________________________23 Milestones_____________________________________23 Resumo da Atividade_____________________________24 Áreas de Negócio Comerciais______________________25 Atlantico Namibia _______________________________34 Tesouraria e Mercados Financeiros___________________35 Capital Humano e Sustentabilidade________________36 Capital Humano_________________________________36 Sustentabilidade________________________________37 Análise Financeira_______________________________40 Proposta De Aplicação de Resultados________________51 Gestão de Riscos e Controlo Interno_______________52 Sistema de Gestão do Risco_______________________52 Compliance____________________________________56 Auditoria Interna________________________________57 Comissão de Controlo Interno______________________58 Política de Remunerações_______________________59 Informação Quantitativa sobre Remunerações_________63

(3)

Relatório

de Gestão

(4)

Principais

Indicadores

 (‘000 EUR) 2018 2019 2020 Var. YoY

Ativo Líquido Total 953 347 751 189 637 914 -15,1%

Volume de negócios 1 1 254 259 1 039 749 841 095 -19,1%

Crédito a clientes 96 939 137 883 158 785 15,2%

Recursos de clientes on balance 2 866 872 664 601 518 541 -22,0%

Recursos de clientes off balance 2 150 332 154 555 136 777 -11,5%

Recursos totais de clientes 1 017 204 819 156 655 318 -20,0%

Garantias 11 428 7 844 7 922 1,0%

Crédito documentário 128 688 74 865 19 070 -74,5%

Rácio de transformação 3 24,60% 40,60% 43,10% 2,5 p.p.

Volume de negócios por colaborador 7 250 5 941 5 160 -13,2%

Rácio crédito vencido/crédito a clientes 0,45% 0,32% 0,73% 0,41 p.p.

Rácio imparidade/crédito a clientes 6,6% 3,4% 3,1% -0,27 p.p.

Margem financeira 3 502 1 763 5 071 187,7%

Produto bancário core 4 24 856 20 079 14 933 -25,6%

Produto bancário 27 108 20 016 16 472 -17,7%

Custos operacionais 16 760 17 189 15 088 -12,2%

Produto bancário core por colaborador 144 115 92 -20,2%

Produto bancário por colaborador 157 114 101 -11,6%

Produto bancário/ativo liquido 2,8% 2,7% 2,6% -0,08 p.p.

Cost to income 61,8% 85,8% 91,3% 5,5 p.p.

Custos com pessoal/produto bancário 38,3% 47,3% 47,9% 0,6%

Resultado do exercício 7 148 2 632 115 -95,6%

Rentabilidade do ativo total (ROA) 0,75% 0,35% 0,02% -0,33 p.p.

Rentabilidade dos capitais próprios (ROE) 11,15% 3,71% 0,16% -3,55 p.p.

Situação Líquida 67 378 73 039 72 366 -0,9%

Fundos próprios base 57 958 69 093 70 261 1,7%

RWA 344 918 351 819 353 237 0,4%

Rácio de solvabilidade 16,8% 19,6% 19,9% 0,3 p.p.

Número de clientes 24 047 32 367 34 948 8,0%

Número de colaboradores 171 175 163 -6,9%

1 Crédito, garantias e recursos totais de clientes. 2 Inclui clientes particulares, empresas e institucionais.

3 Calculado de acordo com a Instrução 23/2011 do Banco de Portugal. 4 Margem Financeira + Comissões Liquidas + Cambiais.

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Mensagem do Conselho

de Administração

Não é possível avaliar o exercício do ano de 2020 sem destacar a pandemia que assolou o mundo desde o seu início, e a consequente situação de saúde pública que obrigou a mudanças radicais nas vidas das pessoas e das empresas, que impôs o encerramento temporário e parcial da atividade económica, e que despoletou respostas governamentais impensáveis antes, com a decisão de injeções de capital ímpares, com o objetivo de mitigar os impactos económicos e sociais causados pelas medidas de combate à COVID-19.

Foi neste contexto que o Banco Atlântico Europa enfrentou o ano de 2020, um ano que já se prevendo desafiante, acabou por se tornar num exercício de enorme exigência e que, de forma inesperada, pôs à prova o nosso modelo de negócio e a capacidade de nos reposicionarmos enquanto instituição financeira, tendo sido possível mais uma vez apresentar resultados positivos, ainda que modestos, e um reforço dos níveis de solvabilidade do Banco.

O Banco Atlântico Europa que sempre considerou, a par da vertente relacional, a área tecnológica como um dos pilares fundamentais da sua competitividade, desde logo conseguiu dar resposta aos requisitos de distanciamento social e de negócio a que toda a sociedade se viu obrigada. Numa preocupação constante da segurança das pessoas que no Banco trabalham e suas famílias, foi desde muito cedo que os colaboradores do Banco passaram a um regime de teletrabalho, tendo conseguido em apenas dois dias colocar cerca de 85% da equipa em trabalho remoto, com todas as condições logísticas e de segurança informática necessárias. Também ao nível das operações, o Banco conseguiu dar a resposta necessária aos seus clientes e regulado-res, tendo sido reorganizada a área para um conceito de multitarefa, o que permitiu maior flexibilidade num ambiente de incerteza. E fomos o primeiro Banco em Portugal a oferecer um serviço GPI Tracker da Swift, que permite acompanhar em tempo real todo o fluxo de uma transferência transfronteiriça, assim como integrámos a lista dos bancos nacionais que possibilitam aos seus clientes receberem e processarem trans-ferências com liquidez imediata, 24 horas por dia, de e para uma rede de cerca de 4.000 bancos europeus. No meio deste enquadramento de variáveis exógenas imprevistas, sobre pessoas, empresas e mercados, e o respetivo apoio do Estado à economia, verificou-se um enfoque prioritário e constante do Banco sobre a sua estratégia de negócio, um forte controlo dos seus orçamentos de custos, as condições operacionais e de cumprimento contratual dos clientes, os planos de controlo interno, o potencial de rentabilidade, além da liquidez e já mencionada solvabilidade do Banco. Foram implementados planos de acompanhamento específicos para monitorizar e avaliar os impactos da pandemia tendo o Banco beneficiado das ações colaborativas com a Associação Portuguesa de Bancos e com os Auditores Externos no enquadramento do regime das moratórias, assim como no desenvolvimento de medidas internas de controlo mais adequadas à situação.

Apesar do contexto macro mencionado, o Atlantico Europa deu continuidade a um conjunto de iniciativas comerciais, onde destacamos o crescimento da nossa carteira de crédito, sem deterioração dos rácios de qualidade, assim como o lançamento de novos planos de conta Atlantico. Continuaram igualmente as ini-ciativas de inovação tecnológica e fortalecimento da nossa infraestrutura informática, contribuindo para um Banco mais robusto tecnologicamente e mais seguro e preparado para os riscos emergentes do Cibercrime. Também ao nível regulatório, o ano de 2020 caracterizou-se por novos desenvolvimentos com especial enfo-que para o Aviso 3/2020, com impactos importantes as áreas de Governo, Capital Humano, Controlo Interno e diversas políticas, sendo necessário destacar que o Banco continua a ser caracterizado por um Banco de dimensão relativa reduzida, pelo que deverá aplicar de forma equilibrada o princípio da proporcionalidade. Um marco importante atingido durante 2020 foi também a publicação do nosso primeiro Relatório de Sus-tentabilidade, num compromisso firme do Banco para uma economia e uma sociedade mais sustentáveis, através da aplicação de critérios de ESG (Environment, Social and Governance), e num contributo claro para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), definidos pelas Nações Unidas. A concretização do investimento no Fundo de Impacto Social Mustard Seed Maze é disso um bom exemplo.

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Por fim, agradecemos ao nosso Acionista, aos nossos Clientes, Fornecedores e às equipas Comerciais, de Suporte e de Controlo do Banco, bem como ao Conselho Fiscal e aos Reguladores todo o trabalho realizado e a confiança depositada no Banco.

Cremos que o ano de 2021 será igualmente um ano com desafios significativos, tendo em conta que se mantêm as incertezas sobre o fim da pandemia, reiterando o Conselho de Administração o compromisso de que tudo fará, como tem feito e que esteja ao seu alcance, para que o Banco continue a oferecer o serviço de excelência a que sempre se propôs, com solidez e resiliência, no estrito cumprimento do exigente quadro normativo da atividade bancária.

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Enquadramento Macroeconómico

e Operacional

Indicadores Macroeconómicos

e Tendências Financeiras

Economia Mundial

Em 2020 a economia global sofreu a sua mais profunda recessão em 74 anos, marcada pela evolução da crise pandémica do novo coronavírus COVID-19, que colocou em suspenso vidas, rotinas e meios de subsis-tência. O ano começou com a Organização Mundial da Saúde (OMS) a decretar em janeiro, o surto do novo coronavírus como uma emergência de saúde pública internacional, e em março, o organismo declarou que o surto viral era oficialmente uma pandemia, o mais alto nível de emergência sanitária mundial. Em resposta às várias fases da crise de saúde, os governos adotaram, globalmente, políticas de restrição económica e de distanciamento social para conter a propagação da pandemia, levando a um colapso da procura e oferta e a uma recessão económica global.

