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LEI N° 2.184/2011, DE 12 DE DEZEMBRO DE 2011.
ESTABELECE AS DIRETRIZES PARA A
IMPLANTAÇÃO DA POLÍTICA MUNICIPAL DE
RESÍDUOS SÓLIDOS E PARA A
ELABORAÇÃO DO PLANO MUNICIPAL DE
GESTÃO INTEGRADA DE RESÍDUOS
SÓLIDOS
Assunta Maria Labronici Gomes, Prefeita do Município de Boituva, Estado de São Paulo, no uso de suas atribuições legais.
FAZ SABER QUE A CÂMARA MUNICIPAL DE BOITUVA DECRETOU E
ELA SANCIONAE PROMULGAA SEGUINTE LEI:
CAPITULO I Das disposições Gerais
Art. 1° Esta Lei estabelece diretrizes para a Política Municipal de Resíduos Sólidos, dispondo sobre seus princípios, objetivos e instrumentos, em conformidade com o disposto no Art. 10°, Capitulo I e observando o disposto nos artigos 18 e 19 da seção IV, os artigos do Capitulo II do Titulo III da Lei Federal n.° 12.305 de 2 de agosto de 2010, e de acordo com o art. 13° do Cap. I, Titulo II da Lei Estadual 12.300 de 16 de março de 2006.
Parágrafo único: Para os efeitos desta Lei consideram-se as definições inscritas no Capítulo III do Título I da Lei Estadual 12.300, DE 16 DE MARÇO DE 2006, que institui a Política Estadual de Resíduos Sólidos e define princípios e diretrizes.
CAPITULO II
Dos Princípios e Objetivos
Art. 2° São princípios da Política Municipal de Resíduos Sólidos: I. 0 desenvolvimento sustentável;
II. a prevenção e a precaução;
III. os princípios do poluidor-pagador e do protetor-recebedor; IV. a razoabilidade e a proporcionalidade.
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V. a visão hoiística na gestão dos resíduos sólidos, que considere as variáveis ambiental, social, cultural, econômica, tecnológica, educacional e de saúde pública;
VI. a cooperação entre as diferentes esferas do Poder Público, o setor empresarial e demais segmentosda sociedade;
VII. a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos, pelos resíduos gerados e pela sua destinação final;
VIII. a responsabilidade dos produtores ou importadores de matérias-primas, de produtos intermediários ou acabados, transportadores, distribuidores, comerciantes, consumidores, catadores, coletores, administradores e proprietários de área de uso público e coletivo e operadores de resíduos sólidos em qualquer das fases de seu gerenciamento;
IX. O reconhecimento do resíduo sólido reutilizável e reciclável como um bem econômico e de valor social, gerador de trabalho e renda e promotorda cidadania solidária e sustentável;
X. O sistemade coleta seletiva no Município, para incentivar a criação e o desenvolvimento de cooperativas e associações de catadores de materiais recicláveis que realizem a coleta e a separação, o beneficiamento e o reaproveitamento de resíduos sólidos reutilizáveis ou recicláveis;
XI. A inclusão social de catadores, nos serviços de coleta seletiva;
XII. A erradicação de todas as formas precárias de geração de renda, associadas ou decorrentes de atividades de coleta não controlada, em particular no setor dos resíduos sólidos, incluindo a prevenção do trabalho infantil, promovendo a integração social da Família, por meio de ações de educação dirigidas, por planos integrados entre meio ambiente, educação, assistência social e saúde; XIII. A participação social no gerenciamento deste Plano Municipal
de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos por meio do Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente e das organizações e instituições religiosas, sociedade civil organizada que não integrem nos seus estatutos os temas ambientais, como forma de direito da sociedade à informação, educação ambiental e aocontrole social;
XIV. A capacitação de recursos humanos com atuação na área de resíduos sólidos;
XV. O incentivo à cooperação intermunicipal, estimulando a busca de soluções consorciadas e de soluções conjuntas aos problemas de gestão de resíduos qualquer que seja a sua origem;
XVI. A recuperação das áreas degradadas ou contaminadas por gerenciamento inadequado dos resíduos sólidos mediante procedimentos específicos fixados na Lei vigente;
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XVII. A gestão integrada e compartilhada de resíduos sólidos, apoiando a concepção, implementação e gerenciamento dos sistemas de resíduos sólidos com participação social.
