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(2) Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Sistema Integrado de Bibliotecas da UFRPE Nome da Biblioteca, Recife-PE, Brasil. S237u. Santos, Andrea Carla Lira dos Utilização das quotas individuais transferíveis na gestão pesqueira global: os casos do Banco Mundial e da Comissão Internacional para a conservação do atum do Atlântico / Andrea Carla Lira dos Santos. – 2017. 84 f. : il. Orientador: Fábio Hissa Vieira Hazin. Tese (Doutorado) – Universidade Federal Rural de Pernambuco, Programa de Pós-Graduação em Recursos Pesqueiros e Aquicultura, Recife, BR-PE, 2017. Inclui referências. 1. ITQs 2. Avaliação de Estratégias de Gestão 3. Regras de Controle das Capturas 4. Banco Mundial 5. ICCAT 6. Atum (Peixe) I. Hazin, Fábio Hissa Vieira, orient. II. Título CDD 639.3.
(3) UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DE PERNAMBUCO PRÓ-REITORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM RECURSOS PESQUEIROS E AQUICULTURA. UTILIZAÇÃO DAS QUOTAS INDIVIDUAIS TRANSFERÍVEIS NA GESTÃO PESQUEIRA GLOBAL: os casos do Banco Mundial e da Comissão Internacional para a Conservação do Atum do Atlântico Andréa Carla Lira dos Santos. Tese julgada adequada para obtenção do título de Doutor em Recursos Pesqueiros e Aquicultura. Defendida e aprovada em 27 de novembro de 2017 pela seguinte Banca Examinadora.. ___________________________________________ Prof. Dro. Fábio Hissa Vieira Hazin Orientador - DEPAq/UFRPE ___________________________________________ Prof. Dro. Dr. Diogo Martins Nunes Membro Externo – UAST/UFRPE ___________________________________________ Dra. Simone Marques Membro Externo – DOCEAN/UFPE ___________________________________________ Prof. Dro. William Severi Membro Interno – DEPAq/UFRPE ___________________________________________ Prof. Dro. Paulo Guilherme Vasconcelos de Oliveira Membro Interno – DEPAq/UFRPE ___________________________________________ Prof. Dro. Dráusio Pinheiro Véras Membro Externo Suplente – UAST/UFRPE ___________________________________________ Dra. Danielle de Lima Viana Membro Interno Suplente – DEPAq/UFRPE.
(4) DEDICATÓRIA. Dedico esse trabalho à minha família e aos inúmeros amigos que contribuíram, direta ou indiretamente, para a realização do mesmo..
(5) “Gerir pescarias é difícil: é como gerenciar uma floresta na qual as árvores são invisíveis e ficam se movendo” John Shepherd. “O valor da pesca não está em quanto dinheiro pode ser feito com essa atividade, mas em quantas pessoas podem ganhar a vida com ela” Jon Kristjansson.
(6) AGRADECIMENTOS A Deus e a Nossa Senhora das Graças, por mais um objetivo alcançado. Aos meus pais, Andréa e José Carlos, e aos meus irmãos Beatriz e Zeca, pelo apoio dado. Principalmente meu pai e minha irmã, por estarem sempre comigo nos momentos finais e mais difíceis. Aos inúmeros familiares que me deram suporte emocional e financeiro, entre eles Fátima Lira, Marineide Lira, Marli Vasconcelos, Cristiana Vasconcelos, Caio Augusto, Ameliza Lira e minha tia madrinha Lenice. Aos amigos, de longa data ou não, pelos momentos de descontração, pelo apoio, pelo ombro, por tudo. Às amigas Larissa Pitta, Marília Marques, Marília Flório, Dáphine Ponte, Cris Cirne, Samira Duck, Valéria Vasquez, Lívia Di Medeiros e Laysa Melo, que mesmo distante sempre me apoiaram. Ao apoio presencial dos amigos Paloma Machado, Marcos Strattmann, Natália Guerra, Cibele Melo, Vanessa Pedrosa, Michele Vieira, Ana Cecília, Julyany Nascimento, Ana Maria Paloma e a minha irmã em Cristo, Ana Paula. À Alain por ter recuperado todo o meu trabalho antes de eu aprender a fazer backup. Ao Professor Fábio Hazin, por todas as oportunidades dadas durante o doutorado. Gratidão. Ao amigo Paulinho, por todo o suporte e apoios dados desde a época do mestrado. Não importa para onde a vida me leve, nunca esquecerei de você. A Facepe pela concessão da bolsa de doutorado. Ao Programa de Doutorado-sanduíche no Exterior (PDSE/CAPES), pela bolsa concedida. Ao professor Seth Macinko, bem como todos os colegas do Department of Marine Affairs da URI, principalmente Luisa, Melvin, Alanna e Kristen. Assim como os flatmates Oliver, Will, Bryan, Ryan e Ushuaia. Além da minha sempre gentil landlady Min Hwang. Aos amigos Rafael Gaston, Dayanne Raffoul, Filipe e Jaqueline, por todo o suporte dado quando estive fazendo o doutorado sanduíche nos EUA. O apoio de vocês foi muito importante para mim..
(7) À Carina Abreu e toda a sua família (Diogo, Ti e Lud) pelo suporte e companhia durante meu tempo em Rhode Island. Muito obrigada! À Monica Bianchi, Roberto Calleia, Marie, Lolly e Marguerite, pela calorosa recepção em Malta, durante a reunião da ICCAT de 2015. Aos meus irmãos em Cristo da Paróquia de Santo Antônio e aos membros da Jornada Jovem Cristã, os quais são tantos que não conseguirei listar aqui. Principalmente ao posto roxo (Lulinha, Grayce, Cibele, Deley, Eduardo, Carlinha, Lekinho e Jura) e aos padrinhos Avani e Mauro. Além do Padre Hewerton Di Castro, Thay e Gabi. Obrigada por fazerem meu 2017 mais feliz! Aos membros da banca examinadora, pela disponibilidade e contribuições para o trabalho. O mais especial dos agradecimentos a amiga Maria do Carmo Maracajá (Lia Orientadora) e ao Professor Ângelo Brás, pela ajuda preciosa e essencial nesse último ano. Eu definitivamente não teria conseguido sem vocês! Às MOs Polly, Isa, Alê, Nanda, Mari Porto, Leidi, Mirna e Amandinha, por terem estado comigo nos melhores e piores momentos. À Mari Rego, Dani Viana, Paulo, Yuri, Hudson, Drausio, Railma, bem como todos os estagiários, principalmente, Gerê, Jefferson e Marcos, por todas as palavras de incentivo, apoio emocional e momentos de descontração. E a Kadja pelas orações. À Natália, Sibele e Ilka, por toda a compreensão. E aos demais colegas de laboratório, que são muitos. Aos funcionários do Departamento de Pesca e Aquicultura da UFRPE, Telminha, Niara, D. Eliane, Vani, Zena, Lu e Rosa, pela atenção e gentileza durante a pós-graduação. A todos os Professores que tive desde a infância até hoje, por me ajudarem a chegar até esse momento. A todas as pessoas que passaram pela minha vida e de alguma maneira contribuíram para a minha formação. Sem vocês seria impossível a realização desse trabalho..
