CADERNO
DO PROFESSOR
Resolução das actividades do manual
Fichas de avaliação (com soluções)
PORTUGUÊS
Textos de carácter autobiográfico Módulo1
Textos expressivos e criativos e textos poéticos Módulo2
Textos dos media I Módulo3
Textos narrativos / descritivos I Módulo4
Olga Magalhães | Fernanda Costa
Ensino Profissional · Nível 3
Módulos
1 | 2 | 3 | 4
Módulos
1 | 2 | 3 | 4
avaliado(a); analisado(a) em detalhe; c.
afastamento, omissão; d.
relato sumário da sucessão de factos que marcam cultural e profissionalmente a carreira de uma pessoa; e. mais do que a capacidade de ler e escrever, é entendida como a capacidade de compreender e usar a informação escrita nas actividades do quotidiano;
a.
inevitável, que tem de ser tido em conta. b.
2
Módulo
1
Textos de carácter autobiográfico
P
–
Português
, Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor
| Textos |
1
Antes de ler [pág. 17]
1. O cartoon representa um sonho de um funcionário de uma repartição – nome dado aos locais onde funcionam secções de determinados serviços, muitas vezes ligados ao Estado. Nos diversos momentos do sonho, o funcionário vê-se a si próprio a atender diversos utentes sempre com uma atitude de grande simpatia e disponibilidade que se reflecte quer no sorriso omnipresente quer na forma como se vai dirigindo a cada um deles. A maneira como cumprimenta a primeira personagem ou se despede da última, a solicitude que apresenta perante todas as outras são exemplo da humanização que é tão pouco vulgar neste tipo de locais, cujo atendimento é, por norma, frio e impessoal. Quando acorda, com um ar visivelmente assusta-do, o funcionário refere-se ao sonho como um ‘pesadelo’, atra-vés de um acto ilocutório profundamente expressivo. É nesta última vinheta que melhor se evidencia a função crítica deste cartoon: aquilo que para os utentes seria, de facto, um ‘sonho’, é, para o funcionário que os atende, um pesadelo.
2. Esta ‘definição’ corresponde à ideia generalizada de
burocra-cia: o cliente que vai sendo empurrado de guichet em guichet. A mensagem deste texto opõe-se à ideia transmitida no so-nho/pesadelo do funcionário público do cartoon de Luís Afonso.
Compreender [pág. 19]
1.1. “(…) comprometemo-nos em coordenar as nossas políticas (…); “(…) Com isto, comprometemo-nos a atin-gir estes objectivos (…)”
2. A nota deveria ser introduzida no texto a seguir a ECTS
(quarto parágrafo, ponto 3).
3.1. Nos três primeiros parágrafos da declaração,
evidencia--se a evolução do processo europeu nos últimos anos, salienta-se que a Europa do conhecimento é um factor fun-damental para o enriquecimento da cidadania europeia e reconhece-se ser da máxima importância que as universida-des europeias se ajustem às novas exigências.
4. A afirmação falsa é a b. – a Declaração de Bolonha
pre-tende incentivar, também, a mobilidade de professores, investigadores e pessoal administrativo (no reconhecimento e na valorização dos períodos passados num contexto euro-peu de investigação, de ensino e de formação, sem prejuízo dos seus direitos estatutários).
Compreender [págs. 21-22]
1. O destinatário é o Presidente da Assembleia da República,
o requerente é o deputado do Grupo Parlamentar do PSD, Adão Silva, e o assunto é o Plano Nacional de Leitura.
2.1.
3. 1.aparte – do ponto 1 ao 7; 2.aparte – a partir de “Por
isso”.
3.1. O conector “Por isso”, que articula as duas partes referi-das, tem um valor consecutivo (indica que o que se segue é consequência do que atrás foi exposto).
4. Por exemplo:
Por isso, nos termos constitucionais e regimentais, venho requerer à Senhora Ministra da Educação que:
– explicite os critérios científicos ou outros que servem de base ao “apagamento” (…) que frequentam o 5.° ou 6.° anos de escolaridade;
– informe se obras como (…) chegaram a ser equacionadas no processo de selecção levado a cabo;
– disponibilize a listagem de todas as obras e todos os autores “avaliados” e torne públicas as justificações que levaram à exclusão daqueles que foram afastados da lista-gem dos “recomendados”;
– divulgue o curriculum (…) para o Plano Nacional de Leitura.
5.1. Os pedidos do requerente não podem ser considerados
completamente satisfeitos, pois aí não se encontra esclare-cido o solicitado nos pontos 2. e 3. do requerimento e a res-posta ao ponto 4. é vaga.
| Textos |
2
Antes de ler [pág. 23]
1. Na BD assistimos à história de uma personagem
masculi-na que se encontra dentro de um bar e que, depois de olhar apaixonadamente para a foto de uma mulher (Maria), decide escrever-lhe uma carta de amor para a qual vai fazendo e recusando vários rascunhos. No momento em que se encon-trava concentrado em mais uma tentativa, vê, estupefacto, Maria passar abraçada a outro homem. Na última vinheta vemos a personagem feminina a ler a carta que acaba por receber: em vez de uma carta de amor, recebe um conjunto de insultos e impropérios.
2007 I S B N 9 7 8 - 9 7 2 - 0 - 9 1 2 4 7 - 3
Este livro foi produzido na unidade industrial do Bloco Gráfico, Lda., cujo Sistema de Gestão Ambiental está certificado pela APCER, com o n.° 2006/AMB.258 Produção de livros escolares e não escolares e outros materiais impressos.
Módulo 1 Textos de carácter autobiográfico 3
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Português
, Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor
Compreender [pág. 25]
1.banalização: vulgarização; omnipresença: ubiquidade; tri-vialidades: banalidades; grilheta: prisão; sequestrado: enclausurado; distendido: dilatado; fustigadas: flageladas; desfalecendo: desmaiando.
2.1. A nota explicativa seria inserida a seguir à seguinte
pas-sagem: “usando um direito inalienável de autodetermina-ção” (l. 7).
3. À medida que o telemóvel se foi vulgarizando, foi criando a
fantasia de que “o outro” está sempre ‘presente’ e disponível; o facto de o contacto não ser estabelecido ou de não haver uma resposta imediata do outro lado causa sofrimento.
4. As “trivialidades” são as seguintes: ficar sem bateria ou
sem rede ou desligar o telemóvel.
5. Afirmação b..
Funcionamento da língua [págs. 25-26]
1.1. SMS – Short Message Service; MMS – Multimedia
Messaging Service; PC – Personal Computer; CD – Compact Disk; WWW – World Wide Web.
2.1.Mail e messenger.
3.1.correspondência – mails, SMS, carta, postal dos cor-reios (diferentes tipos de correspondência).
3.2. telegrama, encomenda, vale postal, fax, bilhete,
memo-rando, nota.
3.3. Epístola, missiva.
4.1.1. A segunda oração da frase – “para avaliar o impacto
de um amor” – é uma oração não finita infinitiva com valor final.
4.1.2. Sujeito nulo indeterminado; predicado – avaliar o impacto de um amor; complemento directo – o impacto de um amor; complemento do nome – de um amor.
4.2. Exemplo: Os segundos de resposta são contabilizados pelos amantes.
Oficina de escrita [pág. 27]
2.1. Na carta A o destinatário é tratado por “Excelentíssimo Senhor ”, “Vossa(s) Excelência(s)”; trata-se de uma carta dirigi-da aos administradores dirigi-das roças de S. Tomé e Príncipe pelo Governador das ilhas, o emissor, que assina com o nome com-pleto – Luís Bernardo Valença. É uma carta formal adequada ao assunto em questão – a visita de um inglês às roças para, a mando do seu governo e do governo português, verificar as condições de trabalho dos trabalhadores – e às relações de
hierarquia (administradores das roças/Governador). A carta B é uma carta particular, dirigida por Luís Bernardo ao seu amigo João (Cf. fórmulas de tratamento e de despedida) e o assunto é de índole pessoal – sentindo-se só e infeliz, Luís Bernardo faz um pedido desesperado ao amigo para que o venha visitar.
2.2.1. Hipótese de carta:
| Textos |
3
Antes de ler [pág. 28]
2. Personagens: Sandra, Xana, Jonas Machibundo, Paulo,
Deolinda, Fragoso; Lugares: Moçambique; Tempo: Natal.
Compreender [págs. 29-30]
1.1. e 1.2. O destinatário é Sandra, mulher do remetente, já
falecida (“Não sei se ainda estavas viva quando…”(ll. 6-7)). A relação entre ambos é esclarecida, por exemplo, através das formas de tratamento (“querida”), pela evidente cumpli-cidade nascida da partilha da vida (“Porque os jovens, tu sabes…” (ll. 14-15), “…e subitamente exististe nesse
sorri-so. Eras tu, querida, eu nunca… dela.” (ll. 22-23)), etc.
