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MESTRADO EM TECNOLOGIAS DA INTELIGÊNCIA E DESIGN DIGITAL

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PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO

PUC-SP

Marissol Mello Alves

Família Plugada:

Tecnologia, Pais & Filhos

MESTRADO EM TECNOLOGIAS DA INTELIGÊNCIA E DESIGN DIGITAL

(2)

PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO

PUC-SP

Marissol Mello Alves

Família Plugada:

Tecnologia, Pais & Filhos

MESTRADO EM TECNOLOGIAS DA INTELIGÊNCIA E DESIGN DIGITAL

Dissertação apresentada à Banca Examinadora da

Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, como exigência parcial para obtenção do título de MESTRE em

Tecnologias da Inteligência e Design Digital, sob a orientação do Prof. Dr. Alexandre Campos Silva.

(3)

FOLHA DE APROVAÇÃO

Orientador:

Prof. Dr. Alexandre Campos Silva

Examinadores:

(4)

AGRADECIMENTOS

Agradeço primeiramente a Deus, pela oportunidade de ser mãe e experimentar todas as dúvidas e alegrias que este exercício oferece. É como mãe que busco respostas para as questões abordadas nesta dissertação.

Agradeço a todas as mães e amigas das comunidades online sobre maternidade e trabalho das quais faço parte, onde a solidariedade é uma constante e a troca de conhecimentos, reconfortante.

Agradeço a minha família que apoia sempre minhas iniciativas garantindo-me, assim, a base necessária para atingir novas metas – e por todas as semanas em que saíram de casa ou do trabalho, enfrentando o trânsito da cidade sem reclamar, para ficar com minha filha enquanto eu me dedicava às aulas na PUC.

Agradeço ao meu orientador Prof. Dr. Alexandre Campos Silva, pela flexibilidade de horários, pela disponibilidade em múltiplos canais e por sua objetividade constante ao me orientar ao longo da condução desta pesquisa.

Agradeço também a minha organização na Microsoft, por ter-me apoiado e cedido minhas horas de trabalho para a realização das aulas e dos estudos necessários à elaboração desta pesquisa ao longo de 18 meses.

(5)

RESUMO

ALVES, M. M. Família plugada: tecnologia, pais & filhos. 2011.163f. Dissertação (Mestrado) –Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2011.

Pessoas entre 30 e 50 anos que têm filhos pequenos e adolescentes os vêem imersos numa rotina bastante diferente daquela que eles mesmos experimentaram quando crianças e adolescentes. A entrada da tecnologia nos lares vem propiciando a vivência de atividades que não existiam no passado, como os jogos online, a comunicação instantânea, as interações remotas e a convivência nas redes sociais. Ansiedades em comum para os pais, experiências em comum para os filhos – de que forma essa tecnologia é vista dentro das nossas residências? Ela é uma ameaça ou uma oportunidade? Esta dissertação analisa a relação de pais e filhos na utilização da tecnologia, reunindo pesquisas de fontes diversas (institutos de pesquisas e grupos de mídia). Inclui ainda o resultado de um questionário online publicado exclusivamente com o intuito de capturar os dados que ainda não haviam sido identificados na perspectiva adotada pelas pesquisas disponíveis no mercado, e colaborar para a elaboração de um breve guia de sugestões e recomendações para os pais. Essas recomendações (disponíveis no capítulo oito) pretendem contribuir na orientação daqueles que buscam formas de utilizar o interesse dos filhos pela tecnologia em oportunidades de compartilhamento de experiências, de atividades em conjunto e, ao mesmo tempo, um treino seguro para a autonomia digital dos filhos em suas diversas faixas de idade.

(6)

ABSTRACT

ALVES, M. M. Plugged family: technology, parents & children. 2011. 163 p. Essay (Master) –Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2011.

Parents who are between ages 30 and 50 see their children and teenagers living very different lives, much different than their own childhood and teenage years. The introduction of technology in the homes is enabling activities that were not previously possible, such as online games, instant messengers’ communication, remote interactions or even social-virtual networks relationships. Common worries for parents, common experiences for kids – how technology is seen in the household? Is it a threat or an opportunity? This essay investigates the parent-child relationship framed by technology, using surveys from several sources (research institutes and media groups). It also includes the results from an online questionnaire, which ran exclusively to capture the data that not previously available. The ultimate intent is to deliver a summary of suggestions and recommendations to parents. These recommendations (available in the 8th chapter) form a guide for those that seek ways to turn kids’ technology interests opportunities for sharing, hopping to offer collaborative actives and a safe medium to allow parents and children drive towards to digital autonomy.

(7)

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO ... 12

CAPÍTULO 1 PROPOSTA E QUESTÕES DA PESQUISA ... 17

1.1 Objetivos ... 20

1.2 Hipóteses ... 20

1.3 Justificativa ... 21

1.3.1 A convivência familiar ... 21

CAPÍTULO 2 EVOLUÇÃO DAS MÍDIAS E GERAÇÕES ... 23

2.1 Sobre as gerações – dos Boomers aos X, Y, Z ... 25

CAPÍTULO 3 DA MÍDIA DE MASSA PARA A MÍDIA INDIVIDUAL ... 37

CAPÍTULO 4 A FAMÍLIA DIGITAL ... 46

4.1 Novas tecnologias e mídias presentes nos lares ... 46

4.2 Hábitos online e convivência familiar ... 47

4.3 Novas dinâmicas familiares ... 52

4.4 Uma fotografia recente da família urbana ... 57

4.5 Crianças e adolescentes no mundo digital ... 60

4.6 Nas redes sociais ... 63

(8)

