RESUMO
A hiperidrose é uma condição de hiperatividade das glândulas sudoríparas, provocando suor excessivo no corpo, fazendo com que o paciente transpire além do normal. Pode ser classificada em primaria ou secundaria, localizada ou generalizada.
As regiões mais afetadas pela doença são testa, mãos, pés e as axilas. O presente trabalho teve como objetivo comparar a eficácia entre dois tipos de tratamentos para a hiperidrose, sendo os antiperspirantes e a toxina botulínica, por meio de uma revisão integrativa no qual foram pesquisados artigos científicos dos últimos 10 anos.
Baseados nos achados, foi observado que o uso de antiperspirantes é o mais comum, devido ao custo baixo e maior acessibilidade. Porém, alguns possuem substâncias que podem causar alergias e complicações, como o alumínio. Além disso, os antiperspirantes funcionam localmente e por um tempo reduzido na diminuição da hiperidrose. Já a aplicação da toxina botulínica, é mais recomendada para o tratamento da hiperidrose sendo vantajosa na redução, pois inibe a ação das glândulas sudoríparas, diminuindo o suor e consequentemente o período de duração da hiperidrose. Mesmo assim, também apresenta algumas desvantagens como o custo elevado e o desconforto associado às injeções. Baseado no que foi estudado e exposto, conclui – se que os efeitos benéficos da toxina botulínica, quando comparada ao uso tópico de antiperspirantes, é a mais eficaz para o tratamento da hiperidrose.
Palavras-chave: Hiperidrose. Toxina Botulínica. Antiperspirante. Tratamento.
Eficácia
INTRODUÇÃO
A hiperidrose é a transpiração excessiva do nosso corpo que atinge homens e mulheres com faixas etárias diversificadas. Mesmo sendo de grande importância para o controle biológico do organismo, como o regulamento da temperatura corporal, a sudorese também afeta outros fatores externos na vida de uma pessoa, como o fator profissional e emocional (REIS e col. 2011).
Segundo Dias e col. (2001) a hiperidrose:
[...] trata-se de uma afecção benigna, com incidência relatada entre 0,6% a 1% da população mundial (hiperidrose primária). Pode ser de origem primária – sem causa conhecida – ou secundária, associada à obesidade, menopausa, drogas antidepressivas e álcool” (DIAS e col. 2001, p.93).
As regiões mais afetadas pela doença benigna hiperidrose são a testa (hiperidrose frontal); as mãos (hiperidrose palmar); os pés (hiperidrose plantar) e as axilas (hiperidrose axilar). Esta doença pode ocorrer de maneira isolada, atingindo apenas uma região ou associada a mais de uma região anatômica do corpo (REIS e col. 2011).
Por ser uma afecção que causa desconforto no dia-a-dia, e ainda estar relacionada a mal odores, o presente trabalho é importante pois relata quais os principais tratamentos para a hiperidrose e quais seriam mais eficazes.
OBJETIVO GERAL
O objetivo do presente trabalho é estudar dois tratamentos para a hiperidrose, sendo o tratamento com antiperspirante e com a toxina botulínica, a fim de identificar o método mais seguro e eficaz.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
• Descrever a patologia hiperidrose a partir da glândula sudorípara;
• Apresentar a classificação da hiperidrose;
• Apresentar os tratamentos focando no uso de antiperspirante e toxina botulínica e compará-los;
• Concluir qual é o melhor tratamento.
METODOLOGIA
O trabalho trata-se de uma revisão bibliográfica por meio do qual foi utilizado principalmente artigos científicos encontrados em bancos de dados na internet, e livros. Os principais bancos de dados avaliados foram o Scielo e Google Acadêmico.
As pesquisas se iniciaram em abril de 2020 e finalizaram em setembro de 2020. Os trabalhos selecionados para a escrita da revisão de literatura foram os dos últimos 10 anos, com exceção de alguns que possuíam assuntos importantes e não se enquadravam nesse critério.
