UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS ADMINISTRATIVAS, CONTÁBEIS, ECONÔMICAS E DA COMUNICAÇÃO
CURSO DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS
PAULA GARTNER RIGODANZO
ANÁLISE E DIAGNÓSTICO A CERCA DOS DIREITOS PETICIONADOS E DIREITOS CONCEDIDOS MEDIANTE LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA EM
PROCESSOS DE RECLAMATÓRIA TRABALHISTA
(Relatório do Trabalho de Conclusão do Curso)
IJUÍ (RS) 2017
PAULA GARTNER RIGODANZO
ANÁLISE E DIAGNÓSTICO A CERCA DOS DIREITOS PETICIONADOS E DIREITOS CONCEDIDOS MEDIANTE LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA EM
PROCESSOS DE RECLAMATÓRIA TRABALHISTA
Trabalho de Conclusão do Curso apresentado no Departamento de Ciências Administrativas, Contábeis, Econômicas e da Comunicação - Curso de Ciências Contábeis da UNIJUÍ, como requisito parcial para obtenção do título de Bacharel em Ciências Contábeis.
Profº Orientador: IRANI PAULO BASSO
IJUÍ (RS) 2017
RESUMO
A Perícia Contábil, sendo um dos ramos da contabilidade com maior ascensão nos últimos anos, tem como área de atuação o judiciário e a intermediação, sendo que no judiciário a maior demanda recai sobre processos de reclamatórias trabalhistas – Vara do Trabalho, onde o magistrado nomeia um perito, geralmente um Contador, devidamente habilitado, com o intuito de colaborar na solução de litígios, mediante análise de documentos comprobatórios e cálculos de liquidação de sentença, objetivando a busca pela verdade dos fatos e a justa reparação pecuniária por parte da parte perdedora. O trabalho em tela tem como base cinco processos de reclamatórias trabalhistas transitados em julgado na Vara do Trabalho de Três Passos-RS, selecionados aleatoriamente pelo serventuário da mesma, sobre os quais, foram analisados os direitos requeridos e os efetivamente concedidos às partes integrantes. Além disso, a pesquisa buscou averiguar, em um dos processos, os cálculos realizados pelo perito contador e seus respectivos laudos, a fim de se comprovar que os mesmos possuem embasamento legal conforme as leis e normas vigentes.
PALAVRAS-CHAVE: Perícia Contábil. Reclamatórias Trabalhistas. Solução de litígios.
LISTA DE QUADROS
Quadro 1 - Direitos peticionados e direitos concedidos por reclamatória. ... 40
Quadro 2 - Direitos requeridos por processo. ... 43
Quadro 3 - Atualização adicional de insalubridade, 13º salário proporcional e férias proporcionais acrescidas de 1/3, cálculo efetuado pelo Perito Contador. ... 69
Quadro 4 - Adicional de insalubridade, 13º salário proporcional, férias proporcionais acrescidas de 1/3 e INSS a descontar, cálculo efetuado pelo Perito Contador. ... 70
Quadro 5 - Atualização adicional de insalubridade, 13º salário proporcional e férias proporcionais acrescidas de 1/3, cálculo desenvolvido pela autora do trabalho. ... 71
Quadro 6 - Reflexo da atualização do adicional de insalubridade e férias sobre o acréscimo de 1/3 de férias, cálculo desenvolvido pelo Perito Contador. ... 73
Quadro 7 - Reflexo da atualização do adicional de insalubridade e férias sobre o acréscimo de 1/3 de férias, cálculo desenvolvido pela autora do trabalho. ... 73
Quadro 8 - Reflexo da atualização do adicional de insalubridade sobre FGTS, cálculo desenvolvido pelo Perito Contador... 74
Quadro 9 – Reflexo da atualização do adicional de insalubridade sobre FGTS, cálculo desenvolvido pela autora do trabalho. ... 74
Quadro 10 - Valor total do INSS a recolher, cálculo desenvolvido pelo Perito Contador. ... 75
Quadro 11 - Valor total do INSS a recolher, cálculo desenvolvido pela autora do trabalho. .. 75
Quadro 12 - IRRF a descontar/recolher, cálculo desenvolvido pelo Perito Contador. ... 76
Quadro 13 - IRRF a descontar/recolher, cálculo desenvolvido pela autora do trabalho. ... 76
Quadro 14 - Reflexos da atualização do adicional de insalubridade, cálculo desenvolvido pelo Perito Contador. ... 76
Quadro 15 - Reflexos da atualização do adicional de insalubridade, cálculo desenvolvido pela autora do trabalho. ... 77
Quadro 16 - Atualizações e retenções, cálculo desenvolvido pelo Perito Contador. ... 78
Quadro 17 - Atualizações e retenções, cálculo desenvolvido pela autora do trabalho. ... 79
Quadro 18 - IRRF 2016 – Vigência a partir do mês de abril do ano-calendário de 2015. ... 80
LISTA DE ABREVIATURAS
ACS – Agente Comunitário de Saúde ARTS – Artigos
CFC – Conselho Federal de Contabilidade CLT – Consolidação das Leis do Trabalho CPC – Código de Processo Civil
CRC – Conselho Regional de Contabilidade CTPS – Carteira de Trabalho e Previdência Social FGTS – Fundo de Garantia por Tempo de Serviço INSS – Instituto Nacional do Seguro Social
IPCA-E – Índice de Preços ao Consumidor - Série Especial LTCAT – Laudo Técnico de Condições Ambientais de Trabalho NBC PP – Norma Brasileira de Contabilidade Profissional do Perito NBC TP – Norma Brasileira de Contabilidade Técnica do Perito PRT – Processo de Reclamatória Trabalhista
SAT – Seguro de Acidente de Trabalho TCC – Trabalho de Conclusão de Curso TRT – Tribunal Regional do Trabalho
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO ... 9
1.1 CONTEXTUALIZAÇÃO DO ESTUDO ... 10
1.2 DEFINIÇÃO DO TEMA DE ESTUDO ... 10
1.3 CARACTERIZAÇÃO DO PROCESSO ... 11 1.4 PROBLEMATIZAÇÃO DO TEMA ... 11 1.5 OBJETIVOS ... 13 1.5.1 Objetivo geral ... 13 1.5.2 Objetivos específicos ... 13 1.6 JUSTIFICATIVA ... 13 2. REFERENCIAL TEÓRICO ... 15 2.1 CONTABILIDADE–CONCEITUAÇÃO ... 15 2.1.1 Finalidade da Contabilidade ... 15
2.1.2 Objeto e Objetivos da Contabilidade ... 16
2.1.3 Princípios Fundamentais de Contabilidade ... 16
2.1.4 Técnicas Contábeis básicas ... 18
2.2 AUDITORIA ... 18
2.2.1 Formas de auditoria e campos de atuação ... 19
2.3 PERÍCIA CONTÁBIL ... 20
2.3.1 Diferenças entre auditoria e perícia ... 20
2.3.2 Objeto e objetivos da perícia contábil... 21
2.3.3 Especificações da perícia contábil ... 23
2.3.4 Normas da perícia contábil ... 23
2.3.5 Do Perito Contador e do Perito Contador assistente ... 24
2.3.6 Responsabilidades e penalidades inerentes ao exercício do perito contador ... 25
2.3.7 Suspeição e impedimento ... 26
2.3.10 Diligência e papéis de trabalho ... 28
2.3.11 Laudo pericial contábil ... 29
2.3.12 Honorários profissionais ... 30
2.4 PERÍCIA CONTÁBIL E O PROCESSO TRABALHISTA ... 31
2.4.1 Definição de direito do trabalho ... 32
2.4.2 Processo de reclamatória trabalhista ... 32
3. METODOLOGIA DO ESTUDO ... 35
3.1 CLASSIFICAÇÃO DA PESQUISA ... 35
3.1.1 Quanto à sua natureza ... 35
3.1.2 Quanto à forma de abordagem do problema ... 35
3.1.3 Quanto aos seus objetivos ... 36
3.1.4 Quanto aos procedimentos técnicos ... 37
3.2 PLANO DE COLETA DE DADOS ... 37
3.2.1 Instrumento de coleta de dados ... 37
4. ATIVIDADE PRÁTICA ... 39
4.1 PESQUISA EMPÍRICA ... 39
4.1.1 Análise dos dados ... 39
4.1.2 Síntese dos Direitos nos PRTs... 42
4.2 ESTUDO DE CASO ... 44 4.2.1 Petição inicial ... 44 4.2.3 Audiência de conciliação ... 47 4.2.4 Contestação ... 48 4.2.5 Prolação de Sentença ... 52 4.2.6 Recurso ordinário ao TRT ... 67 4.2.7 Decisão do TRT ... 67 4.2.8 Termo de conclusão ... 68 4.2.9 Laudo pericial ... 68
4.3 CERTIDÃO E TERMO DE CONCLUSÃO ... 80
4.3.1 Cálculos atualizados pela Vara de Trabalho ... 81
4.4 SUGESTÕES E CONTRIBUIÇÕES ... 82
5. CONCLUSÃO ... 84
1. INTRODUÇÃO
Após longos anos de estudos é chegada hora de mostrar o quanto aprendemos acerca da Ciência Contábil, mais especificamente da Perícia Contábil, área escolhida para aprofundamento dos estudos de final de Curso.
