Florianópolis,
05 de
janeiro
de
1990
f 11(
'j I
**
MelhorPeça
Gráfica Ie II Set Universitário Maio 88 Setembro89ZERO
Jornal-laboratório do Curso de Jornalismo da Universidade Federal de �:lOta Catarina Colaboradores.professo
resCesar Valente, Sônia MalufCoordenação: professo
ra Neila Bianchin
Diagramação:
Maria Te resinha da Silva, NilvaBianco, Robert Willecke
Edição:
Geraldo Hoffmann, Maria Teresinha
da Silva, Rosemeri Lau rindo
Edição
esupervisão.pro
fessor Ricardo Barreto
'Laboratório
fotográfico:
Pedro Mello
Textos: Ana
lâvratti,
AnaL.M. Coelho,Carla
Lavina,
Elaine Tavares,Frank Maia, Geraldo
Hoffmann, Ivan G. R.
Flores, Jacques Mick,
Karin Véras, Linete
Martins, Marcia Mo raes, Maria F. M.Gallot
ti, Maria Teresinha da
Silva, Marta Moritz, -Murilo
Naspolini,
NilvaBianco, Ozias Alves Jr., Pedro dosSantos, Rena
ta Rosa, Robert Willec ke, Roberta M. Miran
da,
Rogério
F. da Silva,Romir Rocha, Rosemeri Laurindo Telefone: (0482) 33·092]5 Telex: (0482)240 BR Telefax:334069 Acabamento e
impres
são:Imprefar
Correspondência:
Caixa Postal 472, DepartamentodêComuu, ",;�o,Cur
wde
JornaHsI'v,
Floria nópolis, SC Crculaçâo
dirigidn
Di-tribuiçáo gratuita
ÍNDICE
4/5SEQUESTROS
OS
políticos
e os meramentepoliciais
com suasimplicações
.
6
SOCIEDADE CIVIL
Sindicalismo e movimento dos sem-terra foram osmelhores
exemplos
7 UDR
.
Análise de sua atividadenefasta e seu
pior
passo: amortedeChico Mendes8
'PRESIDENTE
ELEITO Umperfil
do
conservador que venceu asdiretas9
FIM
DASDiTADURAS
OreencontrodaAméricado Sulcom a democracia
10/11
AMÉRICA
CENTRALAscausas e os conflitos do
"quin
tal"maisexplosivo
doimperialismo
12
NARCOTRÁFICO
Um
problema
queameaçaade mocraciae asoberania dealguns
_países
sul-americanos13
UNIFICAÇÃO
EUROPÉIA
Europeus
aceleramglasnost
com sualição
de unir'econo miasembloco14/15
LESTE EUROPEU
As
mudanças políticas exigidas
pelo
povoemvários
países
comu-nistas'
CENTRAL
IMAGENS 80-89
Resumo de
algumas imagens
(e
fatos)
significativas
dos anos 8018 O PLANETA AGONIZA
U� quadro
sombrio dasprincipais
'agressões
do homemaomeíoambíente(easi mesmo)
19
CHINA
SUFOCADA
Omassacrequecurvou asociedade chinesa
' ,
20
APARTHEID
A
vergonha
de 26 milhões de negrosopri
midos porcincomilhões debrancos21
ÁFRICA
A luta dos
países
africanos para libertarem-se do colonialismo22/23
LÍBANO
Análise deuma
guerra
civil insolúvel quejá
dura15anos24
JAPÃO
Japoneses
superam americanos com suaecono
miasofisticada
25
AIDS-SIDA
Quadro
dadoença
que mudoucomportamentos
epermanece semcura'. 26
COMPORTAMENTO
Enquanto
meio ambienteseesfacela,homem
revah"riza
ocorpoe oespírito
27 ARTES
PLÁSTICAS
- Abstracionismo
mareouaartedosanos 80
28
QUADRINHOS
Revolução
temáticaedelinguagem
reflete o cinismo da era
contemporânea
29 CINEMA
Escapismo
e faturamento-livraramgrandes
estúdios daruína30
MÚSICA
Rock brasileiro contestou,
ganhou
mercadoeatingiu
amaturidade'
REBELDE COM
CAUSAS
31-<,
Mais que
antes,
orock lutouontraa
fome,
aooressãoepelos
, direitos humanos
IMAGENS 80- 89 32
Fotografias-síntese
que revelamomelhore o
pior
dahumanidade
P 2
. ,ZERO'
.JAN-90
'. ' '-� --- , . ,TRANSIÇÃO
Povo derrota
ditadura
nas
ruas
Da
anistia
,às
-"diretas-89,
na
I
mira
do
Urutú
As
eleições
presidenciais
mar cam exatamente o término zleumadécada que, desdeseuíníclo,
fui acumulando. fatos políticos
que construíramcommuita luta
oúltimo. dia 17 de dezembro. Não.
'
foi meracoincidênciaque
aquele
que abriu a década, em 1980,
sendo.preso.econdenado por lide rar umagreve de 42 dias defla
grada
pelos metalúrgicos
deSão. Bernardo.do.Campo.eSanto. An dré (SP), iria fechar estamesmadécada
disputando.
aPresidênciada
República.
Apesar da prisão.deLula, no.
começo dosanos80as portasdo. Brasil estavam abertas. Em ju
nho. do. ano. anterior
Figueiredo.
encaminhara ao.Congresso
Nacionalo
projeto
de anistia(embo ra restrita e decidida somenteapós
odesaparecimento.
e-morte de 400 brasileirosemais deumadécada de movimento
pró-anis
tia). Naverdade,asportasaber
tas convidavam mais a deixar o
, país.No. início. da décadaosmili
tares
já
haviam atolado oBrasilna maior crise de sua história: má
distribuição.
derenda,endivi damento. externo, concentraçâoda
propriedade
da terra, ausên cia de liberdades essenciais...Isto.tudo. embalado.
pelo.
argumento. de queoBrasil viaseu PIB crescer,
que
se desenvolvia industriálmenteepor aí.
Coma
insatisfação. popular
to mando.conta, oGoverno resolvefragmentar
aforça
deoposição
(até então. resumida ao. MOB,
contraa Arena)
e,'
em 1980, determina a reforma partidária.
Surgem
então.oPDS, PTB, PDT, PT, PMOSe PP, que posteriormente fundiu-seao.PMDB.
Mesmo. corn o processo de abertura, acontece em 1981 o
atentado. terrorlsta de direita
corn omais escandaloso processo.
de acobertamento. No. dia 30 de abrilodestino. seencarregou de explodir,antesdahora,abomba
.carregada pelo.
sargento.GuilhermedóRosárioe o
capitão.
