SÉ RIÉ: FÉ ÉM TÉMPOS DÉ IMPIÉDADÉ (Parte 2)
Quando é Deus quem faz as coisas
Texto: 2 Re 5.1-19
IntroduçãoNós fomos criados por Deus para fazer coisas. Deus, ao nos fazer segundo sua imagem e semelhança nos dotou de criatividade e ação, como vice-gerentes da criação. Um ser humano inerte e preguiçoso está em pecado porque não deseja refletir a glória de Deus ao executar sua vocação e por não querer demonstrar o quanto Ele é criativo.
O pecado, porém, pode nos levar a fazer as coisas de maneira errada e deturpada. Pode nos levar a tomar caminhos e decisões erradas que agravarão os problemas ou nos levará a eles. O cristão deve ter em sua mente um caminho muito melhor que o leva a soluções equilibradas e abençoadas. Ele deve confiar no Deus que toma a frente e que faz as coisas da melhor maneira, com sabedoria e profundo amor. Você espera Deus fazer como ele quer ou procura fazer as coisas do seu próprio jeito?
1. Considerando a impureza de cada um
A narrativa desse capítulo começa falando sobre o homem de um reino inimigo, que não seguia e servia a Deus e que representava um sério perigo para Israel. Naamã era o comandante do grande exército do rei da Síria. O texto mostra que ele não era um homem qualquer, pois era considerado como um grande homem pelo rei, conceituado e, mesmo sem saber, um instrumento nas mãos de Deus para conseguir uma grande vitória na batalha. Um herói de guerra, como o próprio texto diz.
Ele era várias coisas, porém, há uma ressalva profundamente triste ao seu respeito: ele era leproso. Nos tempos bíblicos a lepra era uma doença terrível. Em Israel essa doença tinha uma séria conotação de impureza ritual e pecado. Talvez entre os sírios isso não fosse uma realidade, mas trazia um peso social, além da terrível expectativa da morte, pois naqueles dias não havia para ela qualquer tipo de cura.
No entanto, maior do que sua impureza na carne era a impureza de seu coração. Ele precisava ser curado não somente por fora, mas também por dentro. Primeiro, Naamã precisava ser curado de seu orgulho. A sua posição diante do rei, bem como seus grandiosos feitos o faziam pensar que era igualmente grande. Quando Eliseu manda apenas um emissário até ele e dá orientações que lhe parecem descabidas, ele fica indignado. Afinal, um herói famoso como ele merece que o profeta vá ao seu encontro e faça as coisas como Naamã já planejara em seu coração.
Naamã precisava também ser curado de sua incredulidade. Talvez por conhecer a sua divindade local, aquele comandante da Síria esperava que Deus estivesse à disposição dos homens para fazer a vontade deles. Ele não sabia que o Senhor é soberano e faz todas as coisas como lhe agrada e que não toma conselho com ninguém e que ninguém lhe dá primeiro para que depois Ele possa vir a restituir. Até aquele momento, ele diz a respeito do Senhor:
invocaria o nome do Senhor, seu Deus. Não há ainda uma experiência com o Senhor ou uma mudança que o leve a ter Deus como algo que passe a fazer parte de sua vida. Ele é o Deus de Eliseu e não o Deus de Naamã.
Terceiro, ele precisava ser curado de sua dureza de coração. Quando Deus age, ele não segue a cartilha humana ou os desejos humanos. Ele age segundo o seu querer. Assim, Ele tinha uma história para aquele homem enfermo e determinou uma maneira específica para que ele pudesse ser curado: mergulhar sete vezes no rio Jordão e depois disso ser completamente restabelecido. Entretanto, Naamã olha para o rio Jordão opaco e barrento e o compara com as águas cristalinas dos rios de Damasco. Algo está errado. Se era para ser curado de uma maneira tão simples, por que teve que ir até ali? E por que teria que se lavar em uma água que não tem propriedades naturais para isso? O coração duro de Naamã não era capaz de ver a ação de Deus com instrumentos que parecem loucura para o homem natural, mas que são a manifestação de seu mais absoluto poder
Certamente, a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos, poder de Deus. Pois está escrito:Destruirei a sabedoria dos sábios e aniquilarei a inteligência dos instruídos. Onde está o sábio? Onde, o escriba? Onde, o inquiridor deste século? Porventura, não tornou Deus louca a sabedoria do mundo? Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por sua própria sabedoria, aprouve a Deus salvar os que creem pela loucura da pregação. Porque tanto os judeus pedem sinais, como os gregos buscam sabedoria; mas nós pregamos a Cristo crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os gentios; mas para os que foram chamados, tanto judeus como gregos, pregamos a Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus. Porque a loucura de Deus é mais sábia do que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens (1 Co 1.18-25).
