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Liane Silva - Dissertação - Formato PDF

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Academic year: 2021

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A INDISCIPLINA E A INCLUSÃO: Estudo realizado

com alunos do 3°ao 5° ano do Ensino Fundamental.

Orientador: José Viegas Brás

Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias

Instituto de Educação

Lisboa 2014

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LIANE GUIMARÃES SILVA

A INDISCIPLINA E A INCLUSÃO: Estudo realizado com

alunos do 3°ao 5° ano do Ensino Fundamental.

Dissertação apresentada para obtenção do Grau de Mestre em Ciências da Educação no Curso de Mestrado em Ciências da Educação conferido pela Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias.

Orientador: Prof.° Doutor José Viegas Brás

Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias

Instituto de Educação

Lisboa 2014

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1 Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias – Instituto de Educação

“Não há ensino sem pesquisa e pesquisa sem ensino. Esses que-fazeres se encontram um no corpo do outro. Enquanto ensinocontinuo buscando, reprocurando. Ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e me indago. Pesquiso para constatar, constatando, intervenho, intervindo, educo e me educo. Pesquiso para conhecer e o que ainda não conheço e comunicar ou anunciar a novidade”. (Paulo Freire)

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2 Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias – Instituto de Educação

DEDICATÓRIA

Ao meu amado e inesquecível avô, Júlio Guanabara.

Sempre estarás comigo!

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3 Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias – Instituto de Educação

AGRADECIMENTOS

Durante esse período que me dediquei ao Mestrado, pensei muitas vezes que não chegaria a concluí-lo. Vários foram os momentos que me senti perdida numa longa estrada e me angustiei com tamanha solidão!

Uma Força Maior me fez chegar até o final, superando as minhas limitações!

Meus filhos, Maria Alice e Neto, razões do meu viver, desculpem-me por estar um pouco ausente. Enzo, sobrinho querido, sua chegada encheu minha vida de alegria!

Meu marido, apoio incondicional, dividiu comigo muitos desses momentos!

Minha família, sempre me apoiando em todas essas etapas! Mesmo distantes, estiveram comigo firmemente. Meus pais, avós, sogros, irmão, cunhados, todos contribuíram.

Leila, minha secretária amiga, suportou-me nos meus momentos! Meus amigos, grandes incentivadores durante essa trajetória!

Meus colegas do Mestrado, pessoas fantásticas! Em especial, Samila, amiga querida e presente nessa difícil jornada!

E por fim, professora Marisa, sempre tão amável e atenciosacomigo, a minha gratidão.

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4 Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias – Instituto de Educação

RESUMO

A INDISCIPLINA E A INCLUSÃO: Estudo realizado com alunos

do 3°ao 5° ano do Ensino Fundamental.

O presente estudo foi realizado junto à Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental José da Matta e Silva situada no Município de Sobral, no Estado do Ceará, Nordeste Brasileiro. O objetivo geral desta pesquisa éanalisar as razões que levam à indisciplina dos alunos do 3º ao 5º ano do Ensino Fundamental de uma escola Pública Municipal de Sobral – CE e a inclusão dos alunos indisciplinados dentro do processo de ensino-aprendizagem. Trata-se de uma pesquisa qualitativa pela necessidade da compreensão subjetiva do sujeito. A coleta de dados foi realizada através da observação, entrevistas e levantamento de material documental. Assim, está dividido em duas partes: Parte I Introdução, Problema, Objetivos, Metodologia e Enquadramento Teórico; Parte II apresenta quatro capítulos: Capítulo I,a evolução histórica da educação especial no Brasil; Capítulo II, a formação pedagógica no ambiente escolar inclusivo, Capítulo III, uma breve investigação feita junto aos alunos, professores e gestores; e por fim, Capítulo IV, os resultados e as conclusões. Adotou-se o método de interpretação de sentidos, buscando-se apreender o contexto, as razões e as lógicas das falas dos sujeitos. Em linhas gerais, constatou-se que as razões que levam à indisciplina são decorrentes de vários fatores, principalmente familiares e sociais, no entanto, arealidade da educação brasileira está longe de ser inclusiva, apesar dos avanços observados. A problemática da indisciplinaescolar é, de fato, mais um obstáculo para que o aluno seja efetivamente inserido no processo de ensino e de aprendizagem.

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5 Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias – Instituto de Educação

ABSTRACT

The Indiscipline and the Inclusion: study realized with Students in

3

rd

to 5

th

Year of Elementary School.

The present study was carried out at José da Matta e Silva Elementary School, in the city of Sobral, Ceará, Brazil. The aim of this research was to evaluate the reasons that lead the students from 3rd to 5thelementary school to be undisciplined and their inclusion on teaching and learning process. This is a qualitative research due to subjective nature of the data. It was  obtained  by   observation,   interview   and  searching   in  students’  files.  This dissertation is organized in two parts: one part introduction, problem, objective, methodology andbibliographic review; two part presentationfour chapters: of the evolution history of special educationin Brazil, pedagogic upbringing within the school environment, interviews with students and school staff and, finally, the conclusion.The method of interpretation of meanings was used to capture the context, reasons and logic behind the given answers. It was found that indiscipline behavior depends on different factors, mainly family and social issues.However, the educational structure in Brazil cannot be consideredan inclusive one, spite of the advances. Student indiscipline is, in fact, an obstacle for the students to be included in the teaching and learning process.

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ÍNDICE GERAL

PARTE I 1. INTRODUÇÃO... 10 2. PROBLEMA... 12 3. OBJETIVOS... 15 3.1. Objetivo Geral... 15 3.2. Objetivos Específicos... 15 4. METODOLOGIA... 16 5. ENQUADRAMENTO TEÓRICO... 19

5.1. Refletindo Sobre a Indisciplina Escolar dos Alunos: que Dificuldade é Essa que Necessita de Inclusão?... 19

5.2. Reexaminando os Conceitos de Disciplina e Indisciplina... 20

5.3. Escola e Família: Uma Parceria Possível e Necessária... 22

5.4. A Importância da Organização Escolar como Instituição Educativa.... 27

5.5. A Relação Pedagógica: Fator Importante no Processo de Inclusão... 29

PARTE II CAPÍTULO I: A EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA EDUCAÇÃO ESPECIAL NO BRASIL: DA SEGREGAÇÃO À INCLUSÃO... 33

1.1. A Importância de Benjamin Constant na Educação Especial no BRASIL... 34

1.2. As Primeiras Escolas Especiais do BRASIL... 35

1.3. Legislações de Amparo à Educação Especial... 38

1.4. Da Segregação à Integração: um Longo Caminho... 39

1.5. Surgimento de Uma Escola Para Todos: A Conferência de Jomtien... 40

1.6. Declaração de Salamanca: Início do Processo de Inclusão... 42

1.7. Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) – LEI N° 8.069/90... 43

1.8. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional n° 9394/96: Normatização da Inclusão... 44

1.9. A Escola Diante da Obrigatoriedade da Inclusão: Mito ou Realidade... 45

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CAPÍTULO II: A FORMAÇÃO PEDAGÓGICA NO AMBIENTE

ESCOLAR INCLUSIVO... 48

2.1. Diferenciando: Conhecimentos de Competências e Atitudes Pedagógicas... 50

2.2. Escolas Como Ambiente Inclusivo: Forma ou (de) forma?... 52

2.3. Dificuldades dos Professores e Potencialidades de Superação... 54

CAPÍTULO III: A INDISCIPLINA ESCOLAR DOS ALUNOS DO 3° AO 5° ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL: UMA BREVE INVESTIGAÇÃO JUNTO AOS ALUNOS, PROFESSORES E GESTORES... 56