CAPÍTULO 6

PERSPECTIVAS DA PSICOLOGIA DIANTE DO TEMA... 74

6.1 Televisão x Computador ... 75

6.2 Transformações ... 75

6.3 Videogames, violência e interação social... 79

6.4 Revendo a qualidade das relações e a hierarquia familiar ... 83

CAPÍTULO 7 A PESQUISA DE CAMPO: “FAMÍLIA PLUGADA” ... 87

7.1 Resultados tabulados ... 88

CAPÍTULO 8 SEGURANÇA E USABILIDADE ... 109

8.1 Vigilância reforçada no caso dos vídeos ... 110

8.2 O uso dos filtros de segurança e navegadores infantis ... 114

8.3 Usabilidade x novas gerações ... 118

8.4 Atividades por faixa etária ... 123

CAPÍTULO 9 CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 134

REFERÊNCIAS ... 138

(9)

ÍNDICE DE FIGURAS e GRÁFICOS Pág. Figura 1 Página do Grupo de Mães da Microsoft, com arquivos

compartilhados

14

Figura 2 Grupo de Mães ASO/2007 no Orkut 14

Figura 3 Linha de tempo de evolução das mídias (imagem de

elaboração do autor)

23

Figura 4 Gerações: Baby Boomers, X e Y 27

Figura 5 Daisen Executive Search: pesquisa revela ícones das diferentes gerações

32

Figura 6 Família Plugada: cenários comparativos da infância dos pais x filhos

35

Figura 7 Avatares (XBOX) são representações visuais de usuários em ambientes virtuais

40

Figura 8 A transformação nas mídias (imagem de elaboração do autor)

42

Figura 9 Família Plugada: Interação dos pais nos canais online dos filhos

43

Figura 10 Família Plugada: Uso de canais e ferramentas online 44

Figura 11 Família Plugada: Objetivo dos pais ao visitar redes sociais dos filhos

45

Figura 12 NetRatings: Internautas domiciliares Ativos e horas

navegadas 2000-2010

48

Figura 13 CETIC: Atividades onlinenas residências 51

Figura 14 Família Plugada: Percepção de atividades que afastam ou aproximam pais e filhos

52

Figura 15 CETIC: Atividades desenvolvidas na internet - % sobre total de crianças entre 5 e 9 anos respondentes

54

Figura 16 VIACOM 2007: Gráfico sobre atividade econômica dos pais 56

Figura 17 VIACOM: Gráfico com quem ficam as crianças durante a semana

57

Figura 18 VIACOM: Gráfico planejamento dos momentos de lazer 58

(10)

ÍNDICE DE FIGURAS e GRÁFICOS Pág. Figura 20 AVG: Tabela de comparação de habilidades em crianças

entre 2 e 5 anos

61

Figura 21 AVG: Novas tecnologias invadem a infância 63

Figura 22 ComScore: consumo de web no Brasil 65

Figura 23 ComScore: Internautas domiciliares ativos e horas

navegadas 2000-2010

66

Figura 24 Família Plugada: percepções de fatores de risco por parte dos pais

67

Figura 25 Crianças jogando Kinect Microsoft: onde o corpo substitui os controles

72

Figura 26 Família Plugada: Faixa etária dos filhos 88

Figura 27 Família Plugada: Quantidade de filhos por respondente 89

Figura 28 Família Plugada: Filhos na escola 89

Figura 29 Família Plugada: Quantidade de horas da família reunida na semana

90

Figura 30 Família Plugada: Quantidade de horas da família reunida nos finais de semana

90

Figura 31 Família Plugada: Avaliação do tempo investido com os filhos 91

Figura 32 Família Plugada: Atividades realizadas 92

Figura 33 Família Plugada: Atividades sem mediação tecnológica 92

Figura 34 Família Plugada: Atividades mediadas tecnologicamente 93

Figura 35 Família Plugada: Atividades de interesse comum 94

Figura 36 Família Plugada: O que os filhos preferem 94

Figura 37 Família Plugada:Percepção da tecnologia na relação com os filhos

95

Figura 38 Família Plugada: Atividades que mais aproximam pais e filhos

96

Figura 39 Família Plugada: Atividades que mais afastam pais e filhos 97

Figura 40 Família Plugada: Uso de canais e ferramentas online 98

Figura 41 Família Plugada: Frequência de interação por meio de redes sociais

99

(11)

ÍNDICE DE FIGURAS e GRÁFICOS Pág. Figura 43 Família Plugada: Objetivos dos pais em redes sociais dos

filhos

100

Figura 44 Família Plugada:Punição e retirada de acesso à tecnologia 100 Figura 45 Família Plugada: Tipos de aparatos eletrônicos com uso

restrito

101

Figura 46 Família Plugada: Controle sobre o número de horas online ou jogando

101

Figura 47 Família Plugada: Número máximo de horas considerado adequado para atividades online ou no videogame

102

Figura 48 Família Plugada: Se os pais tivessem uma única opção 102

Figura 49 Família Plugada: Percepção diante dos fatores de risco 104

Figura 50 Família Plugada: Facilidade para encontrar atividades de interesse comum

105

Figura 51 Família Plugada: Nível de conhecimento tecnológico dos pais 105 Figura 52 Família Plugada: Melhor lugar da casa para manter o

computador

106

Figura 53 Família Plugada: Comparativo entre infância dos pais e dos filhos

106

Figura 54 YouTube: “Cai, cai balão” indexado na recomendação de

vídeos infantis

111

Figura 55 YouTube: Comentários postados no vídeo “Cai, cai balão” 112

Figura 56 YouTube: Comentários postados no vídeo “Branca de Neve” 113

Figura 57 Site: Guia para o uso responsável 115

Figura 58 Site: Guia para o uso responsável da internet: informações para os pais

115

Figura 59 Site: Kideos 125

Figura 60 KidStarter, navegador infantil 127

Figura 61 Teclado Infantil (Crayola) 128

Figura 62 Teclado adaptado para crianças 129

(12)

INTRODUÇÃO

Muito tem se discutido sobre a revolução causada pela tecnologia na sociedade e nos ambientes corporativos onde as mudanças na produtividade e forma de

trabalhar são evidentes.

No entanto, o impacto da tecnologia dentro dos lares não tem o mesmo nível de

investigação e visibilidade, ainda que obviamente ele exista.

