C D U 0 8 7 . 7 : 6 5 . 0 1 4 . 1 3
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CENTRALIZAÇÃO
DA EDITORAÇÃO
OFICIAL
Resumo
ihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
E s tu d a a p u b lic a ç ã o o fic ia l s o b s e u s a s
-p e c to s m a is ' s ig n ific a tivo s , ta is c o m o a s
va r iá ve is : a d m in is tr a ç ã o p ú b lic a , p e s s o a l
e s p e c ia liza d o , c o n tr o le e d is tr ib u iç ã o d e
p u b lic a ç õ e s . C o m is s o le va n ta a r g u m e n to s
q u e te n d e m a c o m p r o va r a e fic á c ia d a
c e n tr a liza ç ã o d o s p r o c e d im e n to s a d m
i-n is tr a tivo s , e d ito r ia is e b ib lio te c ô i-n o m tc o s
d a p u b lic a ç ã o o fic ia l e n ã o n e c e s s a r ia m e n
-te a c e n tr a liza ç ã o d a im p r e s s ã o .
P u b lic a ç õ e s o fic ia is / D o c u m e n to s g o ve r
-n a m e -n ta is / P u b lic a ç õ e s g o ve r -n a m e -n ta is /
E d ito r a ç ã o o fic ia l.
Abstract
T h is p a p e r s tu d ie s th e o ffic ia l p u b lic a
-tio n s a n d th e ir m o r e im p o r ta n ts a s p e c ts
p u b lic a d m in is tr a tio n , s p e c ia lize d h u m a n
r e s o u r c e s a n d c o n tr o l, a n d d is ttib u tio n .
O ffic ia l p u b lic a tio n s ' ] G o ve r n m e n t d o
-c u m e n ts / G o ve m m e n t p u b lic a tio n s /
O ffic ia l p u b lis h in g .
6 6
Francisco das Chagas de Souza**
1. INTRODUÇÃO
As mais significativas discussões e/ou teorizações sobre a centralização
adminis-trativa (50) conduzem aos aspectos de
centralização econômica e política (6, 7, 8, 12, 48, 49, 57, 67) e enveredam tam-bém pela área da ciência do direito (27).
Aprofundando-se mais um pouco, a
discussão passa a ser setorizada nas
cate-gorias ou áreas do serviço público e se estabelece em nível de empresas públicas
* Com base natese de Mestrado 'Publicações
Oficiais do Estado do Ceará: centralização
administrativa', apresentada ao CPG/EB/
UFMG, em julho de 1982, perante a seguin-te Banca: Jannice Monseguin-te-Mór, Paulo da Ter-ra CaldeiTer-ra e Maria de Lourdes B. Carvalho.
* * Ex-Bibliotecário da Fundação Instituto de
Planejamento do Ceará. Ex-Editor da
Re-vista de Economia do Ceará. Atualmente, Professor Assistente do Departamento de Bi-blíoteconornia e Documentação da Univer-sidade Federal de Santa Catarina. M. S. em
Administração de Bibliotecas Especiais.
Áreas de Interesse: publicações oficiais, edi-toração pública, bibliotecas.
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Em contraposição a tais idéias, Motta
& Pereira mostram as seguintes vantagens da descentralização:
1. Contribui para a elevação do moral das organizações;
2. Concentra a atenção da administração nos resultados;
3. Estimula a iniciativa dos administrado-res de nível médio;
4. Facilita a identificação do administra-dor com os objetivos da organização;
5. Eum meio de treinamento de
adminis-tradores;
6.
f:
um meio de testar administradores;7. Alivia a carga de trabalho dos adminis-tradores de cúpula;
8. Facilita a concorrência interna. As idéias acima enfocadas são deriva-das do pensamento da Escola de Relações Humanas e colocam o trabalhador no cen-tro da discussão.
Esses dois conjuntos de princípios que
se contrapõem seriam suficientes para
provocar uma discussão definitiva sobre que rumo dar à editoração da publicação oficial.
