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Os impactos da sentença extintiva sem resolução de mérito sobre a decisão parcial de mérito que decreta o divórcio

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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM DIREITO

CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL

LARISSA KARENNYNE AVELINO CARDOSO

OS IMPACTOS DA SENTENÇA EXTINTIVA SEM RESOLUÇÃO DE MÉRITO SOBRE A DECISÃO PARCIAL DE MÉRITO QUE DECRETA O DIVÓRCIO

NATAL/RN 2020

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LARISSA KARENNYNE AVELINO CARDOSO

OS IMPACTOS DA SENTENÇA EXTINTIVA SEM RESOLUÇÃO DE MÉRITO SOBRE A DECISÃO PARCIAL DE MÉRITO QUE DECRETA O DIVÓRCIO

Artigo apresentado ao Programa de Pós-graduação em Direito da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, como requisito parcial para a obtenção do Certificado de Especialista em Direito Civil e Processual Civil.

Orientador: Dr. Jose Orlando Ribeiro Rosario.

NATAL/RN 2020

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RESUMO

O presente trabalho de conclusão de curso tem como objetivo o estudo e análise do julgamento antecipado de mérito e os reflexos da sentença terminativa sobre ele nas ações de divórcio, sobretudo diante das sentenças extintivas sem resolução de mérito. Para isso, através da metodologia de revisão bibliográfica, usou-se como referencial teórico autores como Paulo Bonavides, Daniel Amorim Assumpção Neves, Donizetti, Thiago Ferreira Siqueira, entre outros. Os resultados apontam que o Código de Processo Civil de 2015 trouxe várias inovações para que o sistema processual se tornasse mais perfilado às normas, princípios e valores constitucionais, dentre essas inovações, a previsão expressa da decisão parcial antecipada de mérito. Todavia, por ser algo, de certa forma, novo, é importante a análise desse instituto e os impactos dela no curso do processo.

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ABSTRACT

This course conclusion work aims aims to study and analyze the anticipated judgment of merit and the reflexes of the terminative sentence on it in divorce actions, especially in the face of extinctive sentences without resolution of merit. For this, through the bibliographic review methodology, authors like Paulo Bonavides, Daniel Amorim Assumpção Neves, Donizetti, Thiago Ferreira Siqueira, among others, were used as a theoretical reference. The results show that the 2015 Civil Procedure Code brought several innovations so that the procedural system became more in line with the constitutional norms, principles and values, among these innovations, the express prediction of the anticipated partial decision on the merits. However, because it is something, in a way, new, it is important to analyze this institute and its impacts in the course of the process.

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SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO ... 1 2. PRINCÍPIOS APLICADOS SO PROCESSO CIVIL NO ÂMBITO DA DECISÃO PARCIAL ANTECIPADA DO MÉRITO ... 2

2.1. PRINCÍPIO DA ECONOMIA PROCESSUAL, CELERIDADE PROCESSUAL, DA PRIMAZIA DA RESOLUÇÃO DO MÉRITO E DA INSTRUMENTALIDADE DAS FORMAS ... 3 2.2. O PRINCÍPIO DA EFETIVIDADE ... 5

3. JULGAMENTO ANTECIPADO PARCIAL DO MÉRITO ... 7

3.1. JULGAMENTO ANTECIPADO PARCIAL DE MÉRITO E O CÓDIGO DE

PROCESSO CIVIL DE 1973 ... 7 3.2 JULGAMENTO ANTECIPADO PARCIAL DE MÉRITO NO NOVO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL ... 12

4. JULGAMENTO ANTECIPADO PARCIAL DE MÉRITO NAS AÇÕES DE

DIVÓRCIO ... 14

4.1. AÇÕES DE DIVÓRCIO ... 15 4.2. IMPACTOS DA SENTENÇA TERMINATIVA SOBRE A DECISÃO QUE JULGA ANTECIPADAMENTE DE FORMA PARCIAL O MÉRITO DECRETANDO O

DIVÓRCIO ... 16

5. CONCLUSÃO ... 18 REFERÊNCIAS... 20

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1. INTRODUÇÃO

A Constituição Federal de 1988 foi bastante relevante para a reestruturação do sistema jurídico brasileiro. Seus valores e princípios, acertadamente, passaram a permear com mais intensidade o ordenamento, resultado disso muitos diplomas legais foram renovados de modo a possibilitar esse maior perfilhamento com a constituição, dentre eles, o Código de Processo Civil de 2015.

Nesse contexto, muitos dos entraves enfrentados com o Código anterior passaram a ter soluções mais apropriadas e devidamente estabelecidas no diploma legal, de modo a estarem mais atentas aos princípios constitucionais, uma delas foi o julgamento fracionado de mérito, cuja previsão no código anterior gerava dúvidas e insegurança jurídica.

O Novo Código de Processo Civil trouxe a possibilidade do julgamento antecipado parcial de mérito de forma expressa em seu dispositivo. Entretanto, essa “novidade”, a princípio, gerou algumas dúvidas na prática quanto a sua possibilidade de fazer coisa julgada e transitar em julgado, bem como sobre os possíveis impactos da sentença definitiva sobre ela.

Nesse sentido, o objetivo do presente trabalho e analisar os impactos da sentença sobre a decisão parcial antecipada de mérito em especial nas ações de divórcio

Ademais, como objetivos específicos, possui o intuito de verificar os aspectos gerias sobre alguns dos princípios constitucionais relacionados ao julgamento antecipado parcial do mérito; averiguar como o CPC/1973 dispunha sobre o assunto; verificar como ocorre a ação de divórcio; analisar como o NCPC regulamenta essas decisões e sua respectiva relação com a sentença.

Para isso, através da metodologia de revisão bibliográfica, usou-se como referencial teórico autores como Paulo Bonavides, Daniel Amorim Assumpção Neves, Donizetti, Thiago Ferreira Siqueira, entre outros.

A respeito da estruturação desse trabalho, este foi dividido em três partes para facilitar o entendimento do assunto. Na primeira parte tratou-se dos princípios aplicados ao processo civil no âmbito a decisão parcial do mérito.

Na segunda parte, foi contemplada a decisão parcial antecipada de mérito no CPC/1973, bem como análise sobre a forma como passou a ser versada no CPC atual.

Por fim, na terceira parte averiguou-se sobre a ação de divórcio e sua relação com a decisão parcial antecipada de mérito prevista no CPC/2015.

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2. PRINCÍPIOS APLICADOS SO PROCESSO CIVIL NO ÂMBITO DA DECISÃO PARCIAL ANTECIPADA DO MÉRITO

Como todo o ordenamento jurídico brasileiro, o processo civil passou e ainda vem passando por um processo de constitucionalização1. O próprio Código de Processo Civil de 2015, em seu artigo primeiro, refere-se expressamente à constitucionalização das regras processuais2, in verbis: “O processo civil será ordenado, disciplinado e interpretado conforme os valores e as normas fundamentais estabelecidos na Constituição da República Federativa do Brasil, observando-se as disposições deste Código”3.

