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Minuta 04 do Anteprojeto de Lei do Plano Diretor de Florianópolis Junho de 2017

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MINUTA

PROJETO DE LEI COMPLEMENTAR N.

INSTITUI O PLANO DIRETOR DO MUNICÍPIO DE FLORIANÓPOLIS QUE DISPÕE SOBRE A POLÍTICA DE DESENVOLVIMENTO URBANO, O PLANO DE USO E OCUPAÇÃO TERRITORIAL, OS INSTRUMENTOS URBANÍSTICOS E O SISTEMA DE GESTÃO.

Faço saber a todos os habitantes deste Município, que a Câmara de Vereadores aprovou e eu, sanciono a seguinte Lei Complementar:

DISPOSIÇÕES PRELIMINARES

Art. 1. Esta Lei Complementar dispõe sobre a Política de

Desenvolvimento Urbano Municipal, institui o Plano de Uso e Ocupação Territorial, os Instrumentos Urbanísticos e o Sistema de Gestão, denominada simplesmente de Plano Diretor do Município de Florianópolis, ajustado às políticas, diretrizes e instrumentos de desenvolvimento territorial e urbanístico instituídos pela Lei Federal n. 10.257, de 2001 - Estatuto da Cidade, pela Constituição do Estado de Santa Catarina e pela Lei Orgânica do Município de Florianópolis.

Art. 2. O Plano Diretor do Município de Florianópolis é o instrumento básico, global e estratégico da política de desenvolvimento do Município, aplicável em todo o seu território, o qual deve ser observado pelos agentes públicos e privados.

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TITULO I

DO DESENVOLVIMENTO TERRITORIAL MUNICIPAL Capítulo I

DOS PRINCÍPIOS E DIRETRIZES DO ORDENAMENTO TERRITORIAL Art. 3. São princípios deste Plano Diretor:

I - a preservação e valorização do meio ambiente, da paisagem e do patrimônio cultural;

II - o desenvolvimento sustentável;

III - a função social e ambiental da propriedade, IV - a gestão democrática participativa; e

V - a precaução no desenvolvimento urbano.

§1º Entende-se por sustentável o paradigma de desenvolvimento que concilie o crescimento econômico, a geração de emprego e renda, a preservação ambiental, a justiça social e a valorização cultural.

§2º Entende-se por precaução do desenvolvimento urbano a adoção de

medidas acautelatórias visando minimizar os riscos potenciais da urbanização que ainda não podem ser totalmente mensurados de acordo com o estado atual de conhecimento sobre o território e suas infraestruturas.

Art. 4. Constituem as diretrizes deste Plano Diretor: I - a salvaguarda do patrimônio natural e cultural;

II - a observância a critérios socioambientais no planejamento e na gestão urbana;

III - a promoção dos valores e da identidade cultural das comunidades; IV - a proteção e valorização da paisagem;

V - o uso e a ocupação planejados do território, garantindo a distribuição equilibrada e sustentável da população e das atividades econômicas;

VI - a utilização racional, a valorização e a preservação da orla marítima, lacustre, lagunar e fluvial;

VII - o fortalecimento e o planejamento do sistema de espaços livres, com ênfase no incremento e na reabilitação das áreas públicas;

VIII - a ampliação e o aperfeiçoamento da distribuição dos equipamentos comunitários e urbanos;

IX - a priorização do pedestre, dos meios não motorizados e do transporte coletivo público no sistema de circulação;

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X - a promoção da acessibilidade e inclusão no ambiente urbano e a

integração do sistema viário hierarquizado com os diferentes meios de deslocamento; XI - a promoção da articulação metropolitana no planejamento das políticas públicas;

XII - o apoio às atividades primárias e de produção rural e artesanal, em especial aquelas vinculadas à aquicultura e à pesca artesanal tradicional;

XIII - a promoção e diversificação das atividades turísticas e econômicas, respeitando as especificidades e vocações locais e a preservação dos recursos naturais;

XIV - a aplicação de instrumentos urbanísticos que assegurem a função

socioambiental da propriedade;

XV - a promoção e garantia do direito à moradia digna e à regularização fundiária, que inclua a demarcação dos territórios, inclusive aquáticos, dos povos e comunidades tradicionais;

XVI - a transparência, a participação popular e o controle social no processo de planejamento e gestão territorial;

XVII - a reorganização político-administrativa do território;

XVIII - a universalização, a otimização e a gestão contínua e integrada dos serviços urbanos; e

XIX - a economia de energia.

Parágrafo único. As diretrizes expressas neste artigo devem ser

observadas quando da elaboração e implementação das políticas, planos, programas, projetos e normas urbanísticas vinculadas ao ordenamento territorial e ao desenvolvimento urbano.

Capítulo II

DAS POLÍTICAS, PLANOS E PROGRAMAS

Art. 5. As políticas indicarão planos, programas, projetos e ações que devem ser implementadas pelo Município em observância a este Plano Diretor, estando assim definidas:

I - Política de Uso e Ocupação Territorial: consiste em promover uma organização territorial baseada no fortalecimento de centralidades urbanas, a multifuncionalidade e conexões de mobilidade, articulada com a preservação do patrimônio cultural e ambiental;

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II - Política de Preservação e Conservação Ambiental: consiste na aplicação específica do ordenamento territorial para a conservação dos recursos naturais, em especial da biodiversidade e da geodiversidade no território municipal;

III - Política de Preservação e Conservação das Áreas de Patrimônio Cultural: consiste em reconhecer e colocar a serviço da população os bens e os lugares portadores de valor cultural;

IV - Política da Paisagem e do Sistema de Espaços Livres: consiste na aplicação específica do ordenamento territorial das áreas consideradas de valor paisagístico e dos espaços não edificados, visando promover a salvaguarda da paisagem e a articulação e qualificação dos espaços livres;

V - Política de Mobilidade e Acessibilidade: consiste na coordenação e organização dos deslocamentos de pessoas e cargas no território para atender às necessidades da população, bem como propiciar a melhoria da acessibilidade no município, observando os critérios de desenho universal como forma de promover a vivência da cidade com autonomia a segurança por todos os cidadãos;

VI - Política de Desenvolvimento Econômico: objetiva promover a melhoria do padrão de vida dos cidadãos através da adoção de estratégias que favoreçam crescimento sustentável das atividades econômicas;

VII - Política de Habitação de Interesse Social: consiste em impulsionar projetos urbanos que promovam a inclusão social universal, econômica, ambiental e espacial tanto com novos empreendimentos como através da regularização fundiária de áreas ocupadas;

VIII - Política de Saneamento Ambiental: consiste na busca da universalização do acesso aos serviços em abastecimento de água, esgotamento sanitário, drenagem e manejo das águas pluviais urbanas, manejo dos resíduos sólidos e limpeza urbana, integrado às políticas de preservação de recursos hídricos e ambientais; e

IX - Política de Arte Pública: consiste na viabilização de programas e ações específicas que contribuam com a qualificação da paisagem urbana e natural e promovam o desenvolvimento sociocultural da população.

Parágrafo único. Os planos, programas, projetos e ações deverão ser

articulados com os planos nacionais, estaduais, regionais e metropolitano e elaborados de modo transversal, com participação popular e em observância às legislações vigentes.

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Capítulo III

DA POLÍTICA DE USO E OCUPAÇÃO TERRITORIAL Seção I

Disposições Gerais

Art. 6. A Política de Uso e Ocupação Territorial reflete o conjunto das diretrizes do Plano Diretor que possui implicações espaciais em seu território, deverá ser operacionalizada pelas definições contidas no Título III e ainda por meio dos seguintes planos:

I - Plano de Desenvolvimento e Ocupação Estratégica;

II - Plano do Sistema de Equipamentos Comunitários e Urbanos; III - Plano de Gestão Integrada da Orla; e

IV - Plano de Regularização Fundiária.

