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Academic year: 2021

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Ana Rita Azevedo Gonçalves de Freitas

2º Ciclo de Estudos em

Tradução e Serviços Linguísticos – Tradução Especializada

Relatório de Estágio 2014

Orientador: Professora Doutora Joana Guimarães

Classificação: Ciclo de Estudos:

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TRANSLATOR’S LAMENT

To be a translator, believe me it’s sad, To be a translator, you have to be

mad-Who else would sit in a room Encased in loneliness more like a tomb? Who else would fondle a microphone cable Or typewriter keyboard when perfectly able To fondle some better more pliant device? (It happens to others, they say it’s quite nice.) Who else would apply so much love, care, devotion

To something that is another man’s notion? Who else would spend hours to seek out one word

Just to ensure he writes nothing absurd? Who else would read carefully through some epistle

Produced by a half-wit who had better whistle Than write rotten copy that doesn’t mean much, Yet expects a translation in, say, perfect Dutch?

Who else would accept that every job’s hot When he knows that it’s probably not And flog himself silly to see the work through Then wait for three months not collecting one sou?

Who else would put up at social occasions With statements like: “Oh, you do translations.-There’s not much to that, after all it’s your lingo, So where are the problems, why labour that thing so?”

Who else would be willing each day of the year To sit exam where the pass-mark’s a mere One hundred percent or perhaps just below?

If you think that’s easy, why not have a go? And yet it’s a challenge which on reflection

Provides enormous job satisfaction. Those who enjoy it will never desert The odd fascination of the “foreign” word

-Wort, oh what the hell…

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Agradecimentos

Em primeiro lugar, queria agradecer à minha família, em especial à minha mãe, que me encorajou a investir no meu futuro e se sacrificou para que eu pudesse chegar onde cheguei. Ainda dentro do núcleo familiar, gostaria de agradecer à minha tia, pelo apoio incondicional e pelas palavras de incentivo e força nos momentos mais difíceis.

A ti, Fábio, o meu obrigado pela paciência e por estares ao meu lado sempre que precisei e também por nunca duvidares das minhas capacidades.

Aos meus amigos e colegas de curso, um sincero obrigado por estarem presentes na minha vida pessoal e académica, pelo companheirismo e por se mostrarem sempre disponíveis a ajudar no que fosse necessário.

Expresso também os meus agradecimentos ao corpo docente da Faculdade de Letras da Universidade do Porto pelo acompanhamento nestes cinco anos de formação tanto no curso de Línguas Aplicadas à Tradução, como no Mestrado de Tradução e Serviços Linguísticos. Desde já, o meu obrigado pelos valiosos ensinamentos e por me ajudarem a progredir nas competências tão complexas da tradução.

Manifesto especialmente a minha gratidão à Professora Doutora Joana Guimarães, com quem tive o prazer de lidar em algumas unidades curriculares lecionadas no decorrer destes anos. Agradeço tudo o que me ensinou, bem como a simpática disponibilidade e orientação.

Finalmente, queria agradecer à JABA-Translations, pela oportunidade de estagiar nesta instituição e por me ter proporcionado as condições de trabalho necessárias para a realização do projeto de estágio. De igual importância, deixo uma palavra de agradecimento a todos aqueles envolvidos no acompanhamento do estágio; ao orientador, aos tradutores, e colegas que estavam sempre prontos a ajudar e que muito contribuíram para o meu desenvolvimento profissional.

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Resumo

O presente relatório serve como uma reflexão e avaliação de todo o processo do estágio curricular, inserido no plano de estudos do Mestrado em Tradução e Serviços Linguísticos da Faculdade de Letras da Universidade do Porto. O referido estágio teve como intuito desempenhar atividades de natureza profissional num contexto real de trabalho, bem como aplicar e consolidar conhecimentos obtidos durante o percurso académico. Desta forma, o relatório descreve a experiência adquirida e a relevância das teorias subjacentes à prática da tradução, apontando para os problemas decorrentes desta prática e os processos envolvidos na resolução destes.

Palavras-chave: estágio curricular; experiência, teorias; prática da tradução

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Abstract

This report consists of a reflection and an appraisal of the whole process of the academic traineeship as part of the Master’s degree in Translation and Language Services at the Faculty of Arts, University of Porto. The aim of this traineeship was to perform professional activities in a work-related environment as well as to consolidate and put into practice the knowledge acquired during the academic years. Thus, this report describes this learning experience and the relevance of the theories underlying translation practice, giving emphasis to the problems resulting from this practice and the processes involved in solving them.

Keywords: academic traineeship; learning experience; theories; translation practice ___________________________________________________________________

Kurzfassung

Dieser Bericht dient der Reflexion und einer Einschätzung des Plichtpraktikums innerhalb des Masters „Übersetzung und Sprachdienstleistungen“ an der Universität Porto in Portugal. Das Ziel dieses Praktikums war es, berufliche Tätigkeiten am Arbeitsplatz auszuüben und auch das erworbene Wissen im Laufe des Studiums in der

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Praxis anzuwenden und dieses zu konsolidieren. So beschreibt der Bericht diese Lernerfahrung und die Relevanz der Theorien, die der Übersetzungspraxis zugrunde liegen, und weist auf die von dieser Praxis resultierenden Probleme sowie auf die Prozesse für diese Problemlösung hin.

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Índice:

Agradecimentos...iii Resumo...iv 1. Introdução...1 2. JABA-Translations...3 3. Descrição do Estágio...5 3.1. Gestão de projetos...7

3.2. JABA Partner Summit 2014...9

3.3. Fluxo de Trabalho...11

3.4. Procedimentos de trabalho/tradução...14

3.5. Ferramentas de apoio à tradução...18

3.5.1. Problemas de foro técnico...22

4. Tradução como ato comunicativo...25

5. Análise das traduções realizadas...29

5.1. Formacao_7_12-02-2014_GER-PT...30

5.2. Formacao_10_26-02-2014_GER-PT...35

5.3. 14-04-02 XXX GER-PT Fahren Lernen 3.0 (22.233 PAL)...37

5.4. 14-04-04 (17h) xxx GER-BRA 1405710 RATIONAL (1235 PAL) MQ...46

5.5. 14-04-10 (14h) xxx GER-PT Wahlaufruf (281 PAL)...49

6. Conclusão...51

7. Referências Bibliográficas...52

8. Anexos...54

8.1. Anexo I – Lista de traduções efetuadas...54

8.2. Anexo II – Exemplos de tradução...57

8.3. Anexo III – Protocolo de Estágio...68

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1. Introdução

Nos dias que correm, cada vez mais se impõe a seguinte questão: afinal qual é a necessidade de um tradutor? Esta é a pergunta que se coloca face à realidade de um mundo cada vez mais conectado virtualmente e globalizado, onde programas de computador reproduzem traduções automáticas ao simples toque de uma tecla. Porém, muitos não se dão conta de que praticamente tudo o que está à nossa volta passa por um processo de tradução, quer sejam os manuais de eletrodomésticos, os rótulos de produtos, ou os softwares que usamos no nosso dia-a-dia.

Numa sociedade marcada pela constante troca de informação, o tradutor assume o papel de mediador, um comunicador esquecido pelos outros, vendo o seu trabalho tomado por garantido. No entanto, no mundo atual e frenético em que vivemos, vê-se patente uma constante urgência comunicativa que motiva uma maior consciencialização da necessidade de serviços de tradução e, por extensão, a preocupação com a qualidade dos mesmos. De facto, o intercâmbio cultural tem conduzido a um maior conhecimento de línguas estrangeiras e dadas as exigências do mercado nacional e internacional, deu-se um aumento da produtividade e, com isso, uma maior necessidade de traduções com qualidade, tornando, assim, o trabalho do tradutor mais exigente. Perante isto, não basta ao tradutor dominar a língua estrangeira, este necessita de reconhecer o valor dos elementos e marcas culturais do texto e implementar critérios de segurança no processo tradutivo: é fundamental identificar o problema (tudo o que vai para além daquilo que colocamos quase intuitivamente, tudo o que incitar momentos de reflexão) e adquirir competências (processo automatizado pela experiência), conseguidas através de ajudas (guias ou muletas) que nos permitirão obter uma maior relevância nas escolhas.

