i
Utilização das Tecnologias de Informação no
contexto das Cidades Inteligentes em grandes
cidades
Joana Marta Ferreira Aires
O Caso de Lisboa
i
MEGI
2016 Título: Utilização das Tecnologias de Informação no contexto das Cidades Inteligentes em grandes cidades
Subtítulo: O Caso de Lisboa
ii
NOVA Information Management School
Instituto Superior de Estatística e Gestão de Informação
Universidade Nova de LisboaUTILIZAÇÃO DAS TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO NO
CONTEXTO DAS CIDADES INTELIGENTES EM GRANDES CIDADES
O CASO DE LISBOA
por
Joana Marta Ferreira Aires
Dissertação apresentada como requisito parcial para a obtenção do grau de Mestre em Gestão de Informação, Especialização em Gestão do Conhecimento e Business Intelligence
Orientador: Professor Doutor Vítor Manuel Pereira Duarte dos Santos
iii
DEDICATÓRIA
Dedico esta dissertação à minha mãe, Maria da Conceição Ferreira, pelo apoio incondicional que me tem dado ao longo da minha vida.
iv
AGRADECIMENTOS
Em primeiro lugar agradeço ao meu orientador, Professor Doutor Vítor Santos, pois graças à sua preciosa ajuda, disponibilidade, paciência, compreensão, conselhos, força e apoio em todos os momentos, foi possível realizar este trabalho de investigação. Um grande Bem- Haja! Muito Obrigada por tudo!
Agradeço também ao Vereador dos Sistemas de Informação da Câmara Municipal de Lisboa, Dr. Jorge Máximo, pela sua disponibilidade em conceder-me a honra da entrevista e permitir a conclusão deste estudo.
Ao Dr. Nuno Xavier, pela compreensão e auxílio no agendamento da entrevista.
À instituição de excelência NOVA Information Management School, pela oportunidade de frequentar o Mestrado em Gestão de Informação e também ao seu corpo docente, com o qual tive o privilégio de aprender e me transmitiu vários conhecimentos.
Aos meus colegas de Mestrado que colaboraram nas aulas e nos trabalhos de grupo.
Ao Prof. Dr. Leonardo Vanneschi pelas palavras de incentivo, coragem e também pela possibilidade de treinar o idioma italiano, que tanto aprecio.
Ao Dr. Carlos Miranda, pela atenção que sempre teve comigo.
Ao Dr. José Rafael, pelos conselhos, boa disposição e por me fazer sorrir.
Ao João Tiago Silva pela sua amizade, força, conselhos, cumplicidade e compreensão.
À Zhang Shuang pelo seu otimismo e apoio.
v
RESUMO
As Cidades Inteligentes podem ser vistas como uma nova abordagem para lidar com os problemas urbanos, como por exemplo a gestão do trânsito. Através da disponibilidade, infraestrutura e qualidade das Tecnologias da Informação e do capital humano é possível melhorar a qualidade de vida dos cidadãos, promovendo a sua participação e proporcionando uma melhor monitorização de eventos que ocorrem nas cidades. Tomando-se como caso de estudo a grande cidade de Lisboa, neste trabalho procura-se compreender as estratégias e os projetos que têm vindo a ser implementados, comparando-os com aqueles que têm vindo a ser realizados em Barcelona e no Rio de Janeiro, também grandes cidades, para que estas possam ser cada vez mais “Smart Cities.”
PALAVRAS-CHAVE
vi
ABSTRACT
The Smart Cities can be seen as a new approach to dealing with urban problems such as traffic management. Through the availability, infrastructure and quality of Information Technologies and human capital the quality of citizens’ life can improve, their participation is
promoted and better monitoring of events occurring in the city is provided. As Lisbon is a big city, this study seeks to understand the strategies and the projects that have been implemented, comparing them with those that have been accomplished also in Barcelona and Rio de Janeiro, so that they can be increasingly "Smart Cities."
KEYWORDS
vii
SUBMISSÃO
SUBMISSÃO RESULTANTE DESTA DISSERTAÇÃO
ARTIGO
AIRES, J. E SANTOS, V., UTILIZAÇÃO DAS TECNOLOGIAS DE
INFORMAÇÃO NO CONTEXTO DAS CIDADES INTELIGENTES EM
GRANDES CIDADES
–
O CASO DE LISBOA
viii
SUBMISSION
SUBMISSION RESULTING FROM THIS DISSERTATION
FULL PAPER
AIRES, J. E SANTOS, V., THE USE OF INFORMATION TECNOLOGIES
IN THE CONTEXT OF SMART CITIES IN LARGE CITIES
–
THE LISBON
CASE STUDY
ix
ÍNDICE
1.
Introdução ... 16
1.1.
Enquadramento e Definição do Problema ... 17
1.2.
Motivação ... 19
1.3.
Objetivo ... 20
1.4.
Estrutura da Dissertação ... 21
2.
Revisão da Literatura ... 22
2.1.
Tipos de Cidades ... 22
2.1.1.
Cidades de Aprendizagem ... 22
2.1.2.
Cidades de Conhecimento ... 24
2.1.3.
Cidades Criativas ... 26
2.1.4.
Cidades Digitais ... 27
2.1.5.
Cidades Híbridas ... 28
2.1.6.
Cidades Humanas ... 29
2.1.7.
Cidades de Informação ... 29
2.1.8.
Cidades Inteligentes... 30
2.1.9.
Cidades Ubíquas ... 30
2.1.10.
Cidades Sem Fios ... 31
2.2.
Smart Cities ... 33
2.2.1.
Áreas e vertentes associadas às
SC
... 35
2.2.1.1. Vertente Análise de Dados ... 37
2.2.1.2. Vertente Participação ... 39
2.2.1.3. Vertente Serviços ... 40
2.2.2.
Modelos de Maturidade ... 42
2.2.3.
Tecnologias de Informação e Comunicação ... 44
2.2.3.1. Tecnologias utilizadas em Smart Cities ... 44
2.2.3.2. Bluetooth ... 45
2.2.3.3. Computação em Nuvem ... 45
2.2.3.4. GSM ... 45
2.2.3.5. GPS ... 46
2.2.3.6. NFC ... 46
2.2.3.7. Código QR ... 47
2.2.3.8. RFID ... 47
2.2.3.9. Wi-Fi ... 47
x
2.2.3.11. Sistemas de Computação Móvel e Ubíqua ... 48
2.2.4.
Sistemas de Informação ... 48
2.2.4.1. Sistemas de Informação nas Smart Cities ... 49
2.2.4.2. Sistemas de Informação Geográfica ... 49
2.3.
Situação no Mundo ... 50
2.3.1.
Caso de Sucesso
–
Barcelona
Smart City
... 50
2.3.2.
Caso de Sucesso - Rio de Janeiro
Smart City
... 54
2.3.3.
Análise Prévia da Situação de Lisboa
Smart City
... 58
3.
Metodologia ... 62
3.1.
Estudo do Caso ... 62
3.2.
Estratégia de desenvolvimento da Investigação ... 62
4.
Estudo e Análise de resultados ... 64
4.1.
Câmara Municipal de Lisboa ... 64
4.2.
Desenho da Entrevista ... 64
4.3.
Realização da Entrevista ... 65
4.4.
Análise Detalhada da Entrevista ... 65
4.5.
Análise Global ... 74
5.
Conclusões e trabalhos futuros ... 75
5.1.
Síntese do trabalho ... 75
5.2.
Conclusões ... 76
5.3.
Limitações e recomendações para trabalhos futuros ... 77
Referências ... 78
Anexo I
–
Guião de Entrevista ... 85
xi
INDEX
1.
Introduction ... 16
1.1.
Problem Statement ... 17
1.2.
Motivation ... 19
1.3.
Aims and Objectives ... 20
1.4.
Dissertation Structure ... 21
2.
Literature Review ... 22
2.1.
Types of Cities ... 22
2.1.1.
Learning Cities... 22
2.1.2.
Knowledge Cities ... 24
2.1.3.