Seção II

Do Plano De Desenvolvimento e Ocupação Estratégica

Art. 7. O Plano de Desenvolvimento e Ocupação Estratégica deverá ser implementado por meio dos seguintes programas:

I - Programa de Fortalecimento das Centralidades; II - Programa de Ocupação Planejada do Território; III - Programa de Requalificação de Espaços Urbanos; e

IV - Programa de Demarcação, Regularização e Valorização do Território dos Povos Tradicionais.

Art. 8. O Programa de Fortalecimento das Centralidades objetiva realizar melhorias nos equipamentos público-comunitários, no acesso aos serviços essenciais, na geração de empregos e na acessibilidade aos meios de transporte público nas centralidades existentes e potenciais, acentuando um modelo de desenvolvimento urbano polinuclear, de tal modo que diminua a necessidade de deslocamentos pendulares da população em busca de serviços e atividades na área central e induza o desenvolvimento orientado ao transporte, aumentando assim a qualidade de vida local, implementado pelas seguintes ações:

I - Ação de Consolidação das Centralidades Metropolitanas, Regionais e Setoriais, que tem por objetivo promover a miscigenação de usos, buscando garantir a preservação áreas verdes e do patrimônio cultural por meio de processos de revitalização, renovação, complementação de equipamentos urbanos e infraestrutura,

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tributação com finalidade extrafiscal para fins de desenvolvimento urbano e aplicação de instrumentos urbanísticos do Estatuto da Cidade; e

II - Ação de Consolidação e Complementação das Centralidades Locais, que tem por objetivo adotar a mesma política definida no inciso anterior para a escala dos bairros, incluindo estímulo à ocupação de vazios urbanos em áreas já urbanizadas, onde haja infraestrutura correspondente ou condicionada à sua implantação.

Parágrafo único. As Centralidades estão identificadas no Anexo M32. Art. 9. O Programa de Ocupação Planejada do Território tem por objetivo conservar a paisagem natural, preservar o meio ambiente e o patrimônio cultural, otimizar a infraestrutura e dotar de urbanidade as áreas apropriadas à urbanização, mediante a ocupação urbana concentrada e restrita, por meio da aplicação dos instrumentos urbanísticos previstos na presente lei.

Parágrafo único. O programa considerará o custo da urbanização; a

implantação da infraestrutura, equipamentos e serviços; a valorização da terra, a dispersão urbana, o impacto socioambiental e a mobilidade, por meio de levantamentos e estudos socioeconômicos e ambientais.

Art. 10. O Programa de Demarcação e Valorização do Território dos

Povos Tradicionais deve ocorrer de forma participativa, com consulta pública, e visa reconhecer e garantir os direitos e a sustentabilidade dos povos tradicionais do município.

Parágrafo único. Esta demarcação tem por objetivo principal garantir a

proteção ambiental, regularização fundiária e acesso aos serviços de infraestrutura básica.

Art. 11. O Programa de Requalificação de Espaços Urbanos terá por foco

as áreas urbanas consolidadas que se encontrem em processo de degradação urbana e esvaziamento funcional, consideradas prioritárias para a promoção e fomento de atividades econômicas ligadas à economia criativa, cooperativa, ao empreendedorismo, ao turismo cultural, de lazer, entretenimento, gastronômico, à cultura e à Habitação de Interesse Social.

§1º O reconhecimento das áreas citadas será realizado mediante lei em que conste em anexo a delimitação física da área e que seja instruída por parecer técnico do IPUF.

§2º Quando se tratar de área de interesse histórico cultural, o parecer deverá conter manifestação do IPUF/SEPHAN e ser homologado pela COTESPHAN.

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Art. 12. O município poderá estabelecer parcerias com entidades de

natureza pública ou privada, com ou sem fins lucrativos, objetivando desenvolver projetos que visem a dinamização econômica destas áreas, bem como a otimização da infraestrutura instalada.

Seção III

Do Plano do Sistema de Equipamentos Comunitários e Urbanos

Art. 13. O Plano do Sistema de Equipamentos Comunitários e Urbanos

visa melhorar o acesso, a distribuição e a estrutura das áreas públicas e consiste nos seguintes programas:

I - Programa de Gestão de Áreas Públicas; e

II - Programa de Criação do Banco de Terras para Fins Públicos;

Art. 14. O Programa de Gestão de Áreas Públicas tem como objetivo o

controle do patrimônio imobiliário de domínio público com a criação de cadastro territorial multifinalitário e o desenvolvimento de ferramentas de regularização, gerenciamento e controle.

Art. 15. O Programa de Criação do Banco de Terras visa criar estoque de

terrenos públicos necessários para a implantação de equipamentos comunitários e urbanos, aplicado prioritariamente nas Áreas de Interesse Público (AIP).

Seção IV

Do Plano de Gestão Integrada da Orla

Art. 16. O Plano de Gestão Integrada da Orla consiste na valorização do

uso das baías e dos demais recursos lacustres e marítimos com finalidade produtiva pesqueira, desportiva, de lazer, náutica, transporte e balneária, baseadas na recuperação de conteúdo de grande identidade cultural em sintonia com os objetivos básicos deste Plano Diretor em matéria de valorização ambiental, diversificação econômica e ocupação polinuclear, implementada pelos seguintes programas:

I - Programa de Disciplinamento do Uso e Ocupação da Orla;

II - Programa de Ordenamento Territorial dos Ranchos de Pesca e Aquicultura; e

III - Programa de Ordenamento Territorial das Estruturas de Apoio Náutico.

Art. 17. O Programa de Disciplinamento do Uso e Ocupação da Orla prevê

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baseados no fortalecimento da capacidade de atuação e articulação de diferentes atores do setor público e privado na gestão integrada da orla, alinhado com o plano local de desenvolvimento econômico da aquicultura e pesca artesanal, aperfeiçoando o arcabouço normativo para o ordenamento de uso e ocupação desse espaço.

Art. 18. O Programa de Ordenamento Territorial dos Ranchos de Pesca e

Aquicultura visa planejar espaços e equipamentos, além de incentivar atividades voltadas à melhoria das práticas produtivas e demarcar as áreas com potencial para a atividade.

Art. 19. O Programa de Ordenamento Territorial das Estruturas de Apoio

Náutico visa identificar as áreas mais apropriadas para o desenvolvimento de atividades náuticas com respeito às condicionantes ambientais e demais modais de circulação, por meio de normativa específica.

Seção V

Plano de Regularização Fundiária

Art. 20. A regularização fundiária é um conjunto de medidas jurídicas,

urbanísticas, ambientais e sociais que visam à regularização de assentamentos e a titulação de seus ocupantes, de modo a garantir o direito social à moradia, o pleno desenvolvimento das funções sociais da propriedade urbana e o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado nos termos da legislação federal, legislação específica e do presente Plano Diretor.

Parágrafo único. Legislação municipal específica regulamentará o Plano

de Regularização Fundiária, procedimentos para o licenciamento urbanístico das áreas e definirá os critérios e as áreas prioritárias para sua implementação.

Art. 21. A regularização fundiária divide-se em três programas:

I - Programa de Regularização de Interesse Social; II - Programa de Regularização de Interesse Específico; e

III - Programa de Regularização dos Territórios dos Povos Tradicionais.

Art. 22. Os projetos de regularização fundiária de interesse social deverão

considerar as características da ocupação e do território para definir parâmetros urbanísticos e ambientais específicos para o local.