Na ação de Deus precisamos considerar muito mais o seu milagre de transformar-nos por dentro do que por fora. Todos nós temos nossas lutas internas. Todos nós somos vaidosos, presunçosos e cheios de si. Ele tinha muitas coisas, mas lhe faltava o principal. Muitas pessoas possuem muita coisa – destaque, fama, sucesso, vitórias, mas sem veem sozinhas no meio dos outros e sem qualquer paz em seu coração. Porém, o Senhor quer e irá transformar todos os que são dele para que sejam exatamente o que ele deseja. E ele fará isso da maneira que achar melhor e quando achar melhor. Como será que o Deus soberano está fazendo isso em você agora? Que problemas externos você tem enfrentado e que caminhos que parecem sem qualquer sentido Deus está usando para que você se renda completamente ao seu querer e a sua vontade?
2. Usando pessoas
Se você prestou atenção ao texto notou que os reis são meras personagens secundárias. No reino de Deus e em sua obra reis não têm nome e perdem destaque. O rei da Síria imagina que o profeta Eliseu é apenas um serviçal à disposição do rei de Israel. Por sua vez, o rei de Israel é alguém que só pensa em si mesmo, em seu reino e poder e não pode se compadecer de alguém que se encontra em situação de tanto sofrimento. Indignado pela comitiva e pela carta
enviada, rasga suas vestes e profere da boca para fora algo sobre um Deus com o qual não tem comunhão e sobre um poder no qual não acredita.
Mas, outros personagens são a clara demonstração da disposição de Deus em usar pessoas e dirigir a história para que sua vontade seja feita e para que pessoas sejam abençoadas. Primeiro, uma menina é colocada em lugar estratégico, mesmo que fosse levada para se tornar uma serva. Posições que nem sempre gostamos ou situações difíceis podem ser momentos e lugares nos quais Deus nos coloca para sermos instrumentos e bênção nas mãos dEle. Aquilo que humanamente falando nos parece um inferno, pode se transformar em canal de bênção quando nos colocamos nas mãos do Senhor e passamos a entender a situação segundo sua perspectiva.
Eliseu, por sua vez diz que o rei envie Naamã a ele para que saibam que existe um profeta, um servo de Deus em Israel. O contraste é muito interessante, pois aqueles que estavam tão perto de Eliseu em Israel não tinham a mínima disposição em procurá-lo e, consequentemente, em ouvir o ensino de Deus. Foi necessário que um estrangeiro, chefe do inimigo viesse para que a riqueza de Deus pudesse ser relembrada. Esse é um alerta interessante para nós, pois podemos estar tão perto de Deus, com servos dele dispostos a ensinar e servir, sem que venhamos a dar qualquer valor. Então, Deus traz outros que jamais ouviram de sua Palavra para que, ao ouvirem-na, se convertam e a valorizem profundamente. Eliseu, enfim, é um instrumento maravilhoso do Senhor para que aquele homem possa ter sua vida completamente mudada e transformada, para que ele possa se tornar em um filho de Deus. Finalmente, estamos diante dos oficiais que agem com sabedoria e pedem que ele reconsidere a instrução do profeta de apenas mergulhar no Jordão para ser curado. Deus coloca aqueles homens para que Naamã possa abandonar sua presunção e orgulho e, no final fazer a vontade dEle.
Note como Deus, em sua infinita bondade, deseja usar pessoas como eu e você para que aqueles que sofrem e estão distantes dele possam conhecer sua Palavra e possam ter suas histórias de dor e sofrimento mudadas. aqueles que dele estão distantes.