A Ciência Contábil que nos tempos primórdios já era utilizada, mesmo que de forma implícita e arcaica, gradativamente foi evoluindo, aperfeiçoando técnicas, ganhando ramificações e hoje é uma ciência indispensável à sociedade e ao constante progresso da mesma.
Em se tratando das ramificações da Ciência Contábil é a respeito da Perícia Contábil que este Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) discorre. Ainda que pouco conhecida pela maioria das pessoas, a Perícia contábil surge da necessidade de se provar ou constatar algo sobre fatos controversos. O profissional contábil que desempenha o papel de Perito deve estar devidamente registrado no Conselho Regional de Contabilidade (CRC) e, quando nomeado pelo juiz, deverá manter a imparcialidade, o sigilo e a ética profissional mediante as informações contidas nos processos.
Tendo em vista os aspectos abordados, o presente trabalho tem como foco a análise amostral de cinco processos periciais transitados em julgado na esfera trabalhista, que contém laudo pericial entre os anos de 2015 e 2016, selecionados aleatoriamente na Vara do Trabalho de Três Passos-RS, base para a realização de pesquisa sobre os direitos peticionados e aqueles efetivamente concedidos em liquidação de sentença pelo magistrado. Dentro dessa amostra, a autora do trabalho escolheu um deles para o aprofundamento de seus estudos, com ênfase aos trabalhos desenvolvidos pelo Perito Oficial, quanto à correta aplicação da legislação e das normas da perícia contábil vigentes.
Conforme a metodologia e critérios estabelecidos pelo Curso, o presente Trabalho de Conclusão de Curso está composto de quatro grandes partes, formando um conjunto de informações que abordam a introdução e a contextualização do estudo, o referencial teórico, a metodologia orientadora dos trabalhos e o estudo aplicado, concluindo com as contribuições da autora e a apresentação das referências bibliográficas.
Com as devidas ressalvas por ser um trabalho de conclusão de curso de graduação, o presente relatório traz importantes contribuições para acadêmicos de Ciências Contábeis interessados no tema de estudo, bem como para a Universidade como um todo e aos profissionais contábeis que atuam ou pretendem atuar na área.
1.1 CONTEXTUALIZAÇÃO DO ESTUDO
A Contabilidade, caracterizada como a ciência que estuda o patrimônio e suas variações, também pode ser contemplada como uma ferramenta essencial à sobrevivência de entidades socioeconômicas, uma vez que dispõe de subsídios de coleta, interpretação e demonstração de dados imprescindíveis aos gestores e, que os auxiliam na tomada de decisões.
Basso (2011, p. 26), conceitua contabilidade como: “[...] uma ciência social, mais especificamente no grupo das ciências econômicas e administrativas, que se utiliza de técnicas específicas para se tornar útil à sociedade e cumprir comas finalidades para que foi concebida”.
No decorrer dos anos pode-se observar a dimensão alcançada pela Contabilidade, ou seja, a mesma tem ocupado espaços cada vez mais significativos, como é o caso da Perícia Contábil, que por sua vez, surgiu da necessidade de levar à instância decisória elementos de prova necessários a subsidiar à justa solução de litígios. É a partir de situações como esta, que o Perito Contador nomeado pelo juiz irá atuar de forma imparcial, analisando provas e expedindo laudos, com vista a atender quesitos propostos pelo juiz e pelas partes interessadas, ou em atenção à liquidação de sentença prolatada.
No âmbito tecnológico, a perícia contábil também ganha destaque uma vez que Sá (2011, p. 2), assim a destaca: “A perícia contábil é uma tecnologia porque é aplicação dos conhecimentos científicos da contabilidade”.
Dado o exposto, a pesquisa em tela apresenta, num primeiro momento, a contextualização do estudo, seguido pela definição do tema e a caracterização do processo a ser estudado, o que configura nesse caso, os processos de reclamatórias trabalhistas transitados em julgado entre os anos de 2015 e 2016 na Vara de Trabalho de Três Passos-RS, que foram obtidos por meio de requerimento ao Juiz Presidente daquela Vara e selecionados de forma aleatória pelos seus técnicos, preservando o sigilo e a ética profissional. Após, segue a problematização do tema e o estabelecimento dos objetivos a serem alcançados, tanto o geral quanto os específicos, e ainda, a justificativa da escolha do tema.
1.2 DEFINIÇÃO DO TEMA DE ESTUDO
O presente estudo foi realizado na área da Técnica Contábil da Auditoria com a prática aplicada à Perícia Contábil, utilizando como fonte de informações processos de reclamatória
trabalhista transitados em julgado na Vara do Trabalho de Três Passos-RS, nos anos de 2015 e 2016 e que continha Laudo Pericial.
Sendo a Perícia Contábil uma área em ascensão e que somente pode ser exercida por profissional contábil devidamente habilitado no Conselho Regional de Contabilidade - CRC, vale o aprofundamento em busca de um conhecimento mais amplo e que sinaliza para a oportunidade dos futuros profissional a construção de sua respectiva carreira.
Os recursos utilizados neste estudo desenvolvido se constituíram da busca de processos trabalhistas transitados em julgado entre os anos de 2015 e 2016 na Vara do Trabalho da cidade de Três Passos-RS, selecionados aleatoriamente pelos profissionais da mesma.
Com base num conjunto de 5 (cinco) processos disponibilizados à autora, foram pesquisados os direitos peticionados e os direitos efetivamente sentenciados pelo magistrado e, por complemento, foi analisado por completo um dos processos da amostra, culminando com a análise da adequação técnica do laudo elaborado pelo Perito Oficial, tendo por base o que dispõem as Normas Técnicas e Profissionais da Perícia Contábil emitidas pelo Conselho Federal de Contabilidade.
1.3 CARACTERIZAÇÃO DO PROCESSO
O estudo é composto por 5 (cinco) processos de reclamatória trabalhista, todos transitados em julgado, obtidos por meio de documento formal junto a Vara do trabalho de Três Passos-RS e que contém perícia contábil. Os processos foram selecionados de forma aleatória pelos técnicos daquela Vara e os dados neles contidos foram omitidos, visando o sigilo e ética profissional.
1.4 PROBLEMATIZAÇÃO DO TEMA
Sendo um dos ramos da contabilidade com maior crescimento e procura nos últimos anos, a Perícia Contábil se caracteriza como sendo a verificação de fatos ligados ao patrimônio, visando oferecer opinião técnica demandada. Essa verificação é feita por meio de exames, vistorias, indagações, investigações, avaliações e arbitramentos. Alberto (1996, p. 48), conceitua a Perícia Contábil como: “[...] um instrumento técnico-científico de constatação, prova ou demonstração, quanto à veracidade de situações, coisas ou fatos oriundos das relações, efeitos e haveres que fluem do patrimônio de quaisquer entidades”.