Wilso.nMachado., que estavam no. inte rio.r de um Puma no.
estacio.na-, mento. do. Rio.centro.
no. Rio. de
Janeiro., durante o.sho.w de mú sica
po.pular
liderado. po.r Chico.'Buarque,emco.memo.ração.ao.1': de maio..O
Rio.çentro.
apenas culmino.u co.m a o.nda de atentado.s
,terro.ristas,
Bancas dejo.rnais
que vendiampublicações
alterna tivasjá
haviam sid,o. mandadas para o.s ares. Em ago.sto..de 80,entrevárias vítimasfeitaspo.ro.u
tro.s atentado.s, fo.i dilacerado. o.
co.rpo. da funcio.nária da OAB,
Lyrla Mo.nteiro. da Silva no. mo.
mento.em que abriauma co.rres
po.ndência
endereçada ao. advo.gado.
Eduardo.SeabraFagundes.
No. mesmo. dia o.jo.rnal Tribuna
Operária já
experimentava
igual
menteo.s efeito.s de uma bo.mba
Tancredo: esperançaemvão.'
e nem o conservador Jornal O
Estado. deSão.Paulo. escapou, pa-
-raservircomoobra que
pudesse
seratribuídaaoscomunistas.Diretas
já
- Ainda soboregi-'
me militar, a oposição obtém'
maioria na Câmara Federal em
1982 e conquista o Governo de
dez estados(PMDB nove e PDT um). Como uma bola de neve a
sociedade vai se
organizando
e em 1984 as manifestações poreleições
diretas parapresidente
da
República
varremopaís.Em16 de abril de 1984oauge, com 1,7 milhão. de pessoas gritando.
"diretas
já"
no.cofníciodo. Vale do. Anhangabaü, emSão. Paulo. Antes de 25 de abril mais de seis milhões depessoas
tinham saído. àsruas.Nestacampanha
umdestaque para Luis Inácio. Lula da
Silva, Teotônio Vilela
(que
morreu no.dia do.
primeiro.
comíclo, em 27 de novembro de 1983), UlyssesGuimarãeseLeonelBri-zola, ,
No. dia 24 de abril de1984,em
meio. a medidas de
emergência,
censuraprévianastelecornunicá
çõesdo.
país
inteiro.eintervenção.
a entidades classistas e várias'proibições
nacapital
Federal oCongresso
Nacionalrejeita
aemenda Dante de
Oliveira,
que restabeleceria aseleições diretas parapresidente
daRepública.
Num retrocessohistórico,asfor
ças
partidárias
articulam-se e osenado. aprova em outubro do.
mesmo.ano. a
regulamentação.
do.Colégio
Eleítoral, onde cada membro. votaria por 122 mile796 eleitores.Surge
aíoPFL que alia se a,o. PMDB para lançar Tan credo. Neves àPresidênciapela
Aliança
Demo.crática, que co.nta aindaco.mapo.io.do.PDTePTB.O
Co.légio.
Eleito.ral fo.idefinido., aprincípio.,
para favo.recero.Go. verno.,po.is ninguém previa
o. esfacelamento. do. PDS.
Na no.ite de 15 de
janeiro.
de 1985 pela primeira vez, após 20 ano.s,aGlo.bo.usava aexpressão. Regime Militar,para anunciaravitória de Tancredo. Neves so.bre Paulo. Maluf. Ao.s 75ano.s,navés pera desuapo.sse, Tancredo.cai enfermo. co.m tumo.r benigno. in
feccio.nado. no. intestino. e
depo.is
de 39 diasno.
ho.spital
eseteintervenções
cirúrgicas,
mo.rre.Assume
Sarney,
o. vice,que
até seismeses antesfo.ra
dirigente
máximo.do. partido.do. Go.verno. Mili
tar. Reco.nheceu
alguns
direito.s, inicialmente, co.mo. o.s partido.saté então.c1andestino.s,aseleições
OI '"
S;
" 'o o 'o ee zOI tas,
após
ameaças, troca..defavoIf
respolíticos
edistribuição.de con-11 cessõesde radioseTVsporcinco. i:; anosde mandate. Isto. tudo proa mulgado
em 5 de outubro. de 1988.DECLÍNIO
DOPMDB -Após O congelamento de preços de 1986oPMDBtransfor mou-se no.maiorpartido.do.país,elegendo.
22governadores,
42senadores e 261 deputados fede rais. Mas corn
políticos
de direi ta, liberais decentro.e'uma par-:cela dita
progressísta
mas que, naverdade, até'agora não. apresentou propostas
objetivas
nestecampo,oPM DB foiao.poço.
Au-(menta
a crise dopaís.
Em 9 de novembro de1988operáriosgre vistas daCompanhia Siderúrgica
Nacional,emVoltaRedonda,sâo mortos por militares. Nas elei
ções
municipais
de 15 de novembro. é a vez do. crescimento do PDTe aestrela do. PT sobecom avítõría de cidades
importantes
comoSão Paulo, Porto Alegree
Vitória.
1988 terminou corn a corrida dos candidatos a candidatos à
Presidência
da República. Em abril de 1989Sarney
comandaumGoverno.
cuja
políticaeconô mica' está fracassadae necessita de apelos. Assim, avança comuma ofensiva
político ídeolõgíca
para isolarasforçasdeesquerda
(especialmente
oPT)e em27 de abril ocupaas TVs em rede nacíonal para
inaugurar
uma novaexpressão: ogrevismo selvagem.
No. dia 13 de maio, Lula realiza
o primeiro.comício de presiden
ciável, numa festa em São. Ber nardo..do
Campo,
Naquele mês, uma bomba havia derrubado. omonumentolevantado.cornosím
boloe
homenagem
à luta dostrabalhadoresmortosem Volta Re donda.
A campanha presidencial se
gue rumo.
dirigido. pelas pesqui
saseleitoraís. No.princípiocriouse o monstro Brizula, aterrorí zandoaclassedominante. Contu
do,
já
estavano.-processo de engorda outro. monstrengo, este
contra a
população
brasileira,que chegouaserconsíderado fe
nômeno,
simplesmente PQr'
provar que é real o poderexercido.
pelos
meios decomunicação.
A Rede Globo de Televisão.apostou
tudo.emFernando. Collorde Mel lo.Envergonhados
corn o.candi dato. ado.tado. po.r Ro.berto. Marinho., o.s defenso.res da estrutura
capitalista
brasileira reso.lverampatro.cinaro.utro.s no.mes. Quise ram
inclusive
to.rnarpresidenciá
velo. animado.r de televisão.epro
prietário.
do. SBT, Silvio.Santo.s,que em umas três aparições da
pro.paganda
eleito.ralgratuita
(depo.is
teveacandidatura rejei tadapelo.
TSE)insistia em dizer que não. entendia nada depo.líti-'
ca. A esquerda também
quis'
marcarpresençaco.mvárias Po.s
sibilidades. E assim
chego.u-se
a15 de no.vembro.co.m21 o.pções.
