Portfólio sobre vivência e estágio na realidade do Sistema Único de Saúde entre os dias 23 à 29 de outubro de 2016, em Barra do Garças – Mato Grosso.
VER-SUS BARRA DO GARÇAS/MT.
VER-SUS BARRA DO GARÇAS/MT 2016.
PALESTRAS:
As palestras foram de extrema importante para que pudéssemos entender um pouco mais da estrutura que iriamos encontrar. Nós, de Cuiabá, chegamos no fim do primeiro dia, por este motivo, não conseguimos participar das primeiras palestras que falavam mais profundamente sobre a história da saúde e do SUS. Foi feita uma breve síntese do que foi passado nas palestras ao chegarmos e passamos para a de saúde indígena, palestrada pela Professora Elizabeth Anjos. Está primeira palestra, ao meu ver, foi muito importante para nossa inserção na aldeia indígena. Com ela entendemos um pouco mais sobre as necessidades indígenas e como funciona o sistema de saúde para as aldeias indígenas. Pudemos entender sobre o SPI (Serviço de Proteção aos índios) e a FUNAI (Fundação Nacional dos Índios). Muitos indígenas utilizam o Hospital Municipal de Barra do Garças, como foi observado em vivencia. Disso observei que eles – os indígenas- sabem que podem utilizar o SUS, porém percebo a necessidade de saber até onde vai o direito do SUS. NO VER-SUS até eu pude entender a diversidade de serviços que o sistema oferece, serviços que achamos que são pagos dentro SUS, instituições que nem
SOBRE
O
VER-SUS
Ver-sus é um projeto de vivência e estágios na realidade do sistema único de saúde. Ele tem a parceria da Rede Unida e do próprio Ministério da Saúde. No programa, somos inseridos nas unidades e serviço de saúde da cidade em que está sendo realizada a vivência para conhecer melhor os princípios, desafios, dificuldades e as diretrizes do Sistema Único de Saúde. O projeto integra
acadêmicos de diversos cursos, durante 7 dias, em diferentes unidades, instituições para que enriqueçam suas formações e possam fazer parte deste sistema futuramente.
DURANTE O VER-SUS TIVEMOS UMA PROGRAMAÇÃO REPLETA DE PALESTRAS E VIVÊNCIAS, HOUVE UM EQUILIBRIO ENTRE TEORIA E PRATICA PARA NOSSA FORMAÇÃO. TIVEMOS PALESTRAS SOBRE HISTÓRIA DA SAÚDE, SAÚDE INDÍGENA COM A PROFESSORA ELIZABETH ANJOS, RODA DE CONVERSA SOBRE
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variedade de serviços oferecidos à população. Algo que me chamou a atenção foi a quantidade de etnias inacessíveis, pensamos que o sistema consegue atingir todos, porém temos a barreira da comunicação. Acabamos deixando de lado algumas etnias que ainda não possuem forma de se comunicar ou nos proíbe de adentrar em seu meio para que possamos entender suas necessidades e que elas também conheçam o SUS e saibam que também pertence a elas.
“Versusianos” e a Professora Elizabeth Anjos, da Saúde Indígena.
Terapia Coletiva Integrada realizada com os Versusianos.
Outro ponto muito importante foi o cuidado conosco. Me chamou atenção, no VER-SUS, a atenção conosco mesmo. Discutir sobre a população é muito importante, mas esquecemos do cuidado pessoal, da nossa saúde mental. Durante o VER-SUS tivemos diversos momentos para a gente. Tivemos a Terapia Coletiva Integrada, tivemos o corredor do cuidado, após as vivencias e palestras e até a manifestação tivemos o momento para dizermos o que vimos ou sentimos. Isso realmente me chamou atenção e mudou minha vida, foi realmente marcante sentar com outros estudantes e poder dizer o que estávamos sentindo, o que presenciamos, o que nos incomodava. Pudemos ter uma imersão profunda, mas ao mesmo tempo cheia de cuidados. A comissão organizadora teve essa precaução em nos dar essa formação mas cuidar de nossa saúde mental ao mesmo tempo. Pode-se em todos os momentos expressar o que estava sentindo, sem reprimi-lo, realmente, me senti amada em todos os espaços de cuidado.
