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Zero, 1990, jan.

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(1)

Florianópolis,

05 de

janeiro

de

1990

f 11(

'j I

(2)

**

Melhor

Peça

Gráfica Ie II Set Universitário Maio 88 Setembro89

ZERO

Jornal-laboratório do Curso de Jornalismo da Universidade Federal de �:lOta Catarina C

olaboradores.professo­

resCesar Valente, Sônia Maluf

Coordenação: professo­

ra Neila Bianchin

Diagramação:

Maria Te­ resinha da Silva, Nilva

Bianco, Robert Willecke

Edição:

Geraldo Hoff­

mann, Maria Teresinha

da Silva, Rosemeri Lau­ rindo

Edição

e

supervisão.pro­

fessor Ricardo Barreto

'Laboratório

fotográfico:

Pedro Mello

Textos: Ana

lâvratti,

AnaL.M. Coelho,Carla

Lavina,

Elaine Tavares,

Frank Maia, Geraldo

Hoffmann, Ivan G. R.

Flores, Jacques Mick,

Karin Véras, Linete

Martins, Marcia Mo­ raes, Maria F. M.Gallot­

ti, Maria Teresinha da

Silva, Marta Moritz, -Murilo

Naspolini,

Nilva

Bianco, Ozias Alves Jr., Pedro dosSantos, Rena­

ta Rosa, Robert Willec­ ke, Roberta M. Miran­

da,

Rogério

F. da Silva,

Romir Rocha, Rosemeri Laurindo Telefone: (0482) 33·092]5 Telex: (0482)240 BR Telefax:334069 Acabamento e

impres­

são:

Imprefar

Correspondência:

Caixa Postal 472, Departamen­

todêComuu, ",;�o,Cur­

wde

JornaHsI'v,

Floria­ nópolis, SC C

rculaçâo

dirigidn

Di-tribuiçáo gratuita

ÍNDICE

4/5

SEQUESTROS

OS

políticos

e os meramente

policiais

com suas

implicações

.

6

SOCIEDADE CIVIL

Sindicalismo e movimento dos sem-terra foram osmelhores

exemplos

7 UDR

.

Análise de sua atividadenefasta e seu

pior

passo: amortedeChico Mendes

8

'PRESIDENTE

ELEITO Um

perfil

do

conservador que venceu asdiretas

9

FIM

DAS

DiTADURAS

OreencontrodaAméricado Sulcom a democracia

10/11

AMÉRICA

CENTRAL

Ascausas e os conflitos do

"quin­

tal"mais

explosivo

do

imperialismo

12

NARCOTRÁFICO

Um

problema

queameaçaade­ mocraciae asoberania de

alguns

_países

sul-americanos

13

UNIFICAÇÃO

EUROPÉIA

Europeus

aceleram

glasnost

com sua

lição

de unir'econo­ miasembloco

14/15

LESTE EUROPEU

As

mudanças políticas exigidas

pelo

povoem

vários

países

comu-nistas

'

CENTRAL

IMAGENS 80-89

Resumo de

algumas imagens

(e

fatos)

significativas

dos anos 80

18 O PLANETA AGONIZA

U� quadro

sombrio das

principais

'agressões

do homemaomeíoambíen­

te(easi mesmo)

19

CHINA

SUFOCADA

Omassacrequecurvou asociedade chinesa

' ,

20

APARTHEID

A

vergonha

de 26 milhões de negros

opri­

midos porcincomilhões debrancos

21

ÁFRICA

A luta dos

países

africanos para libertarem-se do colonialismo

22/23

LÍBANO

Análise deuma

guerra

civil insolúvel que

dura15anos

24

JAPÃO

Japoneses

superam americanos com sua

econo­

miasofisticada

25

AIDS-SIDA

Quadro

da

doença

que mudou

comportamentos

epermanece semcura'

. 26

COMPORTAMENTO

Enquanto

meio ambienteseesfacela,

homem

revah"riza

ocorpoe o

espírito

27 ARTES

PLÁSTICAS

- Abstracionismo

mareouaartedosanos 80

28

QUADRINHOS

Revolução

temáticaede

linguagem

reflete o cinismo da era

contemporânea

29 CINEMA

Escapismo

e faturamento-livraram

grandes

estúdios daruína

30

MÚSICA

Rock brasileiro contestou,

ganhou

mercadoe

atingiu

a

maturidade'

REBELDE COM

CAUSAS

31

-<,

Mais que

antes,

orock lutou

ontraa

fome,

aooressãoe

pelos

, direitos humanos

IMAGENS 80- 89 32

Fotografias-síntese

que revelam

omelhore o

pior

da

humanidade

P 2

. ,

ZERO'

.

JAN-90

'. ' '-� --- , . ,

(3)

TRANSIÇÃO

Povo derrota

ditadura

nas

ruas

Da

anistia

,às

-"

diretas-89,

na

I

mira

do

Urutú

As

eleições

presidenciais

mar­ cam exatamente o término zle

umadécada que, desdeseuíníclo,

fui acumulando. fatos políticos

que construíramcommuita luta

oúltimo. dia 17 de dezembro. Não.

'

foi meracoincidênciaque

aquele

que abriu a década, em 1980,

sendo.preso.econdenado por lide­ rar umagreve de 42 dias defla­

grada

pelos metalúrgicos

deSão. Bernardo.do.Campo.eSanto. An­ dré (SP), iria fechar estamesma

década

disputando.

aPresidência

da

República.

Apesar da prisão.deLula, no.

começo dosanos80as portasdo. Brasil estavam abertas. Em ju­

nho. do. ano. anterior

Figueiredo.

encaminhara ao.

Congresso

Na­

cionalo

projeto

de anistia(embo­ ra restrita e decidida somente

após

o

desaparecimento.

e-morte de 400 brasileirosemais deuma

década de movimento

pró-anis­

tia). Naverdade,asportasaber­

tas convidavam mais a deixar o

, país.No. início. da décadaosmili­

tares

haviam atolado oBrasil

na maior crise de sua história: má

distribuição.

derenda,endivi­ damento. externo, concentraçâo

da

propriedade

da terra, ausên­ cia de liberdades essenciais...Isto.

tudo. embalado.

pelo.

argumento. de queoBrasil viaseu PIB cres­

cer,

que

se desenvolvia indus­

triálmenteepor aí.

Coma

insatisfação. popular

to­ mando.conta, oGoverno resolve

fragmentar

a

força

de

oposição

(até então. resumida ao. MOB,

contraa Arena)

e,'

em 1980, de­

termina a reforma partidária.

Surgem

então.oPDS, PTB, PDT, PT, PMOSe PP, que posterior­

mente fundiu-seao.PMDB.

Mesmo. corn o processo de abertura, acontece em 1981 o

atentado. terrorlsta de direita

corn omais escandaloso processo.

de acobertamento. No. dia 30 de abrilodestino. seencarregou de explodir,antesdahora,abomba

.carregada pelo.

sargento.Guilher­

medóRosárioe o

capitão.

Wilso.n

Machado., que estavam no. inte­ rio.r de um Puma no.

estacio.na-, mento. do. Rio.centro.

no. Rio. de

Janeiro., durante o.sho.w de mú­ sica

po.pular

liderado. po.r Chico.'