Co.llo.r e Lula saíram vito.rio.so.s.
O
�esto.,
vo.cêjásabe.�.Ro.semeri Laurindo. DiretasJá: umgrito.de milhõesignorado
Ríocentro: não. seriaoúltimo. atentado.
da
ultradíreita diretas paraprefeito.s
dascapitais
e o.vo.to.do.s analfabeto.s.
,
CONSTITÚIÇÃO
Co.meça
a serdesenhadaao.itava
Co.nstituição.
Federal. Ao.co.ntrário. da co.nstituinte exclusiva reivindicadapelo.mo.vimento.so. cial,o.Brasil recebeum
Co.ngres
so.Co.nstituinte. Em 1986umaco.missão. de 50no.táveis
juntamente
,
co.m Afonso. Arino.sjáhavia pre
parado.
umantepro.jeto..
Do.o.utro.lado., a OAB
pedia participação.
maisamplada so.ciedade na Assembléia Nacio.nal 'Co.nstituinte.
Go.vernoFederal,
empresário.s
urbano.seruraisarticulamnaAs sembléia Nacio.nalCo.nstituinteo.
éentrão. (PMDB, PDS, PFL e
PTB
principalmente),
que temseupro.jeto. próprio.paraa
Co.ns-tituição.
Naprimeira
faseasenti dades po.pulares e sindicais che garam aparticipar
através de emendas po.pulares e audiênciaspúblicas.
Nas vo.tações recebemuma rasteira e resta ao.s co.nsti tuintesidentificado.sco.m o.sinte
resses-fo.s
trabalhado.res denun ciaro.perfil
co.nservado.rdo. Co.n gresso. Co.nstituinte. Mesmo. assim fo.ram
garantidas co.nquistas
co.mo. o. direito. de greve, turnoininterrupto.
de seis ho.ras, apo. sentado.ria co.m salário. integral,direito.s trabalhistas
iguais
para trabalhadores urbano.s e rurais,além de o.utro.s.,O Centrão., po.r seulado., fo.i vito.rio.so.naquestão.
da Refo.rma
Agrária,
estabilidade no. emprego. e
jo.rnada
de 40 ho.ras. ESarney co.nseguiu
adiar po.r maisum ano. aseleiçõesdire-OPORTUNISMO
ee 'i) >"£
õ) u o ESeqüestro
dá
votos
para.
Collor
Mídia dá
destaque
a
especulações
sobre
as
origens
dos
autores"
O desfecho do
seqüestro
do empre sário AbílioDiniz,
vice-presidente
do grupoPão-de-Açúcar, pode
ter favore cido aéleiçáo
de Fernando Collor de, Mello
(PRN).
Ocandidato,
quenacam"panha
aosegundo
turnoreforçou
seu discurso anticomunista assumindo níti da posturadedireita,
"contraabader na. as bandeirasvermelhas,
a anarquia", capitalizou
osresquícios políti
cos,desse fato
policial.
As
vésperas
doturnodecisivo da eleição presidencial
emissoras de TVe rádiosdetodoo
país
começarama acompanhar
passoa passo, detalhe por detalhe, as
investigações
enegociações
que cercaram a descoberta doesconderijo
onde osseqüestradores
mantinham,
desde IIdedezembro,
Abílio Diniz pre so. Apolícia
divulgou
� e os meios decomunicação
e ospartidários
de Collortrataramde massificar
-queos
seqües
tradoresdiziampertencer
aoMovimento de
Esquerda
Revolucionária(MIR),
do Chile.
Quase
ao mesmotempo
também era informado
que
na casa de um do"envolvidos havia material de campanhudaFrente
Popular,
de Lulaeaagen daapreendida
continha nomesde dirigentes
nacionais do Partido dos Traba lhadores (oPT deLula).
:\'0 dia da
eleição,
17 dedezembro,
durante quase duas horas
ininterruptas,
redes nacionais de televisão mantiveram
imagens
ao vivo da praça em frente à casaonde estavam Dinizealguns
deseusseqüestradores.
Nas urnas, 82milhões
debrasileiros
depositavam
osvotosque_g
dariam vitória a
Collor;
por uma mar-�
gem pequena de pouco mais de 5%. O'�.
impacto
da descoberta dosseqüestra-
..dores e das
negociações
paralibertação
�do
empresário
foi,
semdúvida,
limito�
forte. Assimcomo foi forte oesforço
�
paraextrair,
doepisódio, conotações
,�
quepudessem
reunir,
nacabeça
.e no �coração
doseleitores,
a candidatura de LuizInácio Lula daSilva- deesquerda
- e o
seqüestro.
Adivulgação
massiva- rádios do interior de SP dedicaram
espaços anormalmente generosos às in
formações
sobreoseqüestro
eàs especulações
sobre asorigens
emotivaçõés
de seus autores ,epanfletos
foram distri buídos nos locaisde. votação
- tratoude esconder fatos como o denunciado
pelo
cardealarcebipo
de SãoPaulo,
o catarinense Dom Paulo Evaristo Arns.
(um dos
negociadores
dalibertação
doernpresár-iol:
ele disseterouvido,
deum riosseqüestradores,
ainformação
de quealguém
dapolícia
tentarafazercom que elevestisseuma camisetacompro.paganda
deLula,
parao momento em que fossem levados para diante dacasa,na praça ()NJe .stavarn as
câmeras
de n.fo!ógrai
' �repórteres.
Pesquisa LíneteMartins '" 'õY�
" > '" s: U o 'E ee u � o sequestro de Diniz foi usado por rádio e televisão, numa cobertura incomum e suspeita,
quando
oPaís estava voltado,
paraaseleições
LilianCeliberti, Universindo Diaz(uruguaios)
�
Baungartem: sequestrospolíticos
desmascaradose impunes-, ,
"
,
PAU PRA TODA OBRA
Ricaços
atraem
seqüestradores
A
onda
chegou
a
se
e
atingiu
o
grupo
Perdigão
Na versão
oficial,
consta queogrupo deseqüestradores
-composto por chilenos,
brasileiros,
argentínos
ecana
-denses__:
poderia
serresponsável
pelos
últimosdois gran ties seqüestros acontecidos nesteano.Segundo
apolícia,
oempresário
LuizSalles,
55 anos, foi seqüestradopelo
mesmo grupo que teria man tido AbílioDiniz
desaparecido
porumasemana. Salles ficou
desaparecidodurante 65 dias
entre
julho
eoutubro de 1989 eo seuresgatecustouUS$ 2,5
milhões.Também háa
suspei
ta sobre a relaçãodesses dois
seqüestros com o de Antônio
Beltran Martinez, 60 anos,
que era
vice-presidente
doBradesco,
em novembro de 86.No dia
17,
ojornal
Folha de São Paulo dedicou um caderno exclusivamente ao se
qüestro
de Abílio Dinizetrou xe um levantamento sobre aincidência de seqüestros de
empresáriosno
país.