Creative Cities ... 26
2.1.4.
Digital Cities ... 27
2.1.5.
Hybrid Cities ... 28
2.1.6.
Human Cities ... 29
2.1.7.
Information Cities ... 29
2.1.8.
Intelligent Cities ... 30
2.1.9.
Ubiquitous Cities ... 30
2.1.10.
Wireless Cities ... 31
2.2.
Smart Cities ... 33
2.2.1.
Areas and aspects associated with Smart Cities ... 35
2.2.2.
Maturity Models ... 42
2.2.3.
Information and Communication Technologies ... 44
2.2.4.
Information Systems ... 48
2.3.
Situation in the World... 50
2.3.1.
Success Case
–
Barcelona Smart City ... 50
2.3.2.
Success Case - Rio de Janeiro Smart City ... 54
2.3.3. Lisbon Smart City - Preliminary analysis ... 58
3.
Methodology ... 62
3.1.
Case Study ... 62
3.2.
Research Development Strategy ... 62
4.
Study Results and Analysis ... 64
4.1.
Lisbon City Hall ... 64
4.2.
Interview Drawing... 64
xii
4.4.
Detailed Analysis of the Interview ... 65
4.5.
Global Analysis ... 74
5.
Conclusions and Future Work ... 75
5.1.
Work Synthesis ... 75
5.2.
Conclusions ... 76
5.3.
Limitations and Recommendations for Future Work ... 77
References ... 78
Annex I
–
Interview Script ... 85
xiii
ÍNDICE DE FIGURAS
Figura 2.1 - Exemplo de Áreas Principais numa
Smart City
... 35
Figura 2.2 - Fatores associados às seis características das
Smart Cities
... 36
Figura 2.3 - Exemplo de uma imagem do portal
Open Data
de BCN ... 53
Figura 2.4
–
Sala do Centro de Operações do Rio de Janeiro... 55
Figura 2.5
–
Exemplo aplicação
Waze
no Rock in Rio 2013 ... 57
Figura 2.6
–
Fab Lab
Lisboa ... 59
xiv
ÍNDICE DE TABELAS
Tabela 2.1 - Exemplo de elementos de desenho de um jogo ... 40
Tabela 2.2 - Exemplos de tipos de
crowdsourcing
... 41
Tabela 2.3 - Modelo de Maturidade de Autoavaliação ... 42
Tabela 2.4 - Modelo de Maturidade relacionado com áreas de SC e TIC ... 43
xv
LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS
BCN Barcelona
CE Comissão Europeia
CML Câmara Municipal de Lisboa
E-Nova Agência Municipal de Energia e Ambiente de Lisboa GNSS Global Navigation Satellite System
GPS Global Positioning System
GSM Global System for Mobile Communication
IAPMEI Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e à Inovação IoE Internet of Everything
IoT Internet of Things
NFC Near Field Communication
OCDE Organização para Cooperação e Desenvolvimento Económico RFID Radio Frenquecy Identification
RJ Rio de Janeiro SC Smart Cities
SI Sistemas de Informação
SIG Sistemas de Informação Geográfica TI Tecnologias de Informação
TIC Tecnologias de Informação e Comunicação UE União Europeia
16
1.
INTRODUÇÃO
Segundo Harrison e Donnelly (2011) a expressão cidade inteligente (Smart City), poderá ter a sua origem na investigação desenvolvida por David Bollier, publicada em 1998, no âmbito do movimento de 1990, Smart Growth, que defendia a criação de novas políticas para o planeamento urbano. Atualmente, esta expressão foca-se principalmente no papel desempenhado pelas TI, onde as SC devem ter uma infraestrutura com redes interligadas que suportem tecnologias e recolham dados acerca da sua sustentabilidade (Manville et al., 2014; Copenhagen Cleantech Cluster, 2012). Para Caragliu, Del Bo e Nijkamp (2011), uma cidade é inteligente quando existe um investimento em infraestruturas de tecnologias de informação e comunicação, em redes de transportes, em capital humano e social, onde é efetuada uma boa gestão dos recursos disponíveis, contribuindo para um melhoramento da qualidade de vida dos seus habitantes.
Com a crise económica, têm surgido vários desafios nas cidades de todo o mundo, exigindo a adoção de novas políticas para promover estratégias, de forma a garantir a sustentabilidade e o crescimento da economia (Dirks, Gurdgiev e Keeling, 2010). Alguns desses desafios estão relacionados com a constante urbanização provocada pelo crescimento da população mundial, que poderá adicionar 2,5 mil milhões de pessoas à população urbana em 2050 (United Nations, 2014). Portanto, será provável que num futuro não muito distante, a maioria das pessoas habitará nas cidades, criando-se assim acrescidas preocupações ambientais e de desenvolvimento económico e social (Varela, Calçada e Lagarto, 2014). Este crescente e complexo urbanismo exigirá, certamente, aos governantes formas inovadoras para gerir os recursos disponíveis e atenuar a sobrelotação das cidades (Manville et al., 2014).
Nos últimos anos, a nível mundial, tem-se verificado um maior impacto das consequências provocadas por catástrofes de origem natural e tecnológica, por vezes ocasionais ou propositadas (Mendes e Souto, 2014). A sua maioria tem maior incidência nas grandes metrópoles, que atualmente apresentam alguns problemas, nomeadamente exclusão social, poluição atmosférica e sonora, congestionamento rodoviário, desigualdades económicas e financeiras, degradação de edifícios devolutos, diminuição dos espaços verdes e falta de espaço (Ferrão, 2014). Neste contexto, nota-se o surgimento de novos desafios em termos de TI, como o desenvolvimento, a implementação e a conceção de novas estratégias e métodos de gestão para tornar as cidades mais sustentáveis, seguras e acolhedoras para todos os grupos da sociedade (Pereira e Machado, 2014).
17
1.1.
E
NQUADRAMENTO ED
EFINIÇÃO DOP
ROBLEMAExistem diversos projetos de implementação de SC em diferentes cidades de Portugal, como
por exemplo: “Future Cities” no Porto, com grande foco no conceito de Living Lab e “Coimbra, Cidade Inteligente e Criativa” (Selada e Silva, 2013).
Embora, todos eles revelem o seu interesse e significância, sendo suscetíveis de estudo, não seria possível analisá-los em tempo útil e com a profundidade desejada. Assim, optou-se por estudar a situação de Lisboa, sendo que, para além de ser a capital de Portugal, de acordo com os Censos 2011 a área de Lisboa registou uma densidade populacional de 940 residentes por km2, destacando-se da densidade média do país que contabilizou 114, 5 habitantes/km2 (INE, 2012). Sendo também a segunda economia mais importante da Península Ibérica, Schaffers et al. (2012) destacam, na capital, o crescimento de projetos relacionados com SC em diferentes áreas, como por exemplo o Mob Carsharing que surge no âmbito da mobilidade. Por exemplo, a Carris implementou-o com vista ao aumento da utilização dos transportes públicos, através do aluguer online destes carros. Futuramente, a empresa pretende equipar estas viaturas com GPS, de forma a monitorizar as rotas e os destinos mais efetuados, com o intuito de introduzir novos trajetos de autocarros e novas localizações de parques de estacionamento para estes veículos.
Verificando-se a existência de alguns trabalhos realizados no campo das SC, o estudo encontra-se focado num âmbito mais restrito, que visa contribuir para a obtenção de uma melhor definição da utilização das TI no contexto das Cidades Inteligentes tendo como base o caso da cidade de Lisboa.
Esta escolha permitirá a comparação com cidades que apresentam uma maior dimensão e que se destacam mundialmente pela importância e sucesso na implementação de projetos de SC: Viena, Toronto, Paris, Nova Iorque, Londres, Tóquio, Berlim, Copenhaga, Hong Kong e Barcelona, consideradas no Top 10 elaborado por Cohen em 2012.