Sendo ao mesmo tempo mãe, profissional e ávida usuária de tecnologia, muitas vezes me perguntei se estou no caminho certo ao passar parte do tempo que

tenho em casa jogando ou assistindo vídeos online com minha filha de três anos,

ou se deveríamos usar esse mesmo tempo fazendo esculturas de gesso e massinha. Também me pergunto se o interesse e curiosidade das crianças de

forma geral com relação à tecnologia – que muitas vezes as tornam avessas a propostas de atividades “off-line” – não é por fim exacerbado pelos hábitos de

todos nós, pais e mães.

Acredita-se que dúvidas desse tipo se fazem presentes na cabeça dos pais e

mães desta geração atual –uma geração que conheceu o computador e a internet

já na adolescência, e que teve então uma infância bem diferente da infância que

seus filhos têm e terão.

Inevitavelmente se está diante de uma geração pré-disposta à tecnologia – e que

já recebeu diversos nomes: Y, Z, Milleniums, Net Generation (TAPSCOTT, 2008).

O que a diferencia das demais é o fato de ser uma geração composta por jovens, crianças e adolescentes que nasceram num mundo onde a tecnologia já existia e não foi “introduzida”, pois convivem com a tecnologia em diversas atividades em

(13)

Para os pais dessa geração, várias perguntas sem resposta – desde o temor pelo

“isolamento social”, até os diversos riscos embutidos em ferramentas que muitas vezes eles mesmos não dominam. Esses receios são certamente compreensíveis,

porém não deveriam nos fazer ignorar as oportunidades únicas dentro das quais essa geração está imersa. Habituada a lidar com as tarefas de forma muito diversa das anteriores – realiza múltiplas tarefas simultaneamente: faz lição de

casa enquanto ouve música, fala com os amigos em mensagens instantâneas na

internet, assiste à TV ou ainda joga online. E não se trata apenas de uma curiosidade dessa geração, mas uma “vantagem” competitiva sobre as demais (TAPSCOTT, 2008).

A pergunta então deixa de ser “se” a tecnologia impacta as relações entre pais e filhos nos dias de hoje e passa a ser “de que forma” ela impacta. Entender como utilizar a tecnologia presente nos lares e como tudo isso pode ajudar a partilhar

melhores experiências na convivência com os filhos traria um pouco de conforto e alívio para muitas mães e pais desta geração.

Acho relevante mencionar que experiências me aproximaram deste tema. Há três

anos venho observando e participando do relacionamento com mães em duas

comunidades virtuais no Orkut1: ASO 2007 – mães de bebês nascidos entre

Agosto, Setembro e Outubro de 20072, e na empresa em que trabalho:

Comunidade de Mães da Microsoft Brasil3 (figuras 1 e 2 na pág. 3). Em ambas as comunidades as mães são usuárias assíduas da tecnologia e encontraram um

canal que possibilita sua interação com outras mães sem interromper suas outras

atividades diárias (seja durante a amamentação ou no próprio trabalho, durante o

horário de expediente).

1 Rede social de maior expressão no Brasil segundo estatísticas da ComScore sobre o Estado da Internet no Brasil em 2010.

(14)

Figura 1 – Página do grupo de Mães da Microsoft, com arquivos compartilhados

Figura 2 – Grupo de Mães ASO/2007 no Orkut4

Ambos os canais ganharam relevância por conta das diferentes fases da vida de

cada mãe (desde a gestação) e dos filhos, acompanhando as dúvidas que as

afetam nas diferentes faixas etárias.

(15)

Essas duas comunidades representam um universo bastante comum em uma

geração de pais e mães que já se encontra imersa num mundo tecnológico e que

busca por meio dos canais disponíveis toda forma de informação capaz de auxiliar

no processo de criação de seus filhos.

Para o desenvolvimento desse estudo organizou-se, entre outras pesquisas de

publicações, a coleta de questionários online respondidos por pais e mães com filhos até 18 anos com acesso à internet, no período de 15 de dezembro de 2010

a 15 de janeiro de 2011. Esse questionário, divulgado essencialmente via web no

site “Família Plugada” (www.famíliaplugada.com.br)5, recebeu 155 respostas (que

serão analisadas ao longo dos capítulos). Ficou evidente o interesse e

participação prioritariamente da mãe em redes sociais, seja como fonte de troca de experiência e aproveitamento do tempo ou como forma de manutenção dos

relacionamentos sociais. Entre os temas de interesse desse público nas

discussões online estáo desenvolvimento e educação infantil.

Sendo uma geração que teve oportunidade de vivenciar uma forma de infância bastante distinta da que vê diante dos seus filhos – não apenas pelas inovações tecnológicas, mas também pelas implicações sociais – existe uma ânsia por

orientar e utilizar corretamente as tecnologias presentes no lar de forma que seus

filhos sejam positivamente afetados por essas mudanças.

Ao decidir-se por estudar o tema dentro da perspectiva familiar – sem no entanto

pretender esmiuçar conceitos e definições para as diferentes configurações

familiares –, a proposta, assim, foi a de investigar e entender então de que forma a

família atual se relaciona e/ou se confronta com a mediação tecnológica que se

faz presente em seus lares e, posteriormente, identificar e compartilhar as

(16)

experiências positivas que essas mediações podem oferecer na convivência entre

(17)

CAPÍTULO 1

PROPOSTA E QUESTÕES DA PESQUISA

Desde suas acepções iniciais, o termo tecnologia faz-se deparar com a

multiplicidade. De acordo com o dicionário Houaiss6, tecnologia possui três possíveis significados, sendo eles:

1 Subst. fem.: teoria geral e/ou estudo sistemático sobre técnicas,

processos, métodos, meios e instrumentos de um ou mais ofícios ou domínios da atividade humana.

2 Derivação: por metonímia. Técnica ou conjunto de técnicas de um domínio particular.

3 Derivação: por extensão de sentido. Qualquer técnica moderna e complexa.

Pode-se acrescentar ainda a acepção popularmente atribuída ao termo em

substituição genérica aos aparatos que utilizam algum tipo de técnica ou instrumento moderno para exercer sua função.