Tal disposição acentua a acertada concepção de que o processo civil não pode ser mais visto de forma alheia aos valores, interpretação e influência do texto constitucional4, tanto é que, em seu artigo 8º, determinou que “ao aplicar o ordenamento jurídico, o juiz atenderá aos fins sociais e às exigências do bem comum, resguardando e promovendo a dignidade da pessoa humana e observando a proporcionalidade, a razoabilidade, a legalidade, a publicidade e a eficiência”5.

Nesse contexto, percebe-se que todo o discurso normativo, em especial o processo civil aqui tratado, deve inserir em sua abrangência os princípios a eles vinculados, posto que os princípios propiciam maior nitidez e compreensão sobre o entendimento relativo às questões jurídicas sujeitas a um específico sistema de normas6.

Dessa forma, essa percepção de constitucionalização dos direitos proporcionou uma mudança de paradigma, passando a Constituição a integrar o centro do sistema jurídico na qualidade de filtro axiológico, sobretudo no âmbito do Direito Processual Civil, que, por se tratar de um ramo do Direito Público, grande parte de seus princípios são abordados nas linhas basilares da Carta Magna7.

Contudo, em que pese a vasta gama de princípios aplicados ao Direito Processual Civil, neste trabalho apenas trataremos daqueles mais afeitos à decisão parcial do mérito, a saber: princípio da economia processual, princípio da celeridade processual, princípio da

1 CRUZ, Danilo Nascimento. Processo Civil Contemporâneo: aspectos conceituais, constitucionalização e tutela jurisdicional efetiva. 2010. p.27

2 ALMEIDA JUNIOR, Jesualdo Eduardo de. A FORÇA PRINCIPIOLÓGICA DO NOVO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL BRASILEIRO. nov. 2015. p.04

3 Artigo 1º, CPC 2015

4 ALMEIDA JUNIOR, Jesualdo Eduardo de. A FORÇA PRINCIPIOLÓGICA DO NOVO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL BRASILEIRO. nov. 2015. p. 04

5 Art. 8º, CPC 2015

6 BONAVIDES, Paulo. Curso de Direito Constitucional. 2013. p. 268.

7. CRUZ, Danilo Nascimento. Processo Civil Contemporâneo: aspectos conceituais, constitucionalização e tutela jurisdicional efetiva. 2010. p. 28

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instrumentalidade das formas, princípio da efetividade e o princípio da primazia da resolução do mérito.

2.1. PRINCÍPIO DA ECONOMIA PROCESSUAL, CELERIDADE PROCESSUAL, DA PRIMAZIA DA RESOLUÇÃO DO MÉRITO E DA INSTRUMENTALIDADE DAS FORMAS

O princípio da economia e da celeridade processual, bem como o da primazia da resolução do mérito são princípios profundamente vinculados ao Direito Processual Civil e, nesse âmbito, possuem grande aplicabilidade no contexto das decisões parciais do mérito.

Inicialmente, quanto ao princípio da economia processual, do ponto de vista sistêmico, este visa a obtenção mais resultados com menos atividade judicial e para tal deve se utilizar de mecanismos para conter a multiplicidade de processos e reduzir a prática de atos processuais que somente se constituam em atos de inútil repetição8.

Essas medidas, em geral, tornam o processo mais célere, o que impacta inclusive na redução dos seus custos em função da maior rapidez do processo, beneficiando tanto às partes, quanto ao próprio Estado, posto que quanto mais longo o processo mais oneroso ele se torna9.

Sendo assim, a economia processual está intrinsecamente ligada ao princípio da celeridade processual, que visa organizar e racionalizar o processo de modo a conseguir maior rapidez na solução da lide e privilegiando o direito material em detrimento da forma, sem desrespeitar os princípios constitucionais10.

Nesse sentido de que cabe ao Estado assegurar aos cidadãos uma resposta rápida e menos burocrática, dentro do possível, aos conflitos foi que o Novo Código de Processo Civil estabeleceu uma de suas premissas, buscando “maior rapidez no trâmite processual, mediante segurança jurídica na solução da lide, sem ferir princípios constitucionais e prazos legais”11.

No artigo 5º inciso LXXVIII, da Constituição Federal de 1988 assegura a todos a razoável duração do processo, bem como a celeridade na tramitação processual, cuja origem é justificada nos direitos fundamentais da pessoa humana como “uma forma de garantia ao acesso à ordem jurídica justa”12.

8 NEVES, Daniel Amorim Assumpção. Manual de Direito Processual Civil: Volume Único. 2016. p. 138. 9 NEVES, Daniel Amorim Assumpção. Manual de Direito Processual Civil: Volume Único. 2016.p. 140. 10 CORRÊA, Sueli Machado Apóstolo. A NOVA PROPOSTA DE CELERIDADE PRESENTE NO NOVO CPC: SUA REAL EFETIVIDADE. nov. 2017.p. 62

11 CORRÊA, Sueli Machado Apóstolo. A NOVA PROPOSTA DE CELERIDADE PRESENTE NO NOVO CPC: SUA REAL EFETIVIDADE. nov. 2017.p. 63

12 CORRÊA, Sueli Machado Apóstolo. A NOVA PROPOSTA DE CELERIDADE PRESENTE NO NOVO CPC: SUA REAL EFETIVIDADE. nov. 2017.p. 63

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De acordo com Donizetti, o referido preceito constitucional consagra o princípio da duração razoável do processo, ou seja, dispõe que o processo deve ser “tempestivo, capaz de oferecer, a tempo e modo, a tutela jurisdicional adequada ao caso concreto”13.

Nessa esteira, o novo CPC positivou a mencionada regra constitucional em seu art. 4º, quando estabeleceu que “as partes têm o direito de obter em prazo razoável a solução integral do mérito, incluída a atividade satisfativa”14.

Dessa forma, depreende-se que o processo deve “evitar formalidades desnecessárias, a fim de obter maior rapidez a efetivação do ato processual e consequentemente celeridade processual na tramitação do processo, atendendo, assim, o que objetiva o novo Código de Processo Civil”15.

Além disso, nesse mesmo dispositivo do Código de Processo Civil, o legislador consagrou o princípio da primazia do julgamento do mérito ou princípio da primazia da resolução do mérito, o qual pode ser sintetizado, nos dizeres de Donizetti, da seguinte forma: “o julgador deve, sempre que possível, priorizar o julgamento do mérito, superando ou viabilizando a correção dos vícios processuais e, consequentemente, aproveitando todos os atos do processo”16.

Esse princípio pode ser compreendido como dever de se dar primazia à resolução do mérito sobre o reconhecimento de eventuais nulidades ou de outros entraves à produção do resultado regular do processo civil. Sendo assim, ele acaba por combater a jurisprudência defensiva, impondo que, em face de obstáculos superáveis no curso do processo, sejam sempre empreendidos esforços para saná-los e obter-se a resolução do mérito17.

Ao dispor sobre ele e outros princípios, o Código Processual Civil consolida a ideia de um direito processual civil constitucional, cooperativo, cooparticipativo, hábil a produzir decisões constitucionalmente legítimas e, preferivelmente, de mérito18.

