Teoria dos
Números
Números Primos
1
Números Primos
a, b ∈ ℤ, dizemos que a e b são primos entre si se 1 = (a, b).
Um númerop ∈ ℤ − *−1,1+ é primo se os únicos divisores de p são ±1 e ± p
n IN é primo se, sempre que escrevemos n = ab, com a,b IN, temos necessariamente ou a = 1 e b = n ou a = n e b = 1 (exemplifique!)
Se um número não é primo é chamado composto
n IN é composto se existem a,b IN, com 1 < a < n e 1 < b < n, tais que n = ab. (exemplifique!)
1 não é primo nem composto
Exemplo
Obtenha todos os primos naturais p que
sejam iguais a um quadrado perfeito menos 1
Teorema e Corolário
Seja
p
um número primo e
a, b ∈ ℤ
. Se
p|ab
, então
p|a
ou
p|b
.
Seja
p
um número primo,
a
1, a
2, . . , a
n∈ ℤ
. Se
p|a
1∙ ⋯ ∙ a
nentão
p|a
ipara algum i.
Demosntrações
D]
(Teorema)
Suponha que
p ∤ a
(não
divide), Então
p, a = 1
(é o único que
divide). Logo
1 = ax + py ⇒ b = abx + pyb
,
como p|ab (hip.) e p|p, temos que:
p|abx e p|pyb (Prop. 1.(v))⇒ p|b
D]
(Corolário)
Suponha que
𝑝 ∤ 𝑎
1. Então
pelo teorema
p|𝑎
2∙ ⋯ ∙ 𝑎
𝑛.
Usando a
hipótese de indução (Sup.
p ∤ 𝑎
2…
o
resultado é válido) temos que
p|𝑎
𝑖para
algum
𝑖.
Proposição 2
Sejam a, b e c ∈ ℤ
i. a e b são primos entre si ( a, b = 1) se, e
somente se, existem x, y tal que 1 = ax + by
ii. c|ab e a, c = 1, então c|b
3|5.9 e (3,5) = 1 3|9
iii. a. b ≠ 0 e d = a, b , então 1 = (a
d, b d)
(4,6) = 2 (2,3) = 1
iv. c ≥ 0 e d = (a, b), então cd = (ca, cb) v. a, b = 1 e a, c = 1 então, a, bc = 1
(3,5) = 1 e (3,2) = 1 (3,10) = 1
Demonstração
Teorema Fundamental da
Aritmética
Seja
n
um número inteiro,
n ∉ −1,0,1 .
Então
n
pode ser escrito de maneira única (a
menos
da
ordem)
na
forma
n = ±p
1. p
2. … . p
kcom os
p
i′s
números
primos positivos.
D]
–
Existência
D] Podemos supor
n ≥ 2
Vamos fazer por indução sobre
n
. Se
n = 2
o resultado
é válido.
Suponha
n > 2
é o resultado válido para todo número
menor que
n
(2ª forma). Sen
for primo não temos nada a
fazer, se não
n = a. b
com
a e b
menores que
n
. Pela
hipótese de indução existem números primos positivos
tal que
a = p
1. … . p
re
b = p
r+q. … . p
k
Logo
n = a. b = p
1. … . p
r. p
r+1. … . p
k(c.q.d.)D]
–
Unicidade
(PBO)
Seja S ℤ um conjunto não vazio e limitado inferiormente. Então S possui um menor elemento.