Numa Perícia Contábil de natureza trabalhista se tem como partes interessadas o reclamante e o reclamado, o primeiro, na maioria dos casos configura o empregado, e o segundo, o empregador. Desde então, quando o reclamante achar que foi prejudicado em relação a algum direito que não lhe foi concedido, recorre à justiça para retomá-los e, em contrapartida, a parte reclamada que não possuir provas substanciais e tangíveis que possam ser analisado pelo magistrado ou pelo seu auxiliar Perito Contador, acaba por sucumbir à sentença condenatória por direito alegado como sonegado pelas alegações feitas pelo empregado.
Neste contexto, o Perito Contador, quando nomeado pelo juiz para a resolução de litígios, deve ter em mente a responsabilidade que recai sobre ele, o que pressupõe que o mesmo deve preservar pela técnica, pela ética profissional e pelo sigilo profissional ao analisar situações concretas a ele submetidas. Além disso, é indispensável que o Perito Contador esteja devidamente registrado no Conselho Regional de Contabilidade (CRC) do seu Estado de origem e, consequentemente, esteja em constante atualização no que se refere à legislação e as normatizações do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), entre outras pertinentes à profissão.
Portanto, é a partir da análise de uma amostra composta por processos trabalhistas transitados em julgado na Vara do Trabalho de Três Passos-RS e selecionados aleatoriamente pelos seus técnicos, que foram levantados os dados da pesquisa empírica sobre direitos peticionados e direitos efetivamente conquistados em sentença, bem como o estudo e revisão dos cálculos e formalidades dos laudos, com a finalidade de compreender a metodologia utilizada pelo Perito Contador e se a mesma está em conformidade com o que rege a legislação e as Normas Brasileiras de Contabilidade. Tais estudos procuraram dar respostas à seguinte indagação proposta na fase de elaboração do Projeto do Trabalho de Conclusão da proponente: Quais são os principais direitos peticionados por empregados da região de Três Passos-RS e os efetivamente conquistados em liquidação de sentença, bem como, a adequação dos métodos e critérios utilizados pelo perito contador na elaboração do laudo pericial em consonância com o que preconizam as normas técnicas e profissionais estabelecidas pelo CFC?
1.5 OBJETIVOS
Os objetivos correlacionam de forma sucinta o que se pretende alcançar, de que maneira, e ainda, o motivo pelo qual está sendo desenvolvido um estudo mais aprofundado na área de Perícia contábil.
1.5.1 Objetivo geral
Identificar os principais direitos peticionados por empregados da região de Três Passos-RS e os efetivamente conquistados em liquidação de sentença, bem como, a adequação dos métodos e critérios utilizados pelo perito contador na elaboração do laudo pericial em consonância com o que preconizam as normas técnicas e profissionais estabelecidas pelo CFC.
1.5.2 Objetivos específicos
a) Pesquisar a bibliografia referente a conteúdos de Contabilidade, Auditoria e Perícia Contábil como embasamento para a realização das tarefas práticas do trabalho de Conclusão de Curso;
b) Analisar as reclamatórias trabalhistas a fim de compreender passo a passo todo o processo de elaboração de uma perícia contábil;
c) Avaliar as técnicas utilizadas pelo perito contador no que se refere aos cálculos e a elaboração do laudo e, se as mesmas estão em conformidade comas leis e normas vigentes; d) Interpretar os laudos periciais, confrontando-os com seus respectivos cálculos.
e) Investigar os principais direitos peticionados pelo reclamante e o real cumprimento dos mesmos por parte da reclamada.
1.6 JUSTIFICATIVA
É de conhecimento geral que ao concluir o curso de graduação em Ciências Contábeis é necessário a realização de um Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), onde a escolha do tema a ser abordado fica a critério do graduando. Em consequência disso, para elaboração desse estudo, foi escolhida a área da técnica contábil da Auditoria, com aplicação prática na
Perícia Contábil, pelo fato de ser uma matéria composta por situações que instigam o senso investigativo da proponente e a busca por aprofundamento de conhecimentos práticos.
Dentre os inúmeros motivos que destacam a escolha do tema, estão o grau de importância e, por conseguinte, a ascensão que a Perícia Contábil vem atingindo a partir dos crescentes casos de processos, especialmente na esfera trabalhista, e mesmo no cível, que demandam a experiência de profissionais capacitados, com ensino superior em Ciências Contábeis e devidamente registrado no CRC. Além disso, a Perícia Contábil oportuniza o surgimento de uma nova função entre os profissionais contábeis que pode ser exercida paralelamente a outras atividades como fonte de complemento de renda, que é o caso da proponente no presente momento.
Para o curso de Ciências Contábeis da Unijuí – Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul e para os acadêmicos que o frequentam, bem como, outros que possuem interesse no assunto, o presente estudo servirá como fonte de pesquisa e auxílio acadêmico ou profissional, tendo em vista a relevância da pesquisa proposta e da avaliação com relação à atuação profissional de peritos na missão de contribuir com o Judiciário na justa distribuição da justiça em processos litigiosos que demandam a participação de profissionais contábeis.
2. REFERENCIAL TEÓRICO
2.1 CONTABILIDADE–CONCEITUAÇÃO
A contabilidade é a ciência que abrange um conjunto de técnicas para controlar o patrimônio das organizações mediante a aplicação do seu grupo de princípios, técnicas, normas e procedimentos próprios, medindo, interpretando e informando os fatos contábeis aos donos das empresas.
Contabilidade, segundo Alberto (1996, p. 45):
É assente, portanto, que a Contabilidade é uma ciência, e, como tal, se vale do método científico aplicável às ciências em geral, expresso, operacionalizado na realidade concreta com uma metodologia científica própria, às vezes, lamentavelmente, confundida com uma simples técnica utilitarista.
Na medida em que os anos foram passando a contabilidade foi se tornando cada vez mais indispensável ao bom funcionamento das empresas, proporcionando as mesmas ferramentas para a tomada de decisões.
2.1.1 Finalidade da Contabilidade
Tendo como finalidade primordial a produção de informações relevantes que auxiliam no planejamento e na tomada de decisões dentro de uma organização, a contabilidade, vem aperfeiçoando métodos, atualizando técnicas e tornando-se ferramenta indispensável para o controle patrimonial.
Entre tais circunstâncias, Basso (2011, p. 29), descreve e da ênfase a informação como sendo:
[...] dado relevante que evidencia algo importante no processo decisório das entidades, é preocupação constante de executivos, administradores e demais pessoas que tomam decisões o dia a dia das organizações. Hoje, mais do que antes, recai sobre a contabilidade de produzir informações, especialmente sobre aspectos do seu objeto de estudo, ou seja, sobre o patrimônio e suas variações.
“A contabilidade tem por fim REGISTRAR os fatos e PRODUZIR informações que possibilitem ao titular do patrimônio o PLANEJAMENTO e o CONTROLE de sua ação”. (GONÇALVES; BAPTISTA, 2004, p. 24).
2.1.2 Objeto e Objetivos da Contabilidade
A contabilidade que em tempos remotos já era utilizada com o intuito de se obter controle sobre determinadas situações, atualmente, vem conquistando espaço e ganhando o mercado financeiro a partir de objetivos fortemente estabelecidos a cerca de seu objeto de estudo, o patrimônio.
Nas palavras de Gonçalves e Baptista (2004, p. 23), “O objeto da contabilidade é, pois, o PATRIMONIO, em torno do qual a Ciência Contábil desenvolve suas funções, como meio para alcançar sua finalidade”. Basso (2011, p. 27), ainda nos remete a pensar no enfoque do patrimônio sob dois aspectos básicos:
a) Aspecto Qualitativo - considera bens, direitos e obrigações do ponto de vista da sua natureza, como a composição individual e a natureza jurídica de cada elemento; b) Aspecto Quantitativo – considera bens, direitos e obrigações do ponto de vista
monetário intrínseco, isto é, concebe os elementos patrimoniais como expressão de valor econômico, o que torna os elementos heterogêneos do patrimônio em homogêneos (unidade monetária de uso comum).