A pesquisa é de caráter qualitativa, exploratória e descritiva, na qual visa alcançar os objetivos propostos e produzir um referencial teórico de qualidade, utilizando autores e escritores renomados sobre o assunto e com isso podendo
ocorrer uma leitura simples adquirindo conhecimentos que possa ser utilizado no dia a dia.
REVISÃO DE LITERATURA
Glândula sudorípara e produção de suor
A pele é um dos maiores órgãos do corpo, atingindo cerca de 16% do peso corporal, e desempenha múltiplas funções sendo a principal função o revestimento e proteção do organismo como um todo. No corpo humano se encontra dois tipos de pele, a espessa (também conhecida como pele grossa) que é encontrada na palma das mãos, na planta dos pés e em algumas articulações e a pele fina protegendo o resto do corpo (Figura 1) (JUNQUEIRA; CARNEIRO, p. 359 – 370, 2008)
Figura 1. Esquema ilustrativo apresentando as diferenças entre a pele espessa e a pele fina. FONTE: http://www.peb.ufrj.br/teses/Tese0140_2011_06_29.pdf
A pele é composta por três camadas, epiderme, derme e hipoderme. A epiderme é a camada mais externa da pele, e está diretamente em contato com o exterior fazendo a proteção contra bactéria, toxinas e perda de líquidos. A epiderme é subdividida em cinco camadas denominadas de camada basal, camada espinhosa, camada granular, camada lucida e camada córnea. Estas têm espessuras diferenciadas de acordo com a pele fina e pele grossa. A derme é classificada como
a camada média da pele, localizada abaixo da epiderme. É uma camada mais grossa, elástica e mais firme, composta por duas subcamadas (camada inferior e camada superior). Por último a hipoderme é classificada como uma camada mais interna da pele com função de armazenar energia composta por células adiposas, fibras especiais de colágeno e vasos sanguíneos (BARBOSA, 2011).
As glândulas sudoríparas ou glândulas de suor, são encontradas em quase toda a pele, existem mais de 2 milhões de glândulas sudoríparas pelo corpo), sendo subdivididas em glândulas sudoríparas écrinas (merócrinas) e apócrinas. A glândula sudorípara écrina são as mais numerosas e menores em tamanho. É mais encontrada nas palmas das mãos e plantas dos pés sendo constituídas por uma porção secretora com células escuras e claras. As escuras produzem glicoproteínas enquanto as claras eliminam a porção aquosa do suor. A glândula sudorípara ápocrina são maiores e geralmente encontradas nas axilas, região pubiana, genitais e abdômen, geralmente começam a funcionar na puberdade e estão relacionadas ao desenvolvimento sexual (MACIEL, 2016).
As glândulas écrinas são responsáveis pela formação do suor, impedindo a hipertermia. Essas glândulas são tubulares, enoveladas e seu ducto se abre na superfície da pele (Figura 2). Dessa forma quando o corpo sofrer alterações em sua temperatura corporal as glândulas são ativadas para soltar o líquido aquoso sobre a superfície da pele, absorvendo e dissipando o calor do corpo. O suor écrino é constituído por uma solução eletrolítica que contém cloreto de sódio, potássio, amônia, lactato e uréia. Seu pH varia de 3,8 e 5,6 sendo o hipotálamo o responsável pela termorregulação do aquecimento do corpo, da vasodilatação e da sudoração. O suor écrino é responsável por suprir a pele de água e no desenvolvimento de bactérias (MACIEL, 2016).
As glândulas apócrinas são semelhantes às glândulas écrinas, porém seu ducto se abre em um folículo piloso (Figura 2). Sua secreção é mais viscosa seu estímulo é hormonal, sendo constituída por lipídeos, proteínas e liproteínas sem odor.