Ojornal
citaoseqüestrodoempresário
José Mindlin,principal
acio nista da MetalLeve,
em 11 dedezembrode1985, quando
foi
exigido
o resgate deCz$
SOOmilhões. Antesdisso,
em83,
ojoalheiro
Américo Mo reira dos Santos ficou em poder dosseqüestradorespor 37 dias e o resgate foi de CRz$ 170 milhões. Em
86,
foise-qüestrado
oempresário
Osó rioBachin,
emSão Paulo. Foi pagooresgate, mas oempresarío acabou morto. E nodia 14 de
abril,
deste ano, houve oseqüestro
de Emundo JoséLeite Falcão,
proprietário
de 'umaindústriade sabãoevelas na Bahia. O caso ainda
nãó
foi solucionadopela
polícia,
que acredita na
possibilidade
de Falcãojá
tersido assassi nado.A incidência de seqüestros
nos últimosanos não poupou
acomunidade de
empresários
de Santa Catarina. OsgarotosSaul Bradalise
Neto,
14anos,e Jean Paul Brandalise, 8
anos,filhos do
vice-presidente
daPerdigão, Saul Brandalise Júnior, foram vítimas do
maior seqüestro que
já
acon teceu em SC. O seqüestroaconteceu em Videira, em abrilde
88,
eosgarotos
foramlibertados uma semana de
pois,
mediantepagamento
deresgate. Os seqüestradores
chegaram
a ser localizados epresos. Umanovatentativade
seqüestro no
Estado,
aconteceu neste mês de dezembro. Os .estudantes do Curso de
Engenharia
Mecânica da Uni versidade Federal deSC,
An drei CoelhoSchmidt,18 anos,neto do
proprietário
da empresa deturismo Emflotur, e
Alexandre dos
Santos,
18anos, foram
seqüestrados
natarde de
quinta-feira,
diaIS,
no
Campus
Universitário. Osseqüestradores pediram
à famíliaoresgatede 45 mil dóla
res, masosrapazes
consegui
ramfugir
duranteumatenta tiva de assalto, porparte
dosseqüestradores,em
Laguna.
Salles: 65 dias de cativeiroeresgatedeUS$2,5milhões
SNI
ensina
a
matar
os
reféns
Seqüestros
comobjetivos
políticos
não sãonovidade noBrasil. Já na década de
60,
guerrilheiros brasileiros que lutaram contra o
golpe
de 64seqüestraramumembaixador americanoe
conseguiram
negociar
alibertação
de presospolíticos
que, maistarde,
fo ram exilados parapaíses
daEuropa
e sóconseguiram
retornarao
país
nofinalda dé cada de70,
emfunção
da anis tiaconquístada após
umaampla
campanha
daesquerdda
e de setores organizados do
país.
Mas a direita tambémjá
utilizouseqüestrospararesolver
questões políticas.
Co moresultadodaação
repressiva dos militares no
Brasil,
aconteceu a morte dojorna
lista Alexandre Von Baum
garten, noinício dosanos80. O
jornalista desapareceu
depois
de sinuosas negociaçõescom o
Serviço
Nacionalde Informações (SNI).
Ele foi vistopela
últimavez em13 deoutu bro de 1982,quando
deixou o apartamento onde morava,em
Ipanema
(RJ) para umamanhãde
pescaria
natrainei raMirimi, emcompanhia
damulher Jeanette Yvone Han sen edo
barqueiro
ManoelAugusto Pires,
dono da em-Fimdo sequestro, masnão docasobarcação. A Mirimi teria saí do do cais da praça IS deno
vembro,nocentrodo
RJ,
emdireção
às IlhasCagarras
�três
quilômetros
aoLargo
deIpanema.
Treze diasdepois,
o corpo dojornalista
foi en contradonapraia
de Macumba,
a 30quilômetros
de Ca garras.Baumgarten
havia si do morto com um tiro nacabeça
edoisnoabdômen. Não foilocalizado nenhumvestígio
do barco de 7metrosdecom
primento.
Antes de seu
desapareci
mento,
porém,
AlexandreVon
Baumgarten
deixou umdossiêde 74
páginas,
com 21documentos. Ele havia tirado
11
cópias
edeixadoinstruções
paraa
divulgação
dessematerial,
casoalgo
theacontecesse. Naedição
número752,
de dois de fevereiro de1983,aRevistaVeja publicou
com exclusivi dadetrechos dosdocumentosecontouahistória doenvolvi
mento de
Baumgarten
com oSNI,
causando UI'}grande
mal-estarna
cúpula
militardoentão
presidente
daRepúbli
ca,João
Figueiredo.
Ojorna
listaeraconhecido porseu en
volvimento com a comunida
de de
informações,
foi sóciodaRevistaO Cruzeiro e pas
sou osúltimosanosdesua vi da tentando ressuscitar a re vistacomdinheiro do SNI. A
ajuda
veio e a revistapubli-'. cava matérias
simpáticas
aoregime
instaladonopaís
com ogolpe
militar de 1964. A par tir de desentendimentos com acúpula
doSNI,
inclusiveco mo chantagemparaobtenção
de mais
dinheiro, Baumgar
ten elaborou o dossiê. Com medo demorrer,em
1981,
ele escreveu noprimeiro pará
grafo
do dossiê que viriaa serdivulgado:
"Nesta data écerto que minha
extinção
físicajá
foi decididapelo Serviço
Nacional de Informações. A minha únicadúvidaé se essa decisão foi tomada em nível doministro-chefedoSNI,
generalAntônio Octávio Medei
ros,ou seficouanível do chefe da
agência
centraldoSNI,
general Newton de
Araújo
Oliveirae Cruz". Ocaso Baum
garten é apenas um
exemplo
de centenas de
desapareci
menfos
políticos
emfunção
darepressão militarno
país.
Textos
Línete ·Martins
'1
o GRITO
DA
SOCIEDADE CIVIL
formação
dacomissão
pró
CUT(Central
Unica dos Trabalhadores).
Só que não foiummomento de
unidade.
No 1� Conclatjá
se delineavamduas.tendências
diferentes de sindicalismo. Uma correntequeria
,aconstrução
pela
base,eracontraaestruturasin dical
vigénte,
a outraqueria
alianças
com asConfedera
ções
incluindopelegos,
erao"sindicalismo de, resulta dos".
Desta dicussão
acabam
surgindo
duasCentrais
detrabalhadores.
A CUT querepresenta
aprimeira
correnteeaCGT
(Central
Geralde
Trabalhadores),
que representa
asegunda.