I - O Município definirá os requisitos para elaboração dos projetos de que trata o caput, com levantamentos topográficos, prospecções e diagnósticos de solos, desenhos, memorial descritivo e cronograma físico de obras e serviços a serem realizados.

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II - A regularização fundiária poderá ser realizada por etapas, por meio da urbanização progressiva.

Art. 23. Nas regularizações de interesse específico, o Município deverá

exigir contrapartidas e compensações urbanísticas e ambientais que deverão integrar Termo de Compromisso, firmado perante as autoridades responsáveis pela emissão das licenças urbanística e ambiental, ao qual se garantirá força de título executivo extrajudicial.

Capítulo IV

DA POLÍTICA DE PRESERVAÇÃO E CONSERVAÇÃO AMBIENTAL

Art. 24. A Política de Preservação e Conservação Ambiental tem por

objetivos:

I - garantir a integridade do patrimônio ecológico e genético, incorporando a proteção e a conservação do patrimônio natural ao processo permanente de planejamento urbano;

II - proteger, preservar e recuperar os recursos naturais com vistas à sua utilização racional, buscando o equilíbrio entre o espaço construído e o natural;

III - ampliar os índices de cobertura vegetal, contribuindo com o aumento da permeabilidade do solo urbano e o conforto ambiental;

IV - sensibilizar e conscientizar a população, estimulando a participação individual e coletiva na preservação ambiental, em busca de soluções conjuntas frente aos problemas ambientais e de um desenvolvimento urbano sustentável;

V - compatibilizar o desenvolvimento econômico-social com a proteção, conservação, valorização e recuperação do meio ambiente e do patrimônio natural;

VI - melhorar os padrões de qualidade ambiental do Município, com base no ordenamento jurídico de uso e manejo dos recursos naturais;

VII - contribuir para melhoria da qualidade da ambiência urbana;

VIII - promover a restauração ecológica de ecossistemas e recuperação ambiental de áreas degradadas;

IX - controlar a poluição em todas as suas formas, incluindo desenvolvimento de parâmetros para diagnóstico, acompanhamento e avaliação da qualidade ambiental; e

X - promover a fiscalização de obras, atividades e empreendimentos efetiva ou potencialmente poluidores.

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Art. 25. A Política de Preservação e Conservação Ambiental observará as seguintes diretrizes:

I - estimular a participação da sociedade na sua elaboração, execução e avaliação;

II - estabelecer medidas de controle, recuperação e monitoramento de áreas degradadas, contaminadas ou com passivos ambientais, fornecendo elementos essenciais ao processo de planejamento e gestão ambiental;

III - promover a cooperação com entidades afins de natureza pública ou privada, visando alcançar os objetivos desta política;

IV - alinhar as ações ambientais com os demais municípios do estado, principalmente os pertencentes à região metropolitana;

V - promover ações integradas que visem à melhoria da gestão e a regularização fundiária em Unidades de Conservação;

VI - identificar áreas de relevante interesse ambiental para a criação ou ampliação de Unidades de Conservação;

VII - incentivar procedimentos que visem recuperar, reduzir, reutilizar e reciclar materiais ou bens de consumo, minimizando o uso dos recursos naturais e a degradação ambiental;

VIII - aprimorar e aplicar os instrumentos normativos, administrativos, financeiros, tributários, securitários e de auditagem que amparem a gestão ambiental;

IX - promover a gestão integrada dos recursos hídricos e da orla, assegurando a qualidade ambiental, inclusive das águas marinhas;

X - incentivar e monitorar a adoção de práticas que visem a atenuação, mitigação e a adaptação aos efeitos das mudanças climáticas; e

XI - estimular o uso de fontes de energia renováveis menos ou não poluentes.

Art. 26. O planejamento, a formulação, execução e integração de

programas, projetos e medidas legislativas e administrativas relativos à proteção da paisagem, dos recursos naturais, da zona costeira e de prevenção contra mudanças climáticas são de responsabilidade conjunta dos órgãos municipais de administração direta e indireta que tenham vinculação com as áreas de planejamento urbano e meio ambiente.

Art. 27. A Política de Preservação e Conservação Ambiental será

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I - Macroáreas de Proteção Ambiental: têm por objetivo salvaguardar as áreas protegidas pela legislação ambiental, preservar as áreas de relevante interesse ecológico e proteger dunas, costões, encostas, topos de morros e a flora e fauna associadas, considerando as especificidades do território municipal, divididas em:

a) Áreas de Preservação Permanente (APP); b) Áreas de Unidade de Conservação (AUC); e c) Áreas de Estudos Ambientais (AEA).

II - Macroáreas de Transição e Amortecimento: têm por objetivo limitar o uso e ocupação no entorno das Áreas de Proteção Ambiental, reduzindo os impactos e influências antrópicas sobre os ambientes naturais por estas protegidos, bem como em áreas com reduzida aptidão para usos urbanos em função de suas características geológicas, geomorfológicas ou de cobertura vegetal, divididas em:

a) Áreas de Preservação com Uso Limitado de Encosta (APL-E); e b) Áreas de Preservação com Uso Limitado de Planície (APL-P). III - Áreas Especiais de Caráter Ambiental: têm por objetivo demarcar locais cuja vegetação, geomorfologia, suscetibilidade a desastres naturais ou influência antrópica determinam uma imposição de limitações ou critérios específicos para o uso e ocupação do território, divididas em:

a) Áreas de Corredores Ecológicos (ACE); b) Áreas de Mata Atlântica (AMA);

c) Áreas Naturais Tombadas (ANT);

d) Áreas de Suscetibilidade a Desastres Naturais (ADN); e e) Áreas de Conflito Ambiental e Urbano (ACAU).

Art. 28. Para a execução da Política de Preservação e Conservação

Ambiental é necessário o desenvolvimento ou aprimoramento dos seguintes materiais complementares:

I - aferição da base cartográfica;

II - desenvolvimento de estudos técnicos das AEA;

III - complementação da Carta Geotécnica de Aptidão à urbanização; IV - desenvolvimento de estudos técnicos relativos aos aquíferos, em especial de Ingleses e Campeche, e às bacias hidrográficas do Município;

V - desenvolvimento dos estudos socioambiental das ACAU;

VI - elaboração dos planos de manejo das Unidades de Conservação Municipais; e

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Art. 29. A Política de Preservação e Conservação Ambiental deverá ser

implementada por meio dos seguintes planos e programas: I - Plano de Gestão de Recursos Hídricos; e

II - Plano de Valorização e Conscientização Ambiental, que se divide em:

a) Programa de Incentivos às Práticas Sustentáveis, Economia Verde e Serviços Ambientais;

b) Programa de Educação Ambiental; e

c) Programa Permanente de Análise e Monitoramento da Capacidade de Suporte Ambiental do Município.

Seção I

Plano de Gestão de Recursos Hídricos

Art. 30. É de responsabilidade conjunta dos órgãos vinculados ao sistema

de planejamento e gestão ambiental implantar a Gestão de Recursos Hídricos, levando em consideração as seguintes premissas:

I - criação de sistema integrado de gerenciamento;

II - acompanhamento e contribuição na elaboração dos Planos de Bacia dos Comitês instituídos; e

III - reversão ou minimização dos impactos nos processos de degradação dos corpos hídricos, suas faixas marginais e matas ciliares, nascentes e áreas inundáveis, onde couber, objetivando conservar suas condições funcionais, recreativas, paisagísticas e ecológicas

Seção II

Plano de Valorização e Conscientização Ambiental Subseção I

Programa de Incentivos às Práticas Sustentáveis, Economia Verde e Serviços Ambientais

Art. 31. Como forma de incentivar as Práticas Sustentáveis, o Município

estimulará:

I - como iniciativas públicas ou privadas: a) o uso de energia renovável;

b) o aproveitamento energético a partir do tratamento de resíduos sólidos;

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c) o reaproveitamento de água pluvial e o desenvolvimento de novas alternativas para usos que não requeiram padrões de potabilidade;

d) edificações que sigam princípios de arquitetura bioclimática e que utilizem materiais e tecnologias de baixo impacto ambiental;

e) medidas para compensação das emissões de carbono, implantação de tecnologias limpas e outras ações mitigadoras da poluição do ar; e

f) adoção de equipamentos de tratamento sanitário domiciliar e comunitários de biorremediação.

