, ,
Manual de terapia cognitivo-comportamental
para crianças e adolescentes
S782b Stallard,
Paul.
Bons pensamentos - bons sentimentos [recurso eletrônico] : manual de terapia cognitivo-comportamental para crianças e adolescentes /
Paul
Stallard ; tradução Carlos Alberto Silveira Netto Soares. - Dados eletrônicos. -Porto Alegre: Artmed,2009.
Editado
também
comoli
vro
impresso em 2004. ISBN 978-85-363-2036-61. Terapia cognitivo-comportamental Crianças -Adolescentes. I. Título.
CDU 615.851.1-053.2/.6 Catalogação na publicação: Renata de Souza Borges - CRB-I0/1922
Bons
Pen mentos
Bons
Sentimentos
Manual de terapia cognitivo-comportamental
para crianças e adolescentes
Paul Stallard
Psicólogo Clínico, Royal United Hospital, Bath, Reino Unido
Tradução:
Carlos Alberto Silveira Netto Soares
Consultoria, supervisão e revisão técnica desta edição:
Cristiano Nabuco de Abreu
Mestre e Doutor em Psicologia Clínica
Diretor do Núcleo de Psicoterapia Cognitiva de São Paulo Colaborador e Coordenador
da
Equipe de Psicologiado
Ambulatório de Bulimia e Transtornos Alimentares (Ambulim) do Instituto de Psiquiatria do Hospitalda.s
Clínicas da USP�rsão impressa
desta obra: 2004
Obra originalmente publicada sob o título
Think
Good
- FeelGood
: A Cognitive Behavior Workboo
k for Children and Young PeopleISBN 0-470-84290-3
© John Wiley & Sons Ltd.
Ali
Rights Reserved.Authorized translation from the english lan
guag
e edition published by John Wiley & Sons, Ltd.Capa
Mário R.Dhnelt
Preparação do original Prisdla Michel
Leitura final
Alessandra Bittencourt Flach Supervisão editorial
Cláudia Bittencourt
Projeto e editoração
Armazém Digital Editoração Eletrônica - rcmv
Reservados todos os direitos de publicação, e m língua portuguesa, à ARTMED- EDITORA S.A.
Av. Jerônimo de ameias, 670 - Santana
90040-340 Porto Alegre RS
Fone (51) 3027-7000 Fax (51) 3027-7070
É
proibida a duplicação ou reprodução deste volume, no todo ou e m parte, sob quaisquerfonnas
ou por quaisquer meios (eletrônico, mecânico, gravação,fotocópia, distribuição na Web e outros), sem pennissão expressa d a Editora.
SÃO PAULO
Av. Angélica, 1091 - Higien6polis 01227-100 São Paulo SP
Fone (11) 3665-1100 Fax
(l
I
)
3667-1333 SAC 0800 703-3444IMPRESSO NO BRASIL
PRlNTED
IN BRAZILSobre o autor
Dr.
Paul
Stallard graduou-se em Psicologia Clínica na Birmingham Universityem 1980. Trabalhou com crianças e adolescentes nas Midlands Ocidentais antes
de transferir-se para o Department of Child and Farnily Psychiatry, em Bath, em
1988. Ele é professor visitante na Bath University e recebeu uma série de subven Ções de pesquisa explorando os efeitos de traumas e doenças crônicas nas crian ças. Publicou mais de 50 artigos revisados por especialistas e atualmente chefia uma experiência de pesquisa que explora a utilização da terapia cognitivo-com
portarnental no tratamento de transtornos de estresse pós-traumático.
Sumário
1
Terapia cognitivo·comportamental: origens teóricas,
fundamentos e técnicas ... .
•••••••••••••••••••••••Os fundamentos empíricos da terapia cognitivo-comportarnental •••••••••••••••••••••••••••••••••
O modelo cognitivo
...
.
...
...
.
...
...
Défi> d> - »Clts e lStorçoes cogrutlvas ...
.
características essenciais da terapiaco gni tivo -co m portam e n tal ...
.
A meta da terapia cognitivo-comportamentalOs componentes centrais das intervenções
•••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• cognitivo-comportamentais Nota de advertência ••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••
...
2
Terapia cognitivo·comportamental com crianCjas e adolescentes
...
A terapia cognitivo-comportamental com criançasmenores de 12 anos ...
.
...
Av
alian
do as habilidades básicas requeridas paraengajar-se na terapia cognitivo-comportamental •••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••
...
A terapia cognitivo-comportamental com adolescentesProblemas comuns ao realizar terapia cognitivo-comportamental
com crianças e adolescentes ... ...
.
...
3
Bons pensamentos
bons sentimentos: um panorama dos materiais
...
Pensamentos, sentimentos e o que você
faz
•••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••Pensamentos automáticos ...
.
Erros de pensamento ....
•••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••...
Pensamento equilibrado Crenças centrais •••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••...
Controlando seus pensamentos
Como você se sente ••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••
Controlando seus sentimentos Mudando seu comportamento
...
••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••
Aprendendo a resolver problemas ...
.
11 12 14 15 16 18 19 23 27 27 29 33 36 41 42 43
44
45 45 46 47 48 49 50 o>�
a
7
o
.�
a
8
4
Pensamentos, sentimentos e o que você faz com eles
•••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• O círculo mágicoO que você pensa
••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• •••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• Crenças centrais ... o •• ••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• ••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• Crenças e pressupostos Eventos importantes Pensamentos automáticos ••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• ...
Como você se sente ...