(8) LISTA DE FIGURAS Figure 1. Kobe matrix used to infer a given stock status. (A) stock is overfished and is suffering overfishing; (B) stock is not overfished and is suffering overfishing; (C) stock is overfished and is not suffering overfishing; (D) stock is not overfished and is not suffering overfishing (Modified from Arocha, 2012). ...................................................................................................................... 65 Figure 2. ICCAT six most important economically tuna and tuna like species. (A) Atlantic Bluefin; (B) Swordfish; (C) Yellowfin tuna; (D) Albacore; (E) Bigeye tuna and, (F) Skipjack (Modified from: https://www.iccat.int/en/assess.htm).................................................................. 66.
(9) LISTA DE TABELAS Table 1. TAC values recommended by SCRS and adopted by the Commission for Bluefin tuna in the Eastern Atlantic and Mediterranean Sea for 2018, 2019 and 2020. ....................................... 67 Table 2. TAC values recommended by SCRS and adopted by the Commission for Bluefin tuna in the Western Atlantic for 2018, 2019 and 2020. ............................................................................ 67 Table 3. TAC values recommended by SCRS and adopted by the Commission for South Atlantic swordfish for 2018, 2019, 2020 and 2021. ................................................................................... 68 Table 4. TAC values recommended by SCRS and adopted by the Commission for North Atlantic swordfish for 2018, 2019, 2020 and 2021. ................................................................................... 69 Table 5. TAC values recommended by SCRS and adopted by the Commission for North Atlantic albacore for 2017, 2018, 2019 and 2020....................................................................................... 70 Table 6. TAC values recommended by SCRS and adopted by the Commission for Southern Atlantic albacore for 2017, 2018, 2019 and 2020. ........................................................................ 71 Table 7. TAC values recommended by SCRS and adopted by the Commission for Bigeye tuna for 2017, 2018, 2019 and 2020. .......................................................................................................... 72.
(10) LISTA DE SIGLAS. AID BIRD BRP CCSBT CITES CNUDM/ UNCLOS FAO FMI GEF GPO HCR IATTC ICCAT IOTC IQs ITQs MSE MSY NEAFC NEPAD NGOs/ ONGs OROPs/ RFMOs PIB Polonoroeste PRBs Profish PSMA SCRS Sunfed TAC UNEP UNFSA UNGA WCPFC WFF WFFP ZEE/ EEZ. Associação Internacional de Desenvolvimento Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento Painel Blue Ribbon Comissão para a Conservação do Atum Azul do Sul Convenção sobre Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Fauna e Flora Selvagens Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar Fundação das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação Fundo Monetário Internacional Fundo Global para o Meio Ambiente Parceria Global para os Oceanos Regras de Controle das Capturas Comissão Interamericana do Atum Tropical Comissão Internacional para a Conservação do Atum do Atlântico Comissão do Atum do Oceano Índico Quotas Individuais Quotas Individuais Transferíveis Avaliação de Estratégias de Gestão Rendimento Máximo Sustentável Comissão das Pescas do Atlântico Norte Nova Parceria para o Desenvolvimento da África Organizações Não-Governamentais Organizações Regionais de Ordenamento Pesqueiro Produto Interno Bruto Programa Integrado de Desenvolvimento do Noroeste do Brasil Pontos de Referência Biológicos Programa Global de Pesca Acordo sobre Medidas dos Estados do Porto Comitê Permanente de Pesquisa e Estatística Fundo Especial das Nações Unidas para o Desenvolvimento Econômico Captura Total Permissível Programa Ambiental das Nações Unidas Acordo de Nova York Assembleia Geral das Nações Unidas Comissão das Pescas do Pacífico Ocidental e Central Fórum Mundial de Pescadores e Trabalhadores da Pesca Fórum Mundial de Povos Pescadores Zona Econômica Exclusiva.
(11) RESUMO O presente trabalho teve por objetivo analisar a aplicabilidade do uso das Quotas Individuais Transferíveis (ITQs, do inglês Individual Transferable Quotas) na gestão pesqueira. Mais especificamente, discutir as propostas do Banco Mundial que promovem o uso das ITQs na gestão das pescas. Em contraponto, foi também discutido o sistema de gestão usado pela Comissão Internacional para a Conservação do Atum do Atlântico (ICCAT, do inglês International Commission for the Conservation of Atlantic Tunas) e o uso de Avaliação de Estratégias de Gestão (MSE, do inglês Management Strategy Evaluation) e Regras de Controle das Capturas (HCRs, do inglês Harvest Control Rules) como ferramentas de incremento do atual sistema de gestão como alternativa ao uso das ITQs. Como diferencial, uma vez que vários estudos já demonstraram a eficiência econômica da ferramenta, este trabalho se focou na análise dos impactos socioambientais da mesma. As análises feitas demonstraram que o uso das ITQs tem um grande impacto na maximização dos lucros da atividade, decorrente da diminuição no número de participantes. No entanto, sua influência na sustentabilidade dos estoques não foi comprovada. Além do mais, a ferramenta promove a exclusão de milhares de pescadores da atividade, gerando um impacto social extremamente negativo, principalmente para países em desenvolvimento. Por outro lado, o uso de ferramentas de gestão acessórias, tais como Avaliação de Estratégias de Gestão (MSE) e Regras de Controle das Capturas (HCRs), proposto pela ICCAT para incrementar seu sistema tradicional de gestão, apresenta vantagens ao uso das ITQs, principalmente no que diz respeito ao manejo dos estoques. Pois através do uso de MSE e HCRs é o estado dos estoques, uma vez que os mecanismos de definição dos valores das quotas são pré-acordados por regras fixas, e não os interesses das nações pesqueiras, fator determinante para as ações de gestão.. Palavras-chave: ITQs, Avaliação de Estratégias de Gestão, Regras de Controle das Capturas, Banco Mundial, ICCAT.
(12) ABSTRACT This work aimed to analyze the applicability of Individual Transferable Quotas (ITQs) in fisheries management. In particular, to discuss the World Bank’s propositions which promote the use of ITQs in fisheries management. As a counterpoint, was also discussed the management system used by the International Commission for the Conservation of Atlantic Tunas (ICCAT) and the use of Management Strategy Evaluation (MSE) and Harvest Control Rules (HCR) as supplementary tools to increase its current system as an alternative to ITQs. As a differential approach, since many studies have already showed the economic efficiency of ITQs, this work focused on analyzing their socioenvironmental impacts. Analysis demonstrated ITQs have a huge impact maximizing fishing profits, as the number of participants is decreased. However, their influence on stocks sustainability has not been proven. In addition, the tool promotes the exclusion of thousands of fishermen of fisheries activity, producing an extremely negative social impact, mainly to developing countries. On the other hand, the use of supplementary management tools, such as Management Strategy Evaluation (MSE) and Harvest Control Rules (HCR), proposed by ICCAT to increase its traditional management system, presents advantages to the use of ITQs regarding their social and environmental impacts, especially regarding stocks management. Since using the MSE and HCRs is the state of the stocks, considering that the mechanisms to fix quota values have been pre-agreed by fixed rules, and not the interests of the fishing nations, which is the determining factor for the management actions.. Key-words: ITQs, Management Strategy Evaluation, Harvest Control Rules, World Bank, ICCAT.
