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O nascimento da ética no
Ocidente:
Ethos – Saber Ético – Ética
AULA 02
Objetivos
Discutir
o conceito de ética e suarelação com os valores religiosos.
Explorar
o significado da idéia de Ethos.
Mostrar
a especificidade de umaExpoentes:
Os sofistas;
Sócrates;
Platão;
Os Sofistas
“O homem é a medida de todas as
coisas”
(Protágoras)
O homem, isto é, cada indivíduo, decide
soberanamente, de acordo com seu critério pessoal, todas as questões de conhecimento, ou de comportamento.
Característica dos sofistas:
Pensamento relativo absoluto: Tudo que
existe é impermanente, mutável e plural.
Idéias gerais e individuais, baseadas na
opinião;
Impossibilidade lógica de se estabelecerem
conceitos e definições universais;
Variável apreciação intuitiva do
Utilitarismo – Mais do que servir ao Estado,
os sofistas ensinavam a empregar as habilidades retóricas a serviço dos interesses particulares, manipulando, se necessário, os sentimentos e as paixões.
Oportunismo político – Se não há nada justo e injusto em si mesmo, todos os meios são bons para se atingir os fins que cada um se propõe. O bom resultado justifica os meios empregados para conseguí-lo. A eloqüência é a arte da persuasão e pode ser empregada indistintamente para o bem e para o mal.
Condenação e reabilitação dos
sofistas
No diálogo Sofista, Platão mostra Sócrates a debater diversas definições para os sofistas:caçadores
interesseiros de jovens ricos; comerciantes do ensino e das virtudes;
A erística é a arte de batalhar com palavras
(logomaquia, para os gregos), ou seja, a arte de vencer nas discussões. Como se vê, Platão reduz o sofista á condição de comerciante do saber, mercenário do espírito, mero ilusionista sem conteúdo.
O grande problema da
sofistica
A moral, portanto, - como norma
universal de conduta - é concebida
pelos sofistas não como lei racional do agir humano, isto é, como a lei que
potencia profundamente a natureza
humana, mas como um empecilho que incomoda o homem.
os sofistas estabelecem uma oposição
especial entre natureza e lei, quer
política, quer moral, considerando a lei como fruto arbitrário, interessado,
mortificador, uma pura convenção, e entendendo por natureza, não a
natureza humana racional, mas a natureza humana sensível, animal, instintiva.
A realização da humanidade
perfeita, segundo o ideal dos
sofistas, não está na ação ética e
ascética, no domínio de si mesmo,
na justiça para com os outros, mas
no
engrandecimento ilimitado da
própria personalidade, no prazer e
no domínio violento dos homens.
Sócrates
e a crença que basta saber o que é a bondade para ser bom Antes dele não teria havido uma reflexão organizada sobre a ética e o "homem moral" a não ser o
relativismo dos sofistas, neste sentido é inegável que ele é o "Pai da Ética.
É com os sofistas que Sócrates dialoga, em um esforço para refutar seu relativismo moral. Sócrates defende a
identidade entre os interesses individuais e os
comunitários como único caminho para a felicidade, o que implica na valorização da bondade, da moderação dos apetites, na busca do conhecimento.
PLATÃO: Sobre a Justiça
Não há dois modelos de justiça, um para
o indivíduo e outro para a sociedade;
É sempre o mesmo paradigma que deve
orientar, quer a vida individual, quer as instituições políticas;
A assimilação da justiça é a ordem, da
ARISTÓTELES:
A ética é por excelência uma ciência,
cujo objeto são as ações humanas
tendentes à produção de um resultado concreto;
O objeto da ética é o supremo bem a
que podem aspirar os homens, isto é, a
A ORIGEM:Êthos / Éthos
O termo ética “é um adjetivo
substantivado em cuja origem
etimológica encontramos dois
termos gregos: (êthos) –
morada habitual, toca, maneira de ser, caráter e (éthos) –
costume, uso, maneira (exterior) de proceder”.
Êthos
(virtude individual)
A virtude não nasce naturalmente nos
homens.
É necessário que os homens se
exercitem na virtude para conhecê-la e praticá-la.
É preciso distinguir a vontade da
Éthos (a lei moral-social)
A natureza do homem é racional e tempor conseqüência a razão de toda a humanidade;
A racionalidade realiza o bem que é ao
mesmo tempo felicidade e virtude;
O raciocínio passa, insensivelmente, da
vida individual à social, dos hábitos pessoais às leis, e vice-versa.
Fenomenologia do
Ethos
ETHOS PRÁXIS VIRTUDE / HÁBITO TRADIÇÃO / COSTUME LINGUAGEM CONDUTANatureza e formas do saber ético
O processo de assimilação ativa,
qualitativa e organizada do real torna possível uma atitude crítica e assertiva do cognoscente em face do objeto
conhecido SABER – ora materializado nas técnicas, ora expresso pela linguagem.