Nesse cenário, é interessante destacar inclusive outro princípio relacionado, o princípio da instrumentalidade das formas, o qual prega que a formalidade na prática de determino ato processual, apesar de importante para fins de segurança jurídica, não é o essencial e exclusivo aspecto a se analisar do ato para definir a sua insanável nulidade.

13 DONIZETTI, Elpídio. Curso Didático de Direito Processual Civil. 2017.p. 78. 14 DONIZETTI, Elpídio. Curso Didático de Direito Processual Civil. 2017.p. 78.

15 CORRÊA, Sueli Machado Apóstolo. A NOVA PROPOSTA DE CELERIDADE PRESENTE NO NOVO CPC: SUA REAL EFETIVIDADE. Ideias e Inovação, Aracaju, v. 4, n. 1, p.61-70, nov. 2017. p. 64

16 DONIZETTI, Elpídio. Curso Didático de Direito Processual Civil. 2017.p. 78

17 CÂMARA, Alexandre Freitas. O Princípio da Primazia da Resolução do Mérito e o Novo Código de Processo Civil. set. 2015.p.45

18 CÂMARA, Alexandre Freitas. O Princípio da Primazia da Resolução do Mérito e o Novo Código de Processo Civil. set. 2015.p.50

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Na verdade, conforme Daniel Amorim Assumpção Neves:

O essencial é verificar se o desrespeito à forma legal para a prática do ato afastou-o de sua finalidade, além de verificar se o descompasso entre o ato como foi praticado e como deveria ser praticado segundo a forma legal causou algum prejuízo para a parte contrária, tampouco ao próprio processo, e percebendo-se que o ato atingiu sua finalidade, é excessivo e indesejável apego ao formalismo declarar o ato nulo, impedindo a geração dos efeitos jurídico-processuais programados pela lei. Fundamentalmente, esse aproveitamento do ato viciado, com as exigências descritas, representa o princípio da instrumentalidade das formas, que naturalmente tem ligação estreita com o princípio da economia processual19.

Contudo, é relevante evidenciar que as tão almejadas economia e celeridade processual, bem como o princípio da primazia da resolução do mérito e da instrumentalidade das formas não podem ser levadas a extremos, uma vez que o processo pressupõe um encadeamento de atos e procedimentos que, muitas vezes, impedem a rápida resolução do litígio, porém, ainda assim, precisam ser observadas, tendo em vista todos os princípios devem sempre ser aplicados e estudados em conjunto com os demais valores e princípios que permeiam o processo civil.

2.2. O PRINCÍPIO DA EFETIVIDADE

Segundo Donizetti, o princípio da efetividade pode ser entendido da seguinte forma:

o princípio da efetividade decorre do devido processo legal (cláusula geral) e constitui um metadireito (direito sobre direito), que garante que todos os demais direitos se efetivem. O processo efetivo, aliás, é um dos três pilares que sustentam a nova dimensão do processo justo: a tutela efetiva, célere e adequada.

De acordo com o princípio da efetividade, àquele que tem razão, o processo deve garantir e conferir, na medida do possível, justamente o bem da vida a que ele teria direito se não precisasse se valer do processo. Por essa razão, o princípio da efetividade é também denominado de princípio da máxima coincidência possível.

Assim como o princípio da celeridade, o processo efetivo não se limita ao provimento formal: a efetividade abrange também (e principalmente) os meios executivos capazes de concretizar o direito material (efetividade em sentido estrito). Vale destacar, no entanto, que processo efetivo não é sinônimo de processo célere. O processo efetivo perdurará pelo prazo compatível com a complexidade do direito discutido. Será célere sempre quanto possível. Há a efetividade virtuosa – que leva em conta todas as garantias inerentes ao 19 NEVES, Daniel Amorim Assumpção. Manual de Direito Processual Civil: Volume Único. 2016.p. 140/141.

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processo – e a malsã, que prioriza tão somente a celeridade. À guisa de exemplo, cite-se o caso do processo que transcorreu com a máxima celeridade, outorgando a prestação jurisdicional sem sequer facultar ao réu a produção de provas. Pelo prisma da celeridade, o processo até pode ser efetivo. Todavia, com base em uma interpretação sistemática do ordenamento jurídico, não se reputa efetivo o processo, na medida em que cerceou garantias processuais do réu, o que pode inclusive ensejar a nulidade do processo20.

Relativamente ao referido princípio, o Código de Processo Civil, em seu artigo 4º, estabelece que “as partes têm o direito de obter em prazo razoável a solução integral do mérito, incluída a atividade satisfativa”.

Observa-se, portanto, a evidente preocupação do supracitado diploma legal com a efetividade do processo, uma vez que, como a jurisdição possui como escopo a solução de conflitos e a, consequente, paz social. Logo, o princípio da efetividade do processo configura-se como a real essência da jurisdição21.

Destarte, alcançar a efetividade processual constitui-se por garantir ao litigante, dentro do possível, aquilo que ele naturalmente conseguiria caso não precisasse recorrer ao Poder Judiciário22.

Essa noção de efetividade processual, muitas vezes, está ligada ao princípio da eficiência, podendo-se aferir que compete ao Poder Judiciário organizar-se da maneira mais conveniente para garantir que:

a tutela jurisdicional possa ser conferida ao titular do direito material de maneira oportuna, econômica e tempestiva, tudo de modo a garantir que a resolução de conflitos não se limite apenas à prolação de uma sentença judicial, mas sim que possa efetivamente realizar o direito devido ao seu titular e formalmente reconhecido em decisão proferida no processo23.

20 DONIZETTI, Elpídio. Curso Didático de Direito Processual Civil. 2017.p.. 102

21 MEDEIROS NETO, Elias Marques de (Org.). O art. 4º do novo Código de Processo Civil e o Princípio da Efetividade do Processo. In: RODRIGUES, Geisa de Assis; ANJOS FILHO, Robério Nunes dos. Reflexões sobre o Novo Código de Processo Civil. 2016. p.235-236

22 MEDEIROS NETO, Elias Marques de (Org.). O art. 4º do novo Código de Processo Civil e o Princípio da Efetividade do Processo. In: RODRIGUES, Geisa de Assis; ANJOS FILHO, Robério Nunes dos. Reflexões sobre o Novo Código de Processo Civil. 2016. P.236

23 MEDEIROS NETO, Elias Marques de (Org.). O art. 4º do novo Código de Processo Civil e o Princípio da Efetividade do Processo. In: RODRIGUES, Geisa de Assis; ANJOS FILHO, Robério Nunes dos. Reflexões sobre o Novo Código de Processo Civil. 2016. p.240

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Tal conjuntura indica que os mecanismos processuais possuem o dever de serem capazes de proporcionar decisões judiciais justas, úteis e tempestivas aos jurisdicionados, garantindo-os verdadeiramente garantindo-os bens jurídicgarantindo-os devidgarantindo-os a todgarantindo-os que pgarantindo-ossuem a razão24.