Querido amigo Luís,
Estou a responder-te logo após ter recebido a tua carta que me deixou deveras preocupado.
Não imaginava que te encontrasses tão profunda-mente deprimido. Nada nas tuas cartas anteriores fazia antever tal situação.
Creio, porém, que estarás a exagerar e que, quan-do receberes esta missiva, já te encontrarás, certa-mente, de melhor humor.
Infelizmente não vou poder aceder ao teu pedido: não me é possível ir a S. Tomé este Verão, pois o tra-balho no escritório não mo permite: vou ter apenas uma semana de férias e tenho já hotel reservado na Praia da Granja. Este último facto não seria grave e tudo se poderia arranjar se não fosse a distância: é que uma semana de férias não dá sequer para aí chegar.
Vou fazer os possíveis para te visitar no Natal. Nessa altura penso que o trabalho terá acalmado e que disporei de mais tempo para poder empreender tão longa viagem. Até lá, aguenta-te, amigo! Sabes que, em pensamento, estou a teu lado e lembra-te da importante missão que aí estás a cumprir.
Um grande abraço cheio de saudades deste teu amigo (que não se perdoa por não poder ir a correr ao teu encontro),
Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual
4
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Português
, Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor
1.3.1. Xana seria filha do remetente e de Sandra. Tem um
filho pequeno (Paulo) e vive longe do pai. Depois de se sepa-rar do companheiro (pai do filho) vai agora casar com um homem “bastante mais velho”. Tem um sorriso parecido com o da mãe.
1.3.2. A relação com o pai não parece muito próxima: telefona
(raramente) e escreve (“telegraficamente”), passou dois dias no Natal com o pai, mas ele nunca lhe conheceu o companheiro.
1.4.1. “Porque os jovens (…) têm uma grande incompreen-são do sentido do casamento.” (ll. 14-15). Com esta reflexão o remetente expressa aquilo que lhe parece ser a forma levia-na como os jovens encaram o casamento.
1.4.2. “Sorriso breve, o ar absorto…” (ll. 23-24).
1.5. O que o pai de Xana lhe está a dizer com a resposta que
dá é que aquilo que a faz feliz a ela, mesmo que seja algo com que ele não esteja completamente de acordo, também o faz feliz a ele.
Funcionamento da língua [pág. 30]
1.1. Por exemplo:
– Conta – disse-lhe eu. E ela contou: – Vou-me casar.
– Casar? – duvidei eu na minha estupefacção.
– Vou-me casar com um tipo que talvez conheças de no-me, o Fragoso, professor de… – confirmou ela. – Não estás contente?
– Estou contente – disse-lhe eu olhando o miúdo que tinha um olhar mudo e espantado para nós –, se tu também estás.
2.1. Exemplos:
■Prometo que vou aí no Natal.
■Quem me dera / Adoraria ir aí no Natal!
3.1.apareceu, preparou, ajudou, estremeceu, chegou, per-guntei, foi, voltou, disse, contou, duvidei.
3.2.1. “Ela dissera-me tenho uma novidade para te dar…”
(l. 11)
3.2.2. O pretérito mais-que-perfeito exprime uma acção
que teve lugar antes de outra acção já passada.
| Textos |
4
Compreender [pág. 33]
1. O excerto de diário aqui apresentado, pelo seu carácter
fic-cionado e lírico, não corresponde a uma realidade estritamente factual mas a uma espécie de “fingimento” dessa realidade. Daí a escolha de “imitação dos dias”.
| Textos |
5
Antes de ler [pág. 35]
1.1.Lembrança, recordação, fama, por exemplo.
1.2. Exemplos: “Não há memória de uma história assim.”; “Este monumento foi erigido em memória do nosso primeiro rei.”; “D. Dinis, rei de boa memória, foi também um grande poeta.”
2. Podemos falar, em relação a este texto, de duas
acep-ções da palavra memória: nos dois primeiros parágrafos, as duas referências à memória(ll. 2 e 6)enquadram-se no
sen-tido 1. do verbete (função geral de conservação de expe-riência anterior, que se manifesta por hábitos ou por lem-branças); podemos, também, reportar-nos ao sentido 9. do verbete [memória (pl.) – escrito narrativo em que se compi-lam factos presenciados pelo autor ou em que este tomou parte].
Compreender [págs. 36-37]
1.1. Sendo embora ambos os tipos de texto exemplos de
escrita autobiográfica, enquanto que a escrita das memó-rias é, normalmente, muito posterior aos acontecimentos narrados pelo seu autor ou em que este participou, o registo do diário é, geralmente, quase simultâneo aos factos narra-dos que são, por norma, datanarra-dos.
2.1. Marcas da primeira pessoa: formas verbais – acho, sou, comecei, Tenho, acabamos (pl.), sei, sou, tenha, tenho, desejaria, temos (pl.), quero, nasci, vim, conheci…; deter-minantes possessivos – minhas (obsessões, avós, tias), nossa (individualidade) minha (vida, juventude, mãe), meu (tempo); pronomes pessoais – mim, me, nos (pl.), Eu.
3.2. Os três grandes factos que marcaram a vida do autor
são: a falência das profecias (3.° §), a cada vez maior partici-pação das pessoas na sociedade (4.° e 5.° §) e a entrada das mulheres na História (6.° §).
4. 1.-c.; 2.-f.; 3.-a.; 4.-d.
5.1. Por exemplo: certeza – “Eu não tenho dúvidas: quando nasci, (…) não tinham ainda entrado na história.” (ll. 44-45); incerteza: “Por isso me parece que a nossa individualidade é talvez o bem mais precioso que temos.” (ll. 10-11).
5.2. Hipótese: “Garanto que / Estou convencido que / Estou
seguro que, etc., estes futurólogos, alguns reconhecidamen-te inreconhecidamen-teligenreconhecidamen-tes, estavam apanhados pelo espírito do reconhecidamen-tempo, uma espécie de vírus que apanha indiferentemente o inteli-gente e o estúpido.”
Funcionamento da língua [págs. 37-38]
1. Por exemplo: “Recordo com emoção todos os concertos
a que assisti no ano passado.”; “Os consertos de calçado estão mais caros de dia para dia.”
2.1. grafar, grafia, graficamente, gráfica, gráfico, grafismo,
grafologia, grafonia, grafómetro, grafológico, grafema… biografia, autobiografia, biografar, biografado, biográfico, biografista, biógrafo, fotobiografia, filmografia, paleografia, serigrafia, xenografia, xilografia, epistolografia, discografia, fotografia…
3.1.1. e 3.1.2. a. Pretérito perfeito do indicativo – vim; pretéri-to imperfeipretéri-to do indicativo – estava, comprava, ouvia, via. b. Presente do indicativo – tenho; pretérito perfeito do indicativo – nasci; pretérito mais-que-perfeito composto do indicativo – tinham entrado.
3.1.3. No excerto a., a narração projecta-se apenas em
fac-tos passados e os tempos utilizados exprimem realidades temporais diferentes: o pretérito perfeito evidencia uma acção passada com carácter pontual, enquanto que o preté-rito imperfeito salienta o aspecto durativo da acção, a sua extensão temporal.
No excerto b., o presente do indicativo marca que o mo-mento/tempo em que se situa o sujeito da enunciação coin-cide/é simultâneo com o momento/tempo em que se situam os factos narrados; o pretérito mais-que-perfeito assinala uma acção anterior a outra também passada expressa pelo pretérito perfeito.
[págs. 41-43]
I
1.1. Marcas do remetente – o uso da primeira pessoa
presen-te nas formas verbais “presen-tenho” e “tive” e no pronome pessoal “me”; marcas do destinatário – o pronome possessivo “tuas”.
1.2. Trata-se da comparação: “(…) que me deixa desampa-rado como se me faltasse uma perna...”
2.1. Nestes dois parágrafos o remetente fala de dois
assun-tos: da forma custosa como tem progredido a história que está a escrever e do nascimento do bebé que “se aproxima a passos largos!”.
2.2. Através desta metáfora o remetente, falando do
traba-lho que lhe tem dado a história que está a escrever, eviden-cia que o mais difícil tem sido ser capaz de simplificar a sua escrita de forma a deixar ficar só “o essencial”.
2.3. a. Por exemplo: “(…) chego à hora de jantar cheio de dores de cabeça por levar o dia a penar na prosa.” (ll. 13-14)
b. “Vais ver que é uma coisa de uma simplicidade imensa – a gente deita-se e eles nascem.” (ll. 18-19)
3. “O principal tem sido mondar* isto de adjectivos supér-fluos, sacudir a árvore para só ficar o essencial.” (ll. 14-15)
II
1.1. O valor contextual dos dois “como” é substancialmente
diferente, pois enquanto o primeiro estabelece uma compa-ração (é uma conjunção subordinativa comparativa), o segundo remete para uma ideia de causalidade (é uma conjunção subordinativa causal (= porque, já que)).