(13) SUMÁRIO Dedicatória.................................................................................................................................... iv Agradecimentos ............................................................................................................................ vi Lista de Figuras .......................................................................................................................... viii Lista de Tabelas............................................................................................................................ ix Lista de Siglas ................................................................................................................................ x Resumo .......................................................................................................................................... xi Abstract ........................................................................................................................................ xii Sumário ....................................................................................................................................... xiii 1 Capítulo I - Introdução ............................................................................................................ 15 1.1 Objetivos ............................................................................................................................. 16 1.1.1 Objetivo geral ............................................................................................................... 16 1.1.2 Objetivos específicos .................................................................................................... 16 1.2 Metodologia ........................................................................................................................ 17 2 Capítulo 2 - Revisão de literatura........................................................................................... 19 2.1 Gestão pesqueira em águas internacionais .......................................................................... 19 2.2 Direitos de propriedade na gestão pesqueira ....................................................................... 22 2.3 Quotas Individuais Transferíveis (ITQs)............................................................................. 24 2.4 Regras de Controle de Capturas (HCRs)............................................................................. 27 2.5 Avaliação de Estratégias de Gestão (MSE)......................................................................... 28 Referências................................................................................................................................... 29 3 Capítulo 3 – Avaliação das propostas do Banco Mundial para a gestão pesqueira sob uma perspectiva socioambiental ........................................................................................................ 36 Resumo ...................................................................................................................................... 36 1 Introdução............................................................................................................................... 36 2 Banco Mundial e o meio ambiente: breve histórico ............................................................... 38 3 Principais propostas do Banco Mundial para a pesca ............................................................ 42 3.1 Global Program on Fisheries (Profish)........................................................................... 42 3.2 Global Partnership for oceans (GPO)............................................................................. 44 4 Reações às propostas do Banco Mundial ............................................................................... 46 5 Implicações do uso das ITQs na gestão da pesca ................................................................... 49 6 Considerações finais ............................................................................................................... 53.
(14) Referências ................................................................................................................................ 54 4 Capítulo 4 – Should tuna fisheries be managed by Individual Quotas (IQs) or Individual Transferable Quotas (ITQs)? – A case of study of ICCAT management system ................. 59 Abstract ..................................................................................................................................... 59 1 Introduction ............................................................................................................................ 59 2 Fisheries Management of tuna and tuna-like species ............................................................. 61 3 ICCAT management system .................................................................................................. 63 4 Has ICCAT been managing tuna fisheries stocks efficiently? ............................................... 66 5 Are individual transferable quotas (ITQs) an alternative to the current ICCAT management system? ...................................................................................................................................... 72 6 Harvest control rules (HCR) and management strategy evaluation (MSE): a promising way forward improving the current ICCAT system? ....................................................................... 74 5 Conclusions ............................................................................................................................ 75 Acknowledgements ................................................................................................................... 76 References ................................................................................................................................. 76 5 Capítulo 5 - Considerações finais ........................................................................................... 83.
(15) 15 SANTOS, A. C. L. Utilização das Quotas Individuais Transferíveis na gestão pesqueira global: os casos.... 1 CAPÍTULO I - INTRODUÇÃO Quotas Individuais Transferíveis (ITQs - do inglês Individual Transferable Quotas) é a ferramenta de gestão pesqueira mais usada entre os tipos de direitos de propriedade existentes (ARNASON, 2005), aplicáveis à pesca. Pode-se entender um sistema de gestão baseado em ITQs como sendo um sistema de cotas de captura, onde as mesmas podem ser compradas, vendidas ou arrendadas, com algumas pequenas particularidades dependendo do país ou da região onde o mesmo é aplicado. Os exemplos mais antigos e mais bem-sucedidos da aplicação de ITQs como ferramenta de gestão pesqueira podem ser encontrados na Islândia e na Nova Zelândia (ARNASON, 2008). Desde 2008, o Banco Mundial vem promovendo uso dos direitos de propriedade na gestão pesqueira ao redor do globo, mais especificamente do uso de ITQs, como a melhor ferramenta disponível e a solução para os problemas globais enfrentados pela indústria pesqueira. Nesse intuito, o Banco Mundial vem trabalhando para incrementar o suporte do investimento público em novas leis e instituições, através do apoio financeiro a projetos de países em desenvolvimento costeiros e insulares voltados para uma maior sustentabilidade das pescarias, incluindo o estabelecimento de áreas de proteção e da implementação da gestão integrada dos ecossistemas costeiro e marinho, tanto para aumentar o valor dos serviços ambientais quanto para reestruturar os direitos de acesso e propriedade dos recursos pesqueiros (IATTC, 2008; WORLD BANK, 2009; WORLD BANK, 2009a WORLD BANK, 2011). Em contrapartida, uma das mais antigas instituições internacionais de ordenamento da pesca de atuns, a Comissão Internacional para a Conservação do Atum do Atlântico (ICCAT – do inglês International Commission for the Conservation of Atlantic Tunnas), tem proposto alternativas ao uso dos ITQs. Por exemplo, o uso de ferramentas como Regras de Controle das Capturas (HCRs – do inglês Harvest Control Rules) e Avaliação de Estratégias de Gestão (MSE – do inglês Management Strategy Evaluation) como meios para melhorar o atual sistema de ordenamento pesqueiro (ICCAT, 2013; ICCAT, 2015; KELL et al, 2014). As HCRs podem ser entendidas como um conjunto de ações pré-acordadas a serem aplicadas em possíveis cenários de melhora ou piora dos estoques geridos pela Instituição, trazendo mais agilidade e transparência nas decisões de gestão. Já a MSE é uma abordagem baseada em modelos de avaliação que objetiva testar possíveis planos de gestão, examinando quais as melhores decisões (nesse caso HCRs) de ajuste das capturas.
(16) 16 SANTOS, A. C. L. Utilização das Quotas Individuais Transferíveis na gestão pesqueira global: os casos.... totais permissíveis (TACs - do inglês Total Allowable Catch) apresentam maior probabilidade de atingir os objetivos de gerenciamento de uma pescaria (HOLLAND, 2010). De fato, segundo a FAO (2016), em 2013, cerca de 60% os estoques pesqueiros mundiais já se encontravam plenamente explotados, significando que a produção estava próxima ou tinha atingido o rendimento máximo sustentável, com cerca de apenas 10% dos estoques encontrandose subexplotados. Além disso, a maioria dos estoques mais produtivos, que respondem por cerca de 27% de toda a produção pesqueira mundial, já se encontravam plenamente explotados, sem qualquer possibilidade de aumento da produção. Os demais 30% dos estoques estavam sobreexplotados, apresentando possibilidade de aumento da sua produção apenas a partir de programas de recuperação. Diante de um cenário de crescente explotação dos recursos pesqueiros, o desenvolvimento de ferramentas e mecanismos de gestão pesqueira são, portanto, imprescindíveis para assegurar a sustentabilidade da atividade e a conservação das espécies explotadas, entre os quais as ITQs têm sido aventadas como uma das mais promissoras. No entanto, o fato das ITQs funcionarem como ferramenta principal de gestão pesqueira em algumas pescarias ou, até mesmo, em alguns países, não significa, necessariamente, que essa ferramenta funcionará como uma solução global para a gestão de todas as atividades pesqueiras. E, menos ainda, que questões sociais, culturais, e ambientais de cada país ou região, além dos aspectos meramente relacionados à eficiência econômica, não devam ser levadas em consideração na busca por uma pesca mais sustentável, tanto em áreas oceânicas quanto costeiras. 1.1 Objetivos 1.1.1 Objetivo geral Analisar a aplicabilidade do uso das Quotas Individuais Transferíveis (ITQs) na gestão pesqueira global. 1.1.2 Objetivos específicos ● Discutir os programas do Banco Mundial para a pesca, Profish e GPO, os quais promovem o uso das ITQs na gestão pesqueira;.