3. JULGAMENTO ANTECIPADO PARCIAL DO MÉRITO

Em face da preocupação com os princípios destacados anteriormente, em especial, o princípio da duração razoável do processo e a consequente atenção ao princípio da celeridade processual, o legislador, no âmbito do Novo Código de Processo Civil, tratou de regular de maneira expressa a hipótese do julgamento antecipado parcial do mérito.

Essa hipótese não se configura em uma novidade na legislação processual, contudo, com a sua regulamentação, o legislador possibilitou a correção de uma “atecnia existente no Código de Processo Civil de 1973, quando trata da antecipação da tutela na hipótese de pedido incontroverso (§ 6.º do art. 273 do CPC/1973)”25.

Nesse prisma, as diferenças e similaridades do tratamento dado à decisão parcial de mérito pelo Código de Processo Civil de 1973 e pelo Código de Processo Civil de 2015 serão abordadas nos tópicos seguintes.

3.1. JULGAMENTO ANTECIPADO PARCIAL DE MÉRITO E O CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 1973

Em linhas gerais, o Código de Processo Civil de 1973 aparenta ter procurado associar o julgamento de mérito com a extinção do processo, sobretudo quando se faz a leitura dos seus artigos 267 e 269, bem como a análise do conceito de sentença disposta no referido diploma legal em seu §1º do artigo 162, isso pelo menos até a chegada da Lei 11.232/2005, quando, até então, dispunha que somente poderia ser denominado sentença o ato do juiz que “põe termo ao processo”26.

É nessa lógica de estrutura que o próprio sistema recursal foi arquitetado pelo legislador, haja vista o recurso de apelação, da forma como concebido, ensejar a remessa dos autos ao tribunal de justiça e somente poder ser manejado contra o ato do juiz que finalizasse o procedimento em primeiro grau de jurisdição, ou seja, prolatasse sentença27. Nesse condão,

24 CORRÊA, Sueli Machado Apóstolo. A NOVA PROPOSTA DE CELERIDADE PRESENTE NO NOVO CPC: SUA REAL EFETIVIDADE. nov. 2017.p. 68

25 MEIRELES, Edilton. JULGAMENTO ANTECIPADO PARCIAL DO MÉRITO. fev. 2016.p.01

26 SIQUEIRA, Thiago Ferreira. O julgamento antecipado parcial do mérito no novo Código de Processo Civil brasileiro. jan. 2016. p172.

27 SIQUEIRA, Thiago Ferreira. O julgamento antecipado parcial do mérito no novo Código de Processo Civil brasileiro. jan. 2016. p172.

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todos os outros pronunciamentos sem a capacidade de extinguir o processo deveriam ser atacadas por meio do agravo de instrumento.

Nesse panorama, havia uma resistência, por parte da doutrina, em admitir que o juiz pudesse vir a julgar parte do mérito antecipadamente e determinar o prosseguimento do feito para apreciação dos demais pedidos28. Em geral, esse posicionamento era fundamentado no fato de que em eventual recurso de apelação a ser interposto contra essa decisão, este poderia gerar confusão no andamento do processo. Como é o caso do autor José Frederico Marques:

Formado o processo cumulativo, não pode o juiz decidir antecipadamente um ou alguns dos litígios e deixar os demais para a sentença a ser proferida a final. Todos os litígios devem ser julgados numa só sentença (sentença antecipada sobre a lide ou sentença em audiência), uma vez que não se pode suspender o curso do procedimento em havendo apelação, com efeito suspensivo, para aguardar o julgamento do recurso. E como seria absurdo, contra ius e contra

legem, entender-se que aí caberia o agravo de instrumento, - o princípio da

economia processual (que é um dos inspiradores do art. 330) impede aquela suspensão do processo cumulativo, e, consequentemente, julgamento antecipado de apenas uma ou algumas das lides contidas em simultaneous

processos29.

Conforme se pode perceber, esses autores partiam do pressuposto de que decisões interlocutórias não poderiam versar sobre o meritum causae, porquanto, na visão deles, somente sentenças poderiam ter esse tipo de pronunciamento30.

Ressalta-se que existia algum fundamento para tal posicionamento. O próprio Código sinalizava a diferença de importância e proeminência dada às sentenças, em detrimento das decisões interlocutórias.

Em sendo assim o Código de Processo Civil de 1973 fazia poucas menções às decisões interlocutórias. Sobre o assunto, Thiago Ferreira Siqueira exemplifica muito bem as referências feitas pelo código acerca da decisão interlocutória:

As primeiras referências encontram-se no artigo 162 - caput e § 2º-, que, como sabemos, procura definir os pronunciamentos do juiz. Depois disso, o termo

28 SIQUEIRA, Thiago Ferreira. O julgamento antecipado parcial do mérito no novo Código de Processo Civil brasileiro. jan. 2016. p172

29 Ibidem 30 Ibidem

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aparece unicamente no Título X do Livro I, que se destina ao trato dos recursos: art. 522 (cabimento do agravo), art. 523, § 3º

(obrigatoriedade do agravo retido oral na audiência de instrução e julgamento), art. 539, parágrafo único (agravo na causa de competência originária do STJ a que se refere o inciso II, alínea b do mesmo artigo) e art. 542, § 3º (regime de retenção dos recursos excepcionais quando interpostos contra decisões interlocutórias)31.

Note-se que, além de serem pouquíssimas referências, nenhum desses dispositivos mencionam a resolução do mérito ou suas consequências. Em contrapartida, a palavra sentença aparece numerosas vezes e em diversas delas está relacionada ao julgamento da causa32, ficando evidente que código deu um destaque muito maior às sentenças em comparação com as decisões interlocutórias, o que indica que o legislador de 1973 não pensou sobre a possibilidade de fragmentar o julgamento do mérito33.

Nesse prisma, depreende-se que o Código de Processo Civil de 1973 foi elaborado de forma linear, com fases definidas, de forma garantir segurança, organização e celeridade ao processo34, iniciando-se com a demanda do autor e finalizando-se com a sentença, a qual deveria ser única e somente passível de impugnação através de uma única apelação de cada uma das partes.

Essa questão da unicidade da sentença foi relativamente flexibilizada com o advento da Lei nº 10.444/2002, ao incluir ao art. 273 do CPC o §6º:

Art. 273. O juiz poderá, a requerimento da parte, antecipar, total ou parcialmente, os efeitos da tutela pretendida no pedido inicial, desde que, existindo prova inequívoca, se convença da verossimilhança da alegação e: (Redação dada pela Lei nº 8.952, de 13.12.1994)

I - haja fundado receio de dano irreparável ou de difícil reparação; ou (Incluído pela Lei nº 8.952, de 13.12.1994)

II - fique caracterizado o abuso de direito de defesa ou o manifesto propósito protelatório do réu. (Incluído pela Lei nº 8.952, de 13.12.1994)

31 SIQUEIRA, Thiago Ferreira. O julgamento antecipado parcial do mérito no novo Código de Processo Civil brasileiro. jan. 2016. p173.