Buarque,emco.memo.ração.ao.1': de maio..O

Rio.çentro.

apenas cul­

mino.u co.m a o.nda de atentado.s

,terro.ristas,

Bancas de

jo.rnais

que vendiam

publicações

alterna­ tivas

haviam sid,o. mandadas para o.s ares. Em ago.sto..de 80,

entrevárias vítimasfeitaspo.ro.u­

tro.s atentado.s, fo.i dilacerado. o.

co.rpo. da funcio.nária da OAB,

Lyrla Mo.nteiro. da Silva no. mo.­

mento.em que abriauma co.rres­

po.ndência

endereçada ao. advo.­

gado.

Eduardo.Seabra

Fagundes.

No. mesmo. dia o.jo.rnal Tribuna

Operária já

experimentava

igual­

menteo.s efeito.s de uma bo.mba

Tancredo: esperançaemvão.'

e nem o conservador Jornal O

Estado. deSão.Paulo. escapou, pa-

-raservircomoobra que

pudesse

seratribuídaaoscomunistas.

Diretas

- Ainda sobo

regi-'

me militar, a oposição obtém'

maioria na Câmara Federal em

1982 e conquista o Governo de

dez estados(PMDB nove e PDT um). Como uma bola de neve a

sociedade vai se

organizando

e em 1984 as manifestações por

eleições

diretas para

presidente

da

República

varremopaís.Em

16 de abril de 1984oauge, com 1,7 milhão. de pessoas gritando.

"diretas

já"

no.cofníciodo. Vale do. Anhangabaü, emSão. Paulo. Antes de 25 de abril mais de seis milhões de

pessoas

tinham saído. àsruas.Nesta

campanha

umdes­

taque para Luis Inácio. Lula da

Silva, Teotônio Vilela

(que

mor­

reu no.dia do.

primeiro.

comíclo, em 27 de novembro de 1983), UlyssesGuimarãeseLeonel

Bri-zola, ,

No. dia 24 de abril de1984,em

meio. a medidas de

emergência,

censuraprévianastelecornunicá­

çõesdo.

país

inteiro.e

intervenção.

a entidades classistas e várias'

proibições

na

capital

Federal o

Congresso

Nacional

rejeita

a

emenda Dante de

Oliveira,

que restabeleceria aseleições diretas para

presidente

da

República.

Num retrocessohistórico,asfor­

ças

partidárias

articulam-se e o

senado. aprova em outubro do.

mesmo.ano. a

regulamentação.

do.

Colégio

Eleítoral, onde cada membro. votaria por 122 mile796 eleitores.

Surge

aíoPFL que alia­ se a,o. PMDB para lançar Tan­ credo. Neves à

Presidênciapela

Aliança

Demo.crática, que co.nta aindaco.mapo.io.do.PDTePTB.

O

Co.légio.

Eleito.ral fo.idefinido., a

princípio.,

para favo.recero.Go.­ verno.,

po.is ninguém previa

o. es­

facelamento. do. PDS.

Na no.ite de 15 de

janeiro.

de 1985 pela primeira vez, após 20 ano.s,aGlo.bo.usava aexpressão. Regime Militar,para anunciara

vitória de Tancredo. Neves so.bre Paulo. Maluf. Ao.s 75ano.s,navés­ pera desuapo.sse, Tancredo.cai enfermo. co.m tumo.r benigno. in­

feccio.nado. no. intestino. e

depo.is

de 39 diasno.

ho.spital

eseteinter­

venções

cirúrgicas,

mo.rre.Assu­

me

Sarney,

o. vice,

que

até seis

meses antesfo.ra

dirigente

máxi­

mo.do. partido.do. Go.verno. Mili­

tar. Reco.nheceu

alguns

direito.s, inicialmente, co.mo. o.s partido.s

até então.c1andestino.s,aseleições

OI '"

S;

" 'o o 'o ee z

OI tas,

após

ameaças, troca..defavo­

If

res

políticos

edistribuição.de con-11 cessõesde radioseTVsporcinco. i:; anosde mandate. Isto. tudo pro­

a mulgado

em 5 de outubro. de 1988.

DECLÍNIO

DOPMDB -Após O congelamento de preços de 1986oPMDBtransfor­ mou-se no.maiorpartido.do.país,

elegendo.

22

governadores,

42se­

nadores e 261 deputados fede­ rais. Mas corn

políticos

de direi­ ta, liberais decentro.e'uma par-:

cela dita

progressísta

mas que, naverdade, até'agora não. apre­

sentou propostas

objetivas

neste

campo,oPM DB foiao.poço.

Au-(menta

a crise do

país.

Em 9 de novembro de1988operáriosgre­ vistas da

Companhia Siderúrgica

Nacional,emVoltaRedonda,sâo mortos por militares. Nas elei­

ções

municipais

de 15 de novem­

bro. é a vez do. crescimento do PDTe aestrela do. PT sobecom avítõría de cidades

importantes

comoSão Paulo, Porto Alegree

Vitória.

1988 terminou corn a corrida dos candidatos a candidatos à

Presidência

da República. Em abril de 1989

Sarney

comanda

umGoverno.

cuja

políticaeconô­ mica' está fracassadae necessita de apelos. Assim, avança com

uma ofensiva

político ídeolõgíca

para isolarasforçasde

esquerda

(especialmente

oPT)e em27 de abril ocupaas TVs em rede na­

cíonal para

inaugurar

uma nova

expressão: ogrevismo selvagem.

No. dia 13 de maio, Lula realiza

o primeiro.comício de presiden­

ciável, numa festa em São. Ber­ nardo..do

Campo,

Naquele mês, uma bomba havia derrubado. o

monumentolevantado.cornosím­

boloe

homenagem

à luta dostra­

balhadoresmortosem Volta Re­ donda.

A campanha presidencial se­

gue rumo.

dirigido. pelas pesqui­

saseleitoraís. No.princípiocriou­

se o monstro Brizula, aterrorí­ zandoaclassedominante. Contu­

do,

estavano.-processo de en­

gorda outro. monstrengo, este

contra a

população

brasileira,

que chegouaserconsíderado fe­

nômeno,

simplesmente PQr'

pro­

var que é real o poderexercido.

pelos

meios de

comunicação.

A Rede Globo de Televisão.

apostou

tudo.emFernando. Collorde Mel­ lo.

Envergonhados

corn o.candi­ dato. ado.tado. po.r Ro.berto. Mari­

nho., o.s defenso.res da estrutura

capitalista

brasileira reso.lveram

patro.cinaro.utro.s no.mes. Quise­ ram

inclusive

to.rnar

presidenciá­

velo. animado.r de televisão.epro­

prietário.

do. SBT, Silvio.Santo.s,

que em umas três aparições da

pro.paganda

eleito.ral

gratuita

(depo.is

teveacandidatura rejei­ tada

pelo.

TSE)insistia em dizer que não. entendia nada de

po.líti-'

ca. A esquerda também

quis'

marcarpresençaco.mvárias Po.s­

sibilidades. E assim

chego.u-se

a

15 de no.vembro.co.m21 o.pções.

Co.llo.r e Lula saíram vito.rio.so.s.

O

�esto.,

vo.cêsabe.�.

