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Tributos e competitividade: o que há de novo?

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Academic year: 2021

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José Roberto Afonso

Pesquisador do IBRE

.

Seminários Os Desafios da Competitividade FGV, Rio, 28/06/2013

Tributos & Competitividade:

O que há de novo?

(2)

Velhas distorções estruturais persistem:

compliance; cumulatividade; oneração indireta de investimentos e

exportações; guerra fiscal; carga pesada sobre salários ...

Novos problemas surgiram:

desonerações desordenadas; créditos acumulados crescentes; tendência pró-cumulatividade...

Proposta de adotar estratégia:

diagnóstico carece de atualizações

abandonar reforma fatiada sem visão estratégica

processo de mudanças graduais mas consistentes

construção de novo sistema tributário para longo prazo

2

(3)

Carga tributária x Renda per capita:

ponto fora da curva

Costa Rica Bolívia Chile EUA Turquia Argentina Irlanda Canadá Brasil Luxemburgo 0 10000 20000 30000 40000 50000 60000 70000 80000 90000 10 15 20 25 30 35 40 45 50 PIB p er c a p ita (US$ )

Carga Tributária (% do PIB)

(4)

4

Composição da Carga: Brasil x OECD

33% 27% 5% 34% 1% 38% 26% 6% 29% 1% 19% 26% 4% 45% 7% 0% 5% 10% 15% 20% 25% 30% 35% 40% 45% 50%

Rendas e Ganhos Salários

Patrimônio

Mercadorias, serviços e bens Outros

% do T o ta l

Participação das Bases de Incidência no Total da Carga Tributária - 2010

(5)

Carga demasiado concentrada

em tributos indiretos

41,5% 25,8% 20,2% 3,4% 1,9% 1,6% 1,9% 3,6%

Base de Incidência: 2012e

BENS E SERVIÇOS SALÁRIOS E MÃO-DE-OBRA RENDA, LUCROS E GANHOS PATRIMONIAIS

COMÉRCIO EXTERIOR TAXAS

TRANSAÇÕES FINANCEIRAS DEMAIS

(6)

Compliance: campeão mundial

6

(7)

Pecado Original: ICMS e IPI antes do IVA mundial

regime físico: só assegura crédito para insumos

PIS/COFINS: regime não-cumulativo deturpado

paliativo anti-concorrência: guerra fiscal ICMS e regimes especiais federais

Impactos estimados:

investimentos: 24.3% da taxa nacional, 17% por impostos e 7% em juros sobre giro (FIESP, out/10)

exportações industriais: 23% do custo de insumos não recuperáveis (FIESP, out/09)

cadeia produtivo: 3% da receita líquida da indústria em impostos não recuperáveis

(8)

-

Desonerações federais:

Isenções, reduções e subsídios: mais acumulo de credito indireto e até tributação de renda não auferida

-

Desoneração da folha:

Cumulatividade; aumento pontual de carga (vide terceirização); Simples mais onerado

- ICMS interestadual:

importações - controle burocratizado (apurar margem de lucro)

proposta da reforma - reação à alíquota reduzida na origem será mais controle na fronteira e mais substituição tributaria

8

(9)

Desonerações: Desordenadas

DESONERAÇÕES PARA FOMENTAR ECONOMIA: Min.Fazenda

Ano Folha/

R$ bi % Prev % PIB R$ bi % PIB Total

2012 3,8 1,2% 0,09% 44,5 1,01% 9%

2013 16,0 4,9% 0,33% 70,1 1,44% 23%

2014 24,7 7,0% 0,46% 88,2 1,66% 28%

Fonte: SPE - Projeções (março 2013)

Total Folha

RENÚNCIA TRIBUTÁRIA FEDERAL: COM BASE EM DADOS EFETIVOS

Receita 2008 2009 2010 2011 2012

Administrada 3,27% 3,11% 3,14% 3,15% 3,32% Previdenciária 0,51% 0,54% 0,48% 0,49% 0,60% Soma 3,78% 3,65% 3,62% 3,64% 3,92%

Fonte: RFB

Novo ciclo desonerações:

prorrogados e novos incentivos para consumo e anda criada e ampliada desoneração da folha; muda perspectiva e renúncia tende a ser maior que projetada oficialmente, com reflexos

crescentes sobre arrecadação

Crise versus renúncia: evolução dos benefícios (2008/2012) não foi anticíclica quando considerados os

benefícios calculados pela RFB com base em dados observados, diferente dos estimados ou anunciado.

DESONERAÇÃO DA FOLHA CALCULADA % da Receita Previdenciária

S/ Fol ha (GPS) [B] S/ Fa tura ment o(DARF) [C] Tota l [D] = [B] + [C] Ja nei ro 1,24 0,47 0,40 0,87 0,37 Feverei ro 12,46 5,77 2,79 8,56 3,91

Fonte pri má ri a : RFB (Es ta dã o).

2012 2013 Va l or Renúnci a [E] = [A] - [D] Período Contri bui çã o Previ deni á ri a Teóri ca [A]

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Tributos Federais: Créditos Acumulados

10

RFB resposta em Out./2012

Nos três tributos federais, volume de crédito supera o de débito!!!

