Resumo – Este relatório trata-se do trabalho para a disciplina fundamentos da eletricidade (EEE390) cursada na Universidade Federal do Rio de Janeiro, no período 2016.1. Este trabalho tem por finalidade apresentar conceitos referentes à estrutura tarifária brasileira e será abordado temas sobre a Tarifação da energia elétrica no Brasil, especialmente, no Rio de Janeiro.
I. I
NTRODUÇÃOARA assegurar o fornecimento de energia elétrica com qualidade, os custos para a sua geração e transporte devem ser cobertos por meio da cobrança de tarifas dos consumidores. Os contratos de concessão, assinados pelas distribuidoras com a União - representada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) - estabelecem a composição das tarifas que remuneram as concessionárias de forma justa e as fórmulas dos reajustes anuais. As tarifas podem ser calculadas para uma concessionária de distribuição (distribuidora) ou para uma concessionária de transmissão (transmissora).
O setor de energia elétrica pode ser subdividido em quatro segmentos de Negócio: geração, transmissão, distribuição e comercialização. O sistema de geração de energia elétrica do Brasil apresenta a característica de estar interligado nacionalmente pelo sistema de transmissão, excetuando-se poucas regiões, sendo denominado Sistema Interligado Nacional (SIN). De acordo com o ONS (2010), apenas 3,4% da capacidade de geração de energia elétrica do país encontra-se fora do SIN, em pequenos sistemas isolados localizados principalmente na região amazônica.
No segmento de distribuição, há 63 concessionárias e 26 permissionárias no Brasil, que foram responsáveis pelo fornecimento de energia elétrica para, aproximadamente, 65 milhões de unidades consumidoras em 2009. As distribuidoras fornecem energia elétrica para os consumidores localizados em sua área geográfica de concessão, denominados clientes cativos.
A compreensão da forma como é cobrada a energia elétrica e como são calculados os valores apresentados nas contas de luz
Este trabalho está sendo entregue no dia 04 do mês de julho do ano de 2016. O autor, O. Gabriel é graduando no curso de engenharia naval e oceânica, na Universidade Federal do Rio de Janeiro ([email protected]). O autor, R. Henrique é graduando no curso de engenharia naval e oceânica, na Universidade Federal do Rio de Janeiro ([email protected]). O autor, A. Marcos é graduando no curso de engenharia naval e oceânica, na Universidade Federal do Rio de Janeiro ([email protected]). O autor, C. Vitor é graduando no Engenharia de Petróleo, na Universidade Federal do Rio de Janeiro ([email protected]). O autor, C. Wagner é graduando no Engenharia ciclo básico, na Universidade Federal do Rio de Janeiro ([email protected])
é fundamental para a tomada de decisão em relação a projetos de eficiência energética.
A conta de luz reflete o modo como o uso de energia elétrica é feito e sua análise por um período de tempo adequado, permite estabelecer relações importantes entre hábitos e consumo.
Dadas as alternativas de enquadramento tarifário disponíveis para alguns consumidores, o conhecimento da formação da conta e dos hábitos de consumo permite escolher a forma de tarifação mais adequada e que resulta em menor despesa com a energia elétrica apresenta noções básicas sobre as formas de tarifação, estando calcado no instrumento legal que versa sobre o tema, a Resolução 456 da Agência Nacional de Energia Elétrica.
II. C
LASSIFICAÇÃO DOS CONSUMUDORESPara o processo de tarifação de energia, o termo “consumidor” não se refere propriamente a uma pessoa física e sim a instalações, estabelecimentos e sistemas requeredores de energia como residências, lojas, agências, restaurantes, edifícios, fábricas, indústrias, shoppings, oficinas, entre outros. A classificação ou tipificação desses consumidores está diretamente relacionada com suas respectivas demandas de potência, que por sua vez, é consequência do nível de tensão em que são atendidos.
Consumidores atendidos em tensões de 127 ou de 220 volts, como residências, lojas, agências, oficinas, edifícios, entre outros, são classificados como Grupo B, ou de baixa tensão, conforme estabelecido no Manual da Tarifação Elétrica (é estabelecido que unidades consumidoras atendidas em tensão abaixo de 2.300V são classificadas como Grupo B). O grupo B é dividido em subgrupos, de acordo com a atividade do consumidor, conforme apresentado na tabela a seguir.
