Universidade Federal da Bahia
Instituto de Matem´
atica
Curso de P´os-Graduac¸˜ao em Matem´atica
Dissertac
¸˜
ao de Mestrado
Sombra e Convexidade
de Superf´ıcies
Eliseu Santiago de Assis
Salvador-Bahia
Sombra e Convexidade de Superf´ıcies
Disserta¸c˜ao apresentada ao
cole-giado do curso de P´os-Gradua¸c˜ao
em Matem´atica da Universidade
Federal da Bahia, como requisito
parcial para obten¸c˜ao do T´ıtulo
de Mestre em Matem´atica em 12
de julho de 2007.
Banca examinadora
Prof. Dr Enaldo Silva Vergasta (Orientador)
Prof. Dr. Jos´e Nelson Bastos Barbosa
Eliseu Santiago de Assis
“Sombra e convexidade de Superf´ıcies ” /Salvador-Ba, 2007.
Orientador: Dr. Enaldo Silva Vergasta (UFBA).
Disserta¸c˜ao de Mestrado apresentada ao curso de P´os-graduac˜ao em
Ma-tem´atica da UFBA, 30 p´aginas.
Agradecimentos
Gostaria de agradecer, inicialmente, a Deus, por ter me concedido mais essa gra¸ca.
Um especial agradecimento as pessoas mais importantes da minha vida: meu pai, Joselito;
minha m˜ae, Rosa, meu irm˜ao Elias, minha irm˜a Verˆonica, meus sobrinhos e a Fl´avia.
Aos amigos: James, Robson, Gilson e tantos outros, pois, sem o incentivo de vocˆes
n˜ao estaria aqui; as amigas Irm˜a Maria Jos´e, Urˆania e as demais que me ajudaram nas
melhores e piores horas.
Aos novos amigos da UFBA: Adriano Cattai, Gilcl´ecio, Rosane, Ab´ılio, Rolando,
Ariane, Jacson, Mariluce, Josaphat, Ella, Silvia, Ricardo, Luciana, Tiago, Ednaldo, Carla
Lopes, Gabriela e Paulo Nascimento. E a todos que, de alguma forma, contribu´ıram na
minha passagem no mestrado nestes 2 anos.
Aos afarinhados da turma de 2005: B´arbara, Yuri Ki, Jarbas, Kleyber, Mariana e
Ricardo. Com certeza, vocˆes foram bem mais que amigos, foram verdadeiros her´ois.
Aos amigos que n˜ao foram citados.
Gostaria tamb´em de agradecer a todos os colegas e funcion´arios do Instituto de
Matem´atica da UFBA, em especial, Dona Zez´e, Tˆania Sp´ınola, Jom´ario e Alan.
Aos professores do Instituto de Matem´atica da UFBa: Enaldo Silva Vergasta,
Ed-son Alberto Coayla Teran, Jos´e NelEd-son Bastos Barbosa, Joseph Yartey, Marco Antˆonio N.
Resumo
Mostramos que uma superf´ıcie mergulhada em R3 ´e convexa se, e somente se, a
sombra em cada dire¸c˜ao ´e um subconjunto simplesmente conexo da superf´ıcie. Provamos
tamb´em que a propriedade da sombra ser simplesmente conexa n˜ao pode ser substitu´ıda
apenas pela conexidade, exceto no caso em que a superf´ıcie ´e topologicamente uma uma
esfera. O trabalho ´e baseado no artigo de Ghomi, M. Shadows and convexity of surfaces,
publicado no Ann. of Math., 155 (2002) 281-293.
Sum´
ario
Resumo v
Lista de Figuras vii
Introdu¸c˜ao 1
1 Preliminares 3
2 Resultados Intermedi´arios 9
3 Prova dos Resultados Principais 18
Referˆencias 29
Lista de Figuras
1 . . . 1
2.1 . . . 9
2.2 . . . 13
2.3 . . . 15
2.4 . . . 15
2.5 . . . 17
3.1 . . . 19
3.2 . . . 19
3.3 . . . 24
3.4 . . . 25
3.5 . . . 26
3.6 . . . 27
Introdu¸
c˜
ao
Sejam M uma superf´ıcie compacta, orientada,
f : M → R3 uma imers˜ao orientada no espa¸co eucli-diano tridimensional, e n : M → S2 a aplica¸c˜ao de
Gauss de f. Dado um vetor u ∈ S2, a sombra em M
com rela¸c˜ao a u´e o conjunto
Su :={p∈M;hn(p), ui>0},
onde h,i denota o produto interno usual em R3.
u
n(p)
p
Figura 1:
Se f ´e um mergulho convexo, isto ´e, a imers˜ao f aplica M homeomorficamente no bordo de um corpo convexo, ´e intuitivo que Su ´e um conjunto conexo para cada u ∈S2. ´E
natural perguntar se a rec´ıproca deste resultado tamb´em ocorre. Ou seja, a conexidade da
sombraSupara cadau∈S2 implica quef ´e um mergulho convexo? Segundo Ghomi, ver [G],
Wente foi o primeiro matem´atico a estudar esta quest˜ao, em 1978 motivado por problemas
referentes a estabilidade de superf´ıcies de curvatura m´edia constante. Este problema
tornou-se conhecido como problema da sombra. Provaremos que o problema da sombra ´e v´alido se
a sombra for simplesmente conexa. Mais precisamente, provaremos o resultado a seguir.
Teorema A. Seja f : M → R3 uma imers˜ao de uma superf´ıcie compacta orien-tada em R3. Ent˜ao, f ´e um mergulho convexo se, e somente se, para cada u ∈ S2, S
u ´e
simplesmente conexo.
Mostraremos tamb´em que o problema da sombra n˜ao tem, em geral, resposta
positiva. O exemplo constru´ıdo para provar o resultado a seguir mostra que a conexidade
da sombra n˜ao ´e suficiente para garantir a convexidade da superf´ıcie.
Introdu¸c˜ao 2
Teorema B.Existe um mergulhoC∞
do torof :S1×S1 →R3, tal que, para cada
u ∈S2, S
u ´e conexo.
Desse modo, o Teorema A n˜ao permanece v´alido se substituirmos “simplesmente
co-nexo” por “coco-nexo”. O resultado, no entanto, vale se acrescentarmos a hip´otese da superf´ıcie
ser homeomorfa a uma esfera.
Teorema C.SeM ´e topologicamente uma esfera e, para cadau∈S2,S
u ´e conexo,
ent˜ao f ´e um mergulho convexo.
Esta disserta¸c˜ao ´e baseada no artigo de M. Ghomi Shadows and convexity of
sur-faces, publicado no Ann. of Math., 155 (2002) 281-293. Este trabalho est´a dividido em
trˆes cap´ıtulos. No primeiro, apresentamos alguns resultados importantes para o
desenvol-vimento dos cap´ıtulos seguintes. Posteriormente, desenvolvemos informa¸c˜oes a respeito da
regularidade de horizontes e fronteira das sombras, pontos cr´ıticos de fun¸c˜oes altura e terno
de pontos na fronteira de dom´ınios simplesmente conexos. No ´ultimo cap´ıtulo, provamos os
Cap´ıtulo 1
Preliminares
Este cap´ıtulo tem por objetivo apresentar algumas defini¸c˜oes e resultados que ser˜ao
de grande utilidade para o desenvolvimento deste trabalho.
Sejam M e N variedades diferenci´aveis e f : Mm → Nn uma aplica¸c˜ao
diferenci´avel. Um pontoc∈Nn´e umvalor regulardefse, para todox∈f−1
(c), a diferencial
f′
(x) :TxM →TF(x)N ´e uma transforma¸c˜ao linear sobrejetiva.