Dessa forma, quando se assume que a tecnologia está presente na vida de cada

um, relaciona-se de modo amplo toda e qualquer forma de tecnologia que se

conhece. Pode-se pensar nos computadores nas mesas de trabalho ou nos

telefones móveis de última geração. Pode-se ainda pensar nos exames para

diagnóstico médico ou ainda no GPS7 utilizado em alguns automóveis. Em

resumo, a tecnologia pode ser tomada informalmente pelos recursos modernos

6 Houaiss online disponível em <http://houaiss.uol.com.br/busca.jhtm?verbete=tecnologia > de 09/06/2011.

(18)

que tornam possíveis tarefas sofisticadas, ou mesmo pelos aparatos dentro dos

quais esses recursos se fazem presentes.

Esta pesquisa, mesmo ciente da abrangência de possibilidades – seja em

recursos, aparatos e mesmo do papel que a tecnologia impõe às rotinas, refere-se

basicamente a quatro elementos tecnológicos: o computador em si, com ou sem

acesso à internet, os telefones móveis, a televisão e os videogames – em qualquer

um dos seus formatos e apresentações. E será pensando sempre em um ou mais

desses elementos em específico que, a menos que previamente mencionado, esta

dissertação estará se referindo quando mencionar “tecnologia no lar” ao longo dos

próximos capítulos.

Reforçando ainda a questão de multiplicidade, o tema desta pesquisa propõe

ainda uma inevitável interdisciplinaridade, já que aborda questões que poderiam ser analisadas através de diferentes perspectivas, entre elas a da psicologia, da

tecnologia (usabilidade), da sociologia e até mesmo da antropologia.

Por conta dessas múltiplas oportunidades de exploração, permitiu-se, ao longo

dos estudos desenvolvidos para esta pesquisa, uma aproximação eventual com temas paralelos ao mundo tecnológico e ao mundo familiar. O foco, porém, persiste na observação de uma realidade prática e efetiva – e a análise dessa

realidade com base na compreensão teórica de autores de várias áreas do saber.

Foi pensando nessa realidade prática que durante este estudo realizou-se a

pesquisa de campo (através do site “Família Plugada”, conforme mencionado na

página 15), cujo intuito de capturar de forma objetiva informações que pudessem

colaborar para o desenvolvimento de uma coletânea de propostas foi atingido

(19)

no capítulo oito, incluem-se desde atividades online a serem realizadas entre pais

e filhos, até informações relacionadas aos diferentes interesses por faixa etária –

colaborando assim para o objetivo da pesquisa descrito no item 1.2 (pág. 20).

Entre as questões abordadas no questionário online, respondidas por 155

participantes com filhos até 18 anos, vale destacar alguns tópicos:

 De que forma pais, mães e filhos de famílias brasileiros com acesso à

tecnologia em seus lares relacionam-se com a tecnologia em sua convivência

diária?

 De que maneira essa relação é percebida – de forma positiva ou negativa?

Existem atividades percebidas como influências positivas na qualidade da

relação entre pais e filhos, mediadas pela tecnologia?

 Que tipos de atividades online podem transformar-se em experiências

familiares?

Essas perguntas agrupadas refletem a proposta de investigação desta pesquisa.

Durante o trabalho de pesquisa de material bibliográfico, foram encontrados

estudos realizados por instituições de diversas áreas relacionadas à mídia, educação e tecnologia que, ainda que isoladamente não traduzissem

completamente os interesses desta pesquisa, tiveram papel fundamental para a

complementação dos dados captados na pesquisa de campo; dessa forma, foram

utilizados alguns desses dados como fonte de apoio.

Por fim, vale destacar que, embora esta dissertação tenha como centro a relação familiar (pais e filhos) e suas interações no mundo digital, este trabalho não tem em momento algum a aspiração de definir família, descrever, conceituar ou rever

(20)

de identificação das melhores oportunidades de interação entre pais e filhos

utilizando a tecnologia como interface.

1.1 Objetivos

Esta pesquisa tem como objetivo identificar e analisar atividades mediadas

tecnologicamente que possam ser compartilhadas entre pais e filhos, que

colaborem para uma percepção positiva da qualidade do tempo compartilhado

entre estes, atendendo aos apelos dos filhos e amparando as inseguranças dos pais.

1.2 Hipóteses

Quase tudo o que se conhece é frequentemente submetido a algum tipo de

transformação – e o ser humano desde sempre sofre e infringe mudanças e transformações. Como consequência então, a sociedade se transforma

continuamente e dentro dela, a família também. Esteves (1991) caracterizou a

família como uma entidade dinâmica: “a família também muda – em sua lógica, seu ritmo, seus horizontes, e conteúdos das suas práticas”.

Como “práticas” pode-se entender aqui também os seus hábitos e rotinas de

convivência familiar.

Abaixo são sugeridas algumas hipóteses a serem analisadas e validadas na

conclusão desta dissertação, que ressaltam possíveis influenciadores do impacto

(21)

a. O poder de atração da internet, minigames e videogames – quase sempre

para uso individual e solitário se sobrepõe ao poder de atração de

atividades off-line (MARIET, 1994);

b. Os espaços de lazer e convivência social nas grandes cidades estão

reduzidos – considerando como espaços de lazer um espaço vivencial, em

que o objetivo precípuo é o viver pelo viver, é ter oportunidade de ocupar o

tempo livre para exprimir as necessidades individuais, físicas, sociais, artísticas etc. (DUMAZEDIER, 1980); como agravante, a violência urbana

nos empurra e confina para atividades dentro de casa;

c. Os pais tendem a apoiar-se no interesse dos filhos em aparatos

tecnológicos como uma “babá-eletrônica” para obter tempo livre;

d. As percepções de perigos virtuais x reais são bastante claras para os pais;

e. Mídias como a televisão oferecem conteúdo com propostas de interesse

“familiar”. Existem poucas ou nulas iniciativas de projetos online com foco

semelhante – a exemplo da Nintendo8 – no ambiente web, onde os pais

ainda não têm um guia de referência.