Tabela 1 - Classificação dos subgrupos B
Ainda segundo o Manual da Tarifação Elétrica, os consumidores atendidos em tensão superior a 2.300V são classificados como Grupo A, ou de alta tensão, como fábricas, indústrias, shoppings e grandes edifícios comerciais. O grupo A, assim como o Grupo B, também é dividido em subgrupos, de acordo com o nível de tensão demandado pelo consumidor, conforme apresentado na tabela a seguir.
Subgrupo B Atividade do consumidor B1 Residencial e residencial de baixa renda B2 Rural e cooperativa de eletrificação rural
B3 Demais classes
B4 Iluminação pública
Tarifação da Energia Elétrica (Julho 2016)
Rossi, Henrique; Oliveira, Gabriel; Arantes, Marcos; Costa, Vitor E Costa, Wagner.
Tabela 2 - Classificação dos subgrupos A
Os consumidores atendidos por redes elétricas subterrâneas são classificados num subgrupo especial do Grupo A, chamado de Subgrupo As, ainda que atendidos em tensão abaixo de 2.300 volts, ou em baixa tensão. Contudo, para pertencer ao Subgrupo As é necessário que a unidade consumidora esteja localizada em uma área que seja servida por algum sistema subterrâneo de fornecimento de energia ou que esteja previsto que a unidade consumidora deve ser atendida pelo sistema subterrâneo de fornecimento de energia, de acordo com o programa de obras da concessionária. Ainda, é preciso atender a verificação de consumo de energia elétrica mensal igual ou superior a 30MWh em no mínimo 3 (três) ciclos completos consecutivos nos 6 (seis) primeiros meses anteriores a opção ou a celebração de contrato de fornecimento fixando a demanda de potência contratada igual ou superior a 150kW.
III. E
STRUTURA TARIFÁRIAA estrutura tarifária de eletricidade no brasil pode ser divido em dois grandes grupos, o primeiro de alta tensão e industrial, enquanto o segundo de baixa tensão e residencial.
A. Baixa tensão
O grupo B, segundo o manual de Tarifação Elétrica são aqueles atendidos abaixo de 2.300V. Os consumidores do Grupo B tem tarifa monômia, isto é, são cobrados apenas pela energia que consomem. E desde 2015, as contas de energia começaram a trazer uma novidade para esse grupo: o sistema de bandeiras tarifárias. O sistema é basicamente simples e de fácil compreensão, possui três bandeiras; verde, amarelo e vermelho (semelhantes as cores do semáforo ) e indicam se a energia custará mais ou menos, em função das condições de geração de eletricidade. Com as bandeiras, a conta de luz fica mais transparente e o consumidor tem a melhor informação para usar a energia elétrica de forma mais consciente
1) Bandeira verde
condições favoráveis de geração de energia. A tarifa não sofre nenhum acréscimo;
2) Bandeira amarela
condições de geração menos favoráveis. A tarifa sofre acréscimo de R$ 0,015 para cada quilowatt-hora (kWh) consumidos;
3) Bandeira vermelha - Patamar 1
condições mais custosas de geração. A tarifa sofre acréscimo de R$ 0,030 para cada quilowatt-hora kWh consumido.
4) Bandeira vermelha - Patamar 2
condições ainda mais custosas de geração. A tarifa sofre acréscimo de R$ 0,045 para cada quilowatt-hora kWh consumido.
Esse sistema é aplicado por todas as concessionárias conectadas ao Sistema de interligação nacional (SIN).
Nesse sentido, o Decreto nº 8.401, de 5 fevereiro de 2015, criou a Conta Centralizadora dos Recursos de Bandeiras Tarifárias, sob a gestão da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica - CCEE, com o objetivo de administrar os recursos decorrentes da aplicação das bandeiras tarifárias. Os agentes de distribuição fazem o recolhimento dos recursos provenientes da aplicação das bandeiras tarifárias ao mercado cativo diretamente na Conta Bandeiras, em nome da Conta de Desenvolvimento Energético - CDE, e estes são destinados à cobertura das variações dos custos de geração por fonte termelétrica e à exposição aos preços de liquidação no mercado de curto prazo que afetem os agentes de distribuição.
5) Tarifa branca
A Tarifa Branca é uma nova opção de tarifa que sinaliza aos consumidores a variação do valor da energia conforme o dia e o horário do consumo. Ela é oferecida para as unidades consumidoras que são atendidas em baixa tensão (127, 220, 380 ou 440 Volts). Com a Tarifa Branca, o consumidor passa a ter possibilidade de pagar valores diferentes em função da hora e do dia da semana.