Tendo o patrimônio como objeto da contabilidade, os objetivos e funções da mesma são explicitados por Basso (2011, p. 29), da seguinte forma:
- controlar (física e monetariamente) os elementos patrimoniais e suas variações; - apurar os resultados decorrentes das variações ocorridas no patrimônio da entidade;
- evidenciar a situação patrimonial, econômica e financeira da entidade, bem como suas tendências;
- atentar para o cumprimento de normas, leis e demais dispositivos emergentes da legislação aplicável aos negócios das entidades;
- fornecer informações sobre o patrimônio aos seus usuários, de acordo com suas necessidades.
Diante disso, pode-se dizer que os objetivos interagem entre si com o intuito de possibilitar o controle e estudo do patrimônio das entidades econômico-administrativas, procurando obter informações substanciais para o fortalecimento da empresa, ao mesmo tempo em que propiciam meios e ferramentas para este fim.
2.1.3 Princípios Fundamentais de Contabilidade
A palavra princípio tem seu conceito definido por Franco (1996, p. 188), como sendo: “[...] a causa da qual algo precede. É a origem, o começo de um fenômeno ou de uma serie de
fenômenos. Pode-se também defini-lo como uma verdade fundamental, evidente e inquestionavelmente comprovada”.
Os princípios de Contabilidade são regras fundamentais que visam à sustentação e qualificação das informações contábeis, delimitando o campo de aplicação das mesmas. Nesse sentido, Barros (2005, p. 21), ainda complementa,
A estrita observância dos conceitos expressos nos Princípios Fundamentais da Contabilidade tem por finalidade assegurar a qualidade das informações contábeis. Os princípios são:
.principio da entidade; .principio da competência; .principio da prudência; .principio da continuidade;
.principio do registro pelo valor original; .principio da oportunidade;
.principio da atualização monetária.
O Conselho Federal de Contabilidade, por meio da Resolução nº 750/93, alterada pela Resolução nº 1.282/2010, assim descreve cada um dos princípios da contabilidade:
Art. 4º. O Princípio da entidade reconhece o Patrimônio como objeto da
Contabilidade e afirma a autonomia patrimonial, a necessidade da diferenciação de um Patrimônio particular no universo dos patrimônios existentes,
independentemente de pertencer a uma pessoa, um conjunto de pessoas, uma sociedade ou instituição de qualquer natureza ou finalidade, com ou sem fins lucrativos. Por consequência, nesta acepção, o patrimônio não se confunde com aqueles dos seus sócios ou proprietários, no caso de sociedade ou instituição;
Art. 5º. O Princípio da Continuidade pressupõe que a Entidade continuará em
operação no futuro e, portanto, a mensuração e a apresentação dos componentes do patrimônio levam em conta esta circunstância.
Art. 6º. O Princípio da Oportunidade refere-se ao processo de mensuração e
apresentação dos componentes patrimoniais para produzir informações íntegras e tempestivas.
Parágrafo único. A falta de integridade e tempestividade na produção e na divulgação da informação contábil pode ocasionar a perda de sua relevância, por isso é necessário ponderar a relação entre a oportunidade e a confiabilidade da informação.
Art. 7º. O Princípio do Registro pelo Valor Original determina que os
componentes do patrimônio devam ser inicialmente registrados pelos valores originais das transações, expressos em moeda nacional [...].
Art. 9º. O Princípio da Competência determina que os efeitos das transações
e outros eventos sejam reconhecidos nos períodos a que se referem, independentemente do recebimento ou pagamento.
Parágrafo único. O Princípio da Competência pressupõe a simultaneidade da confrontação de receitas e de despesas correlatas.
Art. 10º. O Princípio da PRUDÊNCIA determina a adoção do menor valor
para os componentes do ATIVO e do maior para os do PASSIVO, sempre que se apresentem alternativas igualmente válidas para a quantificação das mutações patrimoniais que alterem o patrimônio líquido.
Em suma, os princípios formam a base para a correta aplicação dos recursos e ferramentas disponíveis dentro da contabilidade.
2.1.4 Técnicas Contábeis básicas
A ciência contábil, assim como as demais ciências, possui objeto de estudo, objetivos a serem alcançados e princípios fundamentais que exigem técnicas onde a teoria possa ser colocada em prática, tornando-se útil aos seus usuários.
Colocadas por Basso (2011, p. 35), as técnicas contábeis básicas são:
a) Escrituração – trata-se dos registros dos fatos contábeis nos livros de escrituração contábil (Diário e Razão) e nos livros auxiliares;
b) Demonstrações Contábeis – relatos econômicos e financeiros originados da escrituração contábil, conhecidos como Balancetes de Verificação, Balanço Patrimonial, Demonstração do resultado do Exercício, Demonstração dos Fluxos de Caixa; Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados ou Valor Adicionado. Outros demonstrativos podem ser elaborados, como o Balanço Social e a Demonstração de Origens e Aplicações de Recursos, que complementam a geração de informações diretas e indiretas do patrimônio da entidade;
c) Auditoria – exame dos procedimentos administrativos, operacionais e das práticas contábeis, envolvendo a escrituração e as demonstrações contábeis, para certificar sua lisura, legalidade, correção e fidedignidade;
d) Análise de Balanços – elaboração de indicadores, dados e informações de situações passadas e presentes para a interpretação, estudo e análise da realidade patrimonial, econômica e financeira da entidade, bem como a projeção de tendências futuras.
Sendo uma das ramificações da contabilidade, a perícia contábil se utiliza de técnicas advindas da Auditoria que auxiliam na justa solução de litígios, através da analise de documentos, verificação de cálculos e expedição de laudos.
2.2 AUDITORIA
A auditoria contábil pode ser conceituada como sendo um conjunto de atividades técnicas e procedimentos exercidos de forma sistematizada numa entidade, compreendendo a avaliação e exame dos procedimentos e das operações praticadas, com vistas a apurar a exatidão dos registros contábeis e a realidade das operações, e ainda sobre estes emitir uma opinião.
O surgimento e conseguinte crescimento da auditoria se dá a partir da preocupação em aumentar o grau de confiança nas demonstrações contábeis, além de constatar se as mesmas representam adequadamente a situação patrimonial e financeira da instituição auditada.
Além disso, Basso (2005, p. 95), complementa,
Os serviços de auditoria têm evoluído da mera fiscalização e controle sobre o pessoal operativo na entidade para se tornar meio indispensável de confirmação dos controles, e se constituir em fator de maior tranquilidade, tanto para a administração como de maior garantia para investidores e o próprio fisco.
Quanto aos objetivos da auditoria, a NBC TA 200/2012, item 03 destaca:
O objetivo da auditoria é aumentar o grau de confiança nas demonstrações contábeis por parte dos usuários. Isso é alcançado mediante a expressão de uma opinião pelo auditor sobre se as demonstrações contábeis foram elaboradas, em todos os aspectos relevantes, em conformidade com uma estrutura de relatório financeiro aplicável.
Trata-se de uma espécie de validação geral de demonstrações contábeis elaboradas por profissional contábil e reconhecidas como verdadeiras pela direção da Entidade.
2.2.1 Formas de auditoria e campos de atuação
A auditoria como os demais ramos da contabilidade possui diferentes formas, sendo elas: auditoria interna e externa.
Com relação à auditoria interna, é exercida por profissionais vinculados à empresa, em caráter permanente. Possui a finalidade de auxiliar os gestores, através da análise, verificação e avaliação independente das atividades da empresa, e da eficácia e conformidade do funcionamento das demais técnicas de controle.
Almeida (2003, p. 63), salienta que: “O controle interno representa em uma organização o conjunto de procedimentos, métodos ou rotinas com os objetivos de proteger os ativos, produzir dados contábeis confiáveis e ajudar a administração na condução ordenada dos negócios da empresa”.
Já a auditoria externa ou independente apresenta de forma verdadeira a situação financeira da empresa, relatada pelas demonstrações financeiras. É realizada por profissional ou órgão externo, sem vínculo com a entidade.
