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METRÔ DO RIO DE JANEIRO LINHA 4

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Academic year: 2022

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PARECER

METRÔ DO RIO DE JANEIRO – LINHA 4

PARECER SOBRE PREÇOS UNITÁRIOS – ESTAÇÃO GÁVEA

Divulgação

Consulente: CONCESSIONÁRIA RIO-BARRA

ABRIL/2020

ALDO MATTOS CONSULTORIA http://www.aldomattos.com

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ALDO MATTOS CONSULTORIA 2

ÍNDICE

1. INTRODUÇÃO ... 4

2. DOCUMENTOS DE REFERÊNCIA ... 5

3. OBRA ... 6

4. CONTRATO DE CONCESSÃO ... 10

5. AUDITORIA DO TCE-RJ ... 12

6. ORIGEM DOS PREÇOS CONTRATUAIS ... 13

6.1. Contratos no 1027/87 e 1028/87 ... 13

6.2. Diretrizes da Construção (DC3) ... 14

6.3. Discriminação Orçamentária (DC’) ... 15

7. PREMISSAS DA ANÁLISE ... 17

7.1. CPU-paradigma e fontes de preço ... 17

7.2. Custo da mão de obra ... 19

7.2.1 Salários ... 19

7.2.2 Encargos sociais ... 19

7.2.3 Encargos complementares ... 21

7.3. Custo de equipamentos ... 28

7.4. Custo de materiais e serviços auxiliares ... 28

7.5. Reajustamentos ... 28

8. BDI ... 29

8.1. Quartis ... 30

8.2. Cenários do BDI ... 34

8.2.1 Cenário 1 – BDI Q3 ferrovia ... 35

8.2.2 Cenário 2 – BDI Q3 obra de grande complexidade ... 36

8.2.3 Cenário 3 – BDI Q3 ponderado ... 38

9. ADMINISTRAÇÃO LOCAL ... 41

10. ANÁLISE DOS PREÇOS UNITÁRIOS ... 44

10.1. Item 4.10.2.2.1 – Reforço do solo com injeção ... 45

10.2. Item 7.07.1.1 – Bombas submersas – arrendamento ... 46

10.3. Item 7.07.2.1 – Bombas submersas – operação ... 47

10.4. Item 15.03.1.2.1 – Escavação subterrânea – a fogo ... 48

(3)

10.5. Item 15.03.1.9 – Escavação a fogo ... 50

10.6. Item 15.03.3 – Carga, transporte e descarga de material ... 52

10.7. Item 15.03.4 – Espalhamento e compactação de material em bota‐fora ... 56

10.8. Item 15.03.5.1.8 – Tirantes de resina l = 4,5m ... 59

10.9. Item 15.03.5.1.10 – Tirantes de resina l = 6,0m ... 61

10.10. Item 15.03.5.4.1 – Escoramento da escavação – enfilagem ... 63

10.11. Item 15.03.6.1 – Concreto projetado ... 65

10.12. Item 15.03.8.1.1 – Fornecimento e lançamento de concreto fck 12,0 MPa ... 70

11. CONCLUSÕES ... 72

12. ANEXOS ... 77

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ALDO MATTOS CONSULTORIA 4

1. INTRODUÇÃO

Trata-se de consulta formulada à ALDO MATTOS CONSULTORIA (“Consultoria” ou

“Consultor”) pela Concessionária Rio Barra S.A. (“CRB”), detentora do Contrato de Exploração em Caráter Exclusivo dos Serviços Públicos de Transporte Metroviário de Passageiros da Linha 4 do Metrô na Cidade do Rio de Janeiro (“Contrato de Concessão”), para avaliação de 12 (doze) preços-paradigma do TCE-RJ referentes à execução das obras brutas dos poços da Estação Gávea.

As obras brutas são aquelas necessárias para garantir a estabilidade da estrutura, que até o momento recebeu apenas o revestimento primário. Os serviços objeto da avaliação são essencialmente aqueles relacionados às escavações para adequação da geometria do poço, bem como a execução do concreto secundário.

De início, vale destacar que linha de raciocínio do Consultor não foi propor composições de custos alternativas às do TCE-RJ, mas efetuar uma análise crítica das composições proposta pelos auditores. Ao longo das páginas deste Parecer são analisados em detalhe os conceitos adotados pela auditoria, os preços-paradigma recomendados pelo TCE-RJ e os critérios de medição em controvérsia.

Nesse contexto, baseando-se nas melhores práticas de Engenharia de Custos, expomos os comentários da Consultoria ao processo de elaboração das composições de custos referenciais em capítulos organizados didaticamente, nos quais avaliamos elementos como custo da mão de obra, índices dos insumos nas composições de custos e BDI. A fim de facilitar o entendimento do Parecer, dividimos nossa análise em premissas gerais e condições específicas de preços.

Frisamos que nosso trabalho não contempla a análise de aspectos jurídicos da licitação ou do Contrato de Concessão, a realização de verificações contábeis, a aferição in loco de quantitativos de serviços ou a validação técnica de projetos de Engenharia.

Passamos a opinar.

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2. DOCUMENTOS DE REFERÊNCIA

Documentos da concessão

• Edital de licitação PED ERJ no 02-98 – Metrô;

• Contrato de Concessão no L4/98;

• Termos Aditivos no 01, 02, 03 e 04;

Documentos da auditoria

• Relatório de Auditoria no 858/2015 – Processo nº 103.971-2/2016;

• Cotações de preços fornecidas pela Rio Trilhos;

Documentos do TCU

• Acórdãos TCU nº 325/2007, 2369/2011, 2622/13;

• Roteiro de Auditoria de Obras Públicas;

• Orientações para Elaboração de Planilhas Orçamentárias de Obras Públicas;

Sistemas referenciais de preços (em ordem de prevalência)

• EMOP – Empresa de Obras Públicas;

• SICRO – DNIT;

• SINAPI – Caixa Econômica Federal;

• SCO-RIO – Secretaria Municipal de Obras da Cidade do Rio de Janeiro;

• ABEMI – Associação Brasileira de Engenharia Industrial

Convenções coletivas de trabalho

• SINICON – SITRAICP 2011-2012;

• SINAENCO e SINTCON-RJ 2011-2012.

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ALDO MATTOS CONSULTORIA 6

3. OBRA

A Linha 4 do Metrô do Rio de Janeiro tem por objetivo atender à demanda de transportes entre as regiões da Barra da Tijuca e Zona Sul, e está sendo realizada por meio do Contrato de Concessão, firmado pelo Estado do Rio de Janeiro com a Concessionária Rio Barra S/A.O valor da Contrato, incluindo a parcela de investimentos em material rodante e sistemas operacionais, é da ordem de R$9,6 bilhões (data-base dez/2011).

A Linha 4 é a maior obra de mobilidade da cidade desde os anos 80 e deverá transportar mais de 300 mil pessoas por dia quando estiver com operação total. Sua implantação consiste na execução de 16 km de via operacional e construção de seis estações metroviárias: Jardim Oceânico, São Conrado, Gávea, Antero de Quental, Jardim de Alah e Nossa Senhora da Paz (Fig. 1).

Secretaria de Transportes

Fig. 1 – Trajeto da Linha 4

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A obra foi dividida em dois trechos distintos:

Trecho Sul – compreende os túneis de via executados com TBM (Fig. 2 e Fig. 3) e as estações Nossa Senhora da Paz, Jardim de Alah e Antero de Quental, além do Poço Igarapava (poço de ventilação/emergência). O projeto e a execução das obras estão sob a responsabilidade do Consórcio Linha 4 Sul (CL4S);

Trecho Oeste – compreende os túneis de via, executados através do método NATM (Fig. 4 e Fig. 5), a ponte estaiada sobre o Canal da Barra e as estações Jardim Oceânico, São Conrado e Gávea. O projeto e a execução das obras estão sob a responsabilidade do Consórcio Construtor Rio Barra (CCRB).