Se o consumidor adotar hábitos que priorizem o uso da energia fora do período de ponta, diminuindo fortemente o consumo no horário de ponta (aquele com maior demanda de energia na área de concessão) e no intermediário, a opção pela Tarifa Branca oferece a oportunidade de reduzir o valor pago pela energia consumida.
Nos dias úteis, o valor Tarifa Branca varia em três horários: ponta, intermediário e fora de ponta. Na ponta e no intermediário, a energia é mais cara. Fora de ponta, é mais barata. Nos feriados nacionais e nos finais de semana, o valor é sempre fora de ponta.
Os períodos horários de ponta, intermediário e fora ponta são homologados pela ANEEL nas revisões tarifárias periódicas de cada distribuidora, que ocorrem em média a cada quatro anos. Antes da criação da Tarifa Branca, havia apenas uma tarifa, a Convencional, que tem um valor único (em R$/kWh) cobrado pela energia consumida e é igual em todos os dias, em todas as horas. A Tarifa Branca cria condições que incentivam alguns consumidores a deslocarem o consumo dos períodos de ponta para aqueles em que a rede de distribuição de energia elétrica tem capacidade ociosa. É importante que o consumidor, antes de optar pela Tarifa Branca, conheça seu perfil de consumo e a relação entre a Tarifa Branca e a Convencional. Quanto mais o consumidor deslocar seu consumo para o período fora de ponta e quanto maior for a diferença entre essas duas tarifas, maiores são os benefícios da Tarifa Branca. A Tarifa Branca não é recomendada se o consumo for maior nos períodos de ponta e intermediário e não houver possibilidade de transferência do uso dessa energia elétrica para o período fora de ponta.
Subgrupo A Nível de tensão
A1 230kV ou mais
A2 88kV a 138kV
A3 69kV
A3a 30kV a 44kV
A4 2,3kV a 25kV
Para ter certeza do seu perfil, o consumidor deve comparar suas contas com a aplicação das duas tarifas. Isso é possível por meio de simulação com base nos hábitos de consumo e equipamentos do consumidor ou com o uso de um medidor, aprovado pelo Inmetro, que consiga registrar o consumo conforme os horários em que a energia elétrica é utilizada. Para aderir à Tarifa Branca, os consumidores precisam formalizar sua opção junto à distribuidora. Quem não optar por essa modalidade continuará sendo faturado pelo sistema atual.
6) Tarifa Social de Energia elétrica – TSEE
A Tarifa Social de Energia Elétrica, regulamentada pela Lei nº 12.212, de 20 de janeiro de 2010 e pelo Decreto nº 7.583, de 13 de outubro de 2011, é caracterizada por descontos incidentes sobre a tarifa aplicável à classe residencial das distribuidoras de energia elétrica, sendo calculada de modo cumulativo de acordo com a tabela a seguir:
Tarifa Social - Descontos
Parcela de Consumo Mensal (PCM) Desconto
PCM <= 30 kWh 65%
30 kWh < PCM <= 100 kWh 40% 100 kWh < PCM <= 220 kWh 10%
220 kWh < PCM 0%
As famílias indígenas e quilombolas inscritas no Cadastro Único que atendam aos requisitos tem desconto de 100% até o limite de consumo de 50 kWh/mês (quilowatts-hora por mês).
Para ter direito ao benefício da Tarifa Social de Energia Elétrica (TSEE), deve ser satisfeito um dos seguintes requisitos:
I. família inscrita no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal – Cadastro Único, com renda familiar mensal per capita menor ou igual a meio salário mínimo nacional; ou
II. Quem receba o Benefício de Prestação Continuada da Assistência Social – BPC, nos termos dos arts. 20 e 21 da Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993; ou III. família inscrita no Cadastro Único com renda mensal
de até 3 (três) salários mínimos, que tenha portador de doença ou deficiência cujo tratamento, procedimento médico ou terapêutico requeira o uso continuado de aparelhos, equipamentos ou instrumentos que, para o seu funcionamento, demandem consumo de energia elétrica.