Ro.semeri Laurindo. DiretasJá: umgrito.de milhõesignorado

Ríocentro: não. seriaoúltimo. atentado.

da

ultradíreita diretas para

prefeito.s

das

capitais

e o.vo.to.do.s analfabeto.s.

,

CONSTITÚIÇÃO

Co.meça

a serdesenhadaao.ita­

va

Co.nstituição.

Federal. Ao.co.n­

trário. da co.nstituinte exclusiva reivindicadapelo.mo.vimento.so.­ cial,o.Brasil recebeum

Co.ngres­

so.Co.nstituinte. Em 1986umaco.­

missão. de 50no.táveis

juntamente

,

co.m Afonso. Arino.shavia pre­

parado.

um

antepro.jeto..

Do.o.utro.

lado., a OAB

pedia participação.

maisamplada so.ciedade na As­

sembléia Nacio.nal 'Co.nstituinte.

Go.vernoFederal,

empresário.s

urbano.seruraisarticulamnaAs­ sembléia Nacio.nalCo.nstituinteo.

éentrão. (PMDB, PDS, PFL e

PTB

principalmente),

que tem

seupro.jeto. próprio.paraa

Co.ns-tituição.

Na

primeira

faseasenti­ dades po.pulares e sindicais che­ garam a

participar

através de emendas po.pulares e audiências

públicas.

Nas vo.tações recebem

uma rasteira e resta ao.s co.nsti­ tuintesidentificado.sco.m o.sinte­

resses-fo.s

trabalhado.res denun­ ciaro.

perfil

co.nservado.rdo. Co.n­ gresso. Co.nstituinte. Mesmo. as­

sim fo.ram

garantidas co.nquistas

co.mo. o. direito. de greve, turno

ininterrupto.

de seis ho.ras, apo.­ sentado.ria co.m salário. integral,

direito.s trabalhistas

iguais

para trabalhadores urbano.s e rurais,

além de o.utro.s.,O Centrão., po.r seulado., fo.i vito.rio.so.naquestão.

da Refo.rma

Agrária,

estabilida­

de no. emprego. e

jo.rnada

de 40 ho.ras. E

Sarney co.nseguiu

adiar po.r maisum ano. aseleições

(4)

dire-OPORTUNISMO

ee 'i) >

õ) u o E

Seqüestro

votos

para.

Collor

Mídia dá

destaque

a

especulações

sobre

as

origens

dos

autores"

O desfecho do

seqüestro

do empre­ sário Abílio

Diniz,

vice-presidente

do grupo

Pão-de-Açúcar, pode

ter favore­ cido a

éleiçáo

de Fernando Collor de

, Mello

(PRN).

O

candidato,

quenacam"

panha

ao

segundo

turno

reforçou

seu discurso anticomunista assumindo níti­ da posturade

direita,

"contraabader­ na. as bandeiras

vermelhas,

a anar­

quia", capitalizou

os

resquícios políti­

cos,desse fato

policial.

As

vésperas

doturnodecisivo da elei­

ção presidencial

emissoras de TVe rá­

diosdetodoo

país

começarama acom­

panhar

passoa passo, detalhe por deta­

lhe, as

investigações

e

negociações

que cercaram a descoberta do

esconderijo

onde os

seqüestradores

mantinham,

desde IIde

dezembro,

Abílio Diniz pre­ so. A

polícia

divulgou

e os meios de

comunicação

e os

partidários

de Collor

trataramde massificar

-queos

seqües­

tradoresdiziam

pertencer

aoMovimen­

to de

Esquerda

Revolucionária

(MIR),

do Chile.

Quase

ao mesmo

tempo

tam­

bém era informado

que

na casa de um do"envolvidos havia material de campa­

nhudaFrente

Popular,

de Lulaeaagen­ da

apreendida

continha nomesde diri­

gentes

nacionais do Partido dos Traba­ lhadores (oPT de

Lula).

:\'0 dia da

eleição,

17 de

dezembro,

durante quase duas horas

ininterruptas,

redes nacionais de televisão mantiveram

imagens

ao vivo da praça em frente à casaonde estavam Dinize

alguns

deseus

seqüestradores.

Nas urnas, 82

milhões

debrasileiros

depositavam

osvotosque

_g

dariam vitória a

Collor;

por uma mar-

gem pequena de pouco mais de 5%. O

'�.

impacto

da descoberta dos

seqüestra-

..

dores e das

negociações

para

libertação

do

empresário

foi,

sem

dúvida,

limito

forte. Assimcomo foi forte o

esforço

para

extrair,

do

episódio, conotações

,�

que

pudessem

reunir,

na

cabeça

.e no

coração

dos

eleitores,

a candidatura de LuizInácio Lula daSilva- de

esquerda

- e o

seqüestro.

A

divulgação

massiva

- rádios do interior de SP dedicaram

espaços anormalmente generosos às in­

formações

sobreo

seqüestro

eàs especu­

lações

sobre as

origens

e

motivaçõés

de seus autores ,e

panfletos

foram distri­ buídos nos locais

de. votação

- tratou

de esconder fatos como o denunciado

pelo

cardeal

arcebipo

de São

Paulo,

o catarinense Dom Paulo Evaristo Arns

.

(um dos

negociadores

da

libertação

do

ernpresár-iol:

ele disseter

ouvido,

deum rios

seqüestradores,

a

informação

de que

alguém

da

polícia

tentarafazercom que elevestisseuma camisetacompro­

.paganda

de

Lula,

parao momento em que fossem levados para diante dacasa,

na praça ()NJe .stavarn as

câmeras

de n.

fo!ógrai

' �

repórteres.

Pesquisa LíneteMartins '" 'õY

" > '" s: U o 'E ee u � o sequestro de Diniz foi usado por rádio e televisão, numa co­

bertura incomum e suspeita,

quando

o

País estava voltado,

paraaseleições

LilianCeliberti, Universindo Diaz(uruguaios)

Baungartem: sequestros

políticos

desmascaradose impunes

(5)

-, ,

"

,

PAU PRA TODA OBRA

Ricaços

atraem

seqüestradores

A

onda

chegou

a

se

e

atingiu

o

grupo

Perdigão

Na versão

oficial,

consta queogrupo deseqüestradores

-composto por chilenos,

brasileiros,

argentínos

e

cana

-denses__:

poderia

serrespon­

sável

pelos

últimosdois gran­ ties seqüestros acontecidos nesteano.

Segundo

a

polícia,

o

empresário

Luiz

Salles,

55 anos, foi seqüestrado

pelo

mesmo grupo que teria man­ tido AbílioDiniz

desaparecido

porumasemana. Salles ficou

desaparecidodurante 65 dias

entre

julho

eoutubro de 1989 eo seuresgatecustou

US$ 2,5

milhões.Também háa

suspei­

ta sobre a relaçãodesses dois

seqüestros com o de Antônio

Beltran Martinez, 60 anos,

que era

vice-presidente

do

Bradesco,

em novembro de 86.

No dia

17,

o

jornal

Folha de São Paulo dedicou um ca­

derno exclusivamente ao se­

qüestro

de Abílio Dinizetrou­ xe um levantamento sobre a

incidência de seqüestros de

empresáriosno

país.