Caso mais gritante da COFINS: acumula saldo de 95% do montante dos débitos !!!!

Isenções e tributação de bens de capital, insumos e importações explica distorções Crédito Saldo PIS 195% 95% COFINS 189% 89% IPI 130% 30% TOTAL 166% 66% Em % Débito

(11)

Arrecadação Indireta: mudança de base

COMPOSIÇÃO DA ARRECADAÇÃO DO ICMS EM SÃO PAULO

Em percentual do ICMS Total

Ano Simples Substituição

Tributária Importação Outros Total 2000 0,0% 10,6% 16,9% 72,4% 100% 2005 0,0% 9,0% 18,2% 72,9% 100% 2010 2,3% 14,4% 21,6% 61,7% 100% 2011 2,4% 14,8% 22,5% 60,4% 100% 2012 2,3% 16,1% 24,6% 57,0% 100% 11,8% 9,4% 7,8% 6,7% 4,6% 4,2% 55,5%

Arrecadação Tributária de IPI, COFINS, PIS e PASEP por Setor - 2010

COMERCIO P/ ATACADO, EXCETO VEIC. AUTOMOTORES E MOTOCICLETAS FABRICACAO DE VEICULOS AUTOMOTORES, REBOQUES E CARROCERIAS ATIVIDADES DE SERVICOS FINANCEIROS

FABRICACAO DE COQUE, DE DERIV. DO PETROLEO E BIOCOMBUSTIVEIS ELETRICIDADE, GAS E OUTRAS UTILIDADES

COMERCIO VAREJISTA DEMAIS SETORES

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Reforma do ICMS: panacéia versus risco

 Aposta do governo que guerra fiscal seria um dos principais inibidores do investimento fixo no País: projetos de resolução Senado, MP e Lei Compl.  Avanços realizados:

 CAE (etapa inicial): projeto não unifica alíquotas e ainda mantém diferenciação regional em favor da guerra fiscal (amplia, caso ZFM)

 CONFAZ: acordo por unanimidade para convalidar e revalidar todos incentivos, condicionado União ceder compensação e rolagem

 Dúvidas:

 governo federal manterá compromisso para gastar R$ 0,5 trilhão de reais em uma década em compensação e redução da rolagem?

 garantia para projetos já incentivos não constituirá barreira a entrada de novos competidores?

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 Reforma da Lei Kandir: recuperar crédito imediato de bens de capital (4

anos) e de uso e consumo (vedado); reequilibrar substituição tributária (não sufocar regime simplificado); União apoiar securitização de créditos (estoque) e medidas para coibir mais acúmulo corrente (fluxo)

SIMPLES – premente corrigir perda de competitividade com substituição

tributária do ICMS e oneração excessiva para previdência diante diante da desoneração salarial

Repensar incidência de IPI (encarece investimentos não-industriais e

infra-estrutura)

Equacionar créditos acumulados de COFINS/PIS/IPI

dedução das contribuições previdenciárias e transferência

intra-grupo

• securitização do estoque acumulado

Depreciação (mais) acelerada de novos bens de capital no IRPJ/CSLL

Agenda pró-competitividade

(14)

o Construção em etapas de novo sistema: Estratégia Senado http://bit.ly/15Ic1fh Objetivo - simplificação profunda do sistema.

Revisão das competências tributárias (unificar impostos e contribuições sobre

mesma base) e repartições (alargar base de cálculo de fundos e vinculações)

o Proposta do IVA Nacional

Fusão de impostos indiretos federais e ICMS estadual; Ampliação da base – mercadorias e todos serviços;

Legislação nacional, cadastro federal e cobrança estadual;

Cobrança integral na origem e arrecadação compartilhada na rede bancária; • Rateio pré-fixado entre níveis e unidades de governo, como IPVA e FUNDEB

• Taxa de administração (4%) na origem

• Nota fiscal eletrônica viabiliza câmara de compensação ou medição do consumo final

Desoneração plena de exportações, investimentos e produção (uso e consumo) =

menor possibilidade para acúmulo de crédito.

Um Novo Sistema (ao invés de reforma)

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• Mudar aos poucos não significa mudar pouco!!

 visão estratégica deveria primeiro a pactuar princípios para

mudanças estruturais que organizassem novo sistema tributário e

federativo

 mudanças sempre passarão por atos diferentes em momentos

distintos mas que deveriam seguir um fio condutor

 transparência fiscal ampliaram e facilitaram o acesso às

estatísticas, mais detalhadas, especialmente sobre finanças

estaduais e municipais

 simular efeitos e, depois, elaborar e apreciar alterações de

projetos legislativos seriam os passos seguintes

 intensa modernização das administrações fazendárias em todos

os níveis de governo dão condições para mudanças estruturais

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16

José Roberto Afonso é pesquisador do IBRE,

doutor em Economia, especialista em finanças

públicas

Opiniões de exclusiva responsabilidade do palestrante.

Mais trabalhos sobre o tema

no site do autor :

Referências

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