As restrições à mobilidade e as perturbações nas cadeias de produção, resultaram numa diminuição substan-cial do comércio internacional, com estimativas a apontarem para uma queda de 9,6% em 2020, de acordo com o FMI. As medidas preventivas conduziram a impactos assimétricos entre setores, alterando padrões de consumo, acelerando tendências de digitalização e penalizando particularmente serviços presenciais que implicam interação humana, como retalho, viagens, turismo e lazer. O impacto da pandemia resultou também em elevados níveis de desemprego e de dívida entre economias desenvolvidas e emergentes. Pela natureza da crise, o desemprego acabou por ser mais expressivo no setor dos serviços, em particular nos não essen-ciais ou sem flexibilidade para trabalhar remotamente.

No quadro político, a resposta dos bancos centrais e governos revelou-se fundamental, garantindo a esta-bilidade do sistema financeiro global e desempenhando um papel vital na dinâmica da recuperação ma-croeconómica. Colocando em perspetiva, no ano transato, os quatro maiores bancos centrais do mundo aumentaram os balanços em 8 biliões de dólares, representando um aumento de mais do dobro face ao registado durante o período da Grande Crise Financeira de 2008/2009.

Figura 1

Total de Ativos dos 4 maiores Bancos Centrais do mundo em biliões de USD (FED, ECB, BoJ e BoE). Fonte: Bloomberg. USD 26 24 22 20 18 16 14 12 10 2017 2018 2019 2020

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Tal traduziu-se em condições financeiras mais acomodatícias e em baixos custos de financiamento. Os níveis da dívida corporate e soberana aumentaram à medida que as empresas enfrentaram um fraco período de atividade e governos financiaram grandes pacotes de estímulos fiscais. De acordo com o FMI, entre as econo-mias desenvolvidas, prevê-se que o rácio do défice orçamental face ao PIB suba de 3,3% em 2019 para 13,3% em 2020. O rácio médio de dívida pública deverá subir de 104,8% em 2019 para 122,7% em 2020.

Após a retoma inicial em meados de 2020, a recuperação económica global abrandou, face a novas restri-ções impostas em resultado do agravamento da crise pandémica. Neste contexto, o FMI estima para 2020 uma recessão do PIB da economia global de 3,5%, seguindo-se um crescimento de 5,5% em 2021 e 4,2% em 2022, tendo como base um cenário de contenção do vírus e a continuidade de políticas de apoio fiscais e monetárias.

Figura 2

Taxas de variação do Produto Interno Bruto (%). Fonte: FMI e Banco de Portugal a janeiro 2021.

  Estimativas Projeções   2019 2020 2021 2022 Economia Global 2,8 -3,5 5,5 4,2 Economias Desenvolvidas 1,6 -4,9 4,3 3,1 E.U.A 2,2 -3,4 5,1 2,5 Zona Euro 1,3 -7,2 4,2 3,6 Alemanha 0,6 -5,4 3,5 3,1 França 1,5 -9,0 5,5 4,1 Itália 0,3 -9,2 3,0 3,6 Espanha 2,0 -11,1 5,9 4,7 Portugal 2,2 -8,1 3,9 4,5 Reino Unido 1,4 -10,0 4,5 5,0 Economias Emergentes 3,6 -2,4 6,3 5,0 China 6,0 2,3 8,1 5,6 India 4,2 -8,0 11,5 6,8 Brasil 1,4 -4,5 3,6 2,6 África Subsariana 3,2 -2,6 3,2 3,9 Europa

A economia da zona euro registou uma forte contração do PIB de 7,2% em 2020. Para os anos seguintes, de acordo com o FMI é projetado um crescimento de 4,2% em 2021 e 3,6% em 2022. A atividade do Reino Unido contraiu 10% em 2020, sendo estimada uma recuperação de 4,5% e 5,0% em 2021 e 2022, respetivamente. A resposta da União Europeia (UE) ao impacto socioeconómico da crise da COVID-19 foi rápida e abrangente, tendo os pacotes de estímulos nacionais sido reforçados com apoios comunitários. Entre as maiores econo-mias europeias, Alemanha, França, Itália e o Reino Unido anunciaram medidas de apoio que totalizam mais de 10% do seu PIB anual. Em julho, os líderes da UE acordaram um plano orçamental de 1,07 biliões de euros para 2021-2027 e a criação do ‘Next Generation EU’, um fundo de recuperação económica de 750 mil milhões de euros, financiado através da emissão de dívida conjunta da União Europeia. A este esforço financeiro sem precedentes, acrescem os 100 mil milhões de euros do ‘SURE’ (plano europeu de apoio ao desemprego), o programa de compras de ativos do Banco Central Europeu (1,85 biliões de euros para o período 2020-2022) e o Fundo de Garantia Pan-Europeu do Banco Europeu de Investimento (25 mil milhões de euros para o período 2020-2021). A resposta à crise implicará o aumento do défice orçamental da zona euro para 8,4% e do rácio da dívida face ao PIB de 84% em 2019 para 98,1% em 2020.

De acordo com o FMI, a taxa de desemprego da zona euro subiu em 2020 para 8,9%, face a 7,6% no ano anterior, sendo projetada para 2021 uma taxa de 9,1%. A inflação na região permaneceu baixa, com uma taxa média de 0,4% em 2020. As projeções do FMI apontam para taxas de 0,9% e 1,2% para 2021 e 2022, respetivamente.

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Nas negociações para o Brexit, a Europa e o Reino Unido chegaram finalmente a um consenso no final do ano. O acordo surgiu mais de quatro anos depois do referendo sobre o Brexit em junho de 2016 e deverá implicar maiores barreiras ao comércio entre as duas regiões.

Portugal

Em Portugal o PIB deverá ter contraído 8,1% em 2020, de acordo com as estimativas do Banco de Portugal, refletindo um forte impacto das medidas de restrição na economia, nomeadamente na atividade relacionada com os setores da hotelaria e turismo. Depois de uma acentuada queda no primeiro semestre de 2020, o PIB recuperou a uma taxa anualizada de 13,3% no terceiro trimestre, tendo enfraquecido para 0,4% no quarto trimestre em função da implementação de novas restrições. Em 2020, as exportações e importações de bens e serviços diminuíram 20,1% e 14,4% respetivamente e o consumo privado caiu 6,8%. Após uma quebra inicial, a produção industrial retomou, tendo recuperado níveis próximos dos da pré-crise. O impacto da crise pandémica no desemprego foi, de acordo com o Banco de Portugal, parcialmente compensado por formas temporárias de apoio concedidas pelo governo. A taxa de desemprego aumentou moderadamente para 7,2% em 2020, de 6,5% em 2019.

As políticas fiscais desempenharam um papel importante na estabilidade económica durante 2020, tendo o governo anunciado em março um pacote de estímulos de 9,2 mil milhões de euros. O pacote consiste em 5,2 mil milhões de euros em estímulos fiscais, 3 mil milhões de euros em garantias a linhas de crédito para empresas, mil milhões de euros relacionados com prorrogação de impostos e pagamentos à Segurança Social. Em outubro foi também anunciado o Plano de Recuperação e Resiliência, enquadrado nos estímulos europeus, totalizando 13,9 mil milhões de euros e cujos pilares estruturais são a resiliência e a transição digital e climática da economia.

Para 2020, de acordo com o Banco de Portugal, projeta-se que a dívida pública portuguesa atinja os 137% do PIB, acima dos 117% registados em 2019, e que o orçamento volte a ter um défice de 7,3% face ao PIB. Os preços do consumidor (IHPC) caíram ligeiramente 0,1% e deverão aumentar 0,9% em 2021. Em termos homó-logos, prevê-se que o PIB cresça 3,9% em 2021, 4,5% em 2022 e 2,4% em 2023. Neste contexto espera-se um regresso total aos níveis pré-pandemia no final de 2022.

E.U.A.

Nos Estados Unidos da América, a primeira metade do ano ficou marcada por um forte declínio da atividade económica, em resultado das medidas de confinamento impostas. No segundo trimestre, o PIB contraiu a uma taxa anualizada de -32,8%, expondo a natureza súbita da recessão. Fortes estímulos fiscais e apoios diretos às famílias contribuíram para uma suavização da quebra de rendimento e consumo e para uma re-cuperação robusta no terceiro trimestre a uma taxa anualizada de 38,3%. O ritmo da retoma abrandou no último trimestre do ano (6,0%) em resultado de um novo ressurgimento dos casos de infeção do vírus. De acordo com o FMI, estima-se que o PIB da economia norte-americana tenha contraído 3,4% em 2020, sendo projetada uma recuperação de 5,1% em 2021 e de 2,5% em 2022.