Por sua característica, a atividade
edi-torial deve ater-se a padrões, normas e
princípios que, apesar de flexível,
pos-sam ser considerados uniformes. Isso só
seria conseguido dentro de uma visão
administrativa centralizadora onde os
mais capazes decidem e onde as normas
e diretrizes podem ser uniformes. Esse
privilégio dado ao produto final é
exata-mente o que deve procurar o editor e
mais ainda o editor oficial, pois numa
administração descentralizadora a
con-corrência interna será um elemento
alta-C E N T R A L lZ A Ç A o D A E D I T O R A Ç A o O F I C I A L
(32) ou a todos os ramos integrantes da chamada administração indireta (33),
che-gando às fundações que segundo alguns
pertencem a admirústração indireta e que
.segundo outros constituem uma
catego-ria própcatego-ria (45).
Neste artigo procura-se focalizar, em plano geral, idéias essenciais da área de
administração como um parâmetro que
permita a discussão em tomo da
centra-lização e descentracentra-lização da editoração
oficial. Estudou-se o trabalho de Motta
& Pereira 'Introdução àorganização
buro-crática' (50), no qual os autores "exami-nam a burocracia exclusivamente em
ter-mos de organização burocrática e
consi-deram certas vantagens na centralização":
1. As decisões mais importantes são
to-madas pelas pessoas mais capazes; 2. Há necessidade de menor número de
administradores de alto nível;
3. Há uníformídade de diretrizes e
nor-mas;
4. A coordenação toma-se mais fácil;
5. Aproveita-se mais o trabalho dos espe-cialistas;
6. Toma a identificação dos
administra-dores de nível médio com a organiza-ção menos decisiva;
7. Possibilita . a realização de compras
em larga escala.
Vê-se que as idéias arroladas identifi-cam-se claramente com a Escola de
Admi-nistração Científica. São, contudo,
prin-cípios largamente considerados e adaptá-veis a qualquer categoria de empresa ou órgãos do setor público ou privado, aten-dendo aos aspectos de eficiência e unífor-I)lidade.
F r a n c is c o d a s C h a g a s d e S o u z a
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mente desestabilízador das normas e pa-drões desejáveis para uma bem orienta-da ativiorienta-dade técnica-editorial.
A seguir, ver-se-à que a editoração de
publicações oficiais tende para a
centra-lização e muitos dos textos analisados
apresentam indicações de tentativas já
praticadas.
2_PUBLICAÇÃO OFICIAL
Vasta literatura sobre publicações ofi-ciais vem emergindo de há muito nos paí-ses mais desenvolvidos. Boa parte em
pe-riódicos (1, 4, 29,37,47,55), trabalhos
de congressos (53), etc. e outro tanto em forma de livros. Estes últimos, tanto ana-líticos (34), históricos (36), quanto ma-nuais de trabalho (39) para os profissio-nais de Biblioteconomia.
. A emergência de preocupação com o assunto fez surgir também a necessidade dos especialistas envolvidos promoverem encontros, simpósios, seminários e
pesqui-sas* (17, 54, 60, 61, 62, 63,64,65),
on-de, além dos aspectos produção,controle
e distribuição, há a preocupação com a
forma das bibliotecas obterem,
processa-rem e manteprocessa-rem essas grandes coleções
de publicações oficiais.
Essas coleções resultam em três fato-res: 1) os publicadores e os
bibliotecá-• A seção de publicações oficiais da IFLA, por
interesse da UNESCO, recebeu a incumbên-cia de preparar e distribuir, para aproxima-damente 400 bibliotecas em 5.0 países, um questionário sobre disponibilidade e uso de publicações oficiais. O final do estudo esta-va previsto para 30.11.1980.
rios acreditam queelas sejam importantes
para o público (9:60); 2) o Estado tem-se tornado um grande produtor de
informa-ções (23:116) e 3) a publicação oficial
vem adquirindo considerável importância no campo da educação (24:87).