Pelas informações coletadas pela Consultoria, trata-se de uma obra emblemática, de alta complexidade pela inovação tecnológica e, sobretudo, pelos quantitativos que causam espanto a qualquer profissional da área de engenharia. O túnel entre a Barra da Tijuca e São Conrado, devido às características geológicas e topográficas da Cidade do Rio de Janeiro, possui extensão total de mais de 5 km, sendo o maior túnel metroviário do mundo entre duas estações.

OEC

Fig. 2 – TBM fabricado na Alemanha

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ALDO MATTOS CONSULTORIA 8 Via Trólebus Fig. 3 – Túnel de via acabado, executado pelo método TBM

Divulgação

Fig. 4 – Túnel de via em execução pelo método NATM

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Divulgação

Fig. 5 – Túnel de via acabado, executado pelo método NATM

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ALDO MATTOS CONSULTORIA 10

4. CONTRATO DE CONCESSÃO

O Contrato de Concessão foi firmado entre o Estado do Rio de Janeiro e a CRB em dezembro/1998 com prazo de execução das obras de 5 (cinco) anos e exploração dos serviços de transporte de passageiros por 20 (vinte) anos. Entretanto, a ordem de início só foi dada em março/2010. As obras foram iniciadas pelo Trecho Oeste em março/2010, enquanto as obras do Trecho Sul começaram em outubro/2012.

O valor do Contrato de Concessão, após quatro termos aditivos (TA), totaliza R$9.643.697.011,65 (data-base dezembro/2011).

TA Data Objeto

01 02/2010 • Alteração de cláusulas contratuais – redução da tarifa para os preços das Linhas 1 e 2

Mudança de traçado – interligação das Linhas 4 e 1 na estação General Osório

Mudança do regime de empreitada integral para o de preço unitário

Introdução de uma planilha de preços unitários, com preços reaproveitados dos contratos 1027/87 e 1028/87 referentes, respectivamente, à construção dos trechos do metrô Botafogo- Siqueira Campos e Siqueira Campos-General Osório (OBS: a atualização dos preços de 1987 para 2010 envolveu conversão de valores através de várias moedas brasileiras)

02 08/2012 • Alteração da metodologia de execução do túnel do Trecho Sul de NATM para TBM em razão da alteração do traçado imposta pelo Estado

• Inclusão de eventos de medição para viabilizar aquisição do TBM, necessário para solução particular de execução do novo traçado do Trecho Sul

03 10/2012 • Reequilíbrio econômico-financeiro do Contrato

• Definição do traçado definitivo da Linha 4

• Elaboração de planilha de preços e quantidades para todos os serviços

04 12/2015 • Alteração da planilha contratual, com acréscimo e redução de quantidades e inclusão de serviços novos

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Observamos que o Contrato de Concessão da Linha 4 é um instrumento com características sui generis — trata-se de um contrato de concessão precedido de obra pública,1 ainda que se assemelhando a contratos de concessões comuns, nos quais o Poder Concedente e o concessionário pactuam o pacote de investimentos, disciplinam níveis de eficiência do serviço a ser prestado, estipulam a política tarifária e estabelecem penalidades por descumprimento.

Nesse contexto, o Poder Concedente estabeleceu as autarquias encarregadas da fiscalização da execução do objeto contratual. Por delegação do Estado, coube: (i) à Agencia Reguladora de Serviços Públicos Concedidos do Estado do Rio de Janeiro (“ASEP-RJ”), sucedida pela Agência Reguladora dos Serviços Públicos Concedidos de Transportes Aquaviários, Ferroviários, Metroviários e Rodovias (“AGETRANSP”), a fiscalização da prestação dos serviços de transporte de passageiros; e (ii) à Companhia do Metropolitano do Rio de Janeiro (“Metrô”), sucedida pela Companhia de Transportes sobre Trilhos do Estado do Rio de Janeiro (“Rio Trilhos”), a fiscalização técnica na fase de implantação das obras civis.

Assim, no Contrato de Concessão da Linha 4 o que se vê é a atuação da Rio Trilhos como ente fiscalizador, atestando medições mensais minuciosas, com um nível de detalhe que desce, por exemplo, a volume de concreto e peso de armação estrutural. Em tese, a atuação do Poder Concedente deveria se pautar pela gestão de um cronograma de investimentos, pelo monitoramento do avanço das obras por meio de marcos de controle, e pela aferição do desempenho do serviço prestado ao usuário após a conclusão das obras e início da operação comercial da linha.

Todavia, esse não foi este o cenário observado na Linha 4. Ao que tudo indica, é dessa interpenetração dos conceitos de concessão e obra que deriva a maior parte dos pontos controvertidos no Relatório de Auditoria que ora comentamos.

1 O objeto do Contrato de Concessão é a exploração, precedida de obra pública, pela CRB, em caráter exclusivo dos serviços públicos de transporte metroviário de passageiros da Linha 4.

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ALDO MATTOS CONSULTORIA 12

5. AUDITORIA DO TCE-RJ

Em 2015, o TCE-RJ realizou nova auditoria de conformidade nas obras da Linha 4, cujo objetivo era avaliar se os recursos públicos estavam sendo aplicados de acordo com a legislação vigente.

A auditoria teve os seguintes focos:

a) Verificação dos serviços medidos, no que tange a quantitativos e especificações;

b) Verificação da compatibilidade entre o preço global contratado e o de mercado;

c) Verificação da legalidade da contratação.

O Relatório de Auditoria definiu composições de preços unitários (CPU) paradigma para os serviços amostrados. No que diz respeito especificamente aos poços da Estação Gávea, os serviços cujos preços estão sendo questionados pelo TCE-RJ são os seguintes:

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6. ORIGEM DOS PREÇOS CONTRATUAIS

A origem dos preços da planilha contratual da Linha 4 do Metrô do Rio de Janeiro é complexa. Por essa razão, torna-se necessário contextualizar a gênese dos preços, aspecto essencial para o entendimento de algumas questões controvertidas e para o estabelecimento de algumas premissas de análise do Relatório de Auditoria.

6.1. Contratos no 1027/87 e 1028/87

O Contrato de Concessão da Linha 4 foi celebrado em 1998, porém as obras não foram liberadas pelo Poder Concedente por mais de uma década. Esse contrato contemplava o aporte de recursos pelo Estado do Rio de Janeiro à CRB com base em uma relação de eventos de pagamento.

Com a candidatura vitoriosa do Rio de Janeiro para sediar os Jogos Olímpicos de 2016, o Estado do Rio de Janeiro consultou a CRB acerca de seu interesse na retomada da execução do Contrato de Concessão, dando continuidade às obras de implantação da linha. A fim de restabelecer o equilíbrio econômico-financeiro do Contrato, o Estado contratou a Fundação Getúlio Vargas, de forma a se definir a nova modelagem financeira. Para isso, umas das determinações do Estado foi a alteração do regime de execução das obras civis e a utilização de preços que estivessem sendo praticados em obras públicas de metrô da cidade do Rio de Janeiro.

Como resultado, a Rio Trilhos indicou como melhor parâmetro os contratos no 1027/87 (trecho Cardeal Arcoverde-Siqueira Campos) e no 1028/87 (trecho Cantagalo-General Osório), ambos referentes à Linha 1 do Metrô do Rio de Janeiro.

