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PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE GOIÁS
PRÓ-REITORIA DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA
COORDENAÇÃO DE PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO SENSU
MESTRADO EM CIÊNCIAS AMBIENTAIS E SAÚDE
AMBIENTE DE TRABALHO, ESTRESSE E SAÚDE EM MÉDICOS DO
HOSPITAL MUNICIPAL ESAÚ MATOS EM VITÓRIA DA
CONQUISTA - BA.
ROGÉRIO SANTOS MARQUES
GOIÂNIA 2012
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PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE GOIÁS
PRÓ-REITORIA DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA
COORDENAÇÃO DE PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO SENSU
MESTRADO EM CIÊNCIAS AMBIENTAIS E SAÚDE
AMBIENTE DE TRABALHO, ESTRESSE E SAÚDE EM MÉDICOS DO
HOSPITAL MUNICIPAL ESAÚ MATOS EM VITÓRIA DA
CONQUISTA - BA.
ROGÉRIO SANTOS MARQUES
Orientador: Professor Dr. Luc Marcel A. Vandenberghe
Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Ciências. Ambientais e Saúde, da Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa da Pontifícia Universidade Católica de Goiás, como requisito parcial para obtenção do título de Mestre em Ciências Ambientais e Saúde.
GOIÂNIA
2012
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III
Folha de aprovação
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DEDICATÓRIA
A minha mãe Maria dos Santos Marques “Lilia” (in memorian), a quem sempre nos ensinou que tudo depende de nós mesmos para alcançarmos o sucesso.
Ao meu pai Guilherme Marques, que sempre acredita nos seus filhos e apoiando sempre nas decisões que cada um toma para suas vidas.
As pessoas mais importantes e presentes na minha vida: minha esposa Gabriela Cardoso Moreira Marques. Uma mulher que me orgulho, admiro e a quem devo toda obstinação e minha coragem em acreditar que tudo é possível.
Aos meus filhos: Maria Júlia Moreira Marques e Davi Moreira Marques a quem detém o meu amor incondicional e me enchem de força, perseverança e determinação para sempre buscar alcançar os meus objetivos.
A toda minha família.
V
AGRADECIMENTOS
Os caminhos da qualificação profissional são difíceis e em certos momentos tortuosos, mas as alegrias e as satisfações a cada conquista superam tudo.
Muitos fizeram parte deste caminho e gostaria de registrar os meus sinceros agradecimentos.
Ao meu orientador, Dr. Luc Marcel A. Vandenberghe por aceitar orientar o meu trabalho, como a sua competência, paciência, disponibilidade, profissionalismo e disposição aos atendimentos na minha busca do conhecimento.
A coordenadora do programa a professora Drª Maira Barberi, pelos seus ensinamentos e acompanhamentos durante o curso.
Ao meu amigo e colega Milcíades Heitor com toda sua sabedoria e garra para desempenhar as nossas atividades soube compartilhar seus conhecimentos.
A minha bela esposa Gabriela Marques pelo seu companheirismo e incentivo para que eu tivesse sempre a garra e perseverança de conseguir atingir o nosso objetivo.
Aos trabalhadores e amigos médicos (as) que participaram deste trabalho e com paciência, disposição e presteza me atenderam.
Ao amigo e coordenador do Núcleo de ensino e pesquisa do Hospital Municipal Esaú Matos o senhor Márcio Vasconcelos Oliveira por todo apoio.
Ao Diretor Técnico do Hospital Municipal Esaú Matos, o senhor Ary Pires da Silva pelo incentivo neste trabalho, apoio e disponibilidade para que os trabalhos fossem desenvolvidos.
VI
Ao administrador do HMEM Fredson Silva Caíres, pelo apoio logístico e informacional das atuais rotinas e escalas dos profissionais envolvidos neste estudo.
Aos colegas, docentes e funcionários da PUC-Goiás, pelos encontros e experiências vividas ao longo do nosso curso.
Ao CEP da Faculdade São Francisco de Barreiras pelo apoio e presteza por abrirem suas portas com total profissionalismo, viabilizando a continuidade da pesquisa.
A todos aqueles que, de uma forma ou de outra contribuíram para o desenvolvimento deste estudo.
VII
“Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção...” Paulo Freire
VIII
MARQUES, R. S. Ambiente de trabalho, estresse e saúde em médicos do Hospital Municipal Esaú Matos em Vitória da Conquista - BA. 2012. f. 100. Dissertação (Mestrado) – Pontifícia Universidade Católica de Goiás – PUC. Mestrado em Ciências Ambientais e Saúde. Goiânia, 2012.
RESUMO
O estresse é definido como uma reação do organismo, com componentes físicos e ou psicológicos, causada pelas alterações psicofisiológicas. O estresse pode prejudicar o desempenho profissional e a qualidade do trabalho. O objetivo da pesquisa é investigar o ambiente de trabalho, estresse e saúde em médicos do hospital municipal Esaú Matos em Vitória da Conquista – Bahia. A metodologia desta pesquisa trata-se de um estudo transversal. A pesquisa foi realizada no HMEM, onde o mesmo é considerado de referência materno infantil, atendendo a população do município de Vitória da Conquista e micro região. A população estudada foi a de médicos que trabalham no Hospital Municipal Esaú Matos-HMEM em Vitória da Conquista – BA. O critério de escolha considerou todas as categorias e especialidades: médicos que trabalham na UTI Neonatal, Obstetrícia, Sala de Parto, Ambulatórios, Centro Cirúrgico, Pronto Atendimento e outros médicos que fazem parte do quadro de pessoal do HMEM. O universo foi de 78 médicos que trabalham neste hospital em todos os setores, sendo que 65 concordaram em participar do desenvolvimento desta pesquisa, e efetivamente participaram, respondendo os questionários um total de 52 médicos. Dados sócios – demográficos e nível de estresse foram levantados por questionários. O resultado em relação ao estresse de todos os sujeitos entrevistados ficou constatado, que uma parcela pequena dos participantes está sem estresse 11,5%, trabalhando de forma saudável e, a grande maioria dos pesquisados 84,6% está com o grau de estresse chamado moderado, o que se pode perceber que os participantes estão na fase de resistência do estresse, também foi verificado que um pequeno grupo dos participantes 3,8% está com um estresse intenso, chegando à exaustão, nenhum dos entrevistados se encontrava com o grau de estresse considerado muito intenso. Analisando os resultados, foi percebido que alguns fatores de risco mostraram diferenças significativas nos testes estatísticos, onde a maioria dos pesquisados sentiam dores lombares, sendo as mulheres com idade de 30 a 40 anos, em quase totalidade são as que mais sentiam as dores lombares. Concluindo o trabalho, perceberam-se possíveis situações estressoras, ligadas às demandas do trabalho e às peculiaridades iminentes do trabalho médico. Considerou-se a necessidade dos profissionais da saúde, especificamente os médicos, repensem as atitudes no trabalho, com o intuito de diminuir ou cessar os possíveis danos relacionados ao estresse, e aumentar a qualidade de vida dos profissionais.
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MARQUES, R. S. Work environment, stress and health in physicians of the Esau Matos Municipal Hospital in Vitoria da Conquista – BA / Brazil. 2012. f. 100. Thesis (Master) - Pontifícia Universidade Católica de Goiás – PUC. Master of Environmental Science and Health. Goiânia, 2012.