A importˆancia do conceito de valor regular deve-se, em grande parte, ao resultado
seguinte.
1.1 Lema. Se c∈N ´e um valor regular de f :Mm →Nn, ent˜aof−1(c)´e uma subvariedade de M com dimens˜ao m−n.
Um dos teoremas mais importantes do c´alculo diferencial ´e o chamado Teorema da
Fun¸c˜ao Inversa, enunciado a seguir.
1.2 Teorema (Teorema da Fun¸c˜ao Inversa). Sejam U ⊂ Mn aberto, F : U ⊂ Mn → Nn
uma aplica¸c˜ao diferenci´avel e suponha que em p ∈ U a diferencial dFp : Mn → Nn ´e um
isomorfismo. Ent˜ao existem uma vizinhan¸ca V de pem U e uma vizinhan¸caW de F(p)em
Nn, tal que F :V →W ´e um difeomorfismo.
Um resultado importante para a elucida¸c˜ao de outros resultados que utilizaremos
aqui ´e o teorema de Sard, apresentado a seguir.
Preliminares 4
1.3 Teorema (Sard). Seja f : M → N uma aplica¸c˜ao de classe C1 entre variedades de mesma dimens˜ao m e S o conjunto dos pontos x ∈ M tais que a diferencial
f′
:TxM →Tf(x)N n˜ao ´e um isomorfismo. Ent˜ao, f(S) tem medida nula em N.
Muitos resultados apresentados a seguir para superf´ıcies em R3, ou seja, para
variedades bidimensionais imersas em R3, s˜ao v´alidos para dimens˜oes quaisquer.
1.4 Lema. Seja A ⊂ M um subconjunto aberto de uma superf´ıcie regular M. Ent˜ao, A ´e uma superf´ıcie regular.
Prova. Tomemos p ∈A. Temos ent˜ao que p∈ M. Como M ´e superf´ıcie regular, existem uma vizinhan¸ca V de p em R3 e uma aplica¸c˜ao x :U ⊂R2 → W = V ∩M de um aberto U de R2 sobre V ∩M ⊂ R3, tal que x ´e diferenci´avel, x ´e homeomorfismo e, para
cada q∈U,dxq :R2 →R3 ´e injetiva.
Como A ´e aberto em M, ent˜ao A ´e a intersec¸c˜ao da superf´ıcie M com um aberto
L ⊂R3. Seja W1 =W ∩A. Notemos que W1 ´e aberto em A e V ∩L´e aberto em R3. Seja
Ui = x−1(W1). Dessa forma, x1 = x |U1: U1 → W1 ´e diferenci´avel, x1 ´e um homeomorfismo e dx1 : R2 → R3 ´e injetiva, para cada q ∈ U1. Logo, x1 ´e uma parametriza¸c˜ao de A e,
portanto, A´e uma superf´ıcie regular.
Consideremos f :M →R3 uma imers˜ao no espa¸co euclidiano tridimensional. Para cada u∈S2, seja h
u :M →Ra fun¸c˜ao altura na dire¸c˜ao u, definida por hu(p) :=hf(p), ui.
Recordemos que um ponto p∈M ´eponto cr´ıtico de hu se a aplica¸c˜ao diferencial de h em p
(dhu)p :TpM →R
´e nula.
1.5 Lema. Sejam f :M →R3 uma imers˜ao no espa¸co euclidiano tridimensional e
Preliminares 5
a fun¸c˜ao altura relativa a um vetor u∈S2. Ent˜ao, a diferencial deh
u em p∈M ´e dada por
(dhu)p(w) =hw, ui, w ∈TpM. Em particular, p´e um ponto cr´ıtico de hu se, e somente se, u ´e ortogonal a TpM.
Prova. Seja w ∈ TpM e identifiquemos w ≃ dfp(w). Para calcular (dhu)p(w),
escolhamos uma curva diferenci´avel α : (−ǫ, ǫ) → M, com α(0) = p e α′
(0) = w. Como
h(α(t)) =hf(α(t)), ui, obtemos
(dhu)p(w) = d
dth(α(t))|t=0
= d
dthf(α(t)), ui |t=0
= hdfα(t)·α′(t), ui |t=0
= hw, ui.
Dizemos que Γ ⊂ M ´e uma curva regular se, para cada p ∈ Γ, existem uma vizinhan¸ca aberta U de p em M e um homeomorfismo ϕ : U → R2 tal que ϕ(U ∩Γ) = R. No presente trabalho, a menos que se estabele¸ca o contr´ario, uma curva regular n˜ao precisa
ser diferenci´avel.
A compreens˜ao das pr´oximas defini¸c˜oes, assim como do lema seguinte, ser´a de
fun-damental importˆancia para o entendimento do Lema 2.4, desenvolvido no Cap´ıtulo 2.
Sejam U ⊂ Rn um aberto e f : U → R uma fun¸c˜ao duas vezes diferenci´avel no ponto x∈ U. A matriz Hessiana de f no pontox ´e definida por
∂2f
∂xi∂xj
(x)
. Um ponto
cr´ıtico a de f ´e dito n˜ao-degenerado, se a matriz Hessiana nesse ponto ´e invert´ıvel, isto ´e, det
∂2f
∂xi∂xj
(a)
6
= 0. Se todos os seus pontos cr´ıticos s˜ao n˜ao-degenerados, diz-se que
f ´e uma fun¸c˜ao de Morse. As defini¸c˜oes seguintes tamb´em s˜ao muito relevantes para o desenvolvimento do nosso trabalho.
Visto que M ´e orient´avel, a aplica¸c˜ao n : M → S2 que a cada ponto p ∈ M
associa o vetor n(p) ∈ S2, ortogonal a T
pM, numa orienta¸c˜ao fixada de M, ´e chamada de
aplica¸c˜ao de Gauss deM. Acurvatura Gaussianade M ´e a aplica¸c˜ao K :M →Rdada por
Preliminares 6
1.6 Lema. O conjunto dos pontos cr´ıticos da aplica¸c˜ao de Gauss n :M →S2 ´e fechado.
Prova. O conjunto dos pontos cr´ıticos de n ´e dado por r−1(0), onde r:M →R´e
a aplica¸c˜ao definida por r(p) = det(dnp). Como r ´e cont´ınua, temos que r−1(0) ´e fechado.
A forma quadr´atica Πp, definida em TpM por Πp(v) = −hdnp(v), vi, ´e chamada a
segunda forma fundamental deM em p.
Para dar uma interpreta¸c˜ao da segunda forma fundamental Πp relacionada com a
fun¸c˜ao altura, consideremos uma curva regular C ⊂ M parametrizada por α(s), onde s ´e o comprimento de arco de C, com α(0) = p. Se indicarmos por n(s) a restri¸c˜ao do campo normal n `a curva α(s), teremos hn(s), α′
(s)i= 0, donde
hn(s), α′′
(s)i=−hn′
(s), α′
(s)i.
Portanto,
Πp(α
′
(0)) = −hdnp(α
′
(0)), α′
(0)i
= −hn′
(0), α′
(0)i
= hn(0), α′′
(0)i. (1.1)
1.7 Lema. A Hessiana emp∈M da fun¸c˜ao altura h:M →Rna dire¸c˜ao n(p)´e a segunda forma fundamental de M em p.
Prova. Sejamw∈TpM eα: (−ǫ, ǫ)→M uma curva parametrizada, comα(0) =p
e α′
(0) = w. Seja h:M →R a fun¸c˜ao altura deM na dire¸c˜ao n(p), isto ´e, h(q) =hq, n(p)i,
q ∈S. Notemos que,
d
dt(h◦α(t)) = d
dt(h(α(t))
= d
dt(hα(t), n(p)i)
= hα′
(t), n(p)i.