o
que você faz ... . ••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• Bons pensamentos - bons sentimentos: Pensamentos,sentimentos e o que você faz com eles: juntando tudo ... .. Bons pensamentos bons sentimentos: O círculo mágico ••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••
53 53 55 55 56 57 57 58 58 61 62
Bons pensamentos bons sentimentos: A armadilha negativa ... 63
Bons pensamentos bons sentimentos: A charada SE/ENTÃO ... 64
Bons pensamentos bons sentimentos: O que penso, o que faço, como me sinto ... 65
5
Pensamentos automáticos
••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• Eu, o que faço e o meu futuro ... .. ••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• Por que dou ouvidos a meus pensamentos negativos? ... .. A annadilha negativa ... . •••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• O ciclo negativo Pensamentos "quentes" ... . • •••••••••••••••••••••••••• 67 67 69 70 71 71 Bons pensamentos Bons pensamentos Bons pensamentos Bons pensamentos Bons pensamentos Bons pensamentos Bons pensamentos bons sentimentos: Pensamentos e sentimentos ... 74bons sentimentos: Meus pensamentos "quentes" ... 76
bons sentimentos: Pensamentos bons sobre mim ... 77
bons sentimentos: Pensamentos bons sobre o meu futuro ... 78
bons sentimentos: Pensamentos desagradáveis sobre mim ... 79
bons sentimentos: Pensamentos preocupantes sobre o que faço ... 80
bons sentimentos: O que eles estão pensando? ... 81
6
Erros de pensamento
••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• 85 Os derrotistas ... . ••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• Explodindo tudo Prevendo o fracasso ... Sentindo os pensamentos ... . Preparando-se para fracassar ... . Culpe-me! ••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• 85 86 87 88 88 89 Bons pensamentos Bons pensamentos bons sentimentos: Identificando erros de pensamento ... 90bons sentimentos: Que erros de pensamento você comete? ... 92
7
Pensamento equilibrado
••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• 95 Então, como funciona? ... . · ... 9 6 Bons pensamentos Bons pensamentos Bons pensamentos bons sentimentos: Procurando evidências ... 99bons sentimentos: Pensamento equilibrado ... . • •••••••••••••••••••••••
bons sentimentos: Termômetro do pensamento •••••••••••••••••••••••••
101
8
CrenCjcs centrais
... 105Identificando as crenças centrais ... 106
o
.�
a
Desafiando as crenças centrais ... 108Fale com outra pessoa ... 109
Bons pensamentos - bons sentimentos: Identificando as crenças centrais ... 110
Bons pensamentos - bons sentimentos: Desafiando as crenças centrais ... 112
Bons pensamentos - bons sentimentos: Crenças comuns ... 113
9
Controlando seus pensamentos
... 117Distração ... 118 Atividades interessantes ... ... 119
Fala interna de enfrentamento ... 120
Fala interna positiva ... 120
Parada de pensamento ... 121
Baixe o volume ... 122
Teste-os ... 123
Jogue-os fora ... 124
Bons pensamentos - bons sentimentos: Teste seus pensamentos e suas crenças ... 125
Bons pensamentos - bons sentimentos: O desafiador de pensamentos ... 126
Bons pensamentos - bons sentimentos: Procurando o positivo ... 127
Bons pensamentos - bons sentimentos: Fala interna positiva ... 128
Bons pensamentos - bons sentimentos:
Fala
interna de enfrentamento ... 129Bons pensamentos - bons sentimentos: O "cofre de preocupações" ... 130
Bons pensamentos - bons sentimentos: Desligue a fita do gravador ... 131
Bons pensamentos - bons sentimentos: Exercite ter sucesso ... 132
Bons pensamentos - bons sentimentos: Parada de pensamento ... 133
10
Como você se sente
... 135Que sentimentos eu tenho? ... 136
Os sentimentos e o que você
faz
... 138Os sentimentos e o que você pensa ... 138
Juntando tudo ... 139
Bons pensamentos - bons sentimentos: Pensamentos e sentimentos ... 140
Bons pensamentos - bons sentimentos: Atividades e sentimentos ... 141
Bons pensamentos - bons sentimentos: O caça-palavras do Descobridor de Sentimentos ... 142
Bons pensamentos - bons sentimentos: Que sentimento vai aonde? ... 143
Bons pensamentos - bons sentimentos: Meus sentimentos ... 144
Bons pensamentos - bons sentimentos: O que acontece quando me sinto triste? ... 145
Bons pensamentos - bons sentimentos: O que acontece quando me sinto enraivecido? ... 146
Bons pensamentos - bons sentimentos: O que acontece quando me sinto ansioso? ... 147
Bons pensamentos - bons sentimentos: O que acontece quando me sinto feliz? ... 148
Bons pensamentos - bons sentimentos: Sentimentos e lugares ... 149
Bons pensamentos - bons sentimentos: O Termômetro de Sentimentos ... 150
o
.�
a
10
1 1
Controlando seus sentimentos
••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••Aprenda a re
laxar
... . •••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••Exercício físico ••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••
Controle da respiração ••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••
Cenas tranqu zantes ... . ··
ili·
Atividades relaxan
tes ••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••Prevenção ... . •••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• bons sentimentos: A "caixa-forte dos sentimentos" ••••••••••••••••••••••
bons sentimentos: O vulcão da raiva ... ..
bons sentimentos: Aprendendo a relaxar ... .
bons sentimentos: Meu lugar relaxante •••••••••••••••••••••••••••••••••••••••
151 152 153 153 154 154 155 158 159 160 161 Bons pensamentos Bons pensamentos Bons pensamentos Bons pensamentos
Bons pensamentos bons sentimentos: Minhas atividades relaxantes ... 162
12
Mudando ,eu
comportamento
•••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••Aumente as atividades divertidas ...
Mapeie como se sente e o que você faz ••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••
�quenos passos ... . • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • •
Enfrente seus medos ••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••
Descarte seus hábitos ... . • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • •
Bons pensamentos Bons pensamentos Bons pensamentos Bons pensamentos Bons pensamentos Bons pensamentos Bons pensamentos Bons pensamentos
13
bons sentimentos: Diário de atividades •••••••••••••••••••••••••••••••••••••• bons sentimentos: Próximo degrau escada acima ... .
bons sentimentos: Coisas que me fazem bem ... .
bons sentimentos: Coisas que me desagradam ...
bons sentimentos: Coisas que eu gostaria de fazer ... .
bons sentimentos: Enfrente seus medos •••••••••••••••••••••••••••••••••••••
bons sentimentos: �quenos passos ... .. bons sentimentos: Descarte seus hábitos ...
Aprendendo a
resolver problemas
•••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••Por que os problemas acontecem? •••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••
Aprenda a parar e pensar ... .
Identifique soluções diferentes ... . �nse em todas as conseqüências ... .
Lembre-se do que fazer ... . Exercite fazer certo ... Planeje ser bem-sucedido ... . ... Converse com alguém sobre o que deve fazer ...
Bons pensamentos bons sentimentos: Identificando soluções possíveis ... .
Bons pensamentos bons sentimentos: Quais são as conseqüências
das minhas soluções? ••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••
163 164 165 166 167 168 172 173 174 175 176 177 178 179 181 181 182 183 184 185 187 188 189 190 192 Bons pensamentos bons sentimentos: Procurando soluções ... 193 Bons pensamentos bons sentimentos: Converse com alguém sobre
o que deve fazer ... . ...