Quanto às formas auditoria e, de forma sucinta Basso (2005, p. 103), nos remete a pensar que: “Os serviços de auditoria variam de acordo com a extensão do trabalho, a profundidade dos exames, a sua natureza, os fina a que se destinam e as relações entre auditor e a entidade auditada”.
Assim sendo, ambos os modos de auditoria dão margem para que o auditor possa opinar e aconselhar visando sempre à melhoria da empresa.
2.3 PERÍCIA CONTÁBIL
Pela definição das Normas Brasileiras de Contabilidade, mais especificamente de Perícia Contábil (NBC TP 01), através da resolução 1.243/09, revogada em 27 de fevereiro de 2015, a mesma nos diz no item 2:
A perícia contábil constitui o conjunto de procedimentos técnico-científicos destinados a levar à instância decisória elementos de prova necessários a subsidiar a justa solução do litígio ou constatação de fato, mediante laudo pericial contábil e/ou parecer técnico-contábil, em conformidade com as normas jurídicas e profissionais e com a legislação específica no que for pertinente.
Sá (2011, p. 3), com relação à Perícia contábil nos remete a pensar que:
Quando precisamos de uma opinião válida, de um entendedor, buscamos um Perito. A expressão perícia advém do latim: Perita, que em seu sentido próprio significa
Conhecimento (adquirido pela experiência), bem como a experiência.
Na Roma antiga, de tal forma se deu valor aos que entendiam que perícia passou a designar Saber, Talento, tal como a empregou o historiador Tácito, em sua obra Anais, onde escreveu uma fase da História do Senado Romano (4,58).
A tecnologia da perícia é a que enseja Opinião sobre Verificação feita, relativa ao patrimônio individualizado (de empreendimentos ou de pessoas).
Já Alberto (1996, p. 19), descreve a Perícia como um instrumento: “Perícia é um instrumento especial de constatação, prova ou demonstração, científica ou técnica, da veracidade de situações, coisas ou fatos”.
A perícia contábil é de competência exclusiva de contador em situação regular perante o Conselho Regional de Contabilidade de sua jurisdição, e é imprescindível que o mesmo possua competência profissional demonstrando capacidade para pesquisar, examinar, analisar, sintetizar e fundamentar a prova no laudo pericial e no parecer pericial contábil, além disso, o contador, na função de perito, deve manter adequado nível de competência profissional, atualizado sobre as Normas Brasileiras de Contabilidade (NBC), além das técnicas contábeis, especialmente as aplicáveis à perícia.
2.3.1 Diferenças entre auditoria e perícia
A perícia serve a uma época, a um questionamento, a uma necessidade; a auditoria tende a ser a necessidade constante, atingindo um número maior de interessados, sem necessidade de rigores metodológicos tão severos; basta dizer que a auditoria consagra a amostragem e a perícia a repele, como critério habitual.
O auditor irá fiscalizar e verificar a qualidade, eficácia e eficiência dos sistemas de controles internos da entidade, objetivando assegurar a qualidade das peças contábeis e dificultando as fraudes patrimoniais e financeiras que possam ocorrer. Assim, seus trabalhos irão auxiliar os usuários da informação contábil, podendo ser interno, como o diretor, ou externo, como um possível novo investidor.
Por sua vez, o perito contador, irá analisar questões pontuais e determinadas. Após seus trabalhos emitirá um laudo sobre a questão levantada. Tal laudo deverá ser impessoal e seguir boa prática contábil, como também os padrões de ética.
Com relação aos campos de atuação do perito e do auditor, o primeiro atua sobre um caso litigioso, envolvendo duas partes, enquanto que o segundo desenvolve seu trabalho para uma entidade privada ou pública que o contrata para apreciar e emitir parecer sobre controles internos ou demonstrações financeiras.
Sá (2011, p. 9), ainda salienta: “O método da perícia contábil não se confunde com o da auditoria. O método básico da perícia contábil é o analítico e de maior abrangência, visando à confiabilidade da opinião, como prova que deverá ser para terceiros”.
Deste modo, tanto o auditor como o perito devem ser profissionais com grande conhecimento contábil, haja vista que seus trabalhos servirão de suporte para a tomada de decisão.
2.3.2 Objeto e objetivos da perícia contábil
Toda prova pericial é precedida de um objeto cujo propósito, motivo ou pretexto deve ser cautelosamente estudado e avaliado pelo perito a fim de se encontrar a verdade diante do objetivo exposto.
O objeto da perícia é esclarecido por Alberto (1996, p. 50), como sendo:
[...] quanto ao objeto, temos, num primeiro plano, o objeto genérico de todas as perícias, ou seja, “as situações, coisas ou fatos”, e, como objeto específico da perícia contábil, as “relações, efeitos e haveres patrimoniais”. É certo também que esta somente se manifesta sobre o objeto, se instada a fazê-lo segundo certo grau, ainda que relativo, de utilidade, para o usuário.
De acordo com Zanna (2011, p. 134):
No sentido que interessa à Perícia Contábil, o objeto formaliza-se com os elementos que serão utilizados para produzir a prova pericial específica. É o que existe, o que pode ser percebido pelos sentidos com predominância da visão, e aplicação dos conhecimentos obtidos com a experiência profissional, mercê do uso da inteligência.
Com relação aos objetivos ou finalidades da perícia, ambos ensejam mostrar a existência e veracidade dos fatos analisando todo e qualquer elemento de prova necessário para que haja à justa solução do litígio, mediante laudo pericial contábil ou parecer pericial contábil, ou seja, trazer à tona a verdade sobre o objeto examinado.
Para Zanna (2011, p. 161), sendo a perícia uma prova:
O objetivo, neste caso, é conhecer com a precisão que as técnicas contábeis disponibilizam ao profissional, usadas com a habilidade desenvolvida graças a experiência pessoal e profissional adquiridas, agregando a tudo isso inteligência (o conhecimento) dos assuntos submetidos ao seu crivo, a verdade que se quer provar.
Os objetivos da perícia contábil não se limitam apenas em conceitos amplos e gerais, como podemos observar acerca do que diz Alberto (1996, p. 51), os objetivos específicos da pericia contábil são:
a. a informação fidedigna;
b. a certificação, o exame e a análise do estado circunstancial do objeto; c. o esclarecimento e a eliminação das dúvidas suscitadas sobre o objeto; d. o fundamento científico da decisão;
e. a formulação de uma opinião ou juízo técnicos;
f. a mensuração, a análise, a avaliação ou arbitramento sobre o quantum monetário do objeto; e
g. trazer à luz o que está oculto por inexatidão, erro, inverdade, má-fé, astúcia ou fraude.
Portanto, fica claro que o objeto da perícia contábil origina a dúvida, os questionamentos a respeito de determinado assunto e, são os objetivos que fornecem as informações que serão utilizadas para o devido esclarecimento dos fatos.
2.3.3 Especificações da perícia contábil
O trabalho pericial pode ser demandado a partir de vários motivos e em situações e ocasiões diversas, por isso é de suma importância que, num primeiro momento, o ambiente de atuação seja explorado e em seguida definido a espécie de perícia a ser utilizada.
Ao explorarmos estudos com base na especificação da perícia contábil podemos observar que, segundo Alberto (1996, p. 53), “Os ambientes de atuação que lhe definirão as características, podem ser, do ponto de vista mais geral, o ambiente judicial, o ambiente semijudicial, o ambiente extrajudicial e o ambiente arbitral”.
Com relação aos ambientes de atuação de cada uma das especificações da perícia contábil Alberto (1996, p. 53-54), assim os define:
A perícia judicial é aquela realizada dentro dos procedimentos processuais do Poder Judiciário, por determinação, requerimento ou necessidade de seus agentes ativos [...].
A perícia semijudicial é aquela realizada dentro do aparato institucional do Estado, porém fora do Poder Judiciário, tendo como finalidade principal ser meio de prova nos esclarecimentos institucionais usuários.
A perícia extrajudicial é aquela realizada fora do Estado, por necessidade e escolha de entes físicos e jurídicos particulares – privados [...].
Por final temos a perícia arbitral, que é aquela perícia realizada no juízo arbitral – instância decisória criada pela vontade das partes -, não sendo enquadrável em nenhuma das anteriores [...].