Logo,
d2
dt(h◦α(t))|t=0 = d dt(hα
′
(t), n(t)i)|t=0
= hα′′
(t), n(t)i |t=0 .
Preliminares 7
O Lema a seguir ser´a aplicado nas demonstra¸c˜oes dos Teoremas A e C.
1.8 Lema. Seja f : X → Y uma aplica¸c˜ao cont´ınua e localmente constante, onde X ´e conexo. Ent˜ao, f ´e constante.
Prova. Fixemos p0 ∈ X, e mostraremos que f(p) = f(p0), para cada p ∈ X.
Consideremos, o conjunto A={p∈X;f(p) = f(p0)}. Notemos que:
i) A6=∅, pois p0 ∈A;
ii)A´e aberto emX, pois, comof ´e localmente constante, dado p∈A, isto ´e, f(p) =f(p0),
existe ǫ >0 tal que
f(B(p, ǫ)) =f(p) ={f(p0)},
ou seja, existe uma bola B onde B(p, ǫ)∩X ⊂A; iii) A ´e fechado em X, pois, A = f−1(f(p
0)) ´e imagem inversa de um fechado por uma
aplica¸c˜ao cont´ınua.
Como X ´e conexo, temos queX =A. Logo, f ´e constante.
O pr´oximo lema traz uma particularidade topol´ogica da esfera S2 que ´e muito ´util
na prova do Teorema C.
1.9 Lema. Se U ⊂ S2 ´e um conjunto aberto conexo e S2−U ´e um conjunto conexo que possui ponto interior, ent˜ao U ´e simplesmente conexo.
Prova. Seja p um ponto interior de S2 − U, isto ´e, existe δ > 0 tal que
B(p, δ) ⊂ S2 − U. Tomemos p como p´olo norte da esfera S2. Da´ı, a proje¸c˜ao
estereogr´afica aplica U em um subconjunto aberto conexo do R2 com complementar
co-nexo, uma vez que proje¸c˜ao preserva conexidade. Assim, pelo Teorema 11.4.1 em [GK],
Preliminares 8
Enunciaremos o Teorema da Vizinhan¸ca Tubular para uma variedade compacta M, que ser´a utilizado na demonstra¸c˜ao do Teorema B.
Seja M uma variedade diferenci´avel de dimens˜ao n imersa isometricamente no
Rn. O espa¸co normal a M em um ponto p ´e o espa¸co vetorial T
pM⊥ formado por
to-dos os vetores normais a M em p. Dado ǫ > 0, a bola normal B⊥
(p, ǫ) ´e definida como
B⊥
(p, ǫ) = {w∈TpM⊥,|w|< ǫ}.
1.10 Teorema (Vizinhan¸ca Tubular). Seja M uma variedade diferenci´avel compacta imersa isometricamente no Rn. Ent˜ao existe ǫ > 0 tal que, para q 6= p ∈ M, tem-se que B⊥
(q, ǫ)∩B⊥
(p, ǫ)6= ∅. Al´em disso, Vǫ(U) = ∪q∈UB⊥(q, ǫ) ´e uma vizinhan¸ca aberta de M
em Rn e a proje¸c˜ao π:V
Cap´ıtulo 2
Resultados Intermedi´
arios
Este cap´ıtulo est´a organizado em trˆes partes. Na primeira, usaremos o Teorema de
Sard para mostrar que, para quase todo u ∈ S2, ∂S
u ´e uma curva regular, onde ∂ denota
a fronteira. Ou seja, para cada u ∈ S2, exceto num conjunto de medida nula, ∂S
u ´e uma
curva regular. Na seq¨uˆencia, usaremos a teoria de Morse para provar que, para quase todo
u ∈S2, a fun¸c˜ao altura ´e de Morse. Por fim, trabalharemos na ´ultima e principal parte deste
cap´ıtulo com os pontos cr´ıticos de fun¸c˜oes altura para a constru¸c˜ao da prova do Teorema A.
Inicialmente, precisamos estabelecer alguns resultados a respeito do comportamento
geral da sombra numa dire¸c˜ao u. Para cada u ∈ S2, a fun¸c˜ao sombra σ
u : M → R ´e dada
por σu(p) := hn(p), ui e Hu :=σu−1(0) ´e chamado de horizonte, ver [C], na dire¸c˜ao u. Nem
sempre ocorre igualdade entre os conjuntos ∂Su,Hu e∂S−u.
H1 H2
u
Hu = H1SH2
∂Su 6= Hu 6=∂S−u
Figura 2.1:
No entanto, pode-se garantir
que ∂Su = Hu = ∂S−u
global-mente, se Hu ´e uma curva
re-gular conexa ou localmente, na
vizinhan¸ca de um ponto com
curvatura Gaussiana n˜ao-nula,
conforme as Proposi¸c˜oes 2.1 e
2.3.
Resultados Intermedi´arios 10
2.1 Proposi¸c˜ao. Para quase todo u∈S2, H
u ´e uma curva regular. Neste caso, ∂Su e ∂S−u
tamb´em s˜ao curvas regulares. Al´em disso, se Hu ´e conexo, ent˜ao ∂Su =Hu =∂S−u.
Prova. SejaUT M ={(p, u);p∈M, u∈TpM,||u||= 1}o fibrado tangente unit´ario
de M. Consideremos a aplica¸c˜ao
τ :UT M →S2
dada por
(p, u)7→u.
Pelo Teorema de Sard, a imagem do conjunto dos pontos singulares de τ tem medida nula na esfera S2. Logo, para quase todou∈S2, isto ´e, a menos de um conjunto de medida nula,
u´e valor regular deτ. Da´ı, pelo Lema 1.1, temos queτ−1(u) ´e uma curva regular emUT M.
Agora, seja π a aplica¸c˜ao
π:UT M →M
definida por
π(p, u) =p
e seja u um valor regular deτ. Temos, claramente, queπ ´e injetiva em τ−1(u). Al´em disso,
como τ−1
(u) = {(p, u), p ∈ M} com ||u|| = 1, temos que τ−1
(u) ´e difeomorfo a M × {u}. Assim, segue-se que τ−1(u) ´e compacto.
Seja (p, u) ∈ τ−1(u). Queremos mostrar que dπ
(p,u) ´e injetiva. Com efeito, dado
(v1, v2) ∈ TpM × TuS2, escolhamos uma curva diferenci´avel α : (−ǫ, ǫ) → M com α(0) = (p, u) e α′
(0) = (v1, v2). Tomando α(t) = (β(t), u), com β : (−ǫ, ǫ) → M
diferenci´avel, obtemos
dπ(p,u)(v1, v2) =
d
dtπ(α(t))|t=0= d
dtπ(β(t), u)|t=0= d
dtβ(t)|t=0=β
′
(0) =v1.
Conseq¨uentemente, a diferencial da proje¸c˜aoπ : τ−1
(u)→M ´e injetiva. Temos, ent˜ao, que
π : τ−1(u) → M ´e uma imers˜ao injetiva definida num compacto. Logo, ´e um mergulho.
Al´em disso, notemos que
π(τ−1(u)) ={p∈M;u∈T
Resultados Intermedi´arios 11
Portanto, Hu ´e uma curva regular, pois ´e imagem de uma curva regular pelo
mergulho π |τ−1(u). Como ∂Su ´e aberto em Hu, temos, pelo Lema 1.4, que ∂Su e ∂S−u
tamb´em s˜ao curvas regulares.