3.1. A Sala de Aula como Local de Pesquisa e Outros Ambientes... 58

3.1.1. A Observação dos Alunos em Sala de Aula e no Recreio... 58

3.2. A Entrevista como Instrumento Metodológico em Pesquisa Qualitativa... 65

3.2.1. Entrevista Realizada Junto aos Alunos Observados da Escola Municipal José da Matta e Silva... 65

3.2.2. Entrevista Realizada Junto aos Professores da Escola Municipal José da Matta e Silva... 67

3.2.3. Entrevista com Diretor, Coordenadora e Psicopedagoga... 75

CAPÍTULO IV: RESULTADO E CONCLUSÕES... 78

4.1. Análise e Discussão dos Resultados... 79

4.2. Conclusões... 88

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS... 93 APÊNDICE... I

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ÍNDICE DE TABELAS

Tabela III- 1: Pontualidade... 59

Tabela III- 2: Participação... 59

Tabela III- 3: Cumprimento das regras... 60

Tabela III- 4: Respeito... 61

Tabela III- 5: Motivação... 61

Tabela III- 6: Rendimento... 62

Tabela III- 7: Interação... 62

Tabela III- 8: Relação professor- aluno... 63

Tabela III- 9: Organização... 64

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1. INTRODUÇÃO

“A escola é um espaço intermediário de educação entre a família e a sociedade, portanto, seus limites comportamentais e disciplina têm de ser mais severos que os familiares, porém mais suaves que os da sociedade” (Tiba, 2006, p.123).

Formada em Pedagogia pela Universidade Federal de Sergipe no ano de 2003, há mais de 10 anos trabalho com crianças da Educação Infantil e do Ensino Fundamental até o 5° ano. Primeiramente trabalhei em uma escola particular com turmas da Educação Infantil em um período de quase cinco anos. Em seguida, ingressei na Rede Pública Municipal de Ensino da cidade de Aracaju - SE, voltada ao Ensino Fundamental. Trabalho até os dias atuais na mesma escola da Rede Municipal desde que assumi no ano de 2005 com alunos do 1° ao 5° ano.

Foi a partir do contato com as crianças do Ensino Fundamental que a indisciplina passou a ser umdesafio na administração das minhas aulas. Sempre fico angustiada com o comportamento de alguns alunos. Em alguns momentos, cheguei até a ser ofendida com gestos e palavras, em outros, surpreendida com situações, pois percebi que algo faltava em minha sala de aula: “DISCIPLINA”.

Na Educação Infantil, acredita-se que a pouca idade das crianças, o limite e o exemplo familiar, deve ser considerados. Porém, nos primeiros anos do Ensino Fundamental já é visualizado como um problema, mas como quase tudo nessa vida, tem solução.

Em determinadas situações, cheguei a conduzir alguns alunos à coordenação pedagógica na esperança de que solucionassem os problemas. Muitas vezes, desejei vê-los longe da sala em que ministrava minhas aulas, acreditando ser esta uma boa solução.

Procuro por meio de leituras de livros, artigos científicos, palestras, dentre outros recursos, encontrar ajuda para trabalhar em sala de aula. Tento colocar em prática propostas que acredito ser interessantes e que possam despertar no aluno o interesse, principalmente daqueles que costumam se distrair com facilidade, dispersando a atenção dos colegas e o andamento da aula.

Com a maturidade e experiência adquirida no magistério, outras inquietações passaram a ser insistentes. A indisciplina persistia, porém a minha grande preocupação estava relacionada à exclusão desses alunos no processo de ensino-aprendizagem. Até que ponto os alunos vistos como indisciplinados estavam adquirindo novos conhecimentos,

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conteúdos, valores ou a escola seria apenas mais um lugar que ele transitava sem nada acrescentar?

Assim, surgiu esta  pesquisa,  intitulada  “A indisciplina e a inclusão: estudo realizado com alunos do 3°ao 5°ano doensinofundamental”. Encontra-se vinculada à Linha de Pesquisa   “Educação   e   Desenvolvimento   Humano:   escola,   cidadania   e  mundo   do   trabalho”   devido à mediação de conflitos, desenvolvimento humano e educação para a cidadania, do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Educação da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias de Portugal.

Em reuniões pedagógicas com colegas, o problema da indisciplina sempre ganha destaque nas discussões. A angústia dos professores se torna um grave problema, muitos pensam até em desistir do magistério e buscarem outra área para trabalhar. Geralmente, o professor se exime de qualquer responsabilidade e atribui ao aluno a culpa pelos problemas que ocorrem em sala de aula.

Acontece que muitas vezes o aluno não percebe a importância de estar na escola e, portanto, não se sente motivado a permanecer dentro da sala de aula. Essa falta de interesse e significância pode levar à indisciplina e consequentemente interferir em todo o processo de ensino-aprendizagem.

Procuro abordar nesta pesquisa, o mais profundamente possível, aspectos voltados à Indisciplina Escolar e à Inclusão, atribuindo-lhe a seguinte estrutura: PARTE I, composta da Introdução, Problema, Objetivos, Metodologia e Enquadramento Teórico; PARTE II, dividida em Capítulo I que apresentaa evolução histórica da educação especial no Brasil; Capítulo II, a formação pedagógica no ambiente escolar inclusivo, Capítulo III, uma breve investigação feita junto aos alunos, professores e gestores; e por fim, capítulo IV, as conclusões.

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2. PROBLEMA

A indisciplina é uma das principais queixas no dia-a-dia dos professores e outros profissionais da educação. O grande desafio é desvendar o que leva os alunos a adotarem certos tipos de comportamentos, aprofundando os conhecimentos sobre suas razões e descobrir que atitudes possam ser tomadas para promover mudanças significativas dentro do ambiente escolar. Possibilitando assim, um resgate do aluno que muitas vezes se encontra afastado da escola e principalmente sem estímulo para participar das atividades propostas por ela.

Percebo que na maioria dos casos, professores e coordenadores pedagógicos se encontram perdidos em como realizar um trabalho efetivo referente à indisciplina. Optam em adotar medidas paliativas que adiam o problema e afastam o aluno para longe dos muros da escola. Daí surge o problema que embasou esta pesquisa: a indisciplina leva à exclusão dos alunos no processo de ensino-aprendizagem?

O objeto desse estudo embasa-se na busca das razões da indisciplina e em analisar a inclusão dos alunos indisciplinados dentro do processo de ensino-aprendizagem.

É preciso que se tenha uma parceria entre a escola, o professor, a família e o próprio aluno, a fim de resgatar o educando para dentro do ambiente escolar, ou melhor, para dentro da sala de aula. Buscando assim, conhecer os motivos que levaram os alunos a adotarem determinados comportamentos, a maneira que a escola intervém nos conflitos com os mesmos, a metodologia adotada pelo professor, a postura dos pais e principalmente se tem sido realizado um trabalho para resgatá-los ou simplesmente o problema vem sendo adiado até que percam o interesse por completo pelos estudos. Desta forma, será possível contribuir para o alargamento da compreensão acerca do fenômeno da indisciplina na escola e na sala de aula, possibilitando oferecer uma maior visibilidade ao problema.

No contexto escolar, são vários os fatores que podem levar à indisciplina e que geram conflitos na escola. Desde aqueles oriundos de problemas familiares até àqueles gerados pela própria organização escolar.