ABSTRACT
Stress is defined as a bodily reaction, with physical and psychological components, and psycho-physiological causes. Stress can affect professional performance and quality of service. The aim of this study is to investigate the existence, and the degree of stress experienced by the physicians at the Hospital Municipal Esau Matos (HMEM) in Vitoria da Conquista in the Brazilian state of Bahia. The method is transversal. The research took place at the HMEM which is considered a reference in infant maternal care, attending the population of Vitória da Conquista and its surrounding micro region. The population studied included all specialties and sectors: physicians working in neonatal ICU, Obstetrics, Delivery Room, Ambulatory, Surgical Center, Emergency Department and other physicians who are part of the staff of HMEM. 78 physicians work at the hospital, 65 agreed to participate and 52 answered the questionnaires. Demographic and professional data, as well as level of stress were checked through questionnaires. The results showed that a small number of the physicians is stress-free 11,5%, a large number 84,6% of report moderate levels of stress and a small number experiences severe stress 3,8% , nearing exhaustion. Some risk factors showed significant differences in statistical tests. The vast majority of respondents that felt lower back pain, were women aged 30-40 years. Work at the obstetric ward was significantly related to lower back pain. The connection of stressful situations with the demands of medical work is discussed as well as the need of health professionals to rethink attitudes about work and life, in order to reduce the possible damage related to stress, and increase the quality of life of the professionals.
Keywords: Stress, Work environment, Health, Exhaustion.
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SUMÁRIO
DEDICATÓRIA ... IV AGRADECIMENTOS ... V RESUMO... VIII ABSTRACT ... IX LISTA DE FIGURAS ... XII LISTA DETABELAS ... XIII1. INTRODUÇÃO ... 15 2. OBJETIVOS ... 17 2.1. Objetivo Geral ... 17 2.2. Objetivos Específicos ... 17 3. REVISÃO DA LITERATURA ... 18 3.1 A Profissão Médica ... 18 3.1.1- Origem do médico ... 19
3.1.2- O trabalho no contexto atual ... 19
3.2- Uma visão sociológica da profissão médica... 21
3.3- A profissão médica: alguns dilemas no final do século XX ... 23
3.4- Estresse ... 26
3.5- O que é um estressor ... 29
3.6- O processo de estresse ... 30
3.7- Sintomas de estresse ... 31
3.8- Breve histórico da cidade de Vitória da Conquista ... 32
4. MATERIAL E MÉTODOS ... 33
4.1- Tipo de Estudo ... 33
4.2- Descrição do Local da Pesquisa ... 33
4.3- Participantes ... 34
4.4- Amostra ... 35
4.5- Critérios para Inclusão e Exclusão dos Sujeitos ... 35
4.6- Instrumento de Coleta de Dados ... 36
4.7-Procedimentos ... 36
XI
4.9- Retorno de Benefícios para a População ... 38
4.10-Critérios para Encerrar ou Suspender a Pesquisa ... 39
4.11-Ética em Pesquisa com Seres Humanos ... 39
4.12-Análises Estatísticas ... 39
5. RESULTADOS ... 42
5.1. Dados sócio-demográficos dos participantes da pesquisa ... 42
5.2. Quadro geral de estresse dos participantes ... 45
6. DISCUSSÃO ... 73
7. CONCLUSÃO ... 83
8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ... 85
APÊNDICES ... 90
XII
LISTA DE FIGURAS
Figura 1. Quadro geral de estresse ... 61
XIII
LISTA DE TABELAS
Tabela 1. Distribuição das variáveis de acordo com a amostra ... 44
Tabela 2. Distribuição do questionário de Estresse de acordo com a amostra... 47
Tabela 3. Avaliação Geral do quadro de estresse ... 50
Tabela 4. Distribuição das variáveis em relação Avaliação geral do quadro de estresse ... 52
Tabela 5. Distribuição das variáveis em relação a dor nos músculos do pescoço e ombros ... 53
Tabela 6. Distribuição das variáveis em relação a Sentir dor na parte inferior das costas (região lombar) ... 54
Tabela 7. Distribuição das variáveis em relação a preocupações excessivas ... 56
Tabela 8. Distribuição das variáveis em relação a Períodos de depressão ... 57
Tabela 9. Distribuição das variáveis em relação a Problemas de irritabilidade... 58
Tabela 10. Distribuição das variáveis em relação a sentimentos de raiva ... 59
Tabela 11. Distribuição das variáveis em relação a Problemas com pressão Arterial ... 61
Tabela 12. Distribuição das variáveis em relação a Problemas de períodos de comer em excesso ... 62
Tabela 13. Distribuição das variáveis em relação a Períodos de dores de cabeça .. 62
Tabela 14. Comparação da Avaliação geral do quadro de estresse em relação às variáveis. Qui-quadrado ... 65
Tabela 15. Comparação da Avaliação geral do quadro de estresse em relação às variáveis. Teste t ... 66
Tabela 16. Média das variáveis em relação a Você sente dores de cabeça frequentemente ... 66
Tabela 17. Média das variáveis em relação a Você sente dores de cabeça freqüentemente Teste Tukey ... 67
Tabela 18. Média das variáveis em relação a você come em excesso teste Tukey . 68 Tabela 19. Média das variáveis em relação a Sentir dor na parte inferior das costas (região lombar). Teste Tukey ... 68
Tabela 20. Média das variáveis em relação a Problemas com pressão Arterial ... 69
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Tabela 21. Média das variáveis em relação a Problemas com
Preocupações excessivas ... 69 Tabela 22. Média das variáveis em relação a Problemas com
Irritabilidade ... 70 Tabela 23. Média das variáveis em relação a Dores nos músculos do
pescoço e ombros ... 70 Tabela 24. Média das variáveis em relação a períodos de depressão ... 71 Tabela 25. Média das variáveis em relação a sentimentos de raiva ... 72
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1.
INTRODUÇÃO
O vocábulo estresse, que tem origem no Latim, passou a ser utilizado para designar opressão, desconforto e adversidade. O estresse é definido como uma reação do organismo, com componentes físicos e /ou psicológicos, causada pelas alterações psicofisiológicas que ocorrem quando a pessoa se confronta com uma situação que, de um modo ou de outro, a irrite, excite ou confunda, ou mesmo que a faça imensamente feliz. É importante conceitualizar o estresse como sendo um processo e não uma reação única, pois no momento que a pessoa é sujeita a uma fonte de estresse, um longo processo bioquímico instala-se, cujo início manifesta-se de modo bastante semelhante, com aparecimento de taquicardia, sudorese excessiva, tensão muscular, boca seca e a sensação de estar alerta. No desenvolvimento do processo do estresse, diferenças manifestam-se de acordo com as predisposições genéticas do indivíduo potencializadas pelo enfraquecimento desenvolvido no decorrer da vida em decorrência de acidentes ou doenças. (LIPP & ROCHA, 1994).
O termo estresse pode ser utilizado em dois sentidos, tanto para descrever uma situação de muita tensão, quanto para definir a nossa reação a tal situação. Vamos utilizar a palavra “estresse” neste último sentido e a palavra “estressor” para definir o evento que causa o estresse. (LIPP & ROCHA, 1994)
O estresse é uma reação desencadeada por qualquer evento que confunda, amedronte ou emocione a pessoa profundamente. Note que esta definição não se refere ao estressor só como algo negativo; ele pode ser também algo muito positivo que emocione a pessoa de modo marcante (LIPP et al., 1994). Estas colocações mostram a necessidade de buscar realizar uma abordagem onde os indivíduos sofrem a pressão de produzirem mais a qualquer custo em curto espaço de tempo, vimos à humanização ficar do lado oposto à produtividade. Estudos têm demonstrado o grande aumento de profissionais com problemas de estresse, rendimentos diminuídos do potencial de execução das tarefas, as pessoas não conseguem estar satisfeitas com o serviço que realizam. (LIPP & ROCHA, 1994). Então, esse projeto se mostra inserido dentro da realidade, apontando como uma estratégia de intervenção para a melhoria das condições de saúde dos médicos
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no município de Vitória da Conquista – Bahia visto a importância e abrangência do HMEM. Além dos problemas para saúde, é importante avaliar os declínios de desempenho desses profissionais para o hospital no que tange o atendimento a população.