Como resultado, os preços unitários do Contrato de Concessão foram estabelecidos com base na envoltória dos mínimos de cada família de serviços dos dois contratos de construção preexistentes — no 1027/87 e 1028/87 —, com reajustes até a data-base do Contrato de Concessão.

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ALDO MATTOS CONSULTORIA 14

6.2. Diretrizes da Construção (DC3)

Os critérios de medição e faturamento dos contratos no 1027/87 e 1028/87 estavam estabelecidos nas Diretrizes da Construção do Metrô (DC3), sendo esse documento anexo ao Contrato de Concessão da Linha 4.

A DC3 é um documento robusto, empregado nas obras desde as primeiras linhas e estações metroviárias do Rio de Janeiro (Fig. 6).

Fig. 6 – DC3

Ocorre que, já nos trechos das obras executadas em Copacabana, a metodologia construtiva dos túneis de via foi alterada de vala a céu aberto para construção em túneis pelo método NATM e, posteriormente, na Linha 4, também com emprego do TBM. Como a DC3 não contemplava esse tipo de metodologia, foi elaborada, ainda durante a execução das obras dos contratos no 1027 e 1028, a Discriminação Orçamentária (DC’), que explicamos a seguir.

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6.3. Discriminação Orçamentária (DC’)

A Discriminação Orçamentária (DC’) destinou-se a atualizar as especificações técnicas da obra e ajustar critérios de medição e faturamento da DC3 aos novos métodos construtivos empregados.

A DC’ figurou como anexo aos contratos no 1027/87 e 1028/87. É importante ressaltar que a DC’ é um documento integrante e complementar da DC3 (Fig. 7).

Fig. 7 – DC’

É de se ressaltar que a DC’ não derroga a DC3, mas sim a altera e complementa os critérios de medição e pagamento onde aplicável.

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ALDO MATTOS CONSULTORIA 16

Verificamos que o anexo ao Contrato de Concessão da Linha 4 contém as Diretrizes de Construção (DC3), porém não a DC’. Cremos ter se tratado de um erro formal na confecção do documento. Como premissa de análise, admitimos como razoável que a DC’ prevaleça em relação à DC3 nos itens aplicáveis.

Nossa premissa é reforçada quando constatamos que a DC’ foi efetivamente utilizada pela Rio Trilhos como instrumento de medição e pagamento. Esse fato é evidenciado pelas medições e pelas entrevistas feitas pelo TCE-RJ com técnicos da Rio Trilho durante a auditoria.

A DC’ tem aplicação concreta em dois itens da presente análise do Relatório de Auditoria do TCE-RJ:

• Concreto projetado;

• Carga, transporte e descarga de material de qualquer natureza, a partir do emboque até o bota‐fora.

A questão é analisada em detalhe nas seções referentes a esses itens específicos.

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7. PREMISSAS DA ANÁLISE

A análise do Relatório de Auditoria que fazemos neste Parecer é de natureza técnica de Engenharia de Custos. Definimos preliminarmente as premissas da análise, subdivididas em:

a) Premissas comuns ou gerais – aplicam-se ao trabalho como um todo, permeando todas (ou praticamente todas) as composições de custos unitários com as quais lidamos. As premissas comuns referem-se aos seguintes aspectos:

a. CPU-paradigma;

b. Fonte de preços;

c. Custo da mão de obra;

d. Custo de equipamentos;

e. Custo de material e serviços auxiliares;

f. Reajustamento.

b) Premissas particulares ou específicas – aplicam-se a um serviço individual. Ex:

índice numa composição de custos, inclusão de uma CPU auxiliar.

Apresentamos a seguir as premissas comuns. O ANEXO 1 apresenta as premissas comuns em detalhes.

As premissas particulares são tratadas onde ocorrerem nos 12 preços unitários em apreço.

7.1. CPU-paradigma e fontes de preço

Em vez de propormos composições de preços unitários (CPUs) de fontes que não as usadas pelo TCE-RJ, optamos por efetuar uma análise crítica das CPUs definidas pelos auditores no Relatório de Auditoria, fazendo ajustes necessários onde julgamos cabível.

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ALDO MATTOS CONSULTORIA 18

A terminologia que utilizamos é a seguinte:

a) CPU-paradigma – composição referencial definida pelo TCE-RJ;

b) CPU-paradigma ajustada (ou CPU ajustada ou CPU do Consultor) – composição referencial definida pelo TCE-RJ adaptada com nossos ajustes (índice, preço de insumo, inclusão de insumos ou composições auxiliares etc.).

Como premissa, adotamos sempre que possível CPUs referenciais da Empresa de Obras Públicas do Estado do Rio de Janeiro – EMOP2 na data-base dezembro/2011, correspondente à 12ª edição do catálogo de referência, mesma data-base dos preços unitários estabelecidos no 3º TA.

Vale destacar que a eleição de um banco de dados balizador, que sirva de referência primária para nossa análise, tem ainda outra vantagem relevante, que é o de solidificar o conceito de unicidade das fontes de referência.

Parece-nos muito mais coerente buscar o maior número possível de preços de uma única fonte do que sair pinçando composições de custos unitários (CPU) de um sem- número de sistemas em busca da tão decantada “envoltória dos mínimos”. Essa opção por priorizar um sistema de preços referencial traz a vantagem de garantir a uniformização do custo dos insumos de mão de obra, equipamentos e materiais.

Quando se extraem dados de fontes distintas, corre-se o risco de, no mesmo orçamento-paradigma, coexistirem um pedreiro de R$15,00/h e outro de R$10,00/h, por exemplo, o que não faz sentido. A busca em outro sistema pode também acarretar premissas diferentes, tais como a presença de encarregados na CPU (enquanto outros bancos os alocam no custo indireto) e equipamentos de apoio para manutenção de canteiro (caminhões-pipa, guindautos etc.).

Assim, sempre que buscamos uma CPU de fonte diferente da EMOP, tivemos o cuidado de ajustar o custo dos insumos para aqueles da EMOP na data-base do orçamento em questão (dezembro/2011).

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7.2. Custo da mão de obra

As CPU-paradigma do TCE-RJ adotam tarifas horárias da EMOP, que é um banco de dados do Estado do Rio de Janeiro, local onde as obras estão sendo executadas.

Nas CPUs ajustadas por nós, efetuamos algumas correções no custo da mão de obra a fim de retratar mais fielmente as circunstâncias em que os serviços foram realizados, a política salarial vigente à época e a quantidade de turnos de trabalho.

7.2.1 Salários

Com relação a salários, adotamos em nossas CPUs ajustadas tarifas horárias das tabelas EMOP e IBEC3 na data-base dez/2011, incorporando os adicionais previstos na convenção coletiva de trabalho de classe e legislação trabalhista vigente, quais sejam:

cesta básica, exames admissionais e demissionais, e seguro de vida em grupo.

Utilizamos agrupamentos de categorias profissionais em função de suas qualificações e respectivos salários, conforme orientação apresentada na Convenção Coletiva de Trabalho da Construção Civil do Município do Rio de Janeiro.

7.2.2 Encargos sociais

Inicialmente aplicamos os encargos sociais sobre as tarifas horárias da mão de obra direta (MOD), mesmo critério de cálculo da EMOP vigente em dez/2011. Para a mão de obra indireta (MOI) foi adotada a mesma base EMOP, utilizando-se os critérios pertinentes para essa categoria de profissionais. Os encargos do EMOP são de:

• Horistas: 113,97%;

• Mensalistas: 82,04%.

2 www.emop.rj.gov.br.

