especial
Marcos Formiga
do Governo de
Cortez
a ser um
grande negócio
Mário Porto:
"em matéria de
minério, RN está
na era da pedra
lascada"
Sal voltará
Opiniões
ALVARO ALBERTO SOUTO FILGUEIRA BAR-RETO — Diretor técnico de Souto Engenharia S. A. e presidente do Conselho de Orientação da APERN — "Leio sempre RN-Econômico e acho-a
uma publicação que tem contribuído de maneira decisiva para a valorização de nossas coisas, no que se refere a desenvolvimento econômico- E uma revista que dá vontade da gente ler e que tem estado lado a lado com êsse surto de desen-volvimento que estamos atravessando. Apesar d j nova e de disputar com outras publicações técni-camente mais apresentáveis (as do sul do país) não deixo de ler antes RN-Econômico, quando na minha mesa estão ela e outras revistas do seu gê-nero. É um hábito para mim e, creio, para outros homens de emprêsa, ler o RN-Econômico".
Engenheiro KLEBER BEZERRA — "Acho que
a revista, nessa fase de publicação mensal, está sensivelmente melhor do que quando era quinze-nal. É revista que veio preencher uma lacuna nas nossas publicações especializadas. Informa bem acêrca do que interessa aos que tratam de assun-tos e questões sócio-econômicas em nosso Estado. Há muitas revistas nacionais da sua especialidade, mas o fato dela ser regional, e tão bem feita, enfo-cando os problemas locais com tanta proprieda-de, lhe dá uma importância ainda maior. Deve ser prestigiada por todos".
ROBERTO VARELA — Diretor-gerente d.i Usina São Francisco — "A publicação é muito
in-teressante. Tem sempre boas informações para o empresariado e a atualização dos assuntos de que trata é sem dúvida uma das razões do seu sucesso. A revista deve continuar assim, principalmente quanto à pontualidade da enrtega, que é infalível. Quando estamos sentindo a sua falta, ela chega à nossa mesa de trabalho".
TICIANO DUARTE — Auditor do Tribunal de Contas do Rio Grande do Norte e Editor-Chefe do jornal Tribuna do Norte — "É uma revista quo
o Estado reclamava há muito. Especializada, sé-ria, integrada na nova dinâmica sócio-econõmica da região e do país. Pelo transcurso do seu pri-meiro aniversário, ocorrido há dois meses, os seus fundadores e redatores e colaboradores estão de parabéns. O mais é desejar que ela continue assim como está, ou que melhore cada vez mais, tra-zendo êsses informes tão necessários à classe em-presarial do nosso Estado, necessitada há muito de uma publicaão de sua natureza".
DEPUTADO MARCILIO FURTADO — Vice-presidente da Assembléia Legislativa, Vice-presidente do Sindicato do Comércio Varejista e do Conse-lho Deliberativo do Clube de Diretores Lojistas —
"Acho a revista excelente, com uma impressão gráfica convincente, que atende ao objetivo que persegue. Acho que o comércio, a indústria, os po-dêres públicos devem sempre prestigiá-la. É um veículo informativo que traz sempre para os ho mens de emprêsa assuntos da mais alta relevân-cia, abordando-os com correção".
AUGUSTO MONTEIRO DE MEDEIROS — Re-presentante da Federal de Seguros S/A no Ric Grande do Norte — "Sem dúvida nenhuma, é a
revista RN-ECONÔMICO um órgão de informações que insere matérias de interêsse para os diversos ramos de atividade empresarial, propondo assim maior rendimento para os homens de negócio- A Federal de Seguros S/A é assinante desta magní-fica revista e até pela sua penetração em outros Estados, fomos autorizados pelo Dr. Nadir Rodri-gues Pereira Diretor-presidente da empresa, a obter uma assinatura para a nossa Matriz, dado o conceito que a publicação já granjeou lá fora".
EDITORA
RN-ECONOMICO
LIMITADA
Avenida Rio Branco, 533 • 1 a n d a r - Salas 15 e 16 Edifício São Miguel — Natal (RN)
C. G. C. M. F. N.° 08423279 Diretor de Redação Marcos Aurélio de Sá Diretor Administrativo Marcelo F e r n a n d e s Redatores: Albimar F u r t a d o Alcimar de Almeida Hélio Cavalcanti Sebastião Carvalho Departamento Fotográfico Jaeci E m e r e n c i a n o Colaboradores:
Benivaldo Azevedo, Cortez Pe-reira, Dalton Melo, E d g a r Montenegro, Eider F u r t a d o , F e r n a n -do Paiva, Francisco Canindé Queiroz, Geraldo Guedes, Hélio Araújo. Hênio Melo, Joanilson de Paula Rêgo, J o ã o Batista Cas-cudo Rodrigues, J o ã o Wilson
Bezerra, Mário Moacyr Pôrto, Moacyr Duarte, Ney Lopes d e Souza, Nivaldo Monte ( D o m ) , Otto de Brito Guerra, Reginaldo Teófilo, Severino d e Brito, Ubi-r a t a n Galvão, W a l f Ubi-r e d o GuUbi-rgel ( M o n s e n h o r ) .
RN-Econômico, revista
especia-lizada e m a s s u n t o s econômicos, financeiros e políticos, é de pro-priedade da Editora
RN-Econô-mico Ltda. — Avenida Rio
Bran-co, 533 - 19 andar, salas 15 e 6 Edifício São Miguel - Natal ( R N ) e i m p r e s s a n a Gráfica Manimbu R u a Açu, 66, Natal ( R N ) - P r e ç o do exemplar: CrS 2,00 - N ú m e r o s
NOTAS 1)0 REDATOR
A p a r t i r do p r e s e n t e n ú m e -ro, RN-ECONÔMICO chega às m ã o s dos seus leitores c o m u m a nova dinâmica informa-t i v a / f o r m a informa-t i v a , d e n informa-t r o da qual cada centímetro do n o s s o es-paço será aproveitado d a me-lhor f o r m a possível, ensejando m a i o r volume de r e p o r t a -gens, artigos e notícias sôbre os a s s u n t o s econômico-finan-ceiros do Rio G r a n d e do Nor-te.
A feição gráfica do RN-ECO-NÕMICO, que agora já se a-p r e s e n t a com algumas modi-ficações, será ainda mais perfeiçoada p a r a que n o s a-p r o x i m e m o s neste asa-pecto às melhores revistas especializa-d a s especializa-do país.
Marcos Formiga, f u t u r o
Se-cretário de P l a n e j a m e n t o do E s t a d o , concedeu entrevista exclusiva a RN-ECONÕMICO sôbre as m e t a s de Cortez Pe-reira, s ô b r e os p r o b l e m a s que o nôvo Govêrno terá de en-f r e n t a r , s ô b r e os p o n t o s posi-tivos e negaposi-tivos da situação atual do E s t a d o . U m a entre-vista m u i t o feliz e u m r e t r a t o d a h u m i l d a d e e seriedade com que êsse f u t u r o auxiliar dire-to da Administração E s t a d u a l t r a t a dos nossos p r o b l e m a s econômicos.
Ainda nesta edição, m a t é r i a completa sôbre o Secretaria-do de Cortez Pereira, com u m a apresentação de cada u m dos f u t u r o s auxiliares do Go-vêrno. Nesta r e p o r t a g e m , fica respondida a p e r g u n t a : foi
vá-lido o curso de Ponta Negra?
Mário Pôrto, h o m e m de em-p r ê s a e estudioso dos t e m a s relativos à mineração, declara enfaticamente: em matéria de
minério, o Rio Grande do Norte está na era da pedra las-cada. Mas êle n ã o se
restrin-ge apenas a ressaltar a t r i s t e evidência; êle a p r e s e n t a f ó r -m u l a s que p o d e r ã o solucionar i o p r o b l e m a da pesquisa e da p r o d u ç ã o mineral n o «Estado. Por fim, u m a b o a notícia
p a r a os salineiros. O sal
po-derá *=er de n ô v o u m grande
ncgócio, segundo assinala nos-sa r e p o r t a g e m sôbre o assun-to. Boa leitura! RN-ECONÔMICO
RN-Econômico
Revista Mensalpara Homens de Negócios
Ano II — N ° 21 — Janeiro de 1971
M.A. T W V . ^ r ^ .
N*._ X i a a e
Reportagens
Censo econômico do Estado será em março 6 Um Secretariado jovem e um Governador cheio de idéias
prontos para assumir o poder 7
Marcos Formiga: êste rapaz será o gênio do
planejamen-to no Govêrno de Cortez 9 Estado vai lançar um nôvo produto no mercado interno:
o nosso velho sal 11 Em matéria de minério, o Rio Grande do Norte está na
era da pedra lascada í 13
O côco de praia será aproveitado integralmente 18 Artigos do artezanato potiguar vão penetrar no mercado
externo 20 A Bolsa fêz sucesso em 1970 23
APERN em Mossoró . . i 24 Bandern financiará com 3,5 milhões o plantio de arroz no
vale do Açu 27 O nôvo Secretário de Finanças garante dinamizar
arre-cadação 28 1971 — Sêca ou inverno 29
Empresários opinam sôbre Secretariado 30
Seções
Opiniões 2 Editorial 5 Homens & Empresas 16
Agenda do Empresário 22
Direito Fiscal 26
Artigo
A reforma administrativa como suporte para o
desenvol-vimento 21
Prof. Edmur A. Chieregatto
um time
que só tem
técnicos o..