Bons pensamentos - bons sentimentos: Pare, planeje e prossiga ...
bibliográficas
••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••Referências
índice
•••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• 194 196 197 203rapia cognitivo-comportamental:
origens teóricas, fundamentos e técnicas
Terapia cognitivo-comportarnental (ICe) é um termo utilizado para descrever as
intervenções psicoterapêuticas que visam reduzir o sofrimento psicológico e o
comportamento desajustado, alterando processos cognitivos (Kap
l
an et al., 1995).
A terapia cognitivo-comportarnen
t
al é baseada no pressuposto s
u
b
j
acen
te
de que
o afeto e o comportamento são, em grande parte, um produto de cognições e,
assim, as intervenções cognitivas e comportarnentais podem causar mudanças
no pensamento, no sentimento e no comportamento (Kendall, 1991). Portanto
,
a
rce
abarca os e
l
ementos essenciais tanto das teorias cognitivas como compor
tamentais e foi definida por Kendall e Hollon (1979) como buscando:
preservar a eficácia das técnicas comportamentais, mas em um contexto menos doutrinário que leva em conta as interpretações cognitivas e as atribuições da criança sobre os eventos.
Há um interesse crescente
nau
tiliza
ção da
rcc
com crianças e adolescentes. Esse
interesse foi encorajado por uma série de
criticas
que concl
uíram
que a
rcc
é uma
intervenção promissora e efetiva para o tratamento de problemas psicológicos in
fantis (Kazdin e
Weis
z, 1998; Roth e Fonagy, 1996; Wallace et al., 1995). Foi desco
berto que a
rcc
é efetiva no tratamento de transtornos de ansiedade generalizada
(Kendall, 1994; Kendall et
aI.,
1997; Silverman et
aI., 1999a), transtornos
depressivos
(Harrington et
aI.,
1998; Lewinsohn
e
Clarke, 1999), problemas
interpessoais e fobia social (Spence e Don
ovan, 1998; Spence et al., 2000), fobias
(Silverman et al., 1999b), rejeição
àescola (King et al., 1998), abuso sexual (Cohen
e Mannarino, 1996, 1998) e no controle da dor (Sanders et al., 1994). Além disso,
argumentou-se que
ela
produz efeitos positivos em muitos outros problemas, in
cluindo a conduta adolescente (Herbert, 1998), a alimentação (S
chmi
dt, 1998),
o
estresse pós-traumático (March et al.,
1998;
Smith et al.,
1999) e os transtornos
obsessivo-compulsivos (March, 1995; March et al., 1994).
A terapio cognitivo-comportamentol enfoco o relocionomento entre os seguintes elementos:
• cognições (o que pensamos) • ofeto (como nos sentimos)
• comportamento (o que fazemos)
A teropio cognitivo-comportamentol demonstrou efeitos positivos no trotomento de uma série de problemos psicol6gicos infontis comuns.
12
A
base teórica da
t
erapia cognitivo-comportamental evoluiu por uma série
de influências de pesquisa significativas.
A
crítica dessa pesquisa está além dos
objetivos deste livro, embora se
j
a importante observar algumas das abordagens e
conceitos fundamentais que alicerçaram e formataram a terapia cognitivo-com
portamental.
Uma das primeiras influências foi a de Pavlov e do condicionamento clássi
co. Pavlov destacou como, com combinações repetidas, respostas de ocorrência
natural (p.
ex.,a salivação) podiam ser associadas (isto é, condicionadas) com
estímulos específicos Cp. ex., o som de um sino). Essa pesquisa demonstrou que
as respostas emocionais (p. ex., o medo) podiam se
tomar condicionadas a even
tos e situações específicos.
• As respostas emocionais podem se tomar condicionadas o eventos específicos.
o
condicionamento clássico foi estendido para o comportamento humano e
para problemas clínicos por Wolpe (1958), que desenvolveu o procedimento da
dessensibilização sistemática. Pela combinação de estímulos indutores de medo
com um segundo estímulo que produz uma resposta antagônica (isto é, relaxa
mento), a resposta de medo pode ser inibida. Agora, o procedimento é utilizado
amplamente na prática clínica e envolve a exposição gradual, tanto in vivo
como
imaginária, a uma hierarq
u
ia de situações temidas enquanto o sujeito permanece
relaxado.
• As respostas emocionois podem ser inibidas.
A
segunda maior influência comportamental foi a obra de Skirmer (1974),
que d
e
staco
u
o papel significativo das influências ambientais no comportamen
to. Isso se tomou conhecido como condicionamento operante e enfocava o rela
cionamento entre os antecedentes (condições desencadeadoras), as conseqüên
cias (reforço) e o comportamento.
Em
essência, se um certo comportamento
aumenta de freqüência, porque é seguido de conseqüências positivas ou não é
seguido de conseqüências negativas, então ele foi
reforçado.
• O comportamento é afetado por antecedentes e consequêncios.
• As consequências que oumentam o probabilidode de um comportamento são reforo.odoras.
• Alterar os ontecedentes e as consequêncios pode resultor em mudonças no comportamento.
Uma extensão importante da terapia comportamental, que considera o pa
pel
mediador dos processos cognit
ivos, foi
proposta por Albert Bandura (1977),
com o desenvolvimento da teoria da aprendizagem s
ocial.
A
importância do am
biente foi reconhecida ao mesmo tempo em que se destacou o efeito mediador
das cognições que intervêm no estímulo e na resposta.
A
teoria enfatizava que a
aprendizagem poderia ocorrer pela observação de outra pessoa e propunha um
modelo de autocontrole com base na auto-observação, na au
to-avaliação e no
Um enfoque mais significativo sobre as cognições emergiu do trabalho de Meichenbaum
(1975)
e do desenvolvimento de treinamento auto-instrucional. Essa abordagem destacava o conceito de que grande parte do comportamento está sob o controle de pensamentos ou do diálogo interior. Mudar as auto-instru ções pode levar ao desenvolvimento de técnicas de autocontrole mais apropria das. O modelo adota uma perspectiva de desenvolvimento e reflete o processo pelo qual as crianças aprendem a controlar seu comportamento. Foi descrito um processo de quatro etapas envolvendo observar outra pessoa realizando uma tarefa
, ser orientado verbalmente na mesma tarefa por outra pessoa, recitar aorientação em voz alta durante a tarefa e, finalmente, sussurrar as instruções/ fala silenciosa.
