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Rev. adm. empres. vol.10 número2

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A Contabilidade Oecisorial em seu Segundo Estágio

- O Planejamento Geral das Atividades

2.a Parte: Acompanhamento do P.G.A. e os Graus de Aproximação do P.G.A.

José Luiz Bicudo Paranhos*

1. Síntese dos Principais Pontos Abordados na

Pri-meira Parte (RAE-l/70). 2. Acompanhamento do

P.G.A. 3. Graus de Aproximação do P.G.A.

Na primeira parte dêste artigo, publicado na RAE, voI. 10, n.? 1 de março de 1970, sob o mesmo título, focalizamos alguns aspectos ge-rais do Planejamento Geral das Atividades, e tecemos comentários sôbre suas partes componentes e sôbre os critérios utilizados para sua elaboração e divulgação. Tentamos mostrar como os conceitos da Contabilidade Decisorial, empregados no seu primeiro estágio (RAE voI. 9, n.? 1, março de 1969, p. 72-89), podem nos auxiliar nesta ta-refa e como o fato de planejar o desenvolvimento da emprêsa enri-quece o sistema, permitindo não só uma integração de informações, mas também e, principalmente, uma integração da própria ação admi-nistrativa.

Dois pontos importantes queremos comentar nesta segunda parte. O primeiro diz respeito ao contrôle do cumprimento do P.G.A., às afe-rições de desempenho e à definição de responsabilidade sôbre os des-vios verificados em relação ao Plano. O segundo mostra como se pode simplificar o P.G.A., em diversos graus de aproximação, de modo a

<, Engenheiro, consultor em Administração de Emprêsas, Assistente da

Diretoria encarregado dos programas de desenvolvimento técnico da OECI -Organizadores, Economistas e Consultores Industriais Ltda., São Paulo.

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ser exeqüível sua utilização em emprêsas que não atingiram ainda o grau de organização necessário para a elaboração de planos mais so-fisticados.

Antes, porém, a título de recordação, daremos uma síntese rápida dos principais pontos abordados na 1.a parte dêste artigo.

1. Síntese dos Principais Pontos Abordados na Primeira Parte (RAE, março de 1970,p. 131-153)

1 . 1. O Plano Geral de Atividades compõe-se das seguintes partes principais:

Plano de Lucro

Previsão Financeira

Plano de Investimento

O Plano de Lucro estabelece o lucro a ser auferido no período em estudo.

A Previsão Financeira, através da evolução patrimonial projetada em decorrência dos negócios programados, antevê as épocas financeira-mente críticas para a emprêsa e propõe as medidas para corrigi-las.

O Plano de Investimento estuda as alternativas possíveis de investi-mento na emprêsa, definindo aquelas que, por sua melhor rentabilida-de ou conveniência social, política ou comercial, rentabilida-devem ser levadas adiante no período.

1.2. O período abrangido pelo P.G.A. pode variar de emprêsa para emprêsa, sendo, em geral, de um ano. ~ste período foi o adotado nos exemplos do presente trabalho.

1 . 3. A elaboração do Plano de Lucro mrcia-se com a Previsão de Vendas. Ao mesmo tempo faz-se a revisão dos custos incrementais (diretos), padrão de fabricação dos produtos e das porcentagens das Despesas Proporcionais de Venda. Calcula-se o custo dos produtos vendidos. Determina-se as Despesas Regulares e Programadas, obten-do-se então o lucro planejado. Esta previsão de lucro é feita tanto para o ano todo, como também mês a mês ou por trimestre.

1 . 4. A Previsão Financeira tem igualmente, como ponto de partida, a Previsão de Vendas. Daí decorre diretamente o volume previsto de recebimentos e o de despesas proporcionais de venda.

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As saídas correspondentes às despesas proporcionais de fabricação provêm indiretamente da mesma Previsão de Vendas, através da Pre-visão de Produção (gastos de transformação) e da Previsão de Com-pras (matérias-primas).

As Despesas Regulares e Programadas já foram previstas para o Plano de Lucro, necessitando apenas seu escalonamento no tempo, segundo as épocas de desembôlso.