1.3 Justificativa

1.3.1 A convivência familiar

O convívio das famílias que compõe o perfil estudado ilustra-se como resultado de

uma rotina moldada nas oportunidades e demandas da vida em grandes cidades –

que inclui o acesso à tecnologia de forma bastante difundida dentro das

(22)

residências. A rotina inclui também pais e mães que em sua grande maioria

trabalham fora de casa, crianças que passam parte do dia ou período integral nas

escolas, e ainda o trânsito que rouba horas do dia e a baixa quantidade de opções

de lazer com segurança para crianças fora de casa.

Essas famílias são compostas por gerações em que as experiências na infância

são bastante distintas, o que por consequência gera ansiedade nos “mais velhos”

com relação aos efeitos dessas “diferenças” no futuro da geração mais nova. Não

se sabe até onde pode ser positivo ou negativo. Sabe-se que é inevitável. A

pesquisa se justifica como uma chance de desmistificação do impacto da

tecnologia dentro do lar – incluindo aí a revisão de (pré) conceitos populares que

reforçam o “afastamento e diminuição da convivência familiar por conta da entrada

(23)

CAPÍTULO 2

EVOLUÇÃODAS MÍDIAS E GERAÇÕES

Se for traçada uma linha de tempo das principais mídias eletrônicas que vêm

dividindo espaço nas residências no último século, tem-se uma visão semelhante

a esta:

Figura 3: Linha de tempo de evolução das mídias (imagem de elaboração do autor).

Os meios de comunicação sempre foram agregadores de presença física no ambiente familiar, uma vez que a família se concentrava no mesmo espaço para compartilhar a audição da novela de rádio, assistir aos capítulos de um mesmo seriado na televisão ou ainda ver ou rever os filmes que estiveram nas telas de

cinema.

Até mesmo a chegada dos primeiros videogames nos anos 80 causou efeito

semelhante – o aparelho precisava da televisão para funcionar e até que a

economia proporcionasse aparelhos de baixo custo, a maioria das famílias de

classe média ainda possuía apenas um televisor e geralmente disposto em lugar

de destaque na sala de estar –o ambiente de uso comum a toda família.

Parece justo usar como referência o papel dessas mídias dentro da família para o

entendimento das transformações causadas pela entrada dos meios de

Rádio anos 20/30

Televisão anos 50/60

Video Cassete e VHS - Video Games

Anos 80/90

Pc's, Laptops Internet Anos 90

Smartphones, tablets , banda larga

(24)

comunicação mais recentes –como o telefone móvel, os computadores pessoais e

laptops com acesso à internet.

Assim sendo, torna-se relevante uma breve investigação sobre a influência das

diversas formas de mediações tecnológicas presentes nos lares dos dias de hoje.

Entender como eram essas relações antes das novas tecnologias invadirem os

lares constitui-se importante fator de comparação.

Lúcia Santaella (1996) aborda a questão das transformações que se operam no universo das mídias de cultura de massa e reforça que assim como as mídias

mais “antigas” como rádio, TV, jornal, não vão deixar de existir, mas todas elas

tendem a passar por alterações na sua plataforma existencial – da mesma forma

que a escrita vem sofrendo ao longo do tempo.

As mudanças que estão afetando as rotinas familiares também refletem a coexistência das novas mídias com as antigas e suas novas plataformas –

induzindo a uma inevitável e também nova forma de consumo destas, que tem

deixado de ser exclusivamente coletiva para se tornar cada vez mais individual.

No final de 2007, uma pesquisa realizada pela Viacom9 nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro descobriu que de 600 famílias entrevistadas – em que na maioria

pais e mães trabalhavam fora –, 70% das crianças não realizavam nenhuma atividade extracurricular. Como 68% dessas famílias não costumavam planejar

atividades para serem desenvolvidas no tempo livre da criança, exceto por

pequenas tarefas, o tempo das crianças apresentava-se ocioso.

(25)

Esse tempo ocioso nas cidades grandes hoje – onde a falta de espaços públicos

de qualidade (DUMAZEDIER, 1994) e a violência prevalecem – faz com que a

criança volte-se sozinha para atividades online, como num playground digital.

Enquanto existe um sem número de oportunidades enriquecedoras no mundo

digital, existem também diversos perigos tão reais quanto os perigos visíveis das

ruas.

O tempo investido online e sem acompanhamento pode ser simplesmente

dispersado ou arriscadamente mal utilizado.

Dessa forma, é importante que pais e mães atentem-se ao mundo frequentado por seus filhos – seja ele real ou virtual. Acompanhar e encontrar, desde os primeiros passos digitais dos filhos, oportunidades de tornar a tecnologia uma aliada no

estreitamento das relações familiares é mandatório para pais e mães que não

desejam viver em mundos totalmente diferentes dos de seus filhos no futuro.

2.1 Sobre as gerações – dos Boomers até os X, Y, Z

"Nós nascemos, vivemos por um breve instante, e

morremos. Sempre assim aconteceu durante imenso

tempo. A tecnologia não muda muito isso - se é que muda

alguma coisa." Steve Jobs10

“A que geração eu pertenço?”Não importa a resposta, ela nunca será a mesma a que seus filhos pertencem. Isso por si só já é um fator desafiante, já que as experiências e vivências se dão em contextos diferentes e resultam em

expectativas e comportamentos diferentes também.

(26)

Em primeiro lugar, é preciso esclarecer que não existe uma regra universal

definindo as classificações das gerações – nem nomenclaturas oficiais. Existem

variações na forma de calculá-las e estas também se modificam de um país para

outro, mas de modo geral não se tratam de grandes discrepâncias e propõem que,

ainda que de forma empírica, exista algum consenso. Para tornar os dados mais relevantes ao cenário brasileiro, será usada então a classificação adotada pela Dasein Executive Search11, que executou uma pesquisa online com 300

profissionais brasileiros no primeiro semestre de 2010 com o objetivo de mapear o

perfil das diferentes gerações na realidade brasileira, obtendo achados, porém,

que vão além do perfil profissional.