II - como iniciativa da administração pública municipal:

a) adoção de procedimentos e critérios ambientais nas

especificações de obras, produtos e serviços a serem adquiridos ou implementados; b) racionalização do consumo de energia e água das entidades municipais e na iluminação pública;

c) redução do consumo de insumos; d) gestão de resíduos; e

e) compra de bens e serviços sustentáveis.

Art. 32. O Município deverá instituir programas de apoio e regulamentar

incentivos urbanísticos, financeiros e fiscais que promovam: I - preservação e ampliação da cobertura vegetal; II - redução do consumo de recursos naturais;

III - conservação e recuperação de Áreas de Preservação Permanente, Áreas de Preservação com Uso Limitado, Unidades de Conservação e Corredores Ecológicos; e

IV - apropriação social do meio ambiente e do patrimônio cultural do Município.

Subseção II

Programa de Educação Ambiental

Art. 33. O Programa de Educação Ambiental compreende o envolvimento

da sociedade em ações permanentes com os seguintes objetivos:

I - abordagem multidisciplinar envolvendo entidades públicas e privadas;

II - ampliação da participação qualificada da sociedade nas tomadas de decisão na gestão do meio ambiente;

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III - desenvolvimento da percepção do ambiente natural e do ambiente produzido a partir das relações socioculturais, isolados ou em conjunto;

IV - o consumo consciente dos recursos naturais; e

V - incentivo à utilização de fontes de energia renováveis e menos poluentes.

Art. 34. Compete ao Município e aos órgãos da administração direta e

indireta promover, estimular e difundir medidas que promovam a responsabilidade de toda a população no desenvolvimento sustentável e uso adequado dos recursos naturais.

Subseção III

Programa Permanente de Análise e Monitoramento da Capacidade de Suporte Ambiental do Município

Art. 35. O Programa Permanente de Análise e Monitoramento da

Capacidade de Suporte Ambiental do Município consiste em recolher, analisar e monitorar dados técnicos objetivos sobre a capacidade de abastecimento de água, energia elétrica, serviços de coleta e tratamento de esgotamento sanitário, resíduos sólidos, drenagem, mobilidade, ocupação do território e da sanidade das águas aquícolas.

Parágrafo único. O programa será desenvolvido de acordo com o Sistema

Municipal de Gestão da Política Urbana e comporá as informações do Sistema Municipal de Informações, Acompanhamento e Controle - SIAC.

Capítulo V

DA POLÍTICA DE PRESERVAÇÃO E CONSERVAÇÃO DAS ÁREAS DE PATRIMÔNIO CULTURAL

Seção I Disposições Gerais

Art. 36. A Política de Preservação e Conservação das Áreas de

Patrimônio Cultural tem por objetivos:

I - preservar e valorizar os sítios de interesse cultural, inseridos no ambiente natural de Florianópolis, de modo a garantir parâmetros de qualidade de vida da população, bem como a necessária contextualização paisagística de implantação e entorno dos assentamentos humanos;

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II - identificar, proteger, conservar, recuperar, valorizar, fortalecer e promover, os aspectos relativos à identidade e significado de todos os segmentos da sociedade plural, contemplando sua dimensão temporal, que expressa na materialidade os valores culturais imateriais que são sua força motriz;

III - dar sustentabilidade às ações de preservação;

IV - tratar de forma integrada a conservação do patrimônio natural e cultural, de natureza material e imaterial, resgatando-o como marco referencial na paisagem do Município; e

V - promover ações que objetivem a conscientização e maior conhecimento dos valores histórico-culturais de Florianópolis

Art. 37. A Política de Preservação e Conservação das Áreas de

Patrimônio Cultural tem como diretrizes:

I - desenvolver pesquisas para reconhecer os elementos que conformam a identidade, a vocação cultural e as especificidades locais do Município de todas as épocas, ampliando o acervo protegido;

II - criar mecanismos que viabilizem a preservação do patrimônio cultural, visando seu uso contemporâneo, integrado à vida da cidade e seus ciclos e na dinâmica socioeconômica;

III - garantir e qualificar a ambiência e entorno dos bens culturais; IV - garantir a acessibilidade ao patrimônio protegido;

V - buscar a viabilização da permanência da população autóctone, através da criação de mecanismos urbanísticos específicos;

VI - difundir os significados do patrimônio cultural junto à população, em âmbito público;

VII - valorizar e recuperar o acervo cultural; VIII - incrementar da participação social; e

IX - adotar postura preventiva e diligente na intervenção sobre o território ou em elementos de representatividade cultural.

Art. 38. A Política de Preservação e Conservação das Áreas de

Patrimônio Cultural será implementada por plano de valorização do patrimônio cultural material, que consiste no desenvolvimento e gestão de ações para defesa e manutenção de sítios e bens culturais representativos da identidade cultural do Município, com os seguintes programas:

I - Plano de Gestão para o Patrimônio Cultural Material; II - Plano de Proteção do Patrimônio Cultural Material; e

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a) Programa de Pesquisa e Inventariação das Áreas de Preservação Cultural;

b) Programa de Incentivos à Preservação do Patrimônio Cultural Material;

c) Programa de Regulamentação das APC;

d) Programa de Proteção e Demarcação das Áreas Arqueológicas. III - Plano de Valorização do Patrimônio Cultural Material;

a) Programa de Revitalização dos Conjuntos Históricos Urbanos; b) Programa de Conservação e Restauração de Bens de Valor Histórico, Artístico e Arquitetônico;

c) Programa de Sinalização das Áreas de Preservação Cultural e Despoluição Visual; e

d) Programa de Divulgação e Educação Patrimonial.

Art. 39. A Política de Preservação e Conservação das Áreas de

Patrimônio Cultural operacionaliza-se, além de outros instrumentos, pela demarcação das Áreas de Preservação Cultural, que configuram sítios de interesse cultural com vistas à preservação, valorização e promoção, se subdividindo nas seguintes categorias:

I - Áreas de Interesse Histórico-Cultural - APC1: destinam-se à preservação do patrimônio cultural, abrangendo o arquitetônico, o artístico, o paisagístico, o tecnológico, e o urbanístico, dentre outros, incluindo assentamentos, conjuntos, espaços, edificações, monumentos e objetos;

II - Áreas de Paisagem Cultural - APC2: destinam-se à preservação de porções peculiares do território municipal representativas de processos de interação do homem com a natureza, as quais se imprimiram marcas ou atribuíram valores;

III - Áreas Arqueológicas - APC3: destinam-se à preservação dos sítios arqueológicos pré-históricos e históricos, tanto terrestres como subaquáticos; e

IV - Locais de Memória e Áreas de Interesse Cidadão – APC4: que se destinam à preservação dos lugares onde ocorreram fatos de valor histórico ou legendário, que se mantêm presentes na memória coletiva ou onde acontecem atividades que incorporem valores intangíveis materializados no espaço.

