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Unidade X - Coisa Julgada

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Academic year: 2021

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Unidade X

TEORIA GERAL DO PROCESSO Coisa Julgada

Trata-se de um dos direitos e garantias individuais, previsto no artigo 5º, XXXVI, senão vejamos:

“Art. 5º... XXXVI – a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa

julgada;” (grifo nosso)

1. Definição de coisa julgada:

Encontramos algumas definições de coisa julgada em alguns trechos do nosso ordenamento jurídico.

Primeiramente, vejamos como define o Decreto-Lei nº 4.657 de 04 de setembro de 1942 (Lei de Introdução ao Código Civil).

Art. 6º A Lei em vigor terá efeito imediato e geral, respeitados o ato jurídico perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada.

§ 3º Chama-se coisa julgada ou caso julgado a decisão judicial de que já não caiba recurso. (grifo nosso)

O nosso diploma processual civil, em seu artigo 301, § 3º define a coisa julgada como sendo:

Art. 301. Compete-lhe, porém, antes de discutir o mérito, alegar:

(...)

VI – coisa julgada; (...)

§ 3º Há litispendência, quando se repete ação, que está em curso; há coisa julgada, quando se

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repete ação que já foi decidida por sentença, de que não caiba recurso.

O artigo 467, também do Código de Processo Civil define coisa julgada material como sendo:

Art. 467. Denomina-se coisa julgada material a

eficácia, que torna imutável e indiscutível a sentença, não mais sujeita a recurso ordinário ou extraordinário. (grifo nosso)

Passamos a analisar alguns conceitos de coisa julgada na visão de renomados doutrinadores.

Segundo Liebman, coisa julgada é a “imutabilidade do comando

emergente de uma sentença”

Nas palavras de Alexandre Freitas Câmara, “ coisa julgada é a

situação jurídica consistente na imutabilidade e indiscutibilidade da sentença (coisa julgada formal) e de seu conteúdo (coisa julgada substancial), quando tal provimento jurisdicional não está mais sujeito a qualquer recurso.”

Note-se que as definições supramencionadas, tanto pela legislação, como pela doutrina jurídica, se referem ao termo “sentença” quando definem a coisa julgada. A nossa crítica é no sentido de que a coisa julgada se consolida no momento em que a sentença ou acórdão se tornam imutáveis, não cabendo mais recurso.

Na nossa visão, o conceito de coisa julgada mais apropriado foi formulado pelo doutrinador Marcus Vinícius Rios Gonçalves, que afirmou ser “uma qualidade dos efeitos da sentença (ou do

acórdão), que se tornam imutáveis quando contra ela já não cabem mais recursos. Ela não é propriamente um efeito da sentença – efeitos são a condenação, a declaração e a constituição, com as conseqüências daí decorrentes -, mas uma qualidade desses efeitos, qual seja, a imutabilidade.”

2. Natureza jurídica da coisa julgada: para Barbosa Moreita, a

natureza jurídica da coisa julgada é de uma situação jurídica do conteúdo da sentença (não se trata de efeito da sentença como previsto no CPC).

3. Coisa julgada formal:

Acontece quando num determinado processo, ocorre a citada imutabilidade e indiscutibilidade da sentença ou acórdão, não cabendo mais qualquer recurso.

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Porém, a simples existência da coisa julgada formal não é capaz de impedir que aquele litígio seja novamente discutido em outro processo.

4. Coisa julgada material:

Segundo Alexandre Freitas Câmara, “Esta consiste na imutabilidade e indiscutibilidade do conteúdo (declaratório, constitutivo, condenatório) da sentença ou decisão de mérito, e produz efeitos fora do processo.

Por impedir a discussão extra-processo, a coisa julgada material é questão preliminar (art. 301, VI do CPC) e causa de extinção do processo sem resolução do mérito (art. 267, V do CPC).