Esses fatores criam novas perspectivas em tomo dos aspectos da produção
im-pressa, aí considerando a
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a d m in is tr a ç ã op ú b lic a , com seus regulamentos e normas;
o p e s s o a l, considerando os especialistas
gráficos, revisores e documentalistas; o
c o n tr o le q u a lita tivo da produção
im-pressa, aí considerando a atividade do
pessoal; ad is tr ib u iç ã o , considerando tan-to a distribuição livre de encargo quantan-to
a distribuição feita por venda; o c o n tr o
-le b ib lio g r á fic o , através das bibliografias
e 'checklists' e as b ib lio te c a s d e p o s itá -r ia s .
2 .1 . Ad m in is tr a ç ã o P ú b lic a
A administração pública tem
influí-do de diversas maneiras na editoração
de publicações oficiais. No entanto um
aspecto comum é ressaltado: uma
visí-vel inexistência da instituição editora.
Na maioria dos casos o que existe são as gráficas oficiais (17:353).
Os Estados Unidos, com o
Govern-ment Printing Office- GPO (46), e
vá-rios outros países têm órgãos que são
antes de tudo instituições impressoras.
Entretanto, a Dinamarca tem no
STA-TENS TRIKMINGSKONTOR (30) uma
instituição parecida com uma central
de editoração, e o Estado da Tasmânia (em uma pesquisa feita por Cherns (17),
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,entre 19 governos e 9 organizações ínter-nacionaiS), parece ter a função de editor
colocada em algum instituto individual
(17:353)- Por outro lado, o caráter em-presarial dessas impressoras oficiais pode ser considerado um fato universal.
Neste aspecto, o Government Printing
Office (EUA), o Her Majesty's Stationery
Office (Grâ-Bretanha), os órgãos
instala-dos na Suécia, Holanda e Itália parecem
ser os mais desenvolvidos, posto que eles próprios, além de vender seu trabalho ao órgão responsável pela edição, mantêm livrarias e serviço de assinaturas das pu-blicações dispondo, assim, de um conta-to direconta-to com o público.
No aspecto específico de controle e
subordinação administrativa, percebe-se
a diferença de enfoque em alguns países. Nos Estados Unidos, "Administrativa-mente o Governement Printing Office é
parte do Congresso... e está
especifica-mente sob a supervisão do Congressional Joínt Committee on Printing, que é cons-tituído de três Senadores e três Deputa-dos" (11 :480). Já em outros países, a
Subordinação está vinculada ao Poder
Executivo. Um caso característico é o da Itália, onde " ... apenas a Presidência do
Conselho de Ministros através do Serviço de Informação e Copyright, do Instituto
Central de Estatística e do Instituto
Poli-gráfico do Estado, publica e distribui no
País e no estrangeiro, uma completa
sé-rie de documentos referentes ao
panora-ma geral da vida italiana" (38:315)_
2.2. Pessoal da Área de Editoração e Controle Qualitativo
O pessoal envolvido na editoração das publicações oficiais mereceu pouco
trata-mento na líteratura. Isso ocorre
prova-velmente pelo fato da literatura
analisa-da ser em sua maioria, uma literatura
bí-blioteconômica e por isso mesmo
enfo-cando o assunto sob o ponto de vista bi-bliotecário, isto é, sobre a obtenção,
pro-cessamento e manutenção do acervo. Admitindo a inexistência de
preoeupa-ção explícita com a amostra do
desem-penho do pessoal, esse aspecto pode ser
considerado implícito quando do
trata-mento do controle qualitativo da produ-ção. Assim, no artigo sobre publicações oficiais na Holanda há um trecho
mar-cante sobre controle da produção onde
é afirmado que "vários anos de estudo
produziram um leiaute completamente
novo e um projeto gráfico
contemporâ-neo que tornarão todas as publicações
parlamentares acessíveis o mais rápido
possível. A intenção é que cada
docu-mento impresso seja provido de
referên-cias enquanto ele está sendo preparado,
e de um índice de assuntos e nomes" (53:344).
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Nesse quadro acima expresso por
Oltheten (53), percebe-se claramente a
atuação do documentalista ou
bibliote-cário e do técnico gráfico. Evidentemen-te, pode-se crer também na presença de revisores redacionais ou de texto.