Com isto em mente e estando também ciente do nível de exigência e proficiência requerido a um tradutor, a escolha pelo estágio profissionalizante foi determinada com vista à melhoria na aquisição e aprofundamento de competências e qualificações, com a certeza de que este estágio constituirá indubitavelmente uma mais-valia no curriculum, não só a nível académico-científico, mas também a nível pessoal.

Desta forma, este relatório constitui um documento avaliativo e reflexivo, em que os processos envolvidos na resolução de dificuldades/problemas de tradução ganham

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o contexto específico dos produtos tradutivos. Assim sendo, o presente trabalho tem como base os conhecimentos desenvolvidos ao longo da Licenciatura em Línguas Aplicadas – Perfil Tradução e, particularmente, ao longo do Mestrado em Tradução e Serviços Linguísticos, bem como um conjunto de leituras pertinentes que contribuíram eficazmente para a sua realização.

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2.

JABA-Translations

O estágio profissionalizante teve lugar na JABA-Translations, empresa portuguesa de tradução baseada em Espanha (Barcelona) e Portugal (Vila Nova de Gaia) e fundada por Joaquim Alves em 1998. Foi graças à capacidade de liderança e perseverança de Joaquim Alves – nome bem conhecido no mercado da tradução – que a JABA-Translations atingiu uma posição de relevo na indústria da tradução, tanto a nível nacional como a nível internacional.

Esta empresa tem a sua sede com os seus pisos distribuídos hierarquicamente entre gerência, secretaria, gestores de projetos, tradutores e departamentos administrativos. Conta com uma vasta equipa de tradutores profissionais in-house e freelancers e de adaptadores que trabalham desde o português europeu para o português do Brasil. Entre as principais combinações linguísticas oferecidas estão incluídas o inglês, o alemão, o francês, o espanhol, o português europeu e o português do Brasil, sendo estes três últimos os idiomas de especialidade, visto que os tradutores são nativos da língua para qual traduzem. Adicionalmente, a empresa dispõe de uma equipa altamente especializada de gestores de projetos, um departamento de DTP (Desktop Publishing -Edição Electrónica), responsável pela edição de documentos e conversão dos mesmos para formato de texto e, finalmente, de técnicos de IT, encarregados da resolução de problemas informáticos e pela instalação, teste e manutenção de novos programas para o computador.

Para além da oferta de tradução em vários ramos de atividade – tendo como áreas de especialidade a indústria automóvel, a indústria informática (hardware e software), a indústria de telecomunicações e a indústria de construção e máquinas – a JABA-Translations fornece serviços de localização de software, de sítios e de outras aplicações Web.

Cientes de que este se trata de um mercado em constante evolução, em que a informação corre mais depressa que nunca, os tradutores trabalham com ferramentas de vanguarda de apoio à tradução e sujeitam-se a uma constante atualização/especialização, tanto nas diferentes áreas do saber, como nos programas de apoio à tradução, de maneira a poder responder eficazmente à crescente exigência e

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globalização da vasta carteira de clientes que detêm, quer nacionais quer internacionais. Com efeito, visando a agilização do trabalho, esta empresa coloca à disposição um leque de sistemas informáticos e ferramentas de apoio à tradução, tais como: Across, MemoQ, XTM Internacional, Star Transit, SDL Passolo 2009, SDL Trados 2007, SDL Trados Studio 2011, Memsource Cloud e Plunet.

Em suma, pode-se constatar que esta empresa reúne todas as condições necessárias à realização de um estágio profissional, onde o rigor, o cumprimento de prazos e a preocupação pela qualidade na tradução fazem parte dos seus valores, pondo sempre a satisfação do cliente em primeiro lugar, já que o objetivo da mesma passa por «transmitir, com a maior clareza, a mensagem ao consumidor final».1

1 JABA-Translations: Objetivos.[Em linha]. Porto: JABA Translations [citado em 06-06-2014]. Disponível em: < http://www.jaba-translations.pt/objectivos.php/>.

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3. Descrição do Estágio

O estágio realizado nesta instituição, de natureza curricular e enquadrado num ambiente de trabalho normal, obrigou ao cumprimento de um total de 410 horas, distribuídas desde 4 de fevereiro de 2014 até 18 de abril de 2014. Este teve o seu início após o envio do currículo e de uma carta de apresentação para a JABA-Translations e uma consequente entrevista presencial, na qual se acordou a data a começar e se conversou um pouco sobre a empresa, assim como os requisitos e competências esperadas de um estagiário. O período normal de trabalho diário tinha início às 8h30 e término às 17h30, havendo uma hora de almoço (12h30-13h30) e duas pausas de quinze minutos de manhã e à tarde.

Com o intuito de cumprir os objetivos especificados no protocolo de estágio, foi nomeado Sérgio Martins, como orientador da instituição de estágio, e Sílvia Valadares, como formadora durante todo este período. Com efeito, estes proporcionaram todas as condições de trabalho, tecnologias e informações necessárias para a realização do mesmo, acompanhando o estagiário para que este se pudesse adaptar da melhor forma à atividade laboral da empresa e auxiliando-o sempre que surgissem problemas.

O primeiro dia de estágio contou, portanto, com a apresentação de toda a equipa e da empresa, nomeadamente, do espaço de trabalho, um compartimento que tive o prazer de partilhar com outras cinco estagiárias da FLUP, tradutores e adaptadores brasileiros e duas tradutoras de alemão, Anabela Carvalho e Carla Gomes, estas últimas de extrema importância na minha aprendizagem, já que sempre se prontificaram a ajudar e reviram algumas traduções de alemão, clarificando todas as dúvidas que ocorriam e dando

feedback, o que nem sempre era possível, dado o elevado número de projetos a realizar

por estas.

De facto, foi-nos explicado que o ambiente de trabalho conjunto a que todos estão sujeitos - particularmente a disposição das mesas de trabalho que faz com que todos estejam próximos uns dos outros - transparece uma política de abertura e facilita muito o exercício da atividade de tradução, uma vez que fomenta o entrosamento de todos e o espírito de entreajuda, pois rapidamente se esclarecem dúvidas e resolvem problemas. Em seguida à atribuição de um computador, um nome de utilizador e uma palavra-chave

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o ambiente de trabalho do mesmo, onde constam todos os programas informáticas indispensáveis para uma concretização eficaz de todas as etapas de tradução, que serão descritas nas seguintes páginas.

Para além disto, foi imprescindível a leitura de um PowerPoint de formação interna, especificamente os regulamentos internos referentes ao horário de trabalho, ao uso de telemóveis, à limpeza e conservação do local de trabalho. Particular atenção foi dada aos direitos de autor, em que a JABA, ao abrigo da Convenção de Berna, aplica o Código de Prática de Segurança de Informação. Assim sendo, não é permitida qualquer reprodução de cópias não autorizadas de software sob pena de enfrentar um processo disciplinar e de manchar o bom nome da empresa. Todo o software é instalado no departamento de IT, quer sejam programas informáticos ou atualizações. O manuseio de correio eletrónico e da internet também foram pontos a ter em atenção, sendo que ambos são limitados às atividades profissionais da empresa e todos os acessos são inventariados, pelo que qualquer mensagem proferida de uma forma considerada ofensiva ou abusiva pode criar conflitos e comprometer a JABA-Translations.

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3.1. Gestão de projetos

Na perspetiva de sensibilizar o estagiário para a importância do papel da gestão de projetos na qualidade da tradução, tive a oportunidade de conviver, de perto, com um gestor de projetos durante uma parte do dia e ver o que acontece por detrás de uma encomenda de tradução. De facto, a familiarização com o modus operandi da empresa possibilitou ter um entendimento do dia-a-dia de um gestor de projetos e refletir sobre os pré-requisitos para um processo tradutivo bem-sucedido.