Seja S = *𝑛 ∈ℕ
𝑛≥ 2 e n tem duas decomposições em fatores primos}
Suponha, por absurdo que S. Logo, pelo PBO, S tem um
menor elemento m. Assim:
m = p1. … . pr= q1. … . qs
podemos supor, reordenando, que p1≤ p2≤ ⋯ ≤ pr e q1≤ q2≤ ⋯ ≤ qs
D]
–
Unicidade
Notemos que p1 ≠ q1 . Caso contrário teríamos duas decomposições diferentes para um número natural menor do que m (o número pm
1), contrariando o fato de m ser o menor elemento de S. assim podemos supor que p1< q1
Definimos então m′= m − (p1. q2. q3. … . qs)
Substituindo m temos:
m′= p1. … . pr− p1. q2. … . qs= p1. (p2. … . pr− q2. … . qs) m′= q1. … . qs− p1. q2. … . qs= (q1− p1). (q2. … . qs)
D]
–
Unicidade
Por definição, temos m‟ < m. Se fosse p2. … . pr− q2. … . qs= 0,
concluiríamos que p1= q1, uma contradição; caso contrário
m‟ > 2, pois p1|m′. Assim, m‟ tem decomposição única como produto de fatores primos.
Como p1< q2≤ ⋯ ≤ qs , necessariamente o fator primo p1 deve estar presente na decomposição de (q1− p1). Mas isto quer dizer que q1− p1= 𝑐p1 , para algum inteiro c e, portanto:
q1= (𝑐 + 1)p1, contrariando o fato de q1 ser primo.
Temos assim um absurdo, o que prova que S = . (c.q.d.)
Corolário e Teorema
Todo número 𝑚 ∈ ℤ − *−1,0,1+ possui pelo menos um fator primo.
O número de primos é infinito
Proposição(Euclides)
∀𝑛, existem n números consecutivos que não são primos – (existem „saltos‟ arbitrariamente grandes na sequência de primos)
𝑛𝑖= 𝑛 + 1 ! + 𝑖, 𝑖 = 2, … , 𝑛 + 1
𝑛2= 𝑛 + 1 ! + 2, 𝑛3= 𝑛 + 1 ! + 3,𝑛4= 𝑛 + 1 ! + 4
𝑛𝑛+1 = 𝑛 + 1 ! + 𝑛 + 1 Temos que
2|(n+1)!+2 3|(n+1)!+3 ... (n+1)|(n+1)!+(n+1)
A sequência 𝑛𝑖 é composta por n números compostos e consecutivos
Exemplificar!
Pierre de Fermat
Fermat investigou sobretudo, números
perfeitos
e
amigáveis,
números
figurados, quadrados mágicos, triplos
pitagóricos, e acima de tudo, os
números primos. Desenvolveu vários
teoremas nesta área, entre os quais o
'Último Teorema de Fermat', que não foi
o único, nem se calhar o mais relevante
da teoria dos números (Boyer, 1996).
Pierre de Fermat
Um dos mais importantes teoremas foi o
que é hoje conhecido como o
'Pequeno Teorema de Fermat', um
pequeno teorema, que no entanto, é
uma obra-prima de criatividade e um
resultado com implicações espantosas.
Tornou-se
conhecido
no
meio
académico em 1640, por ter sido
enviado
por
carta
para
outro
matemático.
Número de Fermat
F
n= 2
2n+ 1
F0= 3 F3= 257 F1= 5 F4= 65.357
F2= 17 F5= 4.294.967.297 é divisivel por 641
Euler mostrou, em 1732, que para o caso n=5, temos um número composto. Embora hoje já se saiba que para n entre 5 e 16 a proposição não se verifica, ou seja, todos os números formados desta maneira são compostos, ainda não se tem ideia se existem mais 'números de Fermat', para além dos cinco encontrados (Boyer, 1996).
Proposição
Os divisores de um número natural
mse dispõem em pares (d, d′) tal que d. d′= m e d ≤ m
d|m ⇒ ∃d′ tal que d. d′= m, (d, d′). Podemos supor d ≤ d′
d2= d. d ≤ d. d′= m ⇒ d ≤ m
m = 12
1,12 2,6 3,4
m = 9
1,9 3,3
Proposição
Seja
m
um número natural não
quadrado. Então
𝑚
é irracional
Crivo de Eratóstenes
“Escrevem
-se, em ordem natural, todos os
números naturais entre 2 e n. Em seguida,
eliminam-se todos os inteiros compostos que são
múltiplos dos primos p tais que p
n
, isto é:
primeiro elimine todos os múltiplos 2k de 2, com k
2; a seguir todos os múltiplos 3k de 3, com k
2;
depois 5k de 5, com k 2; e assim sucessivamente,
para todo primo p
n
. Os números que sobrarem
na lista são todos os primos entre 2 e n.