O italiano Graziani (38) também faz uma rápida referência à preparação edi-torial das publicações oficiais de seu País.
2.3. Distribuição de Publicações e Bibliotecas Depositárias
A 'distribuição de publicações' é
co-mumente abordada na literatura e está
realcionada com o 'controle
bibliográfi-co' e a presença ou não de 'bibliotecas
depositárias'. Através destas, há a
distri-buição livre para o público, ocorrendo
em vários países através da forma de
empréstimo bibliotecário.
Naturalmente esta forma de
distri-buição depende da extensão do país, do número de órgãos editores e da natureza do material que publicam, bem como dos
custos de produção. Aliás, este último
aspecto só recentemente vem sendo
le-vado em conta. Os Estados Unidos, país que para cumprir à risca o título 44 do seu 'United States Code' sempre distri-buiu as publicações de seus órgãos
pú-blicos por todo o seu território, já fez
mais de uma tentativa de simplificação
dessa distribuição, pois o número de pu-blicações impressas cresceu assombrosa-mente (18:59) .. A primeira tentativa foi a revisão da Lei das Bibliotecas depositá-rias de 1895, no ano de 1922, cujo obje-tivo era não -sobrecarregar as bibliotecas
menores. De acordo com essa reforma, em vez das bibliotecas depositárias rece-berem todas as publicações, elas passa-riam a selecioná-Ias com antecedência.
O resultado imediato da nova Lei foi a
divisão das bibliotecas em dois grupos:
as depositárias 'totais' e as depositárias
'seletivas', que escolhiam uma cobertura mais limitada de assuntos (28: 178). Isto
transformou um quinto das 545
deposi-tárias em depositárias 'seletivas,
dimi-nuindo a amplitude de distribuição por
parte do GPO.
Outra tentativa ocorreu em 1926, com
o estabelecimento de um sistema de
de-positárias regionais, que correspondia,
em totalidade da coleção, às anteriores
depositárias totais, e colocava todas as
outras 'bibliotecas depositárias numa ba-se ba-seletiva (28: 179). Através dessa refor-ma, as bibliotecas mais amplas: as depo-sitárias regionais, foram reduzidas a 35 e localizadas em 29 estados. Essas tenta-tivas são necessárias, pois até 1965 havia nos Estados Unidos um total de 866 de-positárias de publicações oficiais federais, incluindo-se as 35 regionais (13 :34-36). Mesmo com todos os esforços de conten-ção, em 1979 foi registrada a existência de 1300 bibliotecas depositárias das pu-blicações federais (5).
Ainda que nos Estados Unidos as bi-bliotecas depositárias estejam sempre au-mentando em número há quem acalente
a possibilidade do estabelecimento de
uma grande biblioteca depositária nacio·
nal, que contribua para que as demais
se tomem seletivas (21 :4).
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2.5. Centralização Editorial 2.4. Controle Bibliográfico
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O controle bibliográfico de
publica-ções oficiais é altamente necessário para
a redução do custo de obtenção de
de-terminada obra. Este tópico é bastante
discutido na literatura, onde é
enfatiza-da sua ausência, seu desconhecimento, suas falhas, dentre outros aspectos.
Em relação ao controle bibliográfico
nos Estados Unidos, Brock diz: "O Go-verno não dispõe para si mesmo de uma lista ou coleção completa de suas
publi-cações, mesmo na Biblioteca do
Con-gresso" (11 :489) _ .
O desconhecimep.to existe também da parte de alguns profissionais
bibliotecá-rios, talvez acostumados à incerteza da
existência de controle em algumas áreas. Apesar disso, Bertalan (10) afirma que existem algumas fontes de referência de
utilidade variada (10:144). E tanto há
bibliografias (44) como também biblio-grafias de bibliobiblio-grafias (59). Nos Estados
Unidos houve também a preocupação
com a compilação de bibliografias de pu-blicações oficiais de outros países, exis-tentes no acervo da Library of Congress (52).