Outros elementos são ainda incluídos como saída de numerano cor-respondendo à distribuição de dividendos, amortização de emprésti-mos, pagamento de Impôsto de Renda, despesas financeiras decorren-tes das necessidades de descontos, etc.

1 . 5. O Plano de Investimento, além de estudar as alternativas de aplicação, prevê também os recursos que poderão ser usados, tais como reinversão de lucros, empréstimos, aumento de capital, etc. Per-cebe-se que existe uma estrita ligação com a própria Previsão Fi-nanceira.

1 .6. O Plano Geral de Atividades, uma vez elaborado, deve ser di-vulgado aos diversos escalões da hierarquia da emprêsa, com certa for-malidade. Passa assim a constituir a base de ação para tôda a em-prêsa, o que garantirá uma integração administrativa e permitirá que sejam medidos os graus de desempenho e eficiência atingidos pelos diversos setores da organização.

Após êste breve resumo, passaremos à seqüência do assunto objeto desta 2.a parte.

2. Acompanhamento do P.G. A.

Para que um P.G.A. seja completo não basta que sejam executadas as tarefas de elaboração e divulgação do Plano. Épreciso acompanhar o seu cumprimento.

Os dados previstos serão, portanto, confrontados com a realidade, cujos desvios orientarão os dirigentes quanto às medidas e decisões a serem tomadas. Atingimos, de uma forma mais completa, as vanta-gens de uma administração por exceção, que faz concentrar todo o es-fôrço administrativo naqueles pontos que estão fugindo ao plano

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estabelecido, evitando dispêndio de tempo em questões que seguem seu curso normal, tal como fôra previsto.

2.1. AS VARIAÇÕES EM RELAÇÃO AO P.G.A.

Com a adoção do P.G.A. surge um nôvo tipo de variação, diferente daquelas já comentadas no primeiro artigo da série (RAE -

mar-çoj69). Enquanto no primeiro estágio utilizamos somente as

varia-ções relacionadas com os padrões estipulados, no segundo estágio são acrescentadas aquelas que mostram os desvios em relação ao Plano em vigor.

Destas últimas, algumas precisam ser melhor esclarecidas.

Quando estipulamos a Previsão de Vendas partimos das quantidades

a serem vendidas de cada produto, multiplicando-as pelos respectivos

preços-padrão de venda e com isto obtendo o valor global previsto para as vendas. Deduzindo-se os respectivos custos-padrões, calcula-mos a Contribuição Marginal prevista. Ao têrmos, mais tarde, em mãos, as quantidades efetivamente vendidas, e valorizando-as pelos mesmos padrões de preço de venda e de custo chegaremos, obviamen-te, a um valor global da Contribuição Marginal diferente do previsto. Esta variação da Contribuição Marginal, tem, como causa, dois fatôres: o primeiro é a alteração do próprio volume de vendas;

o segundo é a modificação da proporção com que cada produto en-trou na composição das vendas. A influência de cada um dêstes dois fatôres no lucro da emprêsa é mostrada, respectivamente, pela Varia-ção do Volume de Vendas e pela VariaVaria-ção da ComposiVaria-ção (ou Mis-tura) de Venda.'

Estas duas variações, juntamente com a Variação do Preço de Ven-da - já comentada no primeiro artigo da série, quando falamos sôbre o primeiro estágio da CD - constituem as três causas possíveis de modificações da contribuição marginal - e, portanto, do lucro -decorrentes dos desvios das vendas reais em relação às previstas. Estas três causas são: modificação de volume, modificação da composição de venda, modificação do preço de venda. Para ilustrar estas influências e melhor esclarecer os significados das variações comentadas, lançamos mão de um exemplo de cálculo, mostrado a seguir:

1 Em inglês: Volume Variance e Mix Variance, respectivamente.

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EXEMPLO DE CÁLCULOS DAS VARIAÇÕES

Preço, volume e composição de venda

PLANO DE LUCRO

Vendas Planejadas Custo Incremental Total

Contrib. Marg. Planejada % s/Vendas

RESULTADOS EFETIVOS

Variação de Preço de Venda

Venda Efetiva - Preço Efetivo Venda Efetiva - Preço-Padrão

Variação Preço Venda

Contribuição Marginal

Venda Efetiva - Preço-Padrão Custo Incremental total (Pdr)