(17) 17 SANTOS, A. C. L. Utilização das Quotas Individuais Transferíveis na gestão pesqueira global: os casos.... ● Descrever o sistema de gestão pesqueira da ICCAT e o uso das ferramentas acessórias, Avaliação de Estratégias de Gestão (MSE) e Regras de Controle das Capturas (HCRs), como alternativa ao uso das ITQs. 1.2 Metodologia Para alcançar os objetivos deste estudo, foi utilizado o método dialético (GEORG,1988), o qual pode ser entendido como uma análise da realidade confrontando teses, hipóteses ou teorias. Nesse método a investigação é feita através da contraposição de elementos conflitantes e a compreensão do papel que esses elementos desempenham em um fenômeno, contextualizando o objeto de estudo numa dinâmica histórica, cultural e social. Em suma, nesse tipo de pesquisa se confronta qualquer afirmação ou conceito tomado como “verdade” com outras realidades e teorias para se chegar a uma nova teoria. Friedrich Hegel, identificou três momentos básicos no método dialético: 1) tese, que seria uma ideia presumidamente verdadeira; 2) antítese, que contradiz ou nega a tese apresentada; e, 3) síntese, sendo o resultado da confrontação entre tese e antítese, a qual acaba se apresentando como uma nova tese (FERREIRA, 2013). Como método de análise, a pesquisa utilizou revisão de literatura bibliográfica e documental, além de estudo de caso. A pesquisa bibliográfica é aquela elaborada a partir de material já publicado, sendo constituída principalmente de livros, artigos científicos, artigos de jornal e material disponibilizado na internet. Já a pesquisa documental é elaborada a partir de material que não tenha recebido tratamento analítico (GIL, 2002), no presente caso as diversas convenções, tratados e relatórios relacionados ao objeto de estudo. Já o estudo de caso, de acordo com Steiner (2011), é uma metodologia usada com bastante frequência nas pesquisas ligadas à política ambiental. São úteis para proporcionar uma visão mais clara acerca de fenômenos pouco conhecidos e apresentam uma série de vantagens quando comparados a outros delineamentos de pesquisa, entre as quais a possibilidade de se estudar um caso em profundidade, enfatizando o contexto em que ocorrem os fenômenos e estimulando o desenvolvimento de novas pesquisas, além de serem flexíveis, favorecendo a construção de hipóteses e o entendimento do processo, possibilitando o aprimoramento, a construção e a rejeição de teorias, e permitindo investigar o caso pelo “lado de dentro” (GIL, 2009). Como diferencial, uma vez que já existe extensa literatura sobre o uso das ITQs discutindo a sua eficiência econômica, este trabalho focou nos aspectos sociais e ambientais relacionados ao.
(18) 18 SANTOS, A. C. L. Utilização das Quotas Individuais Transferíveis na gestão pesqueira global: os casos.... uso dessa ferramenta. A pesquisa se apoiou em fontes documentais das principais Instituições Internacionais que trabalham o tema, tais como Banco Mundial e FAO, e em literatura estrangeira e nacional. As buscas foram realizadas em bases de dados bibliográficas do Portal de Periódicos Capes (artigos, livros, monografias, dissertações e teses), Scielo, Elsevier Science Direct, Google, publicações disponíveis no acervo online do site do Banco Mundial (artigos, livros e relatórios técnicos) e recomendações, resoluções, decisões e relatórios de avaliação de estoques disponíveis no acervo online do site da ICCAT. A maior parte dos documentos selecionados para a construção da tese foram publicados entre os anos 1995 e 2017, embora alguns trabalhos mais antigos tenham sido citados no referencial teórico. Os principais termos utilizados nas buscas feitas foram “use of ITQs”, “Individual Transferable Quotas”, “Quotas Individuais Transferíveis”, “ITQs impacts”, “small scale fisheries + ITQs”, “property rights + fisheries” e “fisheries management + ITQs”. A Tese está dividida em cinco capítulos. No presente capítulo é apresentada uma visão geral da pesquisa, esboçando algumas considerações sobre o tema escolhido, bem como seus objetivos geral e específicos, além da metodologia. Já no segundo, é apresentado o referencial teórico da tese e a evolução da gestão pesqueira através do tempo, além da apresentação da ferramenta de gestão que é foco dessa pesquisa. O terceiro capítulo versa sobre as propostas do Banco Mundial para a gestão pesqueira que defendem o uso das ITQs, o relacionamento entre o Banco e a pesca, bem como entre o Banco e o meio ambiente, e as diversas reações de representantes da comunidade científica, movimentos de pescadores, organizações não-governamentais (ONGs) e Instituições Internacionais ligadas à gestão pesqueira, diante das consequências socioambientais do uso dessa ferramenta. O quarto capítulo discute se o sistema de gestão de cotas individuais (IQs – do inglês Individual Quotas) da Comissão Internacional para a Conservação do Atum do Atlântico (ICCAT) deveria ser substituído pelas ITQs ou se ferramentas alternativas, no caso HCRs e MSE, poderiam ser utilizadas para o incremento do mesmo, enfatizando seu impacto na sustentabilidade dos estoques. Finalmente, o quinto capítulo apresenta as considerações finais da tese, apontando as vantagens e desvantagens, do ponto de vista socioambiental, além da viabilidade, do uso das ITQs na gestão pesqueira global..
(19) 19 SANTOS, A. C. L. Utilização das Quotas Individuais Transferíveis na gestão pesqueira global: os casos.... 2 CAPÍTULO 2 - REVISÃO DE LITERATURA 2.1 Gestão pesqueira em águas internacionais A história e a evolução da gestão pesqueira em águas internacionais acompanham a evolução histórica do direito do mar. Em tempos primórdios, houve a necessidade da criação de um regime legal específico para o uso do mar, não apenas para questões relacionadas à pesca, mas também relativas ao transporte do excedente agrícola. Embora existam referências esporádicas tanto no Código de Hamurabi quanto no de Manu, o documento mais importante que regulava o direito do mar nessa época era a Lei de Rodes (SÉC. II a.C.). Além disso, a propriedade sobre uma área ilimitada do mar era permitida, na condição de que o Estado pudesse manter controle militar sobre ela (BARACHO, 1979; ZANIN, 2010; ZANELLA, 2013). No período Romano, embora Roma tivesse tomado o controle do mar navegável e reivindicado os direitos de repressão da pirataria, proteção da navegação e vigilância de costas e portos, o mar não era considerado sujeito de apropriação, o que privilegiou a liberdade de navegação e de pesca. Nesse período águas territoriais não existiam porque, de acordo com Mello (2004), Roma dava pouca importância à atividade pesqueira e, além disso, o Mar Mediterrâneo era considerado domínio romano (mare nostrum) de qualquer maneira. Segundo Zanella (2013), o conceito de águas territoriais surgiu na Idade Média, depois da queda do Império Romano (467 d.C.), quando muitos Estados deram a si mesmos direitos relacionados às águas do Mediterrâneo. Esse conceito surgiu da necessidade de se justificar, no sentido jurídico, não somente a defesa contra a pirataria e Estados rivais, mas também a perspectiva de cobrança de impostos sobre navegação e pesca. A Era Moderna foi marcada pelas explorações marítimas pioneiras, realizadas pelos portugueses e espanhóis. Essas potências marítimas inauguraram o período das Grandes Navegações, durante o qual Portugal e Espanha possuíam soberania nos continentes recém descobertos, bem como nas suas respectivas rotas marítimas. Segundo o Tratado de Tordesilhas (1494), baseado na Bula Papal do Papa Alexander VI, o “novo mundo” foi dividido em duas áreas, a partir de uma linha longitudinal meridiana através do Brasil, com área a leste pertencendo a Portugal e a oeste à Espanha (ROTHWELL e STEPHENS, 2010)..