5.Teorias:

Conforme acima mencionado, o § 3º do Art. 301 do CPC assim define a coisa julgada: “há coisa julgada, quando se repete ação

que já foi decidida por sentença, de que não caiba recurso.”

Adotando a teoria das três identidades ou teoria do tria eadem (regra geral) , só podemos considerar duas ações idênticas

quando têm as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo objeto ou pedido. Dessa forma, a coisa julgada só poderia ser alegada se as citadas “três identidades” coincidirem.

Exemplificando... Em uma ação de alimentos, poderia o pai de uma criança usar como argumento de defesa a negativa de paternidade, mesmo se isso já tivesse sido decidido em ação diversa de investigação de paternidade. Isso porque embora haja coincidência em relação às partes, a causa de pedir e o pedido são distintos.

Foi pelo motivo de a teoria das três identidades não conseguir abraçar todas as hipóteses, é que surgiu a teoria da identidade da

relação jurídica, impondo, no exemplo trabalhado, a formação da coisa

julgada à relação jurídica formada no primeiro processo (de investigação de paternidade) que declarou ser o réu, pai do autor.

6. Relativização da coisa julgada:

Marcus Vinícius Rios Gonçalves abordou de forma sintética e incisiva a relativização da coisa julgada. Segundo ele “A autoridade da coisa julgada material sempre foi considerada dogma absoluto do processo. A lei processual estabelece um mecanismo adequado para a desconstituição da sentença já transitada em julgado – a ação

rescisória – e o prazo para que dele se possa utilizar. No entanto, ele só

pode ser utilizado nos casos expressamente indicados, dentro do prazo de dois anos, depois do qual não se pode mais discutir a sentença (salvo

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aquelas que contêm um vício tão grave que devem ser tidas por inexistentes).

(...)

A relativização deve ser aplicada em situações muito excepcionais. Do contrário, colocar-se-ia em risco a estabilidade e a segurança das decisões judiciais. Somente naquelas teratológicas, cujo cumprimento redundaria em grave ofença a valores éticos e garantias

constitucionais, ela deve ser utilizada.”

Não sendo o caso de ação rescisória, a relativização da coisa julgada pode se dar pela via da ação declaratória de nulidade (querela nullitatis).

Exemplo: sentença em ação de desapropriação de terras, transitada em julgado, fundada em laudo de avaliação fraudulento. Se não se admitisse a relativização da coisa julgada, a Fazenda Pública seria obrigada a despender enormes quantias para pagar fraudadores.

7. Limites objetivos da coisa julgada: alcança aquilo que foi objeto

da ação (pedido). Art. 468 e 469 do CPC.

Art. 468. A sentença, que julgar total ou parcialmente a lide, tem força de lei nos limites da lide e das questões decididas.

Art. 469. Não fazem coisa julgada:

I - os motivos, ainda que importantes para determinar o alcance da parte dispositiva da sentença;

Il - a verdade dos fatos, estabelecida como fundamento da sentença;

III - a apreciação da questão prejudicial, decidida incidentemente no processo.

8. Limites subjetivos da coisa julgada: em regra, só alcança as

partes da demanda. Art. 472 do CPC.

Art. 472. A sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não beneficiando, nem prejudicando terceiros. Nas causas relativas ao estado de pessoa, se houverem sido citados no processo, em litisconsórcio necessário, todos os interessados, a sentença produz coisa julgada em relação a terceiros.

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DA AÇÃO RESCISÓRIA

CAPÍTULO IV DA AÇÃO RESCISÓRIA

Art. 485. A sentença de mérito, transitada em julgado, pode ser rescindida quando: I - se verificar que foi dada por prevaricação, concussão ou corrupção do juiz; II - proferida por juiz impedido ou absolutamente incompetente;

III - resultar de dolo da parte vencedora em detrimento da parte vencida, ou de colusão entre as partes, a fim de fraudar a lei;

IV - ofender a coisa julgada; V - violar literal disposição de lei;

Vl - se fundar em prova, cuja falsidade tenha sido apurada em processo criminal ou seja provada na própria ação rescisória;

Vll - depois da sentença, o autor obtiver documento novo, cuja existência ignorava, ou de que não pôde fazer uso, capaz, por si só, de Ihe assegurar pronunciamento favorável;

VIII - houver fundamento para invalidar confissão, desistência ou transação, em que se baseou a sentença;

IX - fundada em erro de fato, resultante de atos ou de documentos da causa;

§ 1o Há erro, quando a sentença admitir um fato inexistente, ou quando considerar inexistente um fato

efetivamente ocorrido.