Neste,
tempo
o Brasiljá
vivia umclima de abertura. A repres são
continuava,
masostrabalhadores
conquistavam
seusespaços.
Explode
luta
no
campo
e
cidade
Sindicatos
e
sem-terra
fazem
valer
seu
direito
A década de 80 começou com este
grito
de resistêncianacidadee nocampo: milha
res,de
metalúrgicos parados
.
em São Bernardo e mais de 240 mil canavieiros
parados
nos campos de Pernambuco.
Antes
disso, porém,
ostraba lhadores tiveram que enfrentar uma
longa
luta.O
golpe
de 64 havia inicia doumviolentoprocesso
con tra o sindicalismo. Nos anosquese
seguiram,
409 sindica"tos,
43Federações
e4Confederações
sofreram intervenção.
1.565ações
repressivas
foram efetuadasemais de lü.mil
trabalhadores
foram ba nidos da vida sindical. Escu recianoBrasil. Paraacalmar
osânimos,
os militares trou xeram para opaís'
oAIF�D
(Instituto
Americano de Desenvolvimento
do Sindicalismo
Livre),
financiado
pormultinacionais,
que treinouperto
de 30 mil ativistas até 1984. Vinhamosamericanos ensinar suas táticas.É
nestetempo
que"Joaquinzão"
aprende
o seusindicalismo deresultadose se
mantém
nadi- ,reção
do maior sindicato da América doSul,
de 64 a 80.Durante quase duas déca das o terror
campeia,
centenas de
operários
são presos etorturados,
mas nasentranhas
de
alguns sindicatos,
trabalhadores
resistem. As multinacionais seampliam
esem saber
forjam
a massatrabalhadora que vai
promo--veravirada damesa.
Em
1978,
no dia 12 demaio,
três miloperários
en tram em greve naregião
doABC. O movimentosealastra por 18
cidades,
meiomílhâo
de trabalhadores param. Eaprimeira reação depois
de 14anos
amordaçados.
Noanode79 o movimento assume di
mensões
gigantescas, já
não sãosóosmetalúrgicos,
todasas
categorias
começam
a cobrar seus direitos. Três mi
lhões de trabalhadores cru
zam os
braços.
Arepressão
é
forte,
háprisões,
intervenções.
Nosquartéis já
se falaem
distenção. Quem
vai tercoragem de enfrentaro povo
enfurecido.
Anos 80
-A década come
çacomgreve. Denovo os me
talúrgicos
deSão
Bernardo,
liderados por Lula. Sao 41 dias deresistência. As
assem-bléias são
gigantescas,
mais de100 mil trabalhadoresreunidosem um estádio de fute
bol. Os
helicópteros
do exér citoespreitavam,
as baionetas se
confrontavam
com oscapacetes.
Lula é preso. O Sindicato sofreintervenção,
as diretorias são
depostas,
mas continuam a liderar.
O
movimento
extrapola
tudo oque
já
tinha acontecido noBrasil. A brutalidade da reo,
pressão
naõ consegue esmagaromovimento sindical que
começa acrescer.
'
Oanode
1981
vaiserdecisivo. Acontece na cidade de Praia Grande em São
Paulo,
a
I�CONCLAT
(Conferência
Nacional das Classes Traba
lhadoras).
São5.036
delega
dos de 1.091 entidades.
E
amaior reunião
depois
dogol-I
pe. Nesteencontroforam de finidós o Plano de Lutas e aAcampamento
é
O
meio
de
resistir"-Enquanto
osmetalúrgicos
, começavamsua
articulação
nacidade,
no mesmo ano ocampo.despertava.
A modernidadetrazida paraa
agricultura
não.mudou a estrutura latifundiá
ria doBrasil. Cresciaonúmero. de
bóias-frias,
desem-terra. Osistemafeudal ainda
vigente
es magavaoslavradores. Em79�
240 mil
{:anavieirQs
param em Pernambuco.Esquentava
a zo na rural. No rastro dQS cortadores
de
canaespoucarammo'vimentos PQr todo o Brasil.'
, Vieram as
prisões,
os assassi
, natos,
expulsão
depadres.
Ogovernotentava
impedir
queoscamponesestornassem
conheci
mentodeseusdireitos.
Em 81
já
haviam 896 áreasde
conflito,
5]4noNorte,
192 no Centro Sul e 190 no Nordeste. O Terceiro
Congresso
Nacional de Trabalhadores
Rurais acontecido. em 79 teria
sidoo
estopim
paraadeflagra
ção destas lutas. Aindaem 79, no interior do Rio Grande do
Sui" famílias desem-terraocu pam, de forma
organízada.u
mafazendaimprodutiva.
Inau guram umjeito
novo de resistir: oacampamento.
Fm
RO,
300 famílias vãoen'jrando na Fazenda Burro,
Hranco em Santa
Catarina,
Iorruamacampamento,
produ
/em.:\0 centrodo.
país
também,
,)'1H','am as ocupações.
,'\ \ !,'7 '\r LOLONO
Em XI, nUI'Ja encruzilhada
Xatalino, rm Ronda Alta
O� l'aml....neses montam
um
gigantesco. acampamento.
Queremterra.Oexército tenta
expulsá-los,
eles resistem por mil dias ao.temívelMajor
Curió,
especialista
em"pacifi
car"áreasde conflito.O movi mentoseprojeta
anívelnacional. Os confrontos CQm Curió
são
freqüentes.
OMajor
saiderrotado,não conseguem des
mantelar a
organização
do.acampamento.Natalinosetor
na o marcodahistória do movi
menlo.O conviteàresistência,
a
lição
dada
poraqueles
lavradoresdão sanguenQVQaluta.
Em 82umencontronoPara
ná reúne
agricultores
envolvidos em lutas nostrês estados
do Sul. Em 83 na cidade de
Chapecó
criam-se as Comissões
Municipais
deSem-Terra. No mesmo ano osacampados
de Natalino.vencem o governo econseguemterra.A vitória dá
maisfôlego
à luta. Em 84aeontece o Encontro de Sem- Terra
de vários estados, O movimen to. passava a existir enquanto
entidade. Ali consolidou-se a
direção política
dastutas,
asformaseQSmétodos de
organí
zação.
Ocupar
épalavra
deordem. Osconfrontoscom
pisto-'
leiros delatifundiáriosse acir ram. O campo. começasua re
volução.
A
REAÇÁq_
Tancredo Neves vai ao Pri
meiro Encontro Nacional de
Sem-Terraem 1985 e promete umPlano Nacional de Reforma
Agrária.
Mas ele morre e asEsta lutatemummártiremse
esperançasseesvaem. Assume
Sarney,
com seuranço militar.Começam
as ocupações em Massa em todo opaís.
Neste ano eram 42acampamentos,
envolvendo 11 mil famílias.