O controle bibliográfico, apesar de re-ceber bom nível de atenção, é feito nos Estados Unidos por mais de uma entida-de (31). E, na maioria dos outros países, é bastante falho, inclusive no Brasil (22: 49). Isso talvez se deva ao fato do interes-se no controle bibliográfico interes-ser mais da classe bibliotecária que de quaisquer ou-tras classes profissionais (17:352).
Grande parte da literatura lamenta a
inexistência de uma centralização das
ati-vidade de editoração da maioria dos
go-vernos, pleiteando sua criação, seja a
ní-vel federal, estadual ou municipal. Ainda que a nível federal seja mais comum
algu-ma centralização, esta é mais de caráter
gráfico (impressão), possivelmente em
função da motivação histórica identifica-da por Cherns (17: 353).
2.5.1 Centralização editorial nos Estados Unidos
Nos Estados Unidos, segundo trabalho escrito em 1958 (23), "os órgãos do go-verno federal tomam suas próprias deci-sões sobre o que será publicado e como deve ser publicado e provêem seu próprio controle editorial e fmanceiro"(23:118).
Em 1965, naquele país, a situação era
aproximadamente a mesma, havendo,
contudo, vários programas de publicação
e distribuição sobrepondo-se e
entrecru-zando-se numa emaranhada confusão
administrativa (11:478), posto que, de
acordo com o Código dos Estados Uni-dos, todas as impressões, encadernações e trabalhos impressos para o Congresso, o
Executivo, os Ministérios, Escritórios
independentes e estabelecimentos do
go-verno devem ser feitos no Government
Printing Office. Certas exceções que a
Lei previa resultaram no estabelecimen-to não de uma, porém de mais de 340
instalações de gráficas governamentais
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t,
F r a n c is c o d a s C h a g a s d e S o u z a
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(11 :480). Isso, porém, era resultado de grande e complexa história de
centraliza-ção X descentralizacentraliza-ção da impressão
go-vernamental (11:481).
Apesar do aparente caos, os Estados
Unidos mantêm as instalações
impresso-ras gove.rnamentais sob firme controle do Congresso, através do Joint Committee on Printing que autoriza ou não as insta-lações gráficas fora do GPO e regula suas operações nos menores detalhes
(11:481-82).
Em 1974, pregando um controle mais enérgico, Crowers (20) dizia: "O que está em jogo é a necessidade de planejamento global de um sistema para controle
efi-ciente das publicações governamentais,
com um corpo diretivo autorizado a esta-belecer política e direção integrais" (20:
148).
No ano de 1978, Buckley Jr. (14) afir-mava que o Congresso dos Estados Uni-dos estava revendo a Lei de Impressão
de 1895 objetivando atualizá-Ia para
adequar-se à utilização da nova
tecnolo-gia e dos novos métodos de
dissemina-ção da informadissemina-ção.
Em 21 de junho de 1979 o Deputado
Frank Thompson introduziu o HR 4572
_ Lei de Reorganização da Impressão
PÚ-blica, de 1979. Nesse projeto havia a
intenção de reformular o Government
Printing Office, transformando-o em uma
agência independente dirigida por uma
Comissão de sete membros em vez do Joint Committee do Congresso. A Comis-são a ser nomeada pelo Presidente devia
incluir três membros representando o
pú-11111'
111II
blico. Os outros quatro postos deviam
representar certos interesses: bibliotecas,
indústria da informação, indústria
gráfi-ca e sindigráfi-catos (14 :453).
Depois desse artigo de Buckley Jr.
(14) a notícia mais recente enfatiza a
existência, em âmbito federal e estadual, de órgãos centrais para o controle de pu-blicações ou distribuição (35).