A reflexividade compõe o
SABER
ÉTICO
a partir de dois aspectos:
“Eu sou”
– responsabilidade e
intencionalidades das ações para a
realização do ethos.
“Eu devo”
– experiência racional
imanente do ethos e prescrita pela
legitimidade social.
Formas culturais privilegiadas de
expressão e transmissão do
SABER ÉTICO:
Religião – crenças, ritos/rituais, interditos e
práticas regidas por normas de conduta.
Sabedoria – identidade/tradição cultural
responsável pela conservação e transmissão dos costumes.
Artes – expressão do saber e do ideal ético
Do Saber Ético à Ética
SABER ÉTICO – por sua finalidade
normativa, indicativa e prescritiva do agir humano, é um saber vivido nas inúmeras vicissitudes do cotidiano
humano.
ÉTICA – é uma saber pensado que
permite traçar com êxito um espaço razoável para o agir humano.
SABER ÉTICO - Religião / Sabedoria/Arte-Ciência e Tecnologia ÉTICA Leis / Liberdade -ETHOS Tradição / Virtudes -Razão
Paradigmas éticos -
sua finalidade éconciliar o universal (necessidade) e o
particular (contingência):
Convencionalismo
Naturalismo
Intelectualismo
Normativismo
Os problemas éticos
fundamentais
: INTERSUBJETIVIDADE:Valor do
Indivíduo.
UNIVERSALIDADE: valor do Bem ou
do Melhor
CONSTÂNCIA/REGULARIDADE:valor
Estrutura conceitual da Ética
Ciência do Ethos = explicação ejustificação racionais dos costumes que formulem igualmente as leis ou normas a que deve obedecer o agir razoável e
sensato segundo o ethos.
Saber de natureza filosófica cujo objeto é a práxis ética.
A práxis humana caracteriza-se pela
ação ordenada ou voluntária em vista de um fim. Técnica (fazer) Produzir de um bem ou serviço exterior -Ética (reflexão) Aperfeiçoar-se Ser melhor Interior
-
OS DOIS REINOS DA ÉTICA
:Na práxis ética entrelaçam-se a
necessidade do fim (“viver no bem” / “realizar o melhor”) e a liberdade (agir consciente e racional) do agir na
aceitação do fim.
Constância e continuidade virtude
Categorias constitutivas da
Ética:
Bem
Fim
Virtude
Justiça
Liberdade
Consciência moral
Obrigação moral
Sinopse histórica da Ética
Continuidade temática e conceptual do pensamento ético das suas origens à
atualidade;
Pressuposição de um núcleo antropológico que sustenta essa continuidade;
Intencionalidade metafísica que orienta o pensamento ético na busca de sua
Ética Antiga:
Sofistas – princípios morais resultam de convenções humanas.
Sócrates – princípios morais resultam da natureza humana.
Platão – o bem se encontra nas
Aristóteles – o bem encontra-se na
felicidade (desenvolvimento da racionalidade e a vida na Pólis).
Período Helenístico :
Hedonismo – o bem encontra-se no prazer.
Estoicismo – o bem encontra-se no temor ao divino.
Ética cristã-medieval
:asconcepções éticas estão impregnadas pelos valores religiosos e o bem
encontra-se na fé religiosa.
Santo Agostinho: defensor da teoria da predestinação e da salvação pela fé.
Tomás de Aquino: defensor da teria do livre-arbítrio e da salvação como busca racional do homem pelo divino.
Ética Moderna
Hobbes; Spinosa; Rousseau
a norma moral se funda na lei natural, no interesse e na própria razão.
Ética Kantiana
o agir moral funda-se exclusivamente na razão e no dever.
Ética contemporânea
Marx – consciência moral é reflexo das relações sócio-político- econômicas.
Nietzsche – a conduta humana moral conduz a culpa e ao ressentimento
Freud - consciência moral supõe autonomia e espontaneidade.
Existencialismo – a consciência moral resulta do engajamento
político-social.
Habermas – a consciência moral centra-se na razão comunicativa, na
Atualidade
– a consciência moral centra-se na idéia de justiça,igualdade e eqüidade de direitos e deveres necessários a preservação da existência humana e de sua dignidade.
Referências
VAZ, Henrique C. de Lima. Escritos de
Filosofia IV: Introdução à Ética filosófica 1. 2ª ed. São Paulo: Edições Loyola,
2002. Capítulos 1 a 3, p. 33 a 66.
ARANHA, M.L.A.; MARTINS, M.H.P.
Filosofando: introdução à filosofia. 3ª ed. rev. São Paulo: Moderna, 2003. Unidade V, p. 300 a 362.