Exerc´ıcios Resolvidos: ´
Area Entre Curvas
Contato: [email protected] Atualizado em 05/01/2017
O que preciso saber?
Dada uma fun¸c˜ao f (x) definida num intervalo [a, b], como na figura a seguir, y
x
a b
A
ent˜ao a ´area A limitada pela curva e o eixo x dentro do intervalo [a, b] ´e: A =
Z b
a
f (x) dx
Analogamente se tivermos uma fun¸c˜ao f (y) definida num intervalo [a, b] podemos determinar a ´area limitada pela curva e pelo eixo y com a integral
A0= Z b
a
f (y) dy
Exemplo 1: Calcule a ´area entre as curvas y = x2 e y = 4x. Solu¸c˜ao:
N˜ao ´e exatamente necess´ario fazer um gr´afico das duas fun¸c˜oes, mas tal pr´atica ajuda muito neste tipo de problema. Abaixo temos o gr´afico das duas fun¸c˜oes que se interceptam nos pontos (0, 0) e (4, 16).
(0, 0) (4, 16)
Usando a integra¸c˜ao em X:
Primeiro determinamos a ´area A1 limitada pela curva y = 4x e o eixo x no intervalo [0, 4].
A1= Z 4 0 (4x)dx (0, 0) (4, 16)
J´a a ´area A2 limitada pela curva y = x2e o eixo x ser´a:
A2= Z 4 0 (x2)dx (0, 0) (4, 16)
(0, 0) (4, 16) A = A1− A2 A = Z 4 0 (4x) dx − Z 4 0 x2 dx A = Z 4 0 4x − x2 dx = 32 3 ua (unidade de ´area). Usando a integra¸c˜ao em Y:
A integra¸c˜ao em y ´e feita em rela¸c˜ao ao eixo y. Para aplica-la antes temos de determinar as fun¸c˜oes inversas das curvas.
y = x2⇒ x =√y y = 4x ⇒ x = y
4
Na verdade, y = x2implicaria em x = ±√y, mas como as interse¸c˜oes entre as curvas ocorrem
apenas no primeiro quadrante usamos o resultado positivo.
Assim, a ´area limitada pela curva x =√y (em vermelho abaixo) e o eixo y ´e o resultado da integral A1 (0, 0) (4, 16) A1= Z 16 0 (√y)dy J´a a ´area limitada pela curva x = y
(0, 0) (4, 16) A2= Z 16 0 y 4 dy
Assim, a ´area entre as curvas ser´a o resultado da primeira integral menos a segunda (A1−A2).
(0, 0) (4, 16) A = A1+ A2 A = Z 16 0 (√y)dy − Z 16 0 y 4 dy AT = Z 16 0 √ y −y 4 dy = 32 3 ua
Obs.: Note que neste segundo caso (integra¸c˜ao em y) usamos limites de integra¸c˜ao difer-entes do primeiro caso (integra¸c˜ao em x ). Na integra¸c˜ao em x usou-se a abscisa dos pontos de interse¸c˜ao, enquanto na integra¸c˜ao em y usa-se as ordenadas.
Exemplo 2: Calcule a ´area limitadas pelas curvas y = 3√x e y = 6 x− 3. Solu¸c˜ao:
2 1 3
y = 3√x em vermelho e y = (6/x) − 3 em preto
Usando a integra¸c˜ao em X:
Note que a regi˜ao entre as curvas ora ´e limitada superiormente por y = 3√x ora por y = 6 x−3. Para resolver este problema dividimos a ´area que desejamos calcular em duas (A1 e A2),
calculamos cada uma individualmente e depois fazemos a soma dos resultados.
A1 A2
2 1 3
Note que a ´area A1´e limitada apenas por y = 3
√
x ent˜ao, ter´a a medida da ´area igual a:
A1=
Z 1
0
(3√x)dx = 2 ua
J´a a ´area A2 ´e limitada apenas pela curva y =
6
x− 3 ent˜ao, ter´a ´area igual a:
A2= Z 2 1 6 x− 3 dx = 6ln|2| − 3
Finalmente fazendo A = A1+ A2chegamos ao resultado final A = 6ln|2| − 1.
Usando a integra¸c˜ao em Y:
Primeiro encontramos as fun¸c˜oes inversas das curvas dadas. y = 3√x ⇒ x = y 2 9 y = 6 x− 3 ⇒ x = 6 y + 3
Agora calculamos a ´area limitada pela curva x = 6
y + 3 e pelo eixo y.
1 3
2
Chamaremos esse resultado de A1.
A1= Z 3 0 6 y + 3 dy
Em seguida calculamos a ´area limitada pela curva x = y
2
9 e o eixo y.