§ 2o É indispensável, num como noutro caso, que não tenha havido controvérsia, nem pronunciamento

judicial sobre o fato.

Art. 486. Os atos judiciais, que não dependem de sentença, ou em que esta for meramente homologatória, podem ser rescindidos, como os atos jurídicos em geral, nos termos da lei civil.

Art. 487. Tem legitimidade para propor a ação:

I - quem foi parte no processo ou o seu sucessor a título universal ou singular; II - o terceiro juridicamente interessado;

III - o Ministério Público:

a) se não foi ouvido no processo, em que Ihe era obrigatória a intervenção; b) quando a sentença é o efeito de colusão das partes, a fim de fraudar a lei.

Art. 488. A petição inicial será elaborada com observância dos requisitos essenciais do art. 282, devendo o autor:

I - cumular ao pedido de rescisão, se for o caso, o de novo julgamento da causa;

II - depositar a importância de 5% (cinco por cento) sobre o valor da causa, a título de multa, caso a ação seja, por unanimidade de votos, declarada inadmissível, ou improcedente.

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Parágrafo único. Não se aplica o disposto no no II à União, ao Estado, ao Município e ao Ministério

Público.

Art. 489. A ação rescisória não suspende a execução da sentença rescindenda.

Art. 489. O ajuizamento da ação rescisória não impede o cumprimento da sentença ou acórdão rescindendo, ressalvada a concessão, caso imprescindíveis e sob os pressupostos previstos em lei, de medidas de natureza cautelar ou antecipatória de tutela. (Redação dada pela Lei nº 11.280, de 2006)

Art. 490. Será indeferida a petição inicial: I - nos casos previstos no art. 295;

II - quando não efetuado o depósito, exigido pelo art. 488, II.

Art. 491. O relator mandará citar o réu, assinando-lhe prazo nunca inferior a 15 (quinze) dias nem superior a 30 (trinta) para responder aos termos da ação. Findo o prazo com ou sem resposta, observar-se-á no que couber o disposto no Livro I, Título VIII, Capítulos IV e V.

Art. 492. Se os fatos alegados pelas partes dependerem de prova, o relator delegará a competência ao juiz de direito da comarca onde deva ser produzida, fixando prazo de 45 (quarenta e cinco) a 90 (noventa) dias para a devolução dos autos.

Art. 493. Concluída a instrução, será aberta vista, sucessivamente, ao autor e ao réu, pelo prazo de 10 (dez) dias, para razões finais. Em seguida, os autos subirão ao relator, procedendo-se ao julgamento:

I - no Supremo Tribunal Federal e no Tribunal Federal de Recursos, na forma dos seus Regimentos Internos;

I - no Supremo Tribunal Federal e no Superior Tribunal de Justiça, na forma dos seus regimentos internos; (Redação dada pela Lei nº 11.382, de 2006).

II - nos Estados, conforme dispuser a norma de Organização Judiciária.

Art. 494. Julgando procedente a ação, o tribunal rescindirá a sentença, proferirá, se for o caso, novo julgamento e determinará a restituição do depósito; declarando inadmissível ou improcedente a ação, a importância do depósito reverterá a favor do réu, sem prejuízo do disposto no art. 20.

Art. 495. O direito de propor ação rescisória se extingue em 2 (dois) anos, contados do trânsito em julgado da decisão.

Referências

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