UNIVERSIDADE
FEDERAL
DE SANTA CATARINA
CENTRO
SÓCIO-ECONÔMICO
`DEPARTAMENTO
DE
CIÊNCIAS
CONTABEIS
TRABALHO
DE CONCLUSAO
DE CURSO
PERÍCIA
CONTÁBIL CRIMINAL
SIMONE
DE SOUZA
FLORIANÓPOLIS
-
SANTA CATARINA
'
UNIVERSIDADE
FEDERAL DE SANTA CATARINA
CENTRO
SÓCIO-ECONÔMICO
DEPARTAMENTO
DE
CIENCIAS
CONTÁBEIS
PERÍCIA
CONTÁBIL CRIMINAL
Trabalho de
conclusãode
cursosubmetido ao
Departamento
de
Ciências Contábeis,do
Centro
Sócio-Econômico da
Universidade
Federalde Santa
Catarina,como
requisito parcial para aobtenção
do
grau
de Bacharel
em
Ciências Contábeis.Acadêmica:
SIMONE
DE SOUZA
Orientador:
PROFESSOR
RAINOLDO
UESSLER
FLORIANÓPOLIS
~
SANTA CATARINA
PERICIAL
CONTÁBISL
CRIMINAL
AUTORA:
SHVIONE
DE SOUZA
Esta
monografia
foi apresentadacomo
trabalhode conclusão
do
Curso de
CiênciasContábeis
da
Universidade
Federalde
Santa Catarina,obtendo
anota
média
de
...atribuída pela
banca
constituída pelos professores abaixomencionados.
Florianópolis,
29
de
novembro
de
1 999.Prof”. Maria Deniz Henrique sagrande
M.
Sc.Coordenadora de
Monografia
do Depaitamento de Ciências ContábeisProfessores
q
ue
com
p
useram
abanca
examinadora:í*
l ix C _ f Prof ' I 0 V!;si¡.z_..'‹.;› ,= ' '
_.~fl_)
Íidente
<”
fg
\
`Prof Guilhe e Júlio da Silva
M.
Sc.›
Memro
I \, .ntL
Prof.iL_.-`e
-1 ra*Me
\\
` FAGRADECIMENTOS
A
Deus,
pela vida e pelo confortonos
momentos
mais
dificeis.Aos meus
queridos pais, Sr.Antônio
eDona
Madalena, que
me
deram
a
vida eme
ensinaram
a vivercom
dignidade.orientação.
colaboração
Aos meus
irmãos, pelo incentivo.Ao
ProfessorRainoldo
Uessler, pelo valioso ededicado
trabalhode
Aos
colegasdo
Instituto ProfessorRainoldo
Uessler, pela indispensávelAos meus
amigos da
UFSC, em
especialà Edna,
à Elizandra,ao
Eusébio,ao Fabiano
eao
Valter, pelocompanheirismo
durante esses cinco anos.RESUMO
O
objetivo geral deste trabalho éconhecer a
perícia criminalna
áreade
Ciências Contábeis. ~
A
perícia contábil dentrodo
enfoque
criminal apresenta vários aspectos e peculiaridades. Inicialmente, é necessáriouma
breve exposição a
respeitodo
surgimento
da
atividade pericial. - -Identificada a perícia
em
seu contexto histórico, apresentou-sea
revisão conceitualde
perícia,bem como
de
períciana
esfera contábil.No
que
se refere especificamente à temática,abordou-se
as principais característicasda
perícia contábil criminal.Neste
sentido, foiexposto o
exame
de corpo de
delito, indispensável
nos
crimesque
deixam
vestígios materiais.Os
procedimentos
periciais utilizados pela Polícia Judiciáriada
União
foram
tratadosno
item seguinte,de forma a
proporcionaruma
visãode todo
o
processo
administrativo para a realização das perícias contábeis criminais federais.Em
seguida,foram
apresentadas as particulares previstas peloCódigo
de
Processo Penal para
a feiturado
laudode
perícias contábeis criminais e aquelas dispostasna
Portaria n.° O2/76,de 03 de
maio
de
1976,do
InstitutoNacional
de
Criminalística./
ç
No
tópico seguinte,foram
abordados
os requisitos necessáriospara
atuarcomo
Perito Contábil Criminal Federal, as prerrogativas inerentesda
fiinção,os
crimes praticadosque
envolvem
acondição
do
profissional e vários outrospontos
relacionadoscom
a profissão.Finalmente, passou-se a
demonstrar
a abrangênciados
exames
periciaiscontábeis e
um
exemplo
de
aplicaçãode
perícia contábil criminal,em
licitações e contratos administrativos.CAPÍTULO
11.
INTRODUÇÃO
1.1.
ASSUNTO
O
mundo
convive
com
intensasmudanças, apresentando
um
cenárioComposto
de
circunstâncias, características e específicasde cada
momento,
diferenciando-O de épocas
passadas.Nesse
contexto, a ciência,que
tem
como
particularidade aceitarque
nada
éeternamente
verdadeiro,propõe novas formas de pensamento,
com
o
intuitode
atender
aos
anseiosda
sociedade. Simultaneamente, recentesparadigmas influenciam a
culturado
homem,
que
busca
sua integraçãocom
o
mundo,
com
a natureza ecom
elemesmo,
propiciando importantes descobertas e,consequentemente, grandes
conquistas.Nesse
processo
de modernização, a
contabilidade,como
asdemais
ciências,
procura
Ó
constante aperfeiçoamentode
conceitos e técnicas, visando a satisfaçãodas necessidades geradas e a solução
de problemas
pertinentes à área, apresentados pelohomem,
que
sofreo
processo
comportamental de mudanças.
As
Ciências Contábeiscontribuem
para aevolução
do
conhecimento
humano,
atravésde
suas especialidades.Dentro
dessas especialidades, a perícia contábil exigeuma
diversificadagama
de conhecimentos por
partedos
profissionais envolvidos,em
facede
sua complexidade.Seu
objetivo é buscar averdade
dos
fatos aserem
comprovados.
2
A
perícia precisa evoluirem
formação,
pesquisa e aplicativos, haja vista sua crescente importânciano
mundo
globalizado. -1.2.
TEMA
Diante
do
exposto,o
tema
desse trabalho é perícia contábil criminal.1.3.
PROBLEMA
A
organizaçãodo
Sistema
Penal Brasileirobusca
as soluçõespara
os
problemas
abrangidospor
sua competência.Esses
problemas
de
ordem
criminal são incutidosnos procedimentos de
trabalho dessa estrutura organizacional.Durante o
Inquérito Policialou
na
fase judicial, a perícia contábil criminaldesempenha
papel fundamental,como
instrumentode
prova.Com
os processosde mudança, advindos
do
mundo
globalizado, asações
criminais estãocada vez mais
sofisticadas.Consequentemente,
é exigido das criminalísticas das polícias judiciárias,quer da
União
(Polícia Federal),quer dos Estados
(Polícias Civis),uma
ampliação
dos
conceitos e das aplicações técnicas das diversas ciênciasdo
conhecimento. Essa ampliação dos
conceitos e das aplicações técnicas visaao
esclarecimentodos mais
variados casosque ocorrem
na
sociedade.Este
estudo pretenderesponder
quais são as principais atividades técnicas desenvolvidas pelo Perito Criminalno
âmbito
contábil.1.4.