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Seção II

Das Áreas de Interesse Histórico-Cultural – APC 1

Art. 40. Os imóveis situados nas APC1 serão classificados por ato do

Poder Executivo Municipal em uma das cinco categorias de preservação abaixo: I - P1 - imóvel de interesse histórico de excepcional valor arquitetônico e/ou artístico a ser totalmente preservado, tanto interna como externamente;

II - P2 - imóvel de interesse histórico partícipe de conjunto arquitetônico, a ter seu exterior e volumetria totalmente preservados, possibilitando remanejamento interno, desde que estas não alterem acabamentos e elementos externos;

III - P3 - imóvel sem valor histórico, artístico ou arquitetônico situado no entorno de edificações de interesse histórico, que poderá ser demolido ou readequado, desde que o resultado preserve as relações espaciais e visuais ali envolvidas, garantindo a ambiência e visibilidade do conjunto;

IV - P4 - imóvel significativo no contexto urbano ou rural cujo valor cultural reside em suas características arquitetônicas vernaculares, ou na peculiaridade de sua atividade produtiva, ou onde ocorram manifestações culturais de caráter singelo e popular; e

V - P5 - imóvel sem valor histórico, podendo ser demolido ou readequado, contíguo a edificações que interrompam a escala e a ambiência do conjunto histórico no qual está inserido onde as relações espaciais se configurem como transição.

§1º O enquadramento dos imóveis, na forma desta Lei Complementar, será averbado nas respectivas matrículas no Cartório de Registro Imobiliário da Comarca;

§2º Quando o parcelamento do imóvel protegido for autorizado pelo IPUF/SEPHAN, a matrícula ficará vinculada à edificação histórica.

§3º Enquanto não houver decreto de classificação dos imóveis em uma das cinco categorias de preservação, estes não poderão ser demolidos e alterados na sua configuração, salvo por prévia anuência do IPUF/SEPHAN.

§4º O IPUF/SEPHAN deverá providenciar a classificação de todos os imóveis situados nas APC em até 3 (três) anos, prorrogáveis justificadamente.

§5º Novas edificações em áreas remanescentes dos lotes onde existam edificações protegidas ou classificadas como P1, P2 e P4 obedecerão às regras da categoria P3.

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Seção III

Das Áreas de Paisagem Cultural – APC 2

Art. 41. A delimitação das APC-2 visa a criação da Chancela da Paisagem

Cultural que deverá ser regida por um Pacto envolvendo o Poder Público, a sociedade civil e a iniciativa privada, resultando num plano de gestão compartilhado de uma porção do território.

§1º Qualquer pessoa natural ou jurídica é parte legítima para requerer a instauração de processo administrativo visando a Chancela da Paisagem Cultural.

§2º Cabe ao IPUF/SEPHAN avaliar a pertinência do processo administrativo visando a Chancela, reconhecer as porções de território portadoras de valores que justifiquem seu enquadramento como Paisagem Cultural, e iniciar os procedimentos para a instauração da Chancela.

Art. 42. Nas APC-2 ficam protegidas as paisagens culturais,

estimulando-se a permanência das formas tradicionais de produção, das manifestações culturais locais e das atividades artesanais compatíveis com o desenvolvimento sustentável.

Seção IV

Das Áreas Arqueológicas – APC3

Art. 43. As Áreas Arqueológicas se caracterizam como pré-históricas e

históricas, podendo ser terrestres ou subaquáticas e são aquelas reconhecidas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), sujeitas a ordenamento jurídico federal pertinente.

Parágrafo único. A demarcação das Áreas Arqueológicas serão objeto de

estudo específico coordenado pelo IPUF/SEPHAN, com base nos sítios arqueológicos existentes e instituídas mediante legislação específica.

Seção V

Dos Locais de Memória e Áreas de Interesse do Cidadão – APC4

Art. 44. Qualquer pessoa física ou jurídica é parte legítima para requerer

ao IPUF/SEPHAN a declaração de Locais de Memória – LM e Áreas de Interesse Cidadão – AIC, em espaços que expressem significados, valores sociais, culturais e ambientais locais.

§1º A proteção dos LM e das AIC deverá ser realizada através de inventário de seu patrimônio material e registro de seu patrimônio intangível, quando houver, com

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delimitação em mapa e estabelecimento de normas orientadoras quanto ao uso, de modo a estimular sua continuidade.

§2º O registro dos bens intangíveis que fazem parte dos LM e AIC será realizado pela Fundação Cultural de Florianópolis Franklin Cascaes.

Seção VI

Dos Inventários do Patrimônio Cultural

Art. 45. Os Inventários do Patrimônio Cultural Material são instrumentos

de proteção e valorização do patrimônio cultural como forma complementar de acautelamento para além das Áreas de Preservação Cultural.

Art. 46. A responsabilidade pela triagem dos arrolamentos e pela ampla

divulgação dos Inventários dos bens culturais materiais será do IPUF/SEPHAN.

Parágrafo único. A inscrição dos bens nos inventários deverá ser

homologada pela COTESPHAN.

Seção VII

Dos Incentivos à Preservação do Patrimônio Cultural

Art. 47. São incentivos à preservação do Patrimônio Cultural a

transferência do direito de construir e a redução do IPTU.

§1º Entende-se por redução do IPTU os benefícios definidos na legislação tributária municipal para os imóveis tombados ou inseridos em APC classificados como P1, P2 ou P4 desde que preservados, cuja condição será atestada através de parecer técnico emitido pelo IPUF/SEPHAN.

§2º A concessão do incentivo da redução do IPTU depende de solicitação anual do proprietário e da aprovação do IPUF/SEPHAN.

Seção VIII

Do Fundo Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural – FMPC

Art. 48. Fica criado o Fundo Municipal de Preservação do Patrimônio

Cultural – FMPC, que deverá ser regulamentado por Decreto, sendo que seus recursos financeiros serão provenientes de:

I - recursos próprios do Município;

II - transferências de recursos provenientes de outras entidades públicas;

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IV - contribuições ou doações de entidades nacionais ou internacionais; V - contribuições ou doações de pessoas físicas ou jurídicas;

VI - empréstimos ou operações de financiamento, internos ou externos; VII - recursos provenientes de acordos, contratos, consórcios e convênios;

VIII - valores incluídos nas medidas mitigadoras resultantes da análise de projetos ou determinadas pelos Estudos de Impacto de Vizinhança – EIV;

IX - recursos provenientes de arrecadação de multas nas seguintes hipóteses:

a) abandono, demolição ou descaracterização parcial ou total de imóveis enquadrados nas categorias P1, P2 e P4;

b) intervenções em imóveis classificados como P3 e P5 que estejam em desconformidade com os critérios definidos pelo IPUF/SEPHAN;

c) inserção irregular de anúncios e comunicação visual em APC; e d) descumprimento da legislação pertinente à preservação do Patrimônio Cultural, protegido por APC ou tombamento;

X - valores decorrentes de medidas compensatórias, quando

convertidas em medidas indenizatórias, estabelecidas em acordo extrajudicial ou Termo de Ajustamento de Conduta e de multas pelo descumprimento de cláusulas estabelecidas nesses instrumentos;

XI - rendimentos decorrentes de depósitos bancários e de aplicações financeiras dos seus recursos próprios;

XII - outras receitas, sejam eventuais, sejam advindas da aplicação dos instrumentos de política urbana previstos nesta Lei Complementar; e

XIII - outras receitas que lhe sejam destinadas por lei.

Art. 49. Os recursos financeiros do Fundo Municipal de Preservação do

Patrimônio Cultural - FMPC deverão ser aplicados exclusivamente na preservação do patrimônio cultural e a prestação de contas colocada à disposição da sociedade.

§1º Enquanto o FMPC não estiver regulamentado, os recursos previstos para seu financiamento deverão ser depositados em conta vinculada criada pelo Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis (IPUF).