Muito importante também é a análise dos métodos para identificar a existência do estresse, sua fase e grau, pois permitirá ao HMEM estabelecer uma política de qualidade de vida para estes indivíduos. Dessa forma, faz-se necessário uma implantação de programas de qualidade de vida no trabalho para estimular a qualidade pessoal.
O estudo pretende de certa forma colaborar para a ampliação de várias outras pesquisas a respeito do estresse de médicos e o mundo em que vive no sentido da relação trabalho e saúde, além da necessidade de reflexões no campo da saúde do trabalhador destes profissionais médicos, para discutir e ter um olhar mais criterioso a cerca destes profissionais, para melhoria da saúde e qualidade de vida deles, familiares e principalmente dos pacientes por eles atendidos.
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2.
OBJETIVOS
2.1 - Objetivo Geral
Investigar a existência e o Grau de estresse em médicos do Hospital Municipal Esaú Matos – HMEM em Vitória da Conquista - BA.
2.2 - Objetivos Específicos
· Identificar o grau em que se encontra o nível de estresse entre os médicos analisados.
· Identificar se existe prevalência de sintomas psicológicos ou físicos nos indivíduos pesquisados e considerados com algum nível de estresse.
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3.
REVISÃO DA LITERATURA
3.1 A Profissão Médica
O setor saúde e, especialmente, o mercado de trabalho dos médicos está inserido nessa perspectiva de “profissionalismo” com oferta de serviços altamente especializados. A medicina é um exemplo típico de uma profissão que conseguiu desenvolver sólida base cognitiva, bem como exclusivo e vasto mercado de trabalho com forte credibilidade social.
A profissão médica é singular. Nenhuma outra profissão do mundo ocidental adquiriu tanto poder em definir realidades como a medicina o fez ao longo de sua história. Aos médicos é dado o poder de definir, por exemplo, o que é saúde e doença, o que é sanidade ou insanidade mental; enfim, a eles é conferida a prerrogativa de elaborar e executar critérios de saúde e doença, transformando-se em paradigmas médico-sociais. Ademais, é uma profissão de consulta, com controle dos critérios que qualificam as pessoas que vão atuar na cura (MACHADO, 1997). Em sua história, a medicina construiu sólido conhecimento científico e reivindicou para si o monopólio da cura. Dotada de princípios ético-morais, a atividade médica estabelece singular relação com o consumidor (paciente) de seus serviços, que requer confiança, sigilo e credibilidade. Hoje, o debate gira em torno de questões como a deteriorização das condições de trabalho, o assalariamento crescente, o reordenamento do processo de trabalho, a incorporação de outros profissionais na equipe de saúde, bem como o fenômeno da sindicalização dos profissionais de saúde. (MACHADO, 1997)
Atualmente, crescem as análises sociológicas que assinalam as transformações significativas por que passa a medicina e que vem afetando nuclearmente sua essência profissional. A erosão da autonomia, da visível interferência das políticas públicas de saúde na dinâmica do mercado, da presença acentuada e crescente das megacorporações de saúde no setor, assim como dos avanços tecnológicos que ampliam infinitamente as possibilidades das ciências médicas, vem afetando a prática profissional dessa categoria e sua autonomia.
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3.1.1 - Origem do médico
A medicina é uma profissão de reconhecida tradição. Há muito tempo que ser médico significa prestígio, status e destaque social, tanto para o núcleo familiar como para a sociedade em geral.
A origem social diferenciada dos médicos é um fato observável especialmente a partir da consolidação da medicina como uma profissão científica, tornando-a uma atividade profissional de futuro próspero. Ao analisar a profissão médica, mostra como a posição do médico dependia tanto de seus antecedentes como da posição de seus pacientes e da natureza de sua ocupação. Decorreu um longo tempo até que a profissão médica tomasse a dimensão social que hoje tem em todo o mundo. Seguir a profissão de um membro da família é uma situação relativamente recente na história médica. Entretanto, este aspecto familiar reforça a característica da profissão, (MACHADO, 1997).
3.1.2 - O trabalho no contexto atual
Segundo PAFARO (2002), na cidade de Campinas – SP, foi realizada uma pesquisa em um hospital de oncologia pediátrica com o objetivo de investigar a presença e o nível de estresse emocional em enfermeiros com dupla jornada de trabalho. Participaram da pesquisa 33 indivíduos com idades variando entre 23 e 51 anos. Como instrumento para avaliação do estresse foi utilizado o Inventário de Sintomas de Stress de Lipp e Escala Analógica Visual. Os resultados mostraram que 60,06% dos enfermeiros encontravam-se na Fase de Resistência (FR) onde a pessoa automaticamente tenta lidar com os agentes estressores de modo a manter sua homeostase interna. Se os fatores estressantes persistem em freqüência ou intensidade, há uma quebra na resistência da pessoa e ela passa às próximas fases que podem ocorrer com sérias conseqüências a sua saúde física e ou psíquica. Para POSSAS (1989), o trabalho é uma instância que cada vez mais vem sendo estudada em relação aos processos de saúde e doença. O desgaste do corpo durante o processo produtivo gera patologias especificas para cada tipo de atividade
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ocupacional. Além do desgaste biológico, provocado pelo continua e prolongada repetição das tarefas, durante anos de trabalho, tem-se ainda o processo de degeneração orgânica associada às demais doenças ocupacionais.
Segundo POSSAS (1981) chama a atenção às relações entre saúde, medicina e capitalismo no Brasil. A pesquisadora parte da idéia que a questão da saúde é teoricamente anterior à questão da medicina, que é decisiva para a compreensão da forma que assume a medicina no capitalismo. Isto significa que este corte se manifesta em nível institucional, determinando a própria forma que assume a organização social da medicina no Brasil. Tem-se, portanto de um lado a concentração dos recursos sobre a assistência medica previdenciária, individualizada e voltada para os assalariados, que absorvem a maior parte dos gastos públicos com saúde. É crescente a quantidade de teorias relativas ao processo humano dentro das instituições, revelando um ponto de vulnerabilidade nas atuais formas de administração. As condições de trabalho que exigem uma capacidade de adaptação do funcionário além da tolerância humana normal podem afetar seriamente a sua saúde física e mental. O trabalhador quer pelas influências externas ao trabalho ou por suas próprias dificuldades internas, vivem conflitos de tal ordem que prejudicam a sua saúde.
É importante salientar que as condições de trabalho podem afetar a saúde dos trabalhadores. O trabalho tanto pode fortalecer a vitalidade, ou seja, a saúde, quanto contribuir para a gênese e o desencadeamento de perturbações que podem se expressar em termos psicossociais, psicossomáticas ou psiquiátricas (SILVA, 1986). Assim, significa que o trabalho pode funcionar tanto como fonte de construção, realização, satisfação, aquisição de riquezas de bens materiais e serviços úteis para a sociedade humana como também pode significar escravidão, exploração, sofrimento, doença e morte. (SILVA, 1994).
Segundo DEJOURS (1992), onde fala que o trabalhador que não consegue atuar no domínio da organização de seu trabalho terá a integralidade do seu sistema psíquico e a saúde do seu corpo ameaçada, através de processo de somatização. Assim, a livre organização do trabalho torna-se uma peça fundamental do equilíbrio psicossomático e de satisfação.