No contexto é notória a percepção de que a perícia contábil tem suas especificações voltadas a atender as necessidades de seus usuários, de modo a buscar esclarecimentos sobre determinados fatos, baseando-se em provas e com o intuito de solucionar litígios ou arbitrar situações conflituosas.
2.3.4 Normas da perícia contábil
As normas são regramentos elencados para que o profissional de determinada área efetue seu trabalho. De acordo com Alberto (1996, p. 82), as normas “[...] são indicativos comportamentais (técnicos ou éticos) obrigatórios, de forma que representam como devem agir na realidade objetiva, concreta, aqueles que executam as aplicações daquela ciência”.
Os profissionais da pericia contábil também estão sujeitos ao cumprimento de princípios fundamentais contidos nas Normas Brasileiras de Contabilidade Técnicas de Perícia (NBC TP), as Normas Brasileiras de Contabilidade Profissional do Perito (NBC PP),
ambas estruturadas e definidas através da Resolução 1.328/11, além do Código de ética Profissional do Contabilista.
Com relação às normas técnicas, a NBC TP 01 por meio da Resolução 1.243/09,
revogada em 27 de fevereiro de 2015, em seu item 1 estabelece:
[...] regras e procedimentos técnico-científicos a serem observados pelo perito, quando da elaboração de perícia contábil, no âmbito judicial, extrajudicial, inclusive arbitral, mediante o esclarecimento dos aspectos e dos fatos do litígio por meio de exame, vistoria, indagação, investigação, arbitramento, avaliação, ou certificação.
Por sua vez, as normas profissionais, mais precisamente a NBC PP 01, através da Resolução 1.244/09, revogada em 27 de fevereiro de 2015, em seu item 1 estabelece: “[...] critérios inerentes à atuação do contador a condição de perito”.
Nesse sentido, ambas as normas trazem conceitos e objetivos imprescindíveis à função do perito contador, tanto no seu cotidiano elencando os procedimentos necessários ao bom e completo desempenho do trabalho pericial, quanto em relação às responsabilidades, ao zelo e competência profissional, entre outros itens que qualificam o perito contador e, conseguintemente o resultado da pericia.
2.3.5 Do Perito Contador e do Perito Contador assistente
Um processo pericial contábil possui como integrantes, além das partes interessadas, também encontramos o perito contador que, por sua vez, precisa ser alguém com capacidade técnica e intelectual, devendo estar devidamente registrado em Conselho Regional de Contabilidade, ser profundo conhecedor da matéria periciada e, sobre tudo, deve dispor de idoneidade moral e grande responsabilidade.
Em se tratando do perito contador e em meio a fatos controversos que podem surgir durante um processo judicial, exigindo que seja provado algo mediante perícia contábil, caberá ao magistrado nomear um perito judicial.
Nesse sentido, Ornelas (2000, p. 44), complementa,
Em determinados casos, como já observado, a nomeação de perito dá-se em função de determinação legal independente de controvérsias. Ser nomeado pelo magistrado é receber desse um voto de confiança ampla, que reflete o reconhecimento de sua capacidade técnica e honorabilidade.
Com relação ao assistente técnico ou perito contador assistente, este, conforme Zanna (2011, p. 57), “[...] deve possui as mesmas qualidades profissionais e pessoais citadas para o perito judicial; todavia, terá seu nome indicado pela parte que o escolher. Assim sendo, entende-se que o perito contábil, quando na função de Assistente Técnico, está a serviço da parte que o contratou”.
Portanto, independente da forma de atuação do perito contador ou assistente técnico, ambos devem desempenhar seu trabalho fundamentado no sigilo e ética profissional, atualizando-se constantemente por meio de capacitações, especializações, educação continuada e treinamentos. Além disso, é necessário um amplo conhecimento das normas que regem a atuação do perito contábil e as prerrogativas que conduzem as leis trabalhistas como a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
2.3.6 Responsabilidades e penalidades inerentes ao exercício do perito contador
Todo profissional que se preze possui responsabilidades inerentes ao desempenho de sua função, com o profissional perito contador não seria diferente, uma vez que, os resultados atingidos pelo mesmo devem condizer com o compromisso e risco assumidos.
Em meio às normas e legislações a ser observadas pelo perito contador no exercício de sua função, o mesmo deve ter em mente que estar devidamente registrado em Conselho Regional de contabilidade é fator primordial para o inicio de sua carreira profissional. A partir disso, as responsabilidades se resumem no constante estudo e aperfeiçoamento de técnicas, no cumprimento de prazos estabelecidos, no respeito mutuo para com o magistrado e as partes integrantes do processo, zelando pela integridade dos fatos, pela seriedade e discrição.
Na concepção de Alberto (1996, p. 73), o perito possui “A responsabilidade pessoal que recai sobre o agente ativo da pericia é, assim e principalmente, aquela que o profissional auto-impõe como suporte para uma atividade eficaz”.
Com relação às penalidades a que está sujeito o perito contador, Zanna (2011, p. 56), destaca:
a. ser substituído por qualquer motivo que o magistrado considerar justo; b. pagar multa por não apresentar o laudo pericial no prazo previsto;
c. pagar multa por não comparecer a audiência para a qual fora regularmente convocado;
d. nos casos em que violar o dever de lealdade para com a Justiça, fizer afirmação falsa, negar-se a falar a verdade, calar-se na função de perito: -pena de reclusão de 1 a 3 anos e multa;
f. sofrer penalidades impostas pelo Serviço de Fiscalização Profissional do CRC (Conselho Regional de Contabilidade) e ficar impedido de exercer a pericia contábil.
Complementarmente, o art. 147 do Código de Processo Civil (CPC) informa, “O perito que, por dolo ou culpa, prestar informações inverídicas, responderá pelos prejuízos que causar a parte, ficará inabilitado, por dois (2) anos, a funcionar em outras perícias e incorrerá a sanção que a lei penal estabelecer”.
Portanto, para que o trabalho pericial tenha credibilidade, é necessário que o perito observe as atribuições inerentes a sua função e conseguintemente as consequências que podem surgir em decorrência de erros.
2.3.7 Suspeição e impedimento
A suspeição e o impedimento são condições que delimitam a atuação do perito contador dentro de determinado processo. Ao analisar os autos do processo o perito contábil pode averiguar se está apto a desempenhar sua função, a partir disso, nas palavras de Ornelas (2000, p. 64-65),
[...] o perito deve considerar, em face do tipo de perícia, se está impedido por lei de realizá-la ou se há elementos que possam configurar suspeição de natureza íntima. Deverá verificar se a matéria técnica a ser enfrentada é de sua especialidade e, ainda, se terá disponibilidade de tempo para realizar o trabalho para o qual foi nomeado.
Entre tais circunstâncias o art. 135 do CPC, dispõe como sendo casos de suspeição os seguintes:
I - amigo íntimo ou inimigo capital de qualquer das partes;
II - alguma das partes for credora ou devedora do juiz, de seu cônjuge ou de parentes destes, em linha reta ou na colateral até o terceiro grau;
III - herdeiro presuntivo, donatário ou empregador de alguma das partes;
IV - receber dádivas antes ou depois de iniciado o processo; aconselhar algumas das partes acerca do objeto da causa, ou subministrar meios para atender às despesas do litígio;
V - interessado no julgamento da causa em favor de uma das partes.
No que tange o impedimento legal e técnico com relação à atuação do perito contador nos processos periciais, no primeiro, estão relacionadas questões pessoais, sendo elas, relações familiares com as partes, receber qualquer tipo de beneficio, fazer parte do processo, apresentar interesse individual no resultado do trabalho pericial, entre outras, já no segundo, o
impedimento técnico se dá pela falta de conhecimento do profissional contábil acerca da matéria em litígio.
Em resumo, independente da condição do perito contador, cabe a ele analisar a situação e certificar-se de que sua atuação no processo é cabível.