Desta feita, foi apresentado o típico espaço de um gestor de projetos: dois monitores com o ambiente de trabalho preenchido de pastas e ficheiros e um correio eletrónico em constante alerta. Este, para além das funções básicas de enviar e receber correio eletrónico com os projetos a traduzir, também é um ótimo instrumento para gerir contatos e organizar tarefas, de maneira a facilitar a troca de correspondência entre cliente e gestor de projetos.

A comunicação entre gestor de projetos, cliente e tradutor assume um papel preponderante em todo o processo tradutivo, uma vez que a comunicação clara entre todos garante a qualidade final do projeto. Tal é corroborado por Samuelsson-Brown (2010:41): «One of the principal uses for translations is to facilitate communication. It is therefore important that there be clear and unambiguous communication with the translation services provider at all times during the translation process».

De facto, as falhas de comunicação entre todos os intervenientes podem ser traduzidas em divergências entre a perceção do que o cliente pede e as instruções dadas ao tradutor, o que pode comprometer a tradução final, ao ponto de esta não ir ao encontro das expetativas do cliente. Para isso, é essencial estabelecer um meio de comunicação sólido e constante para esclarecimento de questões relevantes à prossecução de projetos de tradução, porque no final, tal como Samuelsson-Brown (2010:105) aponta: «quality is defined as providing what the client has asked for».

Nesta parte não serão abordados programas ou outro tipo de recursos de apoio à gestão de projetos, sendo que o esquema apresentado abaixo descreve, em particular, e resumidamente - partindo daquilo que foi observado - as tarefas relacionadas com a

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gestão de projetos de tradução, desde o pedido efetuado pelo cliente, passando pela comunicação com o tradutor até à entrega final do projeto.

CLIENTE Pedido de tradução

GESTOR DE PROJETOS

 Análise dos documentos para tradução  Pedido de material de referência/instruções  Discussão do projeto com os tradutores  Preparação do orçamento

Confirmação por parte do cliente

 Atribuição de um número ao projeto  Preenchimento de

um formulário de encomenda

 Seleção das ferramentas mais adequadas à prossecução do projeto

 Preparação de TM’s ou glossários

 Criação de uma pasta eletrónica no diretório principal com os seguintes conteúdos: - Formulário de encomenda - Ordem de compra - Instruções do cliente - Material de referência/instruções - Documentos originais  Preparação/ criação

de uma pasta para os tradutores com: - Documentos originais

 - Material de referência/instruções  Distribuição de tarefas

8 Antes de entregar a versão final da tradução, o gestor de projetos tem de:

 Verificar se esta cumpre com os requisitos do cliente

 Atualizar a memória de tradução/glossário específico a este cliente  Completar o formulário de encomenda  Transferir a pasta para o diretório de armazenamento  Enviar a faturação Entrega do produto final ao

Tradutor envia a tradução completa ao gestor de projetos

Tradução em progresso:

tradutores enviam dúvidas para o gestor de projetos, para resolução com este ou com o

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3.2. JABA Partner Summit 2014

Como o próprio nome indica, a JABA-Translations foi anfitriã de uma cimeira que juntou todos os parceiros para discutir vários assuntos relacionados com o estado e o mercado da tradução. A mesma teve

lugar desde o dia dez até ao dia doze de março, no Hotel Casa Branca em Vila Nova da Gaia, e contou com a presença de clientes, colaboradores e

parceiros tecnológicos, bem como outras pessoas da indústria da tradução para uma discussão aberta de ideias e partilha de soluções em torno dos tópicos abordados. Estes centravam-se nomeadamente no progresso da tradução automática, na relevância dos recursos humanos, no impacto das parcerias e das CAT Tools. Contudo, tendo em conta que este evento coincidiu com o horário de trabalho, as estagiárias foram apenas dispensadas na manhã do dia dez de março para assistir à conferência “Traning our Future Staff – Working together with academic institutions”, por estar mais direcionada à nossa realidade enquanto estudantes universitárias.

Nesta sessão foi possível assistir a apresentações de Françoise Bajon, presidente da

ELIA (European Language Industry Association), de

Anu Carnegie-Brown, diretora operacional da STP (Sandberg Translation Partners Ltd) e de Vanessa Granja, gestora de projetos da JABA-Translations. A sessão incidiu eminentemente na importância das CAT Tools na formação de estudantes, então, futuros tradutores.

Vários inquéritos realizados a empresas de tradução nos últimos anos mostraram que a formação nas CAT Tools foi apontada como sendo a maior lacuna nas instituições académicas. Deste modo, a ELIA criou um programa em colaboração com a STP Nordic, encabeçado por Anu Carnegie-Brown, com o intuito de levar fornecedores de tecnologia ao mundo académico para demonstrar como a tradução é realizada atualmente. Neste programa (ELIA Exchange), os alunos, para além de terem acesso a ferramentas informáticas de apoio à tradução, têm a oportunidade de, por exemplo, vestir a pele de um gestor de projetos e de se confrontarem com uma série de tarefas e

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situações de stress, típicas da rotina de um gestor de projetos. Foi neste sentido então criado este programa, de maneira a preparar melhor os estudantes para um mercado em constante mudança, sugerindo, assim, alterações nos planos curriculares focadas numa vertente mais prática e a criação de planos de estágio, reforçando cada vez mais a necessidade de uma cooperação entre empresas de tradução e universidades.

Também importante ressaltar nesta sessão foi a exposição dos resultados de pesquisas de opinião em toda a Europa que mostraram as tão diferentes perceções dos empregadores, estudantes e universidades quanto à aptidão e preparação dos estudantes para enfrentarem o mundo real de trabalho. Do ponto de vista dos empregadores e estudantes, apenas 35% pensa que os professores fizeram um bom trabalho, ao passo que 78% das instituições académicas julga ter treinado bem os seus alunos.2 Pode-se

afirmar, portanto, que parece não haver um consenso quanto às necessidades das empresas e às competências dos licenciados mal terminam o seu percurso académico.

Em suma, apesar de não ter sido possível assistir à cimeira na sua íntegra, pôde-se concluir que a qualidade e as soluções tecnológicas andam sempre de mão dada e que é essencial integrar um sistema tecnológico entre clientes e patrocinadores, assim como apostar na formação dos alunos de tradução como futuros prestadores de serviços linguísticos e gestores de projetos.

2 JABA-Translations: Partner Summit 2014 .[Em linha]. Porto: JABA Translations, Março 2014 [citado

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3.3. Fluxo de Trabalho

Numa abordagem ao funcionamento e à dinâmica da empresa, será exposta nesta secção uma panorâmica do fluxo de trabalho, que passará, essencialmente, pela descrição dos recursos informáticos, dos servidores e da organização documental nas pastas correspondentes.

Intranet:

Sítio da internet reservado aos colaboradores da JABA-Translations, onde se pode ter acesso à conta pessoal, verificar o registo de horas de entrada e saída, consultar os procedimentos internos, o correio eletrónico, manuais de CAT Tools e solicitar apoio informático através da opção “Helpdesk”.

Spark:

Plataforma de mensagens instantâneas indicada sobretudo para empresas, justamente para manter o registo de todas as conversações dos colaboradores. Esta permite trocar mensagens de texto, mensagens de voz, arquivos e iniciar conferências (funcionalidade que reúne mais de dois utilizadores numa janela para partilha de mensagens de texto). Para conseguir usar o Spark, é necessário inserir o nome de utilizador e a palavra-chave previamente atribuídos, bem como o nome do servidor. Após a autenticação, o programa faz a leitura de todos os contatos que estão online, agrupados pelas diferentes categorias, por exemplo: Estagiárias, PMs (Project Managers), Departamento Alemão, Departamento Inglês, IT, etc. Efetivamente, trata-se de um sistema de comunicação bastante prático, na medida que a comunicação é realizada de uma forma ágil e eficiente, onde os tradutores são notificados de novos trabalhos por parte dos gestores de projetos e dúvidas/questões são enviadas, quer a colegas de trabalho quer aos gestores para estes as esclarecerem com os clientes. Adicionalmente, problemas a nível de software e hardware também podem ser comunicados, através de uma simples mensagem, ao departamento de IT, que tratará da questão tão breve quanto possível.