1.2.Porque, já que, visto que, uma vez que…
2.1. “Caso se possa mandar daqui ou do Chiúme …” 2.2. “Se se puder mandar daqui ou do Chiúme encomendas registadas, envio-te logo o primeiro caderno.”
3. Dois exemplos possíveis: “No último filme de Almodóvar,
Penélope Cruz volta a ser cabeça de cartaz.”; “Aquele rapaz não tem cabeça: passa o tempo a fazer disparates!”
4. a. Acto ilocutório compromissivo; b. Acto ilocutório
expressivo.
Ficha formativa
Módulo 1 Textos de carácter autobiográfico 5
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Português
6
Módulo
2
Textos expressivos e criativos e textos poéticos
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Português
, Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor
Camões lírico
| Textos |
1
Antes de ler [págs. 47-48] 1. Proposta de roteiro cronológico:
1524/1525: Nasce Luís de Camões quase certamente em Lisboa. Antes de 1550, Luís de Camões poderá ter aprendido as primeiras letras numa das 40 escolas lisboetas de ensinar meninos. Neste primeiro período da sua vida, a sua lírica aponta uma estada em Coimbra, mas não há qualquer regis-to que prove a sua passagem oficial pela Universidade. 1552: Está em Lisboa. No dia de Corpus Christi, quando Gonçalo Borges passeava a cavalo no Rossio, foi zombado, defronte das casas de Pêro Vaz, na Rua de S. Antão, por dois mascarados. Estalou briga rija. Luís de Camões acudiu em defesa dos mascarados seus amigos, rasgando com a espa-da uma feriespa-da no pescoço de Gonçalo Borges. O poeta é encarcerado no Tronco da cidade.
1553: Por carta de 7/3/1553, o rei D. João III perdoa-lhe. Embarca nesse mesmo mês para a Índia. Chega a Goa em princípio de Setembro.
1558: Data provável do naufrágio no Cambodja. O poeta perde tudo. Salva-se a ele e ao poema numa tábua. Dina-mene morre nas águas.
1567: Camões em Moçambique.
1569: Embarca para Lisboa. Os amigos, entre eles Diogo do Couto, dão-lhe de comer e de vestir, pagam-lhe uma dívida e a passagem.
1572: Publicação de Os Lusíadas em Lisboa.
1575: D. Sebastião atribui a Camões uma tença de 15$000. 1580: Morre a 10 de Junho. O enterro é pago pela Com-panhia dos Cortesãos. Fica sepultado em campa rasa, sem letreiro, da parte de fora do mosteiro de Santa Ana.
António Borges Coelho, in Camões 1, Ed. Caminho, 1980 (adaptado)
2. A pergunta do título repete-se, sob outras formas, ao
longo do texto (Cf. ll. 16-19). Através dessas questões, o seu autor pergunta-se se uma “pátria” que tão mal tratou Camões e que ele tanto criticou terá o direito de se apropriar do seu nome para celebrar o 10 de Junho (Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas).
Compreender [pág. 48]
1.1. e 1.2. A indignação do autor nasce da constatação do
triste hábito português de só se valorizarem as pessoas, em geral, e os nossos escritores, em particular, depois de mor-tas, não lhes dando, em vida, a atenção e o “amor”que
merecem. Cf., entre outras, as seguintes passagens: “…em matéria de indiferença pelos mais nobres dos seus filhos, se essa nobreza for a do espírito, este país foi sempre terreno fértil.” (ll. 4-6); “Camões pertence apenas a alguns poetas, pois mais ninguém neste país o soube merecer.” (ll. 8-9); “Ora «a gente surda e endurecida» (…) ‘o favor com que mais se acende o engenho’.” (ll. 14-16).
2.1. Nestes versos da estrofe 145 do Canto X de Os Lusía-das, Camões critica os portugueses (“gente surda e endure-cida.”), reconhecendo que não é a “pátria” que o inspira pois esta “… está metida / No gosto da cobiça e da rudeza / De uma austera, apagada e vil tristeza.” Camões observa o seu país e, vendo-o no mais espantoso abatimento, não pode deixar de evidenciar o seu desespero.
| Textos |
2
Observação:
Sobre o ensino da poesia, aconselhamos a (re)leitura do excelente artigo de Clara Crabbé Rocha, “Didáctica do texto poético”, publicado em Cadernos de Literatura, Centro de Literatura Portuguesa da Universidade de Coimbra, número 10, 1981, INIC, nas páginas 42 a 55, do qual seleccionámos o seguinte excerto:
“O trabalho do professor, relativamente ao texto poé-tico, é, portanto: 1) revelar esse texto como 'armadilha amorosa' (Barthes), ou seja, como agente de sedução capaz de 'prender' o aluno; 2) para isso, um dos métodos que julgo pertinentes é ajudar o aluno a ver como funcio-na o texto poético (tal como uma criança gosta de ver como funciona um brinquedo e o adolescente um apare-lho, desmontando-o, observando as peças uma a uma), e mesmo como funciona o acto poético. Essa ‘desconstru-ção’, que nada tem de destruição do texto, realiza-se através do comentário de textos e através de informa-ções teóricas sobre o fenómeno a que a crítica recente dá o nome de ‘poeticidade’ (ou seja, o quid que faz com que um texto seja poético). A título parentético, creio que teria ainda interesse o professor fazer com os alunos uma breve reflexão de natureza histórico-cultural e sociológica sobre dois aspectos: o pendor lírico do tem-peramento português, e a consequente riqueza em poe-sia lírica da nossa literatura; e a enorme produção de poesia lírica do nosso tempo, quer publicada, quer desti-nada à gaveta e solitária (o que é aliás um reflexo da ‘massificação’ da produção literária; hoje toda a gente quer fazer a sua experiência de escrita), numa altura em que se nos impõem meios de comunicação extremamen-te diversificados, eficazes e sedutores.”
Módulo 2 Textos expressivos e criativos e textos poéticos 7
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Português
, Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor
Antes de ler [pág. 49] 1.1. O Nascimento de Vénus
Tema: O quadro representa o nascimento de Vénus Ana-diomede, ou seja, gerada pela espuma do mar. Sustentada por uma concha, a deusa é levada pelos ventos em direcção a terra, onde uma jovem mulher (Flora ou uma das Horas, míticas divindades femininas) está à sua espera para a cobrir com um manto purpúreo.
A obra distingue-se pela soberba harmonia do esmerado desenho e pela elegante modulação do traço que cria efeitos decorativos quase abstractos. Esta sensação emerge das ondas do mar, do entrelaçar dos corpos e da vista da costa ondulada em golfos e promontórios. As cores frias e claras, assim como as formas puras e idealizadas, encontram uma perfeita expressão poética na gélida nudez da deusa. Composição: Botticelli dispõe as figuras num plano só, privi-legiando a continuidade da linha. (...) Vénus é o centro da composição e na sua direcção convergem as linhas curvas dos ventos e da figura feminina. O nu é classicamente “pondera-do” numa simétrica e plena correspondência dos membros: ao braço dobrado corresponde a perna dobrada, ao braço esten-dido, a perna na mesma posição. Todo o corpo é circundado por uma linha ininterrupta, subtil mas evidente, que nunca é perturbada por cortes ou saliências. A pequena cabeça está inclinada e insere-se sem criar ângulos no longo pescoço sub-til, o que provoca, quase de forma espontânea, a dupla incli-nação dos ombros. O abundante cabelo louro, desenhado fio a fio, acompanha com suavidade as formas do corpo.
(in A Grande História da Arte, vol. II, Ed. Público, 2006)
Compreender [pág. 50]
1.Mudam-se/muda-se/se muda/mudar-se; mudança.
2. adjectivo: novas(v. 4); diferentes(v. 6); nome: novidades(v. 5); verbo: converte(v. 11)
3.Continuamente(v. 5); já(vv. 10 e 14); cada dia (= diariamen-te) (v. 12)
4. O paralelismo está presente na repetição da mesma
estrutura frásica nos dois primeiros versos. A repetição dos vocábulos mudam-se e muda-se no início das frases dos dois primeiros versos evidencia o recurso à anáfora.
5.2. Antítese.
Comparar [pág. 52]
2.
Exclusividade do objecto do amor
A – “e a ela só por prémio pretendia.”
B – “Era só contigo que eu sonhava andar/Para todo o lado e até quem sabe? Talvez casar”
Formas de sedução do objecto do amor
A – Servidão e dedicação incondicionais: “Sete anos de pas-tor Jacob servia”, “mas não servia ao pai, servia a ela”
B – Persuasão e sacrifícios materiais: “A saliva que eu gas-tei para te mudar”, “Empenhei o meu anel de rubi”
Impedimentos à concretizaçãodo amor
A – O pai: “porém o pai, usando de cautela, / em lugar de Raquel lhe dava Lia.”