3 Instituto Brasileiro de Engenharia de Custos (www.ibec.com.br).

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ALDO MATTOS CONSULTORIA 20

Estes percentuais dos encargos da EMOP são os utilizados pelo TCE-RJ (Tabela 1).

Tabela 1 – Encargos sociais EMOP e TCE-RJ

Itens Descrição Horista

Mensalista EMOP AJUSTADO A

a) INSS 20,00% 20,00%

b) SESI 1,80% 1,80%

c) SENAI 1,30% 1,30%

d) INCRA 0,20% 0,20%

e) SALARIO EDUCAÇÃO 2,50% 2,50%

f) SEGURO ACIDENTE 3,00% 3,00%

g) FGTS 8,50% 8,50%

h) SECONCI 1,00% 1,00%

TOTAL DO GRUPO I 38,30% 38,30%

B

a) DOMINGOS 19,32% NI

b) FERIADOS 4,09% NI

c) AUXILIO ENFERMAGEM 0,98% 0,98%

d) ACIDENTE DE TRABALHO 0,74% 0,74%

e) AUSENCIA LEGAL 0,74% 0,74%

f) FÉRIAS 12,88% 12,88%

g) LICENÇA PATERNIDADE 0,05% 0,05%

h) 13º SALARIO 8,92% 8,92%

SALARIO MATERNIDADE -

TOTAL DO GRUPO II 47,72% 24,31%

C

a) AVISO PRÉVIO ( INDENIZADO) 6,61% 6,61%

b) INDENIZAÇÃO POR DISPENSA POR JUSTA CAUSA 3,07% 3,07%

TOTAL DO GRUPO III 9,68% 9,68%

D

a) GRUPO I X GRUPO II 18,27% 9,75%

TOTAL DO GRUPO IV 18,27% 9,75%

TOTAL GERAL 113,97% 82,04%

GRUPO I:

São obrigações de lei, incidem diretamente sobre a folha de pagamento, como tal recaem sobre os salários pagos aos empregados.

GRUPO II:

Corresponde aos direitos de recepção de salários dos dias que não há prestação de serviços e assim sofrem incidências do Grupo I. São pagos diretamente ao empregado

GRUPO III:

Como os do Grupo II, são pagos diretamente ao empregado, porém, não recebem incidência do Grupo I.

GRUPO IV:

São os Encargos que recebem reincidência dos Encargos Sociais

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7.2.3 Encargos complementares

Além dos encargos sociais em sentido estrito, torna-se necessário adicionar os encargos complementares ao custo horário da mão de obra.

Segundo o SINAPI, “encargos complementares são custos associados à mão de obra como alimentação, transporte, equipamentos de proteção individual, ferramentas manuais, exames médicos obrigatórios, seguros de vida e cursos de capacitação, cuja obrigação de pagamento decorre das convenções coletivas de trabalho e de normas que regulamentam a prática profissional na construção civil. Os valores decorrentes dessas obrigações não variam proporcionalmente aos salários (remuneração da mão de obra).”4

A pergunta que se pode fazer é: os custos referentes aos encargos complementares não estariam computados em outras rubricas do orçamento?

Investiguemos.

Teoricamente, em um orçamento de obra as despesas que compõem os encargos complementares — alimentação, cesta básica, transporte, equipamentos de proteção individual (EPI), ferramentas manuais, exames médicos obrigatórios e seguros de vida

— só podem estar alocadas em quatro lugares:

a) Nos encargos sociais;

b) Nas CPUs;

c) Na planilha de preços; ou d) No BDI.

4 SINAPI – Metodologias e Conceitos, 8ª edição.

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ALDO MATTOS CONSULTORIA 22

No quadro a seguir cogitamos cada uma das possibilidades:

Local Observação Contém os

encargos complementares?

Encargos sociais O TCE-RJ utilizou os encargos sociais da EMOP (113,97%), que não contemplam as despesas dos encargos complementares

CPUs As composições de custos unitários do TCE-RJ não contemplam os encargos complementares entre os insumos dos serviços. Não há item específico para os encargos complementares em nenhuma CPU

Planilha de preços A planilha de preços do Contrato não contém nenhum item alusivo a encargos complementares BDI O BDI do TCE-RJ (20,97%) é o do Acórdão TCU

no 2622/13, que expressamente não contém os encargos complementares

A conclusão lógica é que, para que a análise de sobrepreço seja feita de maneira tecnicamente correta, os encargos complementares precisam ser adicionados. Em nossas CPUs ajustadas, incluímos os encargos complementares no custo horário da mão de obra.

Incluímos no custo da mão de obra, como encargos complementares, os seguintes elementos:

• Cesta básica;

• Exames admissionais e demissionais;

• Seguro de vida em grupo.

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Na formação da tarifa horária do operário para fins de orçamento, há que se considerar ainda os adicionais legais impostos pela legislação. Aqui cabe frisar que devemos rechaçar da lista qualquer adicional que seja instituído por mera liberalidade do empregador.

No caso da obra da Linha 4 do Metrô do Rio de Janeiro, a participação nos lucros ou resultados (PLR) é um pagamento obrigatório, determinado pela Convenção Coletiva vigente à época,5 não sendo uma mera liberalidade da construtora para fins de premiação de seus empregados. Neste sentido, destacamos trecho de decisão do TCU (Pedido de Reexame em Representação no TC 030.171/2014-8):

Afinal, se os contratados estão obrigados ao pagamento de toda e qualquer verba trabalhista prevista em convenção coletiva, é de se concluir, na linha do exposto nesse voto, que as verbas com impacto no preço de venda devem fazer parte da composição da planilha de custos da contratação e, portanto, devem ser consideradas na equação econômico-financeira da avença. (grifamos)

A hora extra e a periculosidade são adicionais que o analista deve levar em consideração porque são ônus arcados pelo construtor, não se constituindo uma liberalidade do empregador.

No caso da hora extra, não levaríamos em conta pagamentos pelas horas extraordinárias gastas para recuperação de atrasos do construtor. Sendo, contudo, hora extra habitual, entendemos pertinente computá-las no custo da mão de obra porque se trata de um custo decorrente da estrutura de turnos de trabalho efetivamente implementados na obra pelos consórcios construtores.

5 Em atendimento ao estabelecido na Convenção Coletiva SITRAICP 2011/2012, Cláusula Décima Quarta – Participação nos Lucros ou Resultados, no seu Parágrafo Quarto: "As empresas que não possuem Programa de Participação nos Lucros ou Resultados, conforme previsto nesta Cláusula, negociarão com o SITRAICP a implantação do seu programa através de Acordo Coletivo de Trabalho".

Através das Diretrizes de Participação nos Lucros ou Resultados – PLR para o período de abril/2011 a março/2012, Cláusula 3.2 – Valores a partilhar, pactuou-se o valor máximo de 1,5 salários para o período de avaliação (1 ano).

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ALDO MATTOS CONSULTORIA 24

Analogamente, consideramos a hora noturna habitual, aquela que incide regularmente sobre os trabalhadores entre as 22:00 e as 05:00, conforme disposto na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Mais uma vez, não se trata de um pagamento por mera liberalidade do empregador.

Como premissa, para os serviços que tinham turno da noite, adotamos uma jornada de trabalho em três turnos diários (22h/dia durante 26 dias do mês), sendo que 2/3 do efetivo estava alocado nos dois turnos diurnos e 1/3 no turno noturno.

Para a periculosidade, adotamos esse acréscimo legal de 30% apenas para as funções que nela se enquadram: trabalhos que envolvam atividades que sejam executadas em áreas de risco e/ou que envolvam explosivos, de acordo com a Norma Regulamentadora no 16 (Atividades e Operações Perigosas) e Acordo Coletivo da Construção Civil do Estado do Rio de Janeiro.