Embora alguns autores comecem a mencionar as gerações desde os Veteranos

ou Tradicionalistas (hoje entre 66 e 85 anos aproximadamente), a pesquisa

brasileira da Dasein resulta em quatro gerações: Baby Boomers (que têm

atualmente entre 47 e 65 anos), X (atualmente entre 32 e 46 anos), Y (entre e 31 e

11 anos) e finalmente Z (até 10 anos).12

Bastante divulgados, Boomers são os nascidos após o término da Segunda

Guerra Mundial – entre os anos de 1946 e 1964 (baby boom)13

, e compunham até então a geração mais diferenciada da geração anterior que já havia existido. Ao

longo dos anos, os Boomers se destacaram adotando um papel de rebeldia e

transgressão. Essa juventude conquistou então algum espaço – era dona do seu

11 <http://www.dasein.com.br> in <http://www.empregati.com.br/2010/06/04/perfil-das-geracoes-baby-boomer-x-y-e-z-no-brasil/> (acessados em 15 jan. 2011).

12 Todas as idades calculadas considerando-se 2011 como ano base de referência.

(27)

próprio quarto e tinha seus próprios ícones e referências. Foi também a primeira

geração a consumir de forma ampla o popular conteúdo televisivo.

Figura 4 – Gerações: Baby Boomers, X e Y (Fonte: Agencia Web Raddar14)

Os Boomers brasileiros eram jovens na época em que a ditadura começou, foi a

geração da jovem guarda, do tropicalismo e da bossa nova. Apesar da rebeldia

associada, essa geração também tinha ambição de construir carreiras sólidas15,

com ligações de longo prazo no trabalho, acreditava em comprometimento e

dedicação em “vestir a camisa da empresa”, e via como segurança a longevidade

em companhias estáveis e paternalistas.

14

Imagem disponível no site Raddar Agência Web <http://blog.raddar.com.br/archives/602>acessado em 22 jun. 2011.

15 Blog Dasein disponível em <http://www.dasein.com.br/pt/blog/post/80/Geraes-apresentam-diferentes-perspectivas-e-metas-profissionais> acessados em 15 jan. 2011. Dados da pesquisa: <http://www.empregati.com.br/2010/06/04/perfil-das-geracoes-baby-boomer-x-y-e-z-no-brasil/>

(28)

A geração X, nascida entre 1965 e 1980, representa a geração dos “grupos”, dos

“nichos”. Essa geração também exposta ao conteúdo televisivo assistiu ao

nascimento de outras funcionalidades do aparelho. Tantos os aparelhos de

videocassete quanto os primeiros videogames fizeram parte de suas vidas – como

o telejogo, o Atari e o Odyssey.

Novamente no Brasil, essa geração X assistiu às primeiras eleições diretas, à

disseminação do medo da AIDS e às diversas transições de moedas – o cruzeiro,

cruzado, cruzado novo. É uma geração mais ousada que os Boomers

profissionalmente, que ainda dá algum valor à hierarquia profissional, mas busca

harmonizar a vida pessoal e o trabalho. Menos preconceituosa e mais flexível diante da diversidade, é mais aberta a mudanças. A geração X presenciou a

entrada dos primeiros computadores pessoais no mercado permitindo então sua

familiaridade com a tecnologia.

A geração Y, mais comumente classificada como os nascidos a partir do início da

década de 80 até fim dos anos 90 – embora já esteja atuando no mercado de

trabalho e tenha participação ativa nas modificações realizadas nas novas

tecnologias (como a criação da web 2.0 e redes sociais), é, para muitos autores,

categorizada de forma única como a geração Z (também conhecida como Net Generation). A geração Z é a geração dos nativos puramente digitais, que não

apenas nasceu num mundo em que a tecnologia já estava instalada, mas

acredita-se acredita-será a usuária do maior número de interfaces até então, incluindo os tablets e smartphones. De forma geral, são os mais jovens que dão volume àutilização dos

dispositivos móveis; sendo campeões no envio de mensagens de texto16, eles

reinventaram a noção de lazer em grupo com os jogos coletivos virtuais, tem na

(29)

digitação a forma mais comum de escrita, usam e-mails e não mais cartas, vivem

conectados e compartilham tudo online.

Está-se, então, diante da Net Geners ou a Net Generation, compreendendo

basicamente essas pessoas nascidas dos anos 80 para cá (os Y e Z) num mundo

tecnologicamente disponível, que circulam em diversos grupos e orgulham-se de

sua diversidade plena. A geração ganhou o mundo – sua comunicação não tem

mais restrições, é uma geração multitarefa e multimídia.

Enquanto os Boomers – entre seus 8 e 18 anos passavam uma média de 22,4

horas (TAPSCOTT, 2008) por semana na frente da televisão passivamente

recebendo informações, os Net Geners não apenas passam menos horas por dia

assistindo à TV como também a assistem de forma diferente. Enquanto a televisão

está ligada, eles falam ao telefone, enviam mensagens, pesquisam na web sobre o conteúdo exibido na televisão, jogam e conversam online. Isso os posiciona de

uma forma ativa na recepção das informações, não são meros receptores: são

críticos!

O perfil multitarefa dessa nova geração aparece na constatação dessas rotinas

diárias – enquanto fazem lição de casa, ouvem música, deixam a TV ligada e

pesquisam na internet. Respondem mensagens instantâneas de amigos e enviam

SMS com uma velocidade impressionante. O processamento de tantas atividades

simultaneamente “moldou” uma forma de pensar, raciocinar, aprender e realizar as

coisas completamente diferentes das formas utilizadas pelos Boomers.