Finalmente, como ∂Su ´e fechado emM e∂Su =∂Su∩Hu, temos que∂Su ´e fechado
em Hu. Assim, se Hu ´e conexo, segue-se que ∂Su =Hu =∂S−u.
O pr´oximo resultado ser´a aplicado na prova do Lema 3.4, que por sua vez ser´a
utilizado para finalizar a demonstra¸c˜ao do Teorema A.
2.2 Lema. Sejaσ0 :X →Ruma fun¸c˜ao cont´ınua positiva, definida num compactoX ⊂Rn. Ent˜ao, existe ǫ >0 tal que σ(p)>0, para cada p∈X, satisfazendo |σ−σ0|< ǫ.
Prova. Como X ´e compacto, existe ǫ = min{σ0(p);p ∈ X}. Ent˜ao, para
|σ−σ0|< ǫ, temos que |σ(p)−σ0(p)|< ǫ, para cada p∈X. Da´ı,
0≤σ0(p)−ǫ < σ(p)< σ0(p) +ǫ.
Portanto, σ(p)>0, para cada p∈X.
Em seguida, veremos um resultado sobre regularidade local para horizontes e
fron-teiras das sombras.
2.3 Proposi¸c˜ao. Se K(p)= 06 para algum p∈M, ent˜ao existe uma vizinhan¸ca U de p, tal que, para cada u∈TpM, Hu∩U ´e uma curva regularC∞ e ∂Su∩U =∂S−u∩U =Hu∩U.
Prova. Como det(dn)p =K(p)6= 0, temos, pelo Teorema da Fun¸c˜ao Inversa, que n ´e um difeomorfismo entre vizinhan¸cas U de pem M e V de n(p) em S2. Considere agora
S2
u :={x∈S2;hx, ui>0}. Como∂Su2 =∂S−2u ´e o c´ırculo m´aximoC :={x∈S2;hx, ui= 0},
temos que ∂S2
u =∂S−2u ´e uma curva regular e
Hu ={q∈M;hn(q), ui= 0}=n
−1(C).
Ora, como difeomorfismo leva fronteira em fronteira, temos quen(∂Su) =∂Su2. Da´ı, segue-se
Resultados Intermedi´arios 12
que
∂(n−1
(S2
u)) = n
−1
(∂S2
u)
= n−1(C)
= Hu.
Mais precisamente,
Hu∩U = ∂(n−1(Su2))∩U
= n−1((∂S2
u)∩V)
= n−1(C∩V)
= n−1(C)|
V .
Como um difeomorfismo leva curva regular em curva regular, temos que Hu∩U ´e uma curva
regular. Obtemos, ainda, que
Hu∩U = ∂(n−1(Su2))∩U
= ∂Su∩U
= ∂S−u ∩U.
O pr´oximo conjunto de resultados preliminares, envolve algumas aplica¸c˜oes b´asicas
da teoria de Morse [M].
2.4 Lema. Seja hu :M →R a fun¸c˜ao altura na dire¸c˜ao u∈S2. Ent˜ao
(i) hu ´e uma fun¸c˜ao de Morse se, e somente se, K 6= 0, para todos os pontos cr´ıticos de hu;
(ii) hu ´e uma fun¸c˜ao de Morse para quase todo u∈S2;
(iii) O conjunto Ue ={u∈S2;h
u´e uma fun¸c˜ao de Morse} ´e aberto.
Prova. (i) Se p ´e um ponto cr´ıtico de hu, ent˜ao, pelo Lema 1.7, temos que a
Hessiana de hu ´e dada por Hess(hu(·,·)) = ±h·, dnp(·)i. Assim, hu ´e uma fun¸c˜ao de Morse
se, e somente se, para cada ponto cr´ıtico p, temos que K(p) = det(dn)p 6= 0.
(ii) Por (i), hu ´e uma fun¸c˜ao de Morse se, e somente se, det(dn)p 6= 0, para todo
ponto cr´ıtico p. Como p´e um ponto cr´ıtico de hu se, e somente se,u=±n(p), notemos que
det(dn)p 6= 0, para cada p∈n−1(u) ⇔ (dn)p ´e sobrejetiva para cada p∈n−1(u)
Resultados Intermedi´arios 13
Logo, u e −u s˜ao valores regulares de n. Seja Ue ⊂ S2 o conjunto de tais valores. Ent˜ao,
pelo Teorema de Sard, S2−Ue tem medida nula. Assim, para quase todou∈S2, u ´e valor
regular de n. Portanto, hu ´e uma fun¸c˜ao de Morse para quase todou∈S2.
(iii) Como M ´e compacta e, pelo Lema 1.6, o conjunto dos pontos cr´ıticos de n
´e fechado, temos ent˜ao que o conjunto de seus valores cr´ıticos ´e fechado. Logo, S2 −Ue ´e
fechado e, portanto, Ue ´e aberto.
O pr´oximo lema ´e de fundamental importˆancia para a prova dos Teoremas A e C.
2.5 Lema. Se f n˜ao ´e um mergulho convexo, ent˜ao existe uma fun¸c˜ao altura de Morse com pelo menos trˆes pontos cr´ıticos.
p1
p2
p3
u
Figura 2.2:
Prova. Seja♯C(hu) o n´umero de pontos cr´ıticos dehu.
De acordo com o Lema 1.5, p ´e um ponto cr´ıtico dehu
se, e somente se, n(p) =±u. Ent˜ao,
Z
S2
♯C(hu)du =
Z
S2
♯n−1(±u)du
= 2
Z
M
|det(dn)p|dV
= 2
Z
M
|K|dV, (2.1)
onde dV denota o elemento de volume em M e a segunda igualdade ´e obtida pela aplica¸c˜ao da f´ormula de ´area ([F], Teorema 3.2.3). Suponhamos quef n˜ao seja um mergulho convexo. Ent˜ao, pelo Teorema de Chern e Lashof [CL], temos
Z
M
|K|dV >4π. (2.2) Por (2.1) e (2.2), temos
1 4π
Z
S2
♯C(hu)du >2.
Consideremos, agora, a aplica¸c˜ao
g :S2 → R
Resultados Intermedi´arios 14
Temos, ent˜ao, que 1 4π
Z
S2
g(u)du >2. Seja Ue ={u∈ S2;h
u ´e uma fun¸c˜ao de Morse}. Pelo
Teorema de Sard, S2−Ue tem medida nula. Sendo assim,
1 4π
Z
e
U
g(u)du= 1 4π
Z
S2
g(u)du >2.
Suponhamos que g(u)≤2, para cadau∈Ue. Ent˜ao 1
4π
Z
e
U
g(u)du ≤ 1
4π Z e U 2du = 2 4π Z e U du = 2 4π Z S2 du
= 2.
Assim, temos uma contradi¸c˜ao, o que mostra que g(u)>2, para cada u∈Ue. Ou seja, para cada u∈Ue, a fun¸c˜ao altura hu tem pelo menos trˆes pontos cr´ıticos.
Agora, na ´ultima parte deste cap´ıtulo, desenvolveremos alguns m´etodos topol´ogicos
cuja aplica¸c˜ao se tornar´a mais clara no pr´oximo cap´ıtulo, uma vez que utilizaremos estes
resultados na demonstra¸c˜ao do Teorema A e do Teorema C.