Além das cidades supramencionadas, o Rio de Janeiro também se destaca com o prémio
“cidade inteligente” atribuído no Smart City Expo World Congress, em Barcelona (Selada, 2014). Tal distinção poderá ajudar na identificação dos projetos que estão a ser efetuados, de modo a retirar conclusões sobre a importância do papel das TI na construção e no funcionamento destas cidades inteligentes.
18 provenientes de dispositivos móveis e sensores torna-se crítica a organização da atividade da urbe (Schaffers, Komninos e Pallot, 2011).
Neste contexto, a implementação de projetos e soluções no âmbito de SC pode incidir em três áreas principais: Serviços, Participação e Análise de Dados (Santos, 2014). Na área dos “Serviços”
salientam-se a IBM, Cisco, Ericsson e Siemens como as principais organizações que fornecem diferentes soluções para o desenvolvimento e integração de infraestruturas de TIC (Akçura e Avci, 2014). Por exemplo, a IBM oferece em Cloud Computing três tipos de serviços que englobam um conjunto de áreas inerentes a uma cidade inteligente. O serviço para infraestruturas das cidades inclui o planeamento urbano e os transportes. Aquele que se aplica ao desenvolvimento, entre ourtos, abrange a segurança pública. O de gestão da cidade confere auxílio na administração municipal, na governação e estratégia da urbe (Fritz, Kehoe e Kwan, 2012). As principais soluções oferecidas baseiam-se em redes de sensores, que monitorizam em tempo real várias infraestruturas de edifícios, fluidez do tráfego nas estradas, sistemas de comunicação móvel e ubíqua (Santos, 2014). Nesta vertente surge também o conceito IoT, que através do acesso à Internet é possível conectar objetos, dados, pessoas e processos em rede (Clarke, 2013).
Na vertente “Participação” pretende-se que os cidadãos tenham um envolvimento ativo com a cidade através da sua participação e interação na tomada de decisão na vida política (Giffinger et al. 2007), como é exemplo o orçamento participativo. De forma a garantir esse envolvimento podem ser utilizadas tecnologias persuasivas para motivar a participação das pessoas, como o gamification, que tem por base os elementos e características dos jogos de vídeo e aplicações móveis, proporcionando uma melhor experiência para o utilizador (Deterding, Sicart, Nacke, O’Hara e Dixon, 2011). O crowdsourcing, também surge nesta área como uma forma de inteligência coletiva onde um grupo de indivíduos, de uma forma gratuita e por reconhecimento, partilha as suas ideias, sugestões e conhecimento tácito (com origem em experiência pessoais e profissionais) para a resolução de problemas de diversas ordens, como por exemplo a construção de um código para programar um determinado software (Malone, Laubacher e Dellarocas, 2010). Assim, com o objetivo de incluir e proporcionar a participação do maior número de pessoas em comunidade, com a implementação do conceito de cidades inteligentes pretende-se diminuir o digital divide, exclusão daqueles que possuem poucos conhecimentos informáticos (Partridge, 2014).
19 assim, uma melhor gestão e planeamento de atividades num território, garantindo também uma georreferenciação de acontecimentos naturais ou com intervenção humana (Carvalho, 2014).
Antunes (2014) considera que é através do crescimento destas cidades que surgirão hipóteses referentes à distribuição do conhecimento, aumentando a inovação e criatividade provenientes da utilização das TIC fomentando assim a competitividade.
Existe atualmente um forte interesse por este assunto no nosso país, como é possível observar pelos diversos eventos, que foram organizados no último ano em Lisboa, nomeadamente: a
conferência internacional “Crescer com Energia – Desafios para as cidades: boas práticas e sinergias
na reabilitação urbana, eficiência energética e criação de emprego” (Figueiredo, 2014) e a
conferência nacional “Cidades Inteligentes, Cidades do Futuro” organizada pela Lisboa E-Nova, onde verificou-se o interesse de políticos, autarcas, empresas e estudantes pela temática das SC (Cardoso, 2015).
1.2.
M
OTIVAÇÃOElaborar a investigação da utilização das TI na implementação de SC em Lisboa é importante para compreender quais os projetos que têm sido desenvolvidos e quais as soluções tecnológicas que possibilitam criar ambientes para a construção da infraestrutura de cidades desta dimensão.
O estudo a realizar procurará contribuir para identificar e compreender as boas práticas que atualmente estão a ser adotadas a nível mundial, nomeadamente na cidade do Rio de Janeiro, uma vez que pertence a um país de língua oficial portuguesa, o Brasil, e tem desenvolvido projetos de SC, como por exemplo a criação de um centro de operações, com o principal objetivo de coordenar e dar respostas à ocorrência de desastres naturais (Buscher e Doody, 2013). Em Espanha, Barcelona é atualmente uma das cidades mais avançadas a nível de tecnologia e inteligência urbana, liderando o setor das SC. Conta com projetos inovadores, tencionando exportar a sua experiência e tecnologia para outras cidades do mundo (Figueiredo, 2015).
Importa assim compreender, como é que estas cidades inteligentes e as tecnologias estão a ser desenvolvidas e aplicadas. Também será importante compreender como a cidade de Lisboa, com anos de história, consegue adaptar-se à implementação de novas tecnologias, em termos de organização e mobilidade.
20
1.3.
O
BJETIVOO objetivo principal deste trabalho é avaliar e compreender a forma como são aplicadas as Tecnologias da Informação nas cidades inteligentes, tentando promover uma cidade melhor para os cidadãos, tomando como estudo de caso a cidade de Lisboa. Assim, no presente trabalho, o objeto de estudo será a cidade de Lisboa e em particular, procurar-se-á responder às seguintes questões:
Qual o estado da implementação e utilização das Tecnologias e Sistemas de Informação para Cidades Inteligentes em Lisboa?
Qual a maturidade da implementação do conceito Smart City em Lisboa?De forma a alcançar os objetivos gerais supramencionados, são propostos os objetivos específicos a concretizar:
1.
Definir o conceito Smart City e de alguns dos diferentes tipos de cidades;2.
Analisar detalhadamente as Tecnologias e Sistemas de Informação utilizados nas Cidades Inteligentes;3.
Identificar as iniciativas já realizadas em Lisboa relacionadas com as SC e comparar com as práticas efetuadas no mesmo âmbito, no Rio de Janeiro, dado que é uma cidade pertencente a um país de língua oficial portuguesa e tem projetos já desenvolvidos em SC e Barcelona, que é considerada uma das cidades mais inteligentes do mundo, pertence ao nosso país vizinho, Espanha;4.
Compreender quais as oportunidades e os desafios que se colocam na implementação de SC em Lisboa;21
1.4.
E
STRUTURA DAD
ISSERTAÇÃOA presente dissertação está estruturada em cinco capítulos, tendo cada um deles um papel específico na presente dissertação.
O primeiro capítulo explica o que se pretende com o desenvolvimento deste tema e que contributo pode dar ao conhecimento nesta área das Tecnologias de Informação aplicadas à criação de infraestruturas em Smart Cities.
O capítulo dois apresenta algumas das definições atribuídas às cidades para além do adjetivo smart, dado que são diversificados consoante a área predominante, ou seja uns estão mais relacionados com a partilha do conhecimento e a interação social, outros estão mais focados nas tecnologias utilizadas. Aqui, também são descritas as principais áreas de atuação nas SC e exemplos de modelos de maturidade com fatores a ter em conta para suceder da melhor forma na sua implementação. Neste capítulo, ainda são incluídas definições de algumas tecnologias e sistemas de informação associadas às SC.
Relativamente aos avanços neste campo a nível mundial, é importante compreender como a capital da Catalunha, Barcelona, ocupa uma posição de destaque e como é possível adquirir lições, conhecendo o trajeto que levou à implementação de SC no Rio de Janeiro. Ainda é apresentada uma análise prévia sobre os projetos já desenvolvidos na cidade de Lisboa.
Os procedimentos metodológicos utilizados para a elaboração do presente trabalho são apresentados no terceiro capítulo.
O quarto capítulo é importante, uma vez que apresenta a concretização da recolha de informação acerca do estudo do caso da cidade de Lisboa, enquanto Smart City.