Para Tapscott (2008), o período que vai dos 8 aos 18 anos é determinante para a formação definitiva da estrutura cognitiva do indivíduo; logo, as atividades

(30)

que irão determinar o perfil intelectual17 de uma pessoa no futuro – sua forma de

processar e trabalhar serão fortemente influenciadas pelas atividades realizadas

nesse período. Dito isso, fica bem fácil concluir que algumas características dos

Net Geners serão bastante inovadoras – e intrigantes até – para as gerações

anteriores. Eles tendem a possuir uma flexibilidade muito maior para transitar

entre tarefas, administrar múltiplas atividades simultaneamente e inovar na forma

de interagir mesmo com as mídias tradicionais. Não é por menos que algumas das recentes (e grandes) revoluções feitas na mídia web tenham sido realizadas pelos próprios Net Geners, como a criação das redes sociais, por exemplo.

O estudo de Tapscott (2008) incluiu doze países, entre eles o Brasil – e ainda que

os resultados detalhados da pesquisa não possam ser compartilhados porque

pertencem aos patrocinadores da pesquisa, alguns dados podem ser analisados

por todos. Apesar de incluir países emergentes em sua base, boa parte do

material publicado foca-se no público americano, o que não invalida, no entanto,

comparações como as que se está tentando traçar. O que se descobre através das informações coletadas por Tapscott é que o mundo nunca esteve tão parecido

antes – existem surpreendentes semelhanças entre os Nets Geners nos doze

países pesquisados – as aspirações e angústias dos jovens parecem mais

similares do que nunca, apesar das origens culturais diversas.

Um aspecto interessante a destacar são as expectativas profissionais dessa

geração – e talvez onde mais mudanças tenham de ser realizadas para se

absorver e reter talentos no futuro. Eles valorizam trabalhar em ambientes que

permitam flexibilidade, onde haja transparência, acesso a informações, engajamento social e uma boa dose de equilíbrio entre a vida profissional e

(31)

pessoal. Essa geração dificilmente será viciada em trabalho ou motivada

simplesmente por oportunidades carreiristas – o que não significa que não sejam

comprometidos ou dedicados, mas que a forma de mensuração deve ser imediatamente revista para resultados gerados e não jornada de horas cumpridas.

O trabalho importa mais que o emprego e que esse meio de gerar receita deve

também gerar prazer.

Para ilustrar as diferentes gerações, vale mencionar os resultados da pesquisa da

Dasein novamente – onde os participantes foram convidados a mencionar um

ícone que pudessem representar suas gerações. O resultado vem a seguir:

Figura 5 –Dasein Executive Search: pesquisa revela ícones das diferentes gerações.

Diante dessa breve descrição das gerações dentro de suas classificações,

pode-se notar que as gerações vêm experimentando cenários mandatoriamente

Geração Z

Justin Bieber - Primeiro Z a ser lançado como cantor mundial

via Mídia Social – Youtube Malu Magalhães - Primeira brasileira – Geração Z a se lançar como cantora via Mídia Social – 2007 MySpace Geração Y

Mark Zuckerberg - Primeiro Y a construir a maior rede de Mídia Social no Mundo

Giselle Bundchen - Primeira brasileira Y a se tornar ícone no mundo Fashion

Geração X

Barack Obama - Primeiro X a chegar à Casa Branca – USA Aécio Neves - Primeiro X a chegar ao Governo de Minas Gerais Baby Boomer

(32)

diferenciados de uma para a outra nas ultimas décadas. Seja no campo político ou

cultural, seja na realidade prática – as últimas décadas foram marcadas por uma

aceleração nas transformações – à medida que os avanços científicos e tecnológicos também se tornaram mais sofisticados e inovadores, permitindo que novas revoluções viessem de carona.

Dessa forma, todas as transformações realizadas pela geração anterior afetam

automaticamente as vivências da geração posterior. A única coisa que parece

manter-se igual é o descompasso entre as expectativas das diferentes gerações

de pais e filhos.

A Prof.ª Rosa Maria Farah do NPPI18 da PUC, em entrevista concedida sobre o

tema, disse que os pais dos Boomers se “incomodavam” com a influência da

televisão no comportamento dos seus filhos e questionavam desde o surgimento da mídia como “entretenimento”, seu papel na distorção do caráter dos jovens.

Hoje a geração X, que viveu sua infância num mundo parcialmente envolvido na

tecnologia, angustia-se menos com as possíveis influências desta em seus filhos

Net Geners, mas com os efeitos das horas passadas diante do computador e

videogames por sua vez. A ânsia dessa geração é de que seus filhos tenham

interesses e oportunidades de viver uma infância com experiências “do lado de

fora” das suas casas, interagindo com amigos em brincadeiras semelhantes às

brincadeiras que povoavam sua infância, remetendo a uma sensação de

normalidade e, por que não dizer, previsibilidade – como quem busca garantias

para a questão: “se meu filho tiver as mesmas experiências que tive, terá mais

chances de ser como eu sou?”.

(33)

Entender que a geração posterior tem expectativas diferentes e aceitar que um

comportamento diferente pode ser “vencedor” é um grande desafio, uma vez que

o ser humano instintivamente tende a temer e rejeitar o desconhecido.

A crença comum é de que a receita de garantia de sucesso é simplesmente a

repetição do que deu certo no passado. Como não é possível prever com

antecedência os resultados das inovações, normalmente se teme o desconhecido.

Existe o temor por todas essas vivências e experiências – tão diferenciadas do

que se vive e se experimenta – pelos eventuais efeitos que elas possam ter sobre

a vida futura de nossos filhos.

A história, no entanto, nos mostra ser impossível deter os impulsos de novas

gerações, mesmo dentro dos ambientes disponibilizados pelas gerações

anteriores, e ainda nos mostra que, bem ou mal, o ser humano tem não apenas

sobrevivido, mas vem se mantendo no caminho do progresso constante –

ininterruptamente inovando e rompendo com fronteiras impostas pelos seus

antecessores (pais).

“Cada geração imagina a si mesma como mais inteligente que a anterior, e mais sábia que a que

está chegando.”