§2º A regulamentação do FMPCM e da utilização dos seus recursos financeiros se dará mediante instrumento jurídico específico, a ser elaborado pelo IPUF/SEPHAN e instruído com manifestação da COTESPHAN.

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Seção IX Das Sanções

Art. 50. Qualquer ato, incluindo o abandono, que acarretar descaracterização parcial ou total do imóvel classificado como P1, P2 ou P4, sujeitará o responsável ao embargo e/ou à restauração do mesmo.

Parágrafo único. Enquanto não regulamentados os procedimentos de

aplicação das multas por infração às normas de preservação do patrimônio cultural material, o responsável ficará sujeito à multa proporcional ao dano material causado a ser quantificado por ente público municipal sem prejuízo das demais sanções previstas.

Art. 51. Nos terrenos onde ocorrerem demolições ou intervenções não

autorizadas sobre edificações classificadas como P1, P2 ou P4 a área construída da nova edificação não poderá ser superior a 50% (cinquenta por cento), relativamente à área original da edificação histórica protegida e demolida/alterada, sem prejuízo das demais sanções previstas.

Parágrafo único. Fica proibido o uso do terreno como estacionamento,

público ou privado, nos casos onde se deu a demolição de edificações classificadas como P1, P2 ou P4.

Art. 52. Intervenções em imóveis classificados como P3 e P5 em

desconformidade com os critérios definidos pelo IPUF/SEPHAN incorrem em multas e sanções proporcionais ao dano ao patrimônio, a ser quantificado e regulamentado em legislação específica.

Art. 53. O pagamento das multas e demais sanções administrativas não

eximem os responsáveis da aplicação das penalidades previstas na legislação pertinente.

Capítulo VI

DA POLÍTICA DA PAISAGEM E DO SISTEMA DE ESPAÇOS LIVRES Seção I

Disposições Gerais

Art. 54. A Política da Paisagem e do Sistema de Espaços Livres tem por

objetivos:

I - proteger e valorizar as paisagens e seus elementos mais significantes quanto à caracterização cultural e ambiental do território;

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III - incrementar e qualificar os espaços livres públicos, por meio do seu planejamento, gestão e projeto integrado de desenho urbano;

IV - elevar a qualidade e promover a identidade do ambiente urbano por meio do incremento da arte no espaço público; e

V - favorecer a conectividade entre as áreas ambientalmente protegidas.

Art. 55. A Política da Paisagem e do Sistema de Espaços Livres será

operacionalizada pelas seguintes áreas demarcadas nesta Lei: I - Áreas Verde de Lazer (AVL);

II - Espaços Livres de Lazer Privados (ELP); III - Áreas de Valor Paisagístico (AVP); IV - Áreas de Interesse Público (AIP);

V - Áreas de Corredores Ecológicos (ACE); e VI - Áreas de Unidades de Conservação (AUC).

Art. 56. A Política da Paisagem e do Sistema de Espaços Livres deverá

ser implementada por meio dos seguintes planos e programas: I - Plano de Proteção e Valorização da Paisagem:

a) Programa de Valorização Paisagística dos Aterros; das Pontas e Promontórios.

II - Plano do Sistema de Espaços Livres: a) Programa de Arborização Urbana;

b) Programa de Espaços Livres de Lazer e Recreação; e c) Programa de Integração das Áreas Protegidas.

Seção II

Plano de Proteção e Valorização da Paisagem

Art. 57. O Plano de Proteção e de Valorização da Paisagem visa promover

o ordenamento territorial e a salvaguarda dos elementos excepcionais da paisagem e a melhoria da ambiência urbana.

Art. 58. Os elementos excepcionais componentes das paisagens,

considerados Áreas de Valor Paisagístico (AVP), deverão ser identificados, demarcados e inventariados pelo IPUF, compreendendo, dentre outros:

I - bordas d´água: constituem os monumentos formados pela geomorfologia e demais características naturais da zona costeira notadamente das praias, das lagunas e dos lagos interiores;

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II - caminhos terrestres: são percursos com um traçado consolidado, permanente, permitindo muitas vezes a passagem de veículos à tração animal, com largura superior a 2 (dois) metros;

III - trilhas terrestres: compreendem percursos com traçado intuitivo, de estrutura simples, sem objetivo de permanência, com largura inferior a 2 (dois) metros, usada inclusive para caminhadas de lazer e turismo;

IV - rotas náuticas: são percursos historicamente utilizados para conexão aquaviária dos lugares tradicionais;

V - vias panorâmicas: são aquelas que visam garantir a visibilidade da paisagem natural ou construída, com função complementar de turismo e lazer;

VI - marcos referenciais: são elementos naturais ou construídos marcantes na paisagem ou de significado simbólico que devem ser preservados em sua integridade física e ter sua visibilidade garantida; e

VII - mirantes e belvederes: são locais de fruição visual marcante sobre o território que devem ser preservados em sua integridade física e ter garantida sua acessibilidade e visibilidade.

Subseção I

Programa de Valorização Paisagística dos Aterros, Pontas e Promontórios Art. 59. O Programa de Valorização Paisagística dos Aterros, Pontas e

Promontórios está voltado a promover melhorias que facilitem o acesso público e a fruição das paisagens e dos visuais destes locais.

§1º Os aterros públicos são destinados a uso de interesse público ou coletivo, prioritariamente como Áreas Verdes de Lazer, sujeitos a Projetos Especiais coordenado pelo IPUF que visem tratar de forma global estas regiões, proporcionando fruição pública e valorização da paisagem.

§2º A borda ao longo de 30 (trinta) metros das pontas é considerada AVL, independente de sua demarcação em zoneamento.

§3º As intervenções em pontas serão preferencialmente objeto de concurso público, devendo observar diretrizes estabelecidas pelo IPUF e nesta Lei Complementar.

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Seção III

Plano do Sistema de Espaços Livres

Art. 60. O Plano do Sistema de Espaços Livres tem como objetivo planejar

a configuração, a distribuição e a utilização do conjunto dos espaços não edificados do território, avaliando e propondo conexões e relações hierárquicas, mediante adoção de critérios que possibilitem a otimização do sistema quanto a aspectos funcionais, ambientais, culturais, sociais e econômicos.

Parágrafo único. O Sistema de Espaços Livres está identificado no Anexo

M25, o qual será detalhado e atualizado quando da elaboração do Plano do Sistema de Espaços Livres

Art. 61. A elaboração do Plano do Sistema de Espaços Livres será

coordenada pelo IPUF e levará em consideração as seguintes premissas:

I - o aprimoramento do arranjo espacial entre os espaços edificados e os espaços livres e da forma urbana resultante;

II - a busca pela distribuição dos espaços livres em configuração e forma adequada quanto a sua dimensão, acessibilidade e funcionalidade;

III - a concepção do espaço livre como um elemento de projeto urbano, fornecendo parâmetros que visem aprimorar a sua utilização, ambiência e apropriação; IV - a qualificação e a ampliação da rede de parques, praças e áreas de lazer;

V - o reconhecimento da importância territorial e o fortalecimento da conectividade entre espaços livres de conservação ou proteção ambiental; e

VI - o envolvimento e a participação da comunidade no planejamento e na gestão do Sistema de Espaços Livres.

Art. 62. O Plano do Sistema de Espaços Livres deverá compreender o

desenvolvimento dos seguintes programas:

I - Programa de Arborização Urbana;

II - Programa de Espaços Livres de Lazer e Recreação; e III - Programa de Integração das Áreas Protegidas.