2.5.2 Centralização editorial na Europa
Em Conferência promovi_dapela ASLlB (1), em 1974, Ejlersen (30), representan-do a Dinamarca, dizia que seu País não
tinha uma instituição como o HMSO e
nem livrarias do governo, mas deixava claro que em seu País centralização ou coordenação editorial das publicações do governo é assunto tratado com toda se-riedade (30: 288). Já no Grão-Ducado de Luxemburgo, nessa mesma época, não ha-via um órgão de centralização, tanto no
âmbito da publicação quanto da
distri-buição e impressão (19). Na Itália, ape-sar da iniciativa individual dos órgãos, o
Serviço ~e Informação e Copyright, o
Instituto Central de Estatística e o
Ins-tituto Poligráfico do Estado,
subordina-do à Presidência subordina-do Conselho de Minis-tros, publicam e distribuem no País e no
estrangeiro "uma completa série de
do-cumentos referentes ao panorama geral
da vida italiana, dos pontos de vista
so-cial, econômico, jurídico e, sobretudo,
cultural" (38:315).
Como se pode deduzir, o quadro euro-peu parece caótico. Tentativas foram
fei-7 2 H e v is t a B r a s ile ir a d e B ib lio t e c o n o m ia e D o c u m e n t a ç ã o 1 7 ( 1 / 2 ) : 6 6 - 7 8 , ja n . / ju lh o 1 9 8 4
C E N T R A L I Z A Ç Ã O D A E D I T O R A Ç Ã O O F I C I A L
tas. Algumas deram certo, outras não.
Um caso positivo é o da Holanda que tem
no STAATSDRUKKERIJ (Escritório de
Publicação e Impressão Governamental)
"a mais antiga empresa centralizada pelo Estado ... ; por mais de um século e meio
tem sido responsável pelas
comunica-ções impressas do Governo" (53 :342).
Em 1974, Oltheten (53) calculava que o
órgão produzia mais de quinhentos
no-vos livros por ano, além de diversos títu-los de periódicos.
Também na Suécia há um predomínio
da atividade publicadora do Governo:
uma companhia estatal que atua na área parece estar, inclusive, inibindo a
impres-são e comercialização do setor privado
(17:355).
2.6. Publicações Oficiais Estaduais nos Estados Unidos
Dalton et a1ü (23) diziam em 1958
que: "Em bem mais de um terço dos Es-tados ( ...) existe alguma espécie de con-trole financeiro e editorial sobre o órgão
que gera a publicação" (23:118). Isso
não tornaria muito clara a questão da
centralização se estivesse limitado
ape-nas ao controle financeiro, mas está
ex-plicitado o controle editorial. Embora
não haja clareza de como o processo é
desenvolvido, há a demonstração de
preocupação com o fato.
No mesmo artigo, as autoras diziam que "as publicações estaduais e munici-pais não estão tão altamente desenvolvi-das e há poucos estados, cidades e distri-tos que podem ser considerados grandes
publicadores, em seu próprio território
(23 :117). Por isso, talvez, só um terço
dos Estados, em 1958, preocupava-se
com a imposição de algum controle na
editoração de suas publicações oficiais.
As autoras mostravam, ainda no
mes-mo artigo (23), que certos Estados já
haviam atingido um estágio mais
avança-do. Certamente, bem mais próximo de
uma centralização decisória em torno
de suas publicações oficiais (23: 119). Até 1980, um número maior de Esta-dos, nos Estados UniEsta-dos, estabeleceram
alguma centralização quanto a
publica-ção ou distribuipublica-ção de publicações
ofi-ciais (41). Aliás, falando sobre a
obten-ção de publicações oficiais municipais,
Gardizer (35) dizia: "Ao contrário das
publicações federais e estaduais, não há
um órgão central para controlar a
publi-cação ou distribuição de documentos
municipais" (35:234). Com iSSQ, pode
deduzir-se que as publicações estaduais
vêm tendo um maior controle em
de-terminadas etapas de sua edítoração.
2.7. Publicações Oficiais no Brasil
No Brasil, a preocupação com as
pu-blicações oficiais é recente. A contar pe-las citações de Rocha (56) há menos de meio século se fala no assunto. Aquela autora foi quem, na verdade, teve a
gran-de preocupação de propor um estudo
mais profundo e sistemático do tema.