(George Orwell - 1970)

O saudosismo das gerações mais velhas pode, no entanto, apresentar-se de

forma crítica, principalmente quando exercido com pessimismo diante do futuro.

Apesar de ser bastante comum se ouvir comentários comparativos com esse teor,

como “em meu tempo as coisas eram diferentes”, as diferenças nem sempre

significam situações “melhores”, porém a idealização do passado é bastante

(34)

desembaçar a visão nostálgica que normalmente se guarda da infância e

juventude, tornando a comparação mais realista.

Por fim, é comum que se associem comportamentos violentos, irresponsáveis e

marginais de representantes de uma determinada geração às diferenças de

criação e experiências vivenciadas por esta durante sua infância e adolescência –

responsabilizando essas experiências e vivências como as únicas

formadoras/deformadoras de caráter. As restrições e rejeições por parte dos pais

têm caráter irônico de repetição: os pais que hoje restringem o número de horas

que seus filhos dedicam às atividades online são provavelmente os mesmos que

sofreram restrições com relação ao número de horas que podiam ouvir músicas

em seus walkmans, e ainda muito provavelmente, cujos pais sofriam restrições

para assistir livremente aos shows de rock na TV. Em suma, talvez seja possível

dizer que pais tendem a se preocupar com as atividades que seus filhos realizam

– tanto com a qualidade quanto com a quantidade destas – desde sempre.

É bastante curioso identificar na pesquisa de campo realizada entre dezembro de

2010 e janeiro de 2011, no site “Família Plugada”19, que os pais têm uma percepção positiva da infância de seus filhos quando comparada a sua própria, na

maioria dos casos, como se pode observar no gráfico abaixo. A análise detalhada

dessa pesquisa de campo encontra-se no capítulo sete.

(35)

Figura 6 – Família Plugada: cenários comparativos da infância dos pais x filhos.

É importante observar os resultados do gráfico acima considerando a faixa etária

dos filhos dos respondentes: 73% dos filhos têm até 10 anos de idade,

pressupondo dessa forma que se tratam predominantemente de respondentes

representantes da geração X (pessoas que têm hoje aproximadamente entre 30 e

45 anos). Diante da comparação da infância dos filhos com a sua própria infância,

a maioria desses pais afirma que:

 Em sua infância brincava menos com seus pais e mais sozinho (53%);

 o número de amigos de seus filhos atualmente é menor que o número de

amigos que possuía em sua infância (53%) onde ocorriam também mais

brincadeiras em grupo (76%);

 sua infância dispunha de mais tempo livre para brincar do que seus filhos

têm hoje (64%) – dentre os filhos dos respondentes, 78% frequentam a

(36)

 brincava mais em ambientes externos que seus filhos atualmente (85%);

 os filhos hoje contam com mais oportunidades culturais (62%) e mais

compreensão por parte dos pais que eles mesmos contavam quando eram crianças (68%).

Portanto, por mais que a natureza nos faça temer o desconhecido e lutar pela

repetição dos caminhos trilhados com segurança, segundo os pais respondentes

da pesquisa realizada para este estudo, existe uma consciência das diferenças –

propondo uma busca de formas compensatórias que possam amenizar fatores em

que comparativamente, os filhos pareçam estar em desvantagem – entre elas a

criação de mais oportunidades de socialização, brincadeiras ao ar livre e mais

tempo para o lazer.

Sendo assim, do público observado e pesquisado, é possível perceber o propósito

comum de participar ativamente da infância dos filhos enriquecendo a convivência

e diluindo eventuais impactos negativos acarretados pelas novas rotinas: 75% dos

respondentes dessa pesquisa consideram o tempo investido junto da família e

filhos de qualidade boa ou ótima.

A preocupação captada através dos comentários deixados nos questionários

respondidos e nas comunidades frequentadas, no entanto, refere-se ao bom uso

do tempo disponível junto aos filhos, uma vez que para 2/3 dos respondentes esse

(37)

CAPÍTULO 3

DA MÍDIA DE MASSA PARA A MÍDIA INDIVIDUAL

Como discorreu-se até então sobre as transformações das gerações, valem

alguns parágrafos a respeito de uma das mudanças mais relevantes ainda em movimento, no contexto midiático a nossa volta – e como essas mudanças atuam

nos indivíduos.

Cloutier (1975), que imaginava um ser humano comunicacional apto a receber e

enviar mensagens da mesma forma, descreveu o conceito dos Emerec – em

francês Emerec é composto pelas primeiras sílabas das palavras Emetteur e

Récepteur (emissor e receptor). Na época, esse conceito foi inovador porque não

se pensava nos receptores de mídia de massa (por exemplo, telespectadores)

enviando mensagens, mas apenas recebendo. Ou seja, o caminho até então,

apresentava-se como de “mão única”.

Cloutier (1975) elaborou ainda um conceito para a self-media (que seria a mídia

-individual, mídia-própria) como sendo:

(...) instrumentos que permitem a criação e o acesso à informação por seleção, reprodução e registro individual, (...) caracterizados pela disponibilidade através de uma vontade de procura orientada por classes ou grupos de interesse e ainda por permitir que o produtor e o receptor da informação venham a ser o mesmo agente – ou, que cada um dos utilizadores da informação sejam

simultaneamente seus produtores.

Enquanto o foco na época de Cloutier era primariamente a fotografia, produções

(38)

num emissor de mensagens através desses canais de produção (produção essa

que durante muito tempo era restrita à escrita e à palavra), as novas mídias

tecnológicas estendem ainda mais os canais de expressão do indivíduo na

atualidade.

Cloutier considerava as mídias de massa como mídias de amplificação – e

funcionalmente um canal de amplificação da produção individual.

Em “Do mass media ao self-media”, Carlos Correia diz que o self-media irá

substituir os meios de comunicação de massa – aqui representados de forma

genérica como a web e a televisão, respectivamente.

“O self-media trata, fundamentalmente, de fazer emergir o indivíduo da massa anônima em que está mergulhado, de lhe dar rosto, voz e oportunidade de