OBJETIVOS
O
objetivo geral desse trabalho éconhecer
a perícia criminalna
áreade
Ciências Contábeis.3
Dentro dos
objetivos específicos pretende-se:0 apresentar as principais características
da
perícia contábil criminal; 0 descrever osprocedimentos
utilizados pela Polícia Judiciáriada
Uniao
para a realizaçãode
perícias criminais federaisna
esfera_
contábil;
0
expor o
campo
de
atuaçaodo
Perito Contábil Criminal Federal Oficial;0 listar as principais atividades técnicas
desempenhadas
pelo profissional desteramo do
conhecimento.
1.5.
JUSTIFICATIVA
No
cenáriode
mudanças do
mundo
globalizado, a ciência contábilamplia
suas
discussões atravésde
suas especialidades.Dentro dos
diversosramos do
conhecimento
contábil, a períciavem
ampliando
seusespaços de
inserção.Nas
Universidades, atravésda
inclusão temáticaem
seusprogramas
curriculares, a perícia contábil enseja contribuir para afonnação dos
futuros profissionaisda
contabilidade.Porém,
aabordagem
cunicular é feitade forma
restrita,em
que somente
os casosmais
comuns
são estudados.Dentre
elespodemos
destacar questões relacionadascom
o Sistema
Financeirode
Habitação, as discussões acercade reclamações
trabalhistas, aspendências
na
área bancária, entre outros.A
própria peculiaridadeno desempenho
das atividadespericiais dificulta
a
feiturade
material didáticoque
ampare o
estudoda
perícia contábil,de
fonna
acadêmica.~
O
campo
de
trabalhodo
Pen`to Contábil é amplo,nao
restringindo se às áreassupramencionadas.
As
perícias contábeis realizadasna
área penalapresentam
vários aspectos,em
suas diversas aplicações, e se revestem,na
atualidade,de grande
significado.Cabe
ressaltarque
paraiatuarcomo
Perito Contábil,o
profissionaldeve
ser bacharelem
Ciências Contábeis,devidamente
inscritono
Conselho Regional de
Contabilidadeda
4
O
Perito Contábil Criminal,como
auxiliarda
Justiça,desempenha
atividade
de extrema
responsabilidade, pois seu trabalho servede base
para a decisãodo
Juízo.
O
Perito analisa atosque
produziram,que
produzem,
ou
atémesmo
que
produzirão efeitosnos
patrimônios das entidades.Mas,
acima de
tudo, sua análise atingeum
dos mais
preciososbens
do
serhumano,
que
é a sua liberdade.Sua
compreensão,
acercade
um
ato delituoso,poderá
contribuirpara
a liberdade indevidade
um
criminoso,ou
cerceara
liberdadede
um
inocente.Desta
forma,o
Perito necessitade
habilidades especiais ede
conhecimentos
específicos, constituídosem
suaformação
e experiência profissional.Por
isso,
a
perícia contábil criminal precisa desenvolver pesquisas e propiciar aformação
de
profissionais especializados
para
atuarem na
sociedade.A
literatura éuma
das fontes para aformação
desses profissionaiscontábeis.
Algumas
obrasque abordam
a perícia contábil criminaltêm
surgido.Porém,
observa-se escassezde
bibliografia diantede
tão importante matéria., 1.6.
METoDoLoG1A
'
Lakatos
apresentauma
tipologiade conhecimentos,
classificando-osem
popular, científico,filosófico
e religioso.A
Autora
cita que:no processo de apreensão da realidade do objeto, o
sujeito cognoscente pode penetrar nas diversas áreas: ao
estudar o
homem,
por exemplo, pode-se tiraruma
sériede conclusões sobre sua atuação na sociedade, baseada
no senso
comum
ou na experiência cotidiana; pode-seanalisá-lo
como
um
ser biológico, veiificando, atravésde investigação experimental, as relações existentes
entre determinados órgãos e suas funções; pode-se
› questiona-los quanto à sua origem e destino, assim
como
quanto à sua liberdade; finalmente, pode-seobservá-lo
como
ser criado pela divindade, à suaimagem
e semelhança, e meditar sobre o que dele dizemos textos sagrados.
(LAKATOS,
1991118)Portanto,
na
construçãodo
conhecimento,
existem vários ângulosde
observação
paraum
mesmo
objetoem
análise.Lakatos
expõe
que:5
Por sua vez, estas formas de conhecimento
podem
coexistir
na mesma
pessoa:um
cientista, voltado, por exemplo, ao estudo da fisica, pode ser crente praticantede determinada religião, estar filiado a
um
sistemafilosófico e,
em
muitos aspectos de sua vida cotidiana,agir segundo conhecimentos provenientes do senso
comum.
(LAKATOS,
199l:18)Assim, o
homem,
na
busca da
verdade,pode
utilizar-sede
um
tipode
conhecimento,
ou
mesmo
da
mesclagem
dos
diversos tiposde conhecimento
existentes.Esses
diversos tiposde conhecimento apresentam
característicasespecíficas.
Para o conhecimento
científico,Lakatos
atribui os seguintes conceitos:o conhecimento científico é real (factual) porque lida
com
ocorrências de fatos, isto é,com
toda “forma deexistência que se manifesta de algum
modo”
(Trujillo,1974: 14). Constitui
um
conhecimento contingente, poissuas proposições ou hipóteses têm a sua veracidade ou
falsidade conhecida através da experimentação e não
apenas pela razão,
como
ocorre no conhecimentofilosófico.
É
sistemático, já que se trata deum
saberordenado logicamente, formando
um
sistema de idéias (teoria) e não conhecimentos dispersos e desconexos.Possui a característica de verificabilidade, a tal ponto
que as afirmações (hipóteses) que não
podem
sercomprovadas não pertencem ao âmbito da ciência.
Constitui-se
em
conhecimento falível,em
virtude de nãoser definitivo, absoluto ou final e, por este motivo, é
aproximadamente exato: novas proposições e o desenvolvimento de técnicas
podem
reformular o acervo de teoria existente.(LAKATOS,
1991117)Desta
forma, paraque detemiinado conhecimento
seja classificadocomo
científico, precisa situar-se dentrode
certos padrões, assimcomo
a pesquisa científica,que
caracteriza-secomo
um
procedimento
racional e sistemático,com
o
intuitodealcançar
respostas para as questões levantadas pelo pesquisador.