É imprescindível que se reflita a respeito da inclusão do aluno indisciplinado na sala de aula, conhecendo as razões que o motivaram a agir dessa forma para poder compreender tal fenômeno e minimizá-lo.

Tiba (2006) coloca que em nenhum caso convém expulsar o aluno da sala de aula. O melhor a fazer seria encaminhá-lo à orientação escolar. A expulsão da sala de aula além de não trazer benefícios, pode contribuir para agravar ainda mais o problema.

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O importante é diagnosticar a razão que gerou a indisciplina e não somente apontar o culpado, atribuindo punições sem considerar o contexto inicial que ajude a analisar os motivos que conduziram àquela situação de desequilíbrio do indivíduo.

É indispensável à participação efetiva de todos nessa problemática. Impossibilitando que alguma das partes se exima da sua responsabilidade e delegue sua função à outra. É preciso deixar bem resolvido quanto aos papéis da família e da escola.

À família cabe assumir o seu papel, sem delegar à escola toda a responsabilidade na educação do seu filho. Participando ativamente das atividades propostas pela escola, acompanhando o desenvolvimento escolar, atendendo aos chamados de professores e direção, a fim de que juntamente com a escola possam ajudar o aluno a superar alguma dificuldade apresentada.

A escola deve estimular um ambiente de cooperação mútua, de formação continuada de toda equipe escolar e de construção coletiva de regras, para que o trabalho educativo seja organizado visando à promoção do indivíduo.

Para tanto, a escola precisa atender a uma nova clientela que já não aceita cumprir determinações impostas, sem ter o direito a questionamentos. As novas tecnologias fizeram com que o mundo todo esteja conectado e a escola seja não o único, e sim um dos meios de aprendizado para o aluno. O professor deixa de ser o detentor do conhecimento, uma vez que o aluno dispõe de outros recursos para chegar à informação.

Neste contexto, a indisciplina também pode ser entendida como o não cumprimento por parte dos alunos das regras estabelecidas pela escola. Todavia, cabe a esta, construir junto aos alunos as regras de convivência que ambos devem obedecer, não apenas impondo o que o aluno pode e não deve fazer, evitando o uso abusivo de uma autoridade que, ao invés de se fazer respeitar, acaba gerando certa rebeldia.

Em meio a tantos problemas, a indisciplina persiste como obstáculo para que a escola cumpra sua função. Isto ressalta a necessidade de uma pesquisa que venha enriquecer a prática educativa e contribuir significativamente para a educação das crianças desde as séries iniciais do Ensino Fundamental.

Nos dias atuais, observo que alguns professores ainda preferem a rigidez usada na educação escolar de tempos atrás. Antes, havia dentro do ambiente escolar a utilização de métodos baseados na autoridade e, inclusive, de castigos corporais. Isto só comprova que a escola não está preparada para atender as necessidades de uma nova clientela que não aceita a simples imposição de normas sem que sejam bem justificadas, compreendidas e aceitas.

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Muitos docentes participam de formação continuada, no entanto, muitos não colocam em prática essas estratégias em suas salas de aula. Por quê? Será que dessa forma as aulas cada dia não se tornam mais sem sentido para o aluno?

Neste conjunto complexo de fatores, fica claro que por trás da indisciplina existem várias questões relevantes que precisam ser analisadas. De modo que possam melhorar a aprendizagem do aluno e favorecer a sua permanência dentro do ambiente escolar.

Para Aquino (1998), a indisciplina pode ser compreendida como um sinal, uma indicação de que a intervenção docente não está acontecendo satisfatoriamente e os resultados não estão atendendo às expectativas dos envolvidos.

Sendo assim, esta pesquisa é de grande relevância, visto que pode contribuir para inclusão do aluno considerado como indisciplinado. Favorecendo a sua permanência na escola e possibilitando uma investigação mais profunda sobre os impactos que o fenômeno indisciplina pode ter causado na sua vida estudantil. Principalmente numa época em que se fala tanto em inclusão, preocupando-se apenas com aqueles que apresentam deficiências visíveis e se esquecendo de que muitas estão arraigadas na história de vida dos alunos.

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3. OBJETIVOS

3.1. Objetivo Geral

Analisar as razões que levam à indisciplina dos alunos do 3º ao 5º ano do ensino fundamental de uma escola pública municipal de Sobral – CE e a inclusão destes alunos dentro do processo de ensino-aprendizagem.

3.2. Objetivos Específicos

Observar os alunos para conhecer o sujeito, suas atitudes, seu pensamento e fazer uma caracterização dos mesmos;

Conhecer as propostas de formação continuada dos professores e sua aplicabilidade em sala de aula;

Compreender a dinâmica em sala de aula, a interação professor-aluno, a existência de regras e também do respeito para com o outro.

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4. METODOLOGIA

Ao estudarmos o fenômeno da indisciplina sentimos a necessidade da utilização de uma pesquisa de campo que possibilite a compreensão subjetiva do sujeito da pesquisa, uma vez que queremos conhecê-lo e compreender a sua posição dentro desse processo.

Sendo assim, a pesquisa qualitativa corresponde ao tipo de pesquisa desse estudo. Para  Minayo  “A  pesquisa  qualitativa  responde  a  questões  muito  particulares.  Ela  se  ocupa,   nas Ciências Sociais, com um nível de realidade que não pode ou não deveria ser quantificado”  (Minayo, 2009, p.21). Para tanto, é imprescindível a realização de entrevistas, observação e levantamento de todo material que possa contribuir significativamente.

A metodologia adotada nessa pesquisa foi a observação e a entrevista de 06 (seis) alunos do 3° ao 5° ano, com idades entre 8 a 10 anos. Além disso, foram feitas também entrevistas com as professoras dos respectivos alunos, como também a direção, a coordenação e a psicopedagoga de 01 (uma) escola da Rede Pública Municipal de Ensino da Cidade de Sobral no Estado do Ceará no Nordeste Brasileiro.

Para tanto, utilizamos como amostra para a observação (02) dois alunos do 3° ano, (02) dois alunos do 4° ano e (02) dois alunos do 5° ano do Ensino Fundamental os quais estudam pela manhã na respectiva escola. Compreendendo a faixa etária entre 08 (oito) e 10 (dez) anos por serem as idades escolares correspondentes às séries   em   estudo.   “A   observação participante pode ser considerada parte essencial do trabalho de campo na pesquisa qualitativa (...)”  (Minayo, 2009, p.70).

Os alunos escolhidos foram indicados pela direção, coordenação e professores da escola por apresentarem comportamentos preocupantes.

O tempo que delimitamos para realização das observações foi de uma semana. Inicialmente foi feita a observação dos alunos dentro da sala de aula, depois em momentos fora, como no recreio. Em seguida, os alunos observados e os professores das respectivas turmas foram entrevistados para clarificar algumas questões pendentes. O Diretor Geral, uma Coordenadora Pedagógica e a Psicopedagoga também foram entrevistados a fim de que nos oferecessem uma visão mais ampla do problema em questão, enriquecendo assim, a pesquisa.

Antes de dá início às observações, procuramos pontuar através de categorias, quais os aspectos relevantes que deveriam ser observados para enriquecer o nosso estudo. Assim, vários fatores que estão diretamente relacionados à indisciplina dos alunos, puderam ser observados para que se fizesse uma caracterização geral desses alunos, conhecendo-os um pouco mais.

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Nesta pesquisa, as entrevistas aconteceram da seguinte forma: coletivamente, em uma roda de conversa informal com os (06) seis alunos observados, individualmente com os (03) três professores das respectivas séries desses alunos e por último, uma entrevista coletiva com o Diretor Geral, com uma das Coordenadoras e com a Psicopedagoga. Mesmo com um roteiro pronto, em alguns momentos tem características mais informais, porém sem perder o foco do estudo.