32 SIQUEIRA, Thiago Ferreira. O julgamento antecipado parcial do mérito no novo Código de Processo Civil brasileiro. jan. 2016. p173: É o caso, por exemplo, do art. 330 (o juiz conhecerá diretamente do pedido, proferindo sentença), do art. 459 (o juiz proferirá a sentença, acolhendo ou rejeitando, no todo ou em parte, o pedido formulado pelo autor), ou, ainda, do art. 460 (é defeso ao juiz proferir sentença, a favor do autor, de natureza diversa da pedida), dentre outros.

33 Idem. p174

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§ 1 o Na decisão que antecipar a tutela, o juiz indicará, de modo claro e preciso, as razões do seu convencimento. (Incluído pela Lei nº 8.952, de 13.12.1994)

§ 2 o Não se concederá a antecipação da tutela quando houver perigo de irreversibilidade do provimento antecipado. (Incluído pela Lei nº 8.952, de 13.12.1994)

§ 3 o A efetivação da tutela antecipada observará, no que couber e conforme sua natureza, as normas previstas nos arts. 588, 461, §§ 4 o e 5 o , e 461-A. (Redação dada pela Lei nº 10.444, de 7.5.2002)

§ 4 o A tutela antecipada poderá ser revogada ou modificada a qualquer tempo, em decisão fundamentada. (Incluído pela Lei nº 8.952, de 13.12.1994) § 5 o Concedida ou não a antecipação da tutela, prosseguirá o processo até final julgamento. (Incluído pela Lei nº 8.952, de 13.12.1994)

§ 6 o A tutela antecipada também poderá ser concedida quando um ou mais dos pedidos cumulados, ou parcela deles, mostrar-se incontroverso. (Incluído pela Lei nº 10.444, de 7.5.2002)

§ 7 o Se o autor, a título de antecipação de tutela, requerer providência de natureza cautelar, poderá o juiz, quando presentes os respectivos pressupostos, deferir a medida cautelar em caráter incidental do processo ajuizado. (Incluído pela Lei nº 10.444, de 7.5.2002) (grifo acrescido)

Sendo assim, com a inclusão desse parágrafo, permitiu-se que a antecipação de tutela também fosse concedida nas hipóteses de incontrovérsia de um ou mais pedidos cumulados pelo autor.

Dando seguimento as mudanças, a Lei 11.232/2005 alterou a conceituação de sentença, deixando ser o ato que põe fim ao processo, para tornar-se o ato que resulta em uma das situações mencionadas nos artigos 267 e 269 do Código de Processo Civil de 1973, fazendo surgir a concepção de que o art. 273, §6º, CPC/73, autorizaria o proferimento de uma verdadeira sentença parcial de mérito35.

Essa concepção, todavia, encontrava obstáculos intransponíveis, uma vez que o referido dispositivo fora inserido em artigo que tratava da tutela antecipada36, não havendo a menor possibilidade de interpretação que permitisse afirmar que a hipótese era de sentença definitiva, e não de antecipação de tutela37.

Ademais, a própria existência de sentenças parciais no ordenamento brasileiro seria inconciliável com o sistema recursal do CPC de 1973, profundamente vinculado à unicidade da sentença, da qual caberia apelação e das decisões interlocutórias agravo retido ou agravo de instrumento38.

35 LUCCA, Rodrigo Ramina de. JULGAMENTOS ANTECIPADOS PARCIAIS DE MÉRITO. jun. 2016. p. 3 36 LUCCA, Rodrigo Ramina de. JULGAMENTOS ANTECIPADOS PARCIAIS DE MÉRITO. jun. 2016. p. 3 37 Idem, p. 4

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Sem contar que a conceituação de decisão interlocutória se manteve sem alterações mesmo após as reformas realizadas de 2005 a 200639. Por esse motivo, Nelson Nery Jr. E Rosa Maria de Andrade constataram que:

Com o advento da L11232/05, que alterou o conceito de sentença estabelecido no CPC (LGL\2015\1656) 162 § 1.º, houve modificação de rótulo, mas não de essência, pois referida lei manteve inalterado o conceito de decisão interlocutória, que continua a ser o descrito no CPC (LGL\2015\1656) 162 § 2.º, em sua redação originária, de 197340.

Confirmando esse entendimento, o STJ, ao julgar o REsp 1.281.978/RS, atestou a incompatibilidade entre as sentenças parciais e o CPC/197341.

39 LUCCA, Rodrigo Ramina de. JULGAMENTOS ANTECIPADOS PARCIAIS DE MÉRITO. jun. 2016. p. 4 40 LUCCA, Rodrigo Ramina de. JULGAMENTOS ANTECIPADOS PARCIAIS DE MÉRITO. jun. 2016. p. 4, apud, NERY JR, Nelson; NERY, Rosa Maria de Andrade. Código de Processo Civil comentado e legislação

extravagante. p. 427.

41 RECURSO ESPECIAL. PROCESSO CIVIL. REFORMA PROCESSUAL. LEI Nº 11.232/2005. ADOÇÃO DO PROCESSO SINCRÉTICO. ALTERAÇÃO DO CONCEITO DE SENTENÇA. INCLUSÃO DE MAIS UM REQUISITO NA DEFINIÇÃO. CONTEÚDO DO ATO JUDICIAL. MANUTENÇÃO DO PARÂMETRO TOPOLÓGICO OU FINALÍSTICO. TEORIA DA UNIDADE ESTRUTURAL DA SENTENÇA. PROLAÇÃO DE SENTENÇA PARCIAL DE MÉRITO. INADMISSIBILIDADE. CISÃO INDEVIDA DO ATO SENTENCIAL. ART. 273, § 6º, DO CPC E NOVO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. INAPLICABILIDADE. 1. Cinge-se a controvérsia a saber se as alterações promovidas pela Lei nº 11.232/2005 no conceito de sentença (arts. 162, § 1º, 269 e 463 do CPC) permitiram, na hipótese de cumulação de pedidos, a prolação de sentença parcial de mérito, com a resolução definitiva fracionada da causa, ou se ainda há a obrigatoriedade de um ato único para resolver integralmente o mérito da lide, pondo fim a uma fase do processo. 2. A reforma processual oriunda da Lei nº 11.232/2005 teve por objetivo dar maior efetividade à entrega da prestação jurisdicional, sobretudo quanto à função executiva, pois o processo passou a ser sincrético, tendo em vista que os processos de liquidação e de execução de título judicial deixaram de ser autônomos para constituírem etapas finais do processo de conhecimento; isto é, o processo passou a ser um só, com fases cognitiva e de execução (cumprimento de sentença). Daí porque houve a necessidade de alteração, entre outros dispositivos, dos arts. 162, 269 e 463 do CPC, visto que a sentença não mais "põe fim" ao processo, mas apenas a uma de suas fases. 3. Sentença é o pronunciamento do juiz de primeiro grau de jurisdição (i) que contém uma das matérias previstas nos arts. 267 e 269 do CPC e (ii) que extingue uma fase processual ou o próprio processo. Em outras palavras, sentença é decisão definitiva (resolve o mérito) ou terminativa (extingue o processo por inobservância de algum requisito processual) e é também decisão final (põe fim ao processo ou a uma de suas fases). Interpretação sistemática e teleológica, que melhor se coaduna com o atual sistema lógico-processual brasileiro. 4. A novel legislação apenas acrescentou mais um parâmetro (conteúdo do ato) para a identificação da decisão como sentença, pois não foi abandonado o critério da finalidade do ato (extinção do processo ou da fase processual). Permaneceu, dessa forma, no Código de Processo Civil de 1973 a teoria da unidade estrutural da sentença, a obstar a ocorrência de pluralidade de sentenças em uma mesma fase processual. 5. A sentença parcial de mérito é incompatível com o direito processual civil brasileiro atualmente em vigor, sendo vedado ao juiz proferir, no curso do processo, tantas sentenças de mérito/terminativas quantos forem os capítulos (pedidos cumulados) apresentados pelo autor da demanda. 6. Inaplicabilidade do art. 273, § 6º, do CPC, que admite, em certas circunstâncias, a decisão interlocutória definitiva de mérito, visto que não foram cumpridos seus requisitos. Ademais, apesar de o novo Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015), que entrará em vigor no dia 17 de março de 2016, ter disciplinado o tema com maior amplitude no art. 356, permitindo o julgamento antecipado parcial do mérito quando um ou mais dos pedidos formulados na inicial ou parcela deles (i) mostrar-se incontroverso ou (ii) estiver em condições de imediato julgamento, não pode incidir de forma