Como futuros profissionais da saúde, pudemos
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que os índices de mortalidade diminuam e não o contrário.
É muito importante a representatividade nas manifestações, estivemos em uma contra a PEC 55 que, também, aborda sobre o congelamento dos gastos com saúde. Ainda somos estudantes, mas devemos garantir que nossa profissão tenha qualidade, não só de trabalho, mas também de atendimento. A manifestação contra a PEC 241 (agora 55 no senado) ocorreu no dia 25 de outubro e contou com, majoritariamente, secundaristas. Fomos enquanto estudantes da área da saúde em defesa do SUS e todos os direitos da saúde que serão prejudicados com a aprovação da PEC. Foi muito enriquecedor participar, pois manifestação também é um espaço de formação, é um espaço de contato com a população, com os futuros acadêmicos, a manifestação foi um espaço em que pudemos expressar nossa insatisfação com as atuais políticas públicas colocadas que exterminam nossos direitos e vão de maneira controvérsia à melhoria dos sistemas públicos, seja de saúde, educação, previdência, etc.
VIVÊNCIA NA UBS DE OURO FINO NO DIA 26 DE
OUTUBRO.
Na vivencia, tivemos um pouco mais de informações sobre saúde indígena. Na UBS de visita, a coordenadora havia trabalhado já 6 anos com saúde indígena e era professora sobre o assunto. Conseguimos adquirir, bastante, conhecimentos sobre a estrutura de uma UBS quanto sobre o tema do VER-SUS Barra do Garças. A Cinthya enfermeira e
responsável pela UBS nos recepcionou muito bem e nos explicou bastante sobre as principais dificuldades com a saúde indígena e da UBS. Foi muito interessante toda a vivência que tivemos no local e tamanho aprendizado que tivemos lá dentro. Duas coisas que me marcaram e que levarei para minha área profissional, caso permaneça nessa linha, será a diferença cultural e a parceria entre áreas da saúde. Foi focado o fato do
estranhamento, do vínculo com o indígena, como isso é difícil de conseguir pela diferença do fator cultural. Muitas vezes o que é errado para nós, é certo para eles e aplicamos a nossa lógica para aquela situação. Isso se aplica também a saúde, foi nos alertado o quanto, em algumas culturas, pode ser difícil aplicar uma teoria, aplicar uma regra que não é comum para determinada etnia. Nesta vivencia tivemos pratica direta com o que nos foi passado pela Professora Elizabeth eu sua palestra sobre saúde indígena, ela também havia nos falado sobre o conflito entre culturas, são diferentes logicas de entendimento. Ai devemos ter, acima de tudo, respeito pela cultura em que nos inserimos, estamos
essa ligação entre UBS E CAPS, não há esse modelo em que todos agem em conjunto para a recuperação do paciente.
VIVÊNCIA NO HOSPITAL MUNICIPAL DE BARRA
DO GARÇAS MILTON PESSOA MORBECK E
PALESTRA SOBRE A RAPS
Pudemos conhecer um pouco mais sobre a estrutura de um hospital Municipal, também. Foram escolhidos alguns viventes para que conhecessem internamente o Hospital de Barra do Garças. No Hospital tivemos mais contatos como algumas demandas indígenas
novamente, foram encontrados muitos índios utilizando o SUS ou internados. Foi levantado que muitos deles estavam ali com tuberculose e que haviam muitos casos desse dentro da população indígena. A noite, tivemos uma palestra sobre a RAPS o que foi muito
importante para mim pois é uma parte que contempla meu curso. A Palestrante abordou um pouco sobre a história da psiquiatria no Brasil e quais os serviços que a RAPS oferece. Foi sistematizado em categorias todos os serviços e o que eles abrangem. Foi bastante
interessante pois montamos uma linha do tempo que vai do primeiro Hospício (Pedro II), a criação das portarias até os desafios que a RAPS encontra.
VIVÊNCIA NO LAR DA PROVIDÊNCIA E
CONVERSA COM O SECRETÁRIO DA SAÚDE DE
BARRA DO GARÇAS E A GESTORA DO SUS EM
BARRA DO GARÇAS.