(20) 20 SANTOS, A. C. L. Utilização das Quotas Individuais Transferíveis na gestão pesqueira global: os casos.... Como consequência, outros Estados, principalmente Holanda, França e Inglaterra, protestaram contra esse monopólio, começando a discussão que dividiria os Estados Marítimos entre aqueles que defendiam o conceito de mare clausum e aqueles que defendiam o conceito de mare liberum (GROTIUS, 1608). Assim, começava o debate que mais tarde justificaria juridicamente o conceito contemporâneo de liberdade dos mares. Além do debate envolvendo liberdade de navegação, no final do século XVII e durante o século XVIII, os Estados marítimos dedicaram uma grande parte dos seus esforços em definir a extensão das águas territoriais, principalmente com o objetivo de neutralidade e controle sobre os recursos pesqueiros. No final do século XVIII, os Estados podiam reclamar soberania sobre uma faixa de cerca de três milhas náuticas e exercer controle sobre a navegação até 100 léguas de distância (ZANELLA, 2013). Na Era Contemporânea, à medida que os Estados e o Direito Internacional evoluíam, a necessidade de uma regulação universal do alto mar crescia. No início, essa necessidade veio da liberdade da pesca nos oceanos, defendida principalmente por nações que pescavam em águas distantes. O primeiro tratado internacional multilateral relativo ao mar foi assinado em 1882, em Haia, e dizia respeito à padronização da pesca no Mar do Norte, no intuito de resolver problemas entre pescadores franceses, ingleses, belgas e holandeses (MELLO, 2001). Em 1930, muitas discussões ocorreram no cenário internacional sobre o tamanho do mar territorial. Naquele momento, muitos países reclamaram áreas costeiras modestas (cerca de três milhas náuticas) (SILVA, 2003). Embora tenham sido acordados alguns tratados internacionais multilaterais nessa época, o início da Segunda Guerra Mundial inviabilizou a codificação do Direito do Mar, fazendo com que os Estados formulassem declarações unilaterais sobre diferentes zonas marítimas, bem como sobre o seu uso (SILVA, 2015). Após o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945, o Presidente americano Truman, emitiu proclamações que deram origem à discussão de duas áreas anteriormente não abrangidas pelo direito internacional: a plataforma continental e a zona de pesca costeira (mais tarde denominada Zona Econômica Exclusiva) (CARROZ, 1982). De acordo com o presidente Truman, as nações costeiras deveriam ter jurisdição sobre os recursos naturais do alto mar adjacente, especialmente para propósitos de exploração e controle das atividades pesqueiras. Diante disso e como um esforço para harmonizar os vários atos unilaterais de muitos Estados costeiros, como, por exemplo, a declaração do Chile, Equador e Peru de direitos soberanos sobre.
(21) 21 SANTOS, A. C. L. Utilização das Quotas Individuais Transferíveis na gestão pesqueira global: os casos.... uma faixa de 200 milhas náuticas adjacentes às suas costas (GARRIDO-LECCA HOYLE, 2013), a ONU, em 1956, propôs uma conferência de Direito do Mar, realizada em 1958 (SILVA, 2015). No entanto, apenas depois da realização de três conferências os países conseguiriam chegar a um acordo em relação aos direitos do mar. Segundo Longo (2014), as duas primeiras conferências não conseguiram criar instrumentos legais de âmbito internacional que atendessem as expectativas dos Estados. Durante a primeira Conferência, em 1958, foram criadas quatro Convenções sobre o Direito do Mar: Mar Territorial e Zona Contígua, Plataforma Continental, Alto-Mar e, Pesca e Conservação dos Recursos Vivos do Alto-Mar (MENEZES, 2015). Na ocasião mais da metade dos Estados não adotou as quatro Convenções, pois entenderam que elas defendiam os interesses das grandes potências pesqueiras em detrimento dos países em desenvolvimento. Entretanto, foi na primeira conferência que surgiram os conceitos de mar territorial, zona contígua e alto-mar, entre outros, mostrando que, apesar de difícil, não seria impossível se alcançar um consenso na regulação dos mares (BEIRÃO, 2014). Já na segunda Conferência, realizada em 1960, houve mais uma tentativa de delimitação do mar territorial. Além disso, os Estados estavam seguindo o caminho sugerido pela proclamação do então presidente Truman e reclamando direitos exclusivos sobre os recursos marinhos. Para nenhuma das questões que motivaram essa Conferência, entretanto, os Estados conseguiram entrar em acordo (MENEZES, 2015). Em 1972, como resultado de uma coalisão entre países em desenvolvimento do Oceano Atlântico Sul, a ideia que o Estado costeiro tinha o direito de estabelecer o tamanho do seu mar territorial até 12 milhas náuticas e a Zona Econômica Exclusiva até 200 milhas náuticas foi consolidada através da Declaração de Santo Domingo (SILVA, 2003). Esse direito foi subsequentemente consagrado na Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, em 1982 (ONU, 1982). Em 1973, a primeira sessão de trabalho da III Conferência das Nações Unidas sobre Direito do Mar foi realizada na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque. Entre as principais questões a serem negociadas, estava a relutância dos países desenvolvidos em ter seu acesso aos recursos marinhos diminuídos, contrária à posição dos países em desenvolvimento, que reclamavam um texto balanceado que garantisse seus direitos de desenvolver suas pescas. A Conferência durou.
(22) 22 SANTOS, A. C. L. Utilização das Quotas Individuais Transferíveis na gestão pesqueira global: os casos.... nove anos, sendo realizadas onze sessões. Finalmente, em 10 de dezembro de 1982, em Montego Bay, Jamaica, a Conferência das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM) foi assinada, com uma cláusula que ela entraria em vigor um ano após a 60ª ratificação, o que ocorreu apenas em novembro de 1993 (ZANELLA, 2013). Assim, a CNDUM entrou em vigor no dia 16 de novembro de 1994 e se tornou, desde então, o principal instrumento internacional para a regulação de questões relacionadas ao Direito do Mar, como, por exemplo, a conservação e a utilização dos recursos naturais, incluindo os recursos pesqueiros, bem como a proteção do direito dos países em desenvolvimento de desenvolverem suas pescas. 2.2 Direitos de propriedade na gestão pesqueira Direito de propriedade é o direito de usar, gozar, usufruir e dispor de um determinado bem, e de reavê-lo, de quem quer que injustamente o esteja possuindo (PEREIRA, 2004). Suas principais. características. (SCOTT,. 1999). são. exclusividade,. duração,. segurança. e. transferabilidade. A exclusividade refere-se à habilidade do detentor do direito de utilizar e gerir os recursos de sua propriedade, no caso as cotas de captura, sem a interferência externa. A duração diz respeito ao tempo que o proprietário irá manter esse direito, que pode ser infinito ou finito. A segurança diz respeito à certeza dada ao proprietário de que o seu direito de propriedade será mantido. E a transferabilidade é a característica que permite que o direito de propriedade seja transferido para outra pessoa (SCOTT, 1999; ARNASON, 2005). Segundo Ferreira (2007), o direito de propriedade se constitui no mais importante e mais sólido de todos os direitos subjetivos, sendo importante não só para o direito como também para a filosofia, sociologia e economia política. As origens, a história, o regime e as relações ligadas à propriedade foram, desde sempre, tema de interesse entre filósofos, historiadores, juristas, economistas e religiosos. A própria Bíblia Sagrada, por exemplo, no seu Velho Testamento, apresenta algumas das mais antigas referências à propriedade da terra. Phillipson (1911) afirmou que a propriedade já era admitida tanto na Grécia como nos estados marítimos da antiguidade, e não apenas sobre as águas territoriais. Atenas, por exemplo, arrendava algumas áreas marítimas para a exploração do sal e para a pesca, o que mostra.