As CPU-paradigma ajustadas por nós para cada um dos serviços questionados na auditoria leva em consideração como realmente a obra foi executada, cabendo então quatro combinações de turno/periculosidade:

a) Diurno sem periculosidade;

b) Noturno sem periculosidade;

c) Diurno com periculosidade;

d) Noturno com periculosidade.

Por fim, incluímos na tabela de encargos a rubrica “cálculos indenizatórios” para fazer incidir as verbas rescisórias também sobre os montantes de hora extra e adicionais noturno/periculosidade recebidos pelo trabalhador.

Para mão de obra estrangeira, utilizada de acordo com exigências de operação do TBM, foram considerados os custos contidos nas composições propostas pelo TCE-RJ.

(25)

A memória de cálculo detalhada de todos os parâmetros utilizados no cálculo do custo da mão de obra encontra-se no ANEXO 2 e na planilha que acompanha este Parecer.

Sumarizando, o custo da mão de obra consiste das seguintes parcelas:

A Tabela 2 apresenta os encargos complementares e o custo horário total (em sentido amplo) das categorias de mão de obra utilizadas nas CPUs ajustadas por nós neste trabalho.

• EMOP

Encargos sociais

• Cesta básica

• Exames admissionais e demissionais

• Seguro de vida em grupo

• Participação nos lucros ou resultados

• Hora extra habitual

• Hora noturna

• Periculosidade

• Cálculos indenizatórios Encargos complementares

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Tabela 2 – Tarifa horária da mão de obra

A C = ∑ (C 1 : C 10 ) E F = D + E

PREVISÃO REAJUSTE / SALARIO HORA (sem encargos)

ENCARGOS

COMPLEMENTARES LEIS SOCIAIS TOTAL SALARIO HORA

FONTE DO

RECURSO CODIGO DESCRIÇÃO UND. 9,29% R$ / h R$ / h R$ / h

GRUPO A : DIURNO SEM PERICULOSIDADE

EMOP 05.105.030-0 ENCARREGADO - DIURNO SEM PERICULOSIDADE H R$ 9,93 R$ 2,32 R$ 10,05 R$ 22,30

EMOP 05.105.027-0 FEITOR DE TURMA - DIURNO SEM PERICULOSIDADE H R$ 8,26 R$ 2,05 R$ 11,76 R$ 22,08

EMOP 05.105.021-0 OPERADOR - DIURNO SEM PERICULOSIDADE H R$ 6,34 R$ 1,75 R$ 9,22 R$ 17,32

EMOP ( * ) PROFISSIONAL QUALIFICADO I - Civil - DIURNO SEM PERICULOSIDADE H R$ 5,86 R$ 1,68 R$ 8,59 R$ 16,13

EMOP ( * ) PROFISSIONAL QUALIFICADO II - Outros - DIURNO SEM PERICULOSIDADE H R$ 6,70 R$ 1,81 R$ 9,70 R$ 18,21

EMOP 05.105.016-0 AJUDANTE DE PRODUÇÃO - DIURNO SEM PERICULOSIDADE H R$ 4,32 R$ 1,44 R$ 6,56 R$ 12,31

EMOP (*) 05.105.022-0 OPERADOR DE TRAFEGO - DIURNO SEM PERICULOSIDADE H R$ 6,70 R$ 1,81 R$ 9,70 R$ 18,21

EMOP (*) 05.105.027-0 COORDENADOR DE TRAFEGO - DIURNO SEM PERICULOSIDADE H R$ 8,26 R$ 2,05 R$ 8,47 R$ 18,79

EMOP 05.105.0032-0 ENGENHEIRO JUNIOR - DIURNO SEM PERICULOSIDADE H R$ 22,94 R$ 4,35 R$ 22,39 R$ 49,67

EMOP 05.105.0144-0 TECNICO DE EDIFICAÇÕES - DIURNO SEM PERICULOSIDADE H R$ 9,93 R$ 2,32 R$ 10,05 R$ 22,30

IBEC MASTER CONSULTOR - Equivalencia com Coordenador H R$ 175,75 R$ 20,83 R$ 161,28 R$ 357,87