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Fig. 1. Imagens ilustrativas do Spark

Plunet:

Especialmente desenvolvido para a gestão de processos empresariais e projetos de tradução, a escolha deste programa foi fulcral para a organização e desenvolvimento da

empresa, tal como afirma Joaquim Alves:

«…we were looking for a management system that would offer flexible and long-term support not only for our existing processes and structures, but also with regard to our continuous company growth. At the same time, it was important that the company behind the product shared our values in terms of customer focus, quality and cooperation based on partnership. On the basis of these requirements, the decision for Plunet was a quick and very straightforward one».3

De entre as funções básicas podemos destacar não só a criação e gestão de orçamentos, formulários de encomendas, ordens de compra e faturações, como também o controlo de prazos e do progresso do trabalho. Os tradutores podem, através deste sistema, consultar o estado do projeto que estão a realizar e depositá-lo, neste local, assim que se encontre terminado. Lá também se encontram todas as informações referentes ao projeto, 3 ALVES, Joaquim – JABA- Translations is optimizing its business and translation management with

Plunet. [Em linha]. Porto: JABA Translations, junho 2011 [citado em 10-06-2014]. Disponível em:

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especificamente, o gestor de projetos encarregado e a memória de tradução a utilizar. No entanto, uma vez que durante o decorrer do estágio nunca surgiu a oportunidade de trabalhar com este software, não será desenvolvida qualquer análise ou apreciação sobre o manuseio do mesmo no presente relatório, visto que houve apenas contato com este por razões introdutórias aos procedimentos de tradução.

Tidal:

Servidor central onde se encontram todas as pastas de trabalho, entre elas:

“Dump” – sítio utilizado para transferir e partilhar ficheiros com outros colegas ou, até mesmo, para poder aceder ao conteúdo desta a partir de outro computador.

“TMs” – aqui encontram-se as memórias de tradução divididas por departamento, cliente e, finalmente, subcliente. Estas têm de permanecer intactas, não podendo nenhum tradutor em altura alguma alterar o nome ou copiá-las para outro local sem a devida autorização.

“Share 1” – esta pasta está subdividida nas duas principais pastas de trabalho:

“Servico_a_Traduzir” - esta contém os projetos que são atribuídos a cada tradutor, separados pelas respetivas línguas.

“Servico_Traduzido” – pasta de entrega de projetos já finalizados; serve de alternativa ao Plunet.

Work

Esta trata-se de uma pasta pessoal de trabalho, ou seja, quando se atribui um projeto a um tradutor, este tem de copiá-lo do “Servico_a_Traduzir” para a pasta “Work”. É importante ressaltar que não se pode trabalhar diretamente a partir do servidor, servindo esta pasta para esse mesmo efeito: organizar de forma individual e metódica todos os projetos.

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3.4. Procedimentos de trabalho/tradução

1- Para estar em permanente contacto com todos os colaboradores da JABA, é necessária, antes de tudo, a conexão ao Spark, visto que é aqui onde o gestor de projetos informa o tradutor se há trabalho a realizar.

2- Depois de notificado, o tradutor tem de se dirigir ao “Servico_a_Traduzir”, copiar a pasta referente a esse trabalho e colá-lo na pasta “Work”. Cada projeto é identificado da seguinte maneira: [Data de entrega] (hora de entrega) [Cliente[ [N.º do projecto] Subcliente [LP-LC] (contagem de palavras).

Por razões de confidencialidade, a empresa pediu que não fossem divulgados nomes de clientes ou subclientes no relatório de estágio, pelo que estes serão substituídos por “XXX”. Quanto à nomenclatura das pastas, seria expectável que uma empresa que trabalha com uma vasta rede de computadores seguisse uma estrutura própria, de maneira a poder lidar com as variadas combinações linguísticas e fases de tradução de uma forma organizada, não podendo, em caso algum, o nome da pasta ou dos ficheiros serem alterados pelo tradutor diretamente no servidor.

3- Colocar a expressão “Em exec” no início do nome da pasta do respetivo projeto no servidor “Servico_a_Traduzir”. Esta indicação serve para alertar outros tradutores que o projeto já foi iniciado.

4- Na pasta “Work” é criada uma pasta com o nome do tradutor separado por um

underscore, por exemplo: rita_freitas. Esta é ramificada em subpastas referentes ao ano

e ao mês corrente, onde nesta última é adicionada uma pasta com o nome do projeto copiado do “Servico_a_Traduzir”. No interior desta são também criadas duas pastas: “Orig” e “Trad”. A pasta “Trad”, por sua vez, vai dividir-se noutra com nome “Exec”, onde constam as cópias de todos os ficheiros a traduzir, tal como acontece com a pasta “Orig”, no entanto, esta última serve para salvaguardar o conteúdo original, enquanto a “Exec” serve de pasta de trabalho, onde será feita diretamente a tradução. Material de referência ou instruções do cliente podem ser armazenadas a critério de cada um, desde que sejam facilmente identificáveis.

5- Caso sejam pedidas as versões “Clean” e “Unclean” dos ficheiros, devem então ser criadas as pastas “Clean” e “Unclean” dentro da pasta “Trad”, sendo que a pasta “Exec”

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criada anteriormente passa a ter o nome “Unclean” depois de terminado o processo de tradução. A pasta “Unclean” contém, portanto, o ficheiro onde a tradução é feita, juntamente com o texto original e o traduzido, ao passo que a pasta “Clean” contém o ficheiro com a tradução final gerada.

Fig. 2. Estruturação de pastas

6- Dada por terminada a tradução, avisa-se o gestor de projetos responsável, coloca-se a pasta com os ficheiros finais no “Servico_Traduzido” e elimina-se a pasta do projeto do “Servico_a_Traduzir”. Este seria o procedimento normal para um tradutor experiente e efetivo na empresa, no entanto, como o trabalho do estagiário está a ser avaliado e necessita revisão, os ficheiros finais são então colocados no interior da pasta do projeto que se encontra no “Servico_a_Traduzir”, antecedida da expressão “Em Rev”. A par disto, também o gestor de projetos tem de ser avisado e, no meu caso, as tradutoras que reviam as minhas traduções, Anabela e Carla.4

Numa fase inicial, a organização das pastas parecia um pouco complexa, mas com as duas semanas de formação – que serviram, não só para ambientar o estagiário aos

4 No caso de se tratar de projetos atribuídos através do programa Plunet, estes seguem uma estrutura de pastas diferente, assim como o método de envio.

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recursos informáticos, mas também à ordenação das pastas de trabalho – tornou-se mais fácil seguir o método de trabalho, criando uma posterior habituação.

Para além destas diretrizes de orientação aos processos de tradução, o estagiário não pode esquecer-se de analisar cuidadosamente o conteúdo de cada projeto, ler todas instruções antes de começar a traduzir e confirmar se tudo se apresenta em conformidade com as mesmas. Tal como referido anteriormente, o diálogo entre tradutor e gestor de projetos é parte integrante das etapas de tradução, pelo que o tradutor tem de manter o gestor de projetos sempre atualizado sobre o progresso do projeto.