A análise dos resultados apresenta o grau de maturidade em que a cidade de Lisboa se encontra em comparação com as cidades analisadas neste trabalho, Barcelona e Rio de Janeiro.
22
2.
REVISÃO DA LITERATURA
A presente revisão da literatura inclui uma análise crítica sobre os conceitos fundamentais à realização deste trabalho de investigação. Apresenta as principais discussões existentes acerca do conceito de cidades inteligentes, os casos de sucesso a nível mundial, que projetos em Lisboa já foram realizados para capacitar a cidade de mais inteligência e como as tecnologias de informação têm contribuído para a implementação e monitorização de SC.
2.1.
T
IPOS DEC
IDADESO conceito Smart City é geralmente difuso, dado que, pode ser interpretado de várias formas, dependendo de diferentes perspetivas (Hollands, 2008). Também Chourabi et al. (2012) afirma que existem definições muito variadas de SC, bastando para tal a substituição do adjetivo Smart, por outro, como digital. Para além deste adjetivo, Nam e Pardo (2011) consideram outras definições de cidades, que são caracterizadas por outros adjetivos, que fazem correspondência com a dimensão a eles associados, como por exemplo, a dimensão tecnológica, que engloba as cidades de informação, digitais, inteligentes, ubíquas e híbridas. E noutra dimensão é valorizado o capital humano, encontrando-se as cidades do conhecimento, humanas, criativas e de aprendizagem.
Por estas razões e para uma melhor compreensão dos fatores que levam à existência do conceito SC, é importante conhecer, em primeiro lugar a definição de outros tipos de cidades existentes. Por esse motivo seguidamente são apresentados dez conceitos de cidades.
2.1.1.
Cidades de Aprendizagem
A aprendizagem tem contribuído para a evolução da Humanidade (Cisco, 2010), intensificando-se ao longo dos tempos a necessidade da constante aprendizagem ao longo da vida (Yang, 2012). Visto que, perante cenários como o envelhecimento da população e as desigualdades socias e económicas, torna-se essencial uma aprendizagem contínua, contribuindo para um desenvolvimento social sustentável e aumento da coesão social (UNESCO Institute for Lifelong Learning (UIL), 2013). A exclusão social ou mudanças globais também podem ser atenuados com esta aprendizagem, já que se cada indivíduo possuir uma educação de qualidade, poderá ter mais bases para expressar-se, ter uma melhor compreensão dos contextos locais e globais, ter bons resultados nos seus desafios profissionais e verificar que a aprendizagem não está apenas limitada a determinadas fases da vida (Adama Ouane, 2011).
23 A aprendizagem formal é adquirida através das escolas, universidades e outras instituições de ensino, onde existem metas curriculares para serem atingidas e onde é possível obter certificações. A informal refere-se às interações socias, familiares e profissionais no quotidiano de cada pessoa, das quais advêm lições e conhecimentos, que podem ser ou não ser aplicados no decorrer da vida (CIP, 2013). A Web 2.0, relacionada com as redes sociais e a Web 3.0, referente à Web semântica (atribuição de significado aos conteúdos publicados na Internet) e Internet das Coisas, contribuem atualmente para esta aprendizagem informal (Carneiro, 2011).
É importante referir que as novas tecnologias, isto é tecnologias de comunicação móvel computação ubíqua, têm vindo a modificar a forma de ensinar e aprender (Ning, 2011). Por esse motivo são relevantes as iniciativas como o Programa Novas Oportunidades, introduzido no ano de 2005 e concluído em 2013, que Carneiro (2011) refere no seu estudo, que mostrou ser benéfico para 3,5 milhões de adultos portugueses com poucas habilitações, contribuindo para o seu desenvolvimento de soft skills1 e competências informáticas.
Ao longo dos anos verificou-se um crescimento de cidades de aprendizagem (UNESCO Institute for Lifelong Learning (UIL), 2015; (SoongHee, 2011), constatando-se que mais de mil cidades e comunidades em vários pontos do globo tornaram-se cidades de aprendizagem e outras a progredir para tal (UNESCO Institute for Lifelong Learning (UIL), 2015a).
Segundo Osborne, Kearns e Yang (2013) a ideia do termo cidade de aprendizagem, denominada assim no século XX, já existia nos tempos da Grécia Antiga. Contudo a origem do seu significado atual está relacionada com a iniciativa da OCDE realizada no ano de 1973, intitulada, Cidades da Educação (Yang, 2012). Onde a educação, também nas cidades de aprendizagem tem um papel fundamental no desenvolvimento pessoal, no aumento de competências, conhecimento e diminuição da exclusão social (Delors, 1996), comportando benefícios tanto individuais como coletivos, dado que para além de proporcionar um melhor futuro profissional, contribui para o aumento da riqueza de um país (Cisco, 2010).
Embora sejam utilizadas outras definições como sociedades, comunidades ou regiões de aprendizagem, a cidade de aprendizagem é o conceito mais utilizado em investigações internacionais, uma vez que são as cidades que facultam melhores condições para o desenvolvimento de emprego e outro tipo de serviços como os cuidados de saúde e movimentos sociais para a reivindicação de melhores condições de vida, do que em meios rurais (UNFPA, 2000, citado por Yang, 2012; Osborne et al., 2013).
Este tipo de cidade pode ser visto como um local que pretende incutir a aprendizagem nos seus habitantes, percorrendo todos os níveis de ensino, prologando-se ao longo da vida, preparando da melhor forma os cidadãos para continuarem a aprender no local de trabalho, tendo como suporte nas novas tecnologias para uma aprendizagem mais moderna (UIL, 2013).
Este conceito é sustentado por quatro pilares da aprendizagem (Delors, 1996):
24
Ser: Inclui as aptidões de um indivíduo, como a capacidade de raciocínio, memória e comunicação;
Saber: Estabelece a combinação dos conhecimentos adquiridos tanto na vertente académica como profissional;
Fazer: Obtenção de competências através da aprendizagem de um trabalho; proporciona uma melhor habilidade para saber gerir diversas situações, principalmente na liderança de equipas;
Viver em Conjunto: O conhecimento dos costumes e cultura de outros povos permite melhorar a resolução e a gestão de conflitos que possam ocorrer.
Adama Ouane (2011) é da opinião que estas bases não são suficientes, sugerindo que deveriam ser acrescentados mais três:
Aprender para Transformar – Permite que os indivíduos tenham uma opinião crítica em relação ao que podem fazer para melhorar a sua vida;
Aprender para Aprender – Baseia-se na perceção coletiva e individual que aprender é importante para a preparação da ocorrência de acontecimentos futuros;
Aprender para Tornar-se – Desenvolve o que a aprendizagem pode oferecer para atenuar a exclusão social.
Por fim, neste âmbito importa referir o estudo de Valdes-Cotera et al. (2015) apresenta alguns exemplos de cidades que implementaram o conceito de cidades de aprendizagem, verificando-se diferentes perceções quanto ao mesmo. No caso de Sorocaba, situada em São Paulo, no Brasil, o termo foi aplicado com o objetivo de criar um ser humano e uma cidade educativa onde as diferenças devem ser respeitadas, baseando-se na aprendizagem ao longo da vida e no igual acesso às oportunidades de aprendizagem, focando-se no apoio aos grupos sociais vulneráveis. Em Espoo, na Finlândia o motivo prende-se com o facto de tornar a cidade num lugar bom para viver, onde os cidadãos participem, vivam e trabalhem e sejam todos incluídos. Em Cork, na Irlanda, pretendeu-se o crescimento de emprego, a redução das desigualdades, exclusão social e o favorecimento do investimento.
2.1.2.
Cidades de Conhecimento
25 A cultura, o capital humano, os trabalhadores do conhecimento2, a comunicação, as tecnologias e os aglomerados urbanos são elementos que contribuem para a constituição destas cidades (Yigitcanlar, O’Connor e Westerman, 2008).