ÚCLEO DE ASSISTÊNCIA INDUSTRIAL
A v . Tavares de Lira, 109
ASSISTÊNCIA TÉCNICA
organização administrativa da empresa, etc. sistema de custos
estudos de arranjo tísico ( l a y o u t ) programação e controle da p r o d u ç ã o e s t u d o s de m é t o d o s e medida* de trabalho • • • E L A B O R A Ç Ã O DE P R O J E T O S PARA implantação e v p a n s ã o modernização rclocalização
São técnicos altamente treinados. Muitos dêles com estágios no exterior. Sabe qual é o trabalho dêles?
— A luta pelo desenvolvimento econômico.
Éles integram a equipe do NAI (Núcleo de Assistência Industrial) e preparam documentos especfficos, oferecem assistência técnica, treinamento a empresários, perfis industriais e estudos e pesquisas setoriais.
Em tempo: êles lutam pelo fortalecimento da indústria local, um dos caminhos para o desenvolvimento do Estado.
E D I T O R I A L
Fora com a seca
%
H
á algum tempo, o início de cada ano vem se caracterizando como u m ins-tante prolongado de aflição, temor, dúvida. Todos aquêles que no Rio Grande do Norte têm na agro-pecuária os seus meios de subsistência e de lucro, começam cêdo a sofuer a indefinição do tempo e a incerteza do inverno. E, como nêste E s t a d o mais de 70% da população vivem do que a t e r r a lhes dá, o início de u m ano nôvo m a r c a sempre o pe-rigo da fome e da miséria. É o f a n t a s m a da sêca que ronda todos os quadrantes da regiãoNor-deste, apavorando as gentes, criando graves pro-blemas para os governos e solapando a débil es-t r u es-t u r a econômica dos Eses-tados.
E m 1970, não f ô r a a providencial encampação dos problemas da fome e do desemprêgo pelo Go-vêrno Federal, teriá sido impossível calcular os efeitos desastrosos da sêca. Ainda assim, não po-deram ser evitadas as invasões de cidades, o êxo-do desordenaêxo-do para o Sul, a falta de alimentos na região, e outros tantos acontecimentos tristes. E 1971 — embora a sêca não esteja configurada —
começou a imitar os exemplos do ano anterior, com as notícias de fome no Ceará, saques às feiras do Interior, retardamento das chuvas e até a de-resperada tentativa de promover chuvas artificiais, tudo no Estado vizinho ao Rio Grande do Norte. O drama do Nordeste se r e p e t e. . . seus persona-gens começam a sofrer antes de encená-lo.
T
orna-se urgente u m a me-dida que liberte o povo nordestino do pavor e da dúvida das sêcas, seja através de u m a ação vol-tada para a agricultura irrigada, que não dependa da chuva para existir, ou seja através da desco-berta de novas atividades econômicas que permi-t a m ao povo permi-trabalhar e viver sem as permi-tensões e o h o r r o r que u m a sêca sugere hoje.No Rio Grande do Norte, conforme asseguram empresários e técnicos que conhecem
profunda-mente nossos problemas, é exequível a irrigação de extensas áreas do Estado, pois dispomos de re-cursos de água e de solos altamente expressivos, que se aproveitados racionalmente f a r i a m surgir sistemas de exploração agropecuária resistentes às sêcas. Também é possível encontrar u m a nova ati-vidade econômica p a r a milhares de norte-rio-gran-denses, através da ampliação das possibilidades de produção mineral. Os bem informados sabem que em 1970 nosso Estado exportou 6 milhões de dóla-res de scheelita e sabem que essa soma repdóla-resenta algumas vezes mais o valor de tôda a nossa pro-dução agrícola em igual período. Hoje, são cêrca de 5 mil homens que trabalham em mineração no Rio Grande do Norte, espalhados pelas dezenas de garimpos e pelas poucas minas que nós temos. Um operário de mineração ou u m garimpeiro tem hoje sua r o m u n e r r ç ã o acima de 200 cruzeiros por mês, enquanto o trabalhador rural geralmente ganha menos do que o salário mínimo regional.
O
que defendemos epreten-demos provar é que o incentivo do Govêrno do Es-tado à atividade minerária será da maior impor-tância e poderá significar a solução de u m grande problema. O Rio Grande do Norte já registrou mais de 300 ocorrências de scheelita, exatamente nas zo-nas que durante a sêca são mais castigadas (muni-cípios de Lages, São Tomé, Cerro Corá, Santana do Matos, Currais Novos, Caicó, J a r d i m do Seridó, Pa-relhas, e mais alguns o u t r o s ) . Bem pesquisadas, mesmo pelos métodos mais rudes e tradicionais, u m a boa parte dessas ocorrências poderia ser ca-racterizada como de exploração viável e passar a render mais divisas p a r a o país, mais empregos e mais riqueza para o Rio Grande do Norte. O de-sembargador Mário Pôrto, Diretor-Presidente da maior emprêsa de mineração do Estado, não consi-dera exagêro o fato de que nós podemos, a curto ou a médio prazos, duplicar e triplicar nossa atual produção de scheelita, duplicando e triplicando l a m b é m o n ú m e r o daqueles que, na exploração dos minérios, teriam u m p a d r ã o de vida mais promis-sor e a recompensa pelo seu trabalho mais justa.
Censo econômico do
Estado será en março
Possivelmente em m a r ç o será iniciado o Censo Econômico do Rio Grande do Norte. O delega-do regional da Fundação IBGE, sr. Cid Craveiro, acha assim, m a s até agora não recebeu instruções definitivas sôbre o assunto. Mas ele já sabe que o Censo Econô-mico vai constar de quatro le-vantamentos distintos que, fei-tos paralelamente, darão a me-dida exata do E s t a d o no que se refere ao movimento Comercial, Industrial, Agrícola e de Presta-ção de Serviços.
Nesse levantamento quádru-plo e conjunto, o que mais im-p o r t a im-p a r a o IBGE é o Agrícola, p a r a o qual se vai aproveitar a m e s m a divisão do Censo Demo-gráfico. Serão 1.465 setores, ou seja, êsse será o n ú m e r o de recen-seadores, que vai percorrer desta feita não a zona urbana, m a s as fazendas, sitios, granjas, etc., a f i m de compilar dados que possibilitarão se saber tudo que se refere à agricultura no Esta-do: n ú m e r o de propriedades, ra-m o de exploração, pessoal ocu-pado, implementos agrícolas usados, área cultivada, área não cultivada, produção, custos, po-pulação pecuária: bovinos, ca-prinos, muares, suínos, etc.
O sr. Cid Craveiro diz que o Censo Econômico vai ser feito em 90 dias, porque os dados a coletar são muitos e as distân-cias e dificuldades de acesso às fontes de informação também. OS OUTROS DADOS
Afora a coleta de dados p a r a relacionar tudo o que somos e possuímos em têrmos de agri-cultura, o Censo Econômico vai propiciar se saber, quanto à ati-vidade Comercial e Industrial: pessoal empregado, ramo de ati-vidade, capital aplicado, maqui-nária utilizada, produção, des-pesa com manutenção.
Para êsse levantamento o Es-tado vai ser dividido em três grandes áreas: Natal, Mossoró e Seridó, cada u m a envolvendo
to-dos os municípios que fiquem em suas imediações.
Paralelamente a essas duas, a última coleta do Censo Econô-mico: prestação de serviços. Se-rá o detalhe preciso sôbre as chamadas profissões liberais. Serão ouvidos barbeiros, alfaia-tes, médicos, dentistas, relojoei-ros, donos de bares, de oficinas, engenheiros, sapateiros, marce-neiros, etc.
A elas será perguntado tudo sôbre: características do negó-cio, ramo de atividade, capital aplicado, movimento financeiro,
mercadorias adquiridas, esto-que existente em determinada época.
Quando se refere a "estoque existente em determinada épo-ca" o Sr. Cid Craveiro diz que o Departamento do Censo da Fun-dação IBGE resolveu fazer o le-vantamento de ;estoque justa-mente em março porque as fir-m a s já terão concluído o seu movimento relativo ao ano
ante-rior e poderão prestar u m a in-formação que geralmente era ne-gada nos censos anteriores, sob a alegação de não se haver ainda terminado balanços, etc. O que teria acontecido em setembro, por exemplo.
AVALIAÇÃO
Mas antes de iniciar o Censo Econômico o IBGE local vai,
du-rante 15 dias, efetuar u m traba-lho que o Departamento de Cen-so denominou "Avaliação da Precisão da Coleta Do Censo De-mográfico". É u m a espécie de verificação do último censo
rea-lizado, u m a experiência pionei-ra no Bpionei-rasil. Vai ser feita por-que, como diz o dr. Cid Cravei-ro, " n u m a operação de censo nunca se pode evitar deslizes, por culpa do recenseado e, por que não dizer, até do recensea-dor".
