• Nenhum resultado encontrado

eBooksBrasil eBooksBrasil.com

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2021

Share "eBooksBrasil eBooksBrasil.com"

Copied!
6
0
0

Texto

(1)

eBooksBrasil

eBooksBrasil.com

(2)

Coração Palhaço!

Jacinto Luigi de Morais Nogueira Edição

eBooksBrasil Versão para eBook

eBooksBrasil.com Fonte Digital Documento do Autor

Copyright:

2001 Jacinto Luigi de Morais Nogueira

(3)

Coração Palhaço!

Seu olhar era diferente. Não sei porquê, mas poucos olhares são diferentes como o dela. Era um olhar que lembrava tempo.

Muito tempo. Fiquei inquieto, curioso como sempre fico diante da possibilidade de uma descoberta.

A gota dágua foi o seu sorriso infinito. Aproximei-me.

— Senti uma atração, a qual não pude controlar, pela se- nhora. Podemos conversar?

— O que viu em mim?

— Simplesmente a vi. A percebi, consegue entender? Não só a olhei, eu a vi. Olha-se muito, vê-se pouco nesta vida. Não sei explicar, mas vi o universo em você.

— Filho, não imagina como o compreendo. Perdoe-me, no entanto. Não posso conversar. Você não saberia escutar.

— Tente!!!

Meu desejo era realmente conversar sobre ela, sobre sua vida, dissecar sua existência. Já estava cheio de conversas super- ficiais.

Perguntei-lhe qual o momento mais feliz de sua vida. Ela me presenteou mais uma vez com seu sorriso e sem hipocrisia disse:

Por toda a minha vida fui desejada e adorada; no início, desejada pela minha beleza. Tive vários homens aos meus pés.

Sentia-me orgulhosa, poderosa, sentia-me o centro das atenções, sentia-me feliz. Fui feliz.

Depois fui desejada pelo que tinha. Sentia-me a melhor, controladora de tudo e de todos, sentia-me feliz. Fui feliz.

Por fim, desejaram-me e adoraram-me pelas experiências, pelo que já havia vivido. Sentia-me sábia, sentia-me dona da verdade, orgulhosa, sentia-me feliz. Fui feliz.

O silêncio agora clamava veemente por uma resposta.

E, com a mesma tranqüilidade, fitou-me. E era olhar de

(4)

tempo sim. E após alguns segundos, olhou o horizonte, e como por um chamado olhou o céu estrelado. E em momento algum esquecerei aquele semblante.

Ainda, em meio de uma confusão de encantamento e certe- zas, seu ser gritava. Sei lá como eu percebi isso. Percebi!!!

Bastou-lhe dizer, olhando fixamente os seus olhos, que es- tava maravilhado com o que expunha e que escutá-la-ia o quanto ela precisasse para que aquele vulcão dentro do seu coração en- trasse em erupção.

E ela sussurrou:

— Como vê, fui feliz em todos os momentos da minha vida. Houve três maneiras com que me perceberam: através de minha aparência, pelo que tive e por quem fui. Ao ser desejada pela minha aparência sentia-me um objeto, usaram-me, vivi su- perficialmente, e, como disse, fui feliz. Ao ser desejada pelo que tinha, escondi-me por trás dos objetos, por trás de ouro e de di- nheiro. Não apareci. Ao ser desejada pelo que havia sido, conti- nuei mostrando algo que não era, escondi-me em um passado.

— Você é feliz hoje?

— Sim.

— Da mesma maneira que foi?

— Não, sinto com clareza que fui feliz de maneiras dife- rentes.

— Perdão, não consigo compreender.

— Hoje sou feliz pelo que realmente sou, sou feliz por ter descoberto que a felicidade pode ser controlada por outras pes- soas. E por nós também. Por muito tempo disseram como eu deveria ser feliz, e não sei por que aceitei. Hoje descobri meu coração, descobri meus próprios olhos, sei que caminho seguir e sou mulher suficiente para assumir as conseqüências deste cami- nho. Sei que muito tempo se passou para eu sentir o prazer de me conhecer, de fazer o que realmente meu ser desejava. Mas tenho o agora, é uma dádiva. E não vou, de modo algum, perder a opor- tunidade de conhecer o âmago de uma pessoa, embora ela pense que sou louca por tentar não ser como a sociedade manda: super- ficial. Imagine outras maneiras de ser feliz sem violentar seus princípios reais. Amor pelas pessoas, honestidade, sinceridade,

(5)

humanidade...

— Posso saber como se tornou um ser humano pleno?

— Apenas percebi que o tempo não espera, não tem pieda- de, e parei para saber, por exemplo, por que eu gastava milhares de dólares com roupas e não sentia nada ao ver uma pessoa so- frendo fome. De repente tentei encontrar uma explicação para a minha admiração por pessoas que nem conheço. De repente não entendi por que ingeria álcool. Revelou-se-me que alguém me obrigou a gostar, alguém me convenceu a admirar, alguém me controlou tão bem que nem percebi. Tentei descobrir quem EU REALMENTE ERA. Descobri.

— Por que a maioria ainda é cega?

— Também procuro respostas para muitas de minhas per- guntas. Esta é uma delas.

— Muitos irão morrer sem descobrir quem são?

— Outra. Sorriu.

— Quem são as pessoas que fizeram com que seu corpo e sua mente fossem vítimas de receitas de felicidade?

— Essa é fácil. Você sabe a resposta. Pense nisso. Pense na sua vida desde o seu nascimento.

— Por que é feliz?

— Porque estou tentando ser o que nasci e destruíram: um Ser Humano, com todos as suas emoções!!!

Jacinto Luigi de Morais Nogueira [email protected]

2001 Jacinto Luigi de Morais Nogueira Versão para eBook

eBooksBrasil.com __________________

Maio 2001

(6)

Referências

Documentos relacionados

De fato, a aplicação das propriedades da regra variável aos estudos lingüísticos além da fonologia não constitui assunto tranqüilo, seja porque a variável passa a ser

1) Assinale com um X as alternativas que registram erroneamente a expressão “Não ter nada a ver com”. a) As palavras “concerto” e “conserto” nada têm haver

Isso, se “no meio do caminho”, o Governo não mudar a regra do jogo e subir a expectativa da vida, para um número maior, elevando de cara a idade mínima para 70 e 72 anos

Ao mesmo tempo lembrava-se da sua velha, da Eulália, que andava adoentada, com umas pontadas no coração, muito fraca e cuja natureza talvez não resis- tisse às fadigas duma

E quando, pela madrugada, vinha-lhe o sono, era impossível dormir, porque vi- nham-lhe também o que ele chamava as coceiras, um horroroso prurido na pele, no corpo todo, como se

Além de que, sempre gostara muito de crianças: muita vez pedira a quem as tinha que lhas mandasse a fazer-lhe companhia, e, enquanto as pilhava em casa, não con- sentia que mais

Mas me deixa livre para escolher o caminho certo ou errado, para amar ou odi- ar, para humilhar ou engrandecer, para me sentir melhor que os outros ou me sentir igual, para eu

Para terrível espanto de Ivan, Dora e Josué são deixados, já em Bom Jesus sei lá de onde, em frente a uma casinha em cuja parede está pichado: DEUS VEM PREPARA-TE.. Caralho!,