Contr. Marg. Efetiva (Pdr)

% s/Vendas

Variação do Volume de Vendas

Venda Efetiva - Preço-Padrão Venda Planejada - Preço-Padrão

Diferença de Vendas

x % Planejo Contr. Marg. (22,9%)

Variação de Composição de Vendas

% efetiva da Contribuição Marginal % planejada da Contribuição Marginal

Diferença em % da Contribuição Marginal x Venda Efetiva - Preço-Padrão

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7.855 7.676

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7

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Outro ponto importante a ser comentado, referente às variações, diz respeito ao contrôle das Despesas Proporcionais de Fabricação, para o que a C.D. emprega as técnicas do Orçamento Flexível (Variable

Budget).

Estas despesas já foram computadas nos custos-padrão dos produtos, e portanto, a influência sôbre o lucro, decorrente das alterações do nível de atividade dos centros produtivos, já foi anteriormente consi-derada nas Variações de Volume e de Composição de vendas acima mencionadas. Mas ainda é preciso verificar se os custos unitários pa-drão das UTS.,2 empregados no cálculo dos custos-padrões dos pro-dutos, estão sendo cumpridos. Ou, de outro modo, se o total de gas-tos proporcionais efetivamente realizados por um centro produtivo está compatível com o nível de atividade atingido. Quando elaboramos o

p.a.A. foi determinado, para cada centro produtivo, o número de

UTs. que deveria realizar, em decorrência do volume previsto de pro-dução (vinculado ao volume previsto de venda), e o respectivo mon-tante em NCr$, calculado com base no custo-padrão das UTs. De posse do número de UTs. efetivamente realizado em decorrência de volume e composição reais de produção, determina-se, com base nos mesmos custos padrões das UTs. o quanto deveria ter sido gasto. A diferença entre êste último valor e aquêle efetivamente realizado pelo centro (somente despesas proporcionais) representa a influência sôbre o lucro do desvio ocorrido em relação ao padrão de custo (da UT) empregado. Temos assim, para cada centro de custo, duas variações de despesas proporcionais de fabricação: a primeira, medindo a di-ferença entre os níveis de atividade previsto e o realizado, decorrente das alterações do volume e composição da produção e que não inter-fere no resultado da emprêsa, uma vez que esta interferência já foi considerada englobadamente nas Variações do Volume e da Compo-sição das Vendas mencionadas; a segunda medindo a diferença entre os gastos reais e o montante que deveria ter sido despendido aos níveis reais de atividade e dentro dos padrões de custo estabelecidos. Esta última, cuja influência sôbre os lucros é então computada, é de res-ponsabilidade dos encarregados de cada um dos centros de custo pro-dutivos, cabendo, portanto, uma análise segundo êste critério.

2 UT = Unidade de Trabalho: é o elemento utilizado como unidade para

medir a atividade de um centro de custo (homem x hora; hora x máquina, kg, m2, por exemplo).

76 Revista de Administração de Emprêsas

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---As demais variações em relação ao P.G.A., das Despesas Regulares e das Programadas, por exemplo, não oferecem dificuldades de com-preensão.

2.2. CARACTERÍSTICAS DOS RELATÓRIOS DE ACOMPANHAMENTO DO P.G.A.

Na preparação dos Relatórios de Acompanhamento do P.G.A., o pri-meiro ponto que se impõe é uma boa coleta de dados efetivos, através de sistemas racionais e seguros de apontamentos e de contrôles buro-cráticos diversos, aliás bastante facilitados por estarmos usando os conceitos da C.D., uma vez que os dados empregados são os mais di-retos possíveis, sem rateios, como se pode deduzir da leitura do artigo inicial, já mencionado, referente ao primeiro estágio .. As técnicas de apontamentos não oferecem dificuldades adicionais, e fogem ao escopo

dêste trabalho, razões pelas quais não as comentaremos aqui.