A amostra, que vai ser feita durante 15 dias do mês de ja-neiro, vai utilizar u m a em cada 10 residências dos diversos mu-nicípios. Serão empregados ques-tionários de 13 quesitos
princi-pais e 5 secundários que, respon-didos, servirão para avaliar a exatidão ou não dos dados com-putados de acordo com o Censo de setembro último.
Depois de completada a com-plicação dessa avaliação é que se partirá p a r a a realização do Censo Econômico.
Para você não p e r -der t e m p o . Haul colo-ca a sua «lispos-KáQ u m carro 69 e n q u a u -t o você «roca os pneus do «eu carro
Um secretariado jovem e um
Governador cheio de idéias
prontos para assumir o Poder
CURSINHO DE PONTA NEGRA
O Seminário de Planejamento e Administraão do Desenvolvimento transformou o Secretariado em uma equipe de verdade
Mesmo antes de t o m a r posse n o Govêrno do E s t a d o , o p r o f e s -sor Cortez P e r e i r a já m a r c o u u m tento valioso: a f o r m a ç ã o de u m a equipe administrativa.
!Vo Rio Grande do Norte, quan-do u m nôvo Govêrno estava p r e s t e s a se instalar, invariável-mente, surgiam as vedetes ou es-trelas de cada secretariado, o aue, desta vez, n ã o aconteceu, pois, acima disto a opinião pú-blica comprou a idéia de u m a equipe, de u m todo.
Èste p r i m e i r o t e n t o m a r c a d o
é f r u t o p r i n c i p a l m e n t e d a reali-zação, n o Centro de
Treinamen-to d o SAR ,em P o n t a Negra, do " S e m i n á r i o de P l a n e j a m e n t o e Administração do Desenvolvi-m e n t o " — o cursinho do
Secre-tariado — que, se visto apenas p o r êste ângulo, deixa de afigu-rar-se c o m o u m a despesa inútil, p a r a ser u m investimento dos m a i s rentáveis.
A convivência de t r ê s semanas,
o relacionamento pessoal a hu-mildade do g r u p o e m geral, e, e m particular, d o p r ó p r i o Cortez Pereira, f o r a m os principais con-d i m e n t o s p a r a que os n o m e s es-colhidos p a r a o côrpo de auxi-liares diretos de Cortez perdesse a sua heterogeneidade inicial, p a r a — pelo m e n o s — u m a ho-mogeneidade de propositos. I s t o t o r n a b e m m a i s real q u a l q u e r e s f o r ç o e m b u s c a d o desenvolvi-m e n t o econôdesenvolvi-mico, o que, s e desenvolvi-m a m e n o r dúvida, é resultado de u m t r a b a l h o integrado, do esfor-ço c o m u m , d a a j u d a m ú t u a de vários órgãos d a administração, que, c o m a identidade dos seus titulares, b e m m a i s facilmente p o d e r ã o t r a b a l h a r e m c o n j u n t o .
ESTA É A E Q U I P E
Feita u m a média de idade dos p a r t i c i p a n t e s do "Seminário", se t e m o n ú m e r o b a s t a n t e razoavel: 36 anos, havendo p o u c a s varian-tes m a i o r e s ( p a r a mais ou p a r a m e n o s ) e m t ô r n o dêste n ú m e r o . Deixando de lado o academi-cismo d a publicação dos currí-culos dos candidatos, m u i t a s ve-zes s e m refletir as p r ó p r i a s apti-dões d e cada u m , RN-ECONÔ-MICO, pelas observações feitas principalmente d u r a n t e a reali-zação do Seminário e conversas m a n t i d a s com cada u m dos m e m b r o s da equipe, vai t e n t a r m o s t r a r u m r e t r a t o diferente de cada u m : o papel que cada u m vai exercer n o nôvo Govêrno.
CASA CIVIL — Ney Lopes de Souza
P a r a a Casa Civil, a p a s t a polí-tica do Govêrno, Cortez Pereira,
talvez s u r p r e e n d e n d o a muitos, convocou u m h o m e m s e m atua-ção p a r t i d á r i a : o jovem advoga-do Ney Lopes de Souza, 26 anos, c o m a t u a ç ã o m a r c a n t e n o jorna-lismo — n o t a d a m e n t e n a f a s e á u r e a de A ORDEM — t e n t a n d o depois a i m p r e n s a p e r n a m b u c a -n a e r e t o r -n a -n d o ao E s t a d o p a r a u m a experiência eleitoral sem sucesso: sua c a n d i d a t u r a — de p r o t e s t o — a d e p u t a d o federal pelo MDB, em 1966. F o r m a n d o -sp e m Direito, c o m o advogado ganhou u m b o m conceito, espe-cializando-se e m Direito Fiscal. No Govêrno, será u m elo de liga-ção do Governador c o m os ou-t r o s Podêres e com a classe po-lítica e m geral.
BÄNDERN — Osmundo Faria
A presidência do Banco do Rio G r a n d e do N o r t e s e r á entregue a u m e m p r e s á r i o . M e s m o tendo si-do c a n d i d a t o — vitorioso — a
suplente de s e n a d o r n a s ú l t i m a s eleições, Osmundo Faria conti-n u o u seconti-ndo p r i conti-n c i p a l m e conti-n t e o e m p r e s á r i o . T e m livre t r â n s i t o e m t ô d a s as áreas, m e s m o e m d e t e r m i n a d o s setores oposicio-nistas. E s p e r a t r a n s f o r m a r o BANDERN n u m banco eminen-t e m e n eminen-t e comercial, p a r eminen-t i n d o de início p a r a u m a política agressi-va j u n t o ao comércio p a r a au-m e n t a r o voluau-me de operações. P a r a a Diretoria convocou dois técnicos: Marlênio Camboim
Coutinho e Canindé Miranda,
a m b o s o r i u n d o s d o Banco do Nordeste.
FINANÇAS — Aristides Braga
José Aristides Braga veio do
Banco do N o r d e s t e p a r a a Secre-t a r i a de Finanças. À p r i m e i r a vista, p o d e p a r e c e r u m caladão. m a s n a convivência, esta sua fa-cêta ganha u m a o u t r a conota-ção: a de u m observador atento. J á está p l e n a m e n t e e n t r o s a d o n a equipe. Mesmo q u a n d o provoca-d o fala p o u c o provoca-do que p r e t e n provoca-d e fazer, dizendo que ainda n ã o co-nhece b e m a situação de sua pas-ta. P r e t e n d e u m m a i o r entrosa-m e n t o e n t r e o contribuinte e o E s t a d o .
EDUCAÇÃO — Dalton Melo
Dalton Melo de Andrade,
Secretário de Educação, j á é u m a p r ó p r i a definição d a atua-çao desta pasta. O r i u n d o d o meio empresarial, ingressou n o
magistério universitário c o m a p r e o c u p a ç ã o c o n s t a n t e d e bus-car u m a saída p a r a o impasse. Tem vasta experiência n o setor, c o m o r e p r e s e n t a n t e da CNAE
(Comissão Nacional de Ativida-des Espaciais) que Ativida-desenvolve u m p r o g r a m a de educação p o r tv-vía-satelite; c o o r d e n a d o r esta-dual do " P r o j e t o Rondon", mem-b r o dos " C o m p a n h e i r o s d a Ali-a n ç Ali-a " e r e p r e s e n t Ali-a n t e do Minis-tério da E d u c a ç ã o n o Rio Gran-de do Norte.
AGRICULTURA — Geraldo Bezerra
Geraldo Bezerra, h o m e m expe
riente e com o s " p é s n o chão", segundo opinião de u m seu com-p a n h e i r o de curso, dirigirá a com-
pas-t a d a Agriculpas-tura que no nôvo Govêrno t e r á u m destaque espe-cial, pois o desenvolvimento d o setor p r i m á r i o d a economia, é u m dos p r o g r a m a s básicos de Cortez Pereira. É considerado u m expert e m mecanização agrí-cola e e m irrigação m a s seu g r a n d e t r u n f o é o conhecimento q u e t e m d a s condições locais.
SAÚDE —
Genibaldo Barros
'"Veja o S a n a t ó r i o Getúlio Var-gas e imagine a Secretaria de Saúde c o m Genibaldo Barros" p o d e r i a ser u m slogan p a r a ês-te h o m e m b e m h u m o r a d o , de es-pírito aberto, convocado p a r a ês-te setor. É amigo de infância do f u t u r o Governador, m a s d u r a n t e o cursinho, notabilizou-se c o m o u m h o m e m de fácil acesso e c o m sentido de equipe, u m b o m car-tão de visitas p a r a que a Secre-taria integre-se m e l h o r n a admi-n i s t r a ç ã o estadual.
PLANEJAMENTO — Marcos Formiga
Marcos Cesar Formiga é tido
como u m dos melhores técnicos n o setor de economia do Rio Grande do N o r t e e dos professo-res mais elogiados n a F a c u l d a d e de Economia. Na Secretaria de Planejamento, s e r á o coordena-dor da equipe administrativa. In-trovertido, o cursinho serviu pa-r a que supepa-rasse isto e ganhasse a confianca e a a d m i r a ç ã o dos seus companheiros.