Os suores de ambas as glândulas tanto as écrinas quanto as apócrinas são estéreis e inodoros. O mal cheiro só é ocasionado após a formação de bactérias sobre a superfície da pele, onde este suor estará rico em substâncias orgânicas fétidas ideais para o crescimento bacteriano e pelo mal cheiro (MACIEL, 2016).
Figura 2. Glândulas sudoríparas apócrinas e écrinas (merócrinas). O ducto da glândula apócrina desemboca no folículo piloso e a écrina na superfície epitelial.
FONTE: https://alunosonline.uol.com.br/biologia/glandula-sudoripara.html
O suor tem função importante para o controle e manutenção da temperatura corporal, porém, quando produzido excessivamente, pode diminuir a temperatura corporal causando um desbalanço. Assim, se há uma produção excessiva, o suor extra gera a hiperidrose a qual ocasiona grande desconforto (MACIEL, 2016).
Hiperidrose e Classificação
A hiperidrose é caracterizada pelo excesso de suor ou transpiração, atingindo diversas áreas do corpo como o couro cabeludo, face, axilas, palmas das mãos, virilha e planta dos pés. Isso ocorre porque as glândulas sudoríparas são hiperfuncionantes decorrendo de diferentes causas como por exemplo os fatores emocionais e/ou, hereditários. A hiperidrose se manifesta de forma localizada (áreas especificas) ou generalizada (todo o corpo), podendo ser diagnosticada como hiperidrose primária (área específica) ou hiperidrose secundária (todo o corpo) (HAGEMANN e SINIGAGLIA, 2019).
A hiperidrose é classificada em dois tipos sendo a primaria e secundaria. A hiperidrose primaria é classificada como genética, ou seja, é uma afecção herdada por estar relacionada com alterações genéticas na produção das glândulas ou hormônios. A secundaria são aquelas adquiridas ao longo do tempo por algum agente causador (REIS e col. 2011).
A Hiperidrose Primária pode se iniciar na infância ou puberdade afetando as regiões palmares (mãos), axilares (axilas) e, plantares (pés). Geralmente os casos são relacionados ao histórico familiar podendo ser piorados pelo estímulo emocional da pessoa. Por ser uma doença benigna, existe tratamentos que podem ser feitos para o melhoramento da sudorese excessiva.
A hiperidrose primária torna-se visível na infância ou adolescência e a transpiração ocorre sempre nas axilas, mãos e pés, várias pessoas da mesma família podem apresentar os sintomas de hiperidrose, contudo não ocorre a transpiração no repouso ou sono. A hiperidrose secundária ela ocorre por todo o corpo sendo causada por uma condição médica como a menopausa e obesidade ou efeito colateral de medicamentos e neste caso a transpiração ocorre pelo repouso e sono (HAGEMANN e SINIGAGLIA, 2019).
O quadro 1 apresenta as principais causas da hiperidrose de acordo com a classificação.
Quadro 1. Principais causas das hiperidroses Classificação da hiperidrose
Classificação Causa Hiperidrose primária - Idiopática
- Genética
Hiperidrose secundária
- Fisiológica (p.ex.: emocional, menopausa, exercício físico, ambiente quente)
- Endócrina e metabólica (p. ex.: tireotoxicoses, diabetes melito)
- Uso abusivo de drogas (p. ex.: antieméticos, fluoxetina, narcóticos)
- Neoplasias (p. ex.: doença de Hodgkin, neoplasias intratorácicas, feocromocitoma, lesões do sistema nervoso central)
- Doenças cardiovasculares e respiratórias - Obesidade
- Infecções crônicas - Distúrbios psiquiátricos - Estado febril
Fonte: REIS e col. (2011).