B. Alta Tensão
No grupo de alta tensão (grupo A) estão alocados os consumidores que necessitam de atendimento com tensões acima de 2300 v. Os consumidores do Grupo A têm tarifa binômia, isto é, são cobrados tanto pela demanda quanto pela energia que consomem. Estes consumidores podem enquadrar-se em uma de três alternativas tarifárias. Os postos tarifários são definidos para permitir a contratação e o faturamento da energia e da demanda de potência diferenciada ao longo do dia, conforme as diversas modalidades tarifárias. A regulamentação consta na Resolução Normativa ANEEL REN nº 414/2010:
Horário de ponta refere-se ao período composto por 3 (três) horas diárias consecutivas definidas pela distribuidora considerando a curva de carga de seu sistema elétrico, aprovado pela ANEEL para toda a área de concessão, com exceção feita aos sábados, domingos, e feriados nacionais. Horário fora de ponta refere-se ao período composto pelo conjunto das horas diárias consecutivas e complementares àquelas definidas no horário de ponta e intermediário (no caso da Tarifa Branca).
O horário intermediário refere-se ao período de uma hora anterior e posterior ao horário de ponta, aplicado exclusivamente as unidades tarifárias pertencentes à tarifa branca. Neste caso, Existe também o horário reservado aplicado ao consumidor irrigante, período do dia, normalmente na madrugada, em que a carga destinada à irrigação ou aquicultura recebe um desconto na tarifa de acordo com a região em que se localiza e o grupo tarifário a que pertence. Esta regulamentação está na REN nº 414/2010, art. 107, 108 e 109
MODALIDADES TARIFÁRIAS:
As modalidades tarifárias são um conjunto de tarifas aplicáveis às componentes de consumo de energia elétrica e demanda de potência ativas, considerando as seguintes modalidades:
Azul: aplicada às unidades consumidoras do grupo A, caracterizada por tarifas diferenciadas de consumo de energia
elétrica e de demanda de potência, de acordo com as horas de utilização do dia;
Verde: modalidade tarifária horária verde: aplicada às unidades consumidoras do grupo A, caracterizada por tarifas diferenciadas de consumo de energia elétrica, de acordo com as horas de utilização do dia, assim como de uma única tarifa de demanda de potência;
Convencional Binômia: aplicada às unidades consumidoras do grupo A caracterizada por tarifas de consumo de energia elétrica e demanda de potência, independentemente das horas de utilização do dia. Esta modalidade será extinta a partir da revisão tarifária da distribuidora;
IV. ENERGIAREATIVAEFATORDEPOTENCIA Fator de potência é a relação entre a energia ativa e a energia total, conforme equação mostrada abaixo:
Esta relação demonstra se a unidade consumidora consome energia elétrica adequadamente ou não; pois relaciona o uso eficiente da energia ativa e reativa de uma unidade consumidora, sendo um dos principais indicadores de eficiência energética. O fator de potência próximo de 1 (um) indica pouco consumo de energia reativa em relação à energia ativa. Uma vez que a energia ativa é aquela que efetivamente produz trabalho, quanto mais próximo da unidade for o fator de potência, maior é a eficiência da instalação elétrica. A energia reativa, medida em kVArh, não realiza trabalho efetivo, mas é necessária e consumida na geração do campo eletromagnético responsável pelo funcionamento de motores, transformadores e geradores. Enquanto a energia ativa, medida em kWh, é a que realmente produz as tarefas, isto é, faz os motores e os transformadores funcionarem. A composição destas duas formas de energia resulta na energia aparente ou total. Para evitar o desperdício dessa energia reativa a ANEEL tem uma regulação contra baixos fatores de potencia.
A. RESOLUÇÃO 414/2010 DA ANEEL
A resolução estabelece que o fator de potência de referência “fR”, indutivo ou capacitivo, tem como limite mínimo permitido, para as unidade consumidoras dos grupos A e B, o valor de 0,92 (art. 95). E para as unidades consumidoras do grupo B que tiverem em sua instalação um medidor apropriado será concedido um período de ajuste com duração mínima de 3 (três) ciclos consecutivos e completos de faturamento, a contar do início da medição da energia reativa, para que a unidade consumidora se adeque ao valor mínimo permitido (art. 136). Após esse período de ajuste, caso a unidade consumidora esteja com valor inferior ao 0,92, será cobrada através de sua conta de energia o valor excedente da energia reativa (art. 96).