A conversa coletiva com os alunos durou aproximadamente quarenta e cinco minutos, tempo aproximadamente de uma aula, cedido e negociado com os professores, a fim de que não prejudicassem as atividades em sala de aula.As entrevistas individuais foram em torno de meia hora cada. Já a entrevista coletiva com a Direção, a Coordenação e a Psicopedagoga, duraram cerca de uma hora.

As entrevistas foram realizadas em dias diferentes das observações para que não comprometessem algum dado e pudessem ser conciliadas com os horários disponíveis dos entrevistados.

Para Minayo (2009) a entrevista é o instrumento mais utilizado na pesquisa de campo. É acima de tudo uma conversa a dois ou mais interlocutores, realizada por iniciativa do entrevistador.

As perguntas foram elaboradas a partir da necessidade de conhecimento de algumas questões direta ou indiretamente relacionadas ao foco do nosso estudo que é a “indisciplina”.

Para melhor compreensão das respostas, o uso da gravação é fundamental, no entanto, os sujeitos entrevistados foram consultados se poderiam ser gravados e todos aceitaram. A conversa com os alunos não foi gravada, as anotações foram feitas manualmente pela pesquisadora por se tratarem de crianças e ter sido mais uma conversa coletiva dirigida do que uma entrevista formal.

Optamos por transformar as perguntas feitas aos alunos em 08 (oito) temas de discussão. Uma vez que cada pergunta foi coletivamente debatida sobre determinado tema.

Já as entrevistas realizadas com as 03 (três) professoras das salas de aula dos alunos observados foram feitas individualmente as sextas-feiras. Horário disponível que cada série tem uma vez por mês para fazerem o planejamento coletivo.

Foram selecionadas 10 (dez) perguntas, feitas às 03 (três) professoras das salas dos alunos observados. Sendo que foi uma professora do 3°ano, uma do 4° ano e uma professora do 5°ano. Todas as professoras foram bastante receptivas e cuidadosas ao responderem as perguntas.

As entrevistas foram gravadas através do celular e todas as professoras consentiram sem nenhuma hesitação. Entregamos uma AUTORIZAÇÃO DO USO DE VOZ,

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IMAGEM E DE DADOS COLETADOS (em anexo), para evitar qualquer tipo de transtornos futuros que comprometessem essa pesquisa.

Assim como ocorreu com os alunos, a entrevista realizada com o Diretor Geral, a Coordenadora Pedagógica e a Psicopedagoga ocorreram de maneira informal e simultaneamente com os três. Sendo que, as perguntas se transformaram em 08 (oito) temas, onde os entrevistados foram debatendo e esclarecendo, juntos, questões relevantes para a nossa pesquisa.

Como Minayo (2009) coloca, diferente do que muitas pessoas pensam, é imprescindível o envolvimento do entrevistado com o entrevistador. Sendo condição para aprofundar a investigação e a objetividade.

Foi nessa relação com os entrevistados que podemos penetrar nesse universo e conseguir informações relevantes para pesquisa. Muitas não perceptíveis na observação apenas, nem nas respostas às perguntas, mas sim, na inter-relação que contempla aspectos cotidianos, afetivos e principalmente das experiências.

Adotou-se nessa pesquisa as normas APA, para elaboração e apresentação de teses e dissertações, do Despacho n° 101/2009 da ULHT.

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5. ENQUADRAMENTO TEÓRICO

5.1. Refletindo Sobre a Indisciplina Escolar dos Alunos: que

Dificuldade é Essa que Necessita de Inclusão?

A Indisciplina é um tema que permeia os discursos nas escolas há muito tempo e continua sendo um problema que dificulta o trabalho escolar. É um fenômeno muito complexo devido à multiplicidade de fatores e requer estudos que acompanhem as transformações de uma geração para outra refletindo assim, no ambiente escolar.

“Em um país tão diverso e complexo como o Brasil, a educação não pode representar mais um mecanismo para excluir as pessoas cujas necessidades de aprendizagem exigem uma atenção especial. Na educação para todos, é inaceitável  que  se  qualifique  “todos”” (Defourny1, 2009, p.6).

Muitos pesquisadores têm desenvolvido projetos nessa área devido às inúmeras reclamações de professores, coordenadores e demais pessoas envolvidas no processo educacional. Além disso, a indisciplina está sempre presente em congressos e palestras que buscam contribuir para que a prática pedagógica se torne mais significativa tanto para professores como também para os alunos.

A crise da disciplina escolar, segundo Vasconcellos (2009), é tão séria que está em jogo a própria continuidade da instituição no que se refere ao seu significado social, como também à sua existência objetiva baseada no tripé professor, aluno e instalações. Essa situação é marcada pela desistência de professores, violência discente, destruição física dos prédios e materiais escolares, agressão física a professores, prisão de alunos devido ao uso de armas e drogas, atos de vandalismos, dentre outros.

Há um movimento mundial a favor da inclusão social onde a escola está inserida nesse contexto. Apesar de não ser elencado como deficiência, o problema da indisciplina escolar está entre as dificuldades de aprendizagem que necessita de inclusão. O aluno, muitas vezes, é ignorado durante as aulas, suspenso das atividades e até afastado da escola. Agravando ainda mais a situação e promovendo uma situação de exclusão deste do processo de ensino e de aprendizagem.

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5.2. Reexaminando os Conceitos de Disciplina e Indisciplina

O conceito de indisciplina está relacionado ao de disciplina e apresenta uma pluralidade de significados que dependem dos vários contextos de pesquisa em que é analisado.

“Por   indisciplina   entende-se a transgressão das normas escolares, prejudicando as condições de aprendizagem, o ambiente de ensino ou o relacionamento das pessoas  na  escola”  (Veiga, 2007, p.15).

No Dicionário da Língua Portuguesa, disciplina é definida por Aurélio (2010) como “1.   Regime   de   ordem   imposta   ou   mesmo   consentida.   2.   Ordem   que   convém   ao   bom   funcionamento de uma organização. 3. Relações de subordinação do aluno ao mestre. 4. Submissão   a   um   regulamento...”.   De   modo  que,   a   indisciplina   seria   a   negação   das   regras   estabelecidas e que na maioria das vezes possam levar à desordem e perturbação pelo seu não cumprimento.

Sá (2007) relata que desde a Idade Média a palavra disciplina recebeu uma conotação moral ou religiosa como forma de adquirir alguma virtude. A pessoa era disciplinada quando instruída e/ou regrada. Já aquela que era inculta ou moralmente desordenada era considerada indisciplinada.

“A   palavra   “disciplina”   carrega   em   si   um   ranço   de   autoritarismo   e   de   falta   de   diálogo, que era comum no comportamento das gerações anteriores. Os pais dos adolescentes e das crianças de hoje sentem até um certo mal-estar diante dessa palavra, a ponto de praticamente a banirem da educação dos filhos. É difícil dar noção a uma palavra cujo significado já está consagrado”  (Tiba, 2006, p.192).

Para Vasconcellos (2009) a visão psicológica concebe a disciplina como sendo uma resposta positiva, seja do indivíduo ou do grupo, a vontade do outro em que não existem questionamentos ou críticas. Havendo apenas uma obediência precisa e uma submissão passiva. No entanto, faz-se necessário ultrapassar essa forma de conceituar disciplina, pois reafirma todo tipo de dominação.