1 3
Chamaremos esse resultado de A2. A2= Z 3 0 y2 9 dy
Agora deve ser poss´ıvel perceber que a ´area entre as curvas A ´e a primeira integral menos a segunda. 2 1 3 A = Z 3 0 6 y + 3− y2 9 dy = 6ln|y + 3| 3 0 −y 3 27 3 0 = 6ln|2| − 1
Exemplo 3: Ache ´a ´area limitada pelas curvas y = −x e y =√2 − x. Solu¸c˜ao:
O gr´afico das curvas ´e colocado a seguir.
2
-2 (2, 0)
Integrando em X:
Primeiro encontramos a integral que nos fornecer´a a ´area limitada pela curva y =√2 − x e o eixo x.
2 -2 2 -2 (2, 0) A1= Z 2 −2 (√2 − x)dx
e em seguida a integral que nos dar´a a ´area limitada por y = −x e o eixo x.
2 -2 2 -2 (2, 0) A2= Z 0 −2 (−x)dx
Assim, a ´area entre as duas curvas ser´a a primeira integral menos a segunda (A1− A2).
2
-2
2
-2 (2,0)
A = Z 2 −2 (√2 − x)dx − Z 0 −2 (−x)dx A = Z 2 −2 (√2 − x)dx + Z 0 −2 x dx = −10 3
Como ´area ´e uma medida positiva o que nos interessa ´e o m´odulo desse resultado. Ou seja, 10
3 ua
Integrando em Y:
Neste caso n˜ao h´a nenhuma vantagem de usar a integra¸c˜ao em y, mas podemos realiza-la deslocando as fun¸c˜oes 2 unidades para direita.
Nesse caso y = −x se torna y = −(x − 2) ou y = 2 − x. E a curva y = √2 − x se torna y =p2 − (x − 2) ou y =√4 − x.
Os gr´aficos das fun¸c˜oes deslocadas ser´a:
(4, 0) (0, 2)
Note que as curvas ainda tˆem as mesmas formas. Na verdade, apenas as “puxamos” para direita.
Agora vamos determinar as inversas das curvas dadas. y = 2 − x ⇒ x = 2 − y
y =√4 − x ⇒ x = 4 − y2
(4, 0) (0, 2) A1= Z 2 0 4 − y2 dy
J´a a integral que nos fornece a ´area limitada pela curva x = 2 − y e o eixo y ser´a.
(4, 0) (0, 2) A2= Z 2 0 (2 − y)dy
A ´area entre as curva ser´a ent˜ao a primeira menos a segunda integral (A1− A2).
(4, 0) (0, 2)
A = Z 2 0 4 − y2 dy − Z 2 0 (2 − y)dy A = Z 2 0 2 + y − y2 dy A = 2yy 2 2 − y3 3 2 0 A =10 3 ua
Coment´ario: Nesse problema o leitor pode se perguntar, “porquˆe tivemos de mover as fun¸c˜oes?”. Se tiv´essemos a situa¸c˜ao inicial e tent´assemos aplicar a integra¸c˜ao em y. A regi˜ao limitada pela curva x = 2 − y2 (que ´e a inversa de y =√2 − x) seria o resultado da integral
A = Z 2
0
2 − y2 dy
O problema ´e que essa integral n˜ao ´e a medida que desejamos, mas da ´area em vermelho abaixo:
2
-2 (2, 0)
´
E necess´ario prestar muita aten¸c˜ao a esse tipo de situa¸c˜ao. E mais uma vez ´e feito um incentivo ao aluno que esboce o gr´afico das fun¸c˜oes. Caso contr´ario, erros provocados por situa¸c˜oes como esta podem vir a ser cometidos.
Exemplo 4: Encontre a ´area entre as curvas y = x3− 6x2+ 8x e y = x2− 4x. Solu¸c˜ao: 1 2 3 4 5 1 2 3 4 1 2 3 Integrando em X:
A ´area situada no intervalo [0, 3] da abscisa ´e igual a: A1= Z 3 0 (x3− 6x2+ 8x) − (x2− 4x) dx J´a no intervalo [3, 4] ´e igual ´a: A2= Z 4 3 (x2− 4x) − (x3− 6x2+ 8x) dx sendo assim: A = A1+ A2 A = Z 3 0 (x3 − 6x2+ 8x) − (x2− 4x) dx + Z 4 3 (x2 − 4x) − (x3− 6x2+ 8x) dx A = Z 3 0 (x3− 7x2+ 12x)dx + Z 4 3 (−x3+ 7x2− 12x)dx
A ' 11.25 + 0.583 A ' 11.833 ua. Integrando em Y:
Neste caso at´e seria poss´ıvel realizar a integra¸c˜ao na vari´avel y, contudo ter´ıamos um esfor¸co realmente not´avel. Em alguns casos (como este por exemplo), a integra¸c˜ao em y ´e definitivamente mais trabalhosa e em outras mais pr´atica. Com a pr´atica ´e poss´ıvel determinar qual das duas utilizar.
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