Medeiros
(1996:33)comenta que
“seráchamada
pesquisa científica se sua realização for objetode
investigação planejada, desenvolvida e redigidaconforme
normas
metodológicas consagradas
pela ciência”.A
monografia
consistenum
tipo especialde
trabalho, resultante das pesquisas científicas.Segundo Salomon
(1977:219), “localizamosna
origem
históricada
6
monografia,
aquiloque
até hoje caracteriza essencialmente esse tipode
trabalho científico:a
especificação,ou
seja, aredução da
abordagem
aum
só assunto, aum
sóproblema.
Mantém-se
assimo
sentido etimológico:mónos (um
só) egraphein
(escrever): dissertação a respeitode
um
assunto único”.Sendo
assim, amonografia
éum
trabalho focalizado paraum
único
problema,
com
o
intuitode
apresentar os resultados dasobservações
efetuadas pelo pesquisador, resultantesde
uma
investigação científica, atravésde procedimentos
metodológicos
própriosde cada
ciência.Quanto
aos
variados tiposde
pesquisa,Köche
diz que:'\
O
planejamento deuma
pesquisa depende tanto doproblema a ser investigado, da sua natureza e situação
espaço-temporal
em
que se encontra, quanto a naturezae nível de conhecimento do investigador. Isso significa,
que pode haver
um
número semfim
de tipos depesquisa.
(KÕCHE,
19s5z7s)A
presentemonografia
consistenuma
pesquisa bibliográfica.Segundo
Medeiros
(l996:38),“a
pesquisa bibliográfica significao
levantamento
da
bibliografia referenteao
assuntoque
se deseja estudar”.E
mais, “a pesquisa bibliográfica épasso
decisivoem
qualquer pesquisa científica,uma
vez
que
elimina a possibilidadede
se trabalharem
vão,de
sedespender
tempo
com
o que
já foi solucionado”(MEDEIROS,
199óz41).
'
'
Assim,
com
o
intuitode
alcançaro
objetivo desse trabalho,que
consistena
abordagem
da
pen'cia criminalna
áreade
Ciências Contábeis, será efetuadolevantamento
de
bibliografia,em
livrosde
leitura eem
publicações periódicas.1.7.
LIÍMITAÇÕES
DA
PESQUISA
O
material bibliográfico foi disponibilizado,em
grande
parte, pela Polícia Federal.Desta
forma, a pesquisa limitou-se aosprocedimentos
periciais utilizados pela Polícia Judiciáriada
União.Porém, cabe
esclarecerque
os procedimentos
gerais são7
os
mesmos,
quer
para a Polícia Judiciáriada União, quer
para a Polícia Judiciáriados
Estados.CAPÍTULQ
II2.
PERÍCIA
CONTÁBIL
cRI1vIINAL
2.1.
HISTÓRICO
DAS
PERÍCIAS
No
que
se refereao surgimento
da
atividade pericial,Ramos
(1997:5) relataque
“não
setem
notícia precisade
quando
a Perícia surgiu”.No
entanto,expõe
que:Em
suas origens, a Perícia era exercida pelo próprio árbitro, esteescolhido entre os líderes ou os anciãos do diminuto grupo social
daqueles tempos, isto porque, dada a dimensão territorial e a
complexidade reduzida das necessidades desses pequenos grupos, essas
pessoas detinham o conhecimento de todas as implicações e pessoas
envolvidas niuna controvérsia social.
(RAMOS,
1997:5)Deste
modo,
em
virtudeda
simplicidade característicada
organização social daquela época, a perícia era efetuadapor
membro
escolhido entre os líderesou
os
anciãosdo
grupo,que conseguia
visualizaro
conjuntode
questões e pessoas envolvidasna
discussão.
Porém,
com
aevolução dos
tempos
ocorre daexpansão
social e territorialdessa organização,
ocasionando
acomplexidade de
relacionamentos,de
controvérsias, e,\
9
O
juiz já nao conhecia totalmente o problema enem mesmo
as pessoas dogrupo que estavam envolvidas na controvérsia, necessitando para solução
da pendência do conhecimento de interpostas pessoas para complementar-
lhe essa deficiência. Estes foram os primeiros Peritos que atualmente
conhecemos.
(RAMOS,
199715)Portanto, a perícia consiste
em
atividade bastante antiga,desempenhada,
em
primeiromomento,
pelo próprio árbitro. Posteriormente,em
conseqüência
do
aumento
do
número
de
variáveis postasao
juízo desses árbitros, a atividade pericial passa a sercomplementada
por
pessoasque atuam
como uma
espéciede
coadjuvantesdo
juiz.2.2.
coNcErro DE
PERÍCIA
A
perícia dentrodo
enfoque
criminal apresenta vários aspectos. Inicialmente, é necessárioo entendimento
do
conceitode
perícia e das suas relaçõescom
o
objetode
análise.De
acordo
com
Lopes
de
Sá
(1994:14), “a expressão períciaadvém
do
Latim: Peritia,que
em
seu sentido próprio significaConhecimento
(adquirido pela experiência),bem como
Experiência”.Assim,
a palavra perícia,em
seu sentido etimológico,exprime
o conhecimento.
Segundo
Gomes
(1977:51), “perícianada mais
édo que
uma
pesquisaque
exigeuma
razoávelgama
de conhecimentos
técnicos, científicosou
artísticos”.Desta
forma, para a realização
dos
trabalhos periciais,o
profissional necessitade
uma
formação
intelectual consistente
com
relação às técnicas aserem empregadas, aos procedimentos
metodológicos
que
a pesquisa científica utiliza e à arteda
investigação envolvidano
processo
de
pesquisa.Partindo para
um
conceitomais amplo,
Ramos
descreve que:A
perícia,como
foi dito acima, é a manifestação técnico-científica de qualquer dos ramos do conhecimentohumano
e seu objetivo é o fato,característico e peculiar, que ocorre dentro do âmbito de qualquer dessas
ciências,
com
a finalidade de estudar-lhes os contornosbem
como
sua origem e reflexos que produz nomundo
interior e exterior da ciênciaem
10
Deste
modo,
a períciadeve
sercompreendida
em
sua amplitude, diantede
sua aplicaçãonos
diversosramos do
conhecimento
humano.
Além
disso,a
períciaguarda
estreita relaçãocom
o
fatoem
si, poisprocura
investigá-lo,desde
a suaorigem
atéos resultados
que provoca
no meio
inserido. ,Outra
característica importanteda
perícia é a sua identificaçãocomo
elemento
expressivode
relacionamento entre as múltiplas ciências, haja vista que,em
muitas situações,na busca de
respostas para as questoes estudadas, extrapola os limitesda
ciênciaem
que
o
fato analisado ocorre.De
acordo
com Ramos
(1`997:7),“para
que
hajacomunhão
dessesramos
de conhecimentos,
heterogêneos, é necessárioque
uma
delas interpreteum
.fato cujaanálise é necessária a outra.