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3.2 JULGAMENTO ANTECIPADO PARCIAL DE MÉRITO NO NOVO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL

O Novo Código de Processo Civil trouxe algumas reestruturações e novidades ao processo civil brasileiro, dentre elas a previsão de decisões parciais de mérito que podem ser proferidas no curso da demanda.

Antes de adentrar, propriamente dito, às questões da decisão parcial antecipada de mérito, é importante destacar alguns conceitos trazido pelo código que impactam diretamente na análise do referido instrumento.

No Código de Processo Civil de 2015, o conceito de sentença e decisão interlocutória foi previsto em seu artigo 203. Vejamos:

Art. 203. Os pronunciamentos do juiz consistirão em sentenças, decisões interlocutórias e despachos.

§ 1º Ressalvadas as disposições expressas dos procedimentos especiais, sentença é o pronunciamento por meio do qual o juiz, com fundamento nos arts. 485 e 487, põe fim à fase cognitiva do procedimento comum, bem como extingue a execução.

§ 2º Decisão interlocutória é todo pronunciamento judicial de natureza decisória que não se enquadre no § 1º.

§ 3º São despachos todos os demais pronunciamentos do juiz praticados no processo, de ofício ou a requerimento da parte.

§ 4º Os atos meramente ordinatórios, como a juntada e a vista obrigatória, independem de despacho, devendo ser praticados de ofício pelo servidor e revistos pelo juiz quando necessário (grifos acrescidos).

Em rápida análise do dispositivo supra, observa-se que as sentenças permanecem, de certa forma, a serem caracterizadas com ato final – da fase cognitiva, se de conhecimento, ou do próprio processo, se de execução42.

Por outro lado, as decisões interlocutórias passaram a ser entendidas como “quaisquer pronunciamentos judiciais decisórios que não sejam considerados sentença, incluindo aqueles que julgam o mérito do processo”43.

imediata ou retroativa, haja vista os princípios do devido processo legal, da legalidade e do tempus regit actum. 7. Recurso especial não provido.

(STJ - REsp: 1281978 RS 2011/0224837-2, Relator: Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, Data de Julgamento: 05/05/2015, T3 - TERCEIRA TURMA, Data de Publicação: DJe 20/05/2015)

42 LUCCA, Rodrigo Ramina de. JULGAMENTOS ANTECIPADOS PARCIAIS DE MÉRITO. jun. 2016. p. 4 43 LUCCA, Rodrigo Ramina de. JULGAMENTOS ANTECIPADOS PARCIAIS DE MÉRITO. jun. 2016. p. 4

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Inclusive, o Código fez uma menção expressa sobre a possibilidade de as decisões interlocutória tratarem sobre mérito:

Art. 1.015. Cabe agravo de instrumento contra as decisões interlocutórias que versarem sobre:

(...)

II - mérito do processo;

Essa novidade na estrutura processual autorizou que fossem permitidas, de forma expressa, as decisões parciais de mérito, prevista no artigo 356, CPC/2015, e decisões parciais terminativas, dispostas no artigo 354, parágrafo único CPC/201544.

O artigo 356 do CPC/2015 dispõe o seguinte:

Art. 356. O juiz decidirá parcialmente o mérito quando um ou mais dos pedidos formulados ou parcela deles:

I - mostrar-se incontroverso;

II - estiver em condições de imediato julgamento, nos termos do art. 355 . § 1º A decisão que julgar parcialmente o mérito poderá reconhecer a existência de obrigação líquida ou ilíquida.

§ 2º A parte poderá liquidar ou executar, desde logo, a obrigação reconhecida na decisão que julgar parcialmente o mérito, independentemente de caução, ainda que haja recurso contra essa interposto.

§ 3º Na hipótese do § 2º, se houver trânsito em julgado da decisão, a execução será definitiva.

§ 4º A liquidação e o cumprimento da decisão que julgar parcialmente o mérito poderão ser processados em autos suplementares, a requerimento da parte ou a critério do juiz.

§ 5º A decisão proferida com base neste artigo é impugnável por agravo de instrumento.

É possível perceber, então, que o Novo Código de Processo Civil visa elucidar as variadas divergências jurisprudenciais e doutrinárias concebidas depois do advento da Lei 10.444/2002 e o acréscimo do § 6.º ao art. 273 do CPC/197345.

No CPC/1973, o mérito deveria ser julgado imperiosamente por sentença. O CPC/2015, por outro lado, permitiu que o mérito fosse julgado tanto no âmbito da sentença, quando no da

44 LUCCA, Rodrigo Ramina de. JULGAMENTOS ANTECIPADOS PARCIAIS DE MÉRITO. jun. 2016. p. 4. 45 LUCCA, Rodrigo Ramina de. JULGAMENTOS ANTECIPADOS PARCIAIS DE MÉRITO. jun. 2016. p.5

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decisão interlocutória. Sendo assim, “As decisões não são mais conceituadas de acordo com o conteúdo decisório, mas segundo a sua posição no procedimento”46.

Nesse diapasão, dado que a sentença, nos termos do art. 203, §1º, CPC/2015, é aquele ato que põe fim à fase cognitiva do procedimento comum, não pode ser ela identificada como ato que julga o mérito no curso da demanda processual47.

Assim sendo, qualquer pronunciamento judicial com conteúdo decisório que não enquadre na definição de sentença delineada supra será uma decisão interlocutória de mérito (art. 203, §2º, CPC/2015).