Um segundo ponto diz respeito a cuidados especiais que precisam ser tomados na preparação dos relatórios e quadros demonstrativos para que seja facilitada a tarefa de quem os examina. É freqüente um diretor ou gerente ter à sua mesa um relatório sôbre as ativida-des da emprêsa, muito bem preparado, com todos os pormenores pos-síveis, comparações com o passado, índices diversos, gráficos, ver-dadeiras obras-primas de minúcias, mas que êle não entende. Ou, se os entende, não consegue achar, fàcilmente, as informações que procura.

A Contabilidade Decisorial preocupa-se com êsse aspecto, aproveitan-do e desenvolvenaproveitan-do as técnicas existentes para a elaboração de rela-tórios e quadros demonstrativos. Em primeiro lugar, os relarela-tórios de-vem mostrar asituação real comparada com a prevista no P. A .G . As-comparações com anos anteriores, embora bastante enfatizadas por jornais e revistas especializadas, são interessantes aos acionistas e órgãos externos. Para o administrador não é suficiente. Éste precisa do dado real comparado com o planejado, que é o que caracteriza a administração por exceção, e mostra realmente os pontos que reque-rem intervenção, para que a emprêsa venha a atingir os objetivos ini-cialmente estabelecidos.

Para que possam preencher suas finalidades, os relatórios de acompanhamento devem:

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- medir o desempenho da emprêsa nos seus diversos aspectos, atra-vés de comparações dos dados reais com os planejados;

- mostrar dados relacionados com a estrutura orgânica da emprê-sa, de modo a manter os princípios da definição de responsabilidade;

- mostrar, quando aplicável, a influência dos resultados reais sôbre o lucro planejado;

dar indicações sôbre tendências;

trazer a quantidade de pormenores adaptada ao nível para o qual é dirigido;

- apresentar números arredondados e, sempre que possível, em mi-lhares de cruzeiros;

ser concisos, legíveis, evitando aparência carregada;

quando dirigidos à alta administração, ser acompanhados de co-mentários sucintos, sôbre os dados apresentados.

2.3. EXEMPLOS DE RELATÓRIOS DE ACOMPANHAMENTO

Para exemplificar, são mostrados a seguir alguns exemplos dêstes relatórios que, evidentemente, terão as formas mais variadas possíveis conforme a emprêsa em que estão sendo aplicados. Lançamos mão do mesmo caso que serviu para ilustrar a 1.a parte dêste artigo, ou seja, uma emprêsa fictícia de produtos eletrônicos, com duas linhas de pro-dutos: uma de rádio e outra de televisores.

o

primeiro modêlo, Figura 1, refere-se ao relatório mais sintético apresentado à alta administração, contendo os comentários feitos pelo

controller. À esquerda temos os dados do mês e acumulados e à

direi-ta dados indicativos das tendências, ou seja, uma comparação do pla-no anual original com a situação que provàvelmente será atingida se nos meses restantes forem cumpridos os planos estabelecidos.

O segundo modêlo, Figura 2, constitui a Demonstração do Resultado Mensal Global. O preenchimento dêste modêlo tem por base os dados do Plano Geral de Atividades. Os meses já passados têm seus dados planejados de Venda, Contribuição Marginal, Lucro e Impôsto de Renda substituídos pelos respectivos valôres efetivos, sendo registra-dos, ao lado de cada um, as variações correspondentes. Os dados dos

78 Revista de Administração de Emprêsas

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meses ainda por vir vêm acompanhados de um asterisco. Os elemen-tos efetivos de Venda que aqui aparecem são ainda elemenelemen-tos-padrões, ou sejam, obtidos das quantidades realmente vendidas multiplicadas pelos respectivos preços de tabela. Os dados efetivos da Contribuição Marginal também correspondem aos padrões, e, portanto, decorrem das quantidades realmente vendidas e dos elementos-padrões de pre-ço, de despesa proporcional de vendas e de custo de fabricação. A variação apresentada na coluna Contribuição Marginal Padrão cons-titui, dêsse modo, a somadas Variações de Volume e de Composição de Vendas.

A coluna de Despesas traz sempre os valôres planejados.