•
O comportamento é influenciodo por eventos e processos cognitivos.•
Mudor os processos cognitivos pode levar a mudonças no comportamento.A ligação entre emoções e cognições foi delineada por Albert
Ellis
(1962) na
terapia racional-emotiva. Esse modelo propunha que a emoção e o comporta
mento surgem da maneira como os eventos são construídos, não pelo evento per
se. Assim, os eventos ativadores (A) são avaliados em relação às crenças (B), o
que resulta em conseqüências emocionais (C).
As
crenças podem ser racionais ouirracionais, com os estados emocionais negativos tendendo a surgir das crenças irracionais e sendo mantidos por elas.
O papel das cognições desadaptativas ou distorcidas no desenvolvimento e na manutenção da depressão foi desenvolvido pelo trabalho de Aaron Beck, cul minando na publicação de Cognitive Therapy for Depression (Beck,
1976;
Beck et al.,1979).
O modelo propõe que os pensamentos desadaptativos sobre o selJ, o mundo e o futuro (tríade cognitiva) resultam em distorções cognitivas que criam afeto negativo.É
dedicada atenção particular a pressupostos ou esquemas bási cos - ou seja, as crenças razoavelmente "fixas" desenvolvidas na infância em relaçãoàs
quais os eventos são avaliados. Uma vez ativadas, essas crenças cen trais produzem uma gama de pensamentos automáticos. Os pensamentos e cren ças automáticos podem estar sujeitos a uma variedade de distorções ou erros lógicos, com mais cognições negativas sendo associadas ao humor depressivo.• O ofeto emocional é influenciodo pelas cognições.
•
As crenças/esquemas irracionais ou cognições negativos ossociam-se 00 afe to negativo.•
Alterar os processos cognitivos pode levar a mudonças no afeto.O relacionamento entre os processos cognitivos e outros estados emocio nais e problemas psicológicos foi agora documentado (Beck et al.,
1
985;
Hawton etaI.,
1989).
O interesse mais recente levou à exploração ulterior do relaciona mento entre as crenças e os esquemas no desenvolvimento e na manutenção de problemas psicológicos. Isso é apreendido pelo trabalho com esquemas de Young(
1
990),
que propôs que os esquemas cognitivos desadaptativos formados duran te a infância levam a padrões de comportamento de auto-sabotagem, os quais são repetidos ao longo da vida. Os esquemas desadaptativos são associados a certos estilos parentais e se desenvolvem caso as necessidades emocionais bási cas da criança não são satisfeitas. Têm sido relatadas evidências que apóiam a presença de15
esquemas primários (Schrnidt etaI.,
1995).
14
•
Esquemas cognitivos desadoptotivos desenvolvem-se durante o infôncio e po dem estar associados oos estilos porentois.Ainda é necessária uma validação empírica dessa previsão. Entretanto, se
comprovada, e
s
tabeleceria
umdesafio excitante para aqueles que trab
alham
com
a
infân
cia, para identificar se processos cognitivos adaptativos podem ser promo
vidos, e futuros problemas de saúde mental, minimizados.
� O
A terap
i
a cognitivo-comportamental preocupa-se em entender como os eventos e
as experiências são interpretados e como
i
dentificar e mudar as distorções ou
déficits que ocorrem no processamento cognitivo.
Baseada amplamente no trabalho de
Aaro
n Beck, a maneira pela qual os pro
cessos cognitivos d
isfun
cionais são adquiridos, ativados e afetam o comportamento
e
asemoções é reswnida no modelo de diagrama apresentado
naFigura 1.1.
Postu
l
a-se que as experiências precoces e os cuidados parentais levam ao
desenvo
l
vimen
t
o de maneiras de pensar fixas e rígidas Ci. e., crenças/esque
mas centrais). Informações e experiências novas são avaliadas em relação a
-
. . emooonOISFigura
1.1 O modelo cognitivo.Crenços cenlroi$/esquelnO$ cognitivos formod," duronle o
iM6ntio pelos experi6rw::ios
Even� imporlontes oIivom trenços
cenlroi$/esquemos cognitivos
Crenços centrois/esquemlls cognitivos
d_rw::odeiom preuupl)$l(»; cognitivos
Pl'e$supo$lOs produzem pen$!lmenl!l$ ou!omóti(!l$ Pen$!lmenl!l$ oufomóti(!l$ gerom relIposlos RespctSlos "'poo1a. (C)fTlportomentois somóticos
essas crenças/esquemas centrais (p. ex., "tenho que ter sucesso"), e a infor mação que as reforça e mantém é selecionada e filtrada. As crenças/os esque mas são desencadeados ou ativados por eventos importantes (p. ex., fazer exames), os quais levam a uma série de pressupostos (p. ex., "só conseguirei notas boas se estudar o dia inteiro"). Por sua vez, estes dão lugar a um fluxo de pensamentos automáticos relacionados à pessoa ("devo ser estúpido"), a seu desempenho ("não estou dando duro o bastante") e ao futuro ("não pas sarei nesses exames e nunca chegarei à universidade"), e são freqüentemente referidos como a tríade cognitiva. Os pensamentos automáticos podem resul
tar em mudanças emocionais (p. ex., ansiedade, estresse), comportamentais (p. ex., imobilidade, trabalho constante) e somáticas (p. ex., perda de apeti te, dificuldade para dormir).
A terapia cognitivo-comportamental supõe que a psicopatologia resultada de anormalidades no processamento cognitivo. Em particular, presume-se que as dificuldades sejam associadas com déficits ou distorções cognitivas.
Foram relatadas distorções cognitivas em crianças com uma série de dificul
dades. Descobriu-se que as crianças com transtornos cognitivos percebem erra damente eventos ambíguos como ameaçadores (Kendall et al.,
1992).
Elas ten dem a ser excessivamente autofocadas e hipercríticas, e a relatar níveis aumenta dos de diálogo interno e expectativas negativas (Kendall e Panichelli-Mindel,1995).
Da mesma forma, as crianças agressivas percebem mais intenções agressivas em situações ambíguas e atêm-se seletivamente a menos pistas ao tomarem decisões sobre a intenção do comportamento de outra pessoa (Dodge,1985).
Foi desco berto que as crianças deprimidas fazem mais atribuições negativas do que as não deprimidas e têm mais probabilidade de atribuir os eventos negativos a causas internas estáveis e os eventos positivos a causas externas instáveis (Bodiford et al.,1988;
Curry e Craighead,1990).