A imposição de medidas de restrição económica e confinamento social traduziu-se num severo choque no mercado de trabalho. De acordo com o ‘Bureau of Labor Statistics’ (BLS), 20,5 milhões de pessoas perderam o emprego em abril de 2020, de uma população ativa de 156 milhões, elevando a taxa de desemprego para 14,7%. Esta foi a mais elevada taxa de desemprego desde a Grande Depressão nos anos 30. A retoma, no segundo semestre, fez cair a taxa para os 6,7%, ainda assim acima dos 3,5% do início do ano. O impacto no mercado de trabalho revelou-se assimétrico entre diferentes tipos de trabalho e classes sociais. Estas diferenças realçaram as desigualdades socioeconómicas na sociedade americana, acabando por fomentar episódios de protestos e instabilidade social um pouco por todo o país.

Na frente política, depois de ter aprovado em março o CARES Act, o programa especial de apoio de 2,2 biliões de dólares, o congresso aprovou em dezembro uma linha adicional de ajuda de 900 mil milhões de dólares. Num período de 10 meses, a Reserva Federal Americana (FED) viu o seu balanço aumentar de 3,16 biliões para 7,36 biliões de dólares, um aumento de 75%. Com a dívida pública nos 27,7 biliões de dólares,

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os E.U.A. viram o rácio de dívida pública (medido em proporção do PIB) aumentar de 79% em 2019, para próximo dos 100% em 2020 (excluindo dívida intragovernamental). O défice orçamental deverá subir de 6,4% para 17,5%, um dos mais elevados do mundo.

As eleições nos Estados Unidos realizaram-se em novembro, com o ex-vice-presidente democrata Joe Biden a vencer Donald Trump nas presidenciais. Os democratas mantiveram ainda o controlo do congresso, ga-nhando também a maioria no Senado, por uma curta margem.

Mercados Emergentes

A economia dos mercados emergentes contraiu cerca de 2,4% em 2020, o mais baixo registo desde 1960, de acordo com os dados agregados do PIB pelo FMI. Entre as economias mais penalizadas, estão as com elevada dependência do setor do turismo e da exportação de matérias-primas industriais, face à quebra da procura externa. Embora as estimativas de crescimento agregado apontem para uma retoma de 6,3% em 2021 e 5,0% em 2022, a melhoria reflete em parte a forte recuperação do bloco asiático. Na China, o cresci-mento desacelerou para cerca de 2,3% em 2020 (de 6% em 2019), uma expansão ainda assim, suportada no controlo efetivo da pandemia. Políticas fiscais e monetárias expansionistas levaram a um aumento acentuado do défice público e da dívida soberana. A economia chinesa deverá crescer 8,1% em 2021 e 5,6% em 2022. Para as economias emergentes, o FMI prevê que o défice orçamental face ao PIB suba de 4,8% para 10,7%. Estudos indicam que cerca de 100 milhões de pessoas em todo o mundo podem entrar em pobreza extrema como resultado da contração na economia global.

Mercados Financeiros

O impacto da crise pandémica refletiu-se de um modo rápido e profundo nos mercados financeiros. Entre o final de fevereiro e meados de março, os mercados acionistas globais registaram fortes quedas. O S&P500, principal índice de ações dos Estados Unidos da América, caiu mais de 36% em apenas 22 dias de negociação, na mais rápida correção da sua história e colocando termo a um longo ciclo positivo de 131 meses. Os spreads de crédito alargaram rapidamente nas diferentes tranches de risco e os investidores apostaram em ativos seguros, com a yield a 10 anos do tesouro norte-americano a atingir mínimos históricos, próximos dos 0,5%. Na Europa, a yield a 10 anos das bunds alemãs atingiu em março os -0,856%. Sob receios de uma recessão económica profunda, os bancos centrais intervieram com fortes apoios, baixando as taxas de referência e ajudando a estabilizar o sistema financeiro, para garantir as necessidades de liquidez de empresas e famílias. Os bancos centrais são hoje, na maioria das economias desenvolvidas, os principais detentores de títulos de dívida soberana e corporate.

Figura 3

Taxas (%) a 10 anos de E.U.A., Alemanha e Portugal em 2020. Fonte: Bloomberg. E.U.A. Portugal Alemanha 2 1,5 1 0,5 0 -0,5 -1

(11)

Apesar das restrições económicas que paralisaram a atividade durante meses, os mercados acionistas con-tinuaram uma retoma em forma de ‘V’, alcançando máximos no final do ano, impulsionados pela elevada liquidez concedida por bancos centrais e pela esperança na contenção do vírus, suportada pelas metas dos planos de vacinação, na inoculação de 70% da população adulta dos países desenvolvidos para a segunda metade de 2021. Os principais índices dos Estados Unidos América lideraram, com o setor tecnológico a des-tacar-se. Na Europa, os principais índices europeus, com maior expressão de empresas cíclicas, registaram uma recuperação mais gradual. As avaliações dos mercados acionistas são elevadas em termos históricos e os rendimentos da dívida aproximam-se dos seus mínimos. Depois de um ‘pico’ em março, o dólar americano perdeu terreno face às principais moedas.

Figura 4

Evolução da taxa de câmbio EUR/USD em 2020. Fonte: Banco Central Europeu.

1,25 1,20 1,15 1,10 1

jan fev mar abr mai jun jul ago set out nov dez

No espaço das matérias-primas, face a um grande choque na procura externa, o preço do petróleo caiu para território negativo, atingindo os -37 dólares por barril no contrato para entrega imediata. A obtenção de consenso para um corte na produção por parte da OPEP+ e a recuperação da procura guiaram o preço do petróleo para níveis de pré-pandemia na segunda metade do ano. Impulsionado pela desvalorização do dólar e pela explosão dos balanços dos principais bancos centrais, o ouro atingiu máximos históricos, quebrando em agosto a barreira dos 2000 dólares por onça.

Figura 5

Principais índices de mercados de capitais em 2020. Fonte: Bloomberg. 16,5% MSCI W orld -2,6% Eur os to xx 50 18,4% S&P 500 9 ,2% Bloomber g Global A ggr ega te -20 ,5% P etr óleo (WTI) 18,8% SMSCI Emer ging Mark ets -11,4% FT SE 100 (UK) 10,0 3% Bloomber g Global Cr edit 45, 1% Nasdaq 9 ,5% Bloomber g Global T reasuries 24,8% Our o

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Enquadramento Legal

e Regulatório

Desde 2008, como resposta à crise financeira que abalou o panorama económico mundial, as principais entidades reguladoras iniciaram uma profunda reforma legal e regulatória, com o objetivo de reforçar a solidez das instituições financeiras, estabilizar os mercados e aumentar a transparência em todo o sistema financeiro.

Em 2020, a atividade económica em Portugal e no resto do mundo foi significativamente afetada pela pan-demia da COVID-19 e pelas medidas de mitigação em matéria de saúde pública impostas, de que se destaca a restrição à mobilidade de pessoas, o encerramento de fronteiras e condicionamento ao exercício de um conjunto vasto de atividades económicas. Apesar do terceiro trimestre de 2020 ter ficado marcado pelo gradual levantamento das referidas medidas e de uma recuperação rápida e acentuada da economia face ao segundo semestre do ano, essa trajetória de recuperação foi alterada no último trimestre de 2020 com a necessidade de implementação de novas medidas de contenção em Portugal e na generalidade dos países. Em resultado do atual contexto de saúde pública, as perspetivas económicas permanecem assim rodeadas de elevada incerteza, estando muito dependentes da evolução da pandemia e da rapidez da vacinação em larga escala. As projeções apresentadas pelo Banco de Portugal assumem que as restrições serão gradual-mente revistas em 2021, entrando a economia numa trajetória de recuperação que se irá prolongar até 2023. Sendo um ano marcado pela pandemia, o Banco viu-se obrigado a desenvolver um conjunto muito diverso de ações para avaliar o impacto e extensão dos vários diplomas legais e regulamentares que foram sendo divulgados de forma massiva desde março de 2020, tendo procedido ao ajustamento de políticas internas, do orçamento para o ano de 2020 e ainda aprofundado o procedimento de teletrabalho criado em 2019 para os seus Colaboradores.

Entre os desenvolvimentos regulatórios e alterações legislativas com maior impacto na atividade do Banco no decurso do ano de 2020 destacam-se os seguintes:

Decreto-Lei n.º 10-J/2020, de 26 de março (versão consolidada após sucessivas alterações) – Com a emer-gência de saúde pública, o Governo viu-se obrigado a estabelecer medidas excecionais de proteção dos créditos das famílias, empresas, instituições particulares de solidariedade social e demais entidades da eco-nomia social, bem como um regime especial de garantias pessoais do Estado, no âmbito da pandemia da COVID-19.