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3.2 - Uma visão sociológica da profissão médica
A noção de profissão está intrinsecamente vinculada á idéia de uma atividade humana que, mediante conhecimento especializado, atua em determinada realidade, visando interpretá-la, modificá-la, transformá-la para um determinado “fim social”. A auto-regulação e a autonomia prevalecem nesta relação, e são estes dois elementos que permitem que a profissão tenha a autonomia para recriar realidades. Nenhuma outra profissão exercita este poder na escala em que o faz a medicina, certamente porque nenhuma outra profissão se iguala a ela no grau de autonomia ou auto-regulação, afirma Machado (1996). A profissão médica é este estereótipo de profissão com alto grau de autonomia técnica (saber) e econômica (mercado de trabalho). Em outros termos, uma profissão auto-regulada, com elevado e complexo corpo de conhecimento cientifico e controle sobre o processo de trabalho. (MACHADO, 1997).
De forma sucinta, podemos dizer que a medicina possui algumas prerrogativas monopolitas que a diferenciam da maioria das profissões que disputam o mercado de serviços especializados. Ao longo de sua história, adquiriu um vasto, sólido e complexo conhecimento empírico e científico. A idéia do expert tornou-se, no caso da medicina, uma realidade incontestável. Portanto, a atividade médica no mundo contemporâneo, numa visão weberiana, é, por definição, uma ação racional, justificada pelas ações que são orientadas por objetivos claramente formulados e pela escolha dos meios mais adequados para atingir o objetivo proposto. À doença aplica-se o conhecimento médico para esclarecer e desvendar causas, definir diagnósticos e terapêuticos, assim como prognósticos. Advém daí a autonomia técnica e econômica, fundamento da prática liberal. Ter liberdade de pensar, de agir e de estipular o valor monetário de seus serviços é o preceito fundamental de uma típica atividade liberal. E a medicina se enquadra neste tipo ideal-liberal. Da mesma forma, a autoridade profissional acaba por definir a relação produtor-consumidor (MACHADO, 1997).
No trabalho médico, é imprescindível a liberdade de ação, a autonomia de decidir a conduta técnica que melhor se adapte à necessidade do cliente. Adotando a definição de autonomia como a capacidade de tomar decisões por conta própria, observamos que ela constitui um valor em si, a autonomia é um elemento-chave
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para entender o complexo mundo médico. Quase sempre, com base na premissa de que cada caso é um caso, os médicos são levados a tomar decisões independentes, em muitos casos contrariando interesses ambientais – sejam eles institucionais ou sociais- e até mesmo interesses políticos, vinculados ao Estado.
Afirma Machado (1996:59)
Os profissionais- advogados, médicos, arquitetos, engenheiros, odontólogos etc. – constituem uma parcela pequena do setor de serviços. Trata-se, contudo, de uma fração estratégica na qual se concentra, no dizer Perkin, a criatividade humana sob a forma de expertise especializada, que inventa e instala tecnologia(...). No segmento profissional encontra-se a divisão do trabalho elevado ao mais alto grau de pericia e inteligência aplicada. Por isso, Perkin chama de sociedades profissionais as sociedades pós- industriais.
Na profissão médica, essa capacidade de auto-regular o próprio trabalho é fruto da medicina moderna, do século XX. Para tanto, a profissão médica buscou: primeiro, produzir crédito social, validando seus serviços como “bens sociais” capazes de promover o desenvolvimento social da coletividade; segundo, fundar seu conhecimento e sua prática profissional na racionalidade científica; terceiro, basear a autoridade técnica do médico na expertise técnica, no conhecimento especializado, da mesma forma que seu trabalho tem, em si mesmo, um forte apelo ético, alicerçado em um código de atitudes profissionais que rege o ato médico. Podemos dizer que a unificação da base cognitiva produziu a unificação do saber, do conhecimento médico, padronizando tanto a produção de serviços (assistência médica) como os produtores (médicos). Por outro lado, embora o conhecimento médico seja produzido socialmente, sua apropriação, paradoxalmente, é privada. O fato de a medicina, nos tempos atuais, configurar-se como uma profissão de grande sucesso profissional e de reconhecimento em todo o mundo a torna um profissão de alta adesão de seus membros ao projeto profissional, o que significa dizer que, uma vez médico, raramente abandona-se o ofício. A medicina como ofício de curar é uma atividade que não somente requer o apelo de lidar com pessoas, como evoca uma grande capacidade de persistência ao longo da formação profissional. Tornar-se médico significa estar em processo de formação (nível formal e obrigatório) por cerca de vinte anos. Em boa parte, o sucesso do projeto profissional pode ser explicado por essa adesão dos membros à vida profissional.
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Poucas são as profissões em que o mundo do trabalho se funde e, por vezes, se confunde com o mundo da vida. (MACHADO, 1997).
3.3 - A profissão médica: alguns dilemas no final do século XX
A revolução cientifica, fruto dos séculos XIX e XX permitiu grandes avanços no campo das ciências médicas. O conhecimento médico e, conseqüentemente, as práticas profissionais adquiriram feições cientificas, imprimindo racionalidade objetiva como fundamento de um paradigma médico. O pensamento e o ato médicos fundiram-se numa complexa combinação de empirismo, experiência cotidiana e raciocínio clínico. A consulta, a anamnese e a análise clínica passaram a ser a conduta–padrão de um bom médico, dando-lhe poder, prestigio e crédito junto ao paciente. Esse poder assume também feições econômicas. Em quase todo o mundo ocidental, em especial nos países desenvolvidos, a atividade médica é uma das atividades mais rendosas entre os profissionais. (MACHADO, 1997).
O processo de divisão social do trabalho médico, com o advento da revolução científica, é fato reconhecido em todo o mundo. O conhecimento e a prática da medicina tornaram-se tão complexos que a divisão do trabalho médico se impôs. O processo de especialização é um traço característico dessa nova ordem racionalizadora. (MACHADO, 1997).
Estudos realizados por Díaz–Jouanen (1990), mostram que os avanços tecnológicos têm contribuído fortemente para o surgimento de novas especialidades e áreas de atuação, tais como: médicos especialistas em unidades intensivas, em diagnósticos de imagens (ultra-sonografia, ressonância magnética, mamografia, entre outras). Segundo esse autor, o fenômeno da especialização pode ser analisado sob vários ângulos e as especialidades médicas podem ser classificadas em três grandes grupos sociológicos: as cognitivas (clínica médica, pediatria, etc.); as técnicas ou de habilidades (especialidades cirúrgicas) e as intermediárias (Cardiologia, gastroenterologia etc,). Tal classificação está associada ao grau de envolvimento que o profissional estabelece com o paciente, sugerindo que as especialidades que exigem maior contato pessoal são as ditas cognitivas, em
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oposição às especialidades técnicas ou de habilidades, nas quais há predomínio de atos médicos respaldados em apoio diagnóstico que envolve alta tecnologia e pouco contato pessoal com o paciente.
Sendo assim, as especialidades aparecem discriminadas e elencadas uma vez que a especialidade cognitiva, lida diretamente com o cliente, e sua relação profissional se baseia fundamentalmente no conhecimento cognitivo adquirido nas escolas médicas. O raciocínio clínico é acentuadamente valorizado e a relação subjetiva tende a ser mais enfatizada. A tradição médico - físico dos primórdios da medicina é aqui assegurada por meio de uma medicina exercida de modo artesanal. (Díaz–Jouanen, 1990).
No mundo pós-moderno, assume cada vez mais o papel de aconselhador do modo de vida do paciente, indo muito além de seu papel estritamente técnico.
As especialidades técnico-cirúrgicas e de habilidades, também lidam diretamente com o paciente, mas não de forma tão direta e cotidiana, como ocorre com os médicos cognitivos. Neste caso, a relação médico-paciente é tendencialmente burocratizada, padronizada e, quase sempre, programada e freqüentemente exigem apoios diagnósticos. A relação médico-paciente é mediada por equipes de apoio e de equipamentos sofisticados, que auxiliam na conduta e nos procedimentos.