2.3.8 Técnicas básicas da perícia contábil
Ao desempenhar a função de perito contador é absolutamente necessário e imprescindível que este observe e respeite os procedimentos ou técnicas básicas da perícia contábil, pois estas são estruturas que facilitam e organizam o desfecho do conteúdo pericial analisado.
Entre tais circunstancias Alberto (1996, p. 118), descreve as técnicas contábeis básicas da seguinte forma:
Exame: É a análise dos elementos constitutivos da matéria. Pode ser em relação a um elemento qualquer: uma pessoa, um documento, um móvel, etc.[...].
Vistoria: É o ato de verificação do estado circunstancial do objeto pericial concreto: pessoa, máquina, documento, condições ambientais etc. [...].
Indagação: É o ato pericial de obtenção do testemunho pessoal daqueles que têm ou deveriam ter conhecimento dos fatos ou atos concernentes à matéria periciada. Investigação: A definição das normas de Contabilidade desta técnica pericial é suficientemente abrangente para ser tomada para qualquer perícia. É, assim, a investigação a pesquisa que busca trazer ao laudo o que está oculto por quaisquer circunstâncias [...].
Arbitramento: Em seu aspecto puro, arbitramento está relacionado à solução de controvérsia por critério técnico, como constante das normas contábeis.
Avaliação: É a análise e identificação do valor de coisas, bens, direitos, obrigações, despesas e receitas, por critério puramente objetivo, calculável demonstrável [...]. Certificação: É a informação trazida ao laudo pelo perito com caráter afirmativo cuja autenticidade é reconhecida em função da fé pública atribuída ao profissional [...].
Nesse sentido, com o intuito de alcançar seus propósitos no trabalho pericial, ou seja, revelar a verdade dos fatos, os procedimentos anteriormente elencados são de suma importância na elaboração de uma prova pericial plena e eficaz (ZANNA, 2011).
2.3.9 Quesitos
A palavra quesito pode ser definida como ponto ou questão sobre a qual se pede a opinião ou o juízo de alguém. Num processo de perícia contábil os quesitos são as perguntas elaboradas pelas partes ou pelo magistrado.
Para Alberto (1996, p. 42), os quesitos são:
[...] perguntas que visam a obter um esclarecimento do perito sobre determinado ponto ou pontos do laudo – ou, com as mesmas funções destes quesitos, através de impugnação às conclusões ou algum aspecto do laudo pericial. O profissional é então instado a prestar os esclarecimentos que foram solicitados, sustentado fundamentadamente suas conclusões ou reformulando o trabalho pericial, se houver razões para tanto.
De acordo com Ornelas (2000, p. 78), os quesitos podem ser divididos em duas categorias: “[...] os pertinentes e os impertinentes. Os primeiros têm por objetivo esclarecer as questões técnicas contábeis. Os impertinentes abordam, geralmente, aspectos não relacionados com o que se debate nos autos do processo, ou então, são perguntas que buscam do perito opinião fora de sua competência legal.
No decorrer do trabalho pericial podem surgir questionamentos que não estavam previstos, formulados pelos advogados ou pelos assistentes técnicos, configurando, dessa forma, os quesitos suplementares. “Os quesitos suplementares surgem no curso das diligências, quando os assistentes técnicos tomam conhecimento mais íntimo com o objeto de perícia” (ZANNA, 2011, p. 239).
Com relação às respostas dos quesitos, espera-se que o perito contador esclareça as duvidas de forma objetiva e clara. De maneira diferente, os quesitos suplementares só serão respondidos mediante deferimento do magistrado e ainda o decorrer dos trabalhos periciais.
2.3.10 Diligência e papéis de trabalho
O trabalho pericial é composto por etapas e, as diligencias, tem papel fundamental uma vez que integram o inicio, meio e fim de qualquer processo. Nas palavras de Zanna (2011, p. 194), entende-se por diligência:
[...] todo e qualquer ato executado pelo perito oficial ou pelos assistentes técnicos, com a finalidade de juntar provas e argumentos para confeccionar o laudo pericial requerido, exclusive a confecção do próprio laudo. Todavia, sua entrega e demais atividades que se seguem à consignação do laudo, são diligencias.
O perito contador fica encarregado de elaborar o termo de diligência que, segundo Ornelas (2000, p. 71), “[...] deve conter dados que identificam o processo, o local e a hora da diligencia, os livros e documentos que o perito deseja ver exibidos, a identificação do perito e do representante legal, a assinatura dos dois, o local e a data”.
Da mesma forma, os papeis de trabalho integram os processos periciais tendo por finalidade o registro de todos os elementos relevantes para confecção do laudo.
O papel de trabalho pericial, na concepção de Alberto (1996, p. 131), pode ser entendido como: “[...] um roteiro para a elaboração do laudo e um registro de todas as análises, principais exames e critérios adotados, impugnações que ocorreram, honorários, enfim, todos os acontecimentos relativos ao laudo apresentado”.
Nesse contexto, tanto as diligências, quanto os papeis de trabalho são partes indispensáveis ao andamento do trabalho pericial, uma vez que, ambos enriquecem e dão fundamentação tangível para se chegar a conclusões plausíveis.
2.3.11 Laudo pericial contábil
O laudo pericial é a etapa de conclusão do trabalho do perito contador, é o momento em que todas as duvidas que ocasionaram a abertura do processo devem ser sanadas, demonstrando que o profissional contábil utilizou todos os recursos cabíveis para fundamentar seu parecer.
Em outros termos Sá (2011, p. 45), salienta: “Os laudos em suas estruturas devem encerrar identificações dos destinatários, do perito, das questões que foram formuladas e conter respostas pertinentes, devidamente argumentadas, anexando-se o que possa reforçar os argumentos das respostas e opiniões emitidas”.
Na concepção de Ornelas (2000, p. 94), o laudo pericial contábil pode ser ordenado da seguinte maneira:
1. Das considerações preliminares
a. Aspectos gerais dos autos
b. Diligências
c. Procedimentos técnicos adotados
d. Responsabilidade profissional
2. Dos quesitos
a. Do magistrado
b. Do autor
c. Do réu
3. Das considerações finais
4. Do encerramento
Anexos Documentos
“Pode-se concluir, por ora, que o Laudo Pericial Contábil deve ser: objetivo, equidistante das partes envolvidas e não pode ser contaminado por ideias ou opiniões pessoais” (ZANNA, 2011, p. 270).
De acordo com Hoog (2006), podemos citar três espécies de laudos periciais, sendo eles: laudo coletivo, laudo de consenso e laudo discordante ou divergente. No primeiro haverá uma exigência da norma legal ou ainda quando as partes requisitarem que o laudo pericial seja realizado por mais de um perito, por isso considerado laudo coletivo. Já no segundo, ocorrerá por parte dos peritos contadores assistentes a concordância plena com as informações elencadas no laudo elaborado pelo perito oficial. No que tange o terceiro tipo de lauto supracitado, este traz a ideia de que o perito contador assistente alicerçado com razoes discorda do que discorre o conteúdo do laudo do perito oficial.
Portanto, nesta etapa é importante que o laudo demonstre clareza e objetividade, transparecendo que o perito agiu de forma imparcial e com intuito de solucionar o motivo do litígio.
2.3.12 Honorários profissionais
O perito contador quando nomeado pelo Juiz ou quando indicado pelas partes para atuar na justa solução de litígio deve ter em mente que os honorários, ou seja, a forma de remuneração é diferenciada de acordo com a função exercida.
Quanto à proposta de honorários Hoog (2006, p. 145), destaca alguns fatores que o perito contábil deve ser estabelecer, prezando pela qualidade do serviço:
a) a relevância, o vulto, e a complexidade dos serviços a executar; b) as horas que serão consumidas em cada fase da realização do trabalho; c) a qualificação do pessoal técnico que irá participar da execução dos serviços; d) o prazo fixado, quando indicado ou escolhido, ou o prazo médio habitual da liquidação, se nomeação judicial;
e) a forma de reajuste se houver;
f) o lugar em que os serviços serão prestados e consequentemente, custos de viagens, estadias e locomoções, se for o caso.