Nestes termos, foi aprovada uma moratória, até 30 de setembro de 2021, que prevê a proibição da revogação das linhas de crédito contratadas, a prorrogação ou suspensão dos créditos até fim deste período. Garante-se a continuidade do financiamento às famílias e empresas e previne-se eventuais incumprimentos resultantes da redução da atividade económica.

O mesmo diploma prevê a concessão de garantias, por parte de sociedades de garantia mútua, no contexto das medidas excecionais e temporárias de resposta à situação epidemiológica da COVID-19, a beneficiários ou outras pessoas jurídicas, singulares ou coletivas, que não reúnam a qualidade de acionista, assegurando assim o acesso a crédito para mitigação dos efeitos financeiros da referida situação epidemiológica (“Linhas Covid-19”).

Lei n.º 27.º-A/2020, de 24 de julho - Procede à segunda alteração à Lei n.º 2/2020, de 31 de março (Orça-mento do Estado para 2020), e à alteração de diversos diplomas, criando o Adicional de Solidariedade sobre o Setor Bancário.

Lei n.º 57/2020, de 28 de agosto - Estabelece normas de proteção do consumidor de serviços financeiros, procedendo à quarta alteração ao Decreto-Lei n.º 133/2009, de 2 de junho, à primeira alteração à Lei n.º 66/2015, de 6 de julho, e à terceira alteração ao Decreto-Lei n.º 74-A/2017, de 23 de junho.

Lei n.º 58/2020, de 31 de agosto - Transpõe a Diretiva (UE) 2018/843 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 30 de maio de 2018, que altera a Diretiva (UE) 2015/849 relativa à prevenção da utilização do sistema

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financeiro para efeitos de branqueamento de capitais ou de financiamento do terrorismo e a Diretiva (UE) 2018/1673 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 23 de outubro de 2018, relativa ao combate ao bran-queamento de capitais através do direito penal, alterando diversas leis.

Aviso n.º 2/2020, emitido pelo Banco de Portugal - Regulamenta os deveres de informação aos clientes a observar pelas instituições no âmbito das operações de crédito abrangidas pelas medidas excecionais e temporárias de resposta à pandemia previstas no Decreto-Lei n.º 10-J/2020, de 26 de março (“moratória pública”), bem como no âmbito de moratórias de iniciativa privada.

Aviso n.º 3/2020, emitido pelo Banco de Portugal - Regulamenta os sistemas de governo e controlo interno e define os padrões mínimos em que deve assentar a cultura organizacional das entidades sujeitas à super-visão do Banco de Portugal.

Instrução n.º 18/2020, emitida pelo Banco de Portugal - Regulamenta os deveres de reporte respeitante à conduta e cultura organizacional e aos sistemas de governo e controlo interno.

Instrução n.º 19/2020, emitida pelo Banco de Portugal - Regulamenta o dever de reporte ao Banco de Portugal de informações sobre exposições objeto de medidas aplicadas em resposta à crise da pandemia da COVID-19 conforme orientações EBA (EBA/GL/2020/07).

Instrução n.º 13/2020, emitida pelo Banco de Portugal - Comunicação de informação ao Banco de Portugal sobre a moratória pública e as moratórias privadas.

Instrução n.º 6/2020, emitida pelo Banco de Portugal - Procede à alteração da Instrução n.º 5/2019 para incluir no Relatório de Prevenção do Branqueamento de Capitais e do Financiamento do Terrorismo infor-mações respeitantes aos procedimentos específicos para dar cumprimento ao Regulamento (UE) 2015/847. Orientações da EBA relativas a moratórias públicas e privadas aplicadas a operações de crédito no con-texto da pandemia do coronavírus Covid-19 (EBA/GL/2020/02) - as quais contêm um conjunto alargado de orientações e recomendações relacionadas com os termos e condições que a prorrogação de prazos de pagamentos inerentes a operações de crédito, associada a uma moratória pública ou privada (adiante designadas por “Moratórias Gerais de Pagamento”) criada no contexto da pandemia, deve cumprir para não reconduzir à verificação de uma situação de incumprimento.

Orientações da EBA sobre a concessão e monitorização de empréstimos (EBA/GL/2020/06): Sublinha a importância de as instituições darem adequado cumprimento às linhas de orientação constantes nas “Orien-tações sobre a concessão e monitorização de empréstimos (EBA/GL/2020/06)”, as quais devem ser segui-das e aplicasegui-das no contexto da legislação e regulamentação em vigor, e que entrarão em vigor no próximo dia 30 de junho de 2021.

Circular da CMVM - Circular às entidades obrigadas sob supervisão da CMVM sobre a prevenção do bran-queamento de capitais e do financiamento do terrorismo no contexto da pandemia.

Regulamento da CMVM n.º 2/2020 - Prevenção do branqueamento de capitais e financiamento do terrorismo. Regulamento da CMVM n.º 9/2020 - Relatório de autoavaliação dos sistemas de governo e controlo interno.

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O ATLANTICO Europa

Estrutura Acionista

O Banco Atlântico Europa, S.A. (ATLANTICO Europa ou Banco) é um banco de direito comunitário, com sede em Lisboa, supervisionado e regulamentado pelo Banco de Portugal e pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

Fundado por uma equipa de gestão com vasta experiência no setor, o ATLANTICO Europa iniciou a sua atividade em 2009, com a ambição de se tornar um banco de referência na relação financeira e económica de África, com particular enfoque nos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOPs) com a Europa, pela capacidade de promover uma oferta diferenciadora, baseada na tecnologia e na inovação, e capaz de gerar valor para os seus clientes, parceiros, Colaboradores e acionistas.

O ATLANTICO Europa assume a ambição estratégica de se tornar o melhor Banco especializado no apoio ao processo de investimento estrangeiro em Portugal e no apoio aos fluxos de comércio entre Portugal e os seus parceiros económicos.

Hoje, o Banco está fisicamente presente em Lisboa, Portugal, e através da sua Sucursal, em Windhoek, Namí-bia, prestando serviços financeiros a Clientes de mais de 80 países diferentes.

A 31 de dezembro de 2019, o capital social do Banco era de EUR 50.000.000,00 (cinquenta milhões de euros), integralmente realizado, representado por 50.000.000 de ações ordinárias, nominativas, com o valor nominal de um euro. Estas ações representam 100% do capital, conferem direitos iguais e são fungíveis entre si.

A estrutura acionista do Banco, a 31 de dezembro de 2020, encontrava-se concentrada num único acionista, o Atlântico Europa, SGPS, S.A., detentor de 100% das participações sociais, o qual tem a seguinte estrutura acionista: Figura 6 Estrutura Acionista. 0,002% Outros 3,498% Nasoluma S.A. 96,50% Atlântico Financial Group, SARL

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Órgãos Sociais

Conselho de Administração Presidente

Maria da Conceição Mota Soares de Oliveira Callé Lucas

(Presidente da Comissão de Nomeações e Remunerações)

Vogais Não Executivos

Augusto Costa Ramiro Baptista Maria Cândida Carvalho Peixoto

(Presidente da Comissão de Controlo Interno)

Vogais Executivos

Diogo Baptista Russo Pereira da Cunha

(Presidente da Comissão Executiva –CEO)

Nuno Pedro da Silva do Carmo Vaz

(Vice-Presidente da Comissão Executiva)

José Carlos Manuel Burity Pedro Manuel Moreira Leitão

(Cessou funções a 03.01.2020)

Conselho Fiscal Presidente

Fernando Augusto de Sousa Ferreira Pinto Vogais Efetivos

Nuno Pedro Moura Roldão

Dário Fernando Cordeiro de Sousa Vogal Suplente

José Maria Francisco Wanassi

Revisor Oficial de Contas Revisor

KPMG & ASSOCIADOS, SROC, S.A., representado por Miguel Pinto Douradinha Afonso

Suplente

José Manuel Horta Nova Nunes

Mesa da Assembleia Geral Presidente

Fernando José Aguilar Carvalho Vice-Presidente

Manuel Maria Cota Dias da Silveira Botelho Secretária

Ana Rita de Mello Vieira Santos

Secretário da Sociedade Efetivo

Raquel Elias da Costa Suplente

Ana Rita de Mello Vieira Santos

O mandato dos órgãos sociais é de quatro anos, tendo os membros acima designados terminado o seu mandato em 31 de dezembro de 2020, mantendo-se em funções até nomeação de novos órgãos sociais, nos termos da legislação aplicável.