O

jornal

citaoseqüestrodo

empresário

José Mindlin,

principal

acio­ nista da Metal

Leve,

em 11 dedezembrode

1985, quando

foi

exigido

o resgate de

Cz$

SOOmilhões. Antes

disso,

em

83,

o

joalheiro

Américo Mo­ reira dos Santos ficou em po­

der dosseqüestradorespor 37 dias e o resgate foi de CRz$ 170 milhões. Em

86,

foi

se-qüestrado

o

empresário

Osó­ rio

Bachin,

emSão Paulo. Foi pagooresgate, mas oempre­

sarío acabou morto. E nodia 14 de

abril,

deste ano, houve o

seqüestro

de Emundo José

Leite Falcão,

proprietário

de '

umaindústriade sabãoevelas­ na Bahia. O caso ainda

nãó

foi solucionado

pela

polícia,

que acredita na

possibilidade

de Falcão

tersido assassi­ nado.

A incidência de seqüestros

nos últimosanos não poupou

acomunidade de

empresários

de Santa Catarina. Osgarotos

Saul Bradalise

Neto,

14anos,

e Jean Paul Brandalise, 8

anos,filhos do

vice-presidente

daPerdigão, Saul Brandalise Júnior, foram vítimas do

maior seqüestro que

acon­ teceu em SC. O seqüestro

aconteceu em Videira, em abrilde

88,

eos

garotos

foram

libertados uma semana de­

pois,

mediante

pagamento

de

resgate. Os seqüestradores

chegaram

a ser localizados e

presos. Umanovatentativade

seqüestro no

Estado,

aconte­

ceu neste mês de dezembro. Os .estudantes do Curso de

Engenharia

Mecânica da Uni­ versidade Federal de

SC,

An­ drei CoelhoSchmidt,18 anos,

neto do

proprietário

da em­

presa deturismo Emflotur, e

Alexandre dos

Santos,

18

anos, foram

seqüestrados

na

tarde de

quinta-feira,

dia

IS,

no

Campus

Universitário. Os

seqüestradores pediram

à fa­

míliaoresgatede 45 mil dóla­

res, masosrapazes

consegui­

ram

fugir

duranteumatenta­ tiva de assalto, por

parte

dos

seqüestradores,em

Laguna.

Salles: 65 dias de cativeiroeresgatedeUS$2,5milhões

SNI

ensina

a

matar

os

reféns

Seqüestros

com

objetivos

políticos

não sãonovidade no

Brasil. Já na década de

60,

guerrilheiros brasileiros que lutaram contra o

golpe

de 64

seqüestraramumembaixador americanoe

conseguiram

ne­

gociar

a

libertação

de presos

políticos

que, mais

tarde,

fo­ ram exilados para

países

da

Europa

e só

conseguiram

re­

tornarao

país

nofinalda dé­ cada de

70,

em

função

da anis­ tia

conquístada após

umaam­

pla

campanha

da

esquerdda

e de setores organizados do

país.

Mas a direita também

utilizouseqüestrosparare­

solver

questões políticas.

Co­ moresultadoda

ação

repres­

siva dos militares no

Brasil,

aconteceu a morte do

jorna­

lista Alexandre Von Baum­

garten, noinício dosanos80. O

jornalista desapareceu

de­

pois

de sinuosas negociações

com o

Serviço

Nacionalde In­

formações (SNI).

Ele foi visto

pela

últimavez em13 deoutu­ bro de 1982,

quando

deixou o apartamento onde morava,

em

Ipanema

(RJ) para uma

manhãde

pescaria

natrainei­ raMirimi, em

companhia

da

mulher Jeanette Yvone Han­ sen edo

barqueiro

Manoel

Augusto Pires,

dono da em-Fimdo sequestro, masnão docaso

barcação. A Mirimi teria saí­ do do cais da praça IS deno­

vembro,nocentrodo

RJ,

em

direção

às Ilhas

Cagarras

três

quilômetros

ao

Largo

de

Ipanema.

Treze dias

depois,

o corpo do

jornalista

foi en­ contradona

praia

de Macum­

ba,

a 30

quilômetros

de Ca­ garras.

Baumgarten

havia si­ do morto com um tiro naca­

beça

edoisnoabdômen. Não foilocalizado nenhum

vestígio

do barco de 7metrosdecom­

primento.

Antes de seu

desapareci­

mento,

porém,

Alexandre

Von

Baumgarten

deixou um

dossiêde 74

páginas,

com 21

documentos. Ele havia tirado

11

cópias

edeixado

instruções

paraa

divulgação

dessemate­

rial,

caso

algo

theacontecesse. Na

edição

número

752,

de dois de fevereiro de1983,aRevista

Veja publicou

com exclusivi­ dadetrechos dosdocumentos

econtouahistória doenvolvi­

mento de

Baumgarten

com o

SNI,

causando UI'}

grande

mal-estarna

cúpula

militardo

então

presidente

da

Repúbli­

ca,João

Figueiredo.

O

jorna­

listaeraconhecido porseu en­

volvimento com a comunida­

de de

informações,

foi sócio

daRevistaO Cruzeiro e pas­

sou osúltimosanosdesua vi­ da tentando ressuscitar a re­ vistacomdinheiro do SNI. A

ajuda

veio e a revista

publi-'. cava matérias

simpáticas

ao

regime

instaladono

país

com o

golpe

militar de 1964. A par­ tir de desentendimentos com a

cúpula

do

SNI,

inclusiveco­ mo chantagempara

obtenção

de mais

dinheiro, Baumgar­

ten elaborou o dossiê. Com medo demorrer,em

1981,

ele escreveu no

primeiro pará­

grafo

do dossiê que viriaa ser

divulgado:

"Nesta data écer­

to que minha

extinção

física

foi decidida

pelo Serviço

Nacional de Informações. A minha únicadúvidaé se essa decisão foi tomada em nível doministro-chefedo

SNI,

ge­

neralAntônio Octávio Medei­

ros,ou seficouanível do chefe da

agência

centraldo

SNI,

ge­

neral Newton de

Araújo

Oli­

veirae Cruz". Ocaso Baum­

garten é apenas um

exemplo

de centenas de

desapareci­

menfos

políticos

em

função

da

repressão militarno

país.

Textos

Línete ·Martins

'1

(6)

o GRITO

DA

SOCIEDADE CIVIL

formação

da

comissão

pró­

CUT

(Central

Unica dos Tra­

balhadores).

Só que não foi

ummomento de

unidade.

No 1� Conclat

se delineavam

duas.tendências

diferentes de sindicalismo. Uma corrente

queria

,a

construção

pela

ba­

se,eracontraaestruturasin­ dical

vigénte,

a outra

queria

alianças

com as

Confedera­

ções

incluindo

pelegos,

erao

"sindicalismo de, resulta­ dos".

Desta dicussão

acabam

surgindo

duas

Centrais

de

trabalhadores.

A CUT que

representa

a

primeira

cor­

renteeaCGT

(Central

Geral

de

Trabalhadores),

que re­

presenta

a

segunda.

Neste

,

tempo

o Brasil

vivia um

clima de abertura. A repres­ são

continuava,

masostraba­

lhadores

conquistavam

seus

espaços.