ADMINISTRAÇÃO — Joanilson de Paula
Joanilson de Paula Hêgo
tor-nou-se conhecido como Promo-t o r m a s n o Govêrno, será Secre-t á r i o de AdminisSecre-tração. Vai co-m a n d a r a b a t a l h a da r e f o r co-m a ad-ministrativa, com os conheci-m e n t o s adquiridos n o c u r s o de m e s t r a d o que concluiu n a F u n -dação Getúlio Vargas, exatamen-te p a r a o setor de a d m i n i s t r a ç ã o pública.
SECRETARIA PARTICULAR — Maia Neto
Na Secretaria Particular, Maia Neto que já ocupou as m e s m a s f u n ç õ e s j u n t o a Cortez Pereira q u a n d o êste era diretor do Ban-co do Nordeste, será o h o m e m de m a i o r acesso ao f u t u r o
Go-vernador, de q u e m é amigo pes-soal e a c u j o r i t m o de t r a b a l h o se habituou.
Sociedades de Economia Mista e Autarquias
P a r a as sociedades de
econo-mia m i s t a e órgãos autárquicos, f o r a m convocados h o m e n s do m e s m o nível: Diógenes da Cunha
Lima ( F u n d a ç ã o José Augusto), José Pereira ( D E R ) , Dirceu Ho-landa (CAERN), Clóvis Gonçal-ves, ( C O S E R N ) , Jorge Ivan Cas-cudo Rodrigues (FUNDHAP), Luciano Bezerra ( T E L E R N ) e Edgar Dantas (CASOL).
Advogado e p r o f e s s o r ,
Dióge-nes da Cunha Lima s e m p r e foi
u m h o m e m ligado à cultura, e,
n;>s suas novas funções, p o d e r á congregar e m t ô r n o de si a elite
cultural d o E s t a d o , p a r a partici-p a r dêste partici-processo de desenvol-vimento.
O engenheiro Dirceu Holanda
é u m h o m e m ligado a Natal, m u i t o b e m relacionado, e t e m t u d o p a r a consolidar em t ê r m o s e m p r e s a r i a i s a Companhia de de Águas e Esgotos. P a r a a COSERN vai o u t r o téc-nico, o engenheiro Clóvis
Gon-çalves, Diretor da Faculdade de
E n g e n h a r i a e d e t e n t o r de
razoá-vel liderança n o meio universi-tário.
O potiguar Jorge Ivan
Cascu-do Rodrigues estava em
Campi-n a Grande como diretor da C o m p a n h i a Telefônica local e foi
convocado p a r a dirigir o setor habitacional do Governo.
I m p l a n t a d o r do sistema d a EMBRATEL n o Rio Grande do
Nome: Marcos Cesar Formiga
Ramos. Idade: 29. Profissão: economista.
Até aqui, n a d a f o r a do c o m u m . Marcos é o f u t u r o Secretário de P l a n e j a m e n t o do Governo Cor-tez Pereira, e como tal será o h o m e m responsável pela
elabo-Norte, o engenheiro Luciano
Be-zerra t e m tôdas as condições de
levar p a r a a T E L E R N esta s o m a de conhecimentos, d a n d o condi-ções à telefônica estadual de en-t r a r nos p a d r õ e s nacionais vi-gentes. Terá a responsabilidade de i m p l a n t a r o nôvo sistema te-lefônico de Natal.
Um apaixonado pelos proble-m a s proble-m i n e r a i s do E s t a d o , o geó-logo Edgar Dantas leva p a r a a CASOL a p r e o c u p a ç ã o de trans-f r o m a r aquela e m p r ê s a n u m i n s t r u m e n t o útil às pesquisas m i n e r a i s no Rio Grande do Nor-te.
P a r a c i t a r m o s a p e n a s u m exemplo — êste m a i s
diretamen-O Engenheiro José Pereira de Sá vai para o DER.
ração de u m plano de desenvol-vimento que significará, ou não, a concretização de dias melho-res p a r a o povo do E s t a d o .
A sua escolha p a r a êste imunr-t a n imunr-t e cargo do Govêrno n ã o imunr-teve
influência política, n e m p a r t i u de o u t r o s motivos que n ã o
fos-te ligado ao setor e m p r e s a r i a l —
existem vários setores, atual-m e n t e a nível de D e p a r t a atual-m e n t o que g a n h a r ã o novas perspectivas d e n t r o d a dinâmica
administra-tiva que será i m p l a n t a d a a 15 d r m a r ç o , como o D e p a r t a m e n t o do Cooperativismo que será dirigi-do p o r Clidenor Madruga e que t e n t a r á oferecer u m a n o v a opção p a r a vários setores d a economia, n o t a d a m e n t e p a r a a c u l t u r a al-godoeira, c o m a ativação d a s cooperativas j á existentes e a criação de o u t r a s .
E o BANCOFERN?
Um n o m e ainda n ã o está esco-lhido ou definido. É o do presi-dente do Banco do Desenvolvi-m e n t o (BANCOFERN). Muitos n o m e s s u r g i r a m , d e s a p a r e c e r a m , alguns ressurgiram, m a s n ã o exis te p o r e n q u a n t o u m a definição do governador Cortez Pereira q u a n t o ao nome.
Nota-se, claramente, a existên-cia de u m a definição q u a n t o aos objetivos a s e r e m atingidos e a política desenvolvimentista que será desencadeada pelo Banco.
O r e t a r d a m e n t o n a escolha dêste n o m e p o d e ser explicado ate c o m o u m a excessiva preocu-pação de Cortez n a designação de q u e m será o escolhido p a r a c u m p r i r essas i m p o r t a n t e s fun-ções.
Pelos n o m e s que s u r g i r a m pa-ra o cargo nota-se inclusive o alto gabarito dos cogitados, e, d e n t r e êstes, acredita-se q u a n d o estivermos circulando êste n o m e já será conhecido.
s e m a sua capacitação c o m o téc-nico e o seu conhecimento da realidade sócio-econômico do Rio Grande do Norte. N ã o é se"n motivo q u e os seus companhei-roso de p r o f i s s ã o chegam a qua-lificá-lo c o m o "o m e l h o r econo-m i s t a do E s t a d o " .
Com 29 anos, m a s aparentan-do apenas 23, Marcos é u m rapaz simples que fala c o m u m a t r a n -quilidade i n c o m u m aos mocos, u s a n d o s e m p r e a r g u m e n t o s subs-tanciosos ao d e f e n d e r seus pon-tos de vista. Veste-se d e n t r o d'1,
m o d a : r o u p a s e m côres vivas, cinto largo c o m fivela reluzente, s a p a t o s esporte. F o r m a d o em economia e m 1965, Marcos foi
M a r c o s Formiga:
A
Este rapaz será o
gênio do planejamento
no Govêrno de Cortez
l a u r e a d o pela UFRN p o r ter ob-tido as m e l h o r e s n o t a s d e n t r e t o d o s os concluintes d a s diversas faculdades, naquele ano. Êle possui c u r s o s de p o s g r a d u a ç ã o n o Chile, n a Itália e n o s E s t a d o s Unidos. Atualmente, ocupa as seguintes f u n ç õ e s : p r o f e s s o r de "Política e P r o g r a m a ç ã o Econô-mica", d a Faculdade de Econo-mia; Chefe do D e p a r t a m e n t o de Economia, n a m e s m a Faculda-de; e Chefe d o D e p a r t a m e n t o Técnico do BANCOFERN.
O Governador Cortez Pereira considera M a r c o s u m a d a s pe-ças indispensáveis n o meio dos seus auxiliares m a i s diretos. Prova disso é que a p r e s e n ç a de Marcos s e m p r e se faz sentir e m t o d o s os c o n t a t o s que Cortez m a n t é m s ô b r e a s s u n t o s econô-micos. Êle s e m p r e está ao lado do Governador, opinando, argu-m e n t a n d o , levantando questões, fazendo cálculos, r e s p o n d e n d o a perguntas, citando elementos es-tatísticos. Daí, u m a a f i r m a t i v a dos o b s e r v a d o r e s políticos: "ês-te rapaz s e r á o c é r e b r o do Go-vêrno de Cortez".
Ao ser convocado p a r a a tare-f a de p r e p a r a r u m plano de de-senvolvimento p a r a o Govêrno de Cortez — h á u n s seis m e s e s a t r á s — Marcos m a l conhecia o f u t u r o governante, a n ã o ser de c o n t a t o s f o r m a i s e m c e r t a m e s técnicos. Acredita Marcos que a s u a escolha p a r a o p r i m e i r o es-calão do Govêrno se deu apenas pelo f a t o dêle t e r feito p a r t e d a equipe que e l a b o r o u o plano de desenvolvimento, onde, n a t u r a l -mente, Cortez p ô d e ter observa-do suas condições p a r a o cargo.
Pela posição que h o j e ocupa, ou seja, p o r ser o h o m e m que e n c a m i n h a r á n a m e d i d a do pos-sível a luta do Govêrno p a r a n o s a r r a n c a r d o subdesenvolvimen-to, Marcos é o auxiliar de Cor-tez que d e s p e r t a m a i o r curiosid a curiosid e n a s conversas que e m p r e -sários, estudantes, f u n c i o n á r i o s públicos, profissionais liberais, s e m esquecer os tradicionais " o b s e r v a d o r e s políticos do Gran-de Ponto", m a n t é m sôbre os pro-b l e m a s de Govêrno.