Ao mesmo tempo, a você que hoje está distante dele Precisamos nos colocar em suas mãos e ter total disposição para que ele nos use e alcance, olhe os caminhos e pessoas que Ele tem colocado ao seu redor. Será que ele não tem deixado claro qual o seu querer? Será que ele não tem falado ao seu coração pelo exemplo e pelas palavras dessas pessoas? Há anos atrás quando eu trabalhava no departamento de vendas de uma pequena metalúrgica, tive um contato com um rapaz que tinha se distanciado de Deus. Em uma ligação aleatória tive contato com ele e, reconhecendo sua voz, fale da necessidade de que ele voltasse a Deus, pois ele estava sendo cercado por situações e pessoas que o queriam perto do Senhor. Ele ouviu a voz de Deus e, pelo menos naquele momento, se rendeu ao Senhor que o cercava. Não é necessário que o mar se abra, que fogo dos céus desça ou que a água seja transformada em vinho para que você venha a Ele e seja dele. Que a vida de crentes sinceros seja o grande milagre de Deus que inicia uma profunda transformação em sua vida.
3. Transformado por fora e, principalmente, por dentro
Naamã é curado da sua lepra. Sua pele se tornou como de criança – melhor do que uma cirurgia plástica e do que qualquer tratamento estético.
Mas a grande transformação se dá em seu interior. Aquele homem orgulhoso, vaidoso, soberbo e incrédulo passa pela dor da doença para que conheça o amor do Deus que cura. Ele se humilha. Primeiro, ouvindo seus subalternos e, depois, mergulhando no rio que julgava ser impróprio para sua cura. Depois, aquele que pensava que o profeta estaria ao seu serviço e reclama pelo fato de Eliseu não vir até ele, volta quebrantado para se encontrar com o profeta. Aquele, agora, era o momento certo para que o encontro acontecesse e uma nova etapa em sua vida começasse.
Ele obedece. Ele primeiro se recusa a fazer o que Deus queria, mas em seguida, mergulha por sete vezes no Jordão para ser curado. Qualquer um que queira ser alcançado por Deus terá que seguir seus preceitos e obedecer sua vontade. O fato dele ter que mergulhar sete vezes é uma referência à perfeição e exatidão dos caminhos do Senhor e a certeza de que aos nos submetermos a eles, ele nos abençoará. Muitos querem seguir a Deus segundo suas próprias escolhas e caminhos, mas somente o caminho escolhido por Deus pode levar à salvação e à transformação do coração. Nossos métodos sempre serão trapo de imundícia, enquanto os planos de Deus sempre serão sábios e poderosos.
Ele passa a ter o desejo de servir. Seu primeiro desejo é voltar para Eliseu e lhe oferecer uma parte daquilo que tinha levado com sua comitiva. Como verdadeiro servo de Deus que é, Eliseu recusa, para mostrar a graça do Senhor que salva. Ah, se Naamã tivesse voltado a uma das igrejas que conhecemos nos dias de hoje e dissesse o mesmo: peço que aceites um presente do teu servo!
Ele passa a ter o desejo de adorar a Deus. O fato de pedir para que levasse terra em dois mulos se devia ao fato de que, naqueles tempos, a divindade estaria intimamente ligada à terra na qual ela era originalmente adorada. Ele assim o faz para que pudesse erguer um altar alicerçado na terra de Israel, o lugar no qual ele foi tocado e transformado. A grande transformação que se dá no coração do homem pecador, é que ele passa a adorar ao Criador ao invés de querer ser adorado, passa a ter Deus como centro, ao invés de querer ser o centro, preenche todos os desejos e anseios da vida com a presença de Deus e não mais com seus desejos egoístas e idólatras. Enfim, ele reconhece a grandiosidade do Deus que o alcançou de uma forma tão extraordinária e maravilhosa, por meio de uma história que nenhum de nós jamais poderia imaginar o desfecho. O que será que ele está fazendo com você agora e o que será que ele terá no final como resultado? Descanse naquele que é poderoso e que, por meio de Cristo, tem grandes planos e pensamentos ao seu respeito.
Nessa transformação, Deus é paciente. Naamã precisava se desenvolver em sua fé e abandonar costumes passados, tendo coragem de enfrentar o mal e o pecado ao seu redor. Por vezes queremos ver nos outros e, em nós mesmos, uma mudança imediata e quase que mágica. O Deus paciente espera e transforma. Ele sabe o tempo e limitações de cada um. Não é um convite para que pequemos ou para que façamos vistas grossas ao pecado. Mas, um
conforto diante de nossa ignorância e primeiros passos na fé até que um dia você mesmo possa olhar para trás e perceber como ele te transformou e está disposto a continuar transformando até o dia de Cristo.