Outro aspeto importante a ter em consideração é o uso de memórias de tradução. A JABA-Translations dispõe de uma base extensa de memórias de tradução, que são nada mais que o resultado de um trabalho contínuo e da preservação de clientes ao longo dos anos. Sempre que um dos clientes fixos da JABA requer uma tradução, a memória correspondente a cada cliente é usada, uma vez que esta tem armazenada todas as traduções anteriores que foram realizadas e, continuamente, pode acumular nova informação, contribuindo para enriquecer cada vez mais a própria memória e proporcionar o reaproveitamento de informação. É, portanto, proibido aos tradutores copiá-las ou modificar os nomes, sob pena de se perder o registo de todo o trabalho já realizado. Todavia, há sempre a eventualidade de o tradutor não concordar com algum termo ou tradução que constam na memória, o que deve ser reportado e discutido com o gestor de projetos, para que este solicite esclarecimentos ao cliente e as comunique, seguidamente, ao tradutor. «Surge assim uma nova forma de trabalhar na qual deixamos de ser 100% tradutores para nos convertermos em tradutores-revisores e aparece um novo conceito de pós-edição: deixamos de trabalhar sobre um papel em branco para trabalhar sobre propostas de tradução que, em muitos casos, nem sequer são nossas».5

O cumprimento de prazos é outra questão a levar em extrema consideração. Sempre que o tradutor verificar que não é possível entregar a tradução a tempo, o gestor de projetos deve ser atempadamente informado, pois a entrega após o prazo estipulado pode resultar em danos para o cliente e, consequentemente, para a própria empresa, podendo as 5 FUSTEGUERES, Sílvia - Quem tem medo das memórias de tradução? Sistemas de gestão de memórias

de tradução. [Em linha]. Barcelona: Universitat Atutònoma de Barcelona, outubro 2001 [citado em

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relações que há entre estas entidades serem quebradas. Por conseguinte, o tradutor tem de gerir e contabilizar sempre o seu tempo, para assegurar que dispõe de tempo suficiente para a tradução e revisão. Esta última constitui uma fase indispensável durante o processo de tradução e contempla, obviamente, a releitura do texto, a verificação da tradução de todos os segmentos através da função “Fuzzy” (caso exista esta função no programa de tradução utilizado) e, por último, a correção ortográfica. Um texto com erros ortográficos pode revelar falta de atenção ou zelo ao traduzir e, como resultado, pode ferir a credibilidade da empresa, daí que foi sempre incutido ao estagiário o hábito de rever todos os projetos antes de serem entregues ao gestor. No que concerne ao Acordo Ortográfico a aplicar, se não houver qualquer indicação quer por parte do cliente quer por parte do gestor de projetos, o tradutor tem de utilizar como padrão o antigo Acordo Ortográfico, caso que predomina nas traduções realizadas.

Outro ponto de alerta passa por nunca “partir de princípios”. De facto, esta é uma máxima estabelecida pela JABA e que logo no início da formação foi transmitida ao estagiário. As conceções que cada um tem sobre tradução podem ser moldadas pelas orientações dos clientes. O estagiário é incitado a identificar problemas, falhas, a ter dúvidas, a saber estranhar e a questionar-se. Portanto, sempre que se deparar com símbolos gráficos, siglas, medidas ou terminologia específica, o estagiário tem sempre de desconfiar da intuição e em altura alguma deve partir do princípio de que deverão converter-se ou eliminar-se medidas, por exemplo. É imperativo seguir as instruções do cliente e caso estas não existam, consulta-se a memória de tradução respetiva e confere-se confere-se existe algum critério outrora utilizado. Em todo o caso, quer confere-sejam ou não encontradas respostas na memória de tradução, o gestor de projetos deve ser sempre questionado antes de se partir para a tradução.

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3.5. Ferramentas de apoio à tradução

Nos dias que correm, numa sociedade cada vez mais computorizada em que novos produtos são lançados continuamente no mercado, torna-se impensável para um tradutor traduzir sem a ajuda de recursos informáticos de apoio à tradução, as chamadas CAT Tools (Computer-assisted translation tools). De facto, é muita a oferta de pacotes de

software de tradução com inúmeras funcionalidades que vão não só permitir armazenar

e manipular diversos dados, mas também agilizar todas as operações, otimizar o tempo, simplificar a pesquisa terminológica e aumentar a produtividade.

Dado o carácter repetitivo de muitos textos técnicos e o volume de terminologia específica, é mais que justificável a utilização de programas de tradução assistida por computador com esta tipologia de textos, pois vão tornar todo o processo de tradução mais cómodo pelo reaproveitamento de informação (unidades já traduzidas em textos do mesmo cliente ou noutros similares) e pela padronização terminológica. Para tal, como foi acima mencionado, a JABA-Translations dispõe de várias ferramentas informáticas de apoio à tradução, das quais são expostas e comparadas abaixo apenas as que foram utilizadas nos projetos realizados. Contudo, é importante referir que todos os tradutores da JABA-Tanslations trabalham através do método de ativação e desativação de licenças, que varia dependendo da CAT tool. Deste modo, sempre que alguém tiver de usar determinado software de tradução, o tradutor que detiver a licença desse programa tem de a devolver para que esta possa ser ativada noutro computador, através do código correspondente. Assim que a licença é desativada e passada a outro colega, o tradutor pode continuar o seu trabalho sem fechar o programa onde está a trabalhar.

SDL Trados 2007

Versão mais antiga do Trados, este software integra o Translator’s Workbench, sistema de memória de tradução que funciona em interligação com o Microsoft Word e com o TagEditor, ambiente de trabalho adequado para editar formatos de texto com tags. Esta ferramenta permite, então, trabalhar no próprio ficheiro do documento, usando uma memória de tradução principal e, opcionalmente, uma de referência, sendo esta apenas de leitura e para procuras de concordância.

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Dada a grande quantidade de projetos de tradução enviados por parte dos clientes em formatos compatíveis com este sofware, bem como memórias de tradução já existentes associadas a estes clientes, a opção por este programa foi recorrente, o que de início foi de estranhar, por este já ter caído em desuso e haver no mercado versões mais recentes. Apesar de ter trabalhado brevemente com esta ferramenta durante o mestrado, foi fácil a habituação à mesma pela disposição descomplicada das funcionalidades e dos segmentos a traduzir.

SDL Trados Studio 2011

Ferramenta com posição consolidada no mercado de tradução pela adaptação a novas tecnologias e por ser a mais completa em termos de comandos. Apresenta uma interface tabular com o texto original e a tradução em paralelo, o que facilita a visualização e a comparação do texto original com o texto traduzido. Para além de trabalhar com um leque extenso de formatos de ficheiros, permite criar e gerir projetos, bem como organizar os ficheiros de um projeto em pastas padrão e associar memórias de tradução e bases de dados terminológicas.

Esta plataforma, com a qual tive mais contato em trabalhos de mestrado, foi a menos utilizada durante o estágio, servindo, em grande parte, para me ambientar aos recursos técnicos oferecidos pela empresa. Os projetos de tradução a realizar no Studio obedecem a outra nomenclatura e organização de pastas. Em vez de serem guardados na pasta pessoal de trabalho “Work”, estes são guardados no diretório D:\, numa pasta com o nome “Studio_2011" e no seu interior é criada uma outra pasta com o nome do tradutor.

MemoQ

Esta interface conta com funcionalidades dispostas num layout simples e básico, em que o texto de partida e o texto de chegada (doravante designados como “TP” e “TCH”) são expostos paralelamente, numa grelha de segmentos. Permite aceder a projetos de servidor, pacotes locais e pacotes de ligação ao servidor do cliente. Com o MemoQ é

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podem ter acesso ao mesmo projeto e aos mesmos recursos de memória de tradução e glossários, ao mesmo tempo. À semelhança do Studio 2011, beneficia de funções como “Preview”, onde surge uma janela de pré-visualização do produto final com a formatação original, e o “QA checker”, que vai verificar rapidamente a existência de erros de inconsistência e tags por todo o documento.

Em termos gerais, o que estas ferramentas têm em comum e de mais importante é a criação de valiosas de bases de dados de memórias de tradução. Ainda assim, há outras funcionalidades que complementam o seu uso, e estas incluem métodos de análise, de produtividade e de garantia de qualidade, através de funções como “Spell Check” (corrige a ortografia), “Concordance” (procura um elemento do segmento que está na memória, mas que não aparece como uma correspondência parcial) e “Analyse” (faz a contagem de palavras, correspondências e acompanha toda a evolução da tradução). Apesar de o Studio 2011 e o MemoQ serem interfaces autónomas - ao contrário do Trados 2007 que trabalha diretamente com o documento num ambiente mais familiar – o MemoQ evidencia-se do Studio 2011 por ser mais intuitivo e amigo do utilizador. A disposição/organização do ambiente de trabalho é mais transparente e, por isso, menos complexa que a do Studio. Por outro lado, uma característica que estas três ferramentas compartilham é a visualização do conteúdo das tags. Tanto no Trados 2007, MemoQ e Studio existem botões que permitem ajudar a perceber qual a função de determinada

tag. Ao entender qual a função específica da tag, facilmente se sabe onde pode ser

colocada, de acordo com a palavra ou expressão a que se refere.