CORTEZ governará de fora para dentro
Marcos Cesar F o r m i g a R a m o s n ã o t e m ilusões sôbre nossa rea-lidade sócio-econômico n e m
pre-coniza f ó r m u l a s milagrosas pa-r a solucionapa-r n o s s o s m a i s gpa-ra- gra-ves problemas. Êle considera, p a r a e l a b o r a r o p l a n o de ação d o f u t u r o Govêrno, os seguin-tes aspectos d a n o s s a economia:
1) O setor público estadual conta, atualmente, c o m r e c u r s o s insuficientes p a r a investimentos e m a n u t e n ç ã o d a m á q u i n a ad-ministrativa. P a r a c o b r i r as ne-cessidades de investimentos in-dispensáveis a o desenvolvimen-to, o Rio Grande do N o r t e utili-za, h á algum tempo, sua capaci-dade de endividamento, como solução à escassez de p o u p a n ç a s i n t e r n a s que p o s s a m ser canali-zadas p a r a êsses investimentos;
2) No setor privado, a situa-ção não é tão s o m b r i a . Graças à SUDENE, estão sendo realizados novos investimentos. E os p r o j e -tos a p r o v a d o s n o súltimos anos começarão a r e p r e s e n t a r u m pa-pel i m p o r t a n t e n a economia es-tadual, pois a m a i o r i a dêles co-meça a ser i m p l a n t a d a agora. O Govêrno de Cortez Pereira t e r á a grande vantagem de ver os pri-m e i r o s r e s u l t a d o s dos investi-m e n t o s feitos n o passado, t a n t o n o setor privado c o m o n o públi-co. Isso, p o r si só, já r e p r e s e n t a u m m a i o r volume de p r o d u ç ã o p a r a o Estado, m a i s salários, certa elevação d a renda.
Com b a s e n o s dois f a t o s enu-m e r a d o s , a política de desenvol-vimento econômico a ser traça-da, segundo a f i r m a Marcos, terá de ser executada " d e f o r a p a r a dentro", ou seja, o Governador c o m u m a equipe indo b u s c a r j u n t o ao Govêrno Federal e aos investidores de f o r a os r e c u r s o s p a r a investir aqui. E dependen-do dependen-do êxito dessa política, as dificuldades econômicas do E s t a -do serão reduzidas.
O futuro govêrno vai
acabar a nossa inferioridade
I n t e r r o g a d o s ô b r e o p r o b l e m a d a disparidade entre os E s t a d o s d a região e as consequências dêsse f a t o r p a r a o Rio Grande do Norte, Marcos fêz u m histó-rico do p r o b l e m a da n o s s a infe-r i o infe-r i d a d e econômica e concluiu c o m a afirmativa de que, c o m a i n f r a - e s t r u t u r a de q u e o E s t a d o já dispõe e c o m u m p o u c o de agressividade, o f u t u r o Govêrno p o d e r á nos colocar em situação m e n o s incômoda d o que a atual.
i H i s t o r i a n d o o p r o b l e m a d a infe-rioridade do RN, disse Marcos: "Após o f i m da Segunda G u e r r a
e da G u e r r a d a Coréia, a econo-mia do Rio Grande do N o r t e
ex-p e r i m e n t o u u m a f a s e dinâmica. Houve n e s s a fase a exploração dos nossos minérios, principal-m e n t e a scheelita, que dava à s populações das zonas produto-r a s u m b o m nível de produto-renda. O algodão e r a u m a c u l t u r a vanta-josa. Havia u m a certa riqueza n a s regiões salineiras, Depois veio a séca de 1953. Aí, começou a que-da. A década de 60, t r a z e n d o a SUDENE, ressaltou a n o s s a dis-p a r i d a d e dis-p a r a com os demais Es-t a d o s d o NordesEs-te, pois é u m fe-n ô m e fe-n o fe-n o r m a l a cofe-ncefe-ntração de investimentos industriais n o s locais e n a s á r e a s m a i s ricas e mais povoadas, onde o m e r c a d o de c o n s u m o e as economias ex-t e r n a s são geralmenex-te maiores. Recife e Salvador, capitais dos dois m a i s i m p o r t a n t e s E s t a d o s nordestinos, capitalizaram os in-teresses dos investidores que a-ceitavam os acenos dos incenti-vos fiscais. A SUDENE,, obser-vando a desigualdade criada, im-pôs alguns obstáculos à implan-tação de novas i n d ú s t r i a s nesses dois centros, criando faixas de p r i o r i d a d e p a r a localização. En-tão, os investidores p a s s a r a m a p r o c u r a r novos p o n t o s do Nor-deste onde p u d e s s e m i m p l a n t a r suas fábricas. E p r e f e r i r a m o s c e n t r o s p r ó x i m o s aos m e r c a d o s de Recife, e Salvador, e ainda d e s c o b r i r a m Fortaleza. C o m o c e n t r o próximo de Recife, J o ã o Pessoa foi a cidade m a i s aqui-n h o a d a c o m p r o j e t o s iaqui-ndustriais, nessa nova fase. Natal ficou n u m
plano inferior, inclusive p o r q u e o Rio Grande do N o r t e n ã o dis-p u n h a de i n f r a - e s t r u t u r a dis-p a r a receber investimentos n e m o seu m e r c a d o c o n s u m i d o r e r a amplo. O que o Govêrno Cortez Perei-r a vai t e n t a Perei-r fazePerei-r é m o s t Perei-r a Perei-r aos investidores as atividades e m oue êles n o d e m investir no Rio Grande do N o r t e e obter lucros c o m p e n s a d o r e s . O êxito dêsses investimentos nos colocarão e m m e l h o r posição da que e s t a m o s hoje".
Vamos investir na agropecuária
Sôbre quais s e r i a m as ativida-des ideais p a r a receber investi-m e n t o s n o Rio G r a n d e do
Nor-te, respondeu Marcos que acha a c e r t a d o s os investimentos n a
agropecuária, e m c e r t a s regiões do E s t a d o ; os investimentos n a
indústria têxtil; a
industrializa-ção de couros e peles; e ainda os
investimentos na i n d ú s t r i a
ali-mentícia. E explicou seu p o n t o
de vista, esclarecendo que t o d o s
êsses setores citados são, de
u m a f o r m a m u i t o direta, ligados
à agricultura, c o m possibilidade, p o r t a n t o , de e m p r e g a r a m a i o r p a r t e da n o s s a população ativa.
Como o setor industrial, p o r si
só n ã o é capaz de absorver a
mão-de-obra ociosa, o que
signi-fica que o Govêrno terá de par-tir p a r a a dinamização d a s ati-vidades agropecuárias e de
ou-t r a s aou-tividades que, c o m meno-res investimentos, p o s s a m
pro-p o r c i o n a r novas o p o r t u n i d a d e s
de emprêgo, c o m o é o caso do
artezanato.
Segundo Marcos, a idéia
ini-cial do Govêrno é p o d e r investir, com r e c u r s o s federais, estaduais,
municipais e privados, u m a so-ma n a s atividades consideradas
ideais q u e represente a criação
de cêrca de 50 mil novos e m p r e -gos em cinco anos.
Disse o f u t u r o Secretário de P l a n e j a m e n t o que o E s t a d o terá de investir muito n a i n f r a e s t r u -t u r a , principalmen-te em es-tra- estra-das, e m telecomunicações, n o m e l h o r a m e n t o do sistema de dis-tribuição de energia elétrica de
Natal e de o u t r a s cidades, em s a n e a m e n t o básico, e e m o u t r o s setores, m a s t o d o s êles com ca-pacidade de fazer r e t o r n a r e m pouco t e m p o o investimento re-cebido.
F a l a n d o sôbre t u r i s m o , Mar-cos considerou o a s s u n t o u m p o n t o a e s t u d a r p r o f u n d a m e n t e . Acha êle que só depois desses estudos é que se poderia ter u m a idéia da viabilidade de ini-ciar, ou não, u m a política volta-da p a r a o t u r i s m o .
Vamos produzir mais minérios e exportar mais
For último, Marcos a f i r m o u
q u s "está nos p l a n o s do
Govêr-no o aproveitamento, da m e l h o r f o r m a possível, d a s n o s s a s rique-zas n a t u r a i s . A política de agri-c u l t u r a prevê a atuação n a s
á r e a s potencialmente irrigáveis, visando a c u l t u r a de p r o d u t o s que o solo e as condições climá-ticas p e r m i t e m . T a m b é m está n o s planos a utilização m a i s eco-nômica e m e n o s p r e d a t ó r i a dos
nossos r e c u r s o s minerais. P a r a
o a p r o v e i t a m e n t o d o sal preten-de o Govêrno p r o m o v e r u m
es-t u d o de viabilidade p a r a a
utili-zação d a s águas-mães d a s salinas n a p r o d u ç ã o de derivados
quí-micos. É b e m verdade que o Rio
G r a n d e d o N o r t e j á deixou
pas-sar as g r a n d e s o p o r t u n i d a d e s de
industrialização d a s suas
rique-zas n a t u r a i s , m a s t e n t a r e m o s
novas f ó r m u l a s " .