A partir desses fatores cabe ao perito contador elaborar a proposta apresentando um orçamento com as horas técnicas que serão necessárias e seus respectivos valores, ficando a critério do magistrado o arbitramento quanto à fixação da remuneração.
A fixação da remuneração pericial é um ato arbitral do magistrado, que, normalmente ao decidir, leva em consideração a relevância e a qualidade do trabalho pericial, a complexidade técnica da prova, o orçamento apresentado pelo perito, as possibilidades econômico-financeiras das partes, bem como as eventuais reações das partes.
2.4 PERÍCIA CONTÁBIL E O PROCESSO TRABALHISTA
A perícia contábil atuante como um dos ramos da contabilidade que objetiva o estudo de documentos e fatos, tendo como finalidade a solução de litígios, possui como um dos campos de atuação a esfera trabalhista, agindo em processos de reclamatórias trabalhistas.
Colocadas por Alberto (1996, p. 114), as reclamatórias trabalhistas configuram situações:
Para que, no confronto entre as alegações das partes, a perícia contábil verifique a ocorrência de erros (pagamentos parciais, que subsistem diferenças) ou ausência de pagamentos de haveres reclamados em ações trabalhistas, servindo, assim, como meio de provar o direito perseguido no dissídio individual. É comum, por exemplo, o empregado fazer afirmações cujas comprovações somente podem ser efetuadas em documentos e registros da empresa, e é a perícia contábil que pode analisar a correão ou não dos haveres pagos.
Nas palavras de Zanna (2011, p. 535-536), o processo trabalhista:
É a maneira pela qual são conciliados ou julgados os dissídios individuais e coletivos entre empregados e empregadores, chamados no processo de Reclamantes e Reclamados. Presta-se também para dirimir demais controvérsias decorrentes das relações trabalhistas regidas pelo Direito do Trabalho e capituladas na CLT.
Como parte integrante da perícia contábil, o perito contador desempenha papel fundamental em processos trabalhistas, pelo fato de possuir conhecimentos específicos nessa área, auxiliando o magistrado de forma significativa. Neste sentido Hoog (2006, p. 49), também salienta:
[...] quando o cliente é a Justiça, o juiz tem posse dos subsídios científicos e técnicos em que apoiar sua elevada e respeitável decisão. E no papel de assistente técnico, o qual tem a igual importância do perito oficial, o litigante tem assegurada a sua ampla e irrestrita defesa, fundamentada em sólidos conhecimentos científicos de vanguarda. E com toda certeza, um bom perito assistente faz uma grande diferença entre ganhar ou perder a demanda.
Portanto, num processo trabalhista onde há divergência de opiniões entre as partes, o trabalho do perito contador se torna imprescindível à justa solução do litígio, uma vez que, a perícia contábil é inteiramente baseada na analise de documentos e provas sólidas, fundamentada na normatização e leis vigentes para cada caso, minimizando assim a possibilidade de prejuízo às partes envolvidas no certame judicial.
2.4.1 Definição de direito do trabalho
As relações trabalhistas surgiram quase concomitantemente com a convivência em sociedade, pois o trabalho é algo essencial na vida das pessoas desde sempre. Desta Forma, com o passar do tempo foram se criando regras e normas para dirimir problemas que a relação de trabalho possui.
Na atualidade em nosso país o maior exemplo de norma que tem por objetivo regrar a relação de trabalho é a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), aprovada por meio do Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943, a qual traz definições claras sobre empregador e empregado:
Art. 2º - Considera-se empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço [...].
Art. 3º - Considera-se empregado toda pessoa física que prestar serviço de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário [...].
Então, podemos entender que direito do trabalho nada mais é que o conjunto de regramentos acerca da relação trabalhista, tendo com personagens principais o empregador e o empregado.
2.4.2 Processo de reclamatória trabalhista
O processo de reclamatória trabalhista tem início a partir do momento que uma das partes, numa relação de trabalho, se sente prejudicada frente a algum direito que lhe foi negado ou concedido de forma incorreta.
Dessa forma inicia-se o processo de reclamatória trabalhista onde, na maioria das vezes, o trabalhador configura o reclamante e o empregador o reclamado. A partir disso, para que seja realizada uma minuciosa análise de documentos e fatos ligados ao litígio, o juiz nomeia um perito contador, e as partes envolvidas podem indicar um perito contador
assistente. Nesse momento cabe ao perito verificar os autos do processo e definir se assumirá o compromisso ou se é necessário escusar-se.
O processo trabalhista é estruturado em fases caracterizadas como: inicial, contestação, instrução, julgamento e liquidação. A iniciação compreende a petição inicial que é o meio pelo qual a parte que se sente prejudicada na relação trabalhista, requer ao juiz uma análise dos direitos que esta acredita que possui. De acordo com o CPC em seu art. 282 são requisitos da petição inicial:
Art. 282. A petição inicial indicará: I – o Juiz ou tribunal, a que é dirigida;
II – os nomes, pronomes, estado civil, profissão, domicilio e residência do autor e do réu;
III – o fato e os fundamentos jurídicos do pedido; IV- o pedido, com as suas especificações; V – o valor da causa;
VI – as provas com que o autor pretende demonstrar a verdade dos fatos alegados; VII – o requerimento para a citação do réu.
Se a petição estiver de acordo com os requisitos propostos, o juiz ordenará a citação ou chamamento do réu para que o mesmo tome conhecimento da ação, caso contrário, se a petição não possuir os requisitos exigidos, o autor terá o prazo de dez dias para a regularização da petição.
O prosseguimento do processo se dará com a chamada audiência de conciliação, que nada mais é do que uma tentativa de acordo entre as partes, proposta e dirigida pelo juiz. Caso as partes não aceitem o acordo o litígio continuará. Desta forma, o próximo passo formal do processo será a contestação que se caracteriza pela defesa da parte ré nos autos. Em se tratando da instrução e julgamento, ambas, são fases em que o juiz analisará os fatos alegados pelas partes e ainda requisitará, se necessário, provas técnicas, científicas e testemunhais para embasar sua decisão sobre o mérito da causa.
Nos casos em que o juiz necessitar de provas que exijam conhecimento científico poderá nomear um profissional capacitado e devidamente habilitado para o exercício da profissão.
No que tange o processo trabalhista, cabe ao perito contador, como profissional nomeado pelo juiz, o planejamento do trabalho pericial que, segundo Zanna (2011, p. 170-171), deve considerar os seguintes itens:
1. inicia-se com o exame e interpretação das denúncias dos fatos objeto da ação, constantes na peça Inicial. Sobre estas denúncias o perito deve ter consciência pessoal e profissional, para poder atuar com competência;
2. o segundo passo diz respeito à análise das suspeitas apresentadas na Inicial. É no texto da Inicial que são relatadas as suspeitas a respeito das quais se busca a intervenção da Justiça. Segue-se a análise das refutações citadas na Contestação e das eventuais complementações apresentadas pelo Autor quando da apresentação de sua Réplica;
3. o terceiro passo é aquele em que o perito busca identificar e entender o significado dos indícios revelados nas provas juntadas aos autos. Neste momento, formará, em sua consciência, o conjunto de provas que deverá obter quando das diligências externas e aquelas que deverá, ele mesmo, produzir para que a verdade seja conhecida e seja revelada com o seu laudo;
4. procura, então, conhecer e examinar as evidências para, no final, buscar provas comas quais terá condições de revelar a verdade sobre aquilo que foi alegado, pelo Autor, com sua peça Inicial e contestado pelo Réu. Só então estará em condições de redigir o laudo pericial contábil requerido.
Findada a fase de instrução e julgamento, alicerçado nas provas apresentadas e no seu entendimento, caberá ao juiz da causa decretar a sentença, encerrando-se assim, o ato processual. Com base na decisão supracitada, surge o instituto da liquidação da sentença, que nada mais é do que a elaboração dos cálculos referentes aos valores devidos pelo polo perdedor do litígio a parte ganhadora.
No entanto, se quaisquer das partes discordarem do que definiu o juiz na sentença, caberá à impetração de recurso para instância superior desde que a sentença ainda não tenha transitado em julgado.