(23) 23 SANTOS, A. C. L. Utilização das Quotas Individuais Transferíveis na gestão pesqueira global: os casos.... claramente que já existia, nessa época, o conceito de propriedade, uma vez que não se pode arrendar o que não se possui (VIANNA, 2007). Em 1608, o Pai do Direito Internacional, Hugo Grotius, publicou Mare Liberum, introduzindo o conceito de “liberdade dos oceanos”. Esse documento, escrito primeiramente para justificar as atividades comerciais da Holanda no Oceano Índico e, em menor grau, para resolver conflitos entre nações, ao criar o conceito de livre acesso acabou se mostrando, com o tempo, extremamente danoso para a sustentabilidade dos recursos pesqueiros oceânicos (RUSS e ZELLER, 2003). MacPherson (1978) observou que o significado de propriedade é inconstante e muda ao longo do tempo, dependendo dos propósitos e expectativas de quem a instituição da propriedade irá servir. Entretanto, uma coisa é clara: tanto no âmbito legal quanto na lógica, propriedade significa “o direito sobre a coisa” e não “a coisa em si”. Além disso, o autor afirma que a propriedade privada é criada pela garantia que um indivíduo tem de excluir outros do uso ou benefício de algo. Portanto, direito de propriedade na pesca, se baseia na garantia que uma pessoa pode excluir outras do uso ou benefício dessa atividade. É importante salientar que, embora seja utilizado como principal referência de justificativa no debate do uso dos direitos de propriedade na gestão pesqueira, o trabalho intitulado “A Tragédia dos Comuns” (HARDIN, 1968), não aborda como tema fim a gestão pesqueira, mas: (1) trata do crescimento populacional humano e não de gestão pesqueira; (2) cita direito de propriedade apenas uma vez; e, (3) apresenta os conceitos de propriedade comum e livre acesso como sendo a mesma coisa. No entanto, de acordo com McPherson (1978), propriedade comum significa a garantia a cada indivíduo de não-exclusão do uso ou benefício de algo, enquanto livre acesso descreve uma situação onde não existe gestão nem propriedade, ou seja, Hardin apresenta um erro conceitual na sua Teoria. Além disso, Hardin (1991) retificou sua Teoria da Tragédia dos Comuns, substituindo o termo “comuns” por “comuns não-manejados” e afirmando que os “comuns” que recebem atenção dos ecologistas são “pobremente” ou “não-manejados”. A fundamental implicação é que os problemas ambientais são relacionados à gestão e não à propriedade..
(24) 24 SANTOS, A. C. L. Utilização das Quotas Individuais Transferíveis na gestão pesqueira global: os casos.... Hawkshaw et al. (2012), em seu trabalho intitulado “A tragédia da ‘Tragédia dos Comuns’: por que inventar tão bem uma frase pode ser perigoso”, apresenta uma análise do artigo de Hardin (1968), chamando a atenção para o fato de que na literatura das políticas pesqueiras geralmente quando se usa o termo “tragédia dos comuns”, ele vem seguido do termo “corrida pelo peixe”, apresentando-se, na sequência, a privatização do direito de acesso ao recurso como a solução. Isso faz com que as pessoas automaticamente pensem que ITQs, um dos tipos de direito de propriedade mais utilizados na gestão pesqueira, sejam um meio necessário para se evitar uma “tragédia dos comuns” em curso, quando, na verdade, eles estão abordando uma questão diferente: maximização dos lucros e eficiência econômica. Segundo Arnason (2005), as Quotas Individuais Transferíveis (ITQs) se tornaram muito comuns nas pescas oceânicas ao redor do mundo nas últimas décadas, embora não se saiba ao certo como esse fato se deu, principalmente a partir do final da década de 1970, quando os primeiros sistemas de gestão baseados nesse princípio foram implementados. A explicação mais razoável para o amplo uso dessa ferramenta pode estar no fato anteriormente levantado por Hawkshaw et al. (2012): as ITQs proporcionam a maximização dos lucros e a eficiência econômica. 2.3 Quotas Individuais Transferíveis (ITQs) De acordo com Liu (2000), a construção de um sistema de ITQs segue basicamente alguns passos. No primeiro momento, seguindo as recomendações resultantes da avaliação dos estoques, a autoridade pesqueira determina anualmente a captura total permissível (TAC) para cada espécie comercial pescada. Em seguida, uma percentagem da TAC para cada espécie é então alocada para cada pescador/empresa, sendo baseada principalmente nas capturas históricas e tamanho do barco. A alocação é feita uma única vez na ocasião da introdução do sistema. Em teoria, o beneficiário pode manter essa cota para sempre, desde que não a transfira para outros. Scott (1999) afirma que em um sistema de ITQs, assim como em um sistema de propriedade no geral, os proprietários gozam de três poderes: 1) poder de uso ou gerenciamento; 2) poder de dispor para venda ou concessão; e, 3) poder de usar os rendimentos advindos da propriedade. Sendo que fora desse sistema, o pescador não tem os poderes de gerenciamento nem de venda ou concessão, apenas o poder de usar os rendimentos do produto que foi pescado. Como resultado, ainda segundo o autor, fora de um sistema de ITQs, não existe incentivo para se buscar uma pesca mais sustentável..