As especialidades intermediárias são as especialidades ou áreas da prática médica que associam mais estreitamente as habilidades técnicas (cirúrgicas) à base cognitiva das ciências médicas (clínica), intermediando essas duas áreas distintas. Não há, nesses casos, predominância da técnica ou da validade da base cognitiva. Formando verdadeiras “clínicas autônomas,” está àquela especialidade que possuem esta autonomia de processo de trabalho, o que significa dizer que sua atividade condensa os dois ramos básicos da medicina, dispensando quase sempre interferências de colegas especialistas para a finalização do diagnóstico e intervenção.
As especialidades tecnológicas e/ou burocráticas adotam regularmente a padronização no processo de trabalho, com alto controle burocrático. A relação médico-paciente, de natureza individual e intransferível, cede lugar à relação coletiva, na qual o objetivo é quase sempre impessoal, referindo-se a populações, a coletividades ou até a um paciente de um colega que necessite de algum exame específico. São especialidades tipicamente urbanas, fruto de processos sociais mais
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avançados e voltados à pesquisa, diagnósticos laboratoriais, gerência, administração e planejamento em saúde, desenvolvidos em organizações complexas. Enquadram-se nesta modalidade, dentre outros, administradores hospitalares, epidemiologistas, sanitaristas, médicos do tráfego, patologistas e radiologistas. (MACHADO, 1997).
A institucionalização do trabalho médico é outra questão relevante que se vem colocando como um grande desafio político para a profissão, principalmente no que se refere às radicais mudanças no mundo do trabalho. Fenômenos como a burocratização, a segmentação, a rotinização e a padronização dos atos médicos são recorrentes hoje na prática médica em todo o mundo. Cada vez mais o trabalho médico se desenvolve em organizações. ABBOTT (1988) analisa este fenômeno e mostra como é de fundamental importância nos estudos sociológicos conferir relevância às análises dos ambientes do mundo do trabalho. Da mesma forma, revela uma nova dimensão para os estudos das profissões: a necessidade de enfocar mais os aspectos organizacionais, ou seja, enfocar o profissional numa dada estrutura organizacional. A medicina de nossos tempos tem suas práticas desenvolvidas predominantemente em estruturas organizacionais, sejam elas de caráter privado ou público, particular ou coletivo. O envolvimento organizacional é um fato. A medicina se institucionalizou, perdendo, assim, prerrogativas monopolitas até então de grande relevância no cotidiano da prática médica.
No Brasil, este fenômeno também assume dimensões importantes. Histórica e estruturalmente, o mercado de trabalho do setor público tem se mostrado de grande relevância para os médicos brasileiros. Cerca de 70% dos médicos têm vínculos de trabalho com tal setor, no âmbito federal, estadual e municipal. Da mesma forma, poucos são aqueles que, na atualidade, não dependem de emprego nas instituições privadas. Em ambos os casos a institucionalização dos serviços médicos é uma realidade, e a racionalização e, consequentemente, a burocratização do processo de trabalho passa a ser uma exigência gerencial. Se, no passado, honorários médicos, consultas ou cirurgias eram questões que os médicos tratavam diretamente com o paciente, hoje são intermediadas por empresas. Nesta perspectiva, configuram-se dois mundos às vezes irreconciliáveis: o profissional e o organizacional. A institucionalização alcança também os consultórios particulares.
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Por meio de contratos de prestação de serviços conveniados, produzindo serviços a preços de atacado, os médicos, com freqüência, enfrentam, em seus ambientes particulares, situações constrangedoras de cerceamento e restrições burocráticas na relação médico-paciente. Também nestes nichos de atuação profissionais, aparentemente isentos de interferências externas, os médicos e os pacientes têm enfrentado situações nas quais os interesses de ambos são constantemente contrariados. (MACHADO, 1997).
3.4 – Estresse
No cotidiano dos indivíduos onde seus pensamentos estão direcionados para preocupações e cobranças. De forma geral são essas preocupações com a carreira, com a família, preocupações financeiras e outras. Assim o lazer e o esporte, fontes de tranqüilidade e relaxamento vão ficando em segundo plano. As rotinas são sempre muito atarefadas, cheias de desafios e conflitos, muitas vezes desagradáveis e estressantes. Esta falta de tempo, as preocupações diárias e as cobranças, vêm gerando uma transformação no estado psíquico, físico e também social nos indivíduos. Uma possível conseqüência de toda essa correria e agravo destas aflições emocionais é um avanço para o quadro de estresse. Sendo assim, os indivíduos com toda agitação não percebem o quão grave é o “estresse”. As primeiras referências à palavra “estresse” significando “aflição” e “adversidade” datam do século XIV, mas seu uso era esporádico e não sistemático. No século XVII, o vocábulo, que tem origem no latim, passou a ser utilizado em inglês para designar “opressão”, desconforto e adversidade (SPILBERGER, 1979). Nessa época estudos realizados na área de engenharia mostraram que as características das cargas tinham que ser consideradas na escolha do material para a construção de pontes e outras estruturas. A analogia com o ser humano foi ventilada, uma vez que também as pessoas conseguem lidar melhor com um tipo ou outro de peso e variam na sua habilidade de suportar carga emocional ou não. A utilização do termo “estresse” na área das ciências físicas e humanas passou a ser encontrada. (LIPP, 1996)
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Na área da saúde, o termo foi utilizado por Hans Selye, em 1952 onde estudou respostas normais e patológicas de pacientes atendidas em hospital. Ele denominou essas respostas de reações de estresse. Esse conceito referia-se à tensão do organismo frente a um estressor: agressão, estados tóxicos e influências patológicas.
De acordo com SELYE (1956), o processo de estresse desencadeia-se em três fases: Reação de Alerta, Fase de Resistência ou Adaptação e, Fase de Exaustão ou de Esgotamento.
A reação de alerta, a primeira do processo de estresse, inicia-se quando a pessoa se confronta inicialmente com o estressor. É nesse momento que o organismo se prepara, com a conseqüente quebra da homeostase. A principal ação do estresse é justamente a quebra do equilíbrio interno que ocorre em decorrência da ação exacerbada do sistema nervoso simpático e da desaceleração do sistema nervoso parassimpático em momentos de tensão.
Quando o estressor é de longa duração, ou sua intensidade é demasiada para a resistência da pessoa, o organismo tenta restabelecer a homeostase de um modo reparador e entra na fase de resistência ao estresse.
Se a resistência da pessoa não for suficiente para lidar com a fonte de estresse, ou se outros estressores ocorrerem concomitantemente, o processo do estresse evoluirá e a fase de exaustão ocorrerá. Haverá um aumento das estruturas linfáticas, a exaustão psicológica em forma de depressão normalmente ocorrerá e a exaustão física manifestar-se-á, com o conseqüente aparecimento de doenças. Em 1936 o endocrinologista Hans Selye introduziu o termo “estresse” para designar uma síndrome produzida por vários agentes nocivos. Sua ênfase era na resposta não específica do organismo a situações que o enfraquecessem ou fizessem-no adoecer, a qual ele chamou de “síndrome geral de adaptação” ou “síndrome do estresse biológico”, comumente conhecido também como “a síndrome do simplesmente estar doente”.