Subseção I

Programa de Arborização Urbana

Art. 63. O Programa de Arborização Urbana será coordenado pela

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arborização, bem como a implantação e o acompanhamento de projetos-piloto de arborização urbana, vedado o emprego de espécies exóticas invasoras.

Subseção II

Programa de Espaços Livres de Lazer e Recreação

Art. 64. O Programa de Espaços Livres de Lazer e Recreação será

coordenado pelo IPUF e terá como foco a melhoria, o incremento e a gestão dos espaços livres cuja destinação de uso prioritária seja o lazer, no prazo de 3 anos, compreendendo:

I - o levantamento e a atualização cadastral das Áreas Verdes de Lazer (AVL) e dos Espaços Livres Privados (ELP);

II - a identificação de áreas prioritárias para a criação ou projeto de qualificação de praças e parques;

III - a elaboração de diretrizes para o desenho urbano e o projeto dos Espaços Livres de Lazer e Recreação;

IV - o estudo e a adoção de estratégias para a criação de parques e praças em Áreas de Interesse Público (AIP); e

V - a gestão e a manutenção dos Espaços Livres Públicos, assegurando a sua apropriação, utilização e acessibilidade.

Subseção III

Programa de Integração das Áreas Protegidas

Art. 65. O Programa de Integração das Áreas Protegidas deverá envolver

a FLORAM, o IPUF e os gestores das Unidades de Conservação federais, estaduais, municipais e particulares, tendo como foco a colaboração entre os órgãos e a busca pela conectividade entre as áreas protegidas.

Parágrafo único. As Áreas de Corredores Ecológicos (ACE) serão objeto

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Capítulo VII

DA POLÍTICA DE MOBILIDADE E ACESSIBILIDADE Seção I

Disposições Gerais

Art. 66. A Política de Mobilidade e Acessibilidade é pautada nas seguintes

diretrizes:

I - universalização da acessibilidade e da inclusão em toda extensão do Município;

II - integração da ocupação territorial com a mobilidade urbana, por meio do adensamento das áreas adjacentes aos corredores estruturantes de transporte público coletivo;

III - estruturação do transporte público coletivo, orientando o desenvolvimento urbano nas áreas adjacentes;

IV - aumento na participação dos transportes não motorizados e coletivos no total de deslocamentos no Município, a partir da priorização no sistema de circulação e melhoria da qualidade;

V - prioridade dos modos de transporte não motorizados sobre os motorizados e dos serviços de transporte público coletivo sobre o transporte individual motorizado;

VI - redução das distâncias percorridas nos deslocamentos, por meio da criação de serviços e empregos nas centralidades propostas;

VII - integração entre os diversos modos de deslocamento;

VIII - equidade no uso do espaço público de circulação, vias e logradouros; IX - articulação, conexão e integração do sistema de circulação, hierarquizando e diferenciando fluxos; e

X - redução do impacto da impermeabilização do solo.

Art. 67. O Plano de Mobilidade Urbana de Florianópolis – PlanMob, é o

instrumento da Política de Mobilidade, devendo atender o estabelecido pela Política Nacional de Mobilidade Urbana – Lei Federal nº12.587/2012.

Parágrafo único. O Plano de Mobilidade Urbana de Florianópolis deverá

ser participativo e atender às demandas atuais e futuras, respeitando a dinâmica das centralidades urbanas da região metropolitana e incluindo todos os meios de transporte: não-motorizados e motorizados coletivos e individuais.

Art. 68. O Plano de Mobilidade Urbana de Florianópolis deverá respeitar

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I - priorização do pedestre, seguido pela bicicleta e demais ciclos, e do transporte coletivo acessível, em relação aos demais meios de transporte;

II - promoção do uso dos meios não motorizados no ambiente urbano; III - integração dos meios de transporte não motorizados com o transporte público coletivo;

IV - integração física, operacional e tarifária do transporte público coletivo municipal com o transporte público coletivo metropolitano;

V - melhoria da eficiência e da eficácia na prestação de serviços de transporte público coletivo;

VI - ordenamento do desenvolvimento urbano pelo sistema de transporte; e

VII - segurança e equidade na utilização do sistema de circulação, favorecendo os meios de transporte que atendam o maior número de pessoas, sobretudo os extratos populacionais mais vulneráveis.

Art. 69. A Política de Mobilidade e Acessibilidade será implementada por

programas e projetos específicos que farão parte do Plano de Mobilidade Urbana de Florianópolis e consiste no desenvolvimento:

I - do transporte não motorizado; II - do transporte público coletivo; III - do transporte aquaviário;

IV - do sistema de circulação padronizado e hierarquizado; V - do transporte de cargas;

VI - da educação para a mobilidade; e

VII - do ordenamento dos estacionamentos públicos e privados.

Seção II

Do Transporte Não Motorizado

Art. 70. O desenvolvimento do Transporte Não Motorizado consiste em

prover melhores condições ao sistema de pedestres e ao sistema cicloviário, incentivando-os e proporcionando oportunidade, conforto e segurança ao cidadão, fundamentado nos seguintes pressupostos:

I - a acessibilidade universal;

II - a qualificação de calçadas e praças;

III - reconhecimento e previsão do transporte cicloviário no sistema de circulação, como parte integrante da mobilidade; e

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IV - o desenho urbano humanizado e a urbanidade.

Seção III

Do Transporte Público Coletivo

Art. 71. O Desenvolvimento do Transporte Público Coletivo consiste em

integrar em escala municipal e metropolitana as centralidades, através de um sistema hierarquizado de atendimento, compatibilizado com outros modos de transporte e servido por diferentes equipamentos de transporte coletivo, o qual poderá ser implementado através de ações:

I - priorização do transporte público coletivo através da implantação de rede de corredores de transporte de massa;

II - implementação de um sistema de informação ao usuário com o objetivo de aumentar o acesso do cidadão às informações do sistema de transporte, através de comunicação visual atualizada, informativa e atraente;

III - integração com o transporte não motorizado, garantindo acessibilidade e inclusão nos acessos às áreas de embarque e desembarque, infraestrutura de apoio para ciclo-usuários junto aos terminais e estações; e

IV - diversificação dos modais de transporte e utilização de sistemas alternativos para áreas íngremes das encostas.

Seção IV

Do Transporte Aquaviário

Art. 72. O desenvolvimento de Transporte Aquaviário consiste no

incentivo à instalação de meios de transporte de passageiros, veículos e cargas, por meio de portos, atracadouros ou trapiches o qual deverá ser implantado através das seguintes ações:

I - instalação e operação de trapiches atracadouros;

II - integração com o serviço de transporte coletivo terrestre e demais modos de transporte; e

III - apoio à implementação da Universidade do Mar para atendimento do novo sistema de transporte público, com as especializações necessárias ao pleno funcionamento e segurança do sistema.

§1º O Município elaborará Programa de Ordenamento Territorial das

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estruturas, mediante participação das comunidades e setores ligados às atividades tradicionais marinhas.

§2º As estruturas essenciais ao transporte aquaviário, mediante

estudo específico, poderão ser localizadas em todo o território municipal, independentemente de seu zoneamento.

Seção V

Do Sistema de Circulação Padronizado e Hierarquizado

Art. 73. O sistema de circulação municipal é considerado como o conjunto

de vias hierarquizadas e articuladas, o qual permite a circulação terrestre de pessoas e veículos, devendo:

I - promover acessibilidade;

II - obedecer a prioridade do transporte não motorizado e do transporte coletivo nas principais vias; e

III - garantir a equidade nos investimentos em infraestrutura e o convívio de todos os meios de deslocamento no sistema viário.