Aí
surge a perícia,exatamente
na
hora
que
se faz necessária a detectação e interpretação desse fato”.Q
Em
determinados
casospode
surgira
necessidadeda
complementação
de
conhecimentos
técnicos e/ou científicosadvindos de
ramo
distinto daquele utilizadona
perícia.
Ramos
trazum
exemplo
que
clareia a idéiade
períciacomo
elo importanteno
relacionamento entre as ciências: .
Exemplificando, citamos 0 Juiz de Direito, que domina plenamente todoo
vasto
campo
dos conhecimentos jurídicos, ciência de seu domínio, porém,para ministrar adequadamente o direito a
um
caso específico, necessita deperícia médica de
uma
lesão sofrida pelo paciente, para avaliar a faixa de redução da capacidade laboral, neste caso socorre-se deum
perito médico. Nestemesmo
caso, para apropriar-se ao evento, o valor da indenizaçãoeo valor da pensão necessária ao restabelecimento da capacidade financeira
do paciente, aos limites anteriores ao evento, necessita do contador, para
realizar a segunda perícia.
(RAMOS,
199718)Noronha
apud
Gomes
(1977
:51)comenta
que
a perícia é constituídade
“ _ , , . . . . . .
descnçoes
eafirmaçoes
relativas a fatosque
exigem
conhecimentos
especiais eelucidem
e auxiliemo
juizem
seu julgamento”.Assim,
a perícia éum
instrumentodo
qual se socorreo
Juiz para suprir-lhe,em
tese, osconhecimentos
específicosque não
detém
acercados
fatos levantados, pois a áreade
sua atuação é a jurídica. Silva relata que:ll
Antes do advento do Código de Processo Civil de 1939
-
DL
n.° 1.608, de18-09-39 -, tinham os juízes enonnes dificuldades para julgar, quando se
deparavam
com
questões de cunho técnico-científico.Em
face disso é que a lei outorgou aos julgadores o direito de recorrer a pessoa de elevadoereconhecido conceito profissional
-
o expert-
para auxiliá-los na busca da verdade dos fatos quecompõem
a lide, tornando-os inteligiveis aoleigo, consubstanciando as decisões, para torná-las o mais próximas
possível da justiça plena. (SILVA, 1999134)
Porém,
como
destaca Silva:Todavia, há que se ressaltar,
mesmo
utilizando-se de trabalhos periciais, éo juiz livre nas suas convicções sobre os fatos, não estando adstrito à
prova pericial, podendo, se assim entender, despreza-la.
Não
obstante, nabusca da verdade, os juízes têm privilegiado a prova pericial, sobrepondo-
a a outras provas, quando estas não contêm dados que assegurem a justa
decisão,
numa
demonstração clara de que decisões judiciais embasadasem
laudos periciais se tomam, quase sempre inatacáveis. (SILVA,1999134)
Portanto,
de acordo
com
asnormas
introduzidas peloCódigo
de Processo
Civil
de
1939, os juízespassaram
a ter0
direitode usufiuir
do
suporte técnico-científicooferecido pelos peritos,
com
o
intuitode complementar-lhes
as técnicas e osconhecimentos
específicos das diversas ciências, acercado
assuntoem
discussão.Assim,
quando
os
juízes sentirem a necessidadeda
perícia,podem
recorreraos
experts,na
busca
da verdade dos
fatosexaminados.
Cabe
ao
juizordenar
aprodução de prova
pericial,bem como
aceita-laou
não,no
todo
ou
em
partede
seu conteúdo,sendo
livre para julgar,de acordo
com
o
seu entendimento.Porém,
como
aponta
Silva,no
trecho descrito acima,a
prova
pericial écada
vez mais
aceitacomo
instrumentode prova
ede
sustentação das decisões postasem
juízo, tratando-facomo
a rainha das provas... 2.3.
PERÍCIA
CONTÁBIL
Segundo Lopes
de
Sá
(l.994:15),“a
perícia contábil é a verificaçãode
fatos ligadosao
patrimônio individualizado visando oferecer opinião,mediante questão
proposta.Para
tal opinião realizam-seexames,
vistorias, indagações, investigações, arbitramentos,em
suma
todo
e qualquerprocedimento
necessário à opinião”.12
Para
Ornelas (1995:29),“a
perícia contábil inscreve-senum
dos gêneros
de prova
pericial,ou
seja, éuma
dasprovas
técnicas à disposição das pessoas naturaisou
jurídicas,
que
servecomo
meio
de prova de determinados
fatos contábeisou
de questões
contábeis controvertidas”.
Assim,
dentrodo
universode
aplicação das períciasem
geral, a perícia contábil tratade
questões ligadasao
patrimônio,com
o
objetivode
fomecer
parecer acercada
controvérsia contábil.Rocha
define
a perícia contábil e traz sua classificação:A
Perícia Contábil tem por objetivo resolver pendências deordem
material envolvendo duas ou mais partes,
A
busca da solução dessaspendências pode ser via: a) Judicial, quando o Juiz, buscando elementos
de convicção para julgar, determina a realização da perícia de oficio ou
por requerimento das partes litigantes; ou b) Extrajudicial, quando a
perícia é livremente acertada entre as partes.
(ROCHA,
1997: 1 1)Deste
modo,
a perícia contábiltem
por
objetoo
patrimônioda
entidadeeconômica
ou da
pessoa
fisica,com
o
objetivode
alcançar averdade dos
fatospostos
em
discussão.A
perícia contábilpode
ser requeridano
processo
judicial, constituindo-sena
peça
oficialque
congrega
os resultadosdos
exames
efetuados pelo expertnomeado
pelojuiz,
ou
mesmo
assumiro
papelde
consultoria,quando
contratada pela parte,para
constatar situações
ou
esclarecer fatos discutidosou
não
judicialmente.Para
as perícias contábeis judiciais,Ramos
cita que:Nos processos Judiciais, além da rotina técnica de procedimentos, existe
todo
um
cerimonial inerente ao desenvolvimento regular do processo.A
indicação do Perito Judicial pelo Juiz, indicação de assistentes técnicos
pelas partes, formulação de quesitos, através dos quais as partes e o
próprio Juiz manifestam as dúvidas que desejam ser esclarecidas pela
perícia, o compromisso dos peritos, os prazos, tudo isto faz parte do
referido cerimonial.
(RAMOS,
1997 :l0)Portanto, as perícias contábeis utilizadas
em
processos judiciaisenquadram-se
no
rito processual característico.Por
isso,além de
serexímio conhecedor
da
matéria objetoda
ação,o
profissional contábil necessitaconhecer
os aspectos formais inerentesà
prática processual, estabelecidos,de forma
geral,no
Código
de Processo
Civil.13
`_ 2.4.