No Rio Grande do
Sul,
emSarandi,
duas milfamíliasocupam a fazenda Anonni.
É
o maioracampamentojá
monta do. A violência recrudesce.Forma-seaUnião Democrática
Ruralista, o
braço.
armado dolatifúndio.Aí
já
nãoé sóapolí
cia, são
jagunços, pistoleiros,
todos
juntos,
intimidando oscamponeses.
No Bico do
Papagaio, padre
Josímo Tavares é assassinado.
Quem
defende lavradores está namira da UDR. Em 86 AnQnni é
desapropriada pelo
Incradepois
de uma resistência dequase doisanos. O ciclo conti
nua, os camponeses ocupam, dezenas são assassinados. Em '
87 vem a Constituinte.
Espe
rançanocampo.Tudoemvão.
A reforma
agrária
não. passa.Em 88 matam Chico
Mendes,
do. Sindicato dos
Seringueiros,
O mundo conhece a luta
pela
terra quesetravanoBrasil.
O fim da décadamostraque
a luta contínua. Em 89ostra
balhadores rurais decidem
mu
-dar de tática. Não. vão. mais sair
dasterras,vãoresistir. NoRio.
Grande ocupam Santa Elmira.
Chega
apolícia,
eles resistemàs
baías,
CQmbalas. Oepisódio
fica conhecido como aGuerra
de Santa Elmira, muitos colo
nos são feridos. Era um novo
tempo
no. campo, Em Palma Sola(SC)
a mesma tática. Resistir a
qualquer
preço, Umcamponês
é assassinado durante o confronto, O momento,f
de terror. "A terraestá
grávi
da,querparire
ninguém
pode'impedir
queohomem que gera aterra,'
tire dela seus frutos. Aos lavradores àterra.Não hámais volta", dizem QS
agricul
tores.
GRANDES GREVES
Sarney
assume ogovernoem
85,
no anoseguinte lança
O,_g
Plano Cruzado. Euforia ge..�
ral,
que não dura muito. VemLIJ_â
odescongelamento
etrazcon-sigo
oarrocho salarial. No dia12 de dezembro de
86,
ostrabalhadores param o
país
naprimeira
grevegeral.
Em 87vem oPlano
Bresser,
ogover noignora
ainflação
de26.70% do dia 1�a 14. Novo
arrochoenovagreve
geral
nomês de
agosto.
Em89oPlano Verãodeixaostrabalhadores sempolítica
salarial,
é a vezdaterceira
grande
greve. Não há maisvolta,
ostrabalhadores
conquistaram
odireito de�rigarem
pelos
seus direitos.A CUT se consolida como a maior central sindical do
Brasil,
éumareferência paraaclassetrabalhadoranaluta.
Negando
osindicalismo
.de
conciliação,
aCentral rompecom o atrelamento e passaa ,
avançar. Por outro lado a
CGT continuou
incorporada
ao sindicalismo de concilia
ção.
Prefere resultados. Trata o trabalhador como uma
peçapara
produção
esó ques.Qona
opreço
da peça. Nãopensa
garantir
ao trabalhador o acesso à
riqueza,
nemque
eleseja
sujeito
de suaprópria
história.Elaine
TavaresUDR
detona
a
guerra
nocampo
Morte
de
Chico
Mendes:
a
UDR
também
estava
lá'
Impede
reforma
agrária
e
mata
as
lideranças
Um dosfatos marcantesda décadafoiatentativaderear
ticulação
política
daextremadireita brasileira através da VDR
(União
DemocráticaRuralista),
uma entidade que reúne latifundiários desde o Norte dopaís,
passando
pelo
MatoGrosso,
atéoRio Gran 'de do Sul. A UDRsurgiu
em 1985 comoconseqüência
dealgumas
desapropriações
efe tuadaspelo
governo federal emSãoPaulo,
que mostraram osériorisco que corriaolati fúndioimprodutivo,
caso esseexemplo
fosseextrapolado
na dimensãoprevista
nas metas do PlanoNacional
de Refor maAgrária,
doPresidenteJo
sé
Sarney.
Plano este, consí deradomuitoaquém
do"Estatutoda
Terra",
definidonaépoca
daditadura.'
A entidade
seguiu
a trilha daviolêncianocampo. Fixousuas raízes mais fortes na frente deconflitos
agrários
daárea
pioneira
(Bico
doPapa
gaio,
sul daBahia,
sudoeste"
catarinense,
Gaúcho)
e noPlanaltoquartel-general
MédioI
docapítalismo
caboclo(nacaI
pital paulista,
PresidentePruI
dente,
Araçatuba
e RibeirãoI'
Preto).
Nas áreas ondeaUDRI
aindanão
havia desenvolvido"Quero
ficarvivo para sal var aAmazônia",
dizia Chico Mendes. Mas seu sonho não foi realizado. Chico foiassas sinado na noitedo
dia 22 de dezembro de1988,
com um tironopeito,
em sua residência, na cidade de
Xapuri,
no Acre.Nos dias
seguintes
desaba ram sobre a pequenaXapurt
'dezenas dejornalistas
domundo
inteiro, padres,
sindicalistas, políticos,
trabalha dores ruraisemilharesde seringueiros, protestando
eexigindo
vingança
ejustiça.
Chi co Mendes erapresidente
do Conselho Nacionaldos Seringueiros,
líder dos sem-terra, militante doPT,
sindicalistada
CUT, presidente
do SindicatoRural dosTrabalhadores
de
Xapuri
edefensor daecolo-suas
raízes,
operava contraaReforma
Agrária
a TFP(So
ciedade
Tradição, Família,
Propriedade).
Assim,
empre sários rurais egrandes
proprietários
começarama se organizar
na base daprática
e dosprincípios
que conheciam:"Quem quiser
entrar na mi nhapropriedade
vai mor rer".AUDR adotaaforma
jurí
dica de umaassocíaçâo
civil sem fins lucrativos para de fender os interesses comuns dos fazendeir.os. Mas parapertencer
à entidadebastade fender osprincípios
ideológi
cos e não necessariamentepossuir
terras,Dos 134milsócios,
60 mil são fazendeirose osoutros 70 milsãopequenosemédios
agricultores
atraídospela "proteção
esegurança"
quea UDRlhes daria.Em menos de um ano de
existência,
a UDRconseguiu
estabelecer canal direto dediálogo
com asinstânciasmaisaltasda
República
ecomeçou apromoverleilõesdegado
entre os fazendeiros para ar mar-secontra o
"perigo"
da ReformaAgrária.