Art. 74. O Sistema de Circulação Padronizado e Hierarquizado deverá ser

implementado através das seguintes ações:

I - melhoria da caminhabilidade, que consiste na abertura de vias exclusivas para os meios não motorizados em áreas de urbanização consolidada ou irregulares, reduzindo as distâncias percorridas e melhorando a permeabilidade da malha viária;

II - segurança viária, que consiste na implantação de diversas medidas de desenho urbano, sinalização viária e moderadores de tráfego;

III - pavimentação hierarquizada, que consiste na definição de critérios de materiais para pavimentação de logradouros considerando as diretrizes da política de mobilidade; e

IV - conectividade urbana, que consiste na reformulação da estrutura viária mediante melhoria e ampliação da conexão das vias existentes em áreas urbanizadas, por meio de ligações bidirecionais que complementem e integrem as vias existentes.

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Seção VI

Do Transporte de Cargas

Art. 75. O Transporte de Cargas consiste no ordenamento e

regulamentação da circulação de veículos pesados e da operação de carga e descarga no território do Município, em especial nas centralidades, o qual poderá ser implementada através das seguintes ações:

I - disciplinamento do transporte de carga em áreas específicas; e II - instalação e operação de centros de distribuição.

Seção VII

Da Educação para a Mobilidade

Art. 76. A Educação para a Mobilidade tem como objetivo conscientizar o

cidadão para a mobilidade urbana, fornecendo um maior respeito entre os diferentes usuários do sistema de circulação.

Parágrafo Único. A educação para a mobilidade será desenvolvida por

meio de ações de educação aplicadas em escolas e para a população em geral.

Seção VIII

Do Ordenamento dos Estacionamentos Públicos e Privados

Art. 77. O ordenamento dos estacionamentos públicos e privados tem como objetivo disciplinar e organizar a oferta de espaços públicos e privados para estacionamentos, de acordo com as diretrizes da política de mobilidade e de ocupação territorial.

Capítulo VIII

DA POLÍTICA DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO Seção I

Disposições Gerais

Art. 78. A Política de Desenvolvimento Econômico do Município tem por

objetivos:

I - fomentar a geração de emprego e renda e a qualificação do trabalho, com ênfase nas atividades produtivas tradicionais e inovadoras do Município, de baixo impacto ambiental;

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II - promover políticas públicas para a criação de ambiente favorável ao desenvolvimento, atração e retenção de talentos e negócios, especialmente aqueles vinculados com a inovação e sustentabilidade;

III - fortalecer e difundir a cultura empreendedora em sintonia com as diversas potencialidades econômicas da cidade e da Região Metropolitana;

IV - garantir que a legislação urbanística incentive as ações empreendedoras de caráter local, fortalecendo as Centralidades municipais, em suas diferentes escalas, e revitalizando ou recuperando áreas urbanas em processo de degradação;

V - incentivar o desenvolvimento da economia criativa e das tecnologias de informação e comunicação;

VI - promover o desenvolvimento das iniciativas coletivas, visando consolidar a economia solidária;

VII - criar as condições para o desenvolvimento do turismo alinhado às características ambientais, culturais e sociais do Município, fortalecendo alternativas ao turismo sazonal, através do incentivo ao turismo cultural, gastronômico, rural, ecológico e de esportes, de eventos e negócios, do lazer e entretenimento;

VIII - qualificar a infraestrutura básica e urbanística nas centralidades em todo território municipal como forma de permitir a consolidação das atividades econômicas locais;

IX - promover ações visando à preservação de tradições produtivas e culturais, como forma de fortalecer a economia voltada à preservação da cultura florianopolitana; e

X - incentivar as ações entre o setor público e o setor privado que auxiliem na ativação das atividades econômicas e ao mesmo tempo contribuem com a renovação e qualificação das áreas públicas por meio de contrapartidas e criação de novos equipamentos urbanos.

Art. 79. Os planos, programas, projetos e ações na área de

desenvolvimento econômico observarão as seguintes diretrizes:

I - preservar e valorizar o capital humano, cultural e ambiental do Município;

II - priorizar mecanismos que contribuam para o desenvolvimento econômico sustentável e equilibrado;

III - promover a infraestrutura urbana e comunitária essenciais ao desenvolvimento econômico;

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IV - valorizar as características territoriais e socioculturais, bem como as potencialidades econômicas das diferentes regiões da cidade;

V - buscar o aumento da competitividade nacional e internacional das atividades econômicas de destaque no Município;

VI - estabelecer parcerias, acordos, convênios, programas e quaisquer outros instrumentos legais possíveis, com os setores produtivo, acadêmico e demais órgãos e entidades da esfera pública e privada com vistas a atingir os objetivos específicos da política de desenvolvimento econômico;

VII - estabelecer cooperação nacional e internacional com instituições governamentais e não governamentais;

VIII - estimular as ações de economia criativa, especialmente aquelas voltadas ao fortalecimento das centralidades de bairro e na interação com a população local;

IX - articular e integrar iniciativas de promoção econômica com os demais municípios da Região Metropolitana;

X - articular ações para a ampliação da capacitação profissional e empreendedora, com foco nos empreendedores individuais e empresas de pequeno porte, bem como novos modelos de negócios;

XI - implementar políticas de apoio às iniciativas econômicas autônomas, associativas e cooperadas;

XII - promover a multifuncionalidade urbana com vistas a aperfeiçoar e otimizar os investimentos públicos em infraestrutura, garantir a efetiva utilização dos espaços públicos e ampliar a segurança; e

XIII - promover a simplificação de normatização e desoneração de tributos como forma de incentivar os pequenos produtores, empreendedores individuais e pequenas empresas que tenham foco nos ramos de atividade ligados à produção agrícola, aquícola, ao turismo, às produções tradicionais e de regeneração de áreas urbanas em processo de degradação, e à indústria da inovação e de tecnologia limpa, subordinadas as ações e projetos às limitações impostas pelas condições ambientais e legislação atinente.

Art. 80. Como forma de fortalecer as atividades econômicas as áreas

identificadas como polos econômicos deverão ser planejadas, urbanizadas e qualificadas para que viabilizem o fortalecimento da geração de emprego e renda, sendo que os critérios urbanísticos das intervenções nestas áreas deverão atender no mínimo as seguintes demandas:

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I - ampliação do sistema de circulação de transporte coletivo e transportes individuais não motorizados;

II - permissão de atividades e serviços importantes para o desenvolvimento da atividade econômica em questão, especialmente aqueles não incômodos em poluição para o entorno imediato;

III - benefícios e incentivos para instalação de comércio setorial e comunitário; e

IV - melhoria ou ampliação das infraestruturas existentes.

§1º A declaração e a delimitação de áreas consideradas como polos econômicos deverão ocorrer por meio de legislação específica.

§2º Cumpre ao Município elaborar estudos de viabilidade para concessão de incentivos fiscais e urbanísticos às empresas que desenvolvam atividades correlatas com a vocação econômica do polo.

Art. 81. A Política de Desenvolvimento Econômico deverá considerar

como setores estratégicos aqueles cujas atividades tenham os seguintes objetivos: I - fortalecimento da produção agrícola, especialmente as de base agroecológica;

II - fortalecimento da aquicultura;

III - geração de emprego e renda ligados ao turismo e produções tradicionais; ou

IV - fortalecimento da indústria da inovação e de tecnologia limpa.

Art. 82. A Política de Desenvolvimento Econômico deverá ser

implementada por meio da diversificação das atividades econômicas, mediante os seguintes programas:

I - Programa de Desenvolvimento Econômico das Produções Tradicionais;

II - Programa da Produção Agrícola e da Aquicultura;

III - Programa de Desenvolvimento Sustentável de Turismo; e

IV - Programa de Fortalecimento da Indústria da Inovação e de Tecnologia Limpa.

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