Esta cidade pode ser avaliada pela quantidade de patentes, nível de inovação e investimento em I&D3 (Van Winden et al. 2007).
A cidade do conhecimento pode ainda ser vista como um acordo permanente onde os cidadãos assumem sistemática e deliberadamente um esforço para desenvolver e reconhecer o seu sistema de capital de modo sustentável e equilibrado (Carrillo, 2004). No mesmo ano, Carrillo também refere que estas cidades marcaram a transição entre um sistema de valor baseado no material para um sistema baseado no conhecimento, onde predominam as emoções e a intelectualidade.
Melbourne, na Austrália, Barcelona, São Paulo e a cidade de Monterrey, no México, foram algumas cidades que se consideraram como cidades do conhecimento (Yigitcanlar et al., 2008; Dvir e Pasher, 2004).
Yigitcanlar, O’Connor e Westerman (2008) afirmam que uma cidade que segue este conceito tem uma estratégia focada na expansão da economia do conhecimento e da sociedade, tendo especial atenção pela ciência e inovação.
Nonaka, Toyama e Konno (2000) classificam o conhecimento como algo dinâmico, pois este acontece, tanto quando as pessoas como as organizações interagem constantemente entre si, no seu próprio contexto, num tempo e lugar específico. Apenas, assim é possível o enquadramento da informação para obter o conhecimento. Estes autores também descrevem dois tipos de conhecimentos, cruciais para ampliá-lo: O conhecimento tácito, predominantemente subjetivo, existindo uma grande dificuldade para a sua formalização, isto é diferentes pessoas podem ter formas distintas de explicarem detalhadamente o processo para andar de bicicleta, por exemplo, logo pode ser complicado explicar situações como esta. Este conhecimento encontra-se presente em cada indivíduo, sendo conquistado e aumentado ao longo da vida, a partir das capacidades cognitivas e das experiências, quer sociais ou profissionais de cada indivíduo. Em contraste o conhecimento explícito é mais formal e mais fácil de expressar-se verbalmente, pode ser compartilhado e guardado em manuais ou documentos.
Como pode o conhecimento ser criado ou convertido? Pelo processo SECI (Nonaka et al., 2000), onde a interação do conhecimento tácito e explícito apresenta quatro formas: (i) - Socialização (tácito para tácito) o conhecimento é transmitido pela partilha de experiências e convívio entre as pessoas; (ii) - Externalização (tácito para explícito): o conhecimento pessoal é partilhado em grupo recorrendo a analogias e metáforas; (iii) - Combinação (explícito para explícito):
26 combinação e processamento do conhecimento explícito por aquilo que é recolhido, dentro e fora das organizações, criando assim novo conhecimento; (iv) - Internalização (explícito para tácito): sintetiza-se por “aprender fazendo.” Constata-se também a importância da formação de uma espiral que vai aumentando à volta dos modos de conversão, referidos, entre a interação do conhecimento explícito e do tácito.
2.1.3.
Cidades Criativas
Este conceito começou a ganhar relevância no final do ano de 1990, principalmente no Reino Unido, tendo como referência o termo de indústrias culturais ou criativas (Vivant, 2013; Scott, 2014; Kong, 2014).
Estas indústrias, tais como a Música, Publicidade, Arquitetura, Filmes, Rádio e Televisão poderiam revitalizar a economia. Via-se a Cultura como algo que iria tornar a cidade mais atrativa para os profissionais (Hall, 2000).
Relacionada também com a economia do conhecimento, que na Europa esteve relacionada com a globalização. As cidades tiveram que de certa forma se defenderem e aumentar a sua competitividade para não desaparecerem pela concorrência. (tiveram que se demarcar). Tiveram de se tornar criativas (Hospers, 2003). A concorrência económica existia também nestas cidades, o que se traduzia por vantagens dado que graças à capacidade criativa podiam direcionar-se para nichos de mercado, tanto na cidade como no resto do mundo, desde que a oferta dos produtos e serviços fosse algo distintivo (Scott, 2006).
Esta cidade é também relacionada com a criatividade, isto é com a capacidade de encontrar soluções originais para problemas do quotidiano, “a mente criativa vê o que os outros veem, mas
pensa e faz algo diferente” (Hospers, 2003).
A mediatização deste tipo de cidades foi retomada por Florida, no ano de 2002 (Scott, 2006). Florida (2003) contestou a teoria do capital humano que diz que as pessoas criativas são o principal motor do crescimento económico regional, com a sua perspetiva de teoria do capital criativo. O autor apelida as pessoas, por classe criativa. Considera os professores universitários, os poetas, engenheiros e cientistas, informáticos, médicos como exemplo da base super criativa desta classe, já que estas pessoas podem produzir novas formas ou teorias que podem ter uma grande utilidade, como a conceção de um produto que pode ser largamente reproduzido ou vendido, elaboração de um teorema aplicado em várias situações. Para isso, são exigidas várias qualificações e ter a capacidade criativa para a resolução de problemas.
27 e cultural, abrangendo sete temáticas: Literatura, Gastronomia, Música, Artes Populares e Artesanato, Design, Filmes e Artes Media. Pretendendo difundir atividades culturais, onde o acesso, a participação e usufruto dos bens culturais aos cidadãos mais vulneráveis ou marginalizados é facilitado (UNESCO, 2004).
Amesterdão, Paris, Londres e Berlim foram exemplos de cidades criativas (Hospers, 2003).
2.1.4.
Cidades Digitais
Segundo Besselaar (2001) o conceito de Cidade Digital surgiu na Europa, em Amesterdão, no ano de 1994. Esta cidade foi a primeira a possibilitar na Holanda, o acesso público à Internet, sendo lançada, de forma experimental, pelo grupo de ativistas informático “Hacktic” e pelo centro político-cultural “The Balie.” Baseada em Community Networks4 e em FreeNets5 do Canadá e dos E.U.A. (Estados Unidos da América) (Schuler, 1994, 1996, citado por Besselaar, 2001). Esta tinha como objetivo promover a liberdade de expressão em assuntos políticos e sociais no ciberespaço (Ishida, 2000). Como este projeto correu bem e sendo o primeiro a utilizar este termo, por toda a Europa iniciou-se o movimento das cidades digitais (Ishida, Aurigi e Yasuoka, 2005).
Seguidamente apresentam-se algumas cidades que se destacaram neste âmbito. (Ishida, 2000; Anthopoulos e Fitsilis, 2010; Dykes, Andrienko, Andrienko, Paelke e Schiewe, 2010):
Em Quioto, o projeto iniciado no final de 1998, pretendia criar uma infraestrutura de informação social, onde a recolha de dados em tempo real, através de sensores teria posteriormente um mapeamento digital. Os mapas 2D, e espaços virtuais 3D criavam uma metáfora da cidade física, onde poderia ser consultada informação sobre o tempo, parqueamento, visitas turísticas e compras. A sua navegação era facilitada a indivíduos com poucos conhecimentos técnicos. Nesta cidade, como em Amesterdão eram utlizadas aplicações web em 3D, que simulavam a cidade, incluindo as suas ruas e lojas. Posteriormente, estas abordagens evoluíram para ambientes de realidade virtual;
American Online (AOL), fundada em 1985, disponibilizava informação regional, agrupando-a de acordo com serviços como entretenimento, notícias e comércio Reservava espaço para a publicidade e recolhia dados sobre vendas e turismo. Utilizava tecnologias WEB e Chat;
Helsínquia – Iniciada em 1996 tinha como meta a construção da próxima geração da rede de área metropolitana6. Permitia a comunicação em direto através de vídeo e utilizava
4 Redes Comunitárias que utilizam tecnologias em rede ao serviço de uma comunidade local.
5 Aplicações de redes (de pessoa para pessoa), que possibilitam o anonimato de leitores e autores de
publicações e replicações de dados.
28 modelos 3D e tecnologia de rede. Já nesse tempo a Finlândia estava na vanguarda da utilização de Internet, telemóveis e home banking7;
Copenhagen Base utilizava as TIC, já que consistia numa base de dados pública que continha informação acerca da comunidade local.