B – O próprio objecto do amor e o seu mundo: “Mas esse teu mundo era mais forte do que eu”, “Mesmo sabendo que não gostavas”, “Não fizeste um esforço para gostar” Decisão do sujeito
A – Não desiste e propõe-se lutar pelo seu amor enquanto
viver: “começa de servir outros sete anos”
B – Desiste: “Nada mais por nós havia a fazer / A minha paixão por ti era um lume / Que não tinha mais lenha por onde arder”
‘Lição’ aprendida pelo sujeito
A – “Mais servira, se não fora / para tão longo amor tão curta a vida.”
B – “Não se ama alguém que não ouve a mesma canção.”
| Textos |
3
“Amor é um fogo…”
Compreender [pág. 54]
1.1.1. A dificuldade de definir o amor e de enumerar os seus
diversos estados bem como a sua variedade.
1.2. As antíteses e os oxímoros aliados à bipartição rítmica
do verso; a interrogação retórica do último terceto; a repeti-ção anafórica; as metáforas....
1.3. Sendo as contradições do amor o tema do soneto, quer
as antíteses quer a bipartição dos versos aparecem a subli-nhar essa temática.
Observação: Será importante fazer notar que o termo anáfora é usado na análise literária e na análise linguísti-ca. São conceitos distintos, que não se podem confundir. Acreditando que é ‘sob o signo da sedução’ que se
deve analisar o texto poético, em geral, e Camões, em particular, relemos, com toda a atenção, A poesia lírica de Camões – uma estética da sedução (Cadernos FAOJ, n.° 12), da mesma autora, e optámos, em grande parte, por seguir o percurso aí sugerido.
Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual
8
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Português
, Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor
1.4. Estes recursos intensificam a ideia central e acentuam a
mensagem.
2.1. e 2.2. 1.aparte – as duas quadras e o primeiro terceto: a
dificuldade de definição do amor e as contradições do estado amoroso; 2.aparte – último terceto: o sujeito poético
pergun-ta-se como é possível que o amor, tendo em conta o seu carácter contraditório, possa estar tão presente nos corações.
2.3. A conjunção coordenativa adversativa mas(v. 12)
2.4.1.contrário
2.4.2. Não sendo uma pergunta para a qual se espere
res-posta, a interrogação retórica dá vivacidade e ênfase ao dis-curso, criando cumplicidade com o interlocutor.
“Aquela triste e leda madrugada”
Compreender [pág. 55]
1.1.Ela(vv. 5, 9 e 12)
1.2.mágoa / piedade(v. 2); grande / largo(v. 11)
1.3.apartar-se / apartada(vv. 7/8)
2.2.
triste
■“cheia de mágoa e de piedade” ■“saudade” ■“apartar-se” ■“lágrimas em fio” ■“palavras magoadas” leda ■“amena e marchetada” ■“dando ao mundo claridade”
2.2.1. O sentimento predominante é a tristeza.
3.1. A madrugada é testemunha da separação de dois
sujei-tos que estiveram junsujei-tos e do sofrimento que essa separa-ção provoca. (Cf. vv. 7-9).
3.2. A madrugada aparece como uma espécie de ‘morte’
por-que o nascer do dia é identificado com a separação (Cf. v. 14
“almas condenadas”)
3.3. Formas verbais: “saía”, “viu”; adjectivos: “triste”, “leda”.
4.1. hipérbole (1.° terceto); paradoxo (vv. 7, 8 e 13).
| Textos |
4
Compreender [pág. 57]
1.1.Dest’arte
1.2. Nos dois termos da comparação estamos perante uma
situação de agressão em que uma das figuras (caçador/ /Frecheiro) é mais forte do que a outra (passarinho/coração) e actua de forma traiçoeira e dissimulada, valendo-se do des-cuido, da fragilidade e da passividade do sujeito poético.
1.3.1.passarinho/coração; caçador/Frecheiro
1.3.2.passarinho – lascivo, doce; caçador – cruel, calado, manso; coração – livre, destinado, descuidado; Frecheiro – cego, escondido.
1.3.3. O sujeito poético identifica-se com o passarinho e o coração contra o caçador e o Frecheiro cego. Atente-se, por exemplo, na ternura dos três diminutivos que aparecem na primeira quadra, e nos adjectivos que caracterizam o cora-ção, no primeiro terceto, por oposição ao caçador, caracteri-zado como sorrateiro e dissimulado, tal como o Cupido que se escondia nos olhos da mulher amada.
2. O tema é a paixão que apanha o coração desprevenido.
Comentar [pág. 57]
1. A estrutura bipartida deste soneto é marcada pelo
conec-tor assi sendo “anunciada”, logo no início do poema, pela conjunção como.
Ao marinheiro do primeiro termo de comparação corresponde o eu lírico, no segundo, sendo a vista da amada comparada à tempestade. Uma vez que a sua contemplação (da tempesta-de/da amada) provoca medo, a fuga é a única salvação. Ambos (marinheiro e eu lírico) prometem não voltar a cair noutra, não resistindo, porém, e repetindo o mesmo erro.
| Textos |
5
Compreender [págs. 58-59]
1. A beleza feminina (física e espiritual) e o fascínio que ela
exerce no eu lírico.
2.1.1. Neste retrato dá-se maior relevo aos traços morais (Cf. vv. 1, 2, 3, 5, 6, 7, 8, 9, 10 e 11). Este conjunto de qualidades tende a produzir uma imagem de perfeição (estereotipada) e não a individualizar a mulher.
3.1. 1.aparte – até ao verso 11, corresponde à acumulação
de atributos físicos e morais da figura feminina (descrição); 2.aparte – 2.° terceto corresponde à síntese desses
atribu-tos e à conclusão: o poder transformador/mágico do objecto amado exercido sobre o sujeito.
3.2. O demonstrativo “Esta” funciona como um termo anafó-rico que tem como função indicar os referentes no interior do texto em que é usado: remete para todas as qualidades
Módulo 2 Textos expressivos e criativos e textos poéticos 9
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Português
, Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor
expressas nos versos anteriores (atente-se, também, nos dois pontos do verso 11) que são aqui resumidas na expres-são “celeste fermosura”.
4.1. Poderão referir-se, entre outros: a enumeração
assindéti-ca (conferindo ritmo, vigor e musiassindéti-calidade ao texto), a adjec-tivação, frequentemente dupla e valorativa, etc.
4.2. Referimo-nos à metáfora – Circe/veneno – que confere a ideia de encantamento e magia.
5. Os encavalgamentos (transição dos vv. 7-8 e 12-13-14,
aliados à enumeração assindética, conferem ao poema um ritmo rápido e fluido que alterna com um ritmo mais lento e sincopado conferido pelo uso da vírgula, do ponto e vírgula e dos dois pontos.
6.1. O petrarquismo está presente ao nível do ideal de
bele-za feminina aqui reproduzido. A belebele-za da mulher amada é o resultado da conjugação das suas qualidades físicas e morais (graça, recato, doçura, brandura, beleza celestial) realçadas através de diversos nomes e adjectivos.
| Textos |
6
Compreender [pág. 61]
1.1. A apóstrofe inicial – Lembranças, que lembrais meu bem passado; as formas verbais na 2.apessoa, duas delas no
imperativo, na continuação da apóstrofe – lembrais/deixai--me, se quereis,/não me deixeis.
1.2.deixai-me – afastai-vos de mim; não me deixeis – não permitais.
2.1. Estão em confronto o bem passado, recordado pelo eu
lírico, e a angústia do mal presente.
2.2. O facto de se lembrar do bem que já teve no passado
agudiza mais ainda o sofrimento presente.
2.3. As sucessivas antíteses: bem/mal, passado/presente, viver/morrer, deixai-me/não me deixeis.
2.4.há-de ser – tendo perdido toda a esperança, o sujeito lírico antecipa que a sua vida será também, no futuro, mar-cada pelo sofrimento presente.
2.5.sempre – eternamente, indefinidamente.
Funcionamento da língua [pág. 61]
1. Morreu ontem, na maior miséria, o autor de Os Lusíadas, Luís Vaz de Camões. Abandonado por todos, [elipse] fale-ceu (sinonímia) num hospital da cidade e [elipse] foi sepul-tado num coval aberto do lado de fora da Igreja de Santana.