PERÍCIA
CONTÁBIL cR1M1NAL
Inicialmente, é necessário
o
entendimento
do
conceitode
criminalística,para
que
a perícia contábil seja identificadano
contexto penal.Segundo
Carvalhedo
Neto
(1995:2),
a
criminalística “éum
sistemaque
se dedica à aplicaçãode
faculdadesde
observação
ede conhecimentos
científicosque
nos levam
a descobrir, defender, pesar e interpretaros
vestígios relacionados aum
delito,de
molde
asermos conduzidos à
descoberta
do
criminoso, possibilitando àJUSTIÇA
a aplicaçãoda
justa pena”.A
criminalística tratada observação dos
vestígios relacionadosao
crime,com
o
intuitode
apurar as devidas responsabilidades pelo ato criminoso.Porto
apud
Carvalhedo
Neto (19953)
citaque
“a criminalísticanão
se constituiem uma
ciência,mas
em
uma
disciplinatransformada
e elevada aum
sistema,que
se utiliza
de conhecimentos de
diversas ciências, artes ede
outras disciplinas eque
possui,também,
técnicas próprias”.De
acordo
com
Carvalhedo
Neto
(1995:3),“o
primeiro livro aabordar especificamente o
tema
Criminalística foi publicadoem
1893,na
Alemanha, por
HANS
GROSS,
Juizde
Instrução e professorde
Direito Penal, consideradoo
paida
Criminalística”. Ainda,como
aponta o
Autor
(1995:1),“em
matéria criminal,para
que o
juizimponha
uma
condenação ao
réunão
pode
haver dúvida quanto
à materialidade e autoriado
delito.A
existênciada mais
leve suspeitaquanto a
autoriado
delitoimpede
a
7
condenação”
_Portanto, a
condenação
do
indivíduo sópode
ocorrerquando
não há mais
dúvidasquanto
à materialidade e autoriado
delito.Nesse
contexto, a perícia contábil éamplamente
utilizadaem
processosde
natureza penal.De
acordo
com
Lopes
de
Sá
(1994:229),“todos
os casos capituladosno
Código
Penal, nas leis comerciais e civis eque
geram
implicações criminais,podem
ser objetode
verificação pericial, se atinentes a lesões sobreo
patrimônio”.Assim,
atos criminososque
envolvam
o
patrimôniopodem
ser objetodo
trabalho contábil, paraque sejam formadas
asprovas
eapuradas
as devidas responsabilidadesdos
sujeitos envolvidos.14
De
acordo
com
o
Lopes
de
Sá
(l994:230),“a
perícia,na
área penal,envolve
uma
séria responsabilidade euma
visãotoda
específicaque
requer astúcia e cautelaredobrada
para evitar aimputação de prova de
culpa,sem
fundamento
inequívoco”.Para
Gomes,
a
perícia criminalnão
éum
simplesmeio
de prova
e destaca que:Se 0 perito se limitasse a transmitir ao juiz criminal o que apurou_com
seus conhecimentos técnicos, então a perícia seria
um
testemunho, apenasum
meio de prova.Mas
tal fato não se dá: o perito emiteum
juízo devalor dos fatos, externa impressão de terem sido causados por outros
acontecimentos e de virem a produzir outros, ainda.
(GOMES,
1977 :5 1)Deste
modo, o
Perito Criminal Contábilassume ampla
responsabilidade.Consequentemente, além de
sua sólidaformação
intelectual, necessitade muita
destrezaao
formar
asprovas
criminais eao
fornecer seu parecer, haja vistaque
os
artificiosque
visam
a encobrir as fraudespodem
serdotados de
raro preciosismo técnico.Para
Lopes
de
Sá
(1994:231) “pode-se
utilizarde
“falsificaçãode documento”, de
“adulteraçãode
documento”, de
falsidadeem
registros contábeis,em
avaliações,em
demonstrações,
em
aspectos fisicosde
bens, etc.”.A
falsificaçãode
documentos
consisteem
gerardocumentos que
apresentem
aspecto verdadeiro.Os
recursosreprográficos
dos
computadores
podem
alcançar falsificações perfeitas e
de
dificil constatação.Os
documentos
verdadeirospodem
sofrer adulterações sofisticadas.A
falsidadeem
registros eem
demonstrações
contábeisderivam da forma de
escrituração ede
evidenciaçãoque
possibilitem aobtenção de
proveito.As
fraudesem
avaliaçõespodem
surgir atravésde
laudos forjadosou
víciosde
escrita.
Os
aspectos fisicosdos bens
também
podem
sofrer alterações.Lopes
de
Sá
(l994:231)
comenta que
“há
casosque
a
perícia vaicomprovar
os abusos, as adulterações, apropaganda
enganosa, etc.”.E
ainda,que
“há
casos
em
que
a queixa seformula
e a períciaprova
que o crime
não
existiuou que
havia “absolutaimpossibilidade”de
que
viesse a ocorrer”.15
Enfim,
a períciabuscará
alcançaros
fatos atravésde
uma
tecnologia contábil específica.Como
citaLopes
de
Sá
(l994:232),“como
em
Medicina, a Patologiaestuda os
casosanômalos,
a tecnologia contábilde
descobertada
fraudetem
uma
especialidade,
uma
autêntica Patologia Contábil”.2.5.
EXAME
DE
CORPO
DE
DELITO
A
peiicia,no
âmbito
criminal,tem
suasfiinções
reguladasno
campo
do
exame
de corpo de
delito,especificamente nos
artigos158
e159
do Código
de Processo
Penal, cujos textosmencionam
o
seguinte:Art. 158
- Quando
a infração deixar vestígios, será indispensável oexame
de corpo de delito, direto ou indireto, não podendo supri-lo a confissão doacusado.
Art. 159
- Os
exames de corpo de delito e as outras perícias serão feitospor dois peritos oficiais.
Parágrafo 1.
- Não
havendo peritos oficiais, oexame
será realizado porduas pessoas idôneas, portadoras de diploma superior, escolhidas, de
preferência, entre as que tiverem habilitação técnica relacionada à
natureza do exame.
Parágrafo 2.
- Os
peritos não oficiais prestarão o compromisso debem
efielmente desempenhar o encargo.
Desta
forma,o
exame
de corpo de
delito é indispensável nas infraçõesque deixam
vestígios materiais, paraque
sejacomprovada
a existênciado
crime.De
outromodo,
acarretará nulidade absoluta,como
preceituao
Código
de Processo
Penal, artigo 564, inciso III, letra “b°.Cabe
esclarecer que,segundo Carvalhedo
Neto
(l995:4),os
“vestígios são alterações resultantesda conduta humana, por ação
ou
omissão, eque
se relacionamcom
o
crime”.Souza
(l998:lO)comenta que
“o
exame
destina-se àcomprovação, por
perícia,
dos elementos
objetivosdo
tipoque
diz respeito, principalmente,ao evento
produzido
pelaconduta
delituosa,ou
seja,do
resultadode
que
depende
a existênciado
crime
(art. 13, caput,do
CP)”.Segundo Gomes,
o
exame
pericialpode
ser efetuadode forma
diretaou
indiretamente:16
O
primeiro recai sobre o próprio corpo de delito: o rompimento doobstáculo, os traumatismos, o cadáver, etc.