Em 2005, Ishida definiu estas cidades como organizadoras da informação digital, promovendo um espaço de informação pública para as pessoas interagirem entre si. Caracteriza-se por um ambiente de rede digital, que interliga sistemas tecnológicos de modo a conectar serviços públicos, escolas, empresas e comunidades, disponibilizando informação em padrões, desenvolvendo potencialidades da sociedade de informação e transformando o cidadão no principal ator na realidade virtual (Guerreiro, 2006; Rezende et al., 2014).
Já Su, Li e Fu (2011) indicaram que as cidades digitais envolvem tecnologias de informação espacial, como o GPS, a deteção remota e o SIG, para a construção de informação geográfica e de plataformas de serviço público para divulgar a informação geográfica urbana.
Têm como objetivo criar um ambiente de partilha, colaboração e troca de informação (Yovanof e Hazapis, 2009). Porém cada cidade digital assume a sua estratégia consoante os seus objetivos, tentando garantir a igualdade no acesso à Internet de todos os cidadãos (Ishida, 2000).
2.1.5.
Cidades Híbridas
Norbert Streitz propôs o conceito de cidades híbridas, como o resultado da junção entre a realidade física da cidade, que comporta todos os seus residentes e componentes físicos, e a parte correspondente à cidade virtual, onde estão incluídos os homólogos das pessoas e dos componentes físicos (Smart Future Initiative, 2014).
Estas cidades podem trazer benefícios aos cidadãos através da oferta de serviços personalizados, que vão desde a área de lazer à área da saúde. Podem proporcionar a otimização de transportes, através relação entre os seus vários tipos e da utilização da informação de trânsito. Também, promover a participação dos habitantes na sua comunidade, através de atividades que visam um envolvimento ativo e integrante na sociedade, privilegiando e adequando os interesses de cada um (Smart Future Initiative, 2014).
O espaço virtual faz cada vez mais parte do espaço material das cidades, que detêm uma infraestrutura digital (Antoniadis e Apostol, 2014), uma vez que uma cidade híbrida possui infraestruturas digitais, onde as TI estão presentes através de Wi-Fi, ecrãs públicos, comunicações móveis, navegação por GPS e câmaras de vigilância. (De Lange e De Waal, 2012).
As TIC têm um papel fundamental na mediação entre o espaço urbano e o espaço virtual, uma vez que possibilita a interação entre vizinhos e transeuntes. Tanto as autoridades locais como os residentes beneficiam desta interligação, porque partilham e geram dados relevantes no decorrer do seu quotidiano (Antoniadis e Apostol, 2014).
29 A rede social Meetup, cofundada por Scott Heiferman e Matt Meeker, e lançada em 12 de Junho de 2002, é um caso de uma comunidade híbrida, que facilita o encontro de grupos de pessoas na vida real, através do uso da Internet. Para a sua realização, os membros registados podem criar ou participar num encontro de acordo com a sua localização e consoante os seus interesses em livros, filmes, idiomas, animais de estimação, saúde, entre outros (Antoniadis, 2013; Wikipedia, 2015).
2.1.6.
Cidades Humanas
Este conceito foi concebido pela associação belga Pro Materia, em 2006 e cofundado pelo Programa Europa Criativa da UE de 2014 a 2018. Este último trata-se de um projeto que tem a intenção de explorar o modo como os cidadãos, sendo eles próprios recursos para o bem-estar e qualidade de vida, se adaptam e (re) inventam a vida na cidade. Nesta cidade procura-se partilhar valores tais como a solidariedade, empatia, acessibilidade, imaginação, estética e lazer (Human Cities, 2015).
Segundo Hillier (2003) a cidade humana deriva da capacidade cognitiva de cada sujeito, em moldar e construir a cidade. O autor também refere que esta cidade surge igualmente pelas intervenções sociais, efetuadas por indivíduos capacitados cognitivamente que atuam de acordo com a perceção que têm da cidade.
A cidade humana também pode ser caracterizada como um lugar onde as pessoas apreciam a sua vida, o seu trabalho, o quotidiano e onde sejam proporcionadas diversas oportunidades para descobrirem o seu potencial humano e criativo (Smart Future Initiative, 2014).
Estas cidades compartilham estes valores com entidades de diferentes países como: o Politécnico de Milão em Itália, o Instituto de Planeamento Urbano da República da Eslovénia e a Cidade de Design em França (Human Cities, 2015).
Alguns programas desta iniciativa são: os “Laboratórios de experimentação”; “Human Cities Masterclass” e “Gestão e Comunicação” (Human Cities, 2015).
2.1.7.
Cidades de Informação
Esta cidade define-se pela recolha e disponibilização de informação de comunidades locais, em portais na Internet (Nam e Pardo, 2011a).
30 Sproull e Patterson (2004) afirmam que a Informação é apenas uma fração da cidade, que faz esta ser viva e atrativa. Contudo com a troca de informação em comunidades online, muitas vezes descobertas a partir de pesquisas de uma determinada informação. Os cidadãos ao participarem nestas comunidades, podem beneficiar tanto socialmente como emocionalmente, através da partilha de problemas, soluções, ideias, amizades. Aqui os cidadãos podem sentir que não estão sozinhos, pois conhecem outras pessoas que partilham as mesmas ideias. Os autores referem ainda que registam-se diferenças entre ler informação em formato digital e em formato de papel, porém todos podem beneficiar das tecnologias, já que é possibilitada a contribuição individual de cada um, em qualquer lugar e em qualquer hora.
2.1.8.
Cidades Inteligentes
As cidades inteligentes derivam da fusão das cidades digitais e das cidades de conhecimento (Moser, 2001; Nicos Komninos, 2006; (Nam e Pardo, 2011a).
Komninos (2006) refere que as cidades inteligentes representam ambientes que habilitam a criatividade construída coletivamente, através da combinação das capacidades cognitivas individuais e de SI que operam nos espaços físicos, digitais e institucionais das cidades. O autor define-as como integradoras de atividades e clusters de conhecimento intensivo, sendo facilitadoras de rotinas de cooperação social, permitindo a inovação e a partilha de conhecimento.
Estas cidades destacam-se pelo paradigma de criação de ambientes propícios ao melhoramento das capacidades humanas e cognitivas e de aprendizagem das pessoas. O incentivo à inovação é realizado através da criação de espaços digitais, SI e serviços online para a existência de novas funcionalidades, onde para além da cooperação facultam a transferência e criação de conhecimento (Komninos e Sefertzi, 2009).
Os Living Labs são exemplo de locais físicos onde pode acontecer a criação e partilha de conhecimentos tecnológicos (Yovanof e Hazapis, 2009).
As cidades inteligentes exigem a capacidade de resolução de problemas, inovação e resiliência. Esta capacidade pode ser aumentada pela inteligência coletiva, que visa a combinação das competências de cada indivíduo para encontrar a solução de um problema, ou seja perante determinado problema podem ser reunidas as sinergias de um grupo de pessoas (Komninos, 2006).
Em 2009 Eindhoven, na Holanda e Estocolmo, na Suécia eram as cidades europeias que mais se destacavam como cidades inteligentes.
2.1.9.
Cidades Ubíquas
As cidades ubíquas proveem da extensão do termo de cidades digitais (Anthopoulos e Fitsilis, 2010).
31 A cidade é criada através dos sensores e chips de computador embutidos em componentes urbanos, tendo como meta, a construção de um ambiente digital onde a população consiga obter acesso, em qualquer dispositivo, a qualquer hora e em qualquer lugar, a um determinado serviço (Lee, Han, Leem e Yigitcanlar, 2008; Nam e Pardo, 2011a).
A computação ubíqua ou tecnologia omnipresente está no cerne desta cidade, sendo proposta no início dos anos 90, por Mark Weiser num projeto da Xerox, nos E.U.A., referindo-se às capacidades computacionais e à omnipresença da tecnologia de informação. A tecnologia omnipresente normalmente não utiliza fios e é móvel, auxiliando os indivíduos a estarem conectados quando pretendem, ao mundo e às pessoas que utilizam as mesmas tecnologias (Yigitcanlar e Lee, 2014).
