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Rev. Bras. Enferm. vol.48 número4

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Academic year: 2018

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FERRIRA, Noeli M. L. A35• A DIFíCIL CONVIVÊNCIA COM O CÂNCER:

UM ESTUDO DAS EMOÇÕES NA ENFERMAGEM ONCOLÓGICA. Dissertação de Mestrado em Psicologia Social. Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

Professora Orientadora: Mary jane Paris Spink

Este trabalho surgiu das relexões sobre as diiculdades percebidas a nível individual e coletivo de uma proissão em conlito entre assistir as necessidades biológicas do indivíduo - área mais visível e carente da assistência de Enfermagem aos pacientes - e levar em consideração as necessidades das áreas psicológica e social. O conlito se estabelece não só pela diiculdade em assistir o homem como todo dinâmico e integrado, mas também, pela necessidade de se proteger da ansiedade que todo contexto de trabalho com o ser doente suscita, principalmente quando se forma uma relação efetiva com o mesmo. Os inúmeros mecanismos de defesa (Menzies, 1 975) que foram sendo incorporados à orgaização do trabalho dos efermeiros ao longo da istória tiveram como principal inalidade justamente o controle das emoções, visando diminuir a ansiedade e viabilizar a assistência. Mas estes embora ainda eicientes, muitas vezes falham, principalmente diante de situações em que lidar com doenças estigmatizantes, mutiladoras e incuráveis faz pate do cotidiano de trabalho. Doenças como o câncer, a qual, apesar de toda a tecnologia e avanços terapêuticos alcançados, conseguiu-se assim, a quantidade dos contatos entre o paciente e os proissionais do hospital. Para o enfermeiro este é também um ponto crucial, uma vez que, pelas circunstâncias do seu trabalho -com ênfase na área hospital - ele tem mais oportunidades de conviver -com este paciente e, portanto, de experienciar suas dores e seus sorimentos e conseqüentemente estabelecer um maior envolvimento com a ragilidade humana. Vemos então que cada vez mais o enfermeiro está sendo chamado a se preparar para enfrentar a problemática do doente terinal, uma vez que este o coloca face a face com as ustrações de um trabalho com poucos retonos gratiicantes, onde se torna necessário entender as construções culturais comulativas que medeiam o sigiicado imputado às emoções, no dia - a - dia do seu trabalho. Abdu-Lughod

& Lutz ( 1 990), vêem as emoções como uma construção sócio-cultural que pode ser explorada através de estudos etnoráicos. Heller ( 1 985), considera que as emoções são originárias da regulação dos demais sentimentos e as normas éticas têm um papel decisivo na reulação de emoções. Harré; Clarke; De Carlo ( 1 985), estudando as emoções consideraram que algumas delas só podem ser identiicadas á luz de uma distinção no campo dos direitos e deveres. Potanto, com este estudo pretendemos veiicar que emoções estão presentes na Assistência de Enfermagem ao paciente oncológico, como elas são enfrentadas pelos

35 Enfermeia. ofessora ssistente do eto. de Enfermagm a FSC - SP

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enfermeiros e em que medida estas estratégias se processam a nível individual ou coletivo. - Para alcance deste objetivo, foram consultados 40 enfermeiros numa abordagem inicialmente quantitativa que permitisse a contetualização da população estudada e a de suas condições de trabalho.

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patir desses dados, foi realizado um aproundamento da questão com a utilização de metodologia qualitativa, através de técnicas de entrevistas estruturadas e semi-estruturada, bem como da realização de observação de campo. A análise temática dos discursos dos enfermeiros permitiu a identiicação dos núcleos de sentidos destacados na elaboração dos Mapas de Associação de Idéias, sendo eles: a doença, o paciente, a equipe e a instituição, as emoções emergentes e as formas de enrentamentos. - A análise desses dados nos permitiu identiicar qual a visão que os efermeiros têm do câncer e do paciente, que emoções eles apresentam no dia a dia da Assistência de Enfermagem, as formas como enrentam as situações consideradas diiceis e a mediação da culura instiucional como elemento controlador da expressão emocional.

Referências

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