O seu (pronominalização) único rendimento era a tença de 15 mil réis anuais, equivalente a uma reforma de soldado, que el-rei lhe (pronominalização) mandou pagar como recompensa pela publicação da sua epopeia (sinonímia). Entretanto, a sua (pronominalização) obra continua a ser admirada por todos. Além de Os Lusíadas [elipse] escreveu muitas redondilhas, sonetos, odes, canções, sextinas e éclo-gas, que nunca foram impressas pelo facto de o poeta (sino-nímia) não ter recursos materiais, mas que estão a correr de mão em mão, em cópias manuscritas.
| Textos |
7
Compreender [pág. 63]
1. Estas duas figuras femininas, sendo completamente
dis-tintas sob o ponto de vista físico, são em tudo semelhantes do ponto de vista psicológico. O sujeito poético canta, em Descalça vai pera a fonte, o ideal de beleza petrarquista oposta à beleza oriental da mulher cantada nas endechas (contra as convenções do petrarquismo).
2.1. Jogos de palavras:cativa / cativo; porque nela vivo / já não quer que viva; para ser senhora / de quem é cativa; bem parece estranha / mas bárbora não.
Metáforas (Ua graça / viva que neles lhe mora; Pretidão de~ Amor; Presença serena / que a tormenta amansa).
2.2. Por exemplo os versos 9-12 e 25-28.
2.3. Para além da medida do verso, é de referir o
encavalga-mento (por ex.: na transição dos versos 3-4, 19-20, 22-23-24, etc.) que alterna com o ritmo binário.
Oralidade [pág. 64]
2.1. Lendo-se as estrofes seguidas (da 1 à 4), obtém-se um
retrato negativo de uma dama (Sois ~ua dama das feias do mundo); a leitura “lado a lado”, “louva” uma dama (Sois ~ua dama de grão merecer).
[págs. 70-71]
I
1.1. A primeira parte corresponde às duas quadras e a
segunda aos dois tercetos.
1.2. A primeira parte descreve a forma como o girassol
acompanha a trajectória do Sol acima da linha do horizonte e a forma como esta flor é influenciada pela luz do astro-rei.
Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual
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Português
, Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor
1.3.1. Através da apóstrofe Meu Sol, o eu lírico dirige-se à mulher amada.
1.3.2. Através desta metáfora – mulher amada/Sol – o
sujei-to poético compara-se a um girassol e à forma como este depende do Sol, tal como ele vive inteiramente na depen-dência do objecto do seu amor.
1.4.1. A hipérbole.
1.4.2. Através deste recurso o sujeito poético hipervaloriza a
mulher amada, exagerando as suas qualidades e conferindo--lhe até o poder de ‘criar’.
1.5. Ao longo deste soneto, o sujeito poético identifica-se
com o girassol (“Uma admirável erva”) e identifica a mulher amada com o Sol. Tal como o Sol faz florescer o girassol, também a amada do sujeito lírico alegra a sua “alma”. De igual modo, assim como o girassol “emurchece e se desco-ra” quando o Sol se põe, também o sujeito poético, na ausência da mulher amada, “se murcha e se consome em grão tormento.”
2. O poema é um soneto e, portanto, é constituído por duas
quadras e dois tercetos. Quanto à métrica, a medida do verso é o decassílabo. O esquema rimático é ABBA ABBA CDE DEC, isto é, a rima é emparelhada e interpolada nas quadras e cruzada e interpolada nos tercetos.
II
1. Proposta:
Nasci em Lisboa por volta de 1524, de uma família do Norte (Chaves). Vivi algum tempo em Coimbra e lá frequen-tei aulas de Humanidades no Mosfrequen-teiro de Santa Cruz onde tinha um tio padre. Regressei a Lisboa, levando aí uma vida de boémia. Em 1553, depois de ter sido preso devido a uma rixa, parti para a Índia. Fixei-me na cidade de Goa onde escrevi grande parte da minha obra. Regresso a Portugal em 1569, pobre e doente, conseguindo publicar Os Lusía-das, em 1572, graças à influência de alguns amigos junto do rei D. Sebastião. Faleci em Lisboa no dia 10 de Junho de 1580. Sou considerado o maior poeta português, e é costu-me situar a minha obra entre o Classicismo e o Manei-rismo. Algumas das minhas obras mais conhecidas são: Os Lusíadas (1572), Rimas (1595), El-Rei Seleuco (1587), Auto de Filodemo (1587) e Anfitriões (1587).
III
1.1.
a. A obra de Camões, que desempenha um papel importante
no crescimento da língua portuguesa, relata as contradições do mundo complexo do seu tempo. (o que introduz uma ora-ção subordinada adjectiva relativa explicativa)
b. A obra de Camões proporciona-nos um encontro com a nossa
história porque/visto que/já que a sua poesia foi utilizada, ao longo dos tempos, como bandeira e como símbolo nacional.
c. A poesia de Camões é dinâmica e, do ponto de vista cultural
e artístico, densa e rica, portanto/logo/por isso a leitura da sua obra é um instrumento para abrirmos o presente e o futuro.
Poetas portugueses do século XX
| Textos |
1
Compreender [pág. 74]
1. 1.° momento (vv. 1-23); 2.° momento (vv. 24-43).
2.1. O cansaço do sujeito poético nasce da monotonia da vida
(vv. 1-15), da constatação da falta de imaginação do homem
(vv. 16-18), da miséria e da violência que o rodeiam (vv. 19-22).
2.2.sempre, nunca, não, também.
2.3. Versos 6-9 e 15.
2.4.não e ninguém – a diferença que poderia quebrar a monotonia, a previsibilidade do mundo, é negada através da reiteração do advérbio de negação e do pronome indefinido.
2.5.1. Cf. versos 16-23.
3.1. O sujeito poético exprime o desejo do espanto inicial, de
‘morrer’ para ‘renascer’. A vida cansa porque é sempre igual. “Morrer” é ausentar-se da vida temporariamente, libertar-se.
3.2.1. …em cima dum divã / com a cabeça sobre uma almo-fada, / confiante e sereno… sorriso / onde arde um coração em melodia: … suavemente, / velar por mim, subtil e cuida-dosa, / pé ante pé
3.2.2. A figura feminina – meu amor do Norte – dá ao sujeito poético confiança e serenidade.
3.2.2.1. “Velar” significa “vigiar”, “estar de guarda a”, “pas-sar a noite junto de um morto”. São estas as “funções” que o sujeito poético espera que a figura feminina cumpra.
3.3.1. a 3.3.3. O sujeito poético aparece dividido entre o
desejo de viver e o cansaço que a vida lhe provoca. Morrer e suicidar-se não representam, aqui, mais do que esquecer, repousar. Veja-se a forma carinhosa como a Morte é perso-nificada no último verso.
Funcionamento da língua [pág. 74]
1.2.Se.
Módulo 2 Textos expressivos e criativos e textos poéticos 11
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Português
, Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor
1.4. e 1.5.pudesse – pretérito imperfeito do modo conjunti-vo. A propósito do emprego deste modo, leia-se o seguinte:
1.6.1. Algumas hipóteses: “Seria feliz…”; “Descansaria…”
| Textos |
2
Compreender [pág. 76]
1.1. O poeta a que se refere o sujeito poético é o negrilho.
1.2. O negrilho é uma árvore de grande porte e de copa
abundante (“bosque suspenso”), antiga (nela o “tempo” faz “ninho”); é um espaço protector a que se acolhem o “eu”, “os pássaros e o tempo”. Sendo o único poeta da terra natal do sujeito lírico, o negrilho é um ser com estatuto humano, dotado quer de atributos físicos – a voz (“conversamos”) e os “olhos” –, quer de traços psicológicos, pois é definido como sábio (“revela o mundo visitado”) e sonhador.
1.3. O sujeito poético identifica-se com o negrilho,
conside-rando-o o seu mestre e a origem da sua poesia (“Os meus versos são folhas dos seus ramos.”) e sente admiração por ele visto que ele simboliza a harmonia da natureza.
2.1. A alteração de pessoa verbal – de “ele” para “tu” – entre as duas estrofes faz sobressair a proximidade entre o sujeito poético e o negrilho. Na primeira estrofe, o sujeito poético enfatiza o carácter excepcional daquela árvore e da sua relação com ela, mas mantém, através do discurso de terceira pessoa, um tom contido de aparente distanciamento. Ao dirigir-se ao negrilho, na segunda estrofe, tratando-o por “tu”, dá expressão dramática à sua relação com a árvore, revelando, em toda a sua intensidade, o envolvimento afectivo que a caracteriza.
2.2. A primeira apóstrofe – “mestre da inquietação / Serena!” – aponta para um ideal de harmonia e serenidade; a segunda – “imortal avena / Que (…) maninho.” – salienta a simplicida-de poética e a relação da poesia com a natureza; a terceira – “gigante a sonhar” – evidencia a expressão do sonho humano de elevação e de integração na ordem cósmica; a última – “bosque suspenso / Onde (…) ninho!” – remete para o carác-ter protector da árvore.
2.3. A repetição do pronome pessoal – “Tu” – transforma esta segunda estrofe numa espécie de oração, evidenciando o carácter singular do negrilho.