Além disso, próprio dispositivo que trata diretamente da decisão parcial de mérito, o art. 356, CPC/2015, em seu § 5º, determina que esse tipo de decisão é impugnável por agravo de instrumento, sendo reafirmado pelo inciso II do art. 1.015 do CPC que prescreve o cabimento do agravo de instrumento contra decisões interlocutórias que versarem sobre mérito do processo48. Tudo isso indica, mais uma vez, que a decisão parcial de mérito antecipada se trata de uma decisão interlocutória.

É por todas essas evidências que Rodrigo Ramina de Lucca afirma que “não haverá sentenças parciais no novo processo civil brasileiro, mas ‘julgamentos antecipados parciais do mérito’. A natureza do pronunciamento judicial que julga parcialmente o mérito do processo é decisão interlocutória”49.

4. JULGAMENTO ANTECIPADO PARCIAL DE MÉRITO NAS AÇÕES DE DIVÓRCIO

Anteriormente, a dissolução do vínculo conjugal impunha uma série de exigências a serem cumpridas para que o casal pudesse se divorciar, tonando a ação de divórcio, muitas vezes, mais complexa e dispendiosa.

Entretanto, com a promulgação da Emenda Constitucional 66/2010 esse panorama mudou, tendo em vista que para a decretação do divórcio passou a necessitar apenas da vontade dos cônjuges para dar fim ao vínculo conjugal, tornando-se um processo menos burocratizado e mais perfilhado aos princípios da economia e da celeridade processual.

46 LUCCA, Rodrigo Ramina de. JULGAMENTOS ANTECIPADOS PARCIAIS DE MÉRITO. jun. 2016. p.5 47 Ibidem.

48 Ibidem. 49 Ibidem.

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Nessa perspectiva, o divórcio passou a ser um direito potestativo, podendo ser decretado em decisões interlocutórias na esfera de processos com cumulações de pedido em uma mesma ação.

Diante do novo instrumento do julgamento antecipado parcial do mérito, por meio de decisão interlocutória, mostra-se salutar análise dos impactos da sentença terminativa do processo sobre essa decisão interlocutória, com vistas a observar os seus benefícios e inovações trazidas para o jurisdicionado.

4.1. AÇÕES DE DIVÓRCIO

Como já abordado anteriormente, com a promulgação da Emenda Constitucional nº 66/2010, a ação de divórcio passa a ser simplificada, dependendo apenas da vontade das partes em buscarem a via judicial ou administrativa, após o advento da 11.441/2007, para que fosse desconstituído o vínculo matrimonial através do divórcio.

Essas mudanças representaram um enorme avanço processual no campo das ações de divórcio, posto que deixaram de precisar de uma instrução demasiadamente longa para serem concluídas50.

Nesse contexto, o pedido de divórcio passou a ser uma alegação incontroversa, ou seja, uma vez manifestada a vontade das partes nesse sentido, o juiz deve decretar o divórcio.

Desse modo, em que pese seja possível a cumulação de outros pedidos nas ações de divórcio, no que concerne a dissolução do vínculo conjugal, esta é passível de ser julgada antecipadamente pelo magistrado, tendo em conta a desnecessidade de instrução probatória para o citado pedido51.

É importante salientar que a separação judicial deixou de ser obrigatória, tornando-se apenas uma “fase prévia facultativa”52, não havendo mais exigência de prazo mínimo de um ano de convivência para separação consensual.

Ademais, a motivação fática de descumprimento de deveres do casamento (art. 1.572, do CC/2002) deixou de ser requisito para a separação litigiosa.

Nas hipóteses de separação ou divórcio consensuais há a dispensa de realização de audiência de tentativa de reconciliação (art. 40, § 2º, da Lei 6.515/1977), apenas sendo possível

50 MEIRA, Jade Anjos. Sentença Parcial de Mérito nas Ações de Divórcio. Ejuse, 2015. p. 49 51 MEIRA, Jade Anjos. Sentença Parcial de Mérito nas Ações de Divórcio. Ejuse, 2015. p. 50

52. REIS, Francis Vanine de Andrade. DIVÓRCIO POTESTATIVO E JULGAMENTO FRACIONADO DO MÉRITO NO NOVO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. jun./dez. 2015. p.73

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a prática de audiência inaugural de mediação, estabelecida no artigo 695 do CPC/2015, para fins de tentativa de solução amigável da lide53.

É permitido, também, nos termos do art. 731, caput, do CPC/2015, a possibilidade de realização de acordo sobre as questões adjacentes, a exemplo, alimentos, guarda e partilha de bens, sujeito a homologação judicial. Frise-se que é autorizado, depois da homologação do divórcio, ser discutida em ação autônoma a partilha de bens quando não existe acordo entre as partes sobre o assunto à época do divórcio54.

Em relação ao divórcio direto litigioso, este foi abordado pelo Código de Processo Civil nos seus artigos 693 a 699, em conjunto com a dissolução de união estável, divórcio e separação. Por fim, relativamente ao divórcio administrativo, este é tratado no artigo 733 do CPC/2015, que impões que o casal somente poderá fazer uso desse recurso caso não haja nascituro ou filhos incapazes.

Observado todos os requisitos legais, as partes poderão utilizar a “escritura pública como documento suficiente para o levantamento de importâncias depositadas em instituições financeiras (art. 733, § 1º), eliminando a necessidade de ação de alvará judicial”55.

4.2. IMPACTOS DA SENTENÇA TERMINATIVA SOBRE A DECISÃO QUE JULGA ANTECIPADAMENTE DE FORMA PARCIAL O MÉRITO DECRETANDO O DIVÓRCIO

No Código de Processo Civil anterior, quando a ação de divórcio era cumulada com outros pedidos adjacentes, pelo fato de o divórcio ser um direito potestativo, era fato incontroverso que poderia ser concedido no âmbito da antecipação de tutela, com fulcro no art. 273, §6º do CPC/73.

Entretanto, o sistema processual regrado pelo Código anterior possuía uma predisposição pela defesa do princípio da unidade da sentença, inviabilizando, portanto, a imutabilidade dessa decisão que decretou o divórcio antecipadamente.

Essa situação gerava grande inquietação quanto ao tamanho do impacto da sentença final sobre essa decisão anterior, especialmente, no que tange sentença extintivas sem resolução do mérito, haja vista incertezas inclusive sobre a natureza jurídica dessa decisão, pois havia

53 REIS, Francis Vanine de Andrade. DIVÓRCIO POTESTATIVO E JULGAMENTO FRACIONADO DO MÉRITO NO NOVO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. jun./dez. 2015. p.74

54 art. 731, parágrafo único, do CPC/2015; art. 1.581 do CCB e Súmula 197 do STJ

55 REIS, Francis Vanine de Andrade. DIVÓRCIO POTESTATIVO E JULGAMENTO FRACIONADO DO MÉRITO NO NOVO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. jun./dez. 2015. p. 76

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uma corrente doutrinária afirmando que a decisão seria uma sentença e outras que seria uma decisão interlocutória56, o que impactaria diretamente na imutabilidade da referida decisão.