Elas têm percepções distorcidas do próprio desempenho e dão atenção aos aspectos negativos dos eventos seletivamente (Kendall et al.,1990;
Leitenberg et al.,1986;
Rehm
e Carter,1990).
As
intervenções que se referemàs
distorções cognitivas preocupam-se em aumentar a consciência da criança sobre cognições, crenças e esquemas disfuncionais e irracionais e em facilitar o seu entendimento dos efeitos destes sobre o comportamento e as emoções. Tipicamente, os programas envolvem al guma forma de auto monitoramento, identificação de cognições desadaptadas, verificação de pensamento e reestruturação cognitiva.Foram descobertos déficits nos processos cognitivos, como a incapacidade de engajar-se no planejamento da ação ou na resolução de problemas, em crian ças e adolescentes com problemas de autocontrole, como o transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH), e também em crianças com dificuldades interpessoais (Kendall,
1993;
Spence e Donovan,1998).
Por exemplo, observou se que crianças agressivas têm capacidades limitadas de resolução de problemas e geram menos soluções verbais para dificuldades (Lochman et al.,1991;
Perry et al.,1986).
Descobriu-se que as crianças com fobia social apresentam déficits de habilidades sociais, e as anti-sociais demonstram capacidades de percepção social
ruins (Chandler,1973;
Spence et al.,1999).
As
intervenções da terapia cognitivo-comportamental que se referem aos déficits cognitivos preocupam-se primariam
ente com o ensino de novas16
dades cognitivas e comportamentais. Com freqüência, os programas envo
l
vem
resolução de prob
l
emas sociais, aprendizado de novas estratégias cognitivas (p.
ex., treinamento auto-instrutivo e diálogo interno positivo/encora
j
ador), prática
e auto-reforço.
Entender como crianças e adolescentes interpretam cognitivamente even
tos e experiências é uma exigência fundamental da terapia cognitivo-comporta
mental e deveria informar a natureza da intervenção cogn
i
tiva oferecida. Entre
tanto, sabe-se relativamente pouco sobre os déficits ou as distorções cognitivas
que alicerçam muitos problemas infantis. Os avanços no trabalho com adultos
que sofrem de estresse pós-traumático e transtornos obsess
i
vo
-
compulsivos des
tacam a importância de entender a forma como o trauma ou a compulsão é
avaliado
(
Eh
l
ers e
Clark,2000; Salkovskis, 1999). O transtorno de estresse pós
traumático (TEPT) persistente pode estar associado a processos cognitivos
distorc
i
dos, que resultam na avaliação do trauma como uma séria ameaça cor
rente (Ehlers e
Clark,2000). Da mesma forma, as cognições que alicerçam mui
tos transtornos obsessivo-compulsivos relacionam-se a cognições e estimativas
distorc
i
das a respeito de uma responsabilidade exagerada por danos (Salkovskis,
1999). Ainda não
f
o
i
determinado se essas distorções também se aplicam às crian
ças, mas obviamente é necessário mais trabalho para me
l
horar o nosso entendi
mento dos processos cognitivos que sub
j
azem aos problemas e transtornos psico
lógicos dessa faixa etária .
•
As crianças com problemas psicológicos apresentam déficits e distorções cog nitivos.•
Há necessidade de entender mais sobre os processos cognitivos associados aos problemas psicológicos nos crianças.O termo
terapiacognitivo-comportamental
é utilizado para descrever
umagama
de intervenções diferentes, embora elas freqüentemente comp
artilh
em uma sé
rie de aspectos essenciais (Fennel, 1989).
A TCC é dete
r
minada teoricamente
A
terapia cognitivo-comportamental é baseada em modelos testáveis empirica
mente, que fornecem os fundamentos para a intervenção (i. e., o afeto e o com
portamento são determinados amplamente pelas cognições), além do enfoque e
da natureza da intervenção (i. e., desafiar as distorções ou retificar as deficiências).
A
terapia cognitivo-comportamental é uma intervenção racional e coesa - não
simplesmente uma coleção de técnicas díspares.
A TCC é baseada em um modelo colabo
r
at
ivo
Um aspecto fundamental da terapia cognitivo-comportamental é o processo de
colaboração pelo q
u
al
ocorre. O
jovem tem um papel ativo na
identificação das
suas metas, estabelecendo alvos, exp
erim
entando, praticando e monitorando seu
desempenho.
Aabordagem é projetada para facilitar um autocontrole maior e
mais efetivo, com o terapeuta fornecendo uma estrutura de apoio para que isso ocorra. Seu papel é desenvolver uma parceria na qual o jovem é capacitado a atingir um melhor entendimento dos seus problemas e a descobrir maneiras al
ternativas de pensar e comportar-se.
A TCC tem uma duração limitada
Ela é breve e de duração limitada, freqüentemente consistindo em não mais de
16
sessões e, em muitos casos, bem menos do que isso. A natureza breve da interven ção promove a independência e encoraja a auto-ajuda. Esse modelo é prontamente aplicável ao trabalho com crianças e adolescentes, para os quais o período típico de intervenção é consideravelmente mais breve do que para os adultos.A TCC é ob
j
e
t
iva e es
t
r
utu
r
ada
É
uma abordagem objetiva e estruturada que guia o jovem por meio de um pro cesso de averiguação, formulação de problemas, intervenção, monitoramento e avaliação.As
metas e os alvos da intervenção são definidos explicitamente e re vistos regularmente. Há uma ênfase na quantificação e na utilização de classifica ções Cp. ex., a freqüência de comportamentos inadequados, o vigor das crenças em pensamentos disfuncionais ou o grau de sofrimento vivenciado). O monitoramento e a revisão regular fornecem um meio de avaliar o progressopela comparação do desempenho atual em relação a avaliações iniciais.
A TCC tem um enfoque no aqu
i
e agora
As intervenções da terapia cognitivo-comportamental enfocam o presente, lidan do com problemas e dificuldades atuais.