IBEC SENIOR ENGENHEIRO SENIOR H R$ 140,24 R$ 16,78 R$ 128,81 R$ 285,83

IBEC PLENO ENGENHEIRO PLENO H R$ 94,92 R$ 11,60 R$ 87,39 R$ 193,91

IBEC TECNICO PLENO PROJETISTA H R$ 58,18 R$ 9,85 R$ 55,81 R$ 123,84

IBEC PLENO ENGENHEIRO PLENO H R$ 52,05 R$ 6,71 R$ 48,21 R$ 106,97

GRUPO B: NOTURNO SEM PERICULOSIDADE

EMOP 05.105.030-0 ENCARREGADO - NOTURNO SEM PERICULOSIDADE H R$ 9,93 R$ 6,01 R$ 13,08 R$ 29,02

EMOP 05.105.027-0 FEITOR DE TURMA - NOTURNO SEM PERICULOSIDADE H R$ 8,26 R$ 5,12 R$ 15,26 R$ 28,65

EMOP 05.105.021-0 OPERADOR - NOTURNO SEM PERICULOSIDADE H R$ 6,34 R$ 4,11 R$ 11,91 R$ 22,35

EMOP ( * ) PROFISSIONAL QUALIFICADO I - Civil - NOTURNO SEM PERICULOSIDADE H R$ 5,86 R$ 3,86 R$ 11,07 R$ 20,78

EMOP ( * ) PROFISSIONAL QUALIFICADO II - Outros - NOTURNO SEM PERICULOSIDADE H R$ 6,70 R$ 4,30 R$ 12,54 R$ 23,54

EMOP 05.105.016-0 AJUDANTE DE PRODUÇÃO - NOTURNO SEM PERICULOSIDADE H R$ 4,32 R$ 3,04 R$ 8,39 R$ 15,74

EMOP (*) 05.105.022-0 OPERADOR DE TRAFEGO - NOTURNO SEM PERICULOSIDADE H R$ 6,70 R$ 4,30 R$ 12,54 R$ 23,54

EMOP (*) 05.105.027-0 COORDENADOR DE TRAFEGO - NOTURNO SEM PERICULOSIDADE H R$ 8,26 R$ 5,12 R$ 10,98 R$ 24,37

GRUPO C: DIURNO COM PERICULOSIDADE

EMOP 05.105.030-0 ENCARREGADO - DIURNO COM PERICULOSIDADE H R$ 9,93 R$ 2,46 R$ 12,62 R$ 28,00

EMOP 05.105.027-0 FEITOR DE TURMA - DIURNO COM PERICULOSIDADE H R$ 8,26 R$ 2,18 R$ 14,73 R$ 27,65

EMOP 05.105.021-0 OPERADOR - DIURNO COM PERICULOSIDADE H R$ 6,34 R$ 1,85 R$ 11,50 R$ 21,59

EMOP ( * ) PROFISSIONAL QUALIFICADO I - Civil - DIURNO COM PERICULOSIDADE H R$ 5,86 R$ 1,77 R$ 10,69 R$ 20,08

EMOP ( * ) PROFISSIONAL QUALIFICADO II - Outros - DIURNO COM PERICULOSIDADE H R$ 6,70 R$ 1,91 R$ 12,11 R$ 22,73

EMOP 05.105.016-0 AJUDANTE DE PRODUÇÃO - DIURNO COM PERICULOSIDADE H R$ 4,32 R$ 1,50 R$ 8,11 R$ 15,22

GRUPO D: NOTURNO COM PERICULOSIDADE

EMOP 05.105.030-0 ENCARREGADO - NOTURNO COM PERICULOSIDADE H R$ 9,93 R$ 7,26 R$ 16,55 R$ 36,73

EMOP 05.105.027-0 FEITOR DE TURMA - NOTURNO COM PERICULOSIDADE H R$ 8,26 R$ 6,17 R$ 19,28 R$ 36,19

EMOP 05.105.021-0 OPERADOR - NOTURNO COM PERICULOSIDADE H R$ 6,34 R$ 4,91 R$ 14,99 R$ 28,14

EMOP ( * ) PROFISSIONAL QUALIFICADO I - Civil - NOTURNO COM PERICULOSIDADE H R$ 5,86 R$ 4,60 R$ 13,92 R$ 26,13

EMOP ( * ) PROFISSIONAL QUALIFICADO II - Outros - NOTURNO COM PERICULOSIDADE H R$ 6,70 R$ 5,15 R$ 15,79 R$ 29,65

EMOP 05.105.016-0 AJUDANTE DE PRODUÇÃO - NOTURNO COM PERICULOSIDADE H R$ 4,32 R$ 3,59 R$ 10,48 R$ 19,68

CONCESSIONARIA RIO BARRA - CRB EXECUÇÃO DE OBRAS DO METRO DA LINHA 4.

CUSTOS COM MÃO DE OBRA Salario + Encargos Sociais e Trabalhistas + Complementares

Documento 05 - PARECER ALDO DORIA MATTOS (8911556) SEI SEI-100001/001215/2020 / pg. 100

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O ANEXO 2 apresenta a memória de cálculo do custo da mão de obra.

A C = ∑ (C 1 : C 10 ) E F = D + E

PREVISÃO REAJUSTE / SALARIO HORA (sem encargos)

ENCARGOS

COMPLEMENTARES LEIS SOCIAIS TOTAL SALARIO HORA

FONTE DO

RECURSO CODIGO DESCRIÇÃO UND. 9,29% R$ / h R$ / h R$ / h

GRUPO A : DIURNO SEM PERICULOSIDADE

EMOP 05.105.030-0 ENCARREGADO - DIURNO SEM PERICULOSIDADE H R$ 9,93 R$ 2,32 R$ 10,05 R$ 22,30

EMOP 05.105.027-0 FEITOR DE TURMA - DIURNO SEM PERICULOSIDADE H R$ 8,26 R$ 2,05 R$ 11,76 R$ 22,08

EMOP 05.105.021-0 OPERADOR - DIURNO SEM PERICULOSIDADE H R$ 6,34 R$ 1,75 R$ 9,22 R$ 17,32

EMOP ( * ) PROFISSIONAL QUALIFICADO I - Civil - DIURNO SEM PERICULOSIDADE H R$ 5,86 R$ 1,68 R$ 8,59 R$ 16,13

EMOP ( * ) PROFISSIONAL QUALIFICADO II - Outros - DIURNO SEM PERICULOSIDADE H R$ 6,70 R$ 1,81 R$ 9,70 R$ 18,21

EMOP 05.105.016-0 AJUDANTE DE PRODUÇÃO - DIURNO SEM PERICULOSIDADE H R$ 4,32 R$ 1,44 R$ 6,56 R$ 12,31

EMOP (*) 05.105.022-0 OPERADOR DE TRAFEGO - DIURNO SEM PERICULOSIDADE H R$ 6,70 R$ 1,81 R$ 9,70 R$ 18,21

EMOP (*) 05.105.027-0 COORDENADOR DE TRAFEGO - DIURNO SEM PERICULOSIDADE H R$ 8,26 R$ 2,05 R$ 8,47 R$ 18,79

EMOP 05.105.0032-0 ENGENHEIRO JUNIOR - DIURNO SEM PERICULOSIDADE H R$ 22,94 R$ 4,35 R$ 22,39 R$ 49,67

EMOP 05.105.0144-0 TECNICO DE EDIFICAÇÕES - DIURNO SEM PERICULOSIDADE H R$ 9,93 R$ 2,32 R$ 10,05 R$ 22,30

IBEC MASTER CONSULTOR - Equivalencia com Coordenador H R$ 175,75 R$ 20,83 R$ 161,28 R$ 357,87