(25) 25 SANTOS, A. C. L. Utilização das Quotas Individuais Transferíveis na gestão pesqueira global: os casos.... O sistema de ITQs é um sistema de quotas onde os seus proprietários são os únicos com direito a usar esse recurso, até o limite que a sua quota indica. A partir do fim da década de 1970, Islândia e Nova Zelândia foram os primeiros países a utilizar ITQs na gestão das suas pescas. Em comparação com outros sistemas de gestão, o sucesso alcançado pelo uso das ITQs acabou levando a ferramenta a ser implementada em centenas de pescas em cerca de 22 nações pesqueiras (ARNASON, 2013). ITQs podem ser consideradas como direito de propriedade, pois permitem que o detentor tenha propriedade exclusiva sobre as quotas, as quais podem ser usadas por ele ou vendidas no mercado (PÁLSDÓTTIR, 2016). E embora a transferabilidade seja uma característica comum aos sistemas de ITQs, cada um deles apresenta sua própria peculiaridade, dependendo do país ou região onde são aplicados. Na Islândia, as ITQs foram introduzidas em 1979 na pesca do arenque e, em seguida, na maioria das pescarias do país. A partir de 1990, depois do Ato da Gestão Pesqueira, todas as pescas islandesas passaram a usar um sistema único de ITQs, que foi modificado ao longo do tempo (ARNASON, 1996). Segundo Runolfsson e Arnason (2001), no sistema de ITQs da Islândia, as cotas de captura são concedidas aos barcos e são parte da TAC. As cotas de captura dos barcos são permanentes, divisíveis e transferíveis e estão sujeitas a uma taxa anual por custo de execução. Esse sistema é aplicado a todos os estoques pesqueiros dentro da Zona Econômica Exclusiva (ZEE) do país e, desde 1997, tem sido aplicado também às pescas em águas internacionais onde a Islândia possui direitos de pesca. A TAC anual para os estoques pesqueiros mais importantes é decidida pelo Ministério da Pesca islandês, com base nas recomendações do Instituto de Pesquisa Marinha (MRI – do inglês Marine Research Institute). ITQs, juntamente com as TACs, representam os pilares do sistema de gestão pesqueira da Islândia e podem ser definidas como uma parcela de uma TAC para um determinado estoque. Elas são concedidas a cada barco por um período indeterminado e são transferíveis tanto anualmente quanto permanentemente. No entanto, existe uma diferença legal entre dois tipos de cotas transferíveis: a parcela da TAC (cotas permanentes em percentagem) e os direitos anuais de captura (DACs) (cotas em t). O proprietário de um barco pode fazer três coisas com suas cotas. Pode pescar, pode vender seus DACs ou parte deles (e continuar com sua cota permanente) ou, pode vender sua TAC, ou seja, seu direito a uma percentagem de uma determinada TAC, por uma ou mais temporadas ou para sempre (GISSURARSON, 1999)..
(26) 26 SANTOS, A. C. L. Utilização das Quotas Individuais Transferíveis na gestão pesqueira global: os casos.... Já na Nova Zelândia, o sistema de ITQs, operado sob um sistema de gestão de cotas como modelo de gestão pesqueira, foi introduzido em 1986, depois da reforma do Ato da Pesca (MACE et al., 2014). A contar desse momento, a TAC foi definida para as 27 principais espécies pescadas e as ITQs foram estabelecidas para os pescadores. Até o ano de 2014, a Nova Zelândia tinha cerca de 630 estoques pesqueiros sendo geridos através do sistema de gestão de cotas (TORKINGTON, 2016). O sistema de ITQs neozelandês funciona sob algumas regras: a alocação inicial das cotas foi feita baseada nas capturas históricas (1982-1984), embora as cotas alocadas tenham sido menores que a quantidade previamente pescada; foram criadas dez áreas de gestão pesqueira e as TACs foram estabelecidas para as espécies nessas áreas. De acordo com o sistema, cada pescador ou empresa só poderia acumular até 20% da TAC de cada espécie em cada área e, além da TAC, existe também a TAC comercial que representa a porção da TAC que poderia ser pescada comercialmente para cada espécie, em cada área (DEWEES, 1998). Em 2001, foi introduzido um novo elemento no sistema de ITQs da Nova Zelândia: os direitos anuais de captura (ACE), os quais são atribuídos aos proprietários de cotas, dependendo da TAC que eles possuem e da TAC comercial. A principal mudança trazida pela introdução desse novo elemento foi que antes de 2001 os proprietários das cotas alugavam suas cotas por um determinado período e agora eles poderiam vender o direito de pescar uma quantidade de peixe num determinado ano, sem perder sua TAC a longo prazo (LOCK e LESLIE, 2007), de maneira semelhante ao sistema adotado na Islândia. Arnason (1995), afirmou que na Islândia em 1993, 30 barcos pescavam duas vezes mais arenque que 200 barcos pescavam em 1980. Consequentemente, o aumento no valor das cotas foi de 25 milhões de dólares em 1984 para 4,5 bilhões de dólares em 2005. Arnason (2001) considerou que pescas geridas por sistemas de ITQs são muitos mais eficientes economicamente que os arranjos tradicionais de propriedade comum. Principalmente, no que diz respeito à redução de esforço de pesca, aumento da eficiência, melhora dos estoques pesqueiros, melhora da qualidade do pescado desembarcado e a coordenação entre a oferta de pescado e a demanda do mercado, além do aumento na renda dos pescadores (STEWART et al., 2006; ARNASON, 2008). Desde a sua implementação, no final da década de 1970, os principais resultados do uso de programas de ITQs tem sido em relação a melhoria dos aspectos econômicos como, por exemplo,.
(27) 27 SANTOS, A. C. L. Utilização das Quotas Individuais Transferíveis na gestão pesqueira global: os casos.... o aumento da produtividade e do valor das cotas permanentes. No entanto, não existe tanta certeza em relação aos benefícios para a sustentabilidade dos estoques (CHU, 2009). De acordo com Arnason (1995), na Islândia, por exemplo, se por um lado alguns estoques aumentaram de maneira significativa, como no caso dos estoques de arinca e arenque, por outro lado alguns estoques permaneceram em níveis baixos, mesmo com uma drástica redução da TAC, como no caso do bacalhau. Além disso, Stewart et al. (2006) afirmaram que os efeitos negativos do uso das ITQs envolviam, ainda, impactos nas comunidades pesqueiras, principalmente o acesso injusto, concentração das quotas e, consequentemente, obstrução à entrada na atividade pesqueira. Isso mostra claramente que o maior e mais garantido benefício da implementação das ITQs está relacionado à maximização dos lucros. 2.4 Regras de Controle de Capturas (HCRs) Uma regra de controle de captura é um plano pré-acordado para ajustar a gestão de um estoque pesqueiro, baseado em seu estado. Essas regras podem ter várias aplicações como, por exemplo, controle da taxa de explotação, manutenção do tamanho do estoque de reprodutores, controle das capturas durante um determinado período, ou ser uma mistura dessas estratégias (FAO, 2001). Regras de controle de capturas (HCRs) podem ser simples ou complexas, utilizar modelos matemáticos ou observação (por exemplo, estatística pesqueira), para inferir o estado dos estoques e podem, além disso, levar em consideração as incertezas nas estimativas do estado dos estoques pesqueiros. No desenvolvimento de regras de controle, os pontos de referência biológicos são comumente usados como pontos gatilho que iniciam uma ação especificada pela HCR (APOSTOLAKI e HILLARY, 2009). Segundo Zhang et al. (2011), os pontos de referência biológicos (PRBs) são geralmente usados nas avaliações do estado e do risco de explotação dos estoques, sendo seus principais tipos os referentes à biomassa e à mortalidade por pesca, os quais determinam, respectivamente, se um estoque está sobrepescado e se está sofrendo sobrepesca (SIDDEEK, 2003; CADDY, 2004). No entanto, embora ofereçam uma abordagem sistemática na identificação do estado da pesca, os pontos de referência biológicos não fornecem nenhuma ação de gestão. Assim sendo, é necessário o desenvolvimento de uma HCR adequada para a pesca através da tradução do PRB e do estado do estoque, numa ação de gestão pesqueira específica (APOSTOLAKI e HILLARY, 2009; ZHANG et al., 2011)..