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Estrutura Orgânica

Comissão de Nomeações

e Remunerações Assembleia Geral Conselho Fiscal

Gabinete do Presidente AdministraçãoConselho de Comissão de Controlo Interno

Comité de Crédito Comité ALCO e de Risco

Global

Comissão Executiva Comité de Produtos

Comité de Continuidade de Negócio

Internacional Áreas de Controlo

Data Privacy Áreas de Suporte

Áreas de Negócio

Sucursal Namíbia Private Banking Operações Risco

Legal Mercados de Capitais

Compliance Planeamento & Financeiro

Corporate Banking Segurança Plataformas Auditoria Interna Technology & Development Customer Banking Organização Capital Humano Institutional Banking ESG Marketing Mercados Financeiros Logística Figura 7 Organograma do Banco. Reporte Hierárquico Reporte Funcional

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Modelo de Governo

O Banco adotou o modelo de organização corporativa, nos termos do n.º 1 do artigo 278º dos Código das Sociedades Comerciais (“CSC”), que melhor assegura a separação de poderes entre os seus diversos órgãos sociais, tendo em conta a natureza e complexidade dos diversos riscos a que o Banco se encontra exposto, visando promover um quadro de contínua prossecução dos fins sociais.

Nesse sentido, a estrutura de governo do Banco compreende os seguintes órgãos: Assembleia Geral, Conse-lho de Administração, ConseConse-lho Fiscal e Revisor Oficial de Contas.

No modelo monista adotado pelo Banco, as funções de administração cabem ao Conselho de Administração, o qual delega as funções de gestão corrente na Comissão Executiva, sendo as funções de fiscalização atri-buídas ao Conselho Fiscal e ao Revisor Oficial de Contas.

Os princípios orientadores desta estrutura assentam na transparência e eficiência do funcionamento entre os diversos órgãos sociais sem comprometer a eficiência da gestão equilibrada de situações po-tencialmente geradoras de conflito de interesses e uma continuada monitorização e controlo dos riscos associados à atividade.

O Modelo de Governo do Banco compreende ainda duas comissões especializadas e quatro comités de gestão:

Comissão de Nomeações e Remunerações (CNR)

A CNR é responsável por assegurar que o modelo de remunerações, incluindo as remunerações dos Órgãos Sociais, é adequado e consistente com a cultura do Banco, a estratégia de risco de longo prazo, o desempenho e ambiente de controlo, e conforme com os requisitos legais e regulamentares em vigor. Esta Comissão tem igualmente como missão avaliar em permanência a adequação dos membros dos órgãos de administração e de fiscalização, assim como dos titulares de funções essenciais.

Comissão de Controlo Interno (CCI)

A CCI é responsável pela prestação de apoio ao órgão de administração na análise e decisão de temas relacionados com o Controlo Interno (incluindo a prevenção do branqueamento de capitais e combate ao financiamento do terrorismo), nomeadamente, entre outras competências detalhadas no respetivo Regi-mento: Avaliação e promoção da eficácia dos sistemas governo e de controlo interno e da cultura organiza-cional, de gestão de riscos e de auditoria interna; Acompanhamento das atividades das funções de controlo (Risco, Compliance e Auditoria Interna); Apreciação dos Relatórios Anuais de Controlo Interno e Relatório de Prevenção de Branqueamento de Capitais (“RPB”), assim como os relatórios anuais das funções de controlo.

Comité de Crédito

Gerir a carteira de crédito da Instituição; Avaliar e decidir sobre as propostas de concessão de crédito, re-novações e reestruturações, de acordo com a política de crédito da Instituição; Monitorizar a evolução da carteira de crédito na componente de negócio (rentabilidade, clientes, segmentos, taxas efetivas, etc.) e de risco (concentração da carteira, exposição, incumprimento, etc.).

Comité de Produtos

Assegurar que o lançamento de novos produtos ou serviços pelo Banco ou alteração substancial dos produ-tos e serviços existentes está sustentada numa correta e exaustiva análise de todos os riscos.

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Comité ALCO e de Risco Global

Análise e decisão sobre a gestão de assets and liabilities/ (ALM), bem como análise e decisão sobre gestão de riscos; Acompanhar a evolução do balanço e capital do banco garantido a sua adequabilidade aos ob-jetivos estratégicos definidos; Acompanhar a exposição aos diferentes riscos de crédito, taxa de juro, taxa cambial, concentração ativos/passivos, riscos operacionais etc. e definir medidas que permitam mitigar essa exposição.

Comité de Continuidade de Negócio

O Comité de Continuidade de Negócio acompanha a implementação e posterior manutenção do sistema de Gestão da Continuidade de Negócio. Neste Comité são discutidos temas relacionados com a implementação ou melhoria dos mecanismos de recuperação de atividade existentes bem como a avaliação do desempenho do sistema de Gestão da Continuidade de Negócio numa ótica de melhoria contínua.

O Modelo de Governo Societário encontra-se descrito em detalhe no Relatório de Governo Societário de 2020.

Regulação e Supervisão

A atividade do ATLANTICO Europa em Portugal é regulada e supervisionada por duas entidades: Banco de Portugal, sob a licença n.º 0189, com data de registo a 20 de julho de 2009 – bportugal.pt Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), sob a licença n.º 343, com data de registo a 29 de setembro de 2010 - cmvm.pt

A atividade do Banco na Namíbia é regulada pelo Banco Central da Namíbia, com data de registo a 1 de novembro de 2015 - bon.com.na

A nível europeu, o Banco não é supervisionado diretamente pelo Banco Central Europeu, uma vez que não é considerada uma instituição de “importância sistémica”, estando, no entanto, sujeito às mesmas regras de supervisão dos restantes bancos da União Europeia, sob as diretrizes da Autoridade Bancária Europeia (EBA).

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O ATLANTICO Europa desenvolve, através do seu headoffice em Portugal e da sua sucursal na Namíbia, a sua atividade junto dos segmentos de Clientes Particulares, Empresas e Institucionais, assumindo a ambição estratégica de se tornar o melhor Banco especializado no apoio ao processo de investimento estrangeiro em Portugal e no apoio aos fluxos de comércio entre Portugal e os seus parceiros económicos.

O Banco disponibiliza uma oferta especializada de produtos financeiros, por via de um posicionamento de Banca de relação e com o suporte de uma plataforma digital, que vão desde contas à ordem e cartões, a soluções especializadas de apoio ao comércio internacional e serviços de pagamento. A acrescer a esta oferta, o Banco procura promover um modelo de serviço diferenciador, pela qualidade e disponibilidade no contacto e pela agilidade na resposta às diversas e evolutivas necessidades dos seus Clientes.

O modelo de serviço e distribuição da oferta do Banco desenvolve-se, de forma direta, nos mercados onde está fisicamente presente, tendo o Banco terminado o ano a servir mais 34 mil Clientes com origem em mais de 80 países, reforçando a sua atratividade por parte de Clientes de perfil internacional, ligados a Portugal nas suas diferentes necessidades financeiras.

Adicionalmente, de forma indireta e complementar, o Banco possibilita o acesso aos seus produtos junto de Clientes residentes no espaço europeu, por via de parcerias com Fintechs e plataformas digitais europeias.

ver Figura 9, pág. 18

O Banco possui ainda uma rede alargada de relações bancárias com instituições financeiras sediadas na América, África, Europa e Ásia, de forma a garantir um alcance global e a capitalizar os fluxos financeiros e comerciais entre os vários continentes.

Para o sucesso de toda a sua estratégia, o ATLANTICO Europa investe continuamente na eficiência do seu suporte operacional, em conjunto com a capacitação dos seus recursos corporativos, que inclui a capacidade de atrair e reter talentos, de criar uma cultura de inovação e um sistema de controlo interno eficaz, de promover uma cultura organizacional assente em princípios de conduta e ética profissionais, de desenvolver uma infraestrutura de tecnologias de informação escalável e um ecossistema robusto de análise e dados e de manter um processo ágil de tomada de decisão.

No seu modelo de negócio, o Banco incorpora ainda um forte compromisso em promover uma atuação sustentável e de impacto, abarcando valores ambientais, sociais e de governance (ESG) em todos os seus processos, operações e desenvolvimentos, e incorporando na sua estratégia os objetivos de desenvolvimento sustentável definidos na agenda das Nações Unidas para 2030.

Particulares

Empresas e Institucionais

Digital Banking Wealth Management

Contas multidivisa Crédito hipotecário Trade Finance

Meios de pagamento Soluções de investimento Pagamentos internacionais Poupanças à ordem e a prazo Planeamento patrimonial Gestão de tesouraria e liquidez

Figura 8 Linhas de negócio.

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Figura 9

Presença Nacional e Internacional e países onde presta serviços financeiros.

24 países da Europa Parceiras Digitais

Portugal

Banco Atlântico Europa

Namíbia

Atlântico Namíbia Branch

O nosso hub em Africa para apoiar a expansão no mercado comum da SADC.