3.1. O negrilho assume um papel protector (vv. 13-14)e espa-lha, à sua volta, serenidade (vv. 11-12).
4. O conceito de poesia apresentado caracteriza-se, entre
outros, por uma valorização da sabedoria da terra (v. 4), por
uma simplicidade poética inspirada na natureza (v. 10), pelo ideal de harmonia e serenidade (vv. 8-9).
(respostas baseadas nos “Cenários de resposta” da prova de Exame Nacional do Ensino Secundário de Português, 1.afase, 1.achamada, 2001)
| Textos |
3
Compreender [pág. 78]
1. “Porque os outros”; “mas tu não”.
2. “Porque” – conjunção subordinativa causal.
3. Sugestões: “Ainda há esperança porque…”; “Tudo pode mudar porque…”, etc.
4.1. “Tu ”/ ”os outros”.
4.2.mas tu não(vv. 1, 4, 7, 10, 13)
4.3. Os outros: dissimulação; falsidade/hipocrisia; medo;
cedência; calculismo. Tu: ousadia; denúncia; aventura/risco; honestidade.
6. Nos versos 11 e 12, a conjunção coordenativa e tem um
valor adversativo (estabelece entre as duas orações uma ideia de contraste), podendo ser substituída pelas conjun-ções coordenadas adversativas mas, porém, todavia, contu-do…
Sobre os valores particulares de algumas conjunções coor-denativas, consulte-se Celso Cunha e Lindley Cintra, in ob. cit., págs. 578 a 581.
| Textos |
4
Compreender [págs. 81-82]
1.1. O tema comum aos três poemas é anunciado pelos
res-pectivos títulos: o valor das palavras na poesia.
2.1.cristal, punhal, incêndio, orvalho.
2.1.1.Cristal remete para ‘transparência’; punhal e incêndio para ‘agressão’, ‘dor’, ‘destruição’; orvalho conota ‘leveza’, ‘frescura’.
“Quando nos servimos do MODO INDICATIVO, consi-deramos o facto expresso pelo verbo como certo, real, seja no presente, seja no passado, seja no futuro. Ao empregarmos o MODO CONJUNTIVO, é completamente diversa a nossa atitude. Encaramos, então, a existência ou não existência do facto como uma coisa incerta, duvidosa, eventual ou, mesmo, irreal.”
Celso Cunha e Lindley Cintra, Nova Gramática do Português Contemporâneo (págs. 463-464)
Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual
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Português
, Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor
2.1.2. O carácter ambíguo das palavras está em evidência
neste poema porque o sujeito poético apresenta um conjun-to de vocábulos que transportam consigo sentimenconjun-tos diver-sos e, por vezes, até antagónicos.
2.1.3. Comparação e metáfora.
2.2. Adjectivação, enumeração, personificação.
2.3. A antítese luz/noite remete, uma vez mais, para o carác-ter contraditório da palavra poética.
2.4. O adjectivo “pálidas”, que sugere “desmaiadas”, “ténues”, remete para a ‘morte’ das palavras que, mesmo quando ‘enfraquecidas’, trazem ainda boas memórias.
2.5. Através destas interrogações, o sujeito poético lança
um apelo para que as palavras sejam escutadas, cuidadas, protegidas.
2.6. Tendo em conta que o poema nos chama a atenção para o
facto de as palavras poderem apresentar diferentes significa-dos, ele aproxima-se de uma definição (poética) de polissemia.
3.1.1. A interrogação do primeiro verso, como aliás todas as
outras do poema, dirige-se a um “tu”, destinatário do discur-so, que se pode eventualmente identificar com um “eu” – o sujeito poético seria o eu e o tu.
3.1.2. Através desta interrogação, o sujeito poético pede
contas a um “tu”/ “eu” acerca do que terá ele feito das pala-vras, fazendo-nos supor que o apelo por ele lançado no poema anterior não teve eco.
3.2.1. As vogais são “de um azul (…) apaziguado” e as consoantes ardem “entre o fulgor / das laranjas e o sol dos cavalos”.
3.2.2. Vogais e consoantes são opostas pois, enquanto que
as primeiras são suaves e ‘tranquilas’, as segundas são quentes e fulgorosas; porém, só quando as juntamos pode-mos fazer palavras. Daí o seu carácter complementar.
4.1. “agora” – vv. 1 e 15.
4.2. Os tempos do passado são o pretérito perfeito ( farta-ram-se, tive, gostaram) e o pretérito imperfeito (dançavam, encontrava, fazia, sustentavam).
4.3. No passado, as palavras “gostaram” do sujeito poético: andavam à volta dele e “aqueciam-no”; no presente, “estão ariscas” (v. 16), “resmungam” (v. 3), “arreganham os dentes”
(v. 17), desobedecem-lhe e desrespeitam-no (cf. vv. 3-5).
4.4. A relação das palavras com o sujeito poético mudou
pro-vavelmente porque aquelas se “fartaram da rédea” que as prendia, do rigor e da simplicidade com que o sujeito poético as usava (vv. 6-9). Em alternativa, o sujeito poético sugere que, se calhar, se tornou mais exigente e que agora só pro-cura “as mais encabritadas”.
4.6. Através desta imagem (conjunto de metáforas) o sujeito
poético refere que as palavras, que outrora eram o seu ‘sus-tento’ quotidiano, hoje são muito menos dóceis e mais difí-ceis de ‘domar’. Provavelmente, este facto deve-se também à maior exigência que o sujeito poético tem na selecção das palavras (“já só procuro as mais encabritadas”).
Actuar [pág. 82]
1.1. Esta canção encontra-se no CD dos Trovante intitulado
Baile no Bosque, da EMI-Valentim de Carvalho ou no CD Poesia Encantada, da mesma editora.
2.2. Depois de ouvir o poeta, será a vez de os alunos
pratica-rem a leitura oral de alguns poemas. A brochura Leitura, do ME-DES (1999), propõe a seguinte ficha de avaliação de leitura em voz alta:
| Textos |
5
Compreender [pág. 84]
1.1. vv. 7-8: água, fogo, lenha, vento, primavera, pátria, exí-lio; v. 10: navio; v.14: tempestade; v. 15: sangue; v. 16: amor, morte, navio; v. 17: chama; v. 19: rosa, cardo.
1.2. Por exemplo, os pares água/fogo, pátria/exílio, amor/morte, rosa/cardo. A liberdade é água, pátria, amor e rosa mas, frequentemente, a luta por ela é fogo e cardo, implica exílio e morte.
2.1. Por exemplo versos 17-20.
2.2. A relação sujeito poético-pátria-liberdade é uma relação de tudo ou nada: só existe pátria em liberdade e por elas o sujeito poético está disposto a tudo – ao exílio, ao cativeiro, à morte.
■Hesitar ■Ter ritmo de leitura ■Usar o dedo ou outro guia ■Acrescentar ■Ler com expressividade ■Omitir
■Fazer leitura palavra a palavra ■Aglutinar sílabas ■Respeitar a pontuação ■Ter problemas de dislexia ■Errar em pequenas palavras ■Fazer autocorrecção.
Para cada um destes pontos serão usados os parâmetros Nunca, Raramente, Algumas vezes, Muitas vezes, Sempre. Nesta ficha haverá, ainda, lugar para observações e estratégias de remediação.
Observação: Na 1.aestrofe, os versos 3 a 6 podem ter
subentendido “são como”; nesse caso não haveria metá-fora, mas apenas comparação: Algumas [são como] um punhal, / [como] um incêndio. / Outras [são como] orva-lho apenas.
Módulo 2 Textos expressivos e criativos e textos poéticos 13
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Português
, Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor
Actuar [pág. 84]
1. Para encontrar outros poetas portugueses, da segunda
metade do século, que escreveram sobre o tema da liberda-de, consultar o site http://www.bib-camilo-castelobran-co.rcts.pt/librdd5.html e http://www.uc.pt/cd25a/ (Centro de Documentação 25 de Abril, da Universidade de Coimbra).
Oralidade [pág. 84]
Texto a ler aos alunos:
| Textos |
6
Compreender [pág. 86]
2.1. Sossegado/Calmo como os Árabes; Ardente/Ardoro-so/Veemente como os Africanos; Robusto/Belo como os Gregos; Ambicioso como os Romanos; Ardiloso como os Orientais; Apaixonado como os Latinos; Subtil como os Europeus.
2.2. Hipóteses: incoerente; hipócrita; falso.
3. “nem anjo nem bruto” refere a essência humana do ho-mem com todos os seus defeitos mas também com as suas virtudes.
4.1. “Recorda-te que tu és pó e em pó te hás-de tornar” (cf. Génesis, 3, 19).
4.2. A forma verbal encontra-se no modo conjuntivo (Me levante), expressando um desejo do sujeito poético: que, depois da morte, ressuscite puro e imaculado.