Diante disso, há uma grande confusão quando se refere à disciplina escolar. Na maioria dos casos, o professor é quem tem uma visão privilegiada e finda relacionando a questão da disciplina à concepção de que o bom aluno é aquele passivo que cumpre as suas determinações. Daí, a importância de inserir o ponto de vista do aluno, como também das demais pessoas envolvidas no processo educacional para a construção da disciplina escolar, abarcando assim, outras opiniões e não apenas a do professor.

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A  palavra  “disciplina”  para  Silva  (2007)  está  diretamente  associada  à  ideia  de  regra   e de obediência. Sendo que o conjunto de regras e a maneira de reivindicar obediência estão relacionados à formação social que possui características próprias. Sua base de sustentação está nos valores que cada um foi construindo historicamente e a indisciplina seria, portanto, ir contra tudo que foi estabelecido ao longo dessa trajetória.

Geralmente, a indisciplina dentro da escola é vista como a negação da disciplina e se espera que o aluno tenha um comportamento que foi tradicionalmente estabelecido. Este, por sua vez, nega-se a aceitar e cumprir as regras, que na maioria das vezes, foram impostas e determinadas pela instituição escolar.

Para   Estrela   “o   conceito   de   indisciplina   relaciona-se intimamente com o de disciplina e tende normalmente a ser definido pela sua negação ou privação ou pela desordem  proveniente  da  quebra  das  regras” (Estrela, 1992, p.17).

Aquino (2003) afirma que a indisciplina poderia ser traduzida como sendo um tipo de inconformidade dos alunos aos padrões de comportamento tradicionais que a escola ainda busca inspiração. Seria uma forma de protesto, uma vez que estamos diante de uma nova clientela, com novas necessidades e principalmente em uma sociedade complexa que está em constante transformação.

Um ato de indisciplina para uma instituição pode não ser visto da mesma maneira por outra. Possuem assim, características próprias dependendo dos valores pertencentes ao grupo, a partir dos aspectos historicamente determinados e da proposta pedagógica de cada uma.

“Mesmo no campo de aplicação relativo ao comportamento existem variações, de tal forma que, em não poucas situações, percebemos que o que alguns professores entendem por disciplina é bastante diferente de outros, às vezes na mesma escola”  (Vasconcellos, 2009, p.90).

Os conceitos de Disciplina e Indisciplina estão interligados podendo ser definidos a partir do ponto de vista de quem os definem. É importante que se analise o contexto, buscando uma totalidade de opiniões. Os padrões de disciplina também podem variar de um lugar para outro (países, estados, municípios).

“Na escola, os conceitos de disciplina e de indisciplina, estão associados à necessidade de os seus membros se regerem por normas e regras de conduta que facilitam a integração e a convivência. Para além de uma forte conotação com princípios reguladores da vida na organização escolar, os conceitos de disciplina e de indisciplina, possuem ainda, uma dimensão que os aproxima das problemáticas da cidadania, do saber conviver, do respeito mútuo, da capacidade de autocontrole, etc., o que lhes confere um carácter polissêmico fazendo depender o

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seu significado dos contextos sociais e do quadro de valores que regula o quotidiano” (Amado& Freire, 2009, capa).

A polissemia que marca o conceito de indisciplina tem sido constantemente confundida com a problemática da violência que vem ocorrendo, com maior incidência, dentro dos muros da escola.

Muitos autores têm se empenhado em fazer uma distinção das particularidades de cada tema de acordo com Silva (2007), mas ainda há uma grande confusão na hora de contextualizá-los. O problema é que tem sido atribuído ao termo indisciplina desde comportamentos mais graves àqueles de natureza menos grave, evidenciando assim, a necessidade de fazer uma distinção entre os dois fenômenos.

“A indisciplina é um conceito polissêmico, intimamente associado aos quadros de referência e às interpretações dos protagonistas das situações. Manifesta-se, na sua maior parte, através de situações que perturbam pela sua frequência e interferência no desenvolvimento das atividades de ensino e de aprendizagem, afetando mais pela sua repetição e pelo sentimento de perda de tempo e de frustração, do que pela sua gravidade intrínseca”  (Freire, 2011, p.7).

Em meio a todas essas questões, o importante é compreender que o comportamento   “indisciplinado”   do   aluno,   é   uma   forma   de   despertar   para   algo   que   está   errado. O professor ter a sensibilidade de perceber no aluno a sua inquietação e buscar uma solução para o problema.Para Vasconcellos   “o   ato   de   indisciplina   é   um   sinal,   uma   manifestação a ser decodificada pelo professor, que procura ver o que está por trás dela, qual o seu sentido”  (Vasconcellos, 2009, p.224).

Dessa forma, quando se trata em conceituar as palavras Disciplina e Indisciplina, torna-se bastante complexo devido às várias possibilidades em defini-las. Cabe a quem for pesquisar conhecer o contexto em que se insere, para então saber que melhor definição pode ser atribuída aos termos e não apresentar generalizações erradas a cerca de um determinado universo investigativo.

5.3. Escola e Família: Uma Parceria Possível e Necessária

Diante de tantas indagações acerca da indisciplina, urge analisar a questão do ensino e da aprendizagem dos alunos. Contextualizando o problema e verificando se estes estão inseridos efetivamente no ambiente escolar, ou simplesmente omite-se o problema permitindo que o aluno não tenha êxito.

Há uma preocupação com os índices de aprovação, mas cabe analisar até que ponto os alunos estão aprendendo e levando para suas vidas essa contribuição da escola.

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Principalmente  quando  se  trata  de  alunos  “problemáticos”  para  a  instituição  e  considerados   “indisciplinados”. Será que eles estão conseguindo assimilar algo de novo para os anos posteriores? Ou estão sendo aprovados para servirem de números para a escola? São perguntas que merecem ser investigadas para que a instituição escolar permaneça a desempenhar a sua função efetivamente sem nenhum faz de conta.

Para   Emygdio   “uma   escola   inclusiva   deve   atender   a   diversidade   de   seus   alunos,   independentemente da problemática que estes apresentem”  (Emydio, 2004, p.51).

De acordo com Caldeirão (2010), a indisciplina é tão antiga quanto à escola, porém se tornou ainda mais preocupante por terem aumentado significativamente os casos de alunos com comportamentos desajustados nos últimos anos.

A  partir  da  década  de  1990  com  as  “Conferências  de  Jomtien”  e  de  “Salamanca”  a   maioria dos   países   adotou   o   lema   “Educação   para   Todos”.   O   Brasil,   com   a   LDB   nº9394//96,passou a incluir obrigatoriamente, na Rede Regular de Ensino, pessoas portadoras de necessidades especiais. Desde então, é garantido por lei o acesso e permanência dessas pessoas na escola.

Para  Ainscow  “se  a  inclusão  é  mais  comumente  associada  a  crianças  classificadas   por terem necessidades educacionais especiais, então, em muitos países, sua conexão com mau comportamento está bem próxima (...)” (Ainscow, 2009, p.16).

Sendo assim, há uma contradição dentro do ambiente escolar uma vez que se procura incluir alunos com necessidades especiais visíveis e, de certa forma, acaba afastando aqueles que trazem muitas necessidades que não são percebidas e, até mesmo, apontadas como Indisciplina.

“Há uma suposição comum de que inclusão é principalmente acerca de educação de estudantes com deficiência, ou os classificados como portadores de necessidades educacionais especiais, nas escolas regulares. A eficácia desta abordagem tem sido questionada, uma vez que, ao tentar aumentar a participação dos estudantes, a educação enfoca a parte da deficiência ou das necessidades especiais desses estudantes e ignora todas as outras formas em que a participação de qualquer estudante pode ser impedida ou melhorada”   (Ainscow, 2009, p.15).