Por umdom´ınioemM entendemos um subconjunto aberto conexo Ω⊂M. Dizemos que Ω ´eadjacentea um terno de pontos distintos{p1, p2, p3} ⊂M sepi ∈∂Ω. O dom´ınio Ω ´e
regular pr´oximo api se existem vizinhan¸cas abertasUi depi e homeomorfismosϕi :Ui →R2
que aplicamUi∩Ω no semi-plano superior. Uma curva fechada simplesT ⊂Ω ´e umtriˆangulo
de Ω com v´ertices em {p1, p2, p3}, se pi ∈∂Ω e T − {p1, p2, p3} ⊂Ω. Uma vizinhan¸ca W de
{p1, p2, p3} significa a uni˜ao de vizinhan¸cas Wi depi, para i= 1,2,3.
O lema seguinte, embora elementar, ´e mais importante do que inicialmente aparenta
ser, e subsidiar´a a prova da proposi¸c˜ao posterior que, certamente, ´e o principal resultado desta
parte final do cap´ıtulo.
2.6 Lema. Todo dom´ınioΩadjacente a {p1, p2, p3}admite um triˆangulo. Al´em disso, se Ω´e simplesmente conexo e regular pr´oximo a pi, dois triˆangulos quaisquer deΩ com v´ertices em
Resultados Intermedi´arios 15
Prova. Como Ω ´e aberto e conexo, temos, ent˜ao, que Ω ´e conexo por caminhos.
Logo, dois pontos quaisquer de Ω podem ser ligados por um caminho em Ω. Assim, existe
um arco regular A12 ⊂ Ω cujos pontos finais s˜ao p1 e p2. Sendo A12 regular e como Ω ´e
adjacente a {p1, p2, p3}, existe uma componente (Ω−A12)+ de Ω−A12 que cont´em p3 em
seu fecho.
Seja A23 ⊂ (Ω−A12)+ um arco regular com pontos finais p2 e p3. Ent˜ao,
analoga-mente ao par´agrafo anterior, existe uma componente ((Ω−A12)+−A23)+de (Ω−A12)+−A23
que cont´em p1 em seu fecho. Seja A31 ⊂((Ω−A12)+−A23)+ um arco regular com pontos
finais p3 e p1. A uni˜ao desses arcos e seus pontos finais resultam no triˆangulo desejado.
Suponha, agora, que Ω seja simplesmente
conexo e regular pr´oximo a pi. Sejam T e T′
triˆangulos de Ω com v´ertices em {p1, p2, p3} e
sejam A12 e A′12 arcos de T e T
′
,
respectiva-mente, que ligam p1 ep2.
p1
p2
Ω
A12
A′
12
Figura 2.3:
Sabemos que, no plano, dois arcos com mesmos extremos s˜ao sempre homot´opicos.
Como Ω ´e regular pr´oximo a pi e homeomorfismo leva homotopia em homotopia, temos por
uma pequena pertuba¸c˜ao pr´oxima a p1 que A12 e A′12 coincidem numa vizinhan¸ca de p1
com os pontos finais de A12 mantidos fixos. De forma similar, podemos assumir que eles
coincidir˜ao numa vizinhan¸ca de p2.
p1
p2
Ω
A12
A′
12
ϕi
Resultados Intermedi´arios 16
No complementar dessas vizinhan¸cas, temos sub-arcos de A12 e A′12 que coincidem
nas suas extremidades e que est˜ao contidos em Ω. Como Ω ´e simplesmente conexo, existe
uma homotopia entre esses sub-arcos, mantendo desta forma seus pontos finais fixos. Assim,
A12 e A′12 s˜ao homot´opicos atrav´es de uma fam´ılia de arcos de Ω com pontos finais p1 e p2.
De modo semelhante, os outros arcos de T s˜ao homot´opicos a seus correspondentes em T′
.
Logo, dois triˆangulos quaisquer de Ω com v´ertices em {p1, p2, p3} s˜ao homot´opicos atrav´es
de uma fam´ılia de triˆangulos de Ω.
2.7 Proposi¸c˜ao. Para uma orienta¸c˜ao fixada de M, todo dom´ınio simplesmente conexo Ω, adjacente e regular pr´oximo ao terno de pontos {p1, p2, p3} ⊂ M, determina uma ´unica permuta¸c˜ao αΩ de {p1, p2, p3} tal que
(i) se Ω e Ω′
tem um triˆangulo em comum, ent˜ao αΩ =αΩ′.
(ii) se ∂Ω = ∂Ω′
´e uma curva regular, e Ω e Ω′
s˜ao distintos, ent˜ao αΩ 6=αΩ′.
Prova. (i) Como Ω ´e adjacente a{p1, p2, p3}, temos, pelo Lema 2.6, que existe um
triˆangulo T de Ω com v´ertices nesses pontos. Esse triˆanguloT limita um subdom´ınio conexo
U de Ω. Logo, U ´e tamb´em orient´avel, pois todo subconjunto aberto de uma superf´ıcie regular orient´avel ´e tamb´em orient´avel. A orienta¸c˜ao de U induz uma orienta¸c˜ao ou sentido de dire¸c˜ao em T.
A orienta¸c˜ao induzida por M em U determina um sentido de percurso em T, que, por sua vez, determina uma permuta¸c˜ao de {p1, p2, p3} da seguinte forma: se, ao percorrer
T, passamos primeiro por p1, depois por p2 e, em seguida, por p3, ent˜ao a permuta¸c˜ao αΩ
´e o ciclo (p1, p2, p3); caso contr´ario, αΩ ´e o ciclo (p1, p3, p2). ´E claro que estas permuta¸c˜oes
dependem continuamente deT. Al´em disso, usando o Lema 2.6, todos os triˆangulos de Ω com v´ertices em {p1, p2, p3} s˜ao homot´opicos. Como homotopia preserva orienta¸c˜ao, observa-se
que αΩ n˜ao depende da escolha deT e, portanto, est´a bem definido. Da´ı, se Ω e Ω′ tˆem um
Resultados Intermedi´arios 17
(ii) Visto que ´e Ω simplesmente conexo, temos que ∂Ω ´e conexo. Supondo que ∂Ω = ∂Ω′
´e uma curva regular com
Ω e Ω′
distintos, teremos, ent˜ao, que Ω e Ω′
induzem
ori-enta¸c˜oes opostas em ∂Ω que, por sua vez, originam per-muta¸c˜oes distintas de {p1, p2, p3} (ver Figura 2.5). Como
∂Ω ´e uma curva regular, por uma pequena pertuba¸c˜ao em
∂Ω obtemos um triˆangulo de Ω com v´ertices em{p1, p2, p3}.
Assim, repetindo para ∂Ω = ∂Ω′
o argumento que
apresentamos no par´agrafo anterior para um triˆangulo com
v´ertices em{p1, p2, p3}, obtemos duas permuta¸c˜oes distintas
de {p1, p2, p3}.
Figura 2.5:
Cap´ıtulo 3
Prova dos Resultados Principais
Teorema A. Seja f : M → R3 uma imers˜ao de uma superf´ıcie compacta orien-tada em R3. Ent˜ao, f ´e um mergulho convexo se, e somente se, para cada u ∈ S2, S
u ´e
simplesmente conexo.
Prova. do Teorema A. Suponhamos, primeiramente, quef´e um mergulho convexo. Seja V ⊂ R3 um corpo convexo , tal que f(M) = ∂V. Dado u ∈ S2, sejam Π o plano
perpendicular a u passando pela origem de R3 e π :R3 →Π a proje¸c˜ao ortogonal sobre Π. Como π ´e uma transforma¸c˜ao linear, temos que π(V) ´e convexo. Seja D:=π(f(M)).