T a m b é m assinalou Marcos
que está n a linha do f u t u r o
Go-vêrno f o m e n t a r as exportações,
o que p o d e r á a c a r r e t a r a
eleva-ção dos níveis de renda n o Esta-do. O Govêrno c r i a r á u m núcleo
de orientação à exportação, a exemplo dos E s t a d o s d o Sul e
de alguns do Nordeste. E
tenta-r á tenta-resolvetenta-r o p tenta-r o b l e m a da n o s s a
e s t r u t u r a p o r t u á r i a e d a s n o s s a s
comunicações, p a r a que os
pro-d u t o s pro-do Rio Granpro-de pro-do N o r t e p o s s a m chegar m a i s facilmente ao m e r c a d o internacional.
Estado vai lançar um novo
produto no mercado externo:
o nosso velho
L e n i r o de 16 m e s e s o Rio Gran-de do N o r t e terá u m nôvo p r o d u -to n a sua p a u t a de exportação: o cal m a r i n h o . Tradicional p r o d u t o r de sal,que já foi u m a d a s suas
princi-pais f o n t e s de renda, o Rio
Gran-de do N o r t e assistiu de ano
pa-r a ano a desvalorização do p r o -duto, a s a t u r a ç ã o do m e r c a d o i n t e r n o e a falta de lucros
com-p e n s a d o r e s p a r a esta atividade. A explicação do f e n ô m e n o de
desvalorização do sal n o s seus
m e r c a d o s t e m u m único item:
falta de t r a n s p o r t e s ou
deficiên-cia nas. suas vias de escoamento.
Falta de t r a n s p o r t e é m a i s u m a f o r m a de expressão, pois,
na verdade, o que s e m p r e houve
sal.
— e agravou-se n o s ú l t i m o s
a n o s — foi a f a l t a de p ô r t o , de
terminal salineiro, a s s u n t o que
é discutido h á m a i s de u m a
dé-cada. P r o b l e m a que,
teoricamen-te, j á têve várias soluções
apre-sentadas, soluções q u e n u n c a
s a í r a m do papel, a n ã o ser n u
-ma solenidade, e m véspera de
eleição, q u a n d o foi lançada a
pe-d r a f u n d a m e n t a l d o p ô r t o de
Areia Branca. Isso n a década de 50, q u a n d o os t r a b a l h o s
executa-dos f i c a r a m apenas n e s t a p e d r a
f u n d a m e n t a l e simbólica.
MÃOS A OBRA
Depois de 1964 o a s s u n t o co-meçou a ser discutido m a i s
sé-riamente. B u r o c r a t i c a m e n t e , co-meçou a andar. F o r a m
consti-t u í d a s d u a s sociedades, c o m ca-pitais do Govêrno Federal (atra-vés d o D e p a r t a m e n t o Nacional de P o r t o s e Vias Navegáveis) e dos salineiros da região de Ma-cau e Areia Branca. Objetivo: a c o n s t r u ç ã o de dois t e r m i n a i s sa-lineiros.
E m Macau, seria c o n s t r u í d o u m pôrto teleférico. U m sistema de r o l d a n a s e esteiras, levaria o sal até os navios que f i c a r i a m f u n d e a d o s ao largo d a costa.
E m Areia Branca, seria cons-t r u í d o u m pôrcons-to-ilha, fincado a 16 milhas da costa, com capaci-dade de a r m a z e n a m e n t o de até 100 mil toneladas de sal, até ali t r a n s p o r t a d a s e m chatas de ca-pacidade variável e n t r e 600 e
1.200 toneladas.
Os dois g r u p o s b r i g a r a m du-r a n t e mais de t du-r ê s anos até que o Govêrno Federal, depois de minucioso estudo, optou p o r u m a única solução que atendês-se às reivindicações dois grupos: o pôrto-ilha de Areia Branca.
Constituída a c o m p a n h i a (TERMISA — T e r m i n a i s Salinei-ros S / A ) , o Govêrno Federal
cou c o m 51% d a s suas ações, e
o r e s t a n t e dividido p o r u m
con-sórcio de salineiros de Macau (24.5% de ações) e u m consócio dos salineiros de Areia B r a n c a (24.5% de ações).
P a r a dar condições
competiti-vas a cada u m dos grupos, o
Go-verno p a t r o c i n o u u m convênio,
assinado p o r a m b o s os grupos,
d e t e r m i n a n d o que, como a
dis-tância de Macau p a r a o
pôrto-ilha é o d ô b r o d a distância de
Areia Branca, o t r a n s p o r t e do
sal de Macau p a r a o p ô r t o fôsse
feito p o r b a r c a ç a s c o m o d ô b r o
d a capacidade d a s que serviriam
Areia Branca, c o m p e n s a n d o des-ta m a n e i r a a distância
geográ-fica.
Definidas estas políticas, a
TERMISA, s e m n e n h u m alarde, deu os p r i m e i r o s p a s s o s p a r a a c o n s t r u ç ã o da o b r a (cêrca de 40 milhões de cruzeiros), a p a r t i r de f i n a n c i a m e n t o s ( E x i m b a n c k n o exterior e o B N D E ) , ao mes-m o t e mes-m p o e m que encomendava
n o s E s t a d o s Unidos os seus
com-p o n e n t e s mecânicos. Vencida
m a i s esta etapa, era iniciar a
o b r a , o que foi feito, t a m b é m
s e m m u i t o alarde, n o último dia
19.
C PÔRTO-ILHA
Cs d i r e t o r e s d a TERMISA e
do consórcio internacional que executará a obra, r e p r e s e n t a d a
pela C o n s t r u t o r a "Ribeiro Fran-co", já estiveram em Fortaleza e Areia Branca, visitando os dois "canteiros de o b r a " .
G r a n d e p a r t e do e q u i p a m e n t o f a b r i c a d o n o s E s t a d o s Unidos j á se e n c o n t r a em Fortaleza — que t e m p ô r t o c o m capacidade de receber navios de g r a n d e s cala-dos— onde está sendo m o n t a d o p a r a depois ser t r a n s p o r t a d o pa-ra Areia B r a n c a e m b a r c a ç a s de grande capacidade.
Possivelmente, ainda, e m feve-reiro, ou n o início de m a r ç o , o
pôrto-ilha vai começar a ganhar
f o r m a , logo depois de f i n c a d a s a s estacas que s u s t e n t a r ã o as es-t r u es-t u r a s do es-terminal salineiro.
A p a r t i r de e n t ã o — segundo palavras do d e p u t a d o Antônio
i xorêncio de Queiroz, ex-diretor
da TERMISA e u m dos idealiza-dores do pôrto-ilha — t u d o será "como a a r m a ç ã o de u m grande b r i n q u e d o de crianças".
Já com os r e c u r s o s consegui-dos p a r a a execução total da obra, existem as condições ne-cessárias p a r a o c u m p r i m e n t o do c r o n o g r a m a d a obra, que es-tabelece u m limite m á x i m o de 16 meses p a r a a sua conclusão.
E m t ê r m o s de economia nacio-nal, serão necessárias apenas t r ê s anos p a r a o r e t o r n o de t o d o o capital investido.
UM NÔVO MERCADO
E s t u d o s realizados demons-t r a m que o nosso sal — f o r a os elevados custos de t r a n s p o r t e s ,
que serão corrigidos c o m o iní-cio de atividades do t e r m i n a l sa-lineiro — t e m absolutas
condi-ções competitivas n o m e r c a d o internacional, c o m custos de pro-dução b e m abaixo dos o u t r o s
paises p r o d u t o r e s .
Mais: a atual p r o d u ç ã o , sufici-ente a t u a l m e n t e a p e n a s p a r a su-p r i r o m e r c a d o interno, su-p o d e r á
ser a u m e n t a d a m u i t a s vezes, pois inclusive existem áreas de cristalização ociosas n a s g r a n d e s salinas que p o d e r ã o ser aprovei-t a d a s dêsde que h a j a u m mer-cado.
Antevendo êste nôvo m e r c a d o , os p r o d u t o r e s de sal do Rio G r a n d e do N o r t e j á estão se p r e p a r a n d o p a r a garantir u m i n s t r u m e n t o m a i s eficiente de comercialização — as cooperati-vas. Vários e n t e n d i m e n t o s j á fo-r a m m a n t i d o s nêste sentido e vários p a s s o s f o r a m d a d o s p a r a a constituição de d u a s coopera-tivas de comercialização de sal. Uma c o m p r e e n d e n d o os
gran-des e médios p r o d u t o r e s , o u t r a p a r a os p e q u e n o s p r o d u t o r e s . Cem isso, se conseguirá a m a n u
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M a r i o Pôrto:
é
'Em matéria de minério, Rio Grande do
Norte está na era da pedra lascada"
O desembargador Mario Moa-cyr Pôrto, Diretor-Presidente da Mineração Tomaz Salustino S/A — maior emprêsa de mineração do Estado e a emprêsa do Nor-deste que, individualmente, mais exportou no ano de 1970 — ca-racteriza a situação da nossa produção mineral com a seguin-te expressão: "estacionamos na era da p e d r a lascada, pois pes-quisamos através dos achados dos garimpeiros e quebramos ou lascamos pedras a marreta".