1) ERE = valor correspondente à energia elétrica reativa excedente à quantidade permitida pelo fator de potência de referência "fR", no período de faturamento, em reais (R$);
2) EEAMT = montante de energia elétrica ativa medida em cada intervalo “T” de 1(uma) hora, durante o período de faturamento, em megawatt-hora (MWh). 3) fR = fator de potência de referência igual a 0,92. 4) fT = fator de potência consumidora, calculado em
cada intervalo “T” de 1 (uma) hora, durante o período de faturamento;
5) VRERE = Valor de referência equivalem-te à tarifa de energia “TE” aplicável ao subgrupo B1, em Reais por megawatt-hora (R$/MWh).
B. PRINCIPAIS CAUSAS DO BAIXO VALOR DE POTÊNCIA
Diversas razoes pode levar as empresas a ter um fator de potencia baixo, dentre elas listamos as 5 mais comuns: 1) Transformadores operando a vazio ou subcarregados
durante longos períodos de tempo
2) Motores operando em regime de baixo carregamento 3) utilização de grande número de motores de pequena
potência
4) Instalação de lâmpadas de descarga (fluorescentes, de vapor de mercúrio e de vapor de sódio)
5) Capacitores ligados nas instalações das unidades consumidoras horo sazonais no período da madrugada
Esse baixo fator de potência indica que a energia está sendo mal aproveitada pela empresa. Nesse caso, podem ocorrer as seguintes situações:
1) Aumento das perdas elétricas internas da instalação 2) Queda de tensão na instalação
3) Redução do aproveitamento da capacidade dos transformadores
4) Condutores aquecidos
V. CONTA DE ENERGIA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO Na figura mostrada abaixo é possível observar uma conta de energia atual e real da operadora de distribuição da cidade do Rio de Janeiro, a Light. Demostraremos aonde e como são representados numa conta de luz todos os conceitos explicados até aqui.
(1)
Figura 1- Conta de Energia Elétrica da Operadora Light
Principais itens da conta que foram explicados nesse trabalho e que compõem a tarifa energética.
1. Consumo em kWh
2. Classe (Residencial, industrial ou comercial) e subclasse (Baixa Renda, Residencial, Rural, Adm Condominial).
3. Medidor (Monofásico Bifásico ou trifásico)
4. Bandeiras Tarifárias (Verde Amarela ou Vermelha). A bandeira sem o X é a correspondente do mês. 5. Decomposição do preço cobrado (Valor da energia +
Valor de transmissão + Valor da Distribuição + Tributos + Encargos Setoriais)
Decomposição do valor cobrado da conta Consumo 550 kWh
Preço por kWh sem adicional de bandeira = 0.8263R$/kWh Preço sem adicional = 0.8263*550 = 454.465 reais
Preço por kWh do adicional de bandeira = 0.0126 R$/kWh Preço do adicional de bandeira= 0.0126*550 = 6.68 reais Total = 454.46 + 6.68 = 461.14 reais
Impostos:
ICMS - 29% Total (461.14) = 133.74 reais PIS – 0.93% Total = 4.28 reais
COFINS – 4.30 % Total = 19.82 reais Total Impostos = 157.84 reais
Encargos setoriais - 12.77 % Total = 58.88 reais Custo da energia:
Valor da geração = 180.03 reais Valor da transmissão = 6.42 reais Valor da distribuição = 57.98 reais
Total do custo da energia = 244.43 reais (53.00%) Valor cobrado = Total + Custo de iluminação pública Valor final cobrado = 461.14 + 23.78 = 484.92 reais
VI. POLITICAENERGETICA
A evolução dos preços da eletricidade é resultado direto de decisões governamentais. O setor energético é fortemente regulado e sob grande influência estatal, sendo que três fatores acabam por se destacar.
A renovação das concessões em 2013 resultou inicialmente numa queda de 18% nos valores para o consumo residencial e 32% para o consumo industrial. A política do governo permitia a continuação das concessões, em troca do menor custo de energia.
Embora a decisão tivesse um impacto inicial positivo, a queda nos preços causou forte impacto nos balanços das empresas do setor elétrico, ameaçando a viabilidade de muitas delas. Nova intervenção estatal foi necessária com subsídios sendo distribuídos, os quais chegaram a mais de 50 bilhões de reais. E por final, a política acabou sendo insustentável e em 2015, os preços tiveram uma forte alta para repor as perdas.
Outro importante fato recente foi no ano de 2014, o Brasil enfrentou um longo período de seca. Em períodos anteriores, isto não seria sido um grande problema, pois as hidrelétricas eram construídas com grandes reservatórios, o que acabou sendo abandonado por pressões ambientalistas.