Na coluna Variações são incluídas outras variações não apresentadas anteriormente, sendo as principais: a Variação do Preço de Venda, Variação do Custo de Fabricação, Variação do Preço de Compra, Variação de Taxa (de mão-de-obra direta e despesas proporcionais diversas de fabricação), Variação das Despesas Regulares e Programa-das (em relação ao P. A . G .) e variações decorrentes de Parali-sações na produção. O valor que aparece nesta coluna, somado àque-le correspondente à Variação da Contribuição Marginal Padrão (Va-riação de Volume e de Composição de Vendas), constitui a varia-ção do Lucro sujeito a Impôsto, que aparece na coluna logo a seguir. Uma primeira análise das variações mencionadas é apresentada no quadro inferior à esquerda do formulário.

Chamamos a atenção para algumas características interessantes do modêlo:

- as comparações são feitas entre os dados efetivos e planejados, dando ênfase aos desvios encontrados em relação ao Plano;

- tem-se permanentemente uma visão das metas finais a serem atin-gidas, através dos dados da linha Plano Original;

- a posição atual, em relação àquelas metas, é mostrada na linha Previsão Atual, onde os dados planejados dos meses passados foram substituídos pelos respectivos valôres efetivos;

- tem-se a noção clara de tendência, através dos dados apresen-tados mês a mês e da comparação entre o Plano Original e a Pre-visão Atual;

Abril/Junho 1970 81

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---_ é apresentada já uma primeira análise das variações que altera-ram o lucro planejado; e

_ é mostrada também, uma comparação dos dados econômicos com o capital total empregado. (Poderiam ser feitas outras comparações dêste tipo).

o

modêlo seguinte, Figura 3, traz o resultado do mês e o acumulado analisado por linha de produto, mostrando as variações atribuídas a cada uma e aquelas que não puderam ser separadas por linha, cons-tituindo, portanto, dados de conjunto. Procura-se mostrar a partici-pação de cada linha na composição do resultado da emprêsa através do dado Contribuição da Linha, como aliás já foi objeto de comentá-rios no primeiro artigo sôbre o estágio inicial da CD. As variações aparecem aqui melhor analisadas, sendo algumas delas atribuídas às linhas, permanecendo, as demais, associadas ao conjunto da emprêsa,"

A evolução, mês a mês, da Contribuição da Linha é mostrada no modêlo seguinte, Figura 4, para a linha de televisores, cujas caracte-rísticas são análogas às do modêlo da Figura 2. Também para cada linha é feita a comparação dos dados econômicos com os de capital que possam ser associados à linha com certa segurança. No exem-plo, foi calculado, para a linha de televisores, o capital circulante ne-cessário, sendo consideradas, neste cálculo, as contas de Compradores, Estoque, Caixa e Fornecedores, admitindo-se que êstes elementos

pu-dessem ser identificados com as linhas. Lembramos que estamos falando de um exemplo, sendo freqüentes os casos em que se pode, ainda, associar às linhas parte do ativo fixo. Na prática, cada em-prêsa deverá definir quais os elementos que podem, ou não, ser asso-ciados a uma linha. Estes dados de linha são de grande utilidade pois permitem fàcilmente calcular, por exemplo, o adicional de capital circulante que seria necessário para suportar um aumento de venda da linha. Ou ainda, dão indicações sôbre como manipular as vendas das linhas, mesmo em fase de elaboração do P. G . A ., de modo a reduzir o montante de capital de giro necessário, sem afetar o lucro final.

3 Abreviações usadas no Modêlo 3: Q.Efet./Pr.Pdr = Quantidade efetiva

a preço-padrão; ParaI. = Paralisações; V.D.Cj = Variações das Despesas de

Conjunto; Var.Tx = Variação de Taxa; V.Pr.Cpr = Variação do Preço de

Compra; D.Reg. = Despesas Regulares; D.Pgr = Despesas Programadas;

Sujo IR = Sujeito ao Impôsto de Renda (Lucro).