Afirma¸c˜ao 1: D=π(V) e, portanto, D´e convexo.
Como f(M) ⊂V percebe-se, claramente, que D ⊂π(V). Basta ent˜ao mostrar que
π(V)⊂D.
Se p ∈ ∂V, ent˜ao π(p) ∈ D. Se, por outro lado, p ∈ intV, seja α uma semi-reta com origem p na dire¸c˜ao e sentido do vetor u. Desta forma, existe q ∈ α∩(R3 −V), da´ı
α ∩∂V 6= ∅. Tomemos p1 ∈ α∩∂V. Como π(p) = π(p1), observamos que π(p) ∈ D(ver
Figura 3.1 ). Isto conclui a prova da Afirma¸c˜ao 1.
Prova dos Resultados Principais 19
Figura 3.1:
Afirma¸c˜ao 2: intD 6=∅.
De fato, dado p ∈ intV, existe r > 0 tal que B(p, r) ⊂ intV. Temos ent˜ao que
π(B(p, r)) = B1 ´e uma bola em R2. Portanto, π(p) ´e um ponto interior de π(V) = D(ver
Figura 3.2 ), o que prova a Afirma¸c˜ao 2.
Figura 3.2:
Afirma¸c˜ao 3: O intD ´e homeomorfo a um disco aberto.
Pelas afirma¸c˜oes 1 e 2, obtemos queD´e um subconjunto convexo de Π com interior n˜ao vazio. Seja p2 ∈intD. Como D´e convexo, para cadav ∈S1 existe um n´umero positivo
tv tal que a intersec¸c˜ao da semi-reta com origem p2 na dire¸c˜ao v e o intD ´e o segmento
[p2, tvv). Logo intD ={tv;v ∈S1 e t∈[0, tv)} e temos, ent˜ao, o homeomorfismo ϕ:A → D′
tv 7→ t
tv v
entre intD e o disco unit´arioD′
Prova dos Resultados Principais 20
Afirma¸c˜ao 4: f(Su) ´e um gr´afico sobre intD.
De fato, se f(Su) n˜ao fosse um gr´afico sobre intD, existiria uma semi-reta com
origem em intD que interceptaria V em dois pontos distintos q1 eq2, comq1−q2 paralelo a
u. Assumiremos, sem perda de generalidade, que a distˆancia deq1 aintD ´e menor do que a
distˆancia de q2 aintD. ComoV ´e convexo, V ficaria de um mesmo lado em rela¸c˜ao a Tq2V. Mais precisamente, V estaria do lado oposto `a normaln(q2), contrariando o fato de q1 ∈V.
Logo, f(Su) ´e um gr´afico sobre intD e a afirma¸c˜ao fica provada.
Portanto, π◦f :Su →intD ´e um homeomorfismo. Conclu´ımos dessa forma que Su
´e simplesmente conexo.
Provaremos agora a outra dire¸c˜ao. Assumamos que para cada u ∈ S2, S
u seja
simplesmente conexo. Suponhamos, por contradi¸c˜ao que f n˜ao ´e um mergulho convexo. Temos, ent˜ao, o resultado a seguir.
3.1 Lema. Se f n˜ao ´e um mergulho convexo, ent˜ao existe um par de vetores ortogonais
u0, v0 ∈S2, tais que
(i) hu0 ´e uma fun¸c˜ao de Morse com pelo menos 3 pontos cr´ıticos.
(ii) ∂Sv0 =Hv0 =∂S−v0 ´e uma curva regular.
Prova. do Lema 3.1. (i) Como f n˜ao ´e um mergulho convexo, de acordo com o Lema 2.5, existe um vetor unit´ario u∈S2, tal que a correspondente fun¸c˜ao alturah
u ´e uma
fun¸c˜ao de Morse com pelo menos trˆes pontos cr´ıticos. Al´em disso, pelo Lema 2.4, este u
pode ser tomado no aberto Ue = {u ∈ S2; h
u ´e fun¸c˜ao de Morse} ⊂ S2. Assim, tomando u0 ∈Ue, teremos que hu0 ´e uma fun¸c˜ao de Morse com pelo menos trˆes pontos cr´ıticos.
(ii) Seja u⊥
:= {v ∈ S2;hu, vi = 0}. Ent˜ao Ue⊥
:= ∪u∈Ueu
⊥
´e aberto. Logo,
se-gundo a Proposi¸c˜ao 2.1, existe v0 ∈ u⊥0 ⊂ Ue
⊥
, tal que Hv0 ´e uma curva regular. Como
σ−1
((−∞,0)) = S−v0 e σ
−1
((0,∞)) = Sv0, obtemos que S−v0 e Sv0 s˜ao dom´ınios em
M, uma vez que s˜ao imagens inversas de abertos por uma aplica¸c˜ao cont´ınua. Como
Prova dos Resultados Principais 21
contrariando o fato que essas sombras s˜ao simplesmente conexas. Conclui-se, ent˜ao, que Hv0 ´e conexo. Da´ı, ainda segundo a Proposi¸c˜ao 2.1, ∂Sv0 = Hv0 = S−v0 ´e uma curva regular. Isto conclui a prova do Lema 3.1.
Seja bv0 ∈S2 um vetor ortogonal a u0 e v0, e seja
v(θ) = cos(θ)v0+ sin(θ)vb0. (3.1)
Para cada θ ∈ R, consideremos a fun¸c˜ao altura σvθ : M → R na dire¸c˜ao vθ no espa¸co das fun¸c˜oes cont´ınuas em M.
3.2 Lema. A aplica¸c˜ao θ7→σv(θ) ´e cont´ınua na vari´avel θ.
Prova. do Lema 3.2. Queremos mostrar que, para todo ǫ > 0, existe δ > 0, tal que, se |θ − θ0| < δ, ent˜ao |σv(θ) − σv(θ0)| < ǫ. Estamos considerando a norma da convergˆencia uniforme no espa¸co das fun¸c˜oes cont´ınuas em M. Assim, mostraremos que
|σv(θ)(p)−σv(θ0)(p)|< ǫ, para cada p∈M. Notemos que
|σv(θ)(p)−σv(θ0)(p)| = |hn(p), v(θ)i − hn(p), v(θ0)i| = |hn(p), v(θ)−v(θ0)i|
≤ |v(θ)−v(θ0)|.
Como a aplica¸c˜ao θ 7→ v(θ) = cos(θ)v0 + sin(θ)vb0 ´e cont´ınua, existe δ > 0 tal que
|v(θ)−v(θ0)|< ǫ se|θ−θ0|< δ, e, portanto, o Lema 3.2 fica provado.
Consideremos pi,i= 1,2,3 um terno de pontos cr´ıticos distintos fixados dehu0.
3.3 Lema. Para todo θ∈R, Sv(θ) ´e um dom´ınio adjacente e regular pr´oximo a pi.
Prova. do Lema 3.3. Como pi ´e um ponto cr´ıtico de hu0, ent˜ao n(pi) = ±u0. Assim,
σv(θ)(pi) = hn(pi), v(θ)i
= hcos(θ)v0+ sin(θ)bv0,±u0i
= 0.
Logo, pi ∈Hv(θ).
Prova dos Resultados Principais 22
v(θ)∈TpiM, temos
∂Sv(θ)∩Ui = ∂S−v(θ)∩Ui
= Hv(θ)∩Ui.
Por conseguinte, pi ∈∂Sv(θ), isto ´e, Sv(θ) ´e adjacente api,i= 1,2,3. Basta mostrar
agora que ϕi :Ui →R2 ´e um homeomorfismo que aplicaUi∩Sv(θ) no semi-plano superior.