O fato é que a indisciplina ganha dimensões que poderiam ser evitadas se fossem trabalhadas na raiz do problema. É importante compreender que por traz dela estão envolvidas questões sociais, econômicas e principalmente emocionais. É preciso interligar os principais atores do processo educativo: aluno, professor, escola e família para compreender os possíveis fatores que contribuem para a ocorrência da indisciplina escolar.

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Tiba (2006) coloca que a educação formal é ofertada pela escola, no entanto, a educação global é feita a oito mãos: pela escola, pelo pai, pela mãe e pelo próprio aluno.

Primeiramente, é preciso analisar a indisciplina tendo com base o próprio aluno, o seu contexto de vida, a influência dos colegas e o seu rendimento escolar. Para Vasconcellos (2009), a crise do sentido do estudo se manifesta de várias maneiras, a mais complexa de enfrentar é a falta de sentido atribuída ao estudo por parte dos alunos.

Outro agente fundamental é o professor, este deve ser um facilitador do conhecimento e não um detentor que usa do autoritarismo para reprimir o aluno.

“A função do professor consiste em proporcionar mais do que o conhecimento formal. Os conteúdos programáticos devem ser aproveitados para promover as competências de relacionamento interpessoal dos alunos e a consideração pelos princípios democráticos”  (Veiga, 2007, p.15).

A função tradicional da escola é transmitir os conhecimentos que foram sendo construídos ao longo do tempo e também inserir o indivíduo no mundo social. Porém, atualmente a instituição escolar assume várias atribuições que vão além do que objetivava há alguns anos.

Para tanto, a escola precisa atender a uma nova clientela que já não aceita cumprir determinações impostas, sem ter o direito a questionamentos. As novas tecnologias fizeram com que o mundo todo esteja conectado e a escola é apenas mais um lugar de aprendizado para o aluno. O professor deixa de ser o detentor do conhecimento, uma vez que, o aluno dispõe de outros recursos para chegar à informação: internet, televisão, cursos online, revistas, dentre outros.

La Taille (1996) afirma que cabe à escola a preparação para o exercício da cidadania. E para ser cidadão é necessário: conhecimento, memória, respeito pelo espaço público, normas de relações interpessoais e diálogo aberto entre olhares éticos.

Um fator importante que tem contribuído para dificultar a imposição dos limites à criança é a falta de entendimento entre os pais e a escola. Antigamente, os pais davam à escola autonomia da forma como esta se organizava em relação: as aulas, correções de atividades, atitudes erradas dos seus filhos e planejamento, permitindo assim, que fossem aplicados até castigos físicos. As gerações foram mudando e com isso novas concepções surgiram.

Agora, acontece o contrário, os pais, com a mídia e o avanço das tecnologias passaram a ter um acesso maior à informação e está atento a tudo o que acontece dentro do ambiente escolar. Muitas escolas possuem até câmeras filmando, a todo tempo, o que professores alunos e coordenadores estão fazendo.

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Mesmo permitindo que seus filhos passem mais tempo na escola, os pais não concordam com algumas posturas adotadas por ela. Reclama dos conteúdos, da metodologia do professor, a forma como o aluno foi repreendido, dentre outras. Retirando da escola a autoridade que depois, eles mesmos exigem.

Barros e César (2009) argumentam que deve ser feita uma reflexão sobre a escola como  organização  “aprendente”,  observando  os  aspectos  organizacionais  que  promovem  a indisciplina e a violência. As escolas são livres para se organizarem de modo que priorizem as questões da indisciplina e assim, contribuam para minimizar os problemas e promover a aprendizagem.

Muitas vezes a escola pune o aluno por ele ter transgredido alguma regra e os pais não aceitam a versão da escola, acabam cedendo a versão contada pelo próprio filho. Não averiguam a veracidade dos fatos e findam sendo manipulados por ele. Sendo assim, “todos   os pais precisam de autoridade educacional para preparar bem os filhos para a vida”  (Tiba, 2006, p.190).

Os motivos que podem levar a Indisciplina são vários, desde aqueles de ordem familiar até aqueles oriundos da estrutura organizacional escolar. Muitas vezes o professor e a escola se eximem de qualquer responsabilidade. Atribuindo assim, toda culpa ao aluno e a sua família.

Por fim, a família aparece como a base de tudo, o alicerce, que muitas vezes se omite das suas responsabilidades e transfere à escola suas competências. Essa falta pode gerar traumas nas crianças que apresentam sequelas posteriormente.

“Num mundo cada vez mais global, a prevenção da indisciplina e da violência requer a família, em primeiro lugar e depois a escola, num apelo a cada um de nós, professores. A escola deve assumir a sua responsabilidade na formação da consciência moral dos jovens, quer através do tipo de conteúdos que ensina, quer através da maneira como tais conteúdos são transmitidos. É aqui que surge a importância da comunicação, vivenciada, de escuta e de apoio, como poderoso instrumento de intervenção na indisciplina escolar”  (Veiga, 2007, p.11).

Nos dias atuais, é comum as crianças passarem o dia integralmente na escola. A família encontra-se mais afastada da educação dos seus filhos e a escola executando diversas funções e assim perdendo sua identidade. Além de ensinar tem a missão de educar aos pequeninos que, ainda muito bebê começa a frequentar o ambiente escolar.

“Os pais e educadores são membros de uma parceria quetem como objetivo comum; apoiara integração e o êxito de todas as crianças na escola. Isto constitui uma visão unificadora que associa as culturas familiares e escolar incluindo os

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pais e educadores em parcerias de aprendizagem”   (Correia& Serrano, 1998, p.182).

Torna-se fundamental que nesse universo desconhecido em que a criança é inserida, sejam considerados todos os conhecimentos que ela traz consigo. A escola e o professor não devem querer impor a sua visão diante dos fatos. O aluno não pode se sentir excluído do processo educativo. Ele deve ser estimulado a novas descobertas, propiciando uma integração de todos os agentes envolvidos no processo.

O processo de aprendizagem do ser humano se dá ao longo de seu desenvolvimento. É a partir de suas vivências que o aluno vai aprendendo e o professor deve respeitar o seu tempo de aprender, fazendo dos erros um momento de aprendizagem. Evitando as comparações entre os alunos, pois cada ser é único e é importante que o professor saiba trabalhar a questão das diferenças de cada educando.

“Acreditamos que, entre os aspectos mais importantes que o nosso aluno precisa aprender, está o de perceber que o outro é apenas um outro e que essa contingência abriga um universo de diferenças, todas indiscutivelmente aceitáveis”   (Antunes, 2002, p 45).

De acordo com Freire (1997), ensinar exige bom senso. Para tanto, deve-se respeitar o aluno (educando) levando em consideração os conhecimentos que ele traz consigo para escola, atentando para as condições que ele vem existindo. Respeitando assim, sua dignidade, sua autonomia, sua identidade em processo.

O Estatuto da Criança e do Adolescente, Lei n° 8.069, Cap. IV, Art. 53, assegura a criança e o adolescente o direito à educação, à igualdade de condições, de ser respeitada, dentre outros.