Poetas de expressão portuguesa
do século XX
“Não vale a pena pisar” [pág. 89]
Tópicos de análise
Todo o poema é uma longa metáfora – tal como o capim, que nasce espontaneamente da força da terra, quando é destruído pelo fogo, renasce após a primeira chuvada, tam-bém aqueles que são explorados guardam em si uma raiva calada, pronta a “explodir” a qualquer instante. A calma ilu-sória dos oprimidos explodirá em força logo que as condi-ções sejam propícias.
A poesia não se explica...
Não sei falar de literatura. Não sei falar de poesia. Sobretudo não sei se a poesia tem alguma coisa a ver com a literatura. Talvez esteja antes ou depois da literatura. Sei que a poesia não se explica, a poesia implica, como costuma dizer a minha amiga Sophia de Mello Breyner. Sei que a energia, como diz o meu amigo Herberto Hélder, é a essência do mundo e que “os ritmos em que se exprime consti-tuem a forma do mundo”. Sei, como o poeta russo Mandelstam, que “escrever é um acontecimento cósmico”. E que cada palavra é um pedaço de uni-verso. Ou como dizia Klebnikov: “na natureza da palavra viva, esconde-se a matéria luminosa do uni-verso”. Talvez tudo isto seja a poesia. Ou talvez ela não seja mais do que o primeiro verso, aquele que nos é dado, como sempre dizia Miguel Torga, por-que os outros têm de ser conquistados. Talvez tudo esteja nesse primeiro verso, que é o instante da revelação e da relação mágica com o mundo atra-vés da palavra poética. Talvez o poeta, afinal, não seja muito diferente daquele sujeito que vemos nas tribos primitivas, de plumas na cabeça, repetindo palavras mágicas enquanto dança e pula ao ritmo de um tambor. O poeta é esse feiticeiro. Dança com palavras ao som de um ritmo que só ele entende. Ou é talvez o adivinho. Como já não pode ler nas vísceras das vítimas, procura decifrar os sinais dos tempos através de múltiplos sentidos ou do sem--sentido da palavra. De qualquer modo, como nas sociedades primitivas, que tinham uma concepção mágica do mundo, o poeta de hoje é como esse xamã antigo que, através da repetição rítmica de palavras e imagens, convoca as forças benfazejas ou tenta exorcizar as forças maléficas.
A poesia é, assim, antes de tudo, uma forma de medição. Um presságio do Sul, como diz o meu amigo José Manuel Mendes.
Uma encantada, encantatória e desesperada tenta-tiva de captar a essência do mundo e de, através da palavra, “mudar a vida”, como queria Rimbaud. Uma forma de alquimia. Que procura o impossível. Ou seja: o verso que não há.
A poesia é também a língua. E para mim a língua começa em Camões, que tinha uma flauta mágica. A música secreta da língua. A arte e o ofício da língua e da linguagem. (…) O poeta, dizia Cioran, “é aquele que leva a sério a linguagem”. E o que é levar a sério a linguagem? Eu creio que é estar atento aos sinais. Os sinais mágicos da palavra. (…) É então que a poe-sia acontece. Isto é o que sei de poepoe-sia. Talvez seja muito pouco. Mas não sei se é possível saber mais.
Manuel Alegre, texto escrito e lido durante uma sessão consagrada a “Trinta Anos de Poesia” na Faculdade de Letras da Universidade
Católica de Viseu, em Maio de 1965, in 30 anos de poesia, Publ. Dom Quixote, 1997 (texto com supressões)
Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual
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Português
, Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor
“Terra” [pág. 90]
A literatura cabo-verdiana: temática
Há um conjunto de constantes na literatura de Cabo Verde que derivam, inevitavelmente, do condicionamento geoeco-nómico a que as ilhas estão sujeitas:
■a seca e a fome, que provocam o desejo de evasão (hora
di bai – hora da partida);
■ o sentimento colectivo de que a emigração constitui a
única solução possível e, paradoxalmente, a impossibilidade de partir, determinada pela situação financeira dos que aspi-ram à emigração;
■a saudade dos que partem (a ruptura dos laços que
pren-dem o homem à sua terra natal) e o desejo do regresso. A solução da partida é inevitável mas provisória – abando-nar as ilhas, atravessar a imensa fronteira líquida, procurar fixar-se numa região de trabalho bem remunerado para regressar o mais depressa possível. É a tragédia do êxodo, a eterna diáspora cabo-verdiana.
Dois ritmos polarizam, assim, a vida colectiva:
■o ritmo telúrico (vida ligada à terra);
■o ritmo pelágico (das eternas partidas e regressos).
Em relação ao crioulo cabo-verdiano, aconselha-se o site http://www.priberam.pt/dcvpo/ onde um dicionário e uma gramática de crioulo podem ser consultados on-line.
Tópicos de análise
■v. 1 – Nha: pron. pess. 2.apessoa sing. fem. – a senhora
(tratamento cortês usado apenas com as mulheres velhas ou muito respeitadas pelo falante);
■vv. 6 a 15 – razões que provocam a partida – seca, fome,
morte;
■vv. 16 a 20 – lugares mais desejados; o sonho de quem
parte ou almeja partir;
■vv. 21 a 36 – sentimento de quem fica: por um lado a
resig-nação, por outro a esperança de que as coisas se alterem – que venha a chuva e traga consigo a abundância, a fartura;
■vv. 37 a 43 – os dois ritmos que polarizam a vida das ilhas
– campos (telúrico)/mares (pelágico); o ciclo do sonho/espe-rança, ciclo da terra, ciclo da vida: “…sonhos/que um dia esvaem-se/ – mas surgem sempre…”.
“Esperança” [pág. 91]
Tópicos de análise
■o título é a palavra-chave para decifrar o poema: Esperança,
palavra que nunca aparece no poema embora todo ele reme-ta para esse sentimento; carácter simbólico deste facto: o
silêncio a que os carrascos obrigam; tudo se passa no interior – “Eu sei o teu nome…”, mas não posso pronunciá-lo (vv. 13 e 19);
■os quatro tercetos iniciais, construídos com base numa
repetição anafórica (“É como se alguém…”) seguida de uma construção antitética: pisasse/risse; batesse/cantasse; cus-pisse/passasse indiferente; apunhalasse/abraçasse; os últi-mos versos de cada um desses tercetos, isolados por um tra-vessão, constituem-se como uma espécie de prolongamento do título do poema.
■metáforas de “esperança” (vv. 3, 6, 9, 12, 14-18, 20-21).
■a esperança de mudança concretizada no último verso –
esperança = vento da certeza.
“Negra” [pág. 92]
Tópicos de análise
■África vista de fora (“Gentes estranhas com seus olhos cheios
doutros mundos”) – imagem falsa, oca e artificial (vv. 11-18);
■só os africanos – “do mesmo sangue, mesmos nervos, carne,
alma, / sofrimento” (vv. 21-22)– conseguem perceber o sentido (verdadeiro) de África – MÃE, remetendo para o título Negra.
“Os vínculos timorenses” [pág. 93]
Tópicos de análise
■vv. 1 a 4 – metáfora de Timor aprisionado;
■vv. 5 e 6 – esperança no ressurgimento futuro e desejado; ■vv. 7 a 10 – identificação profunda com o povo timorense
através do símbolo da bandeira; sangue/pacto (v. Nota no Manual); metáfora da candeia acesa;
■vv. 13 a 18 – identificação do sujeito poético com Timor: fala
pela voz de Timor expressando o desejo à autodeterminação;
■vv. 19 a 24 – apelo de que o sujeito poético se faz eco; ■v. 25 – Timor fenece; espécie de grito de morte anunciada.
“Lá no ‘Água Grande’” [pág. 94]
Tópicos de análise
Num comentário a este poema, o escritor e crítico literário Manuel Ferreira salienta os dois “mundos” em que se movem as crianças são-tomenses: “o reino da aparência e do ‘real’ – a máscara e o rosto”.
■as quatro primeiras estrofes correspondem ao mundo da
aparência, à máscara;
■na quinta estrofe a máscara cai e revela o rosto, isto é, a
realidade;
■“gemidos cantados” – expressão que revela a verdadeira
natureza dos cantos das crianças;
■valor expressivo dos adjectivos “mudos” e “quedos”,
Módulo 2 Textos expressivos e criativos e textos poéticos 15
P
–
Português
, Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor
“Canção” [pág. 94]
Tópicos de análise
Tema: A paz só se alcança quando se abdica do sonho/A morte do sonho;
■abundância de marcas da 1.apessoa (pus, abri, chorarei, (o)
meu, (as) minhas, meus);
■expressão dos sentimentos do sujeito lírico que estão na
base da sua decisão de ‘matar’ o sonho – solidão (areias desertas), desilusão, cansaço, tristeza...;
■1.aquadra – relação sonho/navio/mar/mãos; valor
simbóli-co das mãos – atitude deliberada do sujeito poétisimbóli-co;
■marcas do “crime” – mãos molhadas; cor que escorre dos
dedos – morte do sonho pelas suas próprias mãos;
■3.aquadra – vento/noite/frio – conjugação dos elementos
naturais que se aliam à tristeza provocada pela morte do sonho;
■4.aquadra – hipérbole dos dois primeiros versos; o
sofri-mento mata o sonho;
■5.aquadra – valor simbólico do conector temporal “depois”;
a ordem/a perfeição equivalem a ausência de dor/ausência de sonho.