Segundo as diretrizes da JABA para o controlo da qualidade do produto final, o “Spell Check” é idealmente realizado no Word, por este ter um corretor ortográfico mais fiável e completo. Ao passo que no Trados 2007 e no Studio 2011 a correção ortográfica pode ser executada diretamente na interface, o MemoQ obedece a um procedimento diferente. No MemoQ, para proceder ao “Spell Check” do texto, este tem de ser exportado para um formato de ficheiro que aplique o corretor ortográfico do Word. Logo, ao mesmo tempo que é detetado um erro no Word, a devida alteração tem de ser feita no MemoQ, o que se reflete num processo moroso e pouco prático pela constante alteração de janelas.

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Outro aspeto que distingue o MemoQ dos outros programas é o comando de procura e substituição de elementos no segmento (Ctrl+h). Quando acionado, o utilizador pode visualizar, em contexto, todas as ocorrências de uma palavra ou partes do segmento numa janela separada e pode substituí-las, corrigi-las ou eliminá-las em qualquer documento onde foram detetadas, não tendo, para isso, de sair do projeto em que está a trabalhar. Com efeito, este mecanismo é de extrema utilidade, dado que assegura a consistência da terminologia por todo o texto traduzido. Já o Trados 2007 e o Studio 2011 possuem apenas uma versão básica desta função, já que opera apenas num documento sem poder ter acesso ao contexto, não podendo, então, visualizar onde são feitas as alterações.

Quanto às teclas de atalho, este constitui o maior inconveniente aquando da mudança de

software de tradução. Normalmente, todos estes programas dispõem, entre eles, de

diferentes teclas de atalho para as mesmas funções. Consequentemente, a alternância entre softwares possibilita um esquecimento das teclas de atalho, sendo portanto essencial rever sempre as mesmas antes de utilizar determinado programa.

(28)

3.5.1.

Problemas de foro técnico

Embora ofereçam inúmeras vantagens, as máquinas também não são perfeitas e, muitas vezes, podem constituir obstáculos na prossecução de projetos de tradução. Ainda que pouco frequentes, problemas técnicos implicavam perdas de tempo, este valioso quando de prazos apertados se tratava. Com o objetivo de colmatar estes contratempos, todos na JABA se disponibilizavam a ajudar, para que nada atrapalhasse o fluxo normal de trabalho.

Grande parte destes problemas sucedeu-se no Trados 2007, por este lidar estritamente com o texto no formato original, no Word. Neste caso, há uma preocupação acrescida em manter os mesmos aspetos formais do texto original no TCH. Por mais que estes não sejam um dos aspetos principais a ter em conta num produto tradutivo, a qualidade deste também fica afetada quando as expetativas do público são incumpridas.

Fig. 3. Ilustração das funções de um relógio

Neste caso particular de tradução de um manual de instruções de um relógio, foi mandatório um processo de pós-edição de texto. Assim sendo, terminada a tradução e convertido o ficheiro para a versão “Clean”, constatou-se que os termos em português, por serem mais extensos do que os em alemão, deslocaram todas as setas e sobrepuseram-se sobre a imagem, tornando, assim, toda a ilustração das funções do relógio ilegível. Depois de reportada a situação ao gestor de projetos, este sugeriu que se fizessem todas modificações necessárias no texto traduzido para que este se assemelhasse à formatação do texto original. Para isso, foi mudada a posição das caixas de texto e adaptado o texto ao espaço manualmente, de modo que o leitor do TCH

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tivesse também acesso às mesmas informações do leitor do TP, de uma forma clara e inteligível.

Outro ponto a salientar também é o dos segmentos partidos e a dificuldade que daí resulta em executar, eficazmente, a função “Concordance”. Quando um tradutor se depara com partes da mesma frase repartidas por vários segmentos, a tradução destas têm de ser adaptada, tanto quanto possível, a cada segmento, para que esta fique guardada na memória como uma unidade de tradução equiparável. Isto nem sempre é fácil, pois não só a frase tem de ser considerada no seu todo e nunca em blocos independentes de sentido, como também as línguas de partida e de chegada obedecem a regras de sintaxe diferentes. Por conseguinte, numa fase posterior de procura por um termo ou expressão, muitas vezes não se encontra o resultado pretendido, ou este nem sequer aparece na memória de tradução, o que obriga à pesquisa manual e, portanto, mais demorada.

Finalmente, e ainda no Trados 2007, destaca-se o seguinte problema:

1- «Bewahren Sie diese zum späteren Nachlesen auf.» «Guarde-o para utilização posterior.»

2- «Bewaheren Sie diese zum späteren Nachlesen auf.» «Guarde-as para utilização posterior.»

Nesta tradução de um manual de instruções para uma fechadura, o Trados não valida estes dois segmentos na memória por serem iguais no TP. O que passa despercebido ao programa é que ambas as frases têm contextos diferentes, logo traduções diferentes. Ao passo que o primeiro segmento se refere ao manual de instruções, o segundo faz referência às instruções de montagem, daí o uso dos pronomes definidos correspondentes, “o” e “as”. Assim sendo, depois de consultado o gestor de projetos responsável, concluiu-se que estes entrariam sempre em conflito e nada se poderia fazer, senão deixar apenas um dos segmentos guardados na memória de tradução e outro validado.

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tornar mais produtivo, tanto o processo tradutivo, como o processo de revisão ao detetar falhas humanas, estas máquinas de auxílio à tradução impossibilitam a reprodução de habilidades criativas e cognitivas, bem como adaptações a determinados contextos ou culturas. Opondo a sobreposição das máquinas à capacidade de um tradutor, defende-se a sua complementação com vista a uma tradução bem conseguida e com qualidade, uma vez que, do ponto de vista de Samuelsson-Brown (2010:88): «…computers are still not able to make the intelectual choice and implement the degree of lateral thinking that human translators are able to offer».

(31)

4.

Tradução como ato comunicativo

Contrariamente à perceção generalizada na sociedade, ser tradutor é mais do que saber manusear um dicionário ou passar um texto de uma língua para outra. Não se trata apenas de um fenómeno linguístico, mas sim de um ato de comunicação intercultural em que as línguas se encontram indissociavelmente ligadas à própria cultura. Cada língua tem um sistema de signos que descreve a realidade de maneira diferente de uma outra língua, o que significa que os campos semânticos de palavras entre diferentes grupos linguísticos nem sempre correspondem entre si, tal como Jakobson refere: «there is ordinarily no full equivalence between code-units»6. Portanto, deve olhar-se para a

tradução como um processo que envolve, segundo a descrição de Jakobson: «substitut[ing] messages in one language not for separate code-units but for entire messages in some other language»7.

Como tal, perspetivando a tradução como uma interação comunicativa entre participantes e contextos culturais distintos, cada ato comunicativo detém uma finalidade específica destinada a um leitor final, tal como explica Christiane Nord (2006:133): «When playing the role of senders in comunication, people have communicative purposes that they try to put into practice by means of texts. Communicative purposes are aimed at other people who are playing the role of receivers». Traduzir implica, por isso, alcançar na língua de chegada o objetivo desejado do ato comunicativo, indo ao encontro das expetativas do público-alvo e ultrapassando as fronteiras culturais.