Explode

luta

no

campo

e

cidade

Sindicatos

e

sem-terra

fazem

valer

seu

direito

A década de 80 começou com este

grito

de resistência

nacidadee nocampo: milha­

res,de

metalúrgicos parados

.

em São Bernardo e mais de 240 mil canavieiros

parados

nos campos de Pernambuco.

Antes

disso, porém,

ostraba­ lhadores tiveram que enfren­

tar uma

longa

luta.

O

golpe

de 64 havia inicia­ doumviolento

processo

con­ tra o sindicalismo. Nos anos

quese

seguiram,

409 sindica"

tos,

43

Federações

e4Confe­

derações

sofreram interven­

ção.

1.565

ações

repressivas

foram efetuadasemais de lü.

mil

trabalhadores

foram ba­ nidos da vida sindical. Escu­ recianoBrasil. Para

acalmar

os

ânimos,

os militares trou­ xeram para o

país'

o

AIF�D

(Instituto

Americano de De­

senvolvimento

do Sindicalis­

mo

Livre),

financiado

por

multinacionais,

que treinou

perto

de 30 mil ativistas até 1984. Vinhamosamericanos ensinar suas táticas.

É

neste

tempo

que

"Joaquinzão"

aprende

o seusindicalismo de

resultadose se

mantém

nadi- ,

reção

do maior sindicato da América do

Sul,

de 64 a 80.

Durante quase duas déca­ das o terror

campeia,

cente­

nas de

operários

são presos e

torturados,

mas nasentra­

nhas

de

alguns sindicatos,

trabalhadores

resistem. As multinacionais se

ampliam

e

sem saber

forjam

a massa

trabalhadora que vai

promo--veravirada damesa.

Em

1978,

no dia 12 de

maio,

três mil

operários

en­ tram em greve na

região

do

ABC. O movimentosealastra por 18

cidades,

meio

mílhâo

de trabalhadores param. Ea

primeira reação depois

de 14

anos

amordaçados.

Noanode

79 o movimento assume di­

mensões

gigantescas, já

não sãosóos

metalúrgicos,

todas

as

categorias

começam

a co­

brar seus direitos. Três mi­

lhões de trabalhadores cru­

zam os

braços.

A

repressão

é

forte,

prisões,

interven­

ções.

Nos

quartéis já

se fala

em

distenção. Quem

vai ter

coragem de enfrentaro povo

enfurecido.

Anos 80

-A década come­

çacomgreve. Denovo os me­

talúrgicos

de

São

Bernardo,

liderados por Lula. Sao 41 dias deresistência. As

assem-bléias são

gigantescas,

mais de100 mil trabalhadoresreu­

nidosem um estádio de fute­

bol. Os

helicópteros

do exér­ cito

espreitavam,

as baione­

tas se

confrontavam

com os

capacetes.

Lula é preso. O Sindicato sofre

intervenção,

as diretorias são

depostas,

mas continuam a liderar.

O

movimento

extrapola

tudo o

que

tinha acontecido no

Brasil. A brutalidade da reo,

pressão

naõ consegue esma­

garomovimento sindical que

começa acrescer.

'

Oanode

1981

vaiserdeci­

sivo. Acontece na cidade de Praia Grande em São

Paulo,

a

I�CONCLAT

(Conferência

Nacional das Classes Traba­

lhadoras).

São

5.036

delega­

dos de 1.091 entidades.

E

a

maior reunião

depois

do

gol-I

pe. Nesteencontroforam de­ finidós o Plano de Lutas e a

Acampamento

é

O

meio

de

resistir"-Enquanto

os

metalúrgicos

, começavamsua

articulação

na

cidade,

no mesmo ano ocampo.

despertava.

A modernidade

trazida paraa

agricultura

não.

mudou a estrutura latifundiá­

ria doBrasil. Cresciaonúmero. de

bóias-frias,

desem-terra. O

sistemafeudal ainda

vigente

es­ magavaoslavradores. Em

79�

240 mil

{:anavieirQs

param em Pernambuco.

Esquentava

a zo­ na rural. No rastro dQS corta­

dores

de

canaespoucarammo­

'vimentos PQr todo o Brasil.'

, Vieram as

prisões,

os assassi­

, natos,

expulsão

de

padres.

O

governotentava

impedir

queos

camponesestornassem

conheci­

mentodeseusdireitos.

Em 81

haviam 896 áreas

de

conflito,

5]4no

Norte,

192 no Centro Sul e 190 no Nor­

deste. O Terceiro

Congresso

Nacional de Trabalhadores

Rurais acontecido. em 79 teria

sidoo

estopim

paraa

deflagra­

ção destas lutas. Aindaem 79, no interior do Rio Grande do

Sui" famílias desem-terraocu­ pam, de forma

organízada.u­

mafazenda

improdutiva.

Inau­ guram um

jeito

novo de resis­

tir: oacampamento.

Fm

RO,

300 famílias vãoen­

'jrando na Fazenda Burro,

Hranco em Santa

Catarina,

Iorruamacampamento,

produ­

/em.:\0 centrodo.

país

também

,

,)'1H','am as ocupações.

,'\ \ !,'7 '\r LOLONO

Em XI, nUI'Ja encruzilhada

Xatalino, rm Ronda Alta

O� l'aml....neses montam

um

gigantesco. acampamento.

Queremterra.Oexército tenta

expulsá-los,

eles resistem por mil dias ao.temível

Major

Cu­

rió,

especialista

em

"pacifi­

car"áreasde conflito.O movi­ mentose

projeta

anívelnacio­

nal. Os confrontos CQm Curió

são

freqüentes.

O

Major

sai

derrotado,não conseguem des­

mantelar a

organização

do.

acampamento.Natalinosetor­

na o marcodahistória do movi­

menlo.O conviteàresistência,

a

lição

dada

por

aqueles

lavra­

doresdão sanguenQVQaluta.

Em 82umencontronoPara­

ná reúne

agricultores

envolvi­

dos em lutas nostrês estados

do Sul. Em 83 na cidade de

Chapecó

criam-se as Comis­

sões

Municipais

deSem-Terra. No mesmo ano os

acampados

de Natalino.vencem o governo econseguemterra.A vitória dá

maisfôlego

à luta. Em 84aeon­

tece o Encontro de Sem- Terra

de vários estados, O movimen­ to. passava a existir enquanto

entidade. Ali consolidou-se a

direção política

das

tutas,

as

formaseQSmétodos de

organí­

zação.

Ocupar

é

palavra

deor­

dem. Osconfrontoscom

pisto-'

leiros delatifundiáriosse acir­ ram. O campo. começasua re­

volução.

A

REAÇÁq_

Tancredo Neves vai ao Pri­

meiro Encontro Nacional de

Sem-Terraem 1985 e promete umPlano Nacional de Reforma

Agrária.

Mas ele morre e as

Esta lutatemummártiremse

esperançasseesvaem. Assume

Sarney,

com seuranço militar.

Começam

as ocupações em Massa em todo o

país.

Neste ano eram 42

acampamentos,

envolvendo 11 mil famílias.

No Rio Grande do

Sul,

em

Sarandi,

duas milfamíliasocu­

pam a fazenda Anonni.

É

o maioracampamento

monta­ do. A violência recrudesce.