Diz o Artigo:

Art. 53. A criança e o adolescente têm direito à educação, visando ao pleno desenvolvimento de sua pessoa, preparo para o exercício da cidadania e qualificação para o trabalho, assegurando -se -lhes:

I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; II - direito de ser respeitado por seus educadores;

III - direito de contestar critérios avaliativos, podendo recorrer às instâncias escolares superiores;

IV - direito de organização e participação em entidades estudantis; V - acesso à escola pública e gratuita próxima de sua residência.

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Parágrafo único. É direito dos pais ou responsáveis ter ciência do processo pedagógico, bem como participar da definição das propostas educacionais.

Muitas vezes, o aluno é obrigado a omitir os seus valores, para seguir aqueles impostos pela escola, gerando um conflito e certa rebeldia por parte deste, que se recusa adotar tais concepções como suas e é visto como aluno indisciplinado.

“A ideia de disciplina é, pois, indissociável da ideia de regra e de obediência. Todavia, esse conjunto de regras e a forma de obediência que elas reclamam encontram-se diretamente associadas a uma determinada formação social”  (Silva, 2007, p.25).

Alice e Cláudio Nogueira (2002) expõem que Bourdieu2 concebe o indivíduo como um ator socialmente configurado nos seus mínimos detalhes. Os gostos mais íntimos, as preferências, as aptidões, as posturas corporais, a entonação de voz, as aspirações relativas ao futuro profissional, tudo seria socialmente constituído.

Assim, uma parceria escola e família se fazem necessária para promoção do aluno, à medida que juntos contribuam para o desenvolvimento integral da criança, conhecendo suas dificuldades e buscando alternativas para resolução dos problemas encontrados.

5.4. A Importância da Organização Escolar como Instituição

Educativa

No contexto atual, percebe-se claramente que há uma mistura de métodos dentro das escolas. Umas, seguem a forma tradicional de trabalhar os conteúdos e exige do aluno certa disciplina. Outras adeptas de correntes mais modernas como o Construtivismo, dão uma liberdade maior ao aluno. No entanto, percebe-se que há uma confusão quando se trata de impor limites e até que ponto se pode cobrar.

“Nas escolas passou-se do autoritarismo tradicional para uma permissividade elevada. Muitos pais e alguns professores encontram-se ainda num período de transição para uma educação baseada na compreensão e responsabilidade” (Veiga, 2007, p.13).

Conforme La Taille (1994), as crianças precisam sim, seguir regras que seriam valores e formas de conduta. Estas regras apenas poderiam vir dos seus pais, professores e educadores. Os limites oriundos delas, não deveriam ser vistos apenas de forma negativa,

2Sociólogo francês considerado um dos mais importantes paradigmas utilizados na interpretação sociológica

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devendo ser compreendidos também o sentido positivo. O limite situa, dá consciência do lugar ocupado dentro de algum espaço social, seja a família, a escola ou a sociedade de uma forma geral.

É importante que a escola tenha um Projeto Político Pedagógico e principalmente que seja construído ativamente por todos dentro da instituição. Assim, ficam estabelecidas as diretrizes que irão nortear a relação professor- aluno na sala de aula, como também as regras gerais que facilitarão o convívio e o trabalho dentro da instituição. Para Vasconcellos “a  construção  coletiva  do  projeto  educativo  da  escola  permite a reflexão, o amadurecimento e o cultivo de outros valores, além do econômico, fundamentais enquanto referências para a caminhada”  (Vasconcellos, 2009, p.157).

A partir do momento em que a escola tem um Projeto Político Pedagógico deve-se avaliar se este atende as reais necessidades da comunidade a sua volta, correspondendo as  expectativas  do  aluno.  Refletindo  se  a  “Indisciplina”  não  seria  justamente  um  pedido  de   “socorro”  por  parte  desses  alunos  que  não  se  sentem  motivados  com  a  proposta  da  escola.

É preciso que o professor conheça qual a proposta pedagógica da escola que leciona, mesmo que ele não tenha participado da construção do projeto político-pedagógico. Saber  o  que  a  escola  concebe  como  “Disciplina”  e  “Indisciplina”,  quais  medidas  devem  ser adotadas e que postura deve ter diante de determinadas situações. O professor não pode ficar omisso e agir como se fosse um problema alheio a ele e sim, contribuir para modificar aquilo que discorda e acredita ser irrelevante para sua prática pedagógica.

Em meio a vários questionamentos sobre a indisciplina, deve-se levar em consideração não apenas o ponto de vista do adulto, mas principalmente como a criança e o adolescente compreendem o mundo a sua volta, sem se esquecer de sua educação doméstica, aquela que o aluno traz de casa, e que é a base de tudo.

Na maioria das vezes, não há um trabalho efetivo que busque regatar o aluno e compreender o porquê de apresentarem certos tipos de comportamento. A Indisciplina:

“Produz efeitos negativos em relação à socialização e aproveitamento escolar dos alunos, produz igualmente efeitos negativos em relação aos docentes. Embora menos evidentes e imediatos esses efeitos não são menos nocivos” (Estrela, 1992, p.97).

Uma vez ignorado, o aluno vai se expressar de outras formas. Muitas vezes apresenta comportamentos inaceitáveis dentro do contexto escolar, recebendo o rótulo de indisciplinado. Pode ainda ser retirado do processo educativo e passar a seguir um caminho errado em sua vida, gerando assim, um grave problema social.

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A indisciplina não é um problema isolado dentro do ambiente escolar e, portanto, não cabe a esta instituição apenas tentar resolvê-la. Talvez, sua origem se encontre dentro de uma sociedade que se diz inclusiva e finda por excluir uma grande maioria de gozar dos direitos mínimos que têm garantidos em lei.

Para  Vasconcellos  “(...)  A  disciplina  em  sala  de  aula  sofre  o  reflexo  não  mecânico,   que se frise dessa grande indisciplina social” (Vasconcellos, 2009, p.83) .

Pereira (2005) coloca que a indisciplina sozinha já é um fenômeno complexo com muitos fatores de natureza diferente que nele intervêm. Sendo assim, não parece possível oferecer ou apontar soluções de sucesso garantido.

Diante do discurso atual em prol da inclusão, a Indisciplina necessita ser repensada a fim de que se analisem as causas; e se realmente os alunos estão inseridos no processo de ensino e de aprendizagem. É importante conhecer também como a escola lida com esses alunos, o que pensam os professores e toda equipe pedagógica a respeito dessas questões.

5.5. A Relação Pedagógica: Fator Importante no Processo de

Inclusão

A didática adotada pela maioria dos professores é uma das possíveis causas da indisciplina. Muitos docentes participam de curso de capacitação, e, no entanto, a maioria não realiza mudanças na sua prática pedagógica, tornando-se cada dia mais sem sentido para o aluno. Este não vê objetivo algum para sua vida em aulas expositivas e cadeiras enfileiradas. Ficam passeando pelos corredores, mexendo com os colegas e causando tumultos que, na maioria das vezes, termina em suspensões e afastamentos definitivos da escola.

“De facto, se o comportamento e a produtividade do grupo estão dependentes do interesse criado pelo professor, uma incorrecta orientação de aula, uma má relação pedagógica e/ou a falta de motivação dos alunos, poderão conduzir a situações de frustração e descontentamento que se traduzem em agressividade e outras formas de boicotar a aula” (Sá, 2007, p.33).

A indisciplina pode ter como causa a inadequação do que o professor quer ensinar distanciada do que o aluno precisa e quer aprender. A indisciplina seria a soma da insatisfação de quem ensina com quem aprende.

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“A   abordagem   das   matérias   (…)   tem   de   partir   das   experiências   e   vivências   dos   alunos e ser conduzido de maneira pedagógica e metodologicamente adequada utilizando os meios e os recursos disponíveis no ambiente em que decorre”   (Correia, 1997, p.106).