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Valor Relacionamento Globalidade Conhecimento Marca

O Banco opera sob a marca ATLANTICO de forma independente, detendo os seus direitos nos mercados onde opera, acompanhada do símbolo PHI.

O signo matemático PHI é um símbolo visual do equilíbrio entre a razão e a emoção. Representa também o conhecimento universal e global, presente nas diferentes disciplinas do saber e nas diferentes culturas. O símbolo PHI traduz a cultura organizacional e as pessoas. Ser ATLANTICO é ser PHI, e ser PHI é ser-se capaz de criar relação de forma rigorosa, discreta e que acrescenta valor diariamente.

A marca ATLANTICO significa envolver as pessoas, aproximar culturas, transmitir valores e inovar todos os dias. Representa o orgulho no alcançado e o otimismo com que se encara o futuro.

7 convicções guiam o dia a dia da organização: ø As pessoas fazem a diferença.

ø A curiosidade impulsiona conquistas.

ø O tempo dos clientes é precioso, trabalhamos para o poupar. ø Há sempre forma de fazer mais e melhor.

ø O mérito é a melhor forma de justiça. ø A confiança não é só uma palavra.

ø O dinheiro dos outros é ainda mais importante que o nosso.

Modelo de Serviço

O ATLANTICO Europa procura que a tecnologia e o capital humano assumam um papel preponderante na experiência dos seus Clientes, seja por via da conveniência e eficiência geradas pela digitalização, ou pela incorporação da interação humana nas componentes onde a mesma gera mais valor, sobretudo na interpre-tação das necessidades dos Clientes, no suporte do dia a dia e no aconselhamento financeiro.

Na distribuição dos seus serviços, o Banco promove um modelo de serviço multicanal, composto por pontos de contacto eletrónicos e físicos, que permitam a interação no formato mais adequado para o cliente em cada momento e promovam uma experiência de utilização integrada, consistente e diferenciadora.

Durante 2020, o contexto de pandemia da COVID-19 obrigou a uma adaptação do dia a dia do Banco a uma nova realidade, que passou também pela necessidade de ajustar o seu modelo de serviço, de forma a garantir a segurança dos Clientes e Colaboradores e a mobilidade do seu modelo de trabalho, para o normal funcionamento da atividade.

Ao longo de todo o ano, os canais eletrónicos do Banco assumiram uma relevância ainda mais significativa, tendo permitido aos Clientes gerir com eficácia toda a relação com o Banco à distância.

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ATLANTICO GO My ATLANTICO ATLANTICOApoio ATLANTICO Onboarding Parcerias Digitais Gestores de Clientes

Figura 10

Canais de Distribuição.

ATLANTICO GO

O ATLANTICO GO é o espaço físico de atendimento ao público do ATLANTICO Europa, disponível para Clientes que, em determinado momento, optam por um contacto presencial com o Banco. Localizado na Avenida da Li-berdade em Lisboa, Portugal, está assente num modelo de serviço que combina tecnologia com a proximidade relacional, através de um atendimento flexível, móvel e sem papel.

Em 2020, em resposta à pandemia, o atendimento no ATLANTICO GO passou a ser feito por marcação, promo-vendo uma melhor experiência a todos os seus visitantes. O Banco teve de adaptar o modelo de atendimento no ATLANTICO GO, tendo, no entanto, sido possível manter o espaço sempre em funcionamento e disponível para receber os Clientes do Banco.

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MY ATLANTICO

O MY ATLANTICO é a plataforma de Internet e mobile banking do ATLANTICO Europa e assume um papel preponderante na experiência digital dos Clientes do Banco.

Como principal plataforma de interação entre Clien-tes e o Banco, o MY ATLANTICO permite aos seus utilizadores acederem à sua conta e gerirem todo o seu dia a dia financeiro, cujas principais funcionali-dades disponíveis incluem transferências nacionais e internacionais, pagamentos e carregamentos, compra e venda de moeda, débitos diretos, subscri-ção de produtos de poupança, gestão de cartões de débito e crédito e um conjunto de funcionalidades inovadoras de gestão de finanças pessoais, tais como análise de gastos, orçamentos e notificações em tempo real.

Durante 2020, a evolução contínua da plataforma MY ATLANTICO contou com mais de 75 atualizações da App (iOS e Android), que incluíram a disponibiliza-ção de novas funcionalidades, correções e melhorias técnicas diversas.

Entre as funcionalidades lançadas, destaca-se a possibilidade de os Clientes poderem subscrever o novo produto “Planos de Conta” (Plano Basic, Plano Plus e Plano Premium), que disponibilizam o acesso integrado aos principais produtos e serviços do dia a dia, a um valor fixo mensal.

Em 2020, o MY ATLANTICO assumiu ainda uma maior relevância, tendo registado um número médio diário de 4.600 logins, alcançando no mês de de-zembro o maior registo de sempre (mais de 180 mil logins).

APOIO ATLANTICO

O Apoio ATLANTICO é a plataforma de apoio ao cliente do ATLANTICO Europa que dá suporte aos Clientes nas mais diversas questões relacionadas com a sua conta. Atualmente, este serviço inclui 3 formatos de contacto distintos: email, telefone e chat. Este último, integra uma tecnologia de bot, assente em inteligência artificial, que garante uma primeira linha de suporte disponível 24 horas por dia e 7 dias por semana.

Em 2020, o Apoio ATLANTICO recebeu perto de 100 mil contactos, registando uma média de 262 contac-tos recebidos por dia.

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ATLANTICO ONBOARDING

O ATLANTICO conta ainda com uma equipa especializada que gere todo o processo de abertura de conta por video-chamada, no qual o ATLANTICO Europa se destacou como o primeiro banco em Portugal a disponibilizá-la ao mer-cado. Esta funcionalidade permite que qualquer cidadão, residente ou não residente em Portugal, por iniciativa ou por limitação física, possa ter acesso aos serviços do Ban-co, contribuindo para uma maior acessibilidade e inclusão financeira.

Parcerias Digitais

No ano de 2020, o ATLANTICO Europa continuou a distri-buir soluções na componente de poupança por via de par-cerias com Fintechs e plataformas digitais europeias, ainda que com um grau de relevância decrescente, no seguimento da decisão estratégica do Banco em reduzir a utilização, já limitada, destes canais de distribuição.

Gestores de Clientes

O ATLANTICO Europa dispõe de uma equipa de gestores dedicados que promovem um acompanhamento perma-nente de segmentos específicos de Clientes do Banco. Ao desenvolver um profundo conhecimento das necessidades específicas de cada cliente, os gestores têm a capacidade de acrescentar valor e personalizar a oferta do Banco para dar resposta a essas necessidades.

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Evolução

do Negócio

Milestones

Lançamento do ATLANTICO Europa em Lisboa, como primeiro passo da estratégia de internacionalização da marca ATLANTICO. Alargamento da oferta de produtos e serviços e implementação da atual imagem corporativa, que passou a refletir melhor a cultura e valores da marca ATLANTICO. Crescimento da base de clientes e adesão, como participante direto, ao sistema de pagamentos TARGET 2. ATLANTICO Europa alcança pela primeira vez resultado líquido anual positivo. Inauguração da sede na Av. Liberdade e abertura do Centro ATLANTICO, de atendimento ao público. Crescimento continuo da base de clientes e diversificação da oferta de produtos e serviços. Reforço do foco no apoio a Empresas na vertente de trade finance e atividade de Banca Correspondente. Lançamento da 1ª emissão de Papel Comercial pelo ATLANTICO Europa.

2009

2010

2011

2012

2013

2014

Desenvolvimento de novas plataformas digitais MY ATLANTICO e abertura de conta online. Parcerias com plataformas digitais europeias para expansão da oferta e da marca ATLANTICO. Abertura da Sucursal da Namíbia. ATLANTICO Europa considerado, pela primeira vez, uma das melhores empresas para trabalhar em Portugal.

2015

Lançamento da App MY ATLANTICO para smartphone e smartwatch e da

nova versão do site

atlantico.eu. Nova plataforma de apoio ao cliente, integrando novos formatos de contacto como o WhatsApp, Skype, e o Facebook Messenger.

2016

Primeiro banco a disponibilizar a abertura de conta por videochamada, sem necessidade de ir ao balcão. Lançamento do chat A.L.I.C.E. e alargamento da autorização para prestar serviços financeiros a 8 países da Europa.

2017

Lançamento da nova APP My ATLANTICO com novo design e novas funcionalidades. Inauguração do ATLANTICO Go, o espaço de atendimento ao público, com uma nova imagem, mais tecnológico, assente numa operativa totalmente sem papel.

2018

Inclusão de práticas de Sustentabilidade Ambiental, Social e de Governance na estratégia do Banco.

Prémio “Best Trade

Finance Bank 2019

Portugal” pela Global Banking & Finance Review. Prémio “Best Performance Bank in Portugal” pela SRP Global. Nomeados como “Uma das Melhores Empresas para Trabalhar”, revista Exame.