O
exame
indireto não épropriamente exame,
mas
raciocínio e experiências periciais, baseados noque dizem as testemunhas: assim as testemunhas descrevem para os
peritos o que observaram, e estes,
com
sua experiência e raciocínio, egraças ao seu conhecimento técnico,
podem
concluir sobre a origem, acausa e os resultados observados.
(GOMES,
1977 :5l)Comely também
expõe
sobre os tiposde
exames
de
corpo de
delito:Por
exame
de corpo de delito direto compreende-se a inspeção pericialdos elementos sensíveis que
permanecem
atestando a prática delituosa.São os “factí permanenti”
-
homicídio, lesões corporais, estupro, etc. Porexame
de corpo de delito indireto compreende-se aquele que se formaatravés de depoimentos de testemunhas,
sem
formalidade especial.Não
selavra auto ou termo, simplesmente inquirem-se testemunhas acerca da
materialidade do fato e suas circunstâncias.
(CORNELY,
199519)Portanto, a perícia
pode
ser efetuadano
corpo de
delito,ou
seja,nos
vestígios materiais
deixados
pelo crime,ou
atravésde
pessoasou
de
coisasque
possam
auxiliar
a
elucidaçãodo
crime.Sobre
aquestão da
exigência legaldo
exame
de corpo de
delito,Gomes
(1977
151) destaca que,“por
outro lado,além de
permitiro suprimento
do exame
direto pelo indireto (de peritos) a lei enseja a substituição dele,quando
impossível, pelodepoimento de testemunhas
peranteo
juiz”.Deste
modo,
nos
casosem
que não
é possívelo
corpo de
delito, sejapor
decorrência,
por exemplo,
da
sua destruição,de
seudesaparecimento
ou
de
seu perecimento, a lei pemiiteo suprimento
do
exame
direto pelo indiretoou
ainda pelodepoimento de testemunhas
peranteo
juiz,confonne Código
de Processo
Penal, artigo167. ~
Gomes
(1977
:5l) relata que,“além
do
exame
de corpo de
delito a leiadjetiva ainda exige
o
dos
instrumentosdo
delito (a falta desseexame, porém, não
acarreta a nulidade)”,ou
seja, a lei penaltambém
exigeo
exame
dos
objetos materiais utilizadospelo autor
do
crime,porém
sua faltanão
acarreta a nulidadedo
ato.Para
o Autor
(1977
151) “é necessário conhecer-lhes a natureza e a eficiência para verificar a causalidade (vínculo17
de
relacionamento entre aação
ou
omissão
do
agente eo
resultado), a intensidadedo
dolo
ou
grau
de
culpa e a periculosidadede
quem
os usou”.Assim, o
exame
dos instmmentos
do
delito permitea
verificação das circunstâncias envolvidasno
crime,a
causalidade, a intensidadedo
doloou
grau de
culpa e periculosidadedo
agente.Esses
fatorespodem
sermedidos
pela natureza e eficiênciado
instrumento usado.Os
exames
de corpo de
delitodevem
ser realizadospor
dois peritos,que
fornecem ao
juiz,por
meio
de
laudo,informações
necessárias parao
seu julgamento.De
acordo
com
Souza
(1998: 10),“no processo
penal,em
regra, osexames
periciaisdevem
serfeitos
por
peritos oficiais,que
desempenham
suasfunções independentemente de
nomeação
de
autoridade policialou
juiz,uma
vez
que
a
investidurano
cargoadvém
da
lei”.
Assim, os peritos oficiais, integrantes
da
polícia judiciária,não
necessitam prestar
compromisso, ao
contráriodos
peritosnão
oficiais.e
De
acordo
com Gomes
.(1977:52), “a perícia criminalé, via
de
regra,confiada
aos
peritos oficiais;não
existindo esta categoria,em
certos lugares,nomear-se-á
pessoas idôneas”.A
princípio,a
perícia criminaldeve
ser efetuada pelos peritos oficiais.O
juiz encarregará
o
exame
a
outras pessoas,com
idoneidademoral
ede
preferênciacom
conhecimentos
técnicos,somente
na
hipótesede
não
ser possívelnomear
profissionais dessa categoria.O
Código
de Processo
Penalcontempla
ostemas
relacionadosao
exame
de corpo de
delito e das períciasem
geral,como
exemplifica
Souza no
trecho abaixo:As
provas Periciais produzidas pelos peritos oficiais, apresentados na fonna de Laudos, normalmente ligadas a processo penal na área criminal,disposto a seguir
18
1. Local de: - Morte violenta; - Incêndio; - Acidente de Tráfego; -
Arrombamento; - Tentativa de Homicídio; - Desmatamentos; Garimpos;
etc.; \i_c\uz¿:>c.›_¡×› Documentoscopia; . Contábil; Engenharia; . Drogas; Informática;
. Papel-moeda; etc.
(SOUZA,
1998: 10)Portanto, e vasta a diversificação
de provas
periciais desenvolvidas pelos peritoscnminais
no
campo
do
exame
de corpo
de
delito e das períciasem
geral.A
realizaçãoda
perícia contábil criminal está sujeitaao
cerimonialimposto
as pericias realizadasna
esfera judicial civil, aindaque
de
forma
diferente,como
2 6
1>RocEDiMENTos
DA
PERÍCIA
CoNTÁB1L cRIM1NAL
A
Constituição Federalprevê
que
a polícia judiciária seja exercida pela policia federal e pela policia civil,no
âmbito
de competência de cada
órgão:Art. 144.
A
segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidadede todos, é exercida para a preservação da ordem pública e da
incoliimidade das pessoas e do patrimônio, através dos seguintes órgãos:
I - policia federal;
II
~
polícia rodoviária federal;III
-
polícia ferroviária federal;IV -
polícias civis;V
-
policias militares e corpos de bombeiros militares.§ 1°
A
polícia federal, instituída por leicomo
órgão pennanente,organizado e mantido pela União e estruturado
em
carreira, destina-se azIV
-
exercer,com
exclusividade, as funções de polícia judiciária daUnião.
§ 4°
Às
polícias civis, dirigidas por delegados de policia de carreira,incumbem, ressalvada a competência da União, as funções de polícia judiciária e a apuração de infrações penais, exceto as militares.
Imcialmente,
cabe
descrevero
conceitode
Polícia Judiciária. Oliveira(1998
51) citaque
a policia é instrumentoda
Administração, instituiçãode
direito19
público, destinada a
manter
.e a recobrar, juntoà
sociedade apaz
públicaou
asegurança
individual.