O dinheiroarrecadado,
era investido no financiamento de candidatos aDeputado
Federal,
naseleições
de198�,
que assumiriam ocompromisso
de fazerade fesa dapropriedade
rural ecombateraReforma
Agrária,
lia Constituinte. O
dirigente
nacionalda
UDR,
PauloCar neiroLeão;
declarouemmaio de1988,
queaentidade
"temgia
na Amazônia.Ele sabia que ia morrer. Dias antes desua
morte,
disse àirmã,
Zélia: "Vou morrer atéodia 31". Chicojá
tinha sofrido seis atentados,eestavajurado
de mortepelos
fazen deiros DarlieAlvarinoAlves,
ambosfiliadosà UDRehomi cidas
já
condenados noPara náeMinas Gerais. Chicoco municouofatoaodelegado
da Polícia Federal doAcre,
em setembro de88,
exigindo
aprisâodos
fazendeiros,
mas odelegado
preferiu
criticarChico
Mendes,
acusando-o
de dedo-duro.Desde
1980,
Ghico Mendes era mais conhecido fora do que dentro do Brasil. Era odiadopelos
fazendeirosecri ticadopelo
governo por seus,
métodos de
atuação.
Ele criouo BERRO DO
LATIFÚNDIO
Caiado:emqueda
tanto
dinheiro
para financiar seuscandidatos que está sain dopelo
ladrão".Na
Constituinte,
aReformaAgrária
foiumdostemasmaispolêmicos
eosconflitoschega
ramatéo
tapete
verde dosa lão nobre doCongresso:
É
nesse
período
que a UDR se consolida como aexpressão
política
dos setores maisreacionáriosdasociedade.Tática
'usada: pressão permanente
sobreo
Congresso
Constituinte por meio de seus
próprios
deputados
(cerca
de70)
e através de lobbies fortíssimos.Conseqüência:
os resultadosdas
votações
sobreaReformaAgrária,
foram a maior vitó ria dos conservadores naConstituinte.
Depois
deste sucesso daUDR,
opresidente,
ideólogo-o
"empate",
que consistiaem levar famílias deseringueiros
para frente dasações
de desmatamento e convencer os
.peões
que faziam oserviço
a desistirem.Fez45"empates"
e, em 15
deles,
conseguiu
sal var1.200.000 hectares de flo resta.Sua teseerade que é
possí
vel desenvolver a
região
har monizando aexploração
dafloresta,
criandooconceito da reserva extrativista. Os ban":queiros
internacionaisaceitaram
esteconceitoe oíncorpo
raram nahora de conceder fi nanciamentos à Amazônia.Em 1985 ele setornou con sultor do Banco Mundialedo Banco Internacional de De senvolvimento'. No mesmo anoele recebeuoPrêmio
Glo
-ba1500,
daONU,
emreconhe-o e
principal
articulador daen�
tidade,
RonaldoCaiado,
Ian,�
çou sua candidatura à Presi...�
dênciadaRepública.
Durante ,g acampanha
presidencial,
o.t
candidato mostrou quetemo<
discurso tãoimprodutivo
gquanto alguns
latifúndios. As'G' urnas comprovaram: Caiado
j teveuma
votação
irrisória. Mas a UDR não costumausar táticas tão
"delicadas",
como na
Constituinte,
paradefender os latifundiários. O dinheiro arrecadado nos lei lões de
gado
também é utili zadopára
comprararmamen toecontratarpistoleiros
paramatar trabalhadores. Em
1987,
SalvadorFarina, presí
dente da UDR
regional
deGoiás,
admitiu queaentidade realmente comprou armas com o dinheiro dos leilões: "setenta mil armas para oshomens
que deixaram de ser omissos nahistória dopaís".
Em1988,
a Polícia Federalapreendeu
48 armaspesadas
nafazenda deCórrego
daOn ça,município
de Pedro Gomes
(MG),
depropriedade
doDeputado
Federal Gandi Ja mil(PFL)
que éumdeputado
apoiado
pela
UDR.A
partir
destaorganização
dedireita,
aviolênciano cam po deixou de serespontânea.
Passouacontarcom umEstado-Maior. A cada ano, mais
de meio milhão de brasileiros se envolvem em conflitos no campo.No
período
que vai de 1980a1989,
estesconflitosre sultaramnamortede mais deMatá-lo foi
pior
cimento a sua luta
ecológica.
Em1987,
oBID susrendeufinanciamentosque faziaaogo verno
brasileiro,
porque Chi coMendesdenunciouque nãoestavam sendo
cumpridas
asobrigações
de demarcar re servasindígenas
e florestais.mil pessoas. Nas
regiões
ondehá lutas
pela terra;
ao mesmotempo
emqueaUDR ameaça e persegue, ela também promoveinvasõesedá
apoio
operacional aos assentamentos
com o
objetivo
decontundir
edividirostrabalhadores ru rais. Mas asameaças
não sãodirigidas
sóaposseiros
ou pe quenosproprietários.
Elas al cançamqualquer
pessoa que secomprometa
com a redemocratízação
dapropriedade
da terra. Eumaviolência sele-'tiva:asvítimassãoescolhidas a dedo entre
lideranças
(pa
dres,
advogados, deputados,
vereadores,
líderes sindieais),
na tentativa de
desorganizar
ostrabalhadores.'
Esses assassinatos têm sua
própria
lógica
epretendem
atingir
objetivos
precisos:
cortar as
cabeças
dos movimêntos
de trabalhadores ru rais e manter os camponeses isolados das outrasforças
so ciais que se solidarizam comeles. Emmaio de
1986,
opar lamento europeuexigiu
do go vernoTosé Sarney
que "a UDRseja
punida
e dissolvida",
devidoàsuaprática
cri minosa no campo. De nadaadiantou. Essa violência per manece
impune.
Agrande
maioria dospistoleiros
con tratados paramatar,'
continuaà solta. Otratamentoda do aos assassinos� de campo
neses deu
margem
ao ditadopopular:
"quando
orico mata opobre,
o defunto é que vaipreso".
,,g 'Dias
apó-s
o assassinato de� Chico
Mendes,
oministro Ro�
berto CardosoAlves,
da Ing
dústriaeComércio,
reclamou (�que
oBrasil estavacom osfi�
nanciamentos externos amea gpçados
por causa do"episó
.'�
dio". O governo e apolícia
'o
'� brasileira só
agiram
no caso, Udevido à
pressão
erepercus-são do crime.
Jornais
dosEVA, Inglaterra,
França
e Alemanha deram a notíciacom
destaque.
O corpo de Chico Mendes
foi velado durante 48horasno salão
paroquial
daigreja
de
-Xapuri.
,Novelório,
Lulafez
um discursocomparando
Chico MendesaCristo.
Textos Maria T. da Silva
,..