Nesta entrevista exclusiva con-cedida a RN-ECONÔMICO, o desembargador Mário Pôrto tra-ta do problema da atividade mi-nerária no Estado, indicando f ó r m u l a s capazes de elevar nos-sa atual produção de scheelita. Ainda nesta entrevista, êle abor-da controvertidos temas abor-da eco-nomia brasileira, tais como a ne-cessidade de planejamento n a área governamental, e t a m b é m analisa a recente declaração do Presidente Médici: "a economia vai bem m a s o povo ainda vai mal". Falando sôbre minérios, êle faz ainda u m a b e m humora-da comparação: os mineradores da região e as autoridades "per-manecem na melancólica situa-ção que costumam padecer os maridos enganados: são os últi-mos a saber o que têm, aonde têm e quanto têm".
A ENTREVISTA
RN-ECONÔMICO — QUE SE PODE FAZER DE IMEDIATO PELA INTENSIFICAÇÃO DA PRODUÇÃO MINERAL DO RIO GRANDE DO NORTE?
Mário Pôrto — E m
conferên-cias, entrevistas, exposições, arti-gos para jornais e revistas, te-nho dito e repetido, com tauto-lógica insistência, que o
proble-ma n. 1 da atividade minerária no Rio Grande do Norte é a pes-quisa. Nesta faixa, como se sabe, pouco se tem feito e com exaspe-rante lentidão. Por oportuno, impõe-se registrar que, no plano da pesquisa mineral, o avanço tecnológico é dos mais notáveis. Há, hoje, os chamados "censo-res" remotos, que utilizando as mais recentes conquistas da ele-trônica, inclusive raio laser, po-dem detectar, de aviões ou saté-lites, ocorrências minerais e es-tabelecer as suas aproximadas dimensões. Como já perdemos demasiado tempo, faz-se indis-pensável queimar etapas atrvés da seleção e uso dos mais a-vançados métodos de investiga-ção técnico-científica. Estaciona-mos, de certo modo, na era da "pedra lascada", pois pesquisa-mos através dos achados dos ga-rimpeiros e quebramos ou lasca-mos pedras a m a r r e t a e "picho-te". Há quem afirme que já se varreu, através de levantamen-tos aéreo-fotogramétricos, n ã o só o Nordeste como as áreas do território nacional mais promis-soras sob o ângulo do interêsse mineralógico. É possível. Acon-tece que os mineradores da re-gião, bem como as suas autori-dades, permanecem na melancó-lica situação que c o s t u m a m pa-decer os maridos enganados: São os últimos a saber o que têm, aonde têm e quanto têm. Sem acesso aos protocolos do Sião, os proprietários e minera-dores estão condenados a parti-cipar de u m a corrida desigual com outras emprêsas melhores informadas. Bom e oportuno se-rá aue o Sr. Governador eleito do Estado, que tão empenhado se m o s t r a em por u m tigre na máquina administrativa, tentasse u m a abordagem junto às autori-dades competentes no sentido de obter informes sôbre o que se fez e o que se faz, através de le-vantamentos aerofotogramétri-cos e medidas correlatas, a res-peito da identificação e
dimen-sionamento das nossas riquezas minerais, notadamente em rela-ção à chamada província scheeli-tífera. Finalmente, nós t a m b é m somos filhos de Deus.
Por que economia vai
bem e povo vai mal?
RN-ECONÔMICO — O ANO DE 1970 MARCOU PARA O BRA-SIL UMA EXPRESSIVA ASCEN-ÇÃO NO PLANO DA ECONO-MIA. COMO ENTENDER, EN-TÃO, QUE O PADRÃO DE VIDA DO POVO NÃO SE IDENTIFI-QUE COM OS ALTOS ÍNDICES DO DESENVOLVIMENTO AL-CANÇADO?
Mário Pôrto — O Presidente
da República, sensível aos desní-veis e injustiças que se consta-t a m na parconsta-tilha global da renda do país, não vacilou em procla-m a r que a "econoprocla-mia vai beprocla-m m a s o povo ainda vai mal". Se estas não são exatamente as suas palavras, é certo, porém, que êste foi o sentido fiel do seu pronunciamento, tão verdadeiro quanto oportuno. Aparentemen-te, há u m a antinomia entre u m a economia realmente em desen-volvimento e u m povo que ain-da se debate nas agruras de u m pauperismo confrangedor. Ao que tudo indica, a dificuldade resulta do impasse na concilia-ção dos reclamos de u m a justi-ça distributiva com as d u r a s im-posições da produtividade eco-nômica. A renda cresce em fa-vor de u m a minoria ao invés de repartir-se, com equanimidade, entre todos.
A distorsão é, talvez, o mais grave problema da c o n j u n t u r a nacional. E m mensagem enviada ao Congresso, o ano passado, o
Chefe do Govêrno não deixa dú-vidas quanto à dolorosa existên-cia do problema e a urgente ne-cessidade de reduzir as nefastas consequências do seu crescente agravamento: "Sem quebra do desenvolvimento econômico do país, c u j o ritmo se deve não só manter, mas, ainda, acelerar quanto possível impõe-se, — con-comitantemente, a adoção de medidas pelas quais se venha distribuir a renda global de mo-do mais equânime, a fim de que tôdas as c a m a d a s da população s e j a m beneficiadas pelo aumen-to da riqueza comum". A verda-de é que não basta acumular ca-da vez mais; é indispensável dis-tribuir cada vez melhor. A recen-te resolução de fazer participar o empregado nos lucros das em-presas, que, de resto, constitui m a n d a m e n t o constitucional, tra-duz u m a t o m a d a de posição no sentido de alcançar-se u m a re-dução do fosso que separa os poucos que têm muito dos mui-tos que têm muito pouco. E já que estamos com a m ã o n a mas-sa, não seria descabido indagar: Que remédio ou remédios me-lhor q u a d r a r i a m p a r a remover ou atenuar a distorsão aponta-da? a adoção de medidas que vi-sem promover melhor a distri-buição da terra, mediante modi-ficações no regime de sua posse e uso, a f i m de atender aos prin-cípios de justiça social e ao au-mento da produtividade, como recomenda o § 1, do art. 1, do E s t a t u t o da Terra? A repressão ao abuso do poder econômico, caracterizado pelo domínio dos mercados e eliminação da con-corrência e o aumento arbitrá-rio dos lucros, como determina o inciso VI, do artigo 157, da Constituição Federal? A redução da carga tributária que incide sôbre o pequeno p r o d u t o r e o pequeno comerciante? Ou, final-mente, u m a lei que obrigue o cumprimento efetivo de tôda a nossa legislação que, de u m mo-do ou de outro, estabelece os corretivos p a r a u m a mais justa partilha da renda global da na-ção? Ninguém, em são consciên-cia, poderá opor-se ás medidas que se destinem a u m a real inte-gração social. A maioria, pela óbvia razão das suas aflitivas di-ficuldades e a minoria privilegia-da por precaução ou b o m senso, pois quem vê as b a r b a s do seu vizinho arder deve por as suas de môlho.
0 essencial para
administrar é a equipe
RN-ECONÔMICO — O PLA-NEJAMENTO, NOTADAMENTE NA FAIXA DA ECONOMIA, É PRESUPOSTO N E C E S S Á R I O AO ÊXITO DA AÇÃO GOVER-NAMENTAL?Mário Pôrto — Não sou u m
iniciado nos segredos da Econo-mia e muito menos nos esotéri-cos meandros da Política Admi-nistrativa. Contudo, por conside-ração à pergunta vai a temerida-de da resposta. Planejamento a Curto Prazo é cautela recomen-dável. A longo Prazo é mais u m a homenagem que se presta a u m cacoete da época que u m a neces-sária providência a bem da efici-ência da administração. E m u m país de economia liberal, com peculariedades, características e contradições que dificilmente se equacionam e se resolvem à luz de conceitos apriorísticos e da cômoda disciplina dos parâme-tros, planejar a base de contro-les remotos é pretender o mila-gre geométrico do encontro das paralelas antes do infinito. Com perdão da má palavra, é mais exercício ao gôsto de advinhos que válida coordenação de fato-res e valofato-res que ensejariam a correta escolha dos meios p a r a o êxito garantido dos resultados. O essencial p a r a bem adminis-t r a r — que se me p e r m i adminis-t a m o truísmo — consiste, sobretudo, na. escolha criteriosa da equipe a quem se pretende confiar a ad-ministração e adoção de méto-todos de trabalho adequados, não segundo as sugestões do úl-timo compêndio, m a s consoante as motivações da realidade vi-gente. Se depois disto e em face disto o êxito não coroar o esfor-ço, só restará ao governante frus-tado a saída de m a n d a r tocar u m tango argentino, como reco-menda, melancolicamente, o poe-ta Manoel Bandeira, que foi u m a das nossas maiores autori-dades em fracassos e decepções. Nada, portanto, de tentar o má-gico expediente de prever e pro-ver o futuro, pois esta área já es-tá tomada pelas pitonisas e fa-bricantes de horóscopos. Um go-vernante não se pode dar ao luxo de escrever laboriosamente er-rado através de linhas aparente-mente certas. O presente é, sem dúvida, u m passado virtual, m a s
o futuro, em têrmos de política administrativa a longo prazo, não é u m a projeção do presente ou esfinge que se deixe decifrar pelas cerebrinas elocubrações de técnicos e futurologos. Há de se dizer que o meu ceticismo é o f r u t o da minha ignorância e que não sendo u m "expert", a minha opinião, em assunto de tão gran-de transcedência, não passa gran-de u m leviano palpite de u m leigo. Acontece, porém, que autorida-des em economia da mais alta qualificação não pensam de mo-do diferente. Chamo a debate, p'ra princípio de conversa, o Mi-nistro Delfim Neto, que sôbre a pendência assim se pronuncia:
"Estremeço ao ver u m a pro-jeção de 5 anos levada a sério; não disfarço o meu tédio dian-te de uma outra de 10 anos e não escondo a irritação se se t r a t a de prazos maiores. Perco a paciência diante da impos-t u r a da projeção e da irres-ponsabilidade do falso tecni-cismo de alguns planejadores e ainda do charlatanismo fes-tejado de todos os futurolo-gos".