Forma-seaUnião Democrática

Ruralista, o

braço.

armado do

latifúndio.Aí

nãoé sóa

polí­

cia, são

jagunços, pistoleiros,

todos

juntos,

intimidando os

camponeses.

No Bico do

Papagaio, padre

Josímo Tavares é assassinado.

Quem

defende lavradores está namira da UDR. Em 86 AnQ­

nni é

desapropriada pelo

Incra

depois

de uma resistência de

quase doisanos. O ciclo conti­

nua, os camponeses ocupam, dezenas são assassinados. Em '

87 vem a Constituinte.

Espe­

rançanocampo.Tudoemvão.

A reforma

agrária

não. passa.

Em 88 matam Chico

Mendes,

do. Sindicato dos

Seringueiros,

O mundo conhece a luta

pela

terra quesetravanoBrasil.

O fim da décadamostraque

a luta contínua. Em 89ostra­

balhadores rurais decidem

mu

-dar de tática. Não. vão. mais sair

dasterras,vãoresistir. NoRio.

Grande ocupam Santa Elmira.

Chega

a

polícia,

eles resistem

às

baías,

CQmbalas. O

episódio

fica conhecido como aGuerra

de Santa Elmira, muitos colo­

nos são feridos. Era um novo

tempo

no. campo, Em Palma Sola

(SC)

a mesma tática. Re­

sistir a

qualquer

preço, Um

camponês

é assassinado duran­

te o confronto, O momento,f

de terror. "A terraestá

grávi­

da,querparire

ninguém

pode

'impedir

queohomem que gera a

terra,'

tire dela seus frutos. Aos lavradores àterra.Não há

mais volta", dizem QS

agricul­

tores.

GRANDES GREVES

Sarney

assume ogoverno

em

85,

no ano

seguinte lança

O,

_g

Plano Cruzado. Euforia ge..

ral,

que não dura muito. Vem

LIJ_â

o

descongelamento

etraz

con-sigo

oarrocho salarial. No dia

12 de dezembro de

86,

ostra­

balhadores param o

país

na

primeira

greve

geral.

Em 87

vem oPlano

Bresser,

ogover­ no

ignora

a

inflação

de

26.70% do dia 1�a 14. Novo

arrochoenovagreve

geral

no

mês de

agosto.

Em89oPlano Verãodeixaostrabalhadores sem

política

salarial,

é a vez

daterceira

grande

greve. Não há mais

volta,

ostrabalhado­

res

conquistaram

odireito de

�rigarem

pelos

seus direitos.

A CUT se consolida como a maior central sindical do

Brasil,

éumareferência para

aclassetrabalhadoranaluta.

Negando

o

sindicalismo

.de

conciliação,

aCentral rompe

com o atrelamento e passaa ,

avançar. Por outro lado a

CGT continuou

incorporada

ao sindicalismo de concilia­

ção.

Prefere resultados. Tra­

ta o trabalhador como uma

peçapara

produção

esó ques­

.Qona

o

preço

da peça. Não

pensa

garantir

ao trabalha­

dor o acesso à

riqueza,

nem

que

ele

seja

sujeito

de sua

própria

história.

Elaine

Tavares

(7)

UDR

detona

a

guerra

nocampo

Morte

de

Chico

Mendes:

a

UDR

também

estava

lá'

Impede

reforma

agrária

e

mata

as

lideranças

Um dosfatos marcantesda décadafoiatentativaderear­

ticulação

política

daextrema­

direita brasileira através da VDR

(União

DemocráticaRu­

ralista),

uma entidade que reúne latifundiários desde o Norte do

país,

passando

pelo

Mato

Grosso,

atéoRio Gran­ 'de do Sul. A UDR

surgiu

em 1985 como

conseqüência

de

algumas

desapropriações

efe­ tuadas

pelo

governo federal emSão

Paulo,

que mostraram osériorisco que corriaolati­ fúndio

improdutivo,

caso esse

exemplo

fosse

extrapolado

na dimensão

prevista

nas metas do Plano

Nacional

de Refor­ ma

Agrária,

doPresidente

Jo­

Sarney.

Plano este, consí­ deradomuito

aquém

do"Es­

tatutoda

Terra",

definidona

época

daditadura.

'

A entidade

seguiu

a trilha daviolêncianocampo. Fixou

suas raízes mais fortes na frente deconflitos

agrários

da

área

pioneira

(Bico

do

Papa­

gaio,

sul da

Bahia,

sudoeste

"

catarinense,

Gaúcho)

e noPlanalto

quartel-general

Médio

I

do

capítalismo

caboclo(naca­

I

pital paulista,

PresidentePru­

I

dente,

Araçatuba

e Ribeirão

I'

Preto).

Nas áreas ondeaUDR

I

ainda

não

havia desenvolvido

"Quero

ficarvivo para sal­ var a

Amazônia",

dizia Chico Mendes. Mas seu sonho não foi realizado. Chico foiassas­ sinado na noite

do

dia 22 de dezembro de

1988,

com um tirono

peito,

em sua residên­

cia, na cidade de

Xapuri,

no Acre.

Nos dias

seguintes

desaba­ ram sobre a pequena

Xapurt

'dezenas de

jornalistas

do

mundo

inteiro, padres,

sindi­

calistas, políticos,

trabalha­ dores ruraisemilharesde se­

ringueiros, protestando

eexi­

gindo

vingança

e

justiça.

Chi­ co Mendes era

presidente

do Conselho Nacionaldos Serin­

gueiros,

líder dos sem-terra, militante do

PT,

sindicalista

da

CUT, presidente

do Sindi­

catoRural dosTrabalhadores

de

Xapuri

edefensor da

ecolo-suas

raízes,

operava contraa

Reforma

Agrária

a TFP

(So­

ciedade

Tradição, Família,

Propriedade).

Assim,

empre­ sários rurais e

grandes

pro­

prietários

começarama se or­

ganizar

na base da

prática

e dos

princípios

que conheciam:

"Quem quiser

entrar na mi­ nha

propriedade

vai mor­ rer".

AUDR adotaaforma

jurí­

dica de uma

assocíaçâo

civil sem fins lucrativos para de­ fender os interesses comuns dos fazendeir.os. Mas para

pertencer

à entidadebastade­ fender os

princípios

ideológi­

cos e não necessariamente

possuir

terras,Dos 134milsó­

cios,

60 mil são fazendeirose osoutros 70 milsãopequenos

emédios

agricultores

atraídos

pela "proteção

e

segurança"

quea UDRlhes daria.

Em menos de um ano de

existência,

a UDR

conseguiu

estabelecer canal direto de

diálogo

com asinstânciasmais

altasda

República

ecomeçou apromoverleilõesde

gado

en­

tre os fazendeiros para ar­ mar-secontra o

"perigo"

da Reforma

Agrária.

O dinheiro

arrecadado,

era investido no financiamento de candidatos a

Deputado

Federal,

naselei­

ções

de

198�,

que assumiriam o

compromisso

de fazerade­ fesa da

propriedade

rural e

combateraReforma

Agrária,

lia Constituinte. O

dirigente

nacionalda

UDR,

PauloCar­ neiro

Leão;

declarouemmaio de

1988,

quea

entidade

"tem

gia

na Amazônia.