Ela
possui afunção
administrativa e judiciária.A
primeira éo
caráterpreventivo,
que
visa evitar a práticade
delitos.A
segunda função
é repressiva, realizadaa
conduta
criminosa, a polícia auxilia nasbuscas
do
autor ea
efetivaçãoda persecução
penal”.Desta
forma, a polícia,em
suafunção
judiciária,desempenha
o
papelde
repressão,que
consisteno
conjuntode medidas
contra os delitos, auxiliandona
investigaçãodos
fatos ena apreensão
do
autordo
ato delituoso.Comely
(1995:6) destacaque
“a períciapode
serdeterminada
pela autoridade policial(CPP,
art. 6°, inciso III)ou
pelo Juiz;ou
requerida pelas partes, sejano
oferecimentoda
denúncia
ou
da
queixa,ou no
prazo
para a defesa (art.395
do
CPP),
sejano
finalda
instrução”. Cita ainda que, “a perícia, realizadaem
qualquer fasedo
procedimento
penal, ésempre
ato instrutórioemanado
de Órgão
auxiliarda
Justiçapara
a
descobertada
verdade.Seu
valor éo
mesmo,
quer
se tratede
perícia realizadaem
juízo,quer
se cuidede
exame
pericial efetuado durante a fase preparatóriado
inquérito”.Portanto,
o
juizpode
apoiar-seem
elementos da
fasede
inquérito, haja vistaque
asprovas
do
inquéritotêm
valor idêntico daquelasproduzidas
em
juízo.No
que
se refereao
inquérito policial, Oliveira destaca que:Inquérito policial é todo procedimento policial destinado a reunir os
elementos necessários à apuração da prática de
uma
infração penal e desua autoria. Seu destinatário imediato é o Ministério Público, que irá
propor a ação penal pública ou o ofendido, no caso de ação privada.
O
inquérito policial não é
um
processo,mas
simplesi
procedimento
administrativo informativo, destinado a oferecer ao órgão da acusação o
mínimo
de elementos necessários à propositura da ação.(OLIVEIRA,
1998:51)A
forma de
propositurada
ação
penal pública,confonme
citado anteriormente, é a denúncia, oferecida pelo Ministério Público, fiscalda
lei.Se
o
Ministério Público omitir-se,
poderá
ser oferecida queixa atravésde
qualquer particular.20
intuito
de
oferecê-losao órgão da
acusação, cujo relatório ensejaráou não
adenúncia
àJustiça.
Tratando-se
de
perícias aserem
efetuadas pela Polícia Judiciáriada
Uniao,
Souza
destaca que:Os
pedidos de exames periciais são dirigidos às referidas Seções deCriminalística nas Superintendências e ao INC, quando de âmbito
nacional ou casos especiais que os órgãos descentralizados não têm
condições técnicas e/ou pessoais de solucionar. São feitas através de
expedientes oficiais podendo ser originário de
um
outro órgão público, apedido do juiz, solicitação das diversas unidades do DPF, normalmente emanados da autoridade policial dentro dos inquéritos.
(SOUZA,
199sz10)
Deste
modo,
a perícia criminalpode
ser solicitadapor órgão
público, pelo juiz, pelasunidades
do Departamento
da
Polícia Federal-
DPF
e,em
maior
ocorrência,
por
autoridade policialna
fasedo
inquérito.Os
pedidos de
perícia criminal sãoenviados
para as respectivasSeçoes de
Criminalísticas nas SuperintendênciasSECRIMS,
subordinadasao
InstitutoNacional de
Criminalística-
INC, ou
parao
próprioINC, quando
referem-sea
questões nacionaisou requerem
maiores condições
técnicas e/ou pessoais.Após
o recebimento
do
pedido de
perícia criminal, ocorre adesignação
dos
peritos oficiais,como
expoe
Souza:
Recebida a solicitação, os investidos nos cargos de direção da atividade
pericial (“chefes da criminalística”) nas Superintendências, ou Coordenador (no INC), designam dois peritos para realização dos exames
periciais solicitados,
bem
como
tomam
todas as medidas administrativaspara se obter os meios necessários aos propósitos da perícia. Cabe salientar que, feita a solicitação
com
os devidos protocolos, aresponsabilidade passa a ser do órgão técnico responsável pelas atividades
periciais, devendo ter a soberania de resolvê-los.
(SOUZA,
1998:10)Cabe
ressaltarque
os chefes eo
Coordenador
necessitamdespachar
com
seus superiores:No
caso dasSECRIMS,
os chefes sempre despacliamcom
oSuperintendente, aos quais os peritos e demais cargos de nível superior
estão subordinados administrativamente; podendo se necessário, buscar
outras soluções junto aos demais administradores .
No
caso do INC, o21
mesmo
com
o Diretor Geral, para que se providenciem os meios para atendimento aos exames periciais solicitados. Fazendo, inclusive, atravésda
CCP
-
Coordenação Central Policial, solicitações para que amesma
convoque peritos criminais federais para atividades periciaisem
váriospontos do território nacional.
(SOUZA,
1998: 10)Assim,
nasSECRIMS,
os chefesdespacham
com
o
Superintendente.No
INC, o Coordenador
despacha
com
o
Coordenador
Central Policial,ou
com
o
DiretorGeral, para
que
sejam
tomadas
as providências necessáriasao atendimento dos
exames
solicitados, inclusive, se necessário, a
convocação
de
peritos para trabalhosem
diversospontos
do
país.Ramos
também
expõe
sobreos pedidos de
exames
periciais e,de
forma
minuciosa,
os passos
que
atravessa a perícia criminal contábil até alcançaro
seu resultado final-
o
parecer técnico:A
prova pericial, na grande maioria dos casos, é produzida na faseinquesitorial, ou seja, no desenvolvimento do Inquérito Policial, a pedido
do Ministério Público, por determinação do juizo competente ou
mesmo
de oficio, pela Autoridade Policial, cuja condução das investigações esta
afeta. Outros casos existem que a perícia pode ter sua realização já na fase
_ processual, por determinação do Juiz que preside o feito. Entreinentes, a
rotina não se altera, ou melhor, as fases de seu desenvolvimento são as
mesmas, o tramite obedece a seguinte rotina: a) Inquérito; b) Requisição; c) Protocolo; d) Seção Técnica; e) Distribuição; Í) Perito; g) Diligências; h) Laudo
(RAMOS,
1997:12)Assim,
a perícia contábil criminal passapor
uma
sérieconcatenada de
atos,
acima
descritos,que culmina
em
resultado conclusivo sobreo
fatoque
versao
trabalho.
Cabe
analisá-los,um
aum,
com
o
intuitode conhecer
osprocedimentos
administrativos inerentesao
processo.Para o
Inquérito Policial,Ramos
relata sobre a importânciada
prova
22
A
par das investigações pertinentes, se produzemtambém
provas queconduzem ao esclarecimento do fato que originou o inquérito e, dentre
elas, a prova pericial, de
modo
que à autoridade policial seja propiciadomeios para a elaboração do relatório das investigações.
O
relatóriocircunstanciado da Autoridade Policial ensejará ou não a denúncia do fato
e do agente a Justiça”.