Os trabalhos de Selye foram muito influenciados pelas descobertas de dois fisiologistas que causaram imenso impacto na época: Bernard, que em 1879 havia sugerido que o ambiente interno dos organismos deve permanecer constante apesar das mudanças no ambiente externo, e Cannon, que em 1939 sugeriu o nome “homeostase” para designar o esforço dos processos fisiológicos para manter um
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estado de equilíbrio interno no organismo. Selye, utilizando-se desses conceitos, definiu o estresse como uma quebra neste equilíbrio. (LIPP, 1996)
Estudos sobre comportamento em tempos de guerra mostram que o desequilíbrio freqüentemente verificado em soldados foi através dos anos atribuído a causas físicas. Na Segunda Guerra passou-se a designar de “neurose de guerra” a reação emocional ou mental debilitante que fazia com que muitos soldados abandonassem os campos de batalha ou se tornassem incapazes de combater. Muitos psiquiatras, chamados à guerra, foram colocados em posição de seleção e tratamento de soldados, o que mais ainda enfatizou o aspecto psicológico ou psiquiátrico dos distúrbios verificados durante e após os confrontos bélicos. Estes distúrbios anteriormente atribuídos a causas físicas (barulho, explosão, cansaço etc.) – hoje conhecido como stress traumático ou pós-traumático começaram a ser estudados à luz da psicologia. Parenteticamente é interessante notar que foi justamente esta dedicação dos psiquiatras americanos às emergências da guerra que deu a oportunidade aos psicólogos clínicos, que anteriormente trabalhavam mais em serviços auxiliares aos psiquiatras, de assumirem um lugar de realce dentro das comunidades necessitadas de serviços na área emocional. Os trabalhos sobre stress querem no nível de pesquisas, quer no que se refere às publicações, proliferaram. Um estudo realizado na década de 1950 mostrou que nos EUA contavam com cerca de seis mil publicações por ano sobre o stress na época. (LIPP, 1996).
Quase todas essas publicações tinham um embasamento fisiológico. Na década de 1970, ênfase foi dada a aspectos psicológicos e à sua interação com fenômenos biológicos na gênese de distúrbios psicossomáticos. Atualmente, os estudos e as publicações sobre stress e seus efeitos abrangem não só as conseqüências do stress no corpo e na mente humana, mas também suas implicações para a qualidade de vida da humanidade. Ênfase esta se colocando cada vez mais nos aspectos de profilaxia do stress excessivo, incluindo fatores sociopsicológicos, tais como a adequação da ocupação ou tarefa ao homem, fatores ligados à ergometria e ao ambiente de trabalho e também variável ligada a etapas da vida humana, como gestação, infância, adolescência, vida adulta e envelhecimento. As implicações de stress para a produtividade humana são outros aspectos que recentemente começa a ser abordado (LIPP, 1994), como também os
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efeitos das mudanças políticas e sociais, que se constituem em estressores, que afetam a saúde e a longevidade de populações.
Segundo (LIPP, 1994) o termo estresse pode ser utilizado em dois sentidos, tanto para descrever uma situação de muita tensão, quanto para definir a nossa reação a tal situação. O estresse é uma reação desencadeada por qualquer evento que confunda, amedronte ou emocione a pessoa profundamente. Note que esta definição não se refere ao estressor só como algo negativo; ele pode ser também algo muito positivo que emocione a pessoa de modo marcante.
Para GUERRER (2007), o estresse faz parte da carreira profissional de todos os indivíduos. O investimento que se faz na perspectiva de conscientização se deve ao fato de que o conhecimento que cada indivíduo tem sobre o estresse e como avalia as situações e reações diante dos estressores, favorecem a atuação profissional e consequentemente melhora a qualidade de vida.
Segundo MOLINA (1996), o estresse pode ser definido como qualquer situação de tensão aguda ou crônica que produz um comportamento emocional e físico do individuo; é uma resposta de adaptação psicofisiológica que pode ser negativa ou positiva no organismo. Isto significa que toda mudança grande ou pequena, agradável ou não que ocorre na vida do sujeito cria um pouco de estresse e tanto os eventos positivos e negativos podem causar estresse.
Segundo CASSIOLATO (2003) o estresse é um elemento que faz parte da vida por envolver o físico e o psíquico, e indica a capacidade de adaptação do organismo em avaliar e responder adequadamente ao meio ambiente. Na vida dos indivíduos está relacionada tanto às situações agradáveis como às desagradáveis. Segundo MIRANDA (1998) atualmente o trabalho parece ser um importante fator gerador de estresse. Dentro do ambiente de trabalho, é de grande importância saber e aprender a enfrentá-lo de maneira que ele venha a ser positivo, trazendo benefícios grupais e individuais.
3.5 - O que é um estressor
Um evento positivo, ou uma promoção, pode gerar estresse e desencadear toda uma série de reações do sistema nervoso, como se fossem eventos ruins.
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Deste modo, sempre envolve alguma mudança. Toda mudança requer um esforço do organismo para se adaptar a sua nova realidade. Este esforço é interpretado pelo organismo, mesmo que a pessoa não se conscientize disto, como uma luta que ele precisa travar. O mecanismo do processo de stress não discrimina se a batalha é de origem física ou emocional e, portanto, prepara o organismo do mesmo modo como se fosse para uma luta física.
Um estressor é qualquer evento que amedronte, confunda ou excite a pessoa. Existem alguns eventos que são intrinsecamente estressantes em virtude da sua natureza, tais como o frio ou o calor excessivo. Outros eventos tornam-se estressantes em conseqüência da interpretação que damos a eles. (LIPP, 1994).
3.6 - O processo de estresse
Para SELYE (1956), o processo de estresse desencadeia-se em três fases. A primeira, a fase de alerta, inicia-se quando o indivíduo confronta-se com a fonte de estresse, denominado de estressor, e é a que ocorre no momento que o estressor é percebido pela pessoa; nesta fase o organismo está preparado para lutar ou fugir, com a conseqüente quebra da homeostase onde a principal ação do stress é justamente a quebra do equilíbrio interno que ocorre em decorrência da ação exacerbada do sistema nervoso simpático e da desaceleração do sistema nervoso parassimpático em momentos de tensão. Caracterizado por hiperventilação, taquicardia e aumento na pressão arterial.
Quando o estressor tem uma duração curta a adrenalina é eliminada e a restauração da homeostase ocorre. Sendo assim, a pessoa sai da fase de alerta sem complicações para o seu bem-estar.
A segunda fase do estresse, chamada de resistência, ocorre quando o estressor continua presente por períodos muito prolongados ou quando a sua dimensão é muito grande. Nesta fase a pessoa tenta instintivamente se adaptar ao que se está se passando através do uso das reservas de energia adaptativa que tem. Se essa reserva é suficiente, a pessoa recupera-se e sai do processo do stress. Se, por outro lado, o estressor exige mais esforço de adaptação do que é possível
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para aquele indivíduo, então o organismo se enfraquece e torna-se vulnerável a doenças. Nessa fase, se o estressor é eliminado ou se técnicas de controle do estresse são utilizadas, o organismo se restabelece e o processo do estresse termina.
A terceira fase do estresse, que é a de exaustão, nesta fase se a resistência da pessoa não for suficiente para lidar com a fonte de estresse, ou se outros estressores ocorrerem concomitantemente, o processo do estresse evoluirá e a fase de exaustão ocorrerá. Haverá um aumento das estruturas linfáticas, a exaustão psicológica em forma de depressão normalmente ocorrerá e a exaustão física manifestar-se-á, com o conseqüente aparecimento de doenças. (LIPP, 1996).
3.7 - Sintomas de estresse
Segundo LIPP (1996), a resposta de estresse necessariamente deve ser estudada nos seus aspectos físicos e psicológicos, pois a reação hormonal que é parte da reação do estresse desencadeia não só uma série de modificações físicas como também produz reações em nível emocional.
Na área emociona, o estresse pode produzir desde apatia, depressão, desanimo e sensação de desalento, hipersensibilidade emotiva, até raiva, ira, irritabilidade, além de ter o potencial de desencadear surtos psicóticos e crises neuróticas.
Além de desencadear sintomas psicológicos, o estresse pode contribuir para a etiologia de varias doenças mais grave e afetar profundamente a qualidade de vida individual e de populações específicas. Dentre as doenças psicofisiológicas estudadas que têm o estresse presente em sua ontogênese, como um fator contribuinte ou desencadeador, encontra-se: hipertensão arterial, úlceras gastroduodenais, câncer, psoríase, vitiligo, retração de gengivas, depressão, pânico e surtos psicóticos. Necessário se torna entender, no entanto, que ao estresse não pode ser atribuído o papel de causa dessas patologias, mas sim uma ação desencadeadora ou agravante da problemática.