Art. 3° São objetivos da Política Municipal de Resíduos Sólidos: I. A proteção da saúde pública e da qualidadeambiental;
II. A economia solidária e ofomento da coleta seletiva organizada; III. A eliminação do trabalho precário de catadores e carrinheiros; IV.A gestão integrada de resíduos sólidos;
V. A integração dos catadores de materiais reutilizáveis e recicláveis nas ações que envolvam a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos;
VI. A não-geração, redução, reutilização, reciclagem e tratamento dos resíduos sólidos, bem como disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos;
VII. O estímulo à adoção de padrões sustentáveis de produção e consumo de bens e serviços;
VIII. A redução do volume e da periculosidade dos resíduos perigosos;
IX. O incentivo à indústria geradoras de resíduos e à industria de reciclagem, tendo em vista fomentar o uso de matérias-primas e insumos derivadosde materiais recicláveis e reciclados;
X. A articulação entre as diferentes esferas do Poder Público, e destas com o setor empresarial, com vistas à cooperação técnica e financeira para a gestão integrada de resíduos sólidos;
XI.A capacitação profissional e técnica continuada na área de resíduos sólidos;
XII. A regularidade, continuidade, funcionalidade e universalização da prestação dos serviços públicos de coleta e de manejo de resíduos sólidos, com adoção de mecanismos gerenciais e econômicos que assegurem a recuperação dos custos dos serviços prestados, com forma degarantirsua sustentabilidade operacional e financeira;
XIII. A prioridade nas aquisições e contratações governamentais para:
a. b.
produtos reciclados e recicláveis;
bens, serviços e obras que considerem critérios compatíveis com padrões de consumo social e ambientalmente sustentáveis; XIV. A implementação da avaliação do ciclo de vida dos produtos
produzidos no Município;
XV. O incentivo ao desenvolvimento de sistemas de gestão ambiental e empresarial voltados à melhoria dos processos produtivos
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e ao reaproveitamentodos resíduos sólidos, incluída a recuperação e a aproveitamento energético;
XVI. O estímulo à rotulagem ambiental e ao consumo sustentável. Art. 4° - São instrumentos da Política Municipal de Resíduos Sólidos:
I. O plano integradode gestão dos resíduos sólidos;
II. Acoleta seletiva, os sistemas de logística reversa e outras ferramentas relacionadas à implementação da responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos;
III. O incentivo à criação e ao desenvolvimento de cooperativas ou outras formas de associação de catadores de materiais reutilizáveis e recicláveis;
IV. A fiscalização e o monitoramento ambiental, sanitário e agropecuário; V. A cooperação técnica e financeira entre os setores público e privado
para o desenvolvimento de pesquisas de novos produtos, métodos, processos etecnologias de gestão, reciclagem, reutilização, tratamento de resíduos e disposição final ambientalmente adequadade rejeitos; VI. A pesquisa científica e tecnológica;
VII. Aeducação
VIII. A educação ambiental;
IX. A remuneração da prestação de serviços públicos de limpeza urbana e de manejo de resíduos sólidos, observada a Lei N.° 11.445/2007;
X. Os incentivos fiscais, financeiros e creditícios que se relacionem com a promoção de praticas sustentáveisde produção e de consumo;
XI. O Fundo Municipaldo MeioAmbiente;
XII. O Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente, e no que couber, o Conselho Municipal de Saúde e o Conselho Municipal de Educação;
XIII. Os órgãos colegiados municipais destinados ao controle social dos serviços de resíduos sólidos urbanos;
XIV. Os termos de compromisso e os termos de ajustamento de conduta celebrados no âmbito do Município;
Art. 5° No gerenciamento de resíduos sólidos deve ser observada a seguinte ordem de prioridade: não-geração, redução, reutilização, reciclagem,
tratamento dos resíduossólidos, bem como disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos.