(RAMOS,
1997 :13)Portanto, a
prova
pericial éproduzida
não
sóno
processo
judicial,mas
também
fora dele,em
busca de conhecer
averdade dos
fatos.O
exame
pericial será realizado a partirda
requisiçãode exame, expedida
pelaAutoridade
Policial.Ramos
~
destaca
que “na
requisiçao, a autoridade Policial declinará”:1) o n.° do Boletim de ocorrência;
2) o n.° do oficio de requisição;
3) o n.° do Inquérito Policial de origem;
4) o n.° do Processo Penal;
5) especificação do objetivo da requisição;
6) natureza da ocorrência;
7) local;
8) nome(s) da(s) vítima(s); 9) nome(s) do(s) indiciado(s);
10) o objeto do exame;
11) o objeto da períciae
12) o local para onde o laudo deverá ser remetido.
(RAMOS,
1997: 14)O
próximo
passo
éo
protocoloda
requisição que,segundo
Ramos,
ocorre
da
seguinte fonna:A
requisição de Perícias Contábeis, dada a peculiaridade do exame, éacompanhada dos Autos do Inquérito Policial, e enviada ao Protocolo
Geral do Instituto, setor ao qual está afeto o registro de todas as
requisições de exames solicitados ao órgão. Este após identificar a
natureza do exame, a distribui à seção técnica competente, no caso a
Seção Técnica de Perícias Contábeis.
(RAMOS,
l997:14)Recebida
a requisição protocolada, a seção técnica é encarregada de,após
as verificações cabíveis, efetuar a distribuiçãodo
materialaos
profissionais:A
seção técnica, de início, confere a natureza doexame
requisitadocom
acompetência da seção para realizá-lo.
A
conferênciaem
questão seresume
em
velificar se oexame
é, efetivamente, de natureza contábil.Em
seguida, obedecida a ordem alfabética, as requisições são distribuidas aos
peritos que fazem parte do quadro da seção. Incumbe
também
à seção,ocontrole e o acompanhamento dos trabalhos distribuídos aos seus peritos,
fiscalizar prazos, eficiência e até orientar os trabalhos mais complexos,
além de prestar às autoridades policiais e judiciais, todas as informações que se fizerem necessárias a respeito do exame
em
andamento.(RAMOS,
23
Além
das atividades oriundasda
distribuição das perícias, os peritos são alocadosem
plantões internos “destinadosao atendimento de
emergências, flagrantes, diligências especiais, etc.Nestes
casos,o
perito plantonista,ou
atémesmo
aequipe
em
serviço internodo
dia, isoladamenteou
mesmo
integrando aequipe
policial operacional, se deslocaao
localde crime
paracumprir
sua função,que
pode
esgotar-sena
própria diligênciaou
estender-se além,segundo
a extensão ecomplexidade
do
exame
solicitado”.(RAMOS,
1997; 14)Distribuído
o
materialcomposto
da
requisição edos
Autos do
InquéritoPolicial,
o
perito contábil criminal iniciao
seu trabalhocom
o
estudodo
autospara
inteirar-se
do
fatoque provocou
a requisiçãodo
exame.
Posteriormente,Ramos
cita que:Após
o estudo inicial do conteúdo dos autos, o perito estabelece o escopo do exame,bem
como, de todos os documentos e livros necessários àrealização da perícia e o atendimento dos quesitos (questionário)
eventualmente formulados pela Autoridade Policial, Judicial e pelas
partes. Durante a diligência (visita feita ao local do fato ou onde se
encontram os elementos contábeis para a perícia) o perito procede o exame. dos livros e documentos contábeis e colhe todos os dados e
informações que servirão de base para fundamentar suas conclusões sobre
o fato que lhe foi posto à apreciação.
(RAMOS,
1997: 20)Desta
fonna,procedida
a análisedos
autos e a parda
documentação
necessária à realizaçãodo
exame, o
expert efetua a diligência,com
o
intuito de colher asinformações
que embasarão
seu parecer técnico.Concluído
o
exame
eo
laudo respectivo, “a seção confereo cumprimento
das formalidades técnicas,despacha o
laudo eo devolve à origem
pelosmesmos
canaisque
foram
utilizados para recebera
requisiçãodo
exame”.
(RAMOS,
1997: 16)Após
a realizaçãode todos os procedimentos
administrativos e técnicossupramencionados,
o
requerentedo exame
pericial, sejaa Autoridade
Policialou
o
juiz,tem
os resultadosdos
trabalhos efetuados, dispostosno
laudo pericial.A
maioria dasprovas
técnicas, assim entendidaspor
necessitaremde
expert para apurá-las,“incumbe ao
campo
da
disciplina auxiliardo
Direito Penal, aMedicina Forense
ou
Legal.Mas
dessa especialidade,há
inúmeras provas
que
refogem ao
24
seu horizonte para, alargando-o, constituírem
uma
nova
especialidade: a polícia técnicaou
polícia judiciária,ou
ainda a Criminalística”.(Gomes, 1977
:52)'
/
Gomes
complementa
a idéiaexposta
com
o
seguinte trecho:Os
laboratórios de polícia científica são dependências policias,diretamente subordinadas a ela ou ligadas aos institutos médico-legais,
tendo
como
funções, segundo a amplitudemáxima
do conceito que lhecabe: procurar vestígios do criminoso, colhendo-os, estudando-os,
mostrando-lhes os préstimos; identificar os reincidentes; fazer perícias
determinadas pela polícia ou pela justiça; ensinar a doutrina e a técnica de
sua especialidade pela escola de polícia; ser
um
centro de pesquisassem
finalidade pronta e imediata
(GOMES,
1977151)Portanto,
o
perito criminal oficial éum
policial especializado que, atravésde
emprego
de
métodos
e técnicas apropriadas, recolhe,examina
e interpreta os vestígios materiais ligadosao
fatoem
apuração, visando estabeleceruma
relação desses vestígioscom
o
fato.Através
de
seus trabalhos, dasprovas
técnicas produzidas, a Justiçatem
maiores condições de desempenhar
suasfunções
com
maior
eficácia.Outro termo
bastante utilizadono
contextoda
perícia criminal é a assessoria criminológica. Trata-sede
uma
assessoria multidisciplinar,de competência
das ciênciasnão
jurídicas (biológicas, psicológicas, psiquiátricas,médicas
e sociais).Como
cita
Gomes,
“não
sepode
mais
falar, hojeem
dia,em
processo
penal ausente destesrecursos
de
técnica:uma
assessoria pericial multidisciplinar,que
dariaao
juiz recursospara
observar a personalidadedo
processado
efixar
aconseqüente
medida
de
defesada
sociedade eo
juiz especializado, vale dizer, capacitadopara
entender to multi-inforrnepericial”.
(Gomes,
1977151)
O
juiz terá acesso aos estudos e 'pareceres das diversas áreas,que
poderão,
em
conjunto,fomecer
embasamento
parao
seu julgamento.2.7.