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As variações relacionadas com os setores produtivos (com exceção das referentes às despesas regulares próprias de cada um) são analisa-dos, por tipo e por centro responsável, no modêlo da Figura 5. As variações de custo, aqui apresentadas, constam do modêlo da Figura 3 (Análise de Resultado por Linha), onde aparecem associa-das a cada linha, ao passo que as Variações de Taxa e as correspon-dentes às Paralisações integram os dados de conjunto, como aliás era de se esperar.

Um outro relatório demonstrativo de bastante interêsse é aquêle que resume para cada centro produtivo, no caso a Montagem, os princi-pais dados a êle referentes, indicando o nível de sua eficiência e de-sempenho. O modêlo da Figura 6 é um exemplo dêste tipo de rela-tório. Aparecem inicialmente os dados relativos aos gastos proporcio-nais efetivos do setor. Em seguida, aquêles referentes ao quanto o se-tor deveria ter gasto aos níveis efetivos de atividade (nível êste me-dido pelo número de UTs realizadas pelo centro). A comparação entre ambos é a Variação da Taxa do setor. Mais abaixo vem a com-paração com os dados do P. G .A. e, mais adiante, é apresentado o resumo das variações de custo atribuídas às Ordens de Produção (linhas de produtos) ocorridas dentro do setor. E para terminar vem a comparação das Despesas Regulares planejadas e as efetivamente realizadas pelo setor. Como vimos, tem-se uma visão bastante com-pleta do centro produtivo, caracterizando, de maneira clara, a respon-sabilidade do respectivo encarregado.

A demonstração da Figura 7 refere-se à evolução da posição patri-monial, onde os dados planejados e efetivos são mostrados lado a lado. Esta demonstração pode ser completada com índices econômico-financeiros, calculados com a média anual respectivamente referentes ao Plano Original e à Previsão Atual; êste último correspondendo ao valor a que se chegaria se nos meses subseqüentes fôssem cumpridas à risca as previsões do P. G . A.

Como estas, outras demonstrações são feitas, sempre respeitando aquêles princípios mencionados no início dêste item, e pormenorizan-do os dapormenorizan-dos sintéticos apresentapormenorizan-dos, de mopormenorizan-do a atender às necessida-des dos diversos escalões administrativos da emprêsa. Assim teremos ainda:

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(19)

Demonstração da contribuição conseguida pelas filiais de venda;

Análise das variações em relação ao P. G . A. das despesas regula-res e programadas, por natureza;

Idem, por responsabilidade;

Análise das contas que compõem os estoques;

Análise da Situação Patrimonial, nos seus elementos que po-dem ser relacionados com as linhas de produtos; sua comparação com os dados econômicos;

- E assim por diante.

As variações assim comunicadas vão servir de guia para as decisões requeridas. Caso se verifiquem grandes variações em relação ao P . G . A ., decorrentes de fatôres não previstos anteriormente, pode-se e deve-se fazer uma revisão ou uma complementação do P. G . A . , seguindo-se os mesmos passos do Plano Original e sempre com os mes-mos critérios de responsabilidade, graus de profundidade e análise ini-cilamente adotados.

A tarefa de acompanhamento do P. G. A. vem consolidar as vantagens auferidas quando da sua elaboração. Tem-se agora:

- uma administração por exceção, em seu sentido mais amplo, con-centrando as atenções dos dirigentes nos pontos críticos, e que requei-ram medidas corretivas;

- um real contrôle de desempenho sôbre todos os setores da organi-zação, contrôle êste orientado no sentido de fazer cumprir os objeti-vos prefixados e não mais baseados em situações passadas;

- uma atribuição de responsabilidades melhor definida, medindo-se, até mesmo, sua importância em relação às metas econômico-financei-ras da emprêsa;

- uma coordenação de esforços devidamente controlada;

- uma aferição das técnicas e, mesmo, da capacidade de planejar, o que trará subsídios para o aperfeiçoamento destas técnicas e desta capacidade para a preparação dos próximos P. G . A .

Não vamos nos estender em apologias desnecessárias, pois o leitor cons-ciente e familiarizado com os problemas da emprêsa compreenderá fà-cilmente outras vantagens e outros recursos que o sistema pode oferecer.