”
Exemplo
2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 52 53 54 55 56 57 58 59 60 61 62 63 64 65 66 67 68 69 70 71 72 73 74 75 76 77 78 79 80 81 82 83 84 85 86 87 88 89 90 91 92 93 94 95 96 97 98 99
• 100 = 10
•
2,3,5,7
• Primos antes da raiz de 100
Múltiplos de 2 Múltiplos de 3 Múltiplos de 5 Múltiplos de 7
Exercício
Sejam a e b números naturais com suas
fatorações primas dadas por:
a = p
1r1p
2r2. … . p
krkp
i≠ p
k
b = p
1s1p
2s2. … . p
skkr
i≥ 0, s
j≥ 0 r
i+s
i> 0
Mostre que se
d = (a, b)
, então
d = p
1t1p
2t2. … . p
ktkonde
t
i= min *r
i, s
i+
MDC de mais de 2 elementos
Suponha que tenha
a
1, … , a
n∈ ℤ
,
d
é um MDC para
a
1, … , a
nse:
i.
d|a
1,
d|a
2, … , d|a
nii.
Se
d
′|a
1, d
′|a
2, … , d
′|a
nentão
d′|d
.
Existe o MDC
d
de
a
1, … , a
ne
d = x
1a
1+ ⋯ + x
na
n
1 = a
1, a
2, a
3⇏ a
1, a
2= 1
(6,10,15) = 1 e (6,10) = 2, (6,15) = 3 e (10,15) = 5
Mínimo Múltiplo Comum
Sejam
a
e
b ∈ ℤ
,
m ∈ ℤ
é um
para
(ou de)
a
e
b
se:
i. a|m e b|m
ii. Se a|m′ e b|m′, então m|m′
Seja
a, b ∈ ℤ − *0+
. Então existe um
(único) mínimo múltiplo comum de
a
e
b
Existência e Unicidade (demonstração como
exercício) do MMC
Demonstração (existência)
Podemos supor a e b positivos
Seja S = {múltiplos comuns positivos de a e b}. S ≠ ∅ pois ab ∈ S.
Seja m o menor elemento de S.
a|m e b|m(pois m é múltiplo de a e b)
Suponha que a|m′ e b|m′. Existem q e r ∈ ℤ tais que
m′= qm + r , com 0 ≤ r < m
a|m
′ e a|m ⇒ a|r
b|m′ e b|m ⇒ b|r
Se r ≠ 0 então r ∈ S. Mas r < m e m é o menor elemento de S. Temos então uma contradição. Logo r = 0 e m|m′. (c.q.d.)
Teorema
d = a, b ⇒ MDC m = ,a, b- ⇒ MMC
Sejam
a
e
b
inteiros positivos. Então
a, b . a, b = a. b
Seja d = (a, b) e m =a.b
d ∈ ℤ, vamos mostrar que m é o MMC para a e b
Demonstração - Continuação
MMC de mais de 2 elementos
Sejam a1, … , an∈ ℤ − *o+, m é um MMC para
a1, … , an se:
i. a1|m, a2|m, … , an|m
ii. Se a1|m′, a2|m′, … , an|m′, então m|m′
Ex:
a = p1r1. … . pkrk , b = p1s1. … . pksk pi≠ pj, ri≥ 0, sj≥ 0, ri+ sj≥ 0
(a, b) = p1t1. … . pktk onde ti= min *risi+
a, b = p1m1. … . pkmk onde mi= max *ri,si+– demonstrar!
Referências
FERNANDES, Ângela Maria Vidigal; [et al]
Fundamentos de Álgebra. Belo Horizonte.
Editora UFMG, 2009