,
Sai
um
poeta,
entra
um
carateca
Direita
aplica
�---golpe
baixo
e
fica
no
poder
Com a vitóriadeFernando
Collor de Mello paraaPresí-'
dência da
República
em de zembroúltimo,
aseleições
di retassígníficaram
também apredominância
dosnomes so breaestruturapartidária,
já
que o PRN é um
partido
de conveniência.No
primeiro
turno,Fernan doCollor, 40,
transformou-se numfenômeno eleitoralaore ceber mais de vinte milhões devotose vencervelhasraposas da
política
como LeonelBrizola,
Ulysses Guimarães,
Aureliano Chaves e Paulo Maluf, Concorrendo com ou
tros vinte
candidatos,
Collor recebeu28,5%
dos votos. Osegundo
colocado,
LuísInacioLula da
Silva,
doPT,
foi beneficiado
pelos
votosde 16% dos 82.074.718 brasileiros quetêm título eleitoral.
Ao obter 35.089.988 votos
(41.75%)
nosegundo
torno, o candidato que percorreu opaís
vendendo aimagem
de"caçador
demarajás"
foiPRESIDÊNCIA
A"banana"queoeleito negounodebate eleítoo mais
jovem presidente
do Brasil. O fatodas
eleições
serememdois turnos assegu
rou
pela
primeira
vez desde1930,
acertezada maioria ab soluta dos votosválidos para o vencedor. Ocandidato derrotado, Luíz Inácio Lula daSil
va, do
PT,
recebeu Especializado em arfes marciais31.076.364,
o queequivale
a37,86
% dos votos. Herdeiro de um pequenoconglomerado
de comunicação,
formado por duasrádios,
jornal
etelevisãoemAlagoas,
Collorsaiu do Rio deJaneiro,
suacidade
natal,
para cuidardos
negócios
da família emMaceió,
aos23 anos. Em 1979 começousuacarreirapolítica
sendonomeadoprefeito
biôni codacapital
alagoana pelo
regime
militar.Quatro
anosdepois
assumiaocargo dedepu
tado federalpelo PDS,
sendo o maisvotado noEstado.Em1.984 votou contra Tancredo Neves no
Colégio
Et"eitoral,
preferindo
Paulo Maluf. Doisanos
depois
candidatou-se pe lo PMDB ao governo de Ala goasevenceu aseleições.
Foi o únicogovernador
a defen-'der a
redução
paraquatro
anosdo mandato de
José
Sar ney. Procurando espaço para candidatar-se aPresidente,
Collor saiu do PMDB e fun dou o Partido daJuventude.
(P.J.),
quemais
tarde se transformou no Partido daReconstrução
Nacional(P.R.
N.).
Afamília de Fernando Co llortem
tradição
política.
Seupai,
ArnondeMello,
foidepu
tadofederal, governador
deAlagoas
e senador por cincolegislaturas.
Entrou para a históriaquando,
em63,
due landoemplenário
como sena dor Silvestre Péricles de GóesMonteiro,
sacoudeumrevól verparaatlngí-lo
e,por engano, matouosenadorJosé
Kai-rala. .
O
"caçador
demarajás"
nasceunapreparação
dacam
-panha
presidencial:
comogo vernador deAlagoas
Collorcongelou
seupróprio
salário,
instalou livro deponto
nasdependências
administrativas,
extingüiu
escritórios de representação
deAlagoas
em trêsestados,
mandou recolher a frotade carrosoficiais e aca boucomtrêssecretarias,
duasfundações
etrês estatais.. Poroutro
lado,
nosúltimosdias desua
administração
co...mo
prefeito
deMaceíõ,
no meou quasequatro
mil fun cionários (entre osquais
al gunsparentes) "por
enga no",como elesejustifica.
NogovernodoEstado foi acusado debeneficiaros
prefeitos
que aderissem ao PRN. Nove parentesseus e 19desuaesposa também fora nomeados
pela
AssembléiaLegislativa
deAlagoas.
Collor defendeu-sedizendo quesetratavade um
poder
autônomo,
mas a lei quepermitia
acontratação
semconcursofoiaprovada
pe lopróprio
"caçador
demarajás"
.Fernando Collor é formado emEconomiae
Jornalismo,
e foipraticante
de karatê em 1969. Mesmo tendoparado
com oesporte após
obterafai xapreta
no 1�dam,
Collorse exercita diariamente rio míni mo vinte minutos. Seus amigos de karatê afirmam
que'
o novopresidente
temumestilo de"Juta frio econtido, apesar deviolento,
mas, napolítica,
Collor demonstra que nem sempre consegue controlar seutemperamento quando
diz: "Na criseajo
porimpul
so,eé tudoounada".
Segun
doumassessordesuacampa-�
nha,
Collor "éarrojado
ein õtransigente",
e está acostu�
madoamandar:"Não apren<�
deuaarte datransigência,
co-.<'
moatestamsuabiografia
pes]
soaiepolítica
e osqueoconhe�
cem mais deperto".
� Collor diz tersidoameaça-do demortena
campanha
pa ragovernador.
Desafiou osinimigos
em praçapública
edisse não temê-los porque se trataria de
"covardes,
salafráriosecanalhas". Também fez sérias críticasao
presiden
teSarney
duranteseuprogra maeleitoralnatelevisãoefezdesta
ruptura
com o governo federal suáprincipal
peça decampanha.
A idéia de colocar no pro
grama
eleitoral do PRNnaTV odesabafo da ex-namorada deLula,
foi deFernando Collor. Umaex-assessoradesua campanha
afirma que a moça re cebeu 200 mil cruzadosnovospelo
trabalho.Comocontrole damáquina estatal,
Collor ousará remexer na vida ínti mados concorrentes? Paraos adversáriosColloré autoritário,
emocionalmente imaturo eproduto
demarketing
po lítico.A idéia de se candidatar à Presidência da
República
sur'giu
noNatal e87. Iniciousua-campanha
depois
de ummal sucedido namoro com oPDSB,
de onde herdou umItom
social democrata que manteveatéoprimeiro
turno.Na
campanha
contra Lula'guinou
violentamenteadirei-ta retrocedeu décadase
assu-,
.
miu uma
postura
antícomu-nista àlaguerra fria.Esta
variação
no discursochegou
a causaralguns
abalos na assessoria deCollor,
mas nada quesugerisse
rupturas
graves, porque o
presidente
eleito começou é terminou a
campanha
reafirmando des prezarvinculações partidá
rias,
ou rotapolítica
ou ideológica.
Poroutrolado,
estaincapacidade
para tecer alian ças em bases reais criou um vácuo que ele dificilmenteconseguirá preencher
sem modificaro comportamento.Enfim,
chega
aopoder
umjovem
milionário,
filho das elitespolíticas
e econômicas dopaís,
quefala fluentementeinglês,
francêséespanhol,
quegosta
dosBeatles,
dá murros nasmesas,
-usa um
"patuá",
amuletocompoderes mágicos
sob a camisa epromete
pôr
fim àinflação
e àcorrupção
nopaís.
,
AnaLavratti