Ora, como Γ′
= ∂Sv(θ) ∩ Ui ´e uma curva regular, existem abertos Ui de pi e
homeomorfismos ϕi : Ui → R2, tal que ϕi(Ui ∩ Γ′) = R. Ent˜ao, tomando Ui conexo,
podemos assumir que ϕi(Ui∩Sv(θ)) est´a contido no semiplano superior. Assim, conclu´ımos
a prova do Lema 3.3.
ComoSv(θ) ´e um dom´ınio adjacente, regular pr´oximo api e tamb´em ´e simplesmente
conexo, temos, pela Proposi¸c˜ao 2.7, que cada Sv(θ) induz uma permuta¸c˜ao de {p1, p2, p3}
que denotamos por αθ = α(Sv(θ)). Al´em disso, como ∂Sv0 = ∂S−v0 ´e uma curva regular, conclu´ımos por meio da mesma proposi¸c˜ao que
α0 =αv0 6=α−v0 =απ. (3.2) Denotemos por Sym o grupo sim´etrico. Uma conseq¨uˆencia imediata do lema a seguir
´e que a aplica¸c˜ao
R∋θ 7→αθ ∈Sym({p1, p2, p3})
´e localmente constante.
3.4 Lema. Para cada θ0 ∈R, existe um ǫ > 0, tal que, se |θ−θ0|< ǫ, ent˜ao Sv(θ) e Sv(θ0)
tˆem um triˆangulo em comum(com v´ertices em {p1, p2, p3}).
Prova. do Lema 3.4. Recordemos que, comohu0 ´e uma fun¸c˜ao de Morse, de acordo com o Lema 2.4, tem-se K(pi) 6= 0. Logo, n ´e um difeomorfismo local em pi. Al´em disso,
pela Proposi¸c˜ao 2.3, em uma vizinhan¸ca W de {p1, p2, p3}, temos
∂Sv(θ) = Hv(θ)
= n−1
(C)
= n−1
(v⊥
(θ)), (3.3)
onde v⊥
(θ) denota o c´ırculo m´aximo em S2 ortogonal a v(θ). Por(3.1) temos que v⊥
(θ) depende continuamente de θ. A partir da´ı e de(3.3), verificamos que, emW,∂Sv(θ) tamb´em
Prova dos Resultados Principais 23
Seja T um triˆangulo de Sv(θ0) com v´ertices em {p1, p2, p3}. Pela Proposi¸c˜ao 2.3, numa vizinhan¸ca de {p1, p2, p3} temos que ∂Sv(θ0) ´e uma curva regular C
∞
. Logo, se
ne-cess´ario, podemos substituir nessas vizinhan¸cas os arcos de T por curvas regulares C∞
que
interceptam ∂Sv(θ0) transversalmente. Agora, considerando a intersec¸c˜ao de cada arco de
T com o complementar de W, obtemos trˆes curvas compactas disjuntas no aberto ∂Sv(θ0). Usando argumentos usuais de compacidade, podemos, se necess´ario, substituir essas trˆes
cur-vas por curcur-vas regularesC∞
. Desse modo, podemos assumir que os arcos deT s˜ao regulares
C∞
e interceptam ∂Sv(θ0) transversalmente.
Assim, pela continuidade de ∂Sv(θ) em rela¸c˜ao a θ, segue-se que, se |θ −θ0| < ǫ1
para algum ǫ1 suficientemente pequeno, ent˜ao T tamb´em encontra ∂Sv(θ) transversalmente.
Logo, para alguma vizinhan¸ca W de{p1, p2, p3}, tem-se que (T − {p1, p2, p3})∩W ⊂Sv(θ).
Resta-nos mostrar que T −W ⊂Sv(θ).
Pelo Lema 3.2, dado ǫ3 > 0, existe ǫ2 > 0, tal que, se |θ − θ0| < ǫ2, ent˜ao
|σv(θ) −σv(θ0)| < ǫ3. Al´em disso, como σv(θ0) > 0 no compacto T −W ⊂ Sv(θ0), temos pelo Lema 2.2 que σv(θ)(p) >0, para todo p ∈ T −W. Logo, T −W ⊂ Sv(θ), para todo θ,
tal que |θ−θ0| < ǫ2. Assim, tomando ǫ = min{ǫ1, ǫ2}, temos que T − {p1, p2, p3} ⊂ Sv(θ),
para cada θ tal que |θ−θ0|< ǫ. Portanto, para cada θ0 ∈R com |θ−θ0|< ǫ, Sv(θ) e Sv(θ0) tˆem um triˆangulo comum e, assim, provamos o Lema 3.4.
Ora, como Sv(θ) e Sv(θ0) tˆem um triˆangulo em comum, ent˜ao, de acordo com a Proposi¸c˜ao 2.7, temos que, αθ = αθ0. Portanto, a aplica¸c˜ao θ 7→ αθ ´e localmente constante e, como [0, π] ´e conexo, temos pelo Lema 1.8 queθ7→αθ ´e constante. Dessa forma,α0 =απ,
contrariando(3.2). Portanto,f ´e um mergulho convexo, o que finaliza a prova do Teorema A.
Teorema B. Existe um mergulho C∞
do toro f :S1×S1 →
R3, tal que para cada
u ∈S2, S
u ´e conexo.
Prova. do Teorema B. Dizemos que uma imers˜ao γ :S1 ≃R/2π→ R3 ´e um skew loop se n˜ao existem pares de retas tangentes paralelas distintas, isto ´e,
γ′
(t)×γ′
(s)6= 0,∀ t, s∈[0,2π), t 6=s.
Prova dos Resultados Principais 24
aplica¸c˜ao γ(t) = (x(t), y(t), z(t)), onde
x(t) = −cos(t)− 1
20cos(4t) + 1
10cos(2t)
y(t) = sin(t) + 1
10sin(2t) + 1
20sin(4t)
z(t) = −46
75sin(3t)− 2
15cos(3t) sin(3t).
O c´alculo da indicatriz tangente T(t) =: γ
′
(t)
||γ′(t)|| mostra que T(t) 6= ±T(s), para
cada t, s∈[0,2π),t 6=s, j´a que
x′
(t) = sin(t) + 1
5sin(4t)− 1
5sin(2t)
y′
(t) = cos(t) + 1
5cos(2t) + 1
5cos(4t)
z′
(t) = −46
25cos(3t) + 2 5(sin
2(3t)−cos2(3t))
, t ∈[0,2π).
Assim, temos que γ′
(t) =γ′
(s), somente se t=s.
Figura 3.3:
Seja γ :S1 →R3 uma imers˜ao. Para cada p∈S1, temos a decomposi¸c˜ao
TpS1⊕(TpS1)
⊥
=TpR3,
com dim(TpS1) = 1 e dim(TpS1)⊥= 2. Portanto, γ′(p) depende continuamente dep. Logo, o
plano normal (TpS1)⊥ tamb´em varia continuamente em rela¸c˜ao ap. Podemos, ent˜ao, tomar
uma base ortonormal {v(p), w(p)}de (TpS1)⊥, variando continuamente em rela¸c˜ao a p. Seja
agora
(US1)⊥
={(p, ν);p∈S1, ν ∈(TpS1)
⊥
,|ν|= 1}
o fibrado normal unit´ario de γ (ver Figura 3.4).
Fixando p0 ∈S1, a aplica¸c˜ao
S1×S1 → (US1)⊥
Prova dos Resultados Principais 25
Figura 3.4:
´e um homeomorfismo entre o toro S1×S1 e o fibrado normal unit´ario (US1)⊥
. Assim, a
seguinte proposi¸c˜ao prova o Teorema B.