Visando a função comunicativa da tradução, Christiane Nord (2006), influenciada pelos modelos das funções de linguagem de Karl Bühler e de Roman Jakobson, propõe a distinção de vários propósitos comunicativos, viáveis de serem aplicados em qualquer texto. Atendendo aos trabalhos efetuados no âmbito do estágio e tendo como base a abordagem desta teórica, são identificadas três principais funções nos textos traduzidos -referencial, apelativa e expressiva:

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Função referencial: O texto transmite informações sobre a realidade de forma objetiva e clara, dependendo esta função do nível de familiaridade do público-alvo com o assunto em causa.

Função apelativa: A mensagem do texto está centrada no destinatário. O objetivo passa por conseguir que a mensagem surta o mesmo efeito no recetor que surtia na língua de partida (persuadir alguém a comprar algo ou a agir de certa maneira).

Função expressiva: Aqui a atitude do emissor do texto perante determinados fenómenos do mundo é posta em evidência. Esta função concentra-se no emissor da mensagem e visa expressar sentimentos ou opiniões.

A função comunicativa de um texto pode, então, auxiliar o tradutor, na medida em que este pode melhor orientar as suas estratégias tradutórias para que a tradução cumpra a função pretendida. No entanto, apesar de útil, esta categorização de funções textuais não serve como modelo avaliativo objetivo de um texto quando vista a tradução como um ato comunicativo complexo. Um texto pode, na verdade, apresentar mais que uma função: um texto de natureza política pode incluir termos técnicos de outra área (direito ou economia, por exemplo) e exercer, ao mesmo tempo, uma função apelativa. Não obstante, reconhecido o hibridismo presente em cada texto, o tradutor consegue encontrar, ainda assim, uma hierarquia de funções e assim determinar a função predominante. Tendo esta última definida, o dever do tradutor consiste, agora, em verificar se esta função é para ser respeitada e mantida no TCH. Para isso, quem solicita a tradução deve viabilizar todas as informações naquilo que Nord (2006:142) chama de “translation brief”: «The translation purpose is defined by the translation brief, which (implicitly or explicitly describes the situation for which the target text is needed). […] The most important factor of this target situation defined by the translation brief is the function or hierarchy of functions expected to be achieved by the target text».

Contudo, o processo de tradução não abrange apenas a identificação da função textual e as especificações associadas ao encargo de tradução, mas também se estende à análise da construção do texto e aos elementos que o compõem. Deste modo, o modelo de análise textual de Nord (Munday:2001) distingue dois tipos de fatores textuais: os extratextuais (emissor e recetor da mensagem, tempo e local da comunicação, suporte, função textual e motivo) e os intralinguísticos (estilo, tema e conteúdo do texto, léxico,

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estrutura frásica). Estes elementos de análise são cruciais para o tradutor, pois permitem, no seu conjunto, entender o TP e saber quais as características que se devem manter no TCH, com o intuito de auxiliar o tradutor a melhor adaptar o texto à cultura de chegada. Efetivamente, informações básicas respeitantes ao documento a traduzir, como as línguas de trabalho, a sua finalidade e o público-alvo a quem se dirige, representam fatores norteadores para a produção de um texto coerente, não só com a situação comunicativa mas também com a cultura de chegada. Embora nem sempre explícitos na encomenda de tradução, a função e o público-alvo do TCH conseguem ser facilmente inferidos pelo tradutor, uma vez que este, dada a sua experiência, entende que determinado tipo de texto tem uma função e um público associados, conseguindo, por fim, determinar as estratégias de tradução adequadas.

Sem esquecer a cultura de chegada, há que dar especial atenção a esta condicionante. Não raras vezes a cultura de chegada não oferece condições para a tradução alcançar a função pretendida, já que nem sempre as duas culturas, a de partida e a de chegada, partilham os mesmos conceitos, conhecimentos e sistema de valores. Para colmatar esta lacuna, Nord (2006:131), no âmbito da sua teoria funcionalista, sugere duas opções: «either to transform the text in such a way that it can work under target-culture conditions (= instrumental translation), or to replace the source-text functions by their respective meta-functions (= documentary translation)».

Nord (2006:142) não manifesta preferência por um modelo em detrimento de outro, dependendo a sua aplicabilidade das especificações e informações recebidas por parte de quem solicita a tradução e das conclusões tiradas após a análise textual. Depois de analisar e interpretar devidamente o encargo tradutório e o texto em si, o tradutor opta por uma destas duas estratégias: ou se mantêm as características, como a forma e o conteúdo, do TP no TCH (tradução documental) ou se cria um novo instrumento comunicativo, adaptando o TP ao público e ao contexto a que se destina (tradução instrumental).

Concluindo, o tradutor tem de, acima de tudo, formular uma atitude crítica relativamente ao texto, encarando a tradução como sendo um processo de solução de

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que se irão aplicar em conformidade com os termos estipulados na encomenda de tradução e com as necessidades do público-alvo, público esse determinante na finalidade da tradução, uma vez que um ato comunicativo só se consuma aquando da sua receção.

(35)

5.

Análise das traduções realizadas

Durante o decorrer do estágio, a receção de trabalhos teve carácter marcadamente técnico, incluindo projetos a serem levados a cabo individualmente ou em equipa. Ao todo foram realizados 33 projetos de tradução, entre os quais 12 foram projetos de formação e 21 projetos reais. A grande maioria tratou-se de textos em alemão, tendo realizado algumas traduções a partir do inglês meramente durante as primeiras semanas de formação, que, como já referido anteriormente, visavam a adaptação às CAT Tools da empresa.

Todas as traduções se revelaram um desafio pela variedade de temas de que provinham as encomendas de tradução, como manuais de instruções de gruas hidráulicas, instruções de utilização de máquinas de indução ou de artigos para animais, para dar alguns exemplos. Todavia, creio que o maior desafio tenha sido, de facto, o trabalho em equipa. Apesar de a maioria dos projetos ter sido efetuada em total autonomia, houve alturas em que, em conjunto com outro estagiário, foram traduzidos projetos de maior dimensão. Neste tipo de trabalhos, a soma total de segmentos era divido equitativamente, para que ambos traduzissem o mesmo número de segmentos. Não obstante serem, segundo Samuelsson-Brown (2010:124): «very rewarding since those involved can learn from other members of the team», os trabalhos em parceria podem também dar azo a conflitos no que concerne estilos individuais de escrita e escolhas de terminologia, ao que Samuelsson-Brown (2010:123) lembra que: «it is advisable for members of the group work to produce a glossary as the project progresses». Com efeito, contemplada a extensão dos projetos, deu-se sempre uma atenção acrescida à consistência do texto, pelo que foram sempre feitas, à parte, anotações relativas à terminologia com que cada um se ia deparando, para que se mantivesse a tradução do mesmo termo por todo o documento.

Quanto ao processo de revisão final, embora se considere a questão do tempo e da extensão dos textos como condicionantes, devia ter havido mais acompanhamento por parte das tradutoras experientes, com vista a uma orientação para melhores soluções tradutórias. De facto, muitos projetos não contaram com uma revisão final, sendo que muitos dos exemplos de problemas de tradução abordados nesta secção apresentam

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5.1.

Formacao_7_12-02-2014_GER-PT

Tipo de texto: Texto técnico -» instruções de utilização de um modelador de cabelo a ar quente

Língua de trabalho: Alemão> Português PT Nº de palavras: 158

Software utilizado: Trados 2007

Função predominante do texto: Referencial

Caso nº1

Este projeto de tradução continha na sua pasta dois ficheiros, um com vários textos técnicos e outro com textos de carácter mais geral, que serviram para avaliar os conhecimentos da língua alemã.

Nesta primeira análise, o texto em causa denota uma função referencial, por transmitir informações quanto à utilização de um modelador de cabelo. De fácil compreensão pela escrita direta e concisa, o único problema que se pôs foi a nível terminológico, assinalado na tabela seguinte:

TP TCH

BENUTZUNG DES WARMLUFT-CURLER-SETS

Die Drehkupplung (N) des Netzkabels verhindert einen „Kabelsalat“ während des Frisierens.

UTILIZAÇÃO DO CONJUNTO MODELADOR A AR QUENTE

O cabo giratório (N) impede a desordem de fios ao pentear.