(28) 28 SANTOS, A. C. L. Utilização das Quotas Individuais Transferíveis na gestão pesqueira global: os casos.... Zhang et al. (2013), afirmaram que Regras de Controle de Capturas (HCRs), devido a sua capacidade de interpretar pontos de referência biológicos pré-determinados, bem como o estado dos estoques, é um dos componentes essenciais da Avaliação de Estratégias de Gestão (MSE) (APOSTOLAKI e HILLARY, 2009). Tradicionalmente, as HCRs usadas na gestão pesqueira são a captura constante, que mantém os desembarques constantes, e o esforço constante, que mantém a mortalidade por pesca constante (ZHANG et al., 2011). HCRs provém, com bases científicas, estratégias a serem empregadas numa determinada pesca para atingir um determinado objetivo de manejo, como, por exemplo, manter a biomassa do estoque em níveis compatíveis com o rendimento máximo sustentável, através do monitoramento e da avaliação do estado dos estoques (PUNT, 2010; YAMAZAKI et al., 2015). Punt (2010) observou que não existe uma “melhor” HCR, e a escolha entre quais as Regras de Controle de Capturas devem ser usadas em um programa de manejo depende dos objetivos da gestão do estoque em questão. Além disso, não é possível se avaliar uma HCR isoladamente, pois seu desempenho depende da qualidade dos dados, bem como dos métodos de análise dos dados. Assim, somente uma estratégia de manejo (por exemplo, uma HCR combinada ao método de coleta de dados) pode ser avaliada. A abordagem usada para avaliar as estratégias de manejo é conhecida como Avaliação de Estratégias de Gestão (MSE) (PUNT, 2010). 2.5 Avaliação de Estratégias de Gestão (MSE) Segundo Smith et al. (1999), a avaliação de estratégias de gestão (MSE) é uma ferramenta que usa simulação na avaliação das consequências de uma série de opções de gestão, revelando as opções com melhor desempenho com relação à uma variedade de objetivos de manejo, cuja principal aplicação tem sido a análise de HCRs (FULTON et al., 2014). De maneira similar aos sistemas de gestão baseados em quotas de captura, a avaliação de estratégias de gestão fornece uma fórmula que, de certa maneira, recomenda uma TAC. No entanto, a principal diferença entre a abordagem da MSE e a abordagem tradicional, é que essa fórmula foi testada através de simulações matemáticas que confirmam que a opção recomendada é a mais próxima possível de, ao mesmo tempo, maximizar as capturas e minimizar o risco de uma diminuição substancial na biomassa do estoque pesqueiro (BUTTERWORTH, 2007). De acordo com Punt et al. (2016), MSE tem sido amplamente usada para entender o comportamento esperado das estratégias de gestão e, cada vez mais, para selecionar quais.
(29) 29 SANTOS, A. C. L. Utilização das Quotas Individuais Transferíveis na gestão pesqueira global: os casos.... estratégias de gestão devem ser implementadas na pesca. Na África do Sul, por exemplo, MSE tem sido utilizada, desde o início dos anos 1990, para regular as principais pescarias no país, entre elas as pescas de anchova, sardinha e merluza (GEROMONT et al., 1999). No nível internacional, em 2016, o Comitê Científico da ICCAT avaliou uma série de HCRs para a albacora branca e para o atum azul usando MSE (MERINO et al., 2017). A expectativa é que um conjunto de estratégias de gestão para essas espécies seja acordado até 2019 (ICCAT, 2017). Uma avaliação de estratégia de gestão (MSE) envolve, principalmente: a determinação dos objetivos de gestão, a avaliação da performance de cada objetivo de gestão, a identificação de uma série de estratégias de gestão, a previsão das consequências da aplicação de cada estratégia de gestão e avaliação das melhores opções e discussão das mesmas com os gestores (SMITH et al., 1999). Uma vez que existe uma incerteza inerente sobre os acontecimentos futuros na pesca, não se pode prever exatamente qual o resultado de uma determinada decisão de gestão. Sendo assim, uma resposta razoável a essa incerteza é determinar qual estratégia irá, em média, produzir o melhor resultado (BERGH e BUTTERWORTH, 1987). Nesse sentido, a MSE ajuda a identificar estratégias de gestão robustas para incertezas na avaliação dos estoques. Em 2007, Schnute et al. (2007) já consideravam que a MSE exerceria um papel dominante no futuro da avaliação de estoques pesqueiros. De fato, atualmente, a MSE é considerada o melhor método de comparação de diferentes estratégias de gestão (PUNT et al., 2016). REFERÊNCIAS APOSTOLAKI, P., HILLARY, R., 2009. Harvest control rules in the context of fishery independent management of fish stocks. Aquat. Liv. Res. 22, 217–224. ARNASON, R. 1995. The ITQ Fisheries Management System: Advantages and Disadvantages. In: JOHANSEN, S.T.F., (ed.) Nordiske Fiskerisamfund I Fremtiden. Kobenhaven: Nord, 43-70. ARNASON, R. On the ITQ fisheries management system in Iceland. Reviews in Fish Biology and Fisheries 6, 63-90 (1996). ARNASON, R. 2001. A review of international experiences with ITQs. CEMARE. Report 59. Portsmouth: University of Portsmouth..
(30) 30 SANTOS, A. C. L. Utilização das Quotas Individuais Transferíveis na gestão pesqueira global: os casos.... ARNASON, R. Property rights in fisheries: Iceland’s experience with ITQs. Reviews in Fish Biology and Fisheries (2005) 15:243–264. DOI 10.1007/s11160-005-5139-6. ARNASON, R. Iceland’s ITQ system creates new wealth. The Electronic Journal of Sustainable Development (2008) 1(2). ARNASON, R. Individual Transferable Quotas in Fisheries. In: Shogren, J.(ed). Encyclopedia of Energy, Natural Resource, and Environmental Economics. Editora: Elsevier, 2013. 1056p. BARACHO, J. A. Direito do Mar. Movimento Editorial da Revista da Faculdade de Direito da UFMG. Belo Horizonte: UFMG, 1979. Série Monografias. BEIRÃO, A. P. “Segurança no mar”: que segurança? In: Reflexões sobre a Convenção do Direito do Mar / André Panno Beirão, Antônio Celso Alves Pereira (organizadores). – Brasília: FUNAG, 2014. 589 p. BERGH, M.O. and BUTTERWORTH, D.S. (1987) Towards rational harvesting of the South African anchovy considering survey imprecise and recruitment variability. South African Journal of Marine Science 5, 937–951. BUTTERWORTH, D.S., 2007. Why a management procedure approach? Some positives and negatives. ICES J. Mar. Sci. 64, 613–617. CADDY, J. F. 2004. Current usage of fisheries indicators and reference points, and their potential application to management of fisheries for marine invertebrates. Canadian Journal of Fisheries and Aquatic Sciences, 61: 1307–1324. CARROZ, J.E. The living resources of the sea. In The management of humanity's resources: The Law of the Sea. Workshop 1981 organized by The Hague Academy of International Law and the United Nations University. 1982. The Hague, Martinus Nijhoff, pp. 193-207. CHU, C. Thirty years later: the global growth of ITQs and their influence on stock status in marine fisheries. Fish and Fisheries, 2009, 10, 217–230. DOI: 10.1111/j.1467-2979.2008.00313.x. DEWEES, C. M. 1998. Effects of individual quota systems on New Zealand and British Columbia fisheries. Ecological Applications, Supplement: Ecosystem Management for Sustainable Marine Fisheries 8: S133-S138. FAO. Research implications of adopting the precautionary approach to management of tuna fisheries. FAO Fisheries Circular No. 963. Rome, 2001. FAO. The State of World Fisheries and Aquaculture 2016. Contributing to food security and nutrition for all. Rome 2016, 200 pp..
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