Principais tratamentos para a hiperidrose
Para tratar a hiperidrose o ideal é descobrir a causa inicial. Provavelmente, identificar a causa, e iniciar um tratamento demore um tempo, e a pessoa que sofre as consequências do excesso de suor necessita de um resultado rápido. Além disso, muitos tratamentos com uso de reagentes, precisam de boa ação da pessoa, como uso adequado, e higienização adequada do local. Os dois principais tratamentos para a hiperidrose seguem abaixo:
- Tratamento com antiperspirante
Os antiperspirantes e os antitranspirantes só foram introduzidos no mercado no século XX, quando o odor corporal começou a incomodar e ser taxado de inconveniente aos olhos da grande maioria. Antiperspirantes são produtos que diminuem a secreção das glândulas sudoríparas, tampando ou cessando os ductos de suor (NASCIMENTO e col.2004).
São produtos aplicados topicamente, diminuindo a quantidade de secreções produzidas pelas glândulas sudoríparas responsáveis pela sudorese, evitando o suor e o mal odor da mesma NASCIMENTO e col.(2004).
Segundo Nascimento e col.(2004) o mecanismo de ação:
[...] pode envolver um decréscimo na produção de suor em níveis glandular, formação de um tampão no ducto, alteração na permeabilidade do ducto aos fluidos (NASCIMENTO e col. 2004, p.66).
Na produção de um antiperspirante usa-se diversos ativos em sua formulação, tendo como o principal o alumínio e seus derivados. O alumínio a muito tempo foi classificado como produto sem risco algum, mais se descobriu na década de 70 por diversos autores o desenvolvimento de diversas patologias com sua ação toxicológica (SOUZA e col. 2014).
O uso de antiperspirantes pode ocorrer diversos efeitos adversos, como reações alérgicas, podendo apresentar descamação e até mesmo necrose. Muitos autores relacionam o uso destes produtos com alumínio e seus derivados com a doença de Alzheimer e câncer de mama (SOUZA e col. 2014).
Os antiperspirantes são utilizados para hiperidrose axilar e alguns para hiperidrose palmares, portanto restritos a algumas regiões corporais.
- Tratamento com toxina botulínica
A toxina botulínica é produzida por uma bactéria anaeróbia Clostridium botulinum que dão origem a sete sorotipos como A,B,C,D,E,F e G, só que o mais
usado e estudado por médicos e demais profissionais é o sorotipo A e B (DIAS e col.
2001).
Segundo Hagemann e Sinigaglia. (2019) a bactéria Clostridium botulinum é:
[...] um bacilo gram-positivo, anaeróbico, produtora de esporos, frequentemente encontrado no solo, verduras, legumes, frutas e também nas fezes humanas (CEREZER e col. 2008 apud HAGEMANN e SINIGAGLIA.
2019, p.95).
A toxina injetada para o tratamento tem como mecanismo de ação bloquear a liberação do neurotransmissores acetilcolina, ou seja, transmissão sináptica ocasionando a cessação temporária das glândulas sudoríparas. Como as glândulas não estão agindo, consequentemente não há a produção de suor. Esse método dura alguns meses (em média 7 meses), tendo portanto, que ser realizado novamente e pode ser aplicado em várias regiões do corpo podendo auxiliar no tratamento da sudorese secundária (HAGEMANN e SINIGAGLIA, 2019).
Alguns tipos de hiperidrose, principalmente as de causa secundária é necessário a realização de outras formas de tratamento para se obter um resultado promissor. Por exemplo, a diminuição do peso corporal, o tratamento da ansiedade, controle hormonal entre outros.
- Comparação entre os dois tratamentos
Através de revisões bibliográfica, percebeu-se que a hiperidrose é uma patologia de baixo risco a saúde. No entanto esta condição pode causar muito desconforto, devido sua transpiração em excesso e o mal odor. Com o avanço da medicina pode se notar diversos tipos de tratamentos conservadores, como o agente tópico antiperspirante e toxina botulínica.