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3.8 – O Estresse e os Problemas para a Saúde.
Para AREIAS (1999), em sua busca na revisão literária desde 1985, demonstra em mais de 3000 publicações científicas sobre “estresse e saúde” e, as três formas de estressores mais discutidas e investigadas nas obras literárias que são: eventos de vida, tensão crônica e imprevistos diários. Os eventos de vida são as mudanças que exigem maior reajuste no comportamento das pessoas dentro de um curto período de tempo (casamento, separação, nascimento do primeiro filho). A tensão crônica é decorrente da demanda persistente ou periódica que requer um reajustamento prolongado (incapacidade devido à mutilação, pobreza). Imprevistos diários são mini-eventos que requerem adaptações pequenas de comportamento durante o decorrer do dia (trafegar em engarrafamentos, visitas inesperadas). Grande parte das pesquisas realizadas aborda os efeitos dos eventos de vida e a pressão crônica na saúde física e mental.
Alguns estudos evidenciam a presença de componentes psicológicos em alguns tipos de distúrbios cardio – vasculares, principalmente hipertensão arterial (LIPP & ROCHA, 1994).
Para CABRAL (1991), os eventos estressantes da vida têm sido muito referidos no aparecimento de numerosas doenças somáticas, inclusive na artrite reumatóide. Entre os eventos citados destacam-se perdas de pessoas importantes, separações conjugais, mudanças de estilo de vida devido a alterações na situação sócio-econômica. Como o Sistema Nervoso Central mantém intima relação com o sistema endócrino e imunológico, qualquer alteração estressante em indivíduos mais susceptíveis e predisponentes, pode alterar os ritmos do sistema imunológico, provocando imunossupressão e danos por vezes irreparáveis.
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4 - MATERIAL E MÉTODOS
4.1-Tipo de Estudo
Esta pesquisa trata-se de um estudo transversal, cross-sectional ou de prevalência GIL (1988). Foi aprovado pelo comitê de ética em pesquisa da Faculdade São Francisco de Barreiras (FASB) em 12 de agosto de 2011(CAAE0119.0.066.000-11/TCM 116/11)
4.2-Descrição do Local da Pesquisa
A pesquisa foi realizada no Hospital Municipal Esaú Matos - HMEM. Este hospital é considerado de referência na assistência materno infantil, atendendo a população do município de Vitória da Conquista - Bahia e micro região. Algumas portarias que referenciam o hospital:
O hospital possui banco de leite, atualmente funciona com a capacidade de atendimento aos pacientes do SUS, com um total de 110 leitos incluindo a UTI. Vitória da Conquista, cidade localizada no Sudoeste da Bahia e, em função de sua privilegiada localização geográfica, com a abertura da estrada Rio - Bahia (atual BR 116) e da estrada Ilhéus - Bom Jesus da Lapa, o município pode integrar-se a outras regiões do Estado e ao restante do País, e logo passou a polarizar quase uma centena de municípios do sudoeste da Bahia e norte de Minas, sendo uma área com um raio de 200 km, onde mora uma população de aproximadamente dois milhões de habitantes. Por ser dotado da melhor infra-estrutura urbana na região, Vitória da Conquista é o terceiro município do Estado em população, com aproximadamente 320.000 habitantes, segundo o Censo 2010 / IBGE. Apesar da alta taxa de urbanização (85,8%), há uma grande população rural, distribuída por 284 povoados espalhados numa extensão territorial de 3.743 km², o município situa-se a uma
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altitude de 923m e a -14,86611º de latitude e -40,83944º de longitude, numa região dentro dos limites do Semi-Árido.
4.3 - Participantes
A população estudada foi a de médicos que trabalham no Hospital Municipal Esaú Matos - HMEM em Vitória da Conquista – BA. O critério de escolha considerou todas as categorias e especialidades: médicos que trabalham na UTI Neonatal, Obstetrícia, Sala de Parto, Ambulatórios, Centro Cirúrgico, Pronto Atendimento e outros médicos que fazem parte do quadro de pessoal do HMEM.
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4.4 - Amostra
A amostra foi de 78 médicos que é a totalidade dos médicos que trabalham neste hospital em todos os setores, sendo que 65 concordaram em participar do desenvolvimento desta pesquisa, e efetivamente participaram, respondendo os questionários um total de 52 médicos. A diferença de 13 médicos contactados e, que inicialmente tinham concordado em participar, alguns no momento da aplicação dos questionários se negaram a preencher e os demais não devolveram ou não se encontravam no local da pesquisa no período da sua aplicação.
4.5 - Critérios para Inclusão e Exclusão dos Sujeitos
Como critérios de definição de inclusão da amostra foram utilizados os seguintes passos: Os sujeitos da pesquisa para responderem os questionários serão escolhidos através da delimitação da área de atuação, neste caso os médicos do município de Vitória da Conquista, que trabalham nos setores do HMEM, totalizando 78 médicos e que aceitaram participar da pesquisa. Foram excluídos da pesquisa, todos os outros médicos que fazem parte do quadro de funcionários do município, mas não atuam no HMEM e, dentro do quadro de médicos atuantes no HMEM, mas não estavam presentes no local da pesquisa durante o período de sua realização, por diversos motivos, tais como licença maternidade etc.
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4.6 - Instrumento de Coleta de Dados
O instrumento de coleta de dados empregado foi uma lista de perguntas confeccionada pelo pesquisador (ANEXO A) e um questionário de sintomas de estresse (Delgado, 2004; Matsudo, 1999), veja Anexo B. O primeiro questionário foi elaborado com quesitos a respeito de características sociodemográficas (Sexo,
estado civil, idade, tempo de formado, área ou setor de trabalho e remuneração). O questionário específico de estresse elaborado, possui 21 perguntas a respeito da
freqüência com que os sujeitos da pesquisa vivenciaram nos últimos dois meses anterior ao dia da aplicação do questionário, com as opções de respostas 0 zero (não), 1 um ( ocasionalmente) e 2 dois (freqüentemente).
Vale ressaltar que com este questionário de freqüência, gera um escore no somatório de repostas, das 21 perguntas e com isso têm-se uma escala da avaliação do estresse, sendo o sujeito analisado com escore de menos de 04 pontos, considerado sem estresse, escore de 04 a 20 pontos estresse moderado, escore de 20 a 30 pontos, estresse intenso e escore acima de 30 pontos, considerado sujeito com estresse muito intenso.
4.7 - Procedimentos
Inicialmente, foi feito um contato prévio com o Hospital Municipal Esaú Matos, via Diretor médico e ao Núcleo de Ensino e pesquisa do HMEM, para obter permissão e autorização formalizada pelos responsáveis, para conduzir o estudo. Foi enviado e solicitado a assinatura do Termo de Autorização (Apêndice A) para a realização da pesquisa no HMEM, local de trabalho dos médicos pesquisados, ficando uma via com a instituição e outra com o pesquisador responsável.
A abordagem e o convite para participar desta pesquisa fora feita de maneira individual, em seu próprio local de trabalho.
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Cada médico foram informado e esclarecido a respeito do procedimento e a forma de utilização dos resultados alcançados na pesquisa, garantindo assim total segurança e sigilo com as informações prestadas. Com isso, os sujeitos tiveram toda liberdade de aceitar ou não em participar desta pesquisa. Alguns médicos dos 78 que é a totalidade dos que trabalham naquela unidade, não se fazia presente no hospital sendo justificadas às ausências, tais como: licença maternidade, férias e outros. Depois de todos os esclarecimentos sobre o instrumento da pesquisa, foram agendadas datas para a aplicação dos questionários e, também esclarecidas aos participantes da não obrigatoriedade da participação e conseqüentemente responderem aos questionários, ficando os participantes sem nenhum ônus ou prejuízos sobre a sua decisão.