A cidade ubíqua é baseada em redes de sensores, onde estes comunicam continuamente com dispositivos eletrónicos, com ou sem fios, incrustados em pessoas, edifícios, infraestruturas ou em qualquer espaço urbano. Facilita a comunicação ubíqua de pessoa para pessoa, pessoa para objeto e objeto para objetos, onde os computadores ou os dispositivos estão ocultos dos utilizadores (Lee et al., 2008).
Lee et al. (2008) referem ainda que a teleconferência, a telemedicina, os sistemas inteligentes de transportes e a deteção remota são serviços sempre disponíveis nestas cidades (Lee et al., 2008).
A Coreia do Sul destaca-se como exemplo de uma cidade ubíqua e vanguardista no setor das TI (Shin, 2009).
2.1.10.
Cidades Sem Fios
Anthopoulos e Fitsilis (2010) assinalam as Wireless Cities, como uma das bases para a evolução das cidades digitais, como forma de estabelecimento de um ambiente ubíquo em espaços urbanos.
Em 2006, cidades como São Francisco, Boston, Londres e Taipei em Taiwan manifestaram o seu interesse em pôr em prática a criação de redes sem fios. Taipei pretendeu constituir uma cidade sem fios em larga escala e Singapura planeou a instalação de uma rede de Internet sem fios (Hu, 2014).
O acesso ao wireless intensificou-se, devido ao fenómeno dos hotspots exteriores, ou seja locais públicos como centros comerciais, transportes públicos e cafés que disponibilizam o acesso à Internet gratuitamente (Cisco, 2007).
32 públicos e a entrega de serviços de Internet wireless de baixo custo para comunidades com poucos rendimentos (Hu, 2014; Gunasekaran e Harmantzis, 2007).
33
2.2.
S
MARTC
ITIESEm relação à etimologia da palavra Smart City, Hollands (2008) refere que este conceito emergiu devido a debates, nos países ocidentais, sobre o desenvolvimento urbano e que o Fórum Mundial de Cidades Inteligentes, em 1997, sugeriu a cerca de cinquenta mil cidades em todo o mundo que desenvolvessem iniciativas inteligentes na década seguinte. Por outro lado, Batty et al. (2012) referem que o conceito smart é tipicamente Americano, utilizado para indicar ideias ou pessoas com ideias inteligentes, e que atualmente foi adotada para caracterizar o planeamento urbano, relembrando o movimento do crescimento inteligente, que se refere ao alcance de uma maior eficiência, pela cooperação de vários setores como os transportes e a economia, sem qualquer intervenção, deixando as coisas seguirem o seu rumo.
Também no princípio dos anos 90 este conceito estava ligado ao desenvolvimento urbano e à globalização, inovação e utilização de tecnologias (Schaffers et al., 2011). Todavia, ganhou uma nova dimensão graças às TIC, surgindo como uma fórmula para atenuar os problemas citadinos e melhorar a qualidade de vida nas cidades (Nam e Pardo, 2011a). Atraindo a atenção das autarquias como forma de desenvolver novas medidas no contexto urbano, tornando-se numa “moda” política (Schaffers et al., 2011; Caragliu et al., 2011).
Schaffers et al. (2012) também referem que a IBM tem contribuído maioritariamente para a propagação deste conceito, fazendo dele uma estratégia de negócio. “As SC, como as cidades criativas fazem parte dos jogos da linguagem urbana contemporânea em torno da gestão e do desenvolvimento urbano”. Nela participam especialistas de marketing, consultores e organizações,
como a IBM com a sua estratégia de fornecimento de serviços, campanha e presença na construção das SC (Söderström, Paasche e Klauser, 2014).
Vários autores (por exemplo Odendaal, 2003; Hollands, 2008; Caragliu et al., 2011; Chourabi et al., 2012; Manville et al., 2014) referem que o crescente e complexo êxodo para as cidades é propícia ao surgimento de uma vasta panóplia de problemas sociais, ambientais, sobrelotação e consumo de recursos, como a eletricidade, sendo por isso necessária uma maior capacidade de gestão e inovação para mitigá-los.
Logo, estas cidades também surgem como uma solução para desafios como, a manutenção dos postos de trabalho e lutar contra a pobreza através da criação de emprego, otimização e gestão dos recursos hídricos e energéticos, segurança, sustentar uma economia inovadora e a riqueza das cidades. Para estes objetivos serem atingidos os autarcas terão de planear estratégias e tomar iniciativas para criar um ambiente físico digital, utilizar aplicações e serviços eletrónicos e assegurar a sustentabilidade das SC a longo prazo através de modelos de negócio viáveis (Schaffers et al., 2011). Devido a estas causas, atualmente as cidades são consideradas sistemas complexos onde são estabelecidas inúmeras conexões (Neirotti, De Marco, Cagliano, Mangano e Scorrano, 2014).
34 sensores permitem capturar uma grande quantidade de dados que se traduzem em informação sobre as atividades praticadas pelos cidadãos e nas cidades.
Como esta ideologia é relativamente nova e atualmente bastante difundida (Manville et al., 2014) não existe um consenso quanto à sua definição, visto que são vários os autores que referem que o conceito Smart City, apesar de ser utilizado globalmente não está clarificado, isto é na forma como ele é aplicado, visto que podem haver referências a outros adjetivos associados a diferentes contextos, adquirindo significados distintos consoante a área de atuação, mais tecnológica ou numa vertente em que se valoriza o conhecimento das pessoas, por exemplo (Chourabi et al., 2012).
Por um lado, as SC podem estar ligadas à palavra sustentabilidade e ao aumento da utilização das novas tecnologias, como os telemóveis inteligentes, computação em nuvem e Internet das Coisas (Schaffers et al., 2011). Também Batty (2013) compartilha a mesma ideia de Hollands (2008) na área das tecnologias, indicando qua as SC podem ser sinónimo de cidades de informação e de cidades inteligentes. Por outro lado Hollands (2008) também indica que as SC, devem considerar principalmente o capital humano do que acreditarem que apenas as TI podem transformar e desenvolver as cidades automaticamente, referindo que as cidades são mais do que fios, cabos e escritórios inteligentes, existindo um grande número de pessoas que merecem mais do que isso. Ainda, Nam e Pardo (2011) consideram que as Smart Cities são cidades humanas, bem como cidades de aprendizagem.
Ainda numa vertente tecnológica Chourabi et al. (2012) e Schaffers et al., 2012 referem no seu estudo, a analogia elaborada por Mitchell (2007) entre as tecnologias utilizadas nas SC e o corpo humano a nova inteligência das cidades encontra-se na combinação das redes digitais de telecomunicações (os nervos), inteligência ubíqua incorporada (o cérebro), sensores e etiquetas (órgãos sensoriais) e o software (as competências cognitivas e o conhecimento).
E de acordo Komninos (2011) as cidades devem conter uma inteligência espacial, caracterizada por uma capacidade que possibilita às comunidades, existentes dentro da cidade, beneficiarem do seu capital intelectual. Essa inteligência deve ser composta, pela inteligência artificial, constituída por ambientes virtuais e sistemas inteligentes, pela inteligência coletiva, onde deve constar o capital social das instituições e por último pela inteligência inovadora e criativa.
35 consegue identificar a localização do utilizador, a ubíqua e a pervasiva e ainda os dispositivos embutidos na construção de espaços urbanos, como redes de sensores, câmaras e telecomunicações fixas ou sem fios. Estas tecnologias são utilizadas para supervisionar e controlar os processos da cidade em tempo real. Quanto à segunda parte, esta refere-se ao desenvolvimento da economia do conhecimento com base nas pessoas, no empreendedorismo, na inovação e criatividade.