Parágrafo único: Poderão ser utilizadas tecnologias visando a recuperação energética dos resíduos sólidos urbanos, desde que atendidas as condições impostas pela legislação municipal e na ausência desta pela legislação estadual e federal vigentes. E que seja garantida a nível municipal toda e
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qualquer atividade de coleta para reciclagem, efetuada por cooperativas ou associações de catadores, desde que formalmenteconstituídas.
Art. 6® Entende-se por gestão integrada de resíduos sólidos um conjunto de ações voltadas à busca de soluções para os resíduos sólidos, que consideram as dimensões política, econômica, ambiental, cultural e social, sob a premissa do desenvolvimento sustentável;
CAPITULO III Dos Instrumentos
Art. 7° O Plano Municipal de Gestão integrada de Resíduos Sólidos constituirá, na forma de decreto regulamentar, elemento integrante desta Lei apresentará o seguinte conteúdo;
I. Diagnóstico da situação dos resíduos sólidos gerados no respectivo território de Boituva, contendo a origem, o volume, a caracterização dos resíduos e as formas de destinação e disposição final adotadas;
II. Identificação de áreas favoráveis para disposição final, temporária ou permanente, ambientalmente adequada, de rejeitos, observado o plano diretor de que trata o § 1° do art. 182 da Constituição Federal e/ou o zoneamento ambientai, se houver;
III. Identificação de soluções consorciadas ou compartilhadas com outros Municípios, considerando, os critérios de economia de escala, a proximidade dos locais estabelecidos para o tratamento e a deposição final de resíduos sólidos e as formas de prevenção dos riscos ambientais associados;
IV. Identificação dos resíduos sólidos e dos geradores sujeitos a plano de gerenciamento específico nos termos do art. 20 ou a sistema de logística reversa na forma do art. 33, ambos pertencentes a Lei 12.035 ! 2010 e de seu regulamento, bem como as normas estabelecidas pelos órgãos regulamentadores Federais e Estaduais;
V. identificação dos passivos ambientais relacionados aos resíduos sólidos, incluindo áreas contaminadas, e respectivas medidas saneadoras;
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VI. Indicadores de desempenho operacional e ambiental dos serviços públicos de limpeza urbana e de manejo de resíduos sólidos;
VII. Procedimentos operacionais e especificações mínimas a serem adotados nos serviços públicos de limpeza urbana e de manejo de resíduos sólidos, incluída a disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos com a observância a Lei n° 11.445/2007;
VIII. Definição das responsabilidades quanto à implementação e operacionalização, incluídas nas etapas do plano de gestão integrada de resíduos sólidos a que se refere o art. 20 da Lei 12.305/2010, a cargo do poder público e privado;
IX. Regras para o transporte e outras etapas do gerenciamento de resíduos sólidos de que trata o art. 20 da Lei 12.305/2010, observadas as normas estabelecidas pelos órgãos reguladores e demais disposições pertinentes da legislação federal e estadual;
X. Consagração legislativa de regras para a elaboração e implementação de programas e ações de educação e de educação ambiental e ações de capacitação técnica que promovam a não geração, a redução, a reutilização e a reciclagem de resíduos sólidos;
XI. Modelo para a criação de tarifa, porsistema de cálculo dos serviços públicos de limpeza urbana e de manejo de resíduos sólidos, incluída a disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos, bem como a forma de cobrança desses serviços, observando o disposto na Lei n° 11.445/2007;
XII. Criação de mecanismos fiscais e econômicos, para a geração de fontes de negócios, emprego e renda, mediante a valorizaçãodos resíduos sólidos;
XIII. Definição de metas de redução, reutilização, coleta seletiva e reciclagem, entre outras, com vistas a reduzir a quantidade de rejeitos encaminhados para disposição final ambientalmente adequada;
XIV. Descrição das formas e dos limites da participação do poder público local na coleta seletiva e na logística reversa, respeitado o disposto no art. 33 da Lei 12.305/2010, e de outras
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ações relativas à responsabilidade compartilhada pelo cicio de vida dos produtos;
XV. Definição de meios a serem utilizados para o controle e a fiscalização, no âmbito local, da implementação e operacionalização do plano de gestão integrada de resíduos sólidos de que trata o art. 20 da 12.305/2010, e dos sistemas de logística reversa previsto no art. 33 da mesma Lei;
XVI. Ações preventivas e corretivas a serem praticadas, incluindo programa de monitoramento;
XVII. Periodicidade de sua revisão, observado prioritariamente 0 período de vigência do plano plurianual municipal.
a. O piano municipal de gestão integrada de resíduos sólidos será parte do plano municipal de saneamento básico previsto no art. 19 da Lei n° 11.445/2007.