Muitos médicos respondiam os questionários no mesmo momento que era feito o convite ou na data agendada no período do seu plantão e outros que diziam estar muito ocupados no momento agendado, lhes eram entregues os questionários e determinados dias e horários para recolhê-los preenchidos.
Do total da amostra de 78 médicos, 13 destes não se encontravam no HMEM, pois estavam de férias, licença maternidade e outros. Do montante dos 65 que concordaram em responder, todos foram contatados e agendados, mas somente 52 médicos efetivamente responderam aos questionários, ficando os 13 restantes, relatando não ter tido tempo, não tinham interesse em participar ou ficaram de devolver os questionários respondidos, mas não o fizeram.
Os instrumentos foram respondidos em um tempo médio de 30 minutos, no horário e local de trabalho dos participantes, entre os meses de agosto a dezembro de 2011.
Cada indivíduo que concordou em participar da pesquisa foi entregue o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (Apêndice B), onde os mesmos assinaram o Termo em duas vias, ficando o médico com uma via e outra com o pesquisador responsável.
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4.8 - Análises de Riscos e Benefícios aos Sujeitos da Pesquisa (Amostra)
A pesquisa investigou a existência do estresse. Os benefícios será a identificação se há e qual o grau do estresse, para posterior encaminhamento para um adequado tratamento.
No que se refere aos riscos, embora o local em que a aplicação do questionário se realizou (no hospital), bem como o conteúdo e a forma em que o mesmo foi apresentado, não caracterizem risco á saúde física dos sujeitos da pesquisa, caso ocorresse algum problema de ordem emocional, as pessoas em questão seriam encaminhadas para tratamento psicológico adequado, com as despesas a correr por conta do pesquisador. Quanto aos benefícios, os sujeitos ao participarem da pesquisa, estarão contribuindo para uma melhor compreensão do fenômeno em foco.
4.9 - Retorno de Benefícios para a População
A pesquisa teve como população os médicos do HMEM, mas os resultados são importantes para a realização e estabelecimento de uma política de qualidade de vida para estes indivíduos. Dessa forma, faz-se necessário uma implantação de programas de qualidade de vida no trabalho para estimular a qualidade de vida pessoal.
Dessa maneira este estudo é uma estratégia de intervenção para a melhoria das condições de saúde dos médicos no município de Vitória da Conquista em especial os que trabalham no HMEM.
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4.10 - Critérios para Encerrar ou Suspender a Pesquisa
A pesquisa teve previsão de ser realizada com 78 médicos e foi encerrada após terem as metas alcançadas com o estudo, pois foram contatados 65 médicos e 52 destes responderam a pesquisa. A pesquisa não necessitou ser suspensa por falta de recurso humano ou material, ou sob solicitação da instituição concedente.
4.11 - Ética em Pesquisa com Seres Humanos
A pesquisa foi realizada conforme a resolução 196/96 do Ministério da Saúde do Brasil, por se tratar de um estudo com seres humanos. Foi submetido para análise e julgamento do Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da Faculdade São Francisco de Barreiras – FASB/BA. O projeto foi submetido à apreciação pelo Núcleo de Ensino e Pesquisa do Hospital Esaú Matos, obtendo aprovação.
Após a apreciação e a anuência destes órgãos, foi iniciada a coleta dos dados, a partir do consentimento dos sujeitos participantes expresso na assinatura do TCLE, elaborado segundo as normas da resolução 196/96. Desta forma, os sujeitos da pesquisa foram informados sobre o objetivo do estudo, sigilo das informações, voluntariedade na participação e a possibilidade de interrupção da pesquisa, a qualquer momento, sem penalidades ou prejuízos.
4.12 - Análises Estatísticas
O banco de dados e as análises estatísticas foram realizados com o auxílio dos programas Microsoft Office Excel e o software Statistical Package for the Social Sciences - SPSS 15.0.
As análises dos resultados do trabalho foram feitas em três partes, a saber: a primeira parte fora analisado os resultados descritos do questionário do quadro geral
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de estresse aplicado aos participantes da pesquisa, com os quais responderam a respeito à percepção ou sintomas sentidos sobre a freqüência com que os mesmos vivenciaram nos últimos dois meses dos itens relacionados na pesquisa, obtendo assim um escore da freqüência, demonstrando o grau do estresse.
A segunda parte do trabalho foi estudada através de análises estatísticas descritivas; médias, medianas, números, porcentagens, como também estatística inferêncial: teste qui-quadrado, que é um teste não paramétrico, ou seja, não depende de parâmetros populacionais, como média e variância. O princípio básico deste método é comparar proporções, isto é, as possíveis divergências entre as freqüências observadas e esperadas para certo evento. Evidentemente, pode-se dizer que dois grupos se comportam de forma semelhante se as diferenças entre as freqüências observadas e esperadas em cada categoria forem pequenas, próximas a zero. Portanto o teste é utilizado para: verificar se a freqüência com que um determinado acontecimento observado em uma amostra se desvia
significativamente ou não da freqüência com que ele é esperado e, comparar a
distribuição de diversos acontecimentos em diferentes amostras, a fim de avaliar se as proporções observadas destes eventos mostram ou não diferenças significativas ou se as amostras diferem significativamente quanto às proporções desses acontecimentos.
Algumas questões do questionário específico foram selecionadas para estas análises específicas, onde estas foram consideradas clinicamente relevantes para diagnosticar estresse em um indivíduo e analisou se algumas características dos participantes como: sexo, estado civil, idade, tempo de formado, carga horária semanal de trabalho e setor ou área de trabalho, poderiam estar associados à presença desses problemas, sendo esta análise mais detalhada utilizando o teste Qui – Quadrado. O teste foi utilizado para avaliar a associação entre diagnóstico de estresse e características do trabalho e profissionais dos médicos, justificando a identificar as correlações significativas do estresse.
A terceira parte da análise dos dados foi feita, utilizando o teste Anova - análise de variância que é um teste estatístico amplamente difundido e visa fundamentalmente verificar se existe uma diferença significativa entre as médias e se os fatores exercem influência em alguma variável dependente. Os fatores propostos podem ser de origem qualitativa ou quantitativa, mas a variável
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dependente necessariamente deverá ser contínua. A principal aplicação da ANOVA é a comparação de médias oriundas de grupos diferentes, também chamados tratamentos. Em uma Anova calculam-se esses dois componentes de variância. Se a variância calculada usando a média (MQR) for maior do que a calculada (MQG) usando os dados pertencentes a cada grupo individual, isso pode indicar que existe uma diferença significativa entre os grupos. E o teste Tukey, após concluirmos que existe diferença significativa entre tratamentos, por meio do teste Anova, pode avaliar a magnitude destas diferenças utilizando um teste de comparações múltiplas, que é uma ferramenta quando se usa análise de variança para avaliar diferenças estatísticas de duas em duas populações (variáveis) quando inicialmente, envolvendo todas as variáveis tiver dado significativo, para comprovar quais de cada duas são diferentes entre si. O teste de Tukey permite testar qualquer contraste, sempre, entre duas médias de tratamentos. O teste baseia-se na Diferença Mínima Significativa (DMS). O objetivo foi por meio dos valores absolutos das variáveis idades, tempo de formado, carga horária semanal de trabalho. Foi utilizado também na análise o teste t student, ele é um teste que serve para verificar se uma determinada diferença encontrada entre medidas de dois grupos é estatisticamente significante.
Assim, com os testes e análises efetuadas encontramos os resultados estatísticos discutidos.