Ele sabia que ia morrer. Dias antes desua

morte,

disse à

irmã,

Zélia: "Vou morrer atéodia 31". Chico

tinha sofrido seis atentados,eestava

jurado

de morte

pelos

fazen­ deiros DarlieAlvarino

Alves,

ambosfiliadosà UDRehomi­ cidas

condenados noPara­ náeMinas Gerais. Chicoco­ municouofatoao

delegado

da Polícia Federal do

Acre,

em setembro de

88,

exigindo

a

prisâodos

fazendeiros,

mas o

delegado

preferiu

criticar

Chico

Mendes,

acusando-o

de dedo-duro.

Desde

1980,

Ghico Mendes era mais conhecido fora do que dentro do Brasil. Era odiado

pelos

fazendeirosecri­ ticado

pelo

governo por seus

,

métodos de

atuação.

Ele criou

o BERRO DO

LATIFÚNDIO

Caiado:emqueda

tanto

dinheiro

para financiar seuscandidatos que está sain­ do

pelo

ladrão".

Na

Constituinte,

aReforma

Agrária

foiumdostemasmais

polêmicos

eosconflitos

chega­

ramatéo

tapete

verde dosa­ lão nobre do

Congresso:

É

nesse

período

que a UDR se consolida como a

expressão

política

dos setores maisrea­

cionáriosdasociedade.Tática

'usada: pressão permanente

sobreo

Congresso

Constituin­

te por meio de seus

próprios

deputados

(cerca

de

70)

e através de lobbies fortíssimos.

Conseqüência:

os resultados

das

votações

sobreaReforma

Agrária,

foram a maior vitó­ ria dos conservadores na

Constituinte.

Depois

deste sucesso da

UDR,

o

presidente,

ideólogo-o

"empate",

que consistiaem levar famílias de

seringueiros

para frente das

ações

de des­

matamento e convencer os

.peões

que faziam o

serviço

a desistirem.Fez45

"empates"

e, em 15

deles,

conseguiu

sal­ var1.200.000 hectares de flo­ resta.

Sua teseerade que é

possí­

vel desenvolver a

região

har­ monizando a

exploração

da

floresta,

criandooconceito da reserva extrativista. Os ban":

queiros

internacionaisaceita­

ram

esteconceitoe o

íncorpo­

raram nahora de conceder fi­ nanciamentos à Amazônia.

Em 1985 ele setornou con­ sultor do Banco Mundialedo Banco Internacional de De­ senvolvimento'. No mesmo anoele recebeuoPrêmio

Glo

-ba1500,

da

ONU,

em

reconhe-o e

principal

articulador daen­

tidade,

Ronaldo

Caiado,

Ian­

,�

çou sua candidatura à Presi...

dênciada

República.

Durante ,g a

campanha

presidencial,

o

.t

candidato mostrou quetemo

<

discurso tão

improdutivo

g

quanto alguns

latifúndios. As

'G' urnas comprovaram: Caiado

j teveuma

votação

irrisória. Mas a UDR não costuma

usar táticas tão

"delicadas",

como na

Constituinte,

para

defender os latifundiários. O dinheiro arrecadado nos lei­ lões de

gado

também é utili­ zado

pára

comprararmamen­ toecontratar

pistoleiros

para

matar trabalhadores. Em

1987,

Salvador

Farina, presí­

dente da UDR

regional

de

Goiás,

admitiu queaentidade realmente comprou armas com o dinheiro dos leilões: "setenta mil armas para os

homens

que deixaram de ser omissos nahistória do

país".

Em

1988,

a Polícia Federal

apreendeu

48 armas

pesadas

nafazenda de

Córrego

daOn­ ça,

município

de Pedro Go­

mes

(MG),

de

propriedade

do

Deputado

Federal Gandi Ja­ mil

(PFL)

que éum

deputado

apoiado

pela

UDR.

A

partir

desta

organização

de

direita,

aviolênciano cam­ po deixou de ser

espontânea.

Passouacontarcom umEsta­

do-Maior. A cada ano, mais

de meio milhão de brasileiros se envolvem em conflitos no campo.No

período

que vai de 1980a

1989,

estesconflitosre­ sultaramnamortede mais de

Matá-lo foi

pior

cimento a sua luta

ecológica.

Em

1987,

oBID susrendeufi­

nanciamentosque faziaaogo­ verno

brasileiro,

porque Chi­ coMendesdenunciouque não

estavam sendo

cumpridas

as

obrigações

de demarcar re­ servas

indígenas

e florestais.

mil pessoas. Nas

regiões

onde

há lutas

pela terra;

ao mesmo

tempo

emqueaUDR ameaça e persegue, ela também pro­

moveinvasõesedá

apoio

ope­

racional aos assentamentos

com o

objetivo

de

contundir

edividirostrabalhadores ru­ rais. Mas as

ameaças

não são

dirigidas

sóa

posseiros

ou pe­ quenos

proprietários.

Elas al­ cançam

qualquer

pessoa que se

comprometa

com a rede­

mocratízação

da

propriedade

da terra. Eumaviolência sele-'

tiva:asvítimassãoescolhidas a dedo entre

lideranças

(pa­

dres,

advogados, deputados,

vereadores,

líderes sindieais),

na tentativa de

desorganizar

ostrabalhadores.

'

Esses assassinatos têm sua

própria

lógica

e

pretendem

atingir

objetivos

precisos:

cortar as

cabeças

dos movi­

mêntos

de trabalhadores ru­ rais e manter os camponeses isolados das outras

forças

so­ ciais que se solidarizam com

eles. Emmaio de

1986,

opar­ lamento europeu

exigiu

do go­ verno

Tosé Sarney

que "a UDR

seja

punida

e dissolvi­

da",

devidoàsua

prática

cri­ minosa no campo. De nada

adiantou. Essa violência per­ manece

impune.

A

grande

maioria dos

pistoleiros

con­ tratados para

matar,'

conti­

nuaà solta. Otratamentoda­ do aos assassinos� de campo­

neses deu

margem

ao ditado

popular:

"quando

orico mata o

pobre,

o defunto é que vai

preso".

,,g 'Dias

apó-s

o assassinato de

� Chico

Mendes,

oministro Ro­

berto Cardoso

Alves,

da In­

g

dústriae

Comércio,

reclamou (�

que

oBrasil estavacom osfi­

nanciamentos externos amea­ gp

çados

por causa do

"episó­

.'�

dio". O governo e a

polícia

'o

'� brasileira só

agiram

no caso, U

devido à

pressão

e

repercus-são do crime.

Jornais

dos

EVA, Inglaterra,

França

e Alemanha deram a notícia

com

destaque.

O corpo de Chico Mendes

foi velado durante 48horasno salão

paroquial

da

igreja

de

-Xapuri.

,No

velório,

Lula

fez

um discurso

comparando

Chico MendesaCristo.

Textos Maria T. da Silva

(8)

,..

,

Sai

um

poeta,

entra

um

carateca

Direita

aplica

�---golpe

baixo

e

fica

no

poder

Com a vitóriadeFernando

Collor de Mello paraaPresí-'

dência da

República

em de­ zembro

último,

as

eleições

di­ retas

sígníficaram

também a

predominância

dosnomes so­ breaestrutura

partidária,

que o PRN é um

partido

de conveniência.