Elas
não procuram "descobrir traumas precoces inconscientes ou as contribuições biológicas, neurológicas e genéticas para a disfunção, mas, em vez disso, empenham-se em construir uma maneira nova e mais adaptativa para processar o mundo" (Kendall e Panichelli-Mindel,1995). Essa abordagem tem um alto valor manifesto para as crianças e os ado
les centes, os quais podem estar mais interessados e motivados em tratar de ques tões do aqui e agora, em tempo real, em vez de entender suas origens.A TCC é baseada em um pr()[�o o
r
ie
n
tado de autodescoberta e exper
i
me
n
tação
Ela é um processo ativo que encoraja o autoquestionamento e o desafio de pres supostos e crenças. O cliente não é simplesmente um receptor passivo dos conse lhos ou das observações do terapeuta, mas é encorajado a desafiar e aprender por meio de um processo de experimentação. A validade de pensamentos, pres supostos e crenças é testada, explicações alternativas são descobertas, e manei ras novas de estimar os eventos e de comportar-se são experimentadas e avaliadas.
A TCC é uma abordagem baseada nas
h
ab
il
idades
A TCC fornece uma abordagem prática, baseada nas habilidades, para aprender padrões alternativos de pensamento e comportamento. Os jovens são
1I
dos a praticar na sua vida cotidiana as habilidades e idéias discutidas durante as sessões terapêuticas, sendo as tarefas de casa um elemento essencial de muitos
programas.
•
A rce é determinada teoricamente.•
É
baseado em um modelo de coloborao;;õo otiva.•
É
breve e de durco;;õo limitado.•
É
objetivo e estruturado.•
Enfoco problemas atuais.•
Encorajo o outodescoberto e o experimentação.•
Defende uma abordagem de aprendizagem baseado nos habilidades.o
propósito geral da terapia cognitivo-comportarnental é aumentar a autocons ciência, facilitar o auto-entendimento e melhorar o autocontrole pelo desenvolvimento de habilidades cognitivas e comportamentais mais apropriadas.
A rce
ajuda a identificar pensamentos e crenças disfuncionais predominantemente ne gativos, enviesados e autocríticos. Os processos de automonitoramento, educa ção, experimentação e testagem (ou verificação) resultam na substituição desses pensamentos e crenças por cognições mais positivas, equilibradas e funcionais,que reconhecem as capacidades e os sucessos. Os déficits cognitivos e comporta mentais são identificados, e novas habilidades cognitivas de resolução de proble mas e maneiras de comportar-se são aprendidas, testadas, avaliadas e fortalecidas.
É
desenvolvido um entendimento maior da natureza e das razões subjacentes aossentimentos desagradáveis, à medida que eles são substituídos por emoções mais agradáveis. F
inalm
ente, novas habilidades cognitivas e comportamentais permi tem que situações novas e difíceis sejam enfrentadas com sucesso, de maneira mais adequada.O processo ajuda a levar o jovem de um ciclo disfuncional para um mais funcional, conforme ilustrado na Figura
1.2.
Ciclo disfuncional
Pensamentos Exogerodomente negativos Autocríticos Seletivos e enviesados Comportamento Sentimentos Evitativo IncomodadoPouco determinado Ansioso
Inapropriado Deprimido
Enroivecido
Figura
1.2 Cidos funcionais e disfuncionois.Ciclo funcional
Pensamentos Mais positivos
Reconhocem o sucesso
Equilibrados, roconhecem capacidades
Comportamento Sentimentos
Confrontador Contente
Persistente Relaxado
Adequado Feliz
Devido à variedade de influências que contribuíram para o desenvolvimento da terapia cognitivo-comportamental, não é surpreendente que ela tenha se toma
do um termo genérico, usado para descrever uma gama de técnicas e estratégias, utilizadas em seqüências e permutações diferentes. Os componentes específicos da intervenção devem ser determinados pela formulação do problema, a qual irá informar o enfoque e a natureza do programa.
As
intervenções devem serespecí-""'i1iCil'CI; 'o e
p.kc ,di< f044ÓO
E",-,-.d,ndo (1 I� enhe pensomentos, MnlimenlO$ e eomportomenlo
L-
__-,
__COGN__iÇÕES__
\
______�
Monitoramenlo do pensamento
Identifiwç60 de:
pensamentos automáticos negativos,
crttrl\:os/esquem:os centrais
e pressupostos disfuncionais
ldentifjw�
de dis'cw#es e déflCits cognitivosCogni�6es, pressupostos e creno;as
disfuncionois com<JllS
Padrões de distorções cogn�ivos
Déficits cogn�ivos
Awlioçõo do pensamento
Testando e avaliando cogni!:6es
Reeslrutui'O\:/ia cognitivo
Desenvolvimento da pensamento equilibrado Desenvolvimento de hobilidodes eognitivus llO\IUS
Distra�, di/irios positivos, di/ilogo interno pos�ivo e de enfrentomento Treinamenta auta-instrucionol, pensamento conseqüencial.
habilidades de resol�o de problem:os
COMPORTAMENTO
Monitoramento do atiwidode
Ligue atividade, pensamentos e sentimentos Identifique refo .... os montenedores
PIonejamento de metos
ldentifiq...e e acorde melas
fstobe/ecimento de alvos
Exerc�e as torefos
Aumente os atividades ogradáveis Reogendomento de atividades
Experimentos comportromenfais
Teste previsões/pressupostos
Exposição grodvo//prevenção do resposta Aprendo hobilidodes/compor1amenfos novos
"""
"'"
Mod._
Ensaio
FI.wa l.3A
caixa de ferramentas do clinico.EMOÇÕES Educação afetivo
Distingo entre as e�B$ essenciais Identifique os sintom:os �s.iol6gicos
Monitoramenlo afetill'O
Ligue o sentimento com os pensamentos e o comportamento Escolas pora clossificor a intensidade
Controle do afei'o
Habilidades rICMIS
(por
ex..relaxamento, contrale da raiva)
20
ficas para problemas particulares e necessidades individuais da criança, em vez de serem feitas com uma abordagem padronizada, como um "livro de
culinária".
Embora essa flexibilidade seja louvável, também leva à confusão a respeito de quais intervenções são TCC e quais não são.As
abordagens defendidas como situadas nesse conceito genérico variam consideravelmente na sua ênfase sobre as intervenções cognitivas ou comporta mentais e,às
vezes, pode ser difícil identificar o componente cognitivo. Por exem plo, as intervenções com crianças e adolescentes com transtorno obsessivo-com pulsivo tendem a ter uma orientação primariam
ente comportamental, enfatizandoa psicoeducação, o controle da ansiedade, a exposição gradual e a prevenção da resposta (March,
1995).
O componente cognitivo tende a ser extremamente li mitado e pode se basear extensamente em um conjunto de estratégias cognitivas(p. ex., o diálogo interno positivo ou o treinamento de auto-instrução).