b. O plano municipal de gestão integrada de resíduos sólidos não exime o Município do licenciamento ambiental de aterros sanitários e de outras infraestruturas e instalações operacionais integrantes do serviço público de limpeza urbana e de manejo de resíduos sólidos pelo órgão competente.
c. Na definição de responsabilidades na forma do inciso VIII do artigo 19 da Lei 12.305/2010, é vedado atribuir ao serviço público de limpeza urbana e de manejo de resíduossólidos a realização de etapas do gerenciamento dos resíduos a que se refere o art. 20 da Lei 12.305/2010 em desacordo com a respectiva licença ambiental ou com normas estabelecidas pelos órgãos reguladores competentes;
d. Além do disposto nos incisos I a XVII do caput deste artigo, o plano municipal de gestão integrada de resíduos sólidos contemplará ações específicas a serem desenvolvidas no âmbito dos órgãos da administração pública e das empresas privadas, com vistas à utilização racional dos recursos ambientais, ao combate a todas as formas de desperdício e à minimização da geração de resíduos sólidos.
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e. O conteúdo do plano municipal de gestão integrada de resíduos sólidos será disponibilizado para o SINIR, na forma do regulamento,
CAPITULO IV Das proibições
Art. 8°. São proibidas as seguintesformas de destinação ou disposição finalde resíduos sólidos ou rejeitos;
I - O lançamento em quaisquer corpos hídricos;
II - O lançamento in natura a céu aberto, excetuados os resíduos de mineração, desde que não seja em local devidamente assinalado pelo poder público e licenciado para o efeito pelo órgão competente;
III - A queima a céu aberto ou em recipientes, instalações e equipamentos não licenciados para essa finalidade;
IV - outras formas vedadas pelo poder público, inscritas no plano de gestão integrado de resíduos sólidos.
CAPITULOV Das infrações e sanções
Art. 9° Constatada a infração às disposições desta Lei, os órgãos da administração pública municipal encarregados da fiscalização ambiental poderão diligenciar, junto ao infrator, no sentido de formalizar termo de compromisso de ajustamento de conduta ambiental com força de título executivo extrajudicial, que terá por objetivo cessar, adaptar, recompor, corrigir ou minimizar os efeitos negativos sobre o meio ambiente, independentemente da aplicação das sanções cabíveis.
I. As multas pecuniárias aplicadas, concernentes com o disposto no art. 8° serão estabelecidas, conforme dispuser o plano municipal de gestão integrada de resíduos sólidos.
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II. O não-cumprimento total ou parcial do convencionado no termo de ajustamentode conduta ambientai ensejará a execução das obrigações dele decorrentes, sem prejuízo das sanções penais e administrativas aplicáveis à espécie.
CAPITULO VI
Disposições finais e transitórias
Art. 10 A inexistência do plano municipal de gestão integrada de resíduos sólidos, no período que consagra esta Lei no Art. 12°, não pode ser utilizada para impedir a instalação ou a operação de empreendimentos ou atividades devidamente licenciados pelos órgãos competentes.
Art. 11 O plano municipal de gestão integrado de resíduos sólidos poderá prever outros casos que constituam infração a esta Lei.
Art. 12 Esta Lei deverá ser regulamentada no prazo de 90 (noventa) dias. Art. 13 Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação e revoga as disposições anteriores.
Prefeitura de Boituva, em 12 de dezembro de 2011.
Prefeita Municipal
As un Labronici Gomes
Publicada na Secretaria da Prefeitura nadata supra.
lãríãTúciaRamos Secretária (Divisão de Secretaria)