No

primeiro

turno,Fernan­ do

Collor, 40,

transformou-se numfenômeno eleitoralaore­ ceber mais de vinte milhões devotose vencervelhasrapo­

sas da

política

como Leonel

Brizola,

Ulysses Guimarães,

Aureliano Chaves e Paulo Maluf, Concorrendo com ou­

tros vinte

candidatos,

Collor recebeu

28,5%

dos votos. O

segundo

colocado,

LuísInacio

Lula da

Silva,

do

PT,

foi bene­

ficiado

pelos

votosde 16% dos 82.074.718 brasileiros que

têm título eleitoral.

Ao obter 35.089.988 votos

(41.75%)

no

segundo

torno, o candidato que percorreu o

país

vendendo a

imagem

de

"caçador

de

marajás"

foi

PRESIDÊNCIA

A"banana"queoeleito negounodebate eleítoo mais

jovem presidente

do Brasil. O fatodas

eleições

serememdois turnos assegu­

rou

pela

primeira

vez desde

1930,

acertezada maioria ab­ soluta dos votosválidos para o vencedor. Ocandidato der­

rotado, Luíz Inácio Lula daSil­

va, do

PT,

recebeu Especializado em arfes marciais

31.076.364,

o que

equivale

a

37,86

% dos votos. Herdeiro de um pequeno

conglomerado

de comunica­

ção,

formado por duas

rádios,

jornal

etelevisãoem

Alagoas,

Collorsaiu do Rio de

Janeiro,

suacidade

natal,

para cuidar

dos

negócios

da família em

Maceió,

aos23 anos. Em 1979 começousuacarreira

política

sendonomeado

prefeito

biôni­ coda

capital

alagoana pelo

re­

gime

militar.

Quatro

anosde­

pois

assumiaocargo de

depu­

tado federal

pelo PDS,

sendo o maisvotado noEstado.Em

1.984 votou contra Tancredo Neves no

Colégio

Et"eitoral,

preferindo

Paulo Maluf. Dois

anos

depois

candidatou-se pe­ lo PMDB ao governo de Ala­ goasevenceu as

eleições.

Foi o único

governador

a defen-'

der a

redução

para

quatro

anosdo mandato de

José

Sar­ ney. Procurando espaço para candidatar-se a

Presidente,

Collor saiu do PMDB e fun­ dou o Partido da

Juventude.

(P.J.),

que

mais

tarde se transformou no Partido da

Reconstrução

Nacional

(P.R.

N.).

Afamília de Fernando Co­ llortem

tradição

política.

Seu

pai,

Arnonde

Mello,

foi

depu­

tado

federal, governador

de

Alagoas

e senador por cinco

legislaturas.

Entrou para a história

quando,

em

63,

due­ landoem

plenário

como sena­ dor Silvestre Péricles de Góes

Monteiro,

sacoudeumrevól­ verpara

atlngí-lo

e,por enga­

no, matouosenadorJosé

Kai-rala. .

O

"caçador

de

marajás"

nasceuna

preparação

da

cam

-panha

presidencial:

comogo­ vernador de

Alagoas

Collor

congelou

seu

próprio

salário,

instalou livro de

ponto

nasde­

pendências

administrativas,

extingüiu

escritórios de repre­

sentação

de

Alagoas

em três

estados,

mandou recolher a frotade carrosoficiais e aca­ boucomtrês

secretarias,

duas

fundações

etrês estatais.

. Poroutro

lado,

nosúltimos

dias desua

administração

co...

mo

prefeito

de

Maceíõ,

no­ meou quase

quatro

mil fun­ cionários (entre os

quais

al­ guns

parentes) "por

enga­ no",como elese

justifica.

No

governodoEstado foi acusado debeneficiaros

prefeitos

que aderissem ao PRN. Nove pa­

rentesseus e 19desuaesposa também fora nomeados

pela

Assembléia

Legislativa

de

Alagoas.

Collor defendeu-se

dizendo quesetratavade um

poder

autônomo,

mas a lei que

permitia

a

contratação

semconcursofoi

aprovada

pe­ lo

próprio

"caçador

demara­

jás"

.

Fernando Collor é formado emEconomiae

Jornalismo,

e foi

praticante

de karatê em 1969. Mesmo tendo

parado

com o

esporte após

obterafai­ xa

preta

no 1�

dam,

Collorse exercita diariamente rio míni­ mo vinte minutos. Seus ami­

gos de karatê afirmam

que'

o novo

presidente

temumestilo de"Juta frio econtido, apesar de

violento,

mas, na

política,

Collor demonstra que nem sempre consegue controlar seu

temperamento quando

diz: "Na crise

ajo

por

impul­

so,eé tudoounada".

Segun­

doumassessordesua

campa-�

nha,

Collor "é

arrojado

ein­ õ

transigente",

e está acostu­

madoamandar:"Não apren­

<�

deuaarte da

transigência,

co-.

<'

moatestamsua

biografia

pes­

]

soaie

política

e osqueoconhe­

cem mais de

perto".

Collor diz tersido

ameaça-do demortena

campanha

pa­ ra

governador.

Desafiou os

inimigos

em praça

pública

e

disse não temê-los porque se trataria de

"covardes,

sala­

fráriosecanalhas". Também fez sérias críticasao

presiden­

te

Sarney

duranteseuprogra­ maeleitoralnatelevisãoefez

desta

ruptura

com o governo federal suá

principal

peça de

campanha.

A idéia de colocar no pro­

grama

eleitoral do PRNnaTV odesabafo da ex-namorada de

Lula,

foi deFernando Collor. Umaex-assessoradesua cam­

panha

afirma que a moça re­ cebeu 200 mil cruzadosnovos

pelo

trabalho.Comocontrole da

máquina estatal,

Collor ousará remexer na vida ínti­ mados concorrentes? Paraos adversáriosColloré autoritá­

rio,

emocionalmente imaturo e

produto

de

marketing

po­ lítico.

A idéia de se candidatar à Presidência da

República

sur­

'giu

noNatal e87. Iniciousua

-campanha

depois

de ummal­ sucedido namoro com o

PDSB,

de onde herdou um

Itom

social democrata que manteveatéo

primeiro

turno.

Na

campanha

contra Lula

'guinou

violentamentea

direi-ta retrocedeu décadase

assu-,

.

miu uma

postura

antícomu-nista àlaguerra fria.

Esta

variação

no discurso

chegou

a causar

alguns

abalos na assessoria de

Collor,

mas nada que

sugerisse

rupturas

graves, porque o

presidente

eleito começou é terminou a

campanha

reafirmando des­ prezar

vinculações partidá­

rias,

ou rota

política

ou ideo­

lógica.

Poroutro

lado,

estain­

capacidade

para tecer alian­ ças em bases reais criou um vácuo que ele dificilmente

conseguirá preencher

sem modificaro comportamento.

Enfim,

chega

ao

poder

um

jovem

milionário,

filho das elites

políticas

e econômicas do

país,

quefala fluentemente

inglês,

francêsé

espanhol,

que

gosta

dos

Beatles,

dá murros nasmesas,

-usa um

"patuá",

amuletocom

poderes mágicos

sob a camisa e

promete

pôr

fim à

inflação

e à

corrupção

no

país.

,

AnaLavratti

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