IBEC SENIOR ENGENHEIRO SENIOR H R$ 140,24 R$ 16,78 R$ 128,81 R$ 285,83

IBEC PLENO ENGENHEIRO PLENO H R$ 94,92 R$ 11,60 R$ 87,39 R$ 193,91

IBEC TECNICO PLENO PROJETISTA H R$ 58,18 R$ 9,85 R$ 55,81 R$ 123,84

IBEC PLENO ENGENHEIRO PLENO H R$ 52,05 R$ 6,71 R$ 48,21 R$ 106,97

GRUPO B: NOTURNO SEM PERICULOSIDADE

EMOP 05.105.030-0 ENCARREGADO - NOTURNO SEM PERICULOSIDADE H R$ 9,93 R$ 6,01 R$ 13,08 R$ 29,02

EMOP 05.105.027-0 FEITOR DE TURMA - NOTURNO SEM PERICULOSIDADE H R$ 8,26 R$ 5,12 R$ 15,26 R$ 28,65

EMOP 05.105.021-0 OPERADOR - NOTURNO SEM PERICULOSIDADE H R$ 6,34 R$ 4,11 R$ 11,91 R$ 22,35

EMOP ( * ) PROFISSIONAL QUALIFICADO I - Civil - NOTURNO SEM PERICULOSIDADE H R$ 5,86 R$ 3,86 R$ 11,07 R$ 20,78

EMOP ( * ) PROFISSIONAL QUALIFICADO II - Outros - NOTURNO SEM PERICULOSIDADE H R$ 6,70 R$ 4,30 R$ 12,54 R$ 23,54

EMOP 05.105.016-0 AJUDANTE DE PRODUÇÃO - NOTURNO SEM PERICULOSIDADE H R$ 4,32 R$ 3,04 R$ 8,39 R$ 15,74

EMOP (*) 05.105.022-0 OPERADOR DE TRAFEGO - NOTURNO SEM PERICULOSIDADE H R$ 6,70 R$ 4,30 R$ 12,54 R$ 23,54

EMOP (*) 05.105.027-0 COORDENADOR DE TRAFEGO - NOTURNO SEM PERICULOSIDADE H R$ 8,26 R$ 5,12 R$ 10,98 R$ 24,37

GRUPO C: DIURNO COM PERICULOSIDADE

EMOP 05.105.030-0 ENCARREGADO - DIURNO COM PERICULOSIDADE H R$ 9,93 R$ 2,46 R$ 12,62 R$ 28,00

EMOP 05.105.027-0 FEITOR DE TURMA - DIURNO COM PERICULOSIDADE H R$ 8,26 R$ 2,18 R$ 14,73 R$ 27,65

EMOP 05.105.021-0 OPERADOR - DIURNO COM PERICULOSIDADE H R$ 6,34 R$ 1,85 R$ 11,50 R$ 21,59

EMOP ( * ) PROFISSIONAL QUALIFICADO I - Civil - DIURNO COM PERICULOSIDADE H R$ 5,86 R$ 1,77 R$ 10,69 R$ 20,08

EMOP ( * ) PROFISSIONAL QUALIFICADO II - Outros - DIURNO COM PERICULOSIDADE H R$ 6,70 R$ 1,91 R$ 12,11 R$ 22,73

EMOP 05.105.016-0 AJUDANTE DE PRODUÇÃO - DIURNO COM PERICULOSIDADE H R$ 4,32 R$ 1,50 R$ 8,11 R$ 15,22

GRUPO D: NOTURNO COM PERICULOSIDADE

EMOP 05.105.030-0 ENCARREGADO - NOTURNO COM PERICULOSIDADE H R$ 9,93 R$ 7,26 R$ 16,55 R$ 36,73

EMOP 05.105.027-0 FEITOR DE TURMA - NOTURNO COM PERICULOSIDADE H R$ 8,26 R$ 6,17 R$ 19,28 R$ 36,19

EMOP 05.105.021-0 OPERADOR - NOTURNO COM PERICULOSIDADE H R$ 6,34 R$ 4,91 R$ 14,99 R$ 28,14

EMOP ( * ) PROFISSIONAL QUALIFICADO I - Civil - NOTURNO COM PERICULOSIDADE H R$ 5,86 R$ 4,60 R$ 13,92 R$ 26,13

EMOP ( * ) PROFISSIONAL QUALIFICADO II - Outros - NOTURNO COM PERICULOSIDADE H R$ 6,70 R$ 5,15 R$ 15,79 R$ 29,65

EMOP 05.105.016-0 AJUDANTE DE PRODUÇÃO - NOTURNO COM PERICULOSIDADE H R$ 4,32 R$ 3,59 R$ 10,48 R$ 19,68

GRUPO E: MÃO DE OBRA ESTRANGEIRA

ENCARREGADO - (MO ESTRANGEIRA) R$ 338,98

OPERADOR / MECANICO (MO ESTRANGEIRA ) R$ 276,70

SUPERVISOR R$ 410,72

CONCESSIONARIA RIO BARRA - CRB EXECUÇÃO DE OBRAS DO METRO DA LINHA 4.

CUSTOS COM MÃO DE OBRA Salario + Encargos Sociais e Trabalhistas + Complementares

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ALDO MATTOS CONSULTORIA 28

7.3. Custo de equipamentos

Para os custos horários dos equipamentos de construção, na maioria dos casos foram assumidas as mesmas fontes de custos utilizadas nas composições elaboradas pelo TCE-RJ, nessa ordem de preferência: EMOP, ABEMI, SCO, SINAPI e Rio Trilhos.

Em alguns casos, adotamos as referências contidas no SICRO. Para equipamentos que não constavam em nenhuma das fontes referenciais de custos, foram utilizados os valores de mercado, conforme propostas de fornecedores/fabricantes anexadas ao processo de auditoria do TCE-RJ.

Com relação aos índices de produtividade dos equipamentos de construção, admitimos na maior parte dos casos, de forma conservadora, os mesmos índices contidos nas composições elaboradas pelo TCE-RJ; em alguns casos específicos, adotamos produtividades informadas pelos fornecedores/fabricantes dos equipamentos.

7.4. Custo de materiais e serviços auxiliares

Para os custos dos materiais e dos serviços auxiliares, na maioria dos casos foram assumidas as mesmas fontes de custos utilizadas nas composições elaboradas pelo TCE-RJ, nessa ordem de preferência: EMOP, ABEMI, SCO, SINAPI e Rio Trilhos.

Em alguns casos, adotamos as referências do SICRO. Para serviços auxiliares que não constavam em nenhuma das fontes referenciais de custos, utilizamos valores de mercado obtidos de propostas anexadas ao Relatório de Auditoria do TCE-RJ.

7.5. Reajustamentos

Os reajustamentos retroativos de preços para dez/2011 foram feitos pela fórmula paramétrica contratual (Anexo IV – Normas de Reajustamento de Preços do Contrato).

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8. BDI

O percentual de Bonificação e Despesas Indiretas (BDI) adotado pelos auditores do TCE-RJ é de 20,97%, que corresponde ao BDI de construção de rodovias e ferrovias, quartil médio (Q2), recomendado pelo Tribunal de Contas da União (“TCU”) no Acórdão no 2622/13:

VALORES DO BDI POR TIPO DE OBRA

TIPO DE OBRA 1o QUARTIL MÉDIO 3o QUARTIL

Construção de edifícios 20,34% 22,12% 25,00%

Construção de rodovias e ferrovias 19,60% 20,97% 24,23%

Construção de redes de abastecimento de água,

coleta de esgoto e construções correlatas 20,76% 24,18% 26,44%

Construção e manutenção de estações e redes

de distribuição de energia elétrica 24,00% 25,84% 27,86%

Obras portuárias, marítimas e fluviais 22,80% 27,48% 30,95%

No Acórdão no 2622/13, o TCU estabeleceu para valores referenciais máximos, mínimos e medianos para taxas de BDI de obras públicas. Esses percentuais variam conforme o tipo de obra e condições de execução/fornecimento, passando a servir de referência para a análise de orçamentos pelo TCU.

Respeitosamente, tendemos a não concordar com a escolha do TCE-RJ do BDI de 20,97% para a construção da Linha 4 do Metrô do Rio de Janeiro, por causa de alguns motivos de ordem técnica.

Contudo, antes de avançarmos na argumentação, vale relembrar alguns conceitos de estatística descritiva.

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ALDO MATTOS CONSULTORIA 30

8.1. Quartis

Relembremos inicialmente o conceito de quartil. Quartil é qualquer das separatrizes que dividam uma série ordenada de observações em quatro partes, correspondentes a 25%, 50% e 75% dessas observações. Ou seja, quartis são valores que dividem a série ordenada em 1/4 da amostra ou população. Existem três quartis: Q1, Q2 e Q3.

Para definição dos quartis de uma amostra, colocam-se os dados em ordem crescente e corta-se a amostra em três pontos, a fim de delimitar quatro áreas — os quartis são esses “cortes” (Fig. 8).

Fig. 8 – Noção de quartil

Por exemplo, na amostra 1, 3, 3, 4, 5, 6, 6, 7, 8, 8, 11 o 2º quartil (mediana ou Q2) é o elemento do meio da série (6), o 1º quartil (Q1) é o elemento central da metade inferior (3), e o 3º quartil (Q3) é o elemento central da metade superior (8):

1, 3, 3, 4, 5, 6, 6, 7, 8, 8, 11

1º quartil 2º quartil 3º quartil

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Conclui-se que o TCU, ao definir o 1º e o 3º quartis como limites de aceitação do BDI, exclui metade dos valores de BDI amostrados. Desta forma, com relação aos BDI mais altos, nota-se que os 25% superiores foram descartados na faixa preconizada pelo TCU no Acórdão no 2622/13.

Segundo informa o TCU no aludido acórdão, os parâmetros de BDI recomendados são provenientes de um estudo estatístico feito em 529 contratos de obra, englobando edificações, estradas, ferrovias, sistemas de saneamento básico, linhas de transmissão de energia barragens, canais, aeroportos e portos. O TCU preocupou-se em incluir na amostragem obras de valores inferiores a R$1,5 milhão e superiores a R$150 milhões.

Notamos que a lista não menciona textualmente obras metroviárias, apenas ferrovias (não sabemos quantas ou quais). Podemos afirmar categoricamente que nenhuma obra metroviária foi objeto de avaliação por ocasião do Acórdão no 2622/13. Um dos anexos ao relatório que precede o Acórdão é a relação das obras tidas como paradigma e nenhuma delas era metroviária. Suspeitamos que o TCU não incluiu no rol de obras amostradas nenhuma obra metroviária, por se tratar de uma tipologia pouco comum em contratos da Administração Pública nas esferas federal, estadual e municipal. Considerando que o objetivo do acórdão foi mapear o BDI das obras mais correntes, parece razoável que o TCU tenha deixado de fora as obras metroviárias (e sua complexidade de execução, sobretudo envolvendo obras subterrâneas como as da Linha 4).

