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empurrando o indio para as fronteiras. Foi o que acon teceu no México e é o que está acontecendo em muitos outros paises da América Latina. E hoje esses Calha Norte só estão se repetindo, com o poder militar em cima, e o objetivo é acabar com os indígenas. O sistema capitalista quer manter seu modo de viver, mas quer desaparecer com o modo de viver do povo indigena. Nós sabemos, são os índios quem estão segurando essa área de fronteira para o Brasil, livrando-a das mãos de outros países. As colônias agrícolas pretendidas para essa área não conseguirão preservar a cultura indi gena. O índio não quer virar colono e percebe que os colonos também não têm muita chance.
P O R A N T I M - M a n o e l, e v an g e liz a r ou n ã o e v a n g e liz a r o in d io ?
Manoel — Tomando em conta a cultura indígena, eu nunca celebrei missa em área deles. Mas os Mequém já têm 40 anos de contato, já foram batizados, já assis tiram missa e talvez algum dia me peçam para batizar alguma criança, e eu não faço nada para que che guem lá, mas estou me preparando para ver como fazer a coisa se me pedirem. Sempre me perguntam como, efetivamente, estou evangelizando, e eu digo que minha comunhão não se faz com um cálice que tem vinho só para o padre, mas com a chicha. dividida com o povo, na hora da comida feita por todos. Posso ver o sol nascendo e se ocultando todos os dias, e isso é mais que qualquer oração de um breviário. Celebro a vida es tando entre os índios, viven do o seu modo de viver.
P O R A N T IM - S o b re o ser m is sio n á rio , o q u e d iz?
M a n o e l — Não é fácil. Quando um padre me per guntou como ia a minha "aventura” com os índios, perguntei se ele queria ficar no meu lugar uma semana. Somos uma equipe de mais ou menos quatro pessoas e às vezes, na área, se perde a noção do todo. São dois anos sem um dia de férias, trabalhando dia e noite, fazendo relatórios, acom panhando a luta nos ro çados, na hora do conflito com as madeireiras, das ameaças de morte até. Eu digo: é preciso mais fé. Nas horas mais dificieis, vou agindo conforme a filosofia dos ditados populares en sinada por meu pai, que sempre me incentivou a lutar pela terra, pela ver dade, pela justiça.
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J L uh.. ilho de país Tarahumara — povo indígena do México —, por influência da mãe iniciou estudos de filosofia e, em seguida, teologia, ter minando por se ordenar padre e tendo como pri meira missão o trabalho com camponeses e índios no Brasil, a partir de 1980. Es se é Manoel Valdez. Sem grandes teorias a tecer, ou tratados antropológicos a exibir, ele diz do que vive: do confronto diário com a ideologia do poder.
No momento, Manoel trabalha com povos indí genas de Rondônia, mais especificamente os Mekem, e com eles partilha o conflito com as medeireiras e seus jagunços, o dia-a-dia da ameaça de projetos nas áreas de fronteira e a luta indigena travada contra o tempo, pela sobrevivência. E é com a simplicidade her dada de seu pai Arthuro Valdez, como a dos ditados populares, que Manoel nos fala sobre essas coisas.
P O R A N T IN - C o m o você, sen d o m e x ic an o , re s p o n d e a o s q u e tê m c o n d e n a d o o tr a b a lh o m is s i o n á r i o e s t r a n g e i r o n o B rasil? Manoel — Eu não me sinto estrangeiro, porque venho de um povo indígena, o povo Tarahumara, do México. Nós não temos fronteiras; elas vieram depois, com o branco. E uma outra coisa: como latino-americano, para mim qualquer canto é igual.
P O R A N T IN — Que tipo de perigo os povos indí genas, sem armas, nem nada, representam ao poder vigente, na sua opinião? ' Manoel — O indio não precisa falar de comunismo, de socialismo, de capitalis mo para que tenha uma nação organizada, sem polícia, vivendo de modo coletivo e igualitário. Se se deixa esse espaço ao índio, esse modo de vida não acabará, mostrando ser viável. Isso é uma pedra de
tropeço. 0 progresso,
apenas, não é justificativa para que se desrespeitem seus direitos sobre sua lín gua, seus costumes, seu modo de viver, suas terras. Eles falam nesse espaço físico que o indio ocupa, mas isso não justifica, pois sabemos que existe na Amazônia uma firma que, sozinha, tem 4 milhões e 300 mil hectares. E ai?
P O R A N T IM — C om o te m visto a q u e stã o d a s f r o n t e i r a s e d o P r o j e t o C a lh a N o rte , já q u e a re g iã o o n d e a tu a vive esse p r o b le m a ?
Manoel — O branco foi chegando pelo lado sul e
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DADOS S/PESSOA FÍSICA (Pe. MANOEL ROBERTO VALDEZ TRE
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£ligcdo à Diocese de Ji-Paraná/RO e trabalha com os povos indígenas de Ron.
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TODA
E QUALQUER PESSOA OUE TOME
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FICA.
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M A N U T F N C Ã O 0^ SEU SIGIlO (Art. 12
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PAPA
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