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macrorregião. Percebe-se grande financiamento em sua saúde e todo o cuidado em manter a saúde de qualidade. Todos os serviços ofertados em Barra do Garças são 100% SUS, o que nos chama atenção por dar uma saúde totalmente gratuita à população local ou que ali passa. Foi ressaltado ali, também, que o Hospital de Barra do Garças acaba atendendo até quem não é do município, tem muita demanda por ser um hospital bom e referência em saúde. Observamos isso na vivência no Hospital, é atendido diversas pessoas, diversos públicos, a população indígena e pessoas de municípios vizinhos que preferem ser atendidos ali. Foi bem interessante pois, como conta a gestora e o Secretário, eles buscam sempre ouvir a população para atender seus pedidos, as reuniões dos conselhos de saúde são abertos e sempre tem chamadas para que todos participem das propostas e assim haja uma melhoria do serviço ofertado.
VIVÊNCIA NA ALDEIA SÃO MARCOS (ETNIA
XAVANTE)
Com todo o preparado e estrutura que tivemos nos dias anteriores, para mim, foi muito tranquilo vivenciar em uma aldeia. Tivemos total apoio nas palestras que foram nos ofertadas durante o VER-SUS e nas vivencias anteriores. Fomos muito bem recepcionados pelo Cacique Zé Maria e participamos de algumas danças da cultura. De início, foi nos ensinados a dança das mulheres para que dançássemos com eles, logo após fizemos uma mesa para que falássemos um pouco aos índios da aldeia sobre o que era o VER-SUS e a sua importância. Estávamos em uma escola, porém notei, também, a participação de homens adultos, mulheres com crianças de colo, etc. Achei bem interessante as matérias ofertadas pela escola e a quantidade de aldeias que a escola atende (8 aldeias), desde fundamental até ensino médio. Na minha ignorância, acredita-se que os índios não têm muito o que aprender, ou não necessitam das matérias escolares que temos, porém eles possuem as mesmas materiais, até mais que nós. Tivemos roda de conversa sobre a RAPS, pudemos aprender um pouco da dança deles e eles um pouco da nossa. Realmente, foi uma troca de conhecimento muito gratificante para mim.
Tudo o que eu vivi foi realmente acrescentador na minha formação, para meu pensamento crítico, para minha militância, para minha saúde mental, para meu crescimento. Eu realmente aprendi muito, até sobre coisas que eu deveria saber e não sabia, coisas que eu não imaginava. Conheci pessoas que levarei para sempre, pessoas excelentes que me acrescentaram muito.
Aí, se tem uma coisa que é verdade é que juntos somos mais fortes. Se estivéssemos em uma TCI agora o sentimento que diria é gratidão por conviver uma semana com vocês. Se eu encontrasse uma lâmpada mágica e tivesse três desejos ia pedir mais uma semana com vocês, biscoitos maizenas e uma caixa DE QUEM PARA QUEM.
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O QUE FOI O VER-SUS PARA MIM
Que loucura!
O que foi isso que vivi?!
Aldeia, saúde da população, saúde mental, esse caminho eu vou seguir? Para quem minha psicologia serve? Para quem a partir de agora ela vai servir? Mudou um parafuso aqui, ali...
Eu não vou mentir
Opa, não foi assim que eu aprendi Está certo isso aqui?
Sai lá da periferia, de Cuiabá, RJ, Bahia Até de Brasília
Pra somar no SUS
Quem sabe trazer um pouco da minha luz Acrescentar o funk, o axé ou o blues Ou qual seja
Respeitar a cultura a gente viu nesse VER-SUS Sair em um manifesto, gritar pela cidade
Eu quero igualdade!
Quero um SUS de qualidade
Pro índio, pro louco, pro macumbeiro, pro gay ou pro pastor pós moderno. Seja qual for seu credo, com os coleguinhas de todos os cursos eu aprendi Enquanto lutarmos, o SUS será eterno.
Eu nem sei rimar ou fazer poesias Mas tá ai pro universo!