A empatia entre o professor e o aluno é relevante para que se estabeleça um clima de cordialidade e entendimento de ambas as partes. Um clima de motivação e curiosidade deve ser instigado no aluno a fim de que a aprendizagem realmente aconteça. O professor, por sua vez, não pode permitir que sua insatisfação pessoal reflita na sua prática pedagógica.

“O estudo da relação professor-aluno exige a concessão de um especial cuidado ao exame das representações que os participantes na relação mutuamente constroem, bem como a representação que constroem sobre si próprios, sobre o seu papel, sobre a tarefa que os une, sobre  o  contexto  em  que  interagem”  (Carita, 1999, p.84).

O professor tem influência direta no nível de motivação do aluno por ser o organizador das situações de aprendizagem. Assim, através das atividades propostas, das avaliações e da didática adotada em suas aulas, o professor deve atentar para as diversidades. Este não pode buscar uma homogeneização, fazendo comparações entre alunos e estabelecendo metas que sejam inatingíveis pelos alunos.

A relação professor-aluno deve ser, desde o primeiro dia de aula, construída a base do respeito mútuo em que ambas as partes têm consciência da sua importância dentro desse processo. A partir de agora, deve existir um relacionamento aberto, onde os papéis do professor e do aluno sejam bem definidos. Estrela (1992) reafirma a importância desta relação para prevenção da indisciplina. Há uma preocupação com os conteúdos, os programas e a didática, no entanto, não têm sido enfatizados os aspectos relacionais do ensino.

O professor, na convivência diária com o aluno, deve ser capaz de descobrir suas habilidades e competências, ao invés de buscar uma homogeneização. É na valorização da diversidade que o professor passa a ser respeitado pelo aluno que o vê, não apenas como uma autoridade em sala, mas um incentivador para concretização dos seus ideais.

Segundo Pletsch (2009) o professor necessita elaborar estratégias de ensino, procurando adaptar atividades e conteúdos não apenas para os alunos considerados especiais, mas para a prática educativa de uma forma geral. A fim de que os alunos realmente sejam inseridos no processo de ensino-aprendizagem.

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Atualmente, a relação pedagógica na sala de aula requer do professor uma nova postura. O aluno não aceita mais ouvir passivamente o professor que por sua vez, deixou de ser a única fonte do conhecimento.

“Neste contexto, a motivação constitui a condição número um para que a aprendizagem seja bem sucedida. Assim, o professor deve compreender as necessidades dos formandos, desenvolver o seu interesse por aprender, e certificar-se que os conhecimentos transmitidos são aliciantes e úteis no futuro”   (Sá, 2007. p.33).

Os problemas enfrentados pela escola, segundo Carita (1999), não podem ser solucionados no local, uma mudança significativa na relação pedagógica só é possível alterando-se os processos educativos e o quadro institucional.

“Por isso, a compreensão dos fenômenos de (in) disciplina não se pode desligar da relação triangular professor-aluno-saber, relação que tantos autores têm sublinhado, e das variáveis políticas, sociológicas, psicológicas, pedagógicas que a influenciam. Sem a construção de uma relação positiva com o saber, a relação pedagógica perde muito da sua razão de ser, ficando relegada para o plano de uma afectividade difusa, positiva ou negativa (...)”  (Estrela, 2002, p.77).

Sendo assim, o professor precisa saber liderar a turma em sala de aula, sem ser permissivo a todo instante, apenas para agradar aos alunos e buscando ganhar a simpatia deles. De acordo com Estrela (1992), é importante a existência de um sistema normativo disciplinar coerente e consistente desde o primeiro dia de aula. A relação vincular professor-aluno é fator fundamental para a superação das causas da indisciplina.

Vasconcellos (2009) deixa claro que a boa relação professor-aluno não dispensa regras, uma vez que os alunos nem sempre estarão motivados e em alguns momentos é o que vai balizar a relação.

“(...) o aluno valoriza o professor que sabe liderar a turma, impondo as regras necessárias ao trabalho e a relação, impondo a ordem com a firmeza necessária, sem cair nem no autoritarismo nem no permissivismo; valoriza ainda, o professor que evita as injustiças na interacção” (Sá, 2007, p.43).

Dessa forma, é a partir do momento que o professor conhece seus alunos e que passa a ter uma maior proximidade com estes que compreende as suas necessidades e limitações. Possibilitando assim, o desenvolvimento de um trabalho positivo com a turma, conseguindo coordenar certos tipos de comportamentos dos alunos.

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CAPÍTULO I

A EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA EDUCAÇÃO ESPECIAL NO BRASIL:

DA SEGREGAÇÃO À INCLUSÃO

“A educação pressupõe propor modificações significativas da instituição educativa e do que nela ocorre, quer dizer, é necessário introduzir modelos de atenção à diversidade nas estruturas da organização e revisar toda organização em instituições educativas” (Stobãus, C. D.&Mosquera, 2004, p.12).

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No Brasil, segundo Miranda (2008) a fase de negligência ou omissão em relação à Educação Especial, estendeu-se até início da década de 1950. Diferentemente dos países europeus e norte-americanos onde a evolução do atendimento educacional teve início a partir do século XVII.Podendo ser caracterizada por iniciativas isoladas em que o atendimento está direcionado com mais ênfase às deficiências visuais e auditivas. Já no que se refere à deficiência física,ocorreu em menor quantidade e à deficiência mental, um silêncio quase absoluto.

Assim, tem como marco fundamental: a criação  do   “Instituto   dos   Meninos   Cegos”   (hoje em dia,   Instituto   Benjamin   Constant)   em   1854   e   do   “Instituto dos Surdos-Mudos”   (atualmente Instituto Nacional de Educação de Surdos – INES) em 1857, ambos na cidade do Rio de Janeiro.

No Período Colonial, onde a população era predominantemente rural, não haviano país uma preocupação com a Educação Popular, muito menos com a educação daqueles indivíduos com deficiências. Por um longo período essa questão foi tratada com descaso pelos segmentos dominantes da sociedade.

Mais tarde, com um novo sistema de produção no país, passou a ser exigida uma qualificação maior da mão-de-obra. A organização escolar primária foi sendo consentida por ser essencial ao bom funcionamento dosistema. Assim também, a educação daqueles vistos como  “anormais”, começou a ser pensada, até mesmo para não onerar aos cofres públicos.

De acordo com Jannuzzi (2006) a maneira como se tem pensado e atuado com o diferente está vinculado à organização social como um todo, na organização para a produção.

A problemática educacional no Brasil só passou a ser importante quando dela dependia o futuro do país e dentro desse contexto estava à questão das pessoas que se diferenciavam dos padrões de normalidade. Estas, antes esquecidas ou escondidas precisavam de alternativas para sertambém produtivas e não um peso para sociedade.

1.1. A Importância de Benjamin Constant na Educação Especial no

BRASIL

Benjamin Constant Botelho de Magalhães foi o terceiro diretor do Imperial Instituto dos Meninos Cegos, fundado no ano de 1854 na cidade do Rio de Janeiro. Foi a partir de 1869 que ele assumiu a direção até o ano de 1889.Cargo exercido com muitas contribuições durante um período de 20 anos. Em 1891 o Instituto recebeu o nome de Instituto Benjamin Constant em sua homenagem. O Instituto foi a primeira demonstração oficial de interesse pela educação das pessoas portadoras de deficiência visual em nosso país.

Referências

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