Em 2007, Giffinger et al. referiu que o termo SC estava associado a vários setores de atividade, como o grau de educação dos cidadãos, a economia, a governação da cidade e criação de novos meios de comunicação com a população, utilização de novas tecnologias, segurança e mobilidade.
2.2.1.
Áreas e vertentes associadas às SC
Para além, das tecnologias e conceitos associados às tês vertentes referidas anteriormente para explicar em que consistem as SC (Santos, 2014), verificam-se também outras áreas e componentes que constituem os objetivos das SC.
Manville et al., 2014 consideram na sua publicação, que uma cidade para ser classificada como Smart City deve ter pelo menos uma iniciativa referente a uma das seis áreas de atuação definidas por Giffinger et al. (2007), que podem ser observadas na Figura 2.1.
Figura 2.1 - Exemplo de Áreas Principais numa Smart City Fonte: Elaboração Própria com base em Manville et al. (2014)
36
Pessoas Inteligentes (Capital Humano e Social)
Modo de Vida Inteligente (Qualidade de Vida)
Mobilidade Inteligente (Transporte e TIC)
Aprendizagem ao longo da vida Atração Turística Acessibilidade (Inter) Nacional Cosmopolitismo e Mente Aberta Coesão Social Acessibilidade Local
Criatividade Condições de Saúde Disponibilidade de Infraestruturas TIC Flexibilidade Infraestruturas Culturais Sistemas de Transportes Seguros e Sustentáveis Nível de Qualificações Infraestruturas Educacionais
Participação na Vida Pública Qualidade da Habitação Pluralidade Ética e Social Segurança Individual
Ambiente Inteligente (Recursos Naturais)
Economia Inteligente (Competitividade)
Governação Inteligente (Participação)
Atratividade das Condições Naturais Abilidade para Transformar Estratégia e Prespetivas Políticas Gestão Sustentável dos Recursos Empreendedorismo Governação Transparente
Poluição Espírito inovador Participação na Tomada de Decisões Proteção Ambiental Flexibilidade do Mercado de Trabalho Serviços Públicos e Sociais
Imagem Económica e Marcas Registadas Inserção Internacional
Produtividade
qualidade da formação e acesso a eventos culturais; Mobilidade Inteligente, onde está disponível uma infraestrutura de TIC, que possibilita a segurança, acessibilidade e sustentabilidade dos transportes públicos; Ambiente Inteligente refere-se a questões de proteção ambiental, medidas que promovem a redução da poluição e gestão dos recursos disponíveis; Economia Inteligente engloba a produtividade, relações com agentes económicos externos e empreendedorismo; Governação Inteligente conta com a participação e estratégia política, e ainda o desenvolvimento de serviços públicos (Giffinger et al., 2007).
Estas seis características são definidas por um determinado número de fatores (ver Figura 2.2), para um melhor enquadramento e entendimento das mesmas. Como exemplo ilustrativo, verifica-se
que a área “Pessoas Inteligentes” engloba fatores de ordem humana e social, tendo em consideração
projetos que promovam a aprendizagem ao longo da vida, o aumento de classificações. Já no caso da
“Mobilidade Inteligente” são incluídos fatores a nível das infraestruturas de TIC, bem como elementos ligados à acessibilidade.
Já a IDC (2012) considera cinco dimensões de inteligência: edifícios inteligentes, energia e ambiente inteligentes, governação inteligente e serviços inteligentes. E Schaffers et al. (2011) apresentam três domínios de atuação nas SC: Economia Inovadora; Infraestrutura da cidade e serviços e Governação.
Figura 2.2 - Fatores associados às seis características das Smart Cities (Adaptado)
37 Seguidamente são apresentados alguns conceitos enquadrados nas três vertentes, referidas anteriormente.
2.2.1.1.
Vertente Análise de Dados
A velocidade e o grande volume de dados resultantes das atividades diárias como por exemplo, utilizar o cartão de fidelização do supermercado, a passagem numa portagem e o pagamento de contas por multibanco, conferem a análise e a descoberta de padrões que caracterizadores do perfil de um grupo de cidadãos e ainda a compreensão do dia-a-dia na cidade.
Seguidamente são apresentados alguns dos conceitos inseridos nesta vertente:
Big Data
Os dados que não cabem numa folha de Excel podem ser considerados big data. Esta grande quantidade de dados é produzida automaticamente, em tempo real, por sensores, que podem indicar a georreferenciação dos dados ou podem ser produzidos pelas pessoas, por exemplo através do crowdsourcing onde são as próprias a inserir os dados.
Big data permite saber como a cidade funciona e permite que a tomada de decisão seja mais informada e fundamentada (Batty, 2013). Este é definido principalmente por três apanágios: a variedade com que os dados podem ser produzidos por múltiplas fontes como, imagens colocadas em redes sociais, sinais de GPS em telemóveis; a velocidade, com que os dados são criados em tempo real ou quase real podem trazer vantagem competitiva para uma empresa, dado que podem antecipar o número de pessoas que em determinado local se encontram e prever o número de vendas efetuado nesse dia; e o volume, uma enorme quantidade de dados pode ser gerada a cada hora e as empresas podem trabalhar com petabytes de dados numa única base de dados (McAfee e Brynjolfsson, 2012).
Já Kitchin (2014) descreve que big data consiste em bases de dados dinâmicas, detalhadas, com baixo custo, massivas e interrelacionadas, que podem conter dados muito grandes, como dos censos, informação sobre os cidadãos, registos de eventos nas cidades e informação sobre transações e clientes.
IoT e IoE
38 microcontroladores e transcetores8, estando assim integrados na Internet. Esses objetos podem ser câmaras de vigilância, sensores ou eletrodomésticos (Zanella et al.,2014).
Evans (2012) citando Gartner (2012) menciona que à medida que as coisas acrescentam novas capacidades como a sensibilidade ao contexto, independência energética, o aumento do poder de processamento e novos tipos de informação e pessoas conectadas, a Internet das Coisas converte-se na Internet de Tudo, numa rede de redes onde biliões e triliões de conexões criam inúmeras oportunidades e novos riscos de segurança.
A Internet de Tudo gera uma grande quantidade de dados, alguns dos quais, nunca teremos acesso. O mais interessante é a exploração dos dados, quando estes são analisados inteligentemente existem infinitas soluções para criar algo. Também, faculta a tomada de decisões e comunicações de maneira mais eficiente e com maior rapidez e a descoberta de novas informações (Clarke, 2013).
Social Media Intelligence
Surgiu em 2012, num artigo de Sir David Omand, Jamie Bartlett e Carl Miller. Possibilitam que as organizações acedam e dados sobre a utilização das redes sociais e até mesmo conversas que aí se realizem, permitindo conhecer tendências, opiniões e necessidades dos utilizadores. De tal forma que podem ser utilizados métodos intrusivos ou não intrusivos (Wikipedia, 2015d).
Business Intelligence
Este termo surgiu nos anos 90, tornando-se bastante utilizado por profissionais de TI, sendo utilizado para analisar uma grande quantidade de dados (big data), complexos, provenientes das redes sociais e de sensores. Para o estudo ser efetuado são utilizadas diferentes etapas de tratamento de dados, como ETL (Extract, Transform and Load), que permite extrair dados de diversas fontes como sistemas, bases de dados e transformá-los previamente, segundo as regras de negócio de uma organização, antes da sua alocação num repositório de dados ou Data Mart, que é um subconjunto de um Data Warehouse (Armazém de Dados). Os principais fornecedores da inteligência empresarial são a Microsoft, Oracle, SAP e IBM (Chen e Storey, 2012).
Data Mining
As técnicas que constituem este conceito foram desenvolvidas nos anos 80 (Chen e Storey, 2012). Baseia-se na técnica de aprendizagem de máquinas. Através de Data Mining consegue-se extrair dados úteis para interpretar a cidade (Batty et al., 2012). Este termo surgiu devido à sua utilização por analisadores de dados, técnicos estatísticos e pela utilização de sistemas de gestão de informação. Através da aplicação de algoritmos consegue-se analisar bases de dados com um