Sua idéia era a de que o mesmo deveria
ser efetivamente explorado em evento
nacional na área de Biblioteconomia.
A partir de 1975, começaram então os
der concentrar pessoas capazes numa
uni-dade de trabalho, permitir controle de
tiragem pelo conhecimento do quanto
distribuir, poder estabelecer critérios
uni-formes de distribuição, possibilitar uma
sistemática de depósito bibliográfico e
criar mecanismos eficazes de divulgação
e controle bibliográfico, faz da
centrali-zação da editoração um. mecanismo
dese-jável para a publicação oficial.
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F r a n c is c o d a s C h a g a s d e S o u z a C E N T R A L I Z A Ç Ã O D A E D I T O R A Ç A o O F I C I A L
seminários sobre publicação oficial brasi-leia, que têm-se ocupado do tema.
Até o momento, realizaram-se cinco
Seminários. O primeiro durante o 89
Congresso Brasileiro de Biblioteconomia
e Documentação, realizado em Brasília
de 22 a 25 de julho de 1975 (62). O
se-gundo, realizado durante o 99
Congres-so, em Porto Alegre, de 5 a 8 de julho de 1977 (63). O terceiro, realizado em Curitiba de 22 a 27 de julho de 1979, foi um seguimento dos anteriores, tendo
sido apresentada na oportunidade um
significativo conjunto de trabalhos (2, 3,
16, 25, 26, 42, 43, 51, 58).
No final de julho de 1981 foi realiza-do o 4Ç>SPOB, novamente em Brasília,
que recentemente sediou o 5Ç>SPOB, alí
realizado entre os dias 3 a 8 de julho de 1983 (66).
Uma revisão nos temáticos do SPOB
evidencia que os problemas continuam
sendo os mesmos ao correr dos anos. São problemas comuns de editoração oficial. E são também problemas universais. As
recomendações que emanam ao final de
cada evento são uma amostra real de que
se está em ponto inicial, como outros
países subdesenvolvidos (61).
Os tópicos dos temários do SPOB
contêm idéias muito ricas e sugerem
gran-des estudos. Do 2Ç>Seminário deve ser
destacado o seguinte tópico: "princípios que deverão presidir as relações entre
edi-tores, documentalistas e gráficos
envolvi-dos na editoração de publicações oficiais" (63), por sugerir uma coordenação mais incisiva.
2.8. Coordenação ou Centralização editoração o processo mais racional de
produzir publicações oficiais.
Por todos os princípios
administrati-vos ou pela simples prática do bom senso, parece ser essa centralização almejada
pe-los países desenvolvidos, afigurando-se,
por conseguinte, mais vantajosa que a
centralização gráfica.
O simples fato de possibilitar
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Mais decisão na coordenação das
ativi-dades de editoração dos órgãos oficiais
têm-se mostrado necessária e alguns auto-res a vem sugerindo. Crowers (20) chama a atenção para essa necessidade. Segundo ele (pelo menos nos Estados Unidos) "o que está em jogo é a necessidade de um
planejamento global de um sistema para
o controle eficiente das publicações
go-vernamentais" (20: 148). Já Chems (17)
acha que são importantes a eficácia, a
acessibilidade e o controle bibliográfico
das publicações oficiais, tendo em vista que a comunicação entre o govemo e o público é uma via de mão dupla, reque-rendo pesquisas e aplicação de mais estu-dos técnicos (17:357-58).
Um resultado bastante expressivo foi
alcançado por Suzanne Honoré (40) em sua pesquisa aplicada em 1963. Ao con-cluir o trabalho, a investigadora diz
cate-goricamente: "Todas as vantagens estão
do lado da centralização: rendimento,
produtividade, controle do orçamento,
maior difusão, etc. O único obstáculo é
o particularismo das administrações. B
interessante assinalar que um país como a Inglaterra, descentralizado e individualista por tradição, tenha o sistema mais
centra-lizado. Esforços muito interessantes de
centralização na edição têm prosseguido
também no Japão, Portugal e França"
(:23).
3. CONCLUSÃO
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