Uma provocação derivada da definição de quartil é: se todas as obras amostradas pelo TCU no Acórdão no 2622/13 eram presumivelmente de contratos válidos e lícitos, como explicar que ¼ delas “fure” a faixa estabelecida? A resposta, no entendimento deste Consultor, é que esses BDI altos foram descartados para se criar um intervalo de aceitação automática pelos gestores públicos e por auditores. Um BDI fora desses limites tem que ter justificativa fundamentada. Conforme já expusemos alhures, a nosso

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ALDO MATTOS CONSULTORIA 32

ver o Q3 não seria a melhor “quebra” — talvez o percentil 90 fizesse mais sentido estatisticamente, porém vamos nos ater ao que preconiza o TCU no Acórdão.

Nos três cenários de BDI que cogitamos como válidos (V. seção 8.2), adotamos sempre o terceiro quartil (Q3). Por que nossa opção pelo Q3? As razões são muitas:

Grande dimensão espacial – a Linha 4 é uma obra geograficamente espalhada, com múltiplos canteiros e postos avançados. Ao contrário da construção de um centro de convenções ou de uma estação de tratamento de água, a Linha 4 é um empreendimento que se estende ao longo de 16 km, com frentes simultâneas, acessos distintos e interferências com população local ao longo de muitos pontos. Isso aumenta sobremaneira a complexidade de gestão e supervisão, expõe a obra a mais fatores externos e aumenta os riscos;

Logística complexa – por ser uma obra com: (i) um projeto singular e complexo;

(ii); suprimento complicado; (iii) inspeções em fábrica; (iv) equipamentos importados; (v) operadores estrangeiros; (vi) interferência com a dinâmica urbana dos bairros densamente povoados da Zona Sul da cidade do Rio de Janeiro; e (vii) múltiplos canteiros de obra, a logística da Linha 4 demanda bastante suporte das empresas executoras, tanto na obra, quanto no escritório central das construtoras consorciadas. Esse aspecto se reflete na necessidade de um robusto organograma de obra, nos riscos, nos seguros e nas garantias demandadas;

Ineditismo da obra – uma linha de metrô não é um empreendimento usual. Não há projetos metroviários “de prateleira” e as soluções dadas são sempre únicas no que diz respeito ao modelo da tuneladora, geometria do túnel, método construtivo das estações (vala a céu aberta, poço, shaft) e até mesmo pelas

(33)

observância a normas internacionais (por exemplo, de incêndio). Esse aspecto se reflete nos riscos, seguros e garantias;6

Multiplicidade de disciplinas – uma obra de metrô em muito pouco se assemelha a uma obra ferroviária comum (como as que o TCU auditou, supomos). A rigor, a semelhança entre uma obra metroviária e uma ferroviária se resume aos trilhos e dormentes. Isso porque os sistemas metroviários de automação, operação e supervisão são de uma complexidade sem par, requerendo alta tecnologia nos trens, na via e nas estações, inspeções dos equipamentos em fábrica, comissionamento detalhado (testes e operação assistida) e interface entre os fornecedores de sistema e as obras civis. Há ainda as estações, que são verdadeiros prédios subterrâneos de muitos andares, construídos a partir de poços, com elevadores e escadas rolantes, saídas em ruas de fluxo de pedestres e automóveis, pouco se assemelhando às estações ferroviárias de obras públicas brasileiras. Na verdade, uma obra metroviária mais parece três obras em uma: (i) via permanente; (ii) sistemas; e (iii) estações.

Pela fundamentação técnica exposta, consideramos cabível a utilização de um BDI referencial acima da mediana do acórdão. Considerar a obra da Linha 4 do Metrô do Rio de Janeiro como superior ao Q3 não nos parece despropositado.

É até intuitivo imaginar que, se essa obra estivesse na amostra do TCU, ela certamente estaria no topo dos BDI observados, acima do Q3 ou próximo a ele.

6 O Consultor emitiu pareceres e fez trabalho de consultoria nas linhas 4, 5 e 6 do Metrô de São Paulo.

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ALDO MATTOS CONSULTORIA 34

8.2. Cenários do BDI

Entendemos que a adoção do BDI de referência para validação dos preços do Contrato da Linha 4 pode seguir três linhas de raciocínio, que chamaremos de Cenários 1, 2 e 3 e dos quais trataremos pormenorizadamente:

Cenário 1 – mesma tipificação de obra seguida pelo TCE-RJ — construção de rodovias e ferrovias —, porém adotando o BDI do terceiro quartil: 24,23%;

Cenário 2 – tipificação de obra de grande complexidade (parâmetro: obras portuárias, marítimas e fluviais) —, porém adotando o BDI do terceiro quartil:

30,95%;

Cenário 3 – ponderação de três BDIs: de construção de rodovias e ferrovias para a porção do Contrato relativa à via permanente (túneis e linha); de construção de edifícios para a porção relativa às estações; de obras para construção e manutenção de estações e redes de distribuição de energia elétrica para a porção relativa aos sistemas, adotando sempre o terceiro quartil (Q3): 24,91%. Os pesos são a representatividade de cada categoria no montante total do Contrato.

Em suma:

Parâmetro BDI

Cenário 1 Cenário 2 Cenário 3 Tipologia Construção de

rodovias e ferrovias

Obra de grande complexidade (parâmetro: obras

portuárias, marítimas e fluviais)

Ponderado (ferrovia, edifício,

energia elétrica)

Quartil Q3 Q3 Q3

(35)

8.2.1 Cenário 1 – BDI Q3 ferrovia

O Cenário corresponde à tipicação de obra escolhida pelo TCE-RJ para buscar o BDI de referência do Acórdão TCU no 2622/13: construção de rodovia e ferrovia. Como já dito, optamos pelo terceiro quartil (Q3), de 24,23%, conforme a tabela do acórdão:

TIPO DE OBRA 1o QUARTIL MÉDIO 3o QUARTIL

Construção de edifícios 20,34% 22,12% 25,00%

Construção de rodovias e ferrovias 19,60% 20,97% 24,23%

Construção de redes de abastecimento de água,

coleta de esgoto e construções correlatas 20,76% 24,18% 26,44%

Construção e manutenção de estações e redes

de distribuição de energia elétrica 24,00% 25,84% 27,86%

Obras portuárias, marítimas e fluviais 22,80% 27,48% 30,95%

A justificativa para a adoção do Q3 já foi explicada anteriormente. Mantendo o tipo ferrovia e passando de Q2 (TCE-RJ) para Q3 (nossa opção), procuramos refletir no BDI as visíveis complexidades que distinguem uma obra metroviária de uma obra ferroviária. As particularidades do projeto, a dificuldade de execução, a complexidade tecnológico são alguns dos fatores apontados. Existe outro fator que merece destaque:

enquanto uma ferrovia se caracteriza pelas longas distâncias entre paradas, no metrô as estações não podem ser tão espaçadas. Para complicar, elas devem se situar justamente nos pontos de maior afluxo de passageiros, aumentando o grau de interferência da obra com a vida da cidade.

A título de comparação, imaginemos duas obras de mesmo custo, uma tipicamente ferroviária e outra metroviária. É intuitivo perceber que a estrutura de gestão e suporte, os riscos, os seguros e os custos indiretos como um todo são mais elevados na obra metroviária. O BDI natural de uma obra de ferrovia é menor do que o BDI de uma obra de metrô.

Referências

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