Dada a familiarização com este tipo de produtos, foi útil o conhecimento prévio e o manuseio com modeladores de cabelo para depreender o significado de “Drehkupplung”, no presente contexto. Além disso, ao reconhecer os padrões de

(37)

construção de terminologia de língua alemã, foi fácil decifrar os sentidos incluídos neste termo composto. Este divide-se, então, em duas partes com significado próprio: “Dreh” do verbo “drehen” significa girar, rodar, e “Kupplung” refere-se a um mecanismo de junção ou engate.

Para confirmar a sua tradução e visto se tratar de um termo técnico, foi efetuada uma pesquisa no portal IATE (Interactive Terminology for Europe), uma ferramenta de referência no que à terminologia diz respeito. Os resultados, “junta rotativa”/“anel deslizante”/“articulação rotativa”, apesar de voltados para a indústria mecânica, serviram para dar uma noção do que se poderia tratar esta estrutura, isto é, algo que roda para tornar o seu uso mais fácil e manejável. Com a intenção de confirmar o conceito até agora inferido, procedeu-se a outra pesquisa num dicionário bilingue alemão/inglês

online (LEO) e numa base de dados de textos bilingues (Linguee) na combinação

alemão/português. Assim sendo, no dicionário LEO, a entrada “Drehkupplung” tem a sua significação como “rotating joint”/“swivel coupler”/“swivel coupling” em inglês, enquanto no Linguee a sua tradução oferece as seguintes alternativas: “abraçadeira giratória”/ “junta rotativa”.

Tendo sempre em mente que cada palavra ou expressão deve ser considerada no contexto em que se insere, pareceu lógico consultar sítios de Portugal onde este tipo de produto se vende. Para isso, foram inseridos no campo de pesquisa do Google os elementos “modelador de cabelo” e sítios de marcas conhecidas do público como a Braun e a Philips, bem como lojas onde estes aparelhos são comercializados, como a Fnac e a Worten, apareceram como primeiras opções. Clicando nestas páginas, estas automaticamente redirecionavam para uma apresentação do produto, contendo as suas características, bem como imagens ilustrativas do mesmo. A expressão “cabo giratório” foi comum e recorrente em todos estes sítios, aludindo a este mecanismo de maneira bastante óbvia, tal como se pode ver pela figura abaixo. Por julgar estes sítios fidedignos e por usarem de forma unânime esta expressão, optou-se por esta na tradução final.

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Fig. 4. Imagem retirada do sítio da Philips

Caso nº2

Tipo de texto: Texto geral -» reportagem sobre um relojoeiro Língua de trabalho: Alemão> Português PT

Nº de palavras: 86

Software utilizado: Trados 2007

Função predominante do texto: Referencial e expressiva

TP TCH

Die erste Zielgruppe, die Lang anpeilte, waren Sammler: „Die wollen keine Massenprodukte.“ Lang muss es wissen, schließlich umfasst seine persönliche Sammlung rund 600 Armband und Taschenuhren, darunter allein 500 Chronographen. Und welche ist der Favorit des traditionsbewussten Uhrmachers?

O primeiro grupo alvo que Lang ambicionou foram coleccionadores: "Eles não querem produtos de massa." Lang já deveria saber, dada a sua extensa colecção pessoal de 600 braceletes e relógios de bolso, incluindo 500 cronógrafos. E qual é o favorito deste relojoeiro com um sentimento tão forte pela tradição?8

O obstáculo encontrado neste texto resume-se à descodificação do sentido da frase evidenciada, com principal destaque do verbo “anpeilen” (conjugado no Präteritum no TP). Sendo que a interpretação do texto é afetada com a frase inicial, foi necessária a leitura do mesmo várias vezes para que se conseguisse compreender de que se tratava da

8 Como apontado anteriormente, muitos dos exemplos de tradução são redigidos com o antigo Acordo Ortográfico, uma vez não haver qualquer indicação em contrário.

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descrição da dedicação de um relojoeiro à sua arte, bem como a narração de dados relativos ao seu ofício (daí a presença das funções expressiva e referencial).

Com o intuito de encontrar a versão do artigo na sua íntegra e, com isso, ter mais informação que pudesse ajudar a esclarecer a obscuridade desta frase, foram inseridos, no Google, segmentos do texto. Apesar de infrutífera, a pesquisa remeteu ao ProZ, um dos maiores diretórios de tradução online, onde se pode ter acesso a dicionários, glossários e fóruns de partilha de dúvidas terminológicas com outros tradutores. De facto, a mesma questão foi exposta neste sítio, com incidência na significação do verbo “anpeilen”, cuja tradução obteve as seguintes respostas por parte dos utilizadores: “tener como objetivo”, “marcar”, “dirigirse/ apuntar a”, “disponer/colocar”. Ainda que em espanhol, pôde-se entender as opções propostas, sendo que a escolha final dos utilizadores recaiu sobre a expressão “tener como objetivo”, com a justificação de esta ser mais adequada ao contexto do texto.

Para uma maior elucidação do que o verbo poderia expressar, recorreu-se a dicionários bilingues, como o dicionário online da Infopédia e o já referido LEO. Ao passo que em português o resultado é direcionado para a área da aeronáutica no sentido de “navegar sob orientação”, em inglês e espanhol estas foram as traduções encontradas: “to locate” e “localizar algo”. Perante esta disparidade de significados, o recurso a um dicionário monolingue foi oportuno, neste caso o dicionário de língua alemã Duden. Este sugere as seguintes entradas:

a. (Schifffahrt, Flugwesen) mittels Peilung ansteuern

b. (Rundfunk) durch Peilung den Standort o. Ä. von etwas bestimmen9

Como se pode ver, este verbo aponta para áreas como a náutica e a radiodifusão. Na primeira ocorrência, este transmite a ideia de seguir um rumo por meio de uma orientação, enquanto o segundo sugere a localização de algo.

No entanto, este propõe também como sinónimos os verbos “ansteuern” e “zielen”, bem como o seguinte exemplo:

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 <in übertragener Bedeutung>: diesen Meistertitel hatte sie stets angepeilt

Face a este cenário, concluiu-se que este verbo adquire outro significado: o de objetivar, ambicionar, aspirar a algo. Desta feita, foi óbvia a escolha de “ambicionar” no TCH, visto ser o verbo que melhor transmite a mensagem do TP: o desejo de Lang, o relojoeiro, de fazer chegar a sua arte aos colecionadores.

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5.2.

Formacao_10_26-02-2014_GER-PT

Tipo de texto: Texto técnico -» manual de instruções de mini-fritadeira Língua de trabalho: Alemão> Português PT

Nº de palavras: 220

Software utilizado: Trados 2007 em interligação com o Microsoft Word Função predominante do texto: Referencial

Tendo em vista a preparação do estagiário para projetos reais, este consistiu em mais um projeto de formação. No interior da pasta referente a este trabalho, podia-se encontrar, além do texto a traduzir, uma pasta com referência à memória de tradução a utilizar, um documento em formato PDF e outro documento de texto com algumas orientações a seguir. O PDF serviu, assim, como material de referência, contendo o manual de instruções completo em português, com as partes a traduzir em alemão assinaladas a cor. Já o último especificava a preferência pela utilização do novo Acordo Ortográfico.

TP TCH

Um den Deckel (B) wieder einzusetzen, führen Sie diesen, wiederum mit einer Neigung von etwa 45° mit der Führungsstange zur Verankerung am Gerät hin und drücken ihn nach hinten bis die Führungsstange vollständig in die Verankerung eingerastet ist.

Para recolocar a tampa amovível (B), posicione-a com uma inclinação de cerca de 45º com a haste em direção ao encaixe do aparelho e empurre-a para trás até que a haste esteja firmemente engatada nesta.

O TP não ocasionou quaisquer problemas a nível de interpretação do texto, por se usar o mesmo tipo de convenções nos manuais de instruções da cultura de chegada: o uso do imperativo e de um estilo de linguagem simples e objetivo, uma vez que estes pretendem instruir de maneira compreensível um público heterogéneo.

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