Entendimento semelhante possui Francis Vanine de Andrade Reis:

A literatura tradicional costuma defender o princípio da unicidade da sentença como axioma do processo civil brasileiro, a partir da premissa de que só cabe um provimento final no processo.

Sentença, assim, em uma acepção tradicional, era a decisão que encerrava o procedimento com ou sem julgamento do mérito, diferenciando-se de decisão interlocutória, como pronunciamento judicial de resolução de questão incidente57.

Por sua vez, o Novo Código de Processo Civil buscou solucionar todos esses entraves, inclusive redefinindo o conceito de sentença, como já abordado anteriormente.

Sendo assim, “a sentença é um ato decisional cuja definição depende do momento processual de sua realização (após a cognição exauriente) e por seu conteúdo”58 (matéria prevista nos artigos 485 e 487, CPC/2015).

Por consequência, toda e qualquer decisão no curso da demanda que não se encaixe na definição de sentença disposta no art. 203, §2º, CPC/2015, será uma decisão interlocutória.

Todavia, persistia a questão do julgamento fracionado do mérito quanto a regulamentação sobre sua possibilidade, natureza jurídica e formação de coisa julgada.

Nesse sentido, com vistas a sanar possíveis inconformidades, a redação do artigo 356, CPC/2015, previu o julgamento fracionado do mérito antecipado, dentro dessa ideia de tutela de evidência instituída pelo novo diploma legal59.

Ainda assim, diante dessa possibilidade, resta a averiguação da coisa julgada parcial que venha a ser feita por essa decisão, bem como suas implicações na esfera da possível imutabilidade, com o propósito de promover a segurança jurídica.

No NCPC, as sentenças de mérito e as decisões interlocutórias de mérito passaram a possuir o mesmo conteúdo, diferenciando-se somente pelo momento em que são proferidas60.

56REIS, Francis Vanine de Andrade. DIVÓRCIO POTESTATIVO E JULGAMENTO FRACIONADO DO MÉRITO NO NOVO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. jun./dez. 2015. p. 78

57 REIS, Francis Vanine de Andrade. DIVÓRCIO POTESTATIVO E JULGAMENTO FRACIONADO DO MÉRITO NO NOVO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. jun./dez. 2015. p. 77

58 Idem. p.78 59 Idem. p. 79

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Por esse motivo, é perfeitamente lógico pensar que as decisões interlocutórias de mérito façam coisa julgada.

Prevendo esse tipo questionamento, o próprio CPC tratou de deslindar essa questão por meio dos seus artigos 502 e 503. In verbis:

Art. 502. Denomina-se coisa julgada material a autoridade que torna imutável e indiscutível a decisão de mérito não mais sujeita a recurso.

Art. 503. A decisão que julgar total ou parcialmente o mérito tem força de lei nos limites da questão principal expressamente decidida.

É possível notar que o CPC, quando fala em coisa julgada, tem o cuidado de aludi-la como “decisão de mérito”, englobando manifestamente as decisões interlocutórias61 e não estritamente as sentenças.

Diante dessas constatações, é visível a ausência de diferenciação ontológica entre a sentença de mérito e a decisão interlocutória de mérito62, sendo, esta última, por conseguinte, também sujeita ao trânsito em julgado, assim como a sentença.

É seguindo essa lógica que §3º do artigo 356 do CPC/2015 foi redigido, já que prevê a possibilidade trânsito em julgado da referida decisão, podendo ser executada de forma definitiva63.

Ante o exposto, é possível afirmar que a decisão proferida com fulcro no artigo 356, CPC/2015, configura-se por ser uma decisão de mérito, sendo possível a sua imunização pela autoridade da coisa julgada e, desde que não seja mais cabível nenhum recurso contra ela, ocorrerá o seu trânsito em julgado, “estabiliza-se, assim, enquanto ato do procedimento, adquirindo o status de coisa julgada formal”.

5. CONCLUSÃO

Como já tratado, é certo que o processo civil deve estar inserido na abrangência dos princípios constitucionais, tendo em vista que proporcionam um maior entendimento sobre as questões jurídicas por ele regulamentada.

61 LUCCA, Rodrigo Ramina de. JULGAMENTOS ANTECIPADOS PARCIAIS DE MÉRITO. jun. 2016. p.09. 62 Ibidem.

63 SIQUEIRA, Thiago Ferreira. O julgamento antecipado parcial do mérito no novo Código de Processo Civil brasileiro. jan. 2016. p. 193

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Essa constitucionalização viabilizou alterações no paradigma processual, de modo que a Constituição passou integrar o centro do sistema jurídico como um todo, no caso vertente, no sistema processual.

Em face da influência desses princípios, várias concepções foram modificadas para se harmonizarem eles. No caso em apreço, tratamos dos princípios da economia processual, celeridade processual, da primazia da resolução do mérito e da efetividade, os quais vieram a respaldar alguma das mudanças empreendidas no novo CPC, em especial, na previsão da decisão parcial antecipada de mérito.

Ocorre que essa previsão de fracionamento do mérito já estava em discussão no sistema regido pelo CPC anterior, contudo, carecia de regulamentação apropriada, cuja correção veio a ser realizada no CPC/2015.

Nesse sentido, estabeleceu-se que a sentença e a decisão interlocutória se diferenciam prioritariamente pelo momento em que são proferidas, sendo a sentença um ato decisional cuja definição depende do momento processual de sua realização, bem como por seu conteúdo e decisão interlocutória passa a ser toda e qualquer decisão no curso da demanda que não se encaixe na definição de sentença disposta no art. 203, §2º, CPC/2015.

Além disso, o CPC/2015, em seu artigo 356, CPC/2015, previu o julgamento fracionado do mérito antecipado, configurando-se por ser uma decisão de mérito, sendo possível a sua imunização pela autoridade da coisa julgada e, desde que não seja mais cabível nenhum recurso contra ela, ocorrerá o seu trânsito em julgado, fazendo coisa julgada formal.

Sendo assim, a decisão parcial de mérito antecipada transitada em julgado não poderá sofrer impacto de sentença prolatada posteriormente que trate somente sobre os demais pedidos cumulados na inicial.

Conclui-se, portanto, que após uma decisão parcial de mérito antecipada ser proferia e transitar em julgado, a sentença prolatada posteriormente que tratar somente sobre os demais pedidos cumulados na inicial, não terá impactos diretos sobre a decisão interlocutória de mérito transitada em julgado64.

Ainda que a sentença extinga, por exemplo, ação de divórcio litigioso cumulada com alimentos e guarda sem resolução do mérito, na hipótese de o divórcio ter sido decretado em sede de decisão parcial de mérito antecipado e esta tiver transitado em julgado, os efeitos da extinção sem resolução do mérito unicamente se referirá às questões adjacentes ao divórcio não decidas na decisão interlocutória anterior.

64 SIQUEIRA, Thiago Ferreira. O julgamento antecipado parcial do mérito no novo Código de Processo Civil brasileiro. jan. 2016. p. 193

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