Os antiperspirantes são produtos aplicados topicamente para diminuição da sudorese das glândulas sudoríparas, apesar de sua eficácia ser comprovada, este produto tem efeito pouco duradouro e pode estar relacionado a diversas patologias, como câncer de mama, doença de Alzheimer e patologias dermatológicas. As reações adversas do produto se da devido ao alumínio e seus derivados em sua fórmula, as reações mais comuns são reações alérgicas cutânea, dependendo do grau de irritação pode causar descamação até mesmo necrose da pele, hidradenite (inflamação crônica e supurativa das glândulas apócrinas).
Já a toxina botulínica é um método com elevado grau de satisfação e baixo índice de complicação, é capaz de reduzir a sudorese rapidamente após sua
aplicação, seus efeitos colaterais é muito pouco e passageiro. No entanto a que pode limitar o uso desta toxina como tratamento é o seu elevado valor de aplicação.
CONCLUSÃO
Com o levantamento de bibliografia foi possível verificar que a injeção intradérmica da toxina botulínica é um método mais seguro e eficaz em relação aos antiperspirantes, pois sessa os sintomas da patologia e melhora a qualidade de vida do paciente por longos meses.
Com este tratamento é possível melhorar o estado emocional e autoestima do paciente, podendo retardar o reaparecimento dos sintomas, assim melhorando a qualidade de vida em diversas atividades do dia-a-dia.
REFERÊNCIAS
BARBOSA, Fernanda de Souza. Modelo de impedância de ordem fracional para a resposta inflamatória cutânea. peb/coppe/ufrj, 2011. Disponível em:
http://www.peb.ufrj.br/teses/Tese0140_2011_06_29.pdf Acesso em 19 Jun. de 2020.
DIAS, Lislane; MARÇAL, Lorena; RODRIGUES, Maíra; ALVES, Túlio; PONDÉ, Milena. Eficácia da Toxina Botulínica no Tratamento da Hiperidrose. Revista Neurociencias, 2001. Disponível em:
https://periodicos.unifesp.br/index.php/neurociencias/article/view/8911/6444. Acesso em 29 mar. de 2020.
HAGEMANN, Daniela; SINIGAGLIA, Giovana. Hiperidrose e o uso da toxina botulínica como tratamento: revisão bibliográfica. Univates, 2019. Disponível em:
http://www.univates.br/revistas/index.php/destaques/article/view/2208. Acesso em 29 mar. de 2020.
JUNQUEIRA, Luiz C.; CARNEIRO, Jose. Histologia Básica: Texto e atlas.
Guanabara Koogan, Ed 11, 2008.
MACIEL, Keitiane Monteiro de Oliveira. Patologias que podem estar relacionadas ao uso de antiperspirantes contendo sais de alumínios e seus derivados. Bio Cursos,
2016. Disponível em: https://portalbiocursos.com.br/ohs/data/docs/201/3-
Patologias_que_podem_estar_relacionadas_ao_uso_de_antiperspirantes_contendo _sais_de_alumYnios_e_seus_derivados.pdf. Acesso em: 27 de jun. de 2020.
NASCIMENTO, Ludmila; RAFFIN, Renata; GUTERRES, Sílvia. Aspectos atuais sobre a segurança no uso de produtos antiperspirantes contendo derivados de alumínio. Informa ciências farmacêuticas, 2004. Disponível em:
http://revistas.cff.org.br/?journal=infarma&page=article&op=view&path%5B%5D=315 . Acesso em 29 mar. de 2020
REIS, Gilberto; GUERRA, Ana; FERREIRA, João. Estudo de pacientes com hiperidrose, tratados com toxina botulínica: análise retrospectiva de 10 anos.
SciELO, 2011. Disponível em: https://scielo.org. Acesso em: 29 mar. de 2020.
SOUZA, Ariane; GERMANO, Sandro; MALUF, Daniela. O uso de antiperspirante e suas reações adversas. Biociências, biotecnologia e saúde, 2014. Disponível em:
https://interin.utp.br/index.php/GR1/article/view/1821. Acesso em: 29 mar. de 2020.