Discordo da candente lingua-gem do notável economista, m a s não regateio aplausos ao bom senso e procedência das suas conclusões. Por outro lado, cons-titui perigo equívoco transferir para a área governamental as diretrizes efetivamente válidas em relação à emprêsa privada. É ainda o Ministro Delfim Neto quem adverte: "Seria tolice ain-da maior supor que pelo f a t o de o planejamento da ação indivi-dual ou da emprêsa ser conve-niente, fica provado que o pla-nejamento da economia seja igualmente conveniente". O Rio Grande do Norte — que nos re-levem a afoiteza da subversiva afirmação — é u m E s t a d o po-tencialmente rico. As suas con-sideráveis riquezas minerais, as grandes reservas de água subter-rânea que sabidamente dispõe, reservas estas que a b r e m p a r a a agricultura e outras atividades perspectivas altamente promis-soras, são fatores ou valores que proporcionam f u n d a d a s esperan-ças de u m próximo e satisfató-rio desenvolvimento. Unido, co-m o o quer o Sr. Governador elei-to, queimará etapas e despertará da m o d o r r a em que se encontra, pois aos últimos muitas vêzes se reserva a surpresa de colocar-se entre os primeiros.
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marcos aurélio de sá * . AFERN EM T E R E S I N A O economista F e r n a n d o Paiva, A d m i n i s t r a d o r Geral da APERN, esteve e m m e a d o s dêste m ê s em Teresina, p a r a cuidar d a implan-tação n a q u e l a capital de u m a Associação de P o u p a n ç a e E m p r é s -timo. F e r n a n d o m a n t e v e conta-tos c o m a u t o r i d a d e s políticas e financeiras do Piauí, p a r a obser-var quais as faixas de aplicação que m a i s se c o a d u n a m c o m o ti-p o de r e n d a dos teresinenses. Satisfeito c o m os r e s u l t a d o s de sua viagem, F e r n a n d o i n f o r m a que a APE de Teresina t e r á co-m o A d co-m i n i s t r a d o r Geral Luiz Sérgio Barreto, que e,m breve se deslocará e m definitivo p a r a lá. "Caixa F o r t e — Associação de P o u p a n ç a e E m p r é s t i m o " será a razão social do e m p r e e n d i m e n t o do g r u p o APERN n a capital piauiense. AUMENTO DE ARRECADAÇÃOA idéia inteligente do Secretá-rio de Finanças da P r e f e i t u r a de Natal, coronel Genival Cândido, de s o r t e a r e n t r e os natalenses e m dia c o m os i m p o s t o s predial e territorial u r b a n o u m a série de p r ê m i o s milionários, foi respon-sável pelo a u m e n t o da arrecada-ção de i m p o s t o s pela P r e f e i t u r a e m mais de 150 p o r cento sôbre o exercício de 196S. Milhares de h a b i t a n t e s d a cidade que n u n c a haviam pago i m p o s t o s procura-r a m os p o s t o s de aprocura-rprocura-recadação, habilit,ando-se ao sorteio dos prêmios.
SIMAS EM MARÇO
Tiago Gadelha, u m dos
di-r e t o di-r e s de Simas Industdi-rial, i n f o r m a que até o p r ó x i m o
m ê s de m a r ç o será inaugura-da a instalação inaugura-da nova fabri-ca, n a Av. Salgado Filho A m a i o r p a r t e dos equipamen-tos i m p o r t a d o s d a Alemanha já está em Natal, f a l t a n d o a-penas algujmas m á q u i n a s , que já f o r a m e m b a r c a d a s e n ã o t a r d a r ã o a chegar ao n o s s o p ô r t o . Segundo disse Tiago, o
valor das i m p o r t a ç õ e s levadas a efeito pela sua i n d ú s t r i a a-tingiu 150 mil dólares. E m compensação, Simas Industrial disporá do mais m o d e r -n o c o -n j u -n t o p a r a fabricação de balas, no Brasil, c o m u m a capacidade inicial de p r o d u ç ã o de 6 t o n e l a d a s / d i a p o d e n d o ser elevada a até 12 toneladas. O valor do p r o j e t o de S i m r s
I n d u s t r i a l é de 5 milhões de cruzeiros. Porém, Tiago Gade-lha prevê que em j u n h o deve-r á ser e n c a m i n h a d o à SUDE-N E u m pedido de ampliarão, p a r a que a sua i n d ú s t r i a pas-se a produzir pastilhas e gcuna de mascar.
PESQUISA NO SUL
Por o u t r o lado, Tiago Ga-delha ainda i n f o r m a que está r r n d o realizada n o Sul do país u m a pesquisa e m t ô r n o d a s
possibilidades do m e r c a d o de doces de f r u t a s regionais do Nordeste ( c a j u , abacaxi, côco, m a n g a e c a s t a n h a ) . De acordo com os resultados dessa pes-quisa, Simas I n d u s t r i a l passa-r á a lançapassa-r os seus p passa-r o d u t o s no Rio e e m São Paulo. As oossibilidades de exportação t a m b é m n ã o são d e s p r e s a d a s p o r Tiago, que idealiza man-d a r p a s s a s man-de c a j u p a r a os Es-t a d o s Unidos.
OBELISCO CONSTRÓI
O engenheiro Fabiano Veras, da C o n s t r u t o r a Obelisco Ltda., i n f o r m a que esta e m p r ê s a está, atualmente, t r a b a l h a n d o n a s se-guintes obras: c o n s t r u ç ã o de três agências postais telegráficas n o I n t e r i o r do E s t a d o ; amplia-ção e r e f o r m a s nos p r é d i o s da E m p r ê s a Brasileira de Correios
Telégrafos de Nr.tal e Mossoro; c o n s t r u ç ã o de u m reservatório d'água, e m Mossoró, p a r a a CAERN, c o m capacidade p a r a
600 mil litros. Declara Fabiano, e m c a r t a à r e d a ç ã o de RN-ECO-NÔMICO, que a i n d ú s t r i a de c o n s t r u ç ã o civil n o Rio Grande do N o r t e vai a p r e s e n t a r u m ex celente volume de obras, "o que, s e m dúvida nenhufcna, vai ofere-cer u m b o m m e r c a d o de traba-lho n e s t a atividade dinâmica de nossa economia".
CULTURA DO CAJUEIRO
Betovem Azevedo, que já
a t u o u no setor da a d m i n i s t r a ç ã o pública, j á militou n a i m p r e n s a
e agora ingressa otimista n a ini-ciativa privada, está entusiasma-do c o m as possibilidades entusiasma-do c a j u n a zona agrestina do Rio Grande do Norte. Betovem, que é u m dos diretores da CAPESA
— C a j u e i r o Agropecuária S/A — a f i r m a que a c u l t u r a do c a j u vai t o m a r o lugar d a lavoura d s mandioca em pouco tempo, n a região Agreste, u m a vez que exis-te c o n s u m o e m e r c a d o g a r a n t i d o p a r a t o d o s os p r o d u t o s e sub-p r o d u t o s derivados daquela ana-cardiácea, principalmente quando se t r a t a de exportação. I n f o r -m a Betove-m que j á está plane-j a n d o e executará, a c u r t o pra-zo, u m a associação ao p r o j e t o da CAPESA de u m a p l a n t a ç ã o racional de m i l h a r e s de p é s de c a j u , d e n t r o dos moldes m a i s avançados d a tecnologia agríco-la. A vantagem dos c a j u e i r o s d e n t r o de u m a fazenda é que es sas árvores servem de abrigo ( s o m b r a ) p a r a o gado, e n ã o re-p r e s e n t a m desre-pesas. Além d o mais: do c a j u e i r o n a d a se p e r d e . Até as folhas m o r t a s se t r a n s -f o r m a m em -fertilibante da t e r r a . TAVARES EM FÉRIAS
Antônio Tavares, gerente d a dependência de Natal do Banco d o N o r d e s t e do Brasil S/A este-ve de férias d u m n t e o m ê s de janeiro. E m seu lugar, ficou José Alberto de Souza, Chefe de u m dos d e p a r t a m e n t o s do Banco em Fortaleza. Segundo os co-m e n t á r i o s políticos, Tavares che gou a ser u m dos convidados pe-io Governador Cortez Pereira p a r a a Presidência do Banco do Rio Grande do Norte. Motivos particulares o i m p e d i r a m de a-ceitar o c h a m a m e n t o .