Ainda que a ênfase relativa sobre os elementos cognitivos e comportamen tais e os componentes específicos do tratamento variem com freqüência, incluem muitos dos seguintes elementos:
For
mu
l
ação e psicoeducação
Um componente básico de todos os programas cognitivo-comportamentais en volve a educação sobre a ligação entre pensamentos, sentimentos e comportamen to. O processo implica desenvolver um entendimento
claro
e compartilh
ado do relacionamento entre como as pessoas pensam, como sentem e o que fazem.Mon
i
tora
m
e
n
to do pensamento
Uma tarefa fundamental é a identificação de cognições e padrões de pensamento comuns. O monitoramento do pensamento pode enfocar crenças centrais, pensa mentos negativos automáticos ou pressupostos disftmcionais e envolve lembrar de situações ''tensas'' (i. e., aquelas que produzem uma mudança emocional forte ou
pensamentos excessivamente negativos ou autocríticos). A
tríad
e cognitiva fornece uma maneira útil de estruturar e organizar
a informação e avaliar os pensamentosdos jovens sobre si mesmos, o seu mundo e o que fazem.
Ident
i
ficação de d
i
sto
r
ções e déficits cognitivos
O processo de monitoramento do pensamento oferece uma oportunidade de iden
tificar cognições negativas ou disfuncionais e crenças e pressupostos irracionais co muns. Isso resulta no aumento da consciência da natureza e do tipo das distor ções cognitivas (p. ex., catastrofização, abstração seletiva), dos déficits cognitivos
(p. ex., má interpretação das pistas dos outros como negativas, gama limitada de habilidades de resolução de problemas) e do efeito destes sobre o humor e o
comportamento.
Ava
l
iação do pensamento e desenvolvimento de processos cogn
i
t
i
vos al
t
ernativos
A identificação de processos cognitivos d
isfun
cionais leva à verificação eà
avalia ção sistemática desses pressupostos e crenças e à aprendizagem de habilidadespen-samento equilibrado
oureestruturação cognitiva.
Isso pode envolver um processo de procurar uma informação nova, pensar a partir da perspectiva de outra pessoa ou buscar evidências contraditórias, o que resulta na revisão das cognições dis funcionais.A avaliação é a oportunidade de desenvolver cognições alternativas,
mais
equilibradas efuncionais,
as quais reconhecem dificuldades, mas também as ca pacidades e os sucessos.Apre
n
de
r h
ab
i
l
i
dades cognitivas novas
Com freqüência, os programas envolvem o ensino de habilidades cognitivas no vas. A gama de habilidades é enorme e poderia incluir
distração, diálogo interno
positivo, treinamento auto-instrutivo, pensamento conseqüencial
ehabilidades de
resolução de problemas.
Educaçõo afetiva
A maioria dos programas envolve educação emocional projetada para
identificar
e distinguir emoções essenciais,
como a raiva, a ansiedade e a infelicidade. Com freqüência, eles enfocam asmudanças fisiológicas associadas a essas emoções (p.
ex., secura da boca, suor nas mãos, aceleração dos batimentos cardíacos), para facilitar uma consciência maior das próprias expressões pessoais de emoção da criança.Monitoramento afetivo
o
monitoramento de emoções fortes ou dominantes pode ajudar a identificarmomentos, lugares, atividades
oupensamentos
que são associados tanto a senti mentos agradáveis como a desagradáveis. São utilizadasescalas
para classificar a intensidade da emoção durante as situações da vida real e das sessões de trata mento e fornecer uma maneira objetiva de monitorar o desempenho e avaliar a mudança.Cont
r
o
l
e afet
i
vo
Os programas que tratam de problemas nos quais há níveis altos de excitação, como a ansiedade, as fobias e o estresse pós-traumático, geralmente fornecem
treinamento de relaxamento.
Isso pode envolver técnicas como orelaxamento
muscular progressivo, o controle
darespiração
ou aimaginação calmante.
A maior consciência do padrão emocional único do indivíduo pode levar ao desenvolvimento de
estratégi
as preventivas.
Por exemplo, uma consciência do acúmulo de raiva pode permitir que um jovem pare a progressão emocional no estágio inicial e, assim, previna explosões agressivas.Estabelecimento de alvos e reagendamento de ativ
i
dades
O estabelecimento de alvos é uma parte inerente a todos os programas cognitivo comportamentais.
As
metas gerais
da terapia são acordadas e definidas conjuntamente, de forma que possam ser avaliadas com objetivídade. A transferência de
22
habilidades das sessões terapêuticas para a vida cotidiana é encorajada pela uti lização sistemática de tarefas designadas. A conquista de alvos especificados é re vista e fornece uma visão geral do progresso.
Os alvos podem envolver aumentar as atividades que produzem emoções mais agradáveis ou reagendar a vida cotidiana para prevenir ou minimizar aque
las
atividades que estão associadas com emoções desagradáveis fortes.Expe
r
imentos romportamentais
A terapia cognitivo-comportamental é baseada em um processo de descoberta
orientada durante o qual os pressupostos e pensamentos são desafiados e testa dos. Isso implica o estabel
ecim
ento de experimentos comportamentais para deter minar se o que acontece é semelhante ao que foi previsto.Exposição
Um processo de exposição gradual, projetado para facilitar o domínio de imagens ou situações difíceis, está incluído na maioria dos programas. São defmidas as situações problemáticas, a tarefa geral é analisada em passos menores e, então, cada um deles é classificado em uma hierarquia de dificuldade crescente. Come
çando com o menos difícil, o cliente é exposto a cada passo da hierarquia, in vivo ou na imaginação. Uma vez que uma etapa tenha sido completada com sucesso,
passa-se para a próxima, progredindo pela hierarquia até que o problema tenha sido dominado.
/lo/e p/Of,
modelaçiío e ensa
i
o
A aprendizagem de habilidades e comportamentos novos pode ser atingida de di versas maneiras. O role play fornece uma opo
rtuni
dade de lidar com situaçõesdifíceis ou de
safia
doras, como suportar a provocação. Ele permite que habilidades positivas sejam identificadas e soluções alternativas ou habilidades novas sejam destacadas. Um processo defortalecimento de habilidades pode facilitar a aquisição de habilidades e comportamentos novos. Então, observar os outros modelando comportamentos adequados ou habilidades pode resultar no ensaio de um novo com portamento na imaginação, antes de ele ser praticado na vida real.