“No meio do caminho” [pág. 95]
Tópicos de análise
Sobre o poema No meio do caminho:
“Este poema pode simbolizar dignamente a poesia moder-nista brasileira e as reacções de entusiasmo ou de repulsa que provocou podem simbolizar as que sempre provoca a arte de vanguarda; mas pode simbolizar igualmente a novidade, a importância da poesia drummondiana; na sua simplicidade, na sua brevidade, na sua ambiguidade, ele faz de um aparen-temente banal acidente de percurso um grande acontecimen-to obsessivo, dramático, absurdo, e fá-lo com uma espanacontecimen-tosa economia lexical (à base dos lexemas inqualificados “cami-nho” e “pedra”, que naturalmente são investidos de grande energia simbólica) e sem mais ênfase que a da repetição.”
Arnaldo Saraiva, “Um poeta universal”, Nota introdutória a Obras Completas de Carlos Drummond de Andrade, Obra Poética, 1.° vol., Publ. Europa-América, s/d
“O futebol brasileiro evocado da Europa” [pág. 95]
Tópicos de análise
■o futebol, símbolo de um país (Brasil);
■bola/touro – definição por oposição (vv. 1-2)e por
seme-lhança (v. 8);
■aparente simplicidade da bola (vv. 3-4)versus a real
dificul-dade em lidar com ela (vv. 7-8);
■relação bola/mulher/touro – necessidade de tratar com
malícia, astúcia, atenção, carinho (vv. 11-12).
[págs. 96-97]
I
1. S. Leonardo, capitão no seu posto de comando, vai
sulcan-do as ondas da eternidade, à proa dum navio de penesulcan-dos, a navegar num doce mar de mosto, sem pressa de chegar ao cais divino.
2. O antecedente do advérbio“Lá” é a expressão nominal “cais divino”.
3. O conector “Por isso” traduz a ideia de consequência, resultado ou efeito.
4. Na primeira estrofe predomina o presente (é, ruma, vai); na segunda estrofe predomina o futuro (terá, serão, deixarão); na terceira estrofe volta a predominar o presente (se aproxi-ma, avança, gasta).
5. Duas hipóteses possíveis:
■O poema poderá ser dividido em três partes lógicas,
corres-pondendo cada uma delas a cada uma das estrofes. Assim, na primeira estrofe, vemos S. Leonardo, “ancorado e feliz no cais humano”, a iniciar a sua viagem em direcção ao “cais divino”. Na segunda estrofe é feita a antevisão (daí o tempo verbal futuro) do que espera S. Leonardo quando chegar ao seu destino, no “cais divino”. Na terceira estrofe retoma-se o presente de S. Leonardo que, porque sabe o que o espera na “bem-aventurança”, avança, agora, devagar e sem pressa nenhuma de lá chegar.
■O poema pode dividir-se em duas partes: a viagem em
direcção ao cais divino, na qual S. Leonardo se demora para poder apreciar a paisagem (constituída pelas estrofes 1 e 3), e a antevisão de como será o referido cais (estrofe 2).
6.1. Locução adverbial: “sem pressa” (v. 8); advérbios: “deva-gar” (v. 21)“lentamente” (v. 23).
6.2. Os adjectivos são “ancorado” e “feliz” (v. 9).
6.3. S. Leonardo não tem pressa de chegar ao seu destino (o
‘cais divino’) porque se sente ‘feliz’ no ‘cais humano’ onde tem tudo aquilo de que gosta e cujas sensações agradáveis pretende prolongar o mais possível já que sabe que no local para onde vai não terá nada daquilo que tanto aprecia (Cf. vv. 10-11: “É num antecipado desengano…”).
7. Entre outras, poderiam citar-se as seguintes passagens:
“socalcos” e “vinhedos”, “um navio de penedos”, o cheiro a “mosto”, a “terra” e a “rosmaninho”.
8.1. “Nem vinhedos (a)”; “Na menina dos olhos (b) deslum-brados”.
16
Módulo
3
Textos dos
media
I
P
–
Português
, Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor
| Textos |
1
Antes de ler [pág. 101] 2. No original, era esta a divisão:
1.° § – Introdução; 2.° § – Ciência – um estudo de tudo!; 3.° § – Como funciona a ciência; 4.° e 5.° § – Tecnologia – a ciência em acção.
Compreender [pág. 103]
3.2. a. “Contudo” (l. 43); b. “Em suma” (l. 44).
Funcionamento da língua [págs. 103-104] 2. 1.° § – “A Terra (…) não haverá mais.” (ll. 1-4)
2.° § – “A História (…) gerações futuras.” (ll. 4-8)
3.° § – “As ilhas (…) estão ameaçados.” (ll. 8-12)
4.° § – “No entanto (…) conquistas tecnológicas.” (ll. 12-17)
5.° § – “Tenho esperança (…) própria vida.”(ll. 17-19)
| Textos |
2
Antes de ler [pág. 105]
1. Esta é a primeira fase do trabalho a completar na
per-gunta 7. da página 108, onde, recordando as noções de texto literário e de texto não literário, os alunos irão completar uma grelha.
Compreender [págs. 107-108]
1.1. O anúncio apresenta-nos um quadro preto típico das
escolas, onde está escrita uma frase com símbolos matemá-ticos: A matemática deve ser tão fácil de perceber como as palavras.
1.2. A mensagem subjacente a este anúncio, patente no
texto que o acompanha, é uma tentativa de desmistificar a dificuldade da matemática – “… a matemática não tem de ser um problema.” e “… pode ser divertida e acessível a todos.” Ora, o texto “As origens da Matemática” mostra-nos como esta disciplina entrou naturalmente nas nossas vidas e está presente, de forma muitas vezes inconsciente, em mui-tos gesmui-tos do nosso dia-a-dia. Por isso, ela é tão natural e “… tão fácil de perceber como as palavras.”
2. Adição (l. 9), subtracção (l. 18), multiplicação (l. 41)e divisão
(l. 45).
3. O desenvolvimento das actividades comerciais (Cf. l. 14).
4.1. A adição.
4.2. População de Murray River: 5 = petchval petchval enea
(4 + 1); população de Kamilaroi: 7 = bulan bulan guliba (4 + 3)
5. “Os números foram ordenados e agrupados em unidades cada vez maiores, geralmente pelo uso dos dedos de uma das mãos ou das duas…” (ll. 15-16); “A divisão começou quando
10 se exprimiu como ‘metade de um corpo’…” (ll. 45-46).
6. Partindo do princípio da contagem pelos dedos, “metade
do corpo” seriam dez dedos.
7. Aula de Matemática
■Através deste texto é-nos dada uma visão subjectiva do
mundo (interior e exterior); o sujeito poético usa os conceitos matemáticos de uma forma muito pessoal que reflecte as suas ideias e sentimentos.
■Dá, sobretudo, importância à forma.
■Tem uma intenção estética: predomina a função poética.
Utilizam-se recursos estilísticos e uma linguagem profunda-mente conotativa.
■A verdade da mensagem não é uma preocupação
funda-mental.
■É um texto literário.
| Textos |
3
Antes de ler [pág. 109]
1.1. Neste cartoon, podemos observar uma personagem masculina, sentada num sofá em frente à televisão, com ar enfastiado. Numa mão tem o comando do aparelho e, na outra, uma taça de pipocas. No chão, três latas de refrige-rante vazias, pipocas espalhadas e o jornal abandonado aberto na página que fornece informações sobre os progra-mas de televisão. Na televisão reconhecemos a imagem do Rambo. De dentro da casa alguém pergunta se a guerra já começou, ao que o homem responde que não, queixando-se que os programas de televisão nunca começam à hora prevista.
1.2. Para além de todos os estereótipos que o cartoonista aqui põe em evidência – o fim do dia de muitas famílias por-tuguesas em que o homem se acomoda no sofá, ‘comandan-do’ a televisão enquanto a mulher arruma a cozinha, há uma íntima relação entre este cartoon e a resposta que L. Afonso dá à primeira pergunta da entrevista – a guerra ‘anunciada’, ‘com hora marcada’ para aparecer na televisão, numa total inversão realidade/ficção: não é a realidade que passa a fic-ção mas a ficfic-ção que “salta” para a realidade. O ‘público’ espera pelo início da guerra como quem espera por um filme ou uma série que passa a determinada hora na televisão. E o