3.5 Proposi¸c˜ao. Sejam γ : S1 →R3 um it skew loop e M o fibrado normal unit´ario de γ. Para ǫ >0, defina
fǫ :M →R3
por
fǫ(p, ν) =γ(p) +ǫν.
Ent˜ao, para ǫ suficientemente pequeno, fǫ ´e uma imers˜ao C∞ e, para cada u ∈ S2, Su ´e
conexo. Se γ ´e um mergulho, ent˜ao fǫ ´e um mergulho tamb´em.
Prova. da Proposi¸c˜ao 3.5. Pelo Teorema da Vizinhan¸ca Tubular, existe ǫ > 0 tal que fǫ ´e uma imers˜ao C
∞
e ´e um mergulho quando γ ´e mergulhado. Seja n : M → S2 a
proje¸c˜ao na segunda coordenada, isto ´e, n(p, ν) =ν.
Afirmamos que n ´e a aplica¸c˜ao de Gauss de fǫ. De fato, dados (p, ν) ∈ M, seja X(t, θ) a aplica¸c˜ao de fǫ num sistema de coordenadas (t, θ)∈U ⊂R2 definida por
X(t, θ) =γ(t) +ǫ(cosθe1(t) + sinθe2(t)),
onde, para cada t,{e1(t), e2(t)}´e uma base ortonormal de (γ′(t))⊥. Ent˜ao,
Xt=γ′(t) +ǫcosθe1′(t) +ǫsinθe′2(t) Xθ =ǫ(−sinθe1(t) + cosθe2(t)),
Prova dos Resultados Principais 26
Seja π :M → S1 a proje¸c˜ao na primeira coordenada do fibradoM ≃S1×S1, isto
´e, π(p, ν) = p. Para cada p ∈ S1, seja F
p := π−1(p) a fibra relativa a p. De acordo com a
afirma¸c˜ao acima, n mergulha Fp num grande c´ırculo de S2 contido no plano perpendicular
a γ′
(p). Recordemos que um ponto de M pertence `a sombra Su se, e somente se, o vetor
normal nesse ponto pertence ao hemisf´erio abertoS2
u. Assim, para cadap∈M, a intersec¸c˜ao
da fibra Fp com a sombra Su ´e um semi-c´ırculo aberto ou o conjunto vazio. E temos ent˜ao
duas possibilidades:
i) Cada Fp intercepta a sombra Su em um semi-c´ırculo. Portanto, Su ´e homeomorfo
a um anel (ver Figura 3.5).
Figura 3.5:
ii) Existe p ∈ M tal que Fp ´e disjunta da sombra Su, isto ocorre se, e somente se,
a fibra Fp est´a contida no plano ortogonal a u, ou seja, os vetores u e γ′(p) s˜ao paralelos.
Como γ ´e umskew loop, este caso s´o poder´a ocorrer uma vez. Conclu´ımos ent˜ao que, neste caso, Su ´e homeomorfo a um disco.
Em qualquer dos casos, temos que Su ´e conexo para cada u ∈ S2. Desse modo,
conclu´ımos a prova da Proposi¸c˜ao 3.5 e do Teorema B.
Teorema C. SeM ´e topologicamente uma esfera, e para cadau∈S2, S
u ´e conexo,
ent˜ao f ´e um mergulho convexo.
Prova. do Teorema C. Assim como no Teorema A, a prova do Teorema C ´e feita
por contradi¸c˜ao. Suponhamos que M seja homeomorfo a S2, que S
Prova dos Resultados Principais 27
Sejam u0 e v0 os vetores do Lema 3.1, ev(θ) definido por(3.1). A sombra ampliada
e
Sv(θ)´e a uni˜ao deSv(θ)com todas as componentes conexasXλ deHv(θ)tais que existe alguma
vizinhan¸ca aberta Vλ deXλ com Vλ−Xλ ⊂Sv(θ) E claro que´ Sev(θ) ⊂Sv(θ)∪
[
λ Vλ
!
. Por
outro lado, como Vλ = Xλ ∪(Vλ −Xλ) ⊂ Xλ ∪Sv(θ), tem-se que Sv(θ) ∪
[
λ Vλ
!
⊂ Sev(θ).
Logo,
e
Sv(θ) =Sv(θ)∪
[
λ Xλ
!
=Sv(θ)∪
[
λ Vλ
!
,
obtemos da´ı que Sev(θ) ´e aberto conexo, uma vez que os conjuntos Vλ s˜ao abertos, conexos
e interceptam Sv(θ). Ent˜ao, Sev(θ) satisfaz as condi¸c˜oes do Lema 1.9. Al´em disso, temos o
H1 H2
u
e
Sv(θ)=Sv(θ)SH1
Figura 3.6:
seguinte resultado, an´alogo ao Lema 3.3.
3.6 Lema. Para todo θ∈R,Sev(θ) ´e um dom´ınio adjacente e regular pr´oximo a pi.
Prova. do Lema 3.6. Como pi ´e ponto cr´ıtico dehu0, vimos na Proposi¸c˜ao 2.3 que
∂Sv(θ) = Hv(θ) = ∂S−v(θ) em determinadas vizinhan¸cas abertas Ui de pi. Logo, temos que ∂Sev(θ) e∂Sv(θ)coincidem nessas vizinhan¸cas. Portanto,pi ∈∂Sev(θ) e como Γ′ :=∂Sev(θ)∩Ui = ∂Sv(θ)∩Ui ´e uma curva regular, existe um homeomorfismoϕi :Ui →R2 que aplicaSev(θ)∩Ui
no semi-plano superior. Dessa maneira, conclu´ımos a prova do Lema 3.6.
Segundo a Proposi¸c˜ao 2.7, temos que cada θ induz uma permuta¸c˜ao αeθ = α(Sev(θ)) de {p1, p2, p3}. Como pelo Lema 3.1, ∂Sv(0) = ∂S−v(0) ´e uma curva regular, segue-se que
∂Sev(0) =∂Se−v(0) tamb´em ´e uma curva regular. Da´ı, novamente pela Proposi¸c˜ao 2.7, temos
que
e
Prova dos Resultados Principais 28
O lema a seguir an´alogo ao Lema 3.4, mostra que a aplica¸c˜aoθ7→αe(θ) ´e localmente constante.
3.7 Lema. Para cada θ ∈R, existe um ǫ >0, tal que, se |θ−θ0| < ǫ, ent˜ao Sev(θ) e Sev(θ0)
tˆem um triˆangulo em comum (com v´ertices em {p1, p2, p3}).
Prova do Lema 3.7. A prova ´e uma conseq¨uˆencia imediata do Lema 3.4, no qual mostramos
que Sv(θ) e Sv(θ0) tˆem um triˆangulo em comum. Ora, como pelo Proposi¸c˜ao 2.3Sv(θ) =Sev(θ) em vizinhan¸cas abertas de pi, e Sv(θ) ⊂ Sev(θ), temos que Sev(θ) e Sev(θ0) tamb´em tˆem um triˆangulo em comum. Assim, conclu´ımos a prova do Lema 3.7.
Uma vez que Sev(θ) e Sev(θ0) tˆem um triˆangulo comum, pela Proposi¸c˜ao 2.7, temos que αeθ = αeθ0. Como [0, π] ´e conexo, pelo Lema 1.13 temos que αe0 = αeπ, o que contra-ria (3.4). Logo, f ´e um mergulho convexo e, assim, finalizamos a prova do Teorema C.
Referˆ
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