A redução na capacidade de armazenamento e a falta ou atraso nos investimentos em novas unidades geradoras resultou uma situação complicada em que o sistema elétrico foi testado ao limite de sua capacidade. As usinas termelétricas tiveram de ser usadas para compensar a perda de capacidade das hidrelétricas com altos custos que contribuíram para a crise no setor.
Além disso, uma grande parte do preço final da energia não resulta do custo de produção, mas sim da alta carga tributária
que pode passar de 50% do valor total da conta de luz. Os impostos de nível federal, estadual e municipal são os principais responsáveis pelo Brasil ter o sexto maior preço de eletricidade no planeta. Um MWh possui um custo de 402,3 MWh, um valor 46% acima da média internacional.
VII. CONCLUSÃO
Ao analisarmos os conceitos e as características da tarifação energética no Brasil, podemos perceber e concluirmos que existem e são usados recursos matemáticos e artifícios geofísicos na formulação da tarifação, é importante também notar que até mesmo um país rico em recursos hídricos como a Brasil, não esta isento de influencias fluviometeorologicas, como tivemos problemas graves nos últimos anos, na geração e obviamente, na tarifação de energia.
Entretanto é preciso ressaltar que ainda existam lacunas na ideologia de gerenciamento da matriz energética brasileira, prova disso é o desperdício grandioso de energia elétrica no Brasil, que consequentemente, culmina com o aumento da energia elétrica.
E existe a necessidade de aplicação de outros tipos de tarifas de energia elétrica, além das já existentes no Brasil, embora, já esta sendo realizado teses com novos modelos de tarifação, como: a Tarifa cidadã e a Tarifa Social.
Seria de grande interesse, para o aumento da eficiência energética, principalmente no setor residencial, que houvesse incentivo para a substituição parcial dos chuveiros elétricos por outros equipamentos que não utilizem energia elétrica para aquecer a água e/ou um maior incentivo para outras fontes de energia, como a fotoelétrica, e a eólica que já esta sendo desenvolvida no nordeste brasileiro, em casas populares do minha casa minha vida por exemplo.
REFERENCIAS
Basic format for books:
[1] Agencia nacional de energia elétrica, disponível em: http://www.aneel.gov.br/
[2] Ferreira, J. G., Mendonça, R. d., Mendes, S. F., & Souza, T. d. (2011). Tarifação de Energia Elétrica. Instituto Federal do Pará. Acesso em 27 de Junho de 2016
[3] Guedes, J. C. (Agosto de 2011). Manual de Tarifação Elétrica. Acesso em 27 de Junho de 2016, disponível em Ministério de Minas e Energia: http://www.mme.gov.br/documents/10584/1985241/Manual%20de%20 Tarif%20En%20El%20-%20Procel_EPP%20-%20Agosto-2011.pdf [4] FATOR DE POTÊNCIA: COMO TRANSFORMÁ-LO EM UM
FATOR DE ECONOMIA, acessado em junho de 2016 disponível em: http://www.copel.com/hpcopel/root/sitearquivos2.nsf/arquivos/fator_de_ potencia/$FILE/fator_potencia.pdf
[5] CONDIÇÕES GERAIS DE FORNECIMENTO DE ENERGIA ELÉTRICA, acessado em julho de 2016, disponível em: http://www2.aneel.gov.br/biblioteca/downloads/livros/REN_414_2010_ atual_REN_499_2012.pdf [6] http://economia.estadao.com.br/noticias/negocios,dilma-anuncia-reducao-maior-na-conta-de-luz-e-critica-previsoes-alarmistas,141689e [7] http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,governo-reduz-subsidios-a-energia-e-conta-de-luz-tera-novos-aumentos,1618934 [8] http://www.gazetadopovo.com.br/economia/opcao-por-reservatorios-menores-elevou-o-risco-de-racionamento-93aeauaf7xzs7pigdctki8api [9] http://veja.abril.com.br/blog/impavido-colosso/brasil-piora-em-ranking-e-passa-a-ser-o-6-com-a-energia-mais-cara-do-mundo/ [10] http://gazetaonline.globo.com/_conteudo/2012/10/noticias/especiais/1364 052-mais-da-metade-da-sua-conta-de-energia-e-imposto-entenda-como-ela-e-calculada.html
[11] Entenda sua conta, Light, acessado em junho de 2016, disponível em: http://www.light.com.br/para-residencias/Sua-Conta/entenda-sua-conta.aspx