Reforço e recompensa
Um referencial de todos os programas cognitivo-comportamentais é o reforço positivo do comportamento adequado. Isso pode tomar a forma de auto-reforço por exemplo, cognitivamente ("muito bem, suportei bem aquela situação"), ma te
rialm
ente (comprar um CD especial) ou por atividades específicas (um banho relaxante especial) . O reforço positivo dos outros, particularm
ente dos responsá veis, é importante para as crianças mais novas e pode ser encorajado pela utiliza ção de cartões de estrelinhas, contratos de contingência ou sistemas de créditos simbólicos.•
o
equilíbrio entre os interven.:;ões cognitivas e comportamentois varia consi deravelmente nos programas de rec.•
Os componentes essendais de muitos programas de Tee incluem os seguintes:monitoramento dos pensomentos, sentimentos e/ou comportamentos; psicoeducação e formulação de problemas;
identificação, desafio e verificação de cognições; desenvolvimento de habilidades cognitivas novas;
aprendizado de maneiros altemativos de controlar a ansiedade ou as emoções
desogrod6veis;
aprendizado de comportamentos novos;
estobelecimento de alvos e designação de exercidos para coso; reforço positivo.
Embora o interesse crescente na utilização
da
terapia cognitivo-comportamental comcrian
ças e adolescentes seja bem-vindo, é importante reconh
ecer que as evidências e a base teórica para essa clientela sãomais
limitadas do quepara
os adultos.Ev
i
dê
n
cia para a efet
i
vidade
Até hoje foram relatadas poucas tentativas de tratamentos bem-projetados com crianças. Realizou-se uma série de estudos iniciais demonstrando a efetividade da terapia cognitivo-comportamental com voluntários, que podem não ser tão gravemente prejudicados quanto a clientela clínica (Weisz et al., 1995) . Compa rativamente, realizou-se pouca avaliação de populações clínicas que possam tam bém apresentar múltiplas condições co-mórbidas. Raramente foi feita a replicação em lugares diferentes e por outras equipes clínicas e de pesquisa para demons trar a aplicabilidade das intervenções definidas de
rce.
Foram realizadas relati vamente poucas tentativas controladas aleatórias (Harrin
gton et al., 1998; Ka.zdin e Weisz, 1998), e faltam evidências demonstrando a efetividade darcc
a médio e longo prazos (Graham, 1998). Em conclusão, os resultados de tentativas de tratamento controlados aleatoriamente sugerem que arcc
é mais efetiva do que não fazer nenhuma intervenção Ci. e., grupos de controle e listas de espera), embora sua superioridade em relação a outras intervenções psicoterapêuticas ainda tenha que ser demonstrada consistentemente.Modelos teóricos ap
rop
riado
sem termos de desenvolvimento
A base teórica da
rcc
e os modelos de intervenção foram desenvolvidos ampla mente no trabalho com adultos. Ainda que esses modelos e técnicas tenham sido aplicados a crianças e adolescentes, são necessárias mais pesquisas para confir mar se são adequados para esse grupo etário. Por exemplo, em que idade as crianças desenvolvem cognições distorcidas?As
crianças que sofrem traumas fa zem as mesmas estimativas que os adultos?24
A terapia cognitivo-comportamental também se alicerça na premissa de que as intervenções são baseadas em modelos teóricos subjacentes testáveis, que vin culam comportamentos e emoções problemáticos aos processos cognitivos. A filtragem de modelos derivados de adultos para crianças tem resultado em mo.
delos cognitivos teoricamente apropriados em termos de desenvolvimento para explicar problemas emocionais e comportamentais em crianças e adolescentes, que são comparativamente ainda menos desenvolvidos.
Ava
l
i
a
r
a5
mudanças nos
prDCe5SDS
cogn
i
t
i
vos
o
sucesso darec
na realização de mudanças no comportamento e nas emoções depende da alteração dos processos cognitivos (Spence, 1994). Embora possa haver ocasiões em que as intervenções cognitivas têm sucesso sem a suposiçãode que a psicopatologia é um resultado direto de habilidades cognitivas deficien tes, é importante focalizar mais os resultados cognitivos. Até hoje, os estudos da
rce
tiveram ênfase amplamente na avaliação de resultados comportamentais, sendo raramente avaliadas diretamente as mudanças postuladas nos processos cognitivos. Isso levou Durlak e colaboradores (1991) a concluírem que:seria desconcertante descobrir que as variáveis cognitivas enfatizadas nos progra
mas da TCC não estão relacionadas aos resultados de alguma maneira.
o
desafio para os pesquisadores é desenvolver maneiras apropriadas de avaliar as cognições das crianças. Isso aumentará o entendimento dos déficitse/
ou distorções subjacentes aos problemas psicológicos infantis e permitirá a veri ficação da premissa de que arce
resulta em mudanças nos processos cognitivos.Defin
i
çÕD da TCC com crianças
A quarta questão é a da definição e da necessidade de esclarecer o que acarreta a terapia cognitivo.comportamental com crianças. Como destacado por Graham (1998), a
rec
inclui uma gama diversa e ampla de técnicas e, às vezes, é difícil identificar os elementos essenciais e compartilhados desses programas. Por ve zes, o componente "cognitivo" é mínimo ou está limitado a uma técnica específi ca, como o diálogo interno de enfrentamento, sendo comportamental a ênfase predominante da maioria dos programas. Agrupar esses programas diversos sob a denominação geral de terapia cognitivo-comportamental pode parecer questio nável. Essa falta de especificidade gera confusão, e a questão de se arec
é uma intervenção efetiva permanecerá sem resposta, a menos que os elementos essenciais desses programas sejam defrnidos.
�
necessário mais trabalho para:• demonstrar a efetividade a longo prazo do rcc com grupos clfnicos;
• desenvolver modelos teóricos opropriodos em termos de desenvolvimento;
• ovaliar supostas mudonças nos processos cognitivos; • definir os ospectos fundomentais da rcc com crionças.
Em
suma, embora as evidências disponíveis sugiram que arcc
pode trazer uma contribuição importante para o tratamento de uma ampla gama de proble mas emocionais e comportamentais, é necessáriamais
pesquisa bem-projetada com populações clínicas. Há uma necessidade decriar
modelos cognitivos apropriados em termos de desenvolvimento e definir mais precisamente o que acarreta a terapia cognitivo-comportamental com