Acreditamos ter dado, até aqui, uma visão geral - com as limita-ções impostas pela pouca extensão do trabalho e pelas generalizalimita-ções

(20)

indispensáveis a êste tipo de divulgação - dos principais recursos que a Contabilidade Decisorial põe nas mãos de nossos administra-dores. Faltaria, ainda um comentário sôbre o problema da determina-ção dos preços de venda sempre apresentado pelos interessados quan-do se fala quan-do sistema e que, pela sua importância e interêsse deixare-mos para um próximo artigo.

Por ora queremos encerrar dando algumas indicações que irão faci-litar a introdução do P. G . A., mesmo nas emprêsas de baixo nível de organização. Ê um esfôrço a mais para a adaptação do sistema às condições nacionais.

3. Graus de Aproximação do P.G.A.

Do que foi dito até agora pode o leitor ser levado a concluir que a adoção do P. G .A. é um privilégio das emprêsas bem organizadas, e que as demais, menos desenvolvidas administrativamente, teriam diante de si imenso trabalho preparatório antes de poder usufruir dos benefícios do emprêgo do P. G .A .

Em parte isto é verdade, se quisermos descer a todos os pormeno-res esboçados neste trabalho. Mas, se estivermos empregando os conceitos da C. D. correspondentes ao seu primeiro estágio, podemos elaborar um P. G .A. simplificado, mais grosseiro evidentemente, mas que, na impossibilidade de se ter um processo rigoroso e sofisticado, dará um bom auxílio à direção da emprêsa, preparando-a para, no futuro, chegar às análises e aproximações mais condizentes com suas necessidades.

Daremos a seguir, uma idéia de como a aplicação dos conceitos da C.D. tornam isto possível.

Um P. G . A. pode ser preparado em diversos graus de aproximação. mais ou menos analíticos, de acôrdo com o estágio de desenvolvimento e a natureza da emprêsa, a organização existente, o elemento humano envolvido, etc.

Mesmo para uma emprêsa em que todos os fatôres são favoráveis, é freqüente fazer-se inicialmente, uma primeira tentativa num grau de aproximação inferior para se testar alguns dos objetivos básicos es-tabelecidos pela alta administração. Processam-se, então, as análises em profundidade para a avaliação mais segura das metas e alternativas

em jôgo.

(21)

Com fins puramente didáticos, definimos, para o P. G . A., três graus de aproximação, sendo os graus mais altos os correspondentes aos Planos mais sofisticados. Não se pode fixar uma linha demarcatória entre os graus, pois na realidade a passagem de um para outro se faz através de diversos graus intermediários. Também não se pode dizer que o terceiro grau é a última palavra em sofisticação; pode-se sem-pre pensar num quarto, quinto ou sexto graus bem mais rigorosos. O próprio ROBERT BE,YER4 prevê, para o sistema original - Proiitability

Accounting - um grau bem mais sofisticado que aquêles aqui

ex-postos.

Entretanto, por se tratar realmente de uma adaptação daquele siste-ma, estamos convencidos de que, por ora, o nosso terceiro grau já constitui uma aproximação bem razoável para grande parte de nos-sas emprênos-sas.

Com a definição dêstes graus de aproximação, repetimos, queremos mostrar que a atividade planejada não é privilégio das emprêsas su-perdesenvolvidas. Mesmo aquelas, cuja administração carece de uma reorganização geral, podem - embora de modo mais grosseiro - ini-ciar um processo de planejamento, já se preparando, pelo menos em sua mentalidade, para um desenvolvimento controlado e seguro.

A fim de facilitar as comparações apresentamos os três graus em forma de tabela, analisando as características de cada fase em que se processa a elaboração do P. G .A .

Bibliografia

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Iorque, The Ronald Press Company, 1963.

PARANHOS,J. L. B. Contabilidade DecisoriaI. Um sistema integrado de

in-formações para diretores e gerentes, Revista de Administração de Emprêsas.

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PARANHOS,J. L. B. A Contabilidade Decisorial em seu segundo estágio _

O Planejamento Geral das Atividades. La Parte: Considerações Gerais.

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n.? 16, setembro 1965.

4 BEYER,R. Proiitability Accounting for Planning and Controlo N. I., The

Ronald Press Company.

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Referências

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