2019

O Banco ultrapassa os 34.000 Clientes. Lançamento do produto “Planos de Conta” (Plano

Basic, Plano Plus e

Plano Premium). Primeiro Banco a lançar o GPI Tracker da Swift em Portugal. Lançamento da versão 6.0 do site atlantico.eu.

2020

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Resumo da Atividade

O ano de 2020 ficou marcado pela crise de saúde pública provocada pela pandemia da COVID-19 que afetou significativamente a conjuntura global, e que se traduziu na desaceleração da atividade económica mundial. Face a este contexto, 2020 testou de uma forma inesperada o modelo de negócio do ATLANTICO Europa e a sua resiliência enquanto instituição, exigindo uma rápida resposta de adaptação ao novo paradigma, de forma a proteger Colaboradores e Clientes e a assegurar a continuidade do negócio.

O ATLANTICO Europa alcançou resultados positivos de 115 mil euros, que refletem o impacto do contexto de mercado e que foram tornados possíveis pela contenção de 16% dos custos totais e pela geração de proveitos em novas linhas de receitas. Este número representa a capacidade de adaptação do Banco e de desempenho da sua atividade, num contexto altamente desafiante e imprevisível.

O Banco terminou o ano com Ativos Totais de 638 milhões de euros e um Produto Bancário de 16 milhões de euros. Mesmo neste enquadramento macroeconómico adverso, o ATLANTICO Europa conseguiu manter os seus rácios de solidez e liquidez robustos, tendo atingido um rácio de solvabilidade de 19,89%, consideravel-mente acima do limite exigido pelo Banco de Portugal e da média do mercado.

Na atividade comercial, o Banco consolidou o seu posicionamento estratégico de servir Clientes Particulares com perfil internacional ligados a Portugal nas suas diferentes necessidades financeiras, empresas com co-mércio internacional e Clientes institucionais, terminando o ano com um crescimento de 9% da sua base de Clientes e ultrapassando os 34.000 Clientes.

O desempenho positivo do Banco traduziu-se num Total de Recursos de 518 milhões de euros e um Total de Crédito de 158 milhões de euros, apresentado uma boa qualidade da carteira de crédito, com um rácio de incumprimento (NPL) de 3,1% e uma cobertura de NPL por imparidade na ordem dos 60,9%.

No segmento Particulares, de destacar o incremento da base de Clientes em cerca de 10%, que reforça a capacidade do ATLANTICO Europa em atrair novos Clientes face à sua oferta e nível de notoriedade. Em 2020, foram também lançados os inovadores “Planos de Conta” (Plano Basic, Plano Plus e Plano Premium) que pretendem melhorar a proposta de valor para estes Clientes, simplificar a sua experiência e permitir uma maior rentabilização do modelo de negócio do ATLANTICO Europa.

Verificou-se também o crescimento da carteira de crédito com forte vertente de reabilitação urbana, com rácios de qualidade, cobertura e até moratórias, significativamente melhores que a média do setor.

No segmento Corporate Banking, o Banco manteve o foco no apoio às empresas ao nível dos seus fluxos de comércio internacional, tanto na vertente de importação como de exportação, tendo-se registado um cres-cimento dos recursos em 37% para 105 milhões de euros. Adicionalmente, foi alargada a oferta dos produtos e serviços, através do lançamento do produto de Factoring e do serviço Swift GPI Tracker, cujo ATLANTICO Europa foi o primeiro banco em Portugal a disponibilizar.

No segmento Institucional, o Banco consolidou uma posição de destaque no apoio aos fluxos comerciais en-tre Portugal e os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa, tanto na vertente de Comércio Internacional como na atividade de Banca Correspondente, tendo investido no acompanhamento e suporte da atividade dos seus Clientes, reforçando a estratégia de proximidade e de consolidação das suas relações bancárias. Em 2020 apostou-se também na diversificação do risco de trade finance por novas geografias e materializaram--se operações com multilaterais.

Adicionalmente, o ATLANTICO Europa continuou focado na evolução do serviço e da oferta e no investi-mento na transformação digital da sua infraestrutura operativa, tendo sido desenvolvidas um conjunto de iniciativas de simplificação e automação de processos, de novas soluções para o dia a dia dos Clientes e de renovação da plataforma de interação, a destacar:

ø Crescimento no montante aplicado por Clientes em fundos de investimento através do ATLANTICO Europa; ø Incorporação da plataforma de low-code Outsystems em 24 processos de desenvolvimento com redução para metade do tempo de implementação;

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ø 75 atualizações das nossas apps “IOS” (44%) e “Android” (56%);

ø 39.863 horas de programação, incluindo desenvolvimento interno, core banking e business intelligence; ø Investimento de 501.516 euros em novas firewalls de última geração e criação do núcleo de cibersegurança; ø Lançamento do novo site www.atlantico.eu;

ø Reforço das ferramentas de controlo de Clientes e transações.

O contínuo desenvolvimento de um ambiente adequado de controlo interno e de gestão eficiente e vigilante de risco foi também um dos principais focos do Banco em 2020, dando continuidade ao investimento dado nos últimos anos nas áreas de gestão integrada de riscos, de compliance e do sistema de controlo interno, com o objetivo de melhorar a eficácia e eficiência dos seus processos e ferramentas, e tendo em considera-ção, nomeadamente, os requisitos recentemente dispostos pelo novo enquadramento regulatório do Banco de Portugal quanto aos sistemas de governo e de controlo interno.

Em 2020, assistiu-se à publicação do primeiro Relatório de Sustentabilidade do ATLANTICO Europa, relativo ao exercício de 2019 e resultado do forte compromisso de práticas de negócio ético e responsável nas áreas de Environment, Social e Governance, que se torna mais um pilar do modelo de negócio do Banco.

O ano fica também marcado pela ativação do Plano de Contingência para desempenho das funções dos Colaboradores em regime de teletrabalho, de forma ágil e rápida, estando em abril mais de 90% dos Colabo-radores a trabalhar à distância. Manteve-se também a contínua aposta na formação dos quadros do Banco, tendo sido promovidas mais de 4.858 horas de formação, 33% relativas a matérias de controlo interno. Em 2020, o Banco promoveu ainda o reforço das dimensões de conduta e cultura organizacional, tendo em conta a importância das mesmas na gestão da sua atividade, através do desenvolvimento de iniciativas que incluem ações recorrentes de sensibilização juntos dos Colaboradores para os temas de conduta e ética organizacional.

O ATLANTICO Europa alcançou assim metas importantes, em linha com o seu dinamismo comercial, melhoria da eficiência, transformação digital, qualidade de serviço e compromisso sustentável, consolidando o perfil de um banco sólido, e procurando aumentar continuamente o valor gerado para Clientes, Acionistas, Cola-boradores e demais Stakeholders.

Áreas de Negócio Comerciais

Particulares

No desenvolvimento da sua atividade junto de Clientes Particulares, o ATLANTICO Europa serve pessoas singulares e empresários que, mediante o modelo de relação que procuram e a dimensão do seu património, podem integrar um serviço de Digital Banking (serviço de banca de retalho com forte componente digital) ou o de Wealth Management. Adicionalmente, na sua base de Clientes Particulares, o Banco conta ainda com Clientes individuais angariados através de parcerias com Fintechs e plataformas digitais europeias de disponibilização de produtos de poupança a Clientes residentes na Europa.

Para este segmento, o ATLANTICO Europa assume o posicionamento de um banco especializado no apoio a Clientes com perfil internacional, ligados a Portugal nas suas diferentes necessidades financeiras. Para estes Clientes, a oferta do Banco inclui contas correntes e serviços de pagamento, soluções de poupança e investimento, produtos de crédito e financiamento e um conjunto de serviços complementares de apoio à gestão das finanças pessoais e à gestão patrimonial.

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No final de 2020, o Banco contava com 28.901 Clientes Particulares, detentores de um volume Total de Depósitos de 342 milhões de euros e de um volume total de Crédito de 124 milhões de euros.

O volume dos recursos obtidos por via das Fintechs e plataformas digitais manteve uma tendência decres-cente, reduzindo 40% face ao ano anterior, sobretudo devido à posição do Banco em não acompanhar a competição das taxas de juros de depósitos que se verificam atualmente nestas plataformas.

Na vertente do crédito, foi possível registar um crescimento percentual significativo, derivado essencialmente do financiamento hipotecário, assente em garantias de elevada qualidade e reduzidos níveis de loan-to-value.

Digital Banking

Através do serviço de Digital Banking, o ATLANTICO Europa serve Clientes individuais e famílias com diferen-tes necessidades, níveis de autonomia e expectativas, através de um modelo de relação multicanal integrado, que privilegia a interação com Clientes via canais digitais, apoiada por um serviço de apoio ao cliente multi-formato e por uma única agência física, situada em Lisboa. Este modelo de relação permite aos Clientes, de forma mais autónoma ou mais acompanhada, fazerem a gestão do seu dia a dia financeiro, constituírem as suas poupanças ou terem acesso a soluções abrangentes de investimento e financiamento.

Num ano de contração generalizada da atividade, fruto do contexto de pandemia, o Digital Banking cresceu a sua base de Clientes em 10%, alcançando um total de 28.131 Clientes, confirmando a atratividade da sua proposta de valor para o mercado-alvo do Banco.

2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019 2020 28 131 Clientes em 2020

+10% que no ano anterior

17 597 25 570 28 131 2 885 399 1 1 967 1 344 205 6 084 1 004 86 19 Figura 11

Evolução Nº Clientes Digital Banking.

Produtos e Serviços ø Depósitos à ordem

ø Depósitos a prazo e contas poupança ø Empréstimos

ø Soluções de investimento ø Garantias prestadas

ø Cartões de crédito ø Cartões de débito ø Operações do dia a dia ø Cheques

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O volume Total de Recursos on e off balance situou-se nos 119 milhões de euros, e o volume Total de Crédito nos 8 milhões de euros, ambos correspondendo a um decréscimo de 3% face ao período homólogo.

Ao longo do ano, o Banco esteve especialmente focado em garantir todas as condições para os seus Clientes poderem manter a normal gestão das suas contas e da relação com o Banco. Os canais digitais do Banco, assumiram um papel ainda mais preponderante em 2020, registando níveis de utilização recorde, que foram determinantes para garantir que todos os Clientes pudessem realizar a execução das suas operações finan-ceiras do dia a dia de forma autónoma, eficiente e segura.

Em 2020, o Banco desenvolveu ainda uma extensa análise ao perfil dos seus Clientes Particulares, com o propósito de melhor compreender as suas necessidades e objetivos. Esta análise, permitiu obter uma visão mais clara sobre as evoluções mais prioritárias a promover na oferta e no serviço do Banco, que culminou com o lançamento, no final do ano, do produto “Planos de Conta” (Plano Basic, Plano Plus e Plano Premium), que visaram agregar os principais produtos e serviços financeiros do dia a dia, a um custo fixo mensal, e que prometem vir a transformar o modelo de relação que o Banco tem com estes Clientes.

Wealth Management

Através do serviço de Wealth Management, o ATLANTICO Europa serve Clientes de património elevado, promovendo uma gestão patrimonial integral e personalizada, assente num modelo de relação próximo e na capacidade de gerar oportunidades de investimento e preservação de capital, adaptadas às necessidades de cada cliente.

A valorização do modelo de proximidade com o cliente que caracteriza este segmento, tem vindo a permitir uma consolidação da atividade, seja através da capacidade para captar novos Clientes, de várias geografias, ou da capacidade para aumentar o envolvimento dos Clientes atuais.

Esta evolução da atividade permitiu que ao longo do ano o Wealth Management se dedicasse ao reforço da base de Clientes com maior envolvimento, potenciando, de forma correspondente, o aumento de oportunida-des de investimento, identificadas para Clientes de geografias tão diversas quanto os seus próprios interesses pessoais e empresariais.

2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019 2020 770 Clientes em 2020

-3% que no ano anterior 622

797 270 122 477 193 93 356 158 53 20 Figura 12

Evolução nº Clientes Wealth Management.

Produtos e Serviços ø Planeamento patrimonial

ø Soluções de poupança e investimento ø Produtos de crédito e financiamento

ø Contas correntes e serviços de pagamento ø Digital Banking

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No final de 2020, o volume Total de Recursos on e off balance situou-se nos 222 milhões de euros, que correspondeu a um decréscimo de 4% face ao período homólogo.

De entre os principais produtos disponibilizados aos Clientes que integram o serviço de Wealth Managment, destaca-se o financiamento imobiliário, com especial foco para a reabilitação de edifícios. Estas operações são, na maioria das vezes, investimentos que permitem não só reabilitar edifícios devolutos de zonas históri-cas, como contribuir para uma melhoria significativa da eficiência energética dos imóveis. O crédito conce-dido, maioritariamente crédito hipotecário, com rácios de cobertura conservadores suportados em ativos de elevada qualidade, é dos principais geradores de receita deste segmento, tendo o volume global de crédito desembolsado aumentado 24% para os 116 milhões de euros.

Dando continuidade à sua estratégia, em 2020 o Banco manteve o foco na disponibilização de um serviço cada vez mais exigente e orientado para as necessidades dos Clientes deste segmento, promovendo o acesso rápido a soluções que lhes permitam atingir os seus objetivos financeiros e concretizar as melhores oportu-nidades de investimento em Portugal.

Parcerias Digitais

Em 2020, o ATLANTICO Europa continuou a distribuir os seus produtos e serviços por via de parcerias com Fintechs e plataformas digitais europeias, ainda que com um grau de relevância decrescente, no seguimento da decisão estratégica do Banco em reduzir a utilização, já limitada, destes canais de distribuição.

Soluções de Poupança

Na componente de produtos de poupança, o Banco manteve a sua oferta disponível em 24 países da União Europeia através das parcerias com as Fintechs Savedo e Raisin. No entanto, a performance destas parce-rias manteve um registo contido ao longo de todo o ano, fruto da opção do Banco em não acompanhar a competição das taxas de juro de depósitos que se verificam atualmente nestas plataformas. Este facto levou à descontinuação, no final do ano, da parceria com a Savedo, mantendo o Banco a carteira de depósitos a prazo, angariados através desta plataforma, ainda a decorrer.

Soluções de Crédito

As parcerias entre o ATLANTICO Europa e Fintechs e plataformas digitais europeias que disponibilizam soluções de financiamento a Clientes residentes no espaço europeu, e que foram estabelecidas a título expe-rimental e limitado, continuam em curso, estando os créditos em processo de amortização gradual.

A parceria com a Prodigy Finance, uma empresa de concessão de crédito a estudantes internacionais nas universidades de topo, consubstanciou-se num acordo de investimento até 900.000 Euros realizado em março de 2019 sob a forma de empréstimos a estudantes internacionais que estudam em universidades de topo. À data de hoje encontra-se por amortizar 703.955 Euros.

A parceria com a Auxmoney, uma plataforma de crédito líder na Zona Euro consubstanciou-se num investi-mento inicial de 3.000.000 Euros realizado em agosto 2019 em créditos ao consumo a residentes na Alema-nha. À data de hoje encontra-se por amortizar 1.811.684 Euros.

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Empresas

No Corporate Banking, o ATLANTICO Europa serve Clientes Empresas mantendo o foco no apoio à ativida-de ativida-de comércio internacional, disponibilizando aos seus Clientes soluções customizadas ativida-de importação e exportação, soluções de financiamento estruturado de curto e longo prazo, bem como uma ampla gama de instrumentos e suportes digitais para a gestão das operações no dia a dia.

Produtos e Serviços

 Soluções integradas de Trade Finance

Soluções que visam aumentar a segurança das transações das empresas no âmbito do negócio internacional dos Clientes, mitigando os riscos em todas as etapas de exportação/importação e permitindo a otimização dos fluxos de caixa.

Créditos documentários de exportação

Visam garantir o pagamento das exportações na data acordada entre as partes, mediante apresentação de documentos em conformidade com os termos previstos na Carta de Crédito. Ao compromisso irrevogável do Banco emitente, o ATLANTICO Europa poderá adicionar a sua confirmação à operação, assumindo desta forma o pleno compromisso da liquidação da operação,

independentemente do cumprimento do Banco emitente.

Créditos documentários de importação

Visam garantir o pagamento das importações na data acordada entre as partes, mediante apresentação de documentos em conformidade com os termos previstos na Carta de Crédito, assumindo o ATLANTICO Europa o pleno compromisso da liquidação da operação. Adicionalmente poderá permitir o financiamento das importações.

Remessas documentárias de exportação e importação

Visam adicionar uma maior segurança às operações de importação/exportação, garantindo que a entrega dos documentos associados à operação apenas ocorre mediante o seu pagamento ou compromisso escrito de pagamento/letra aceite junto do Banco.

Estruturação e acompanhamento de operações

Potenciar a atividade internacional do Cliente com soluções ajustadas às especificidades do seu negócio e com um acompanhamento permanente das suas operações.

Antecipação do pagamento de créditos documentários de exportação

Obter a antecipação de pagamentos diferidos agendados ao abrigo de cartas de crédito confirmadas pelo Banco ou por outros bancos, permitindo uma melhor gestão e otimização de tesouraria.

Pré-financiamento à Exportação

Acesso a operações de pré-financiamento das exportações suportadas por Carta de Crédito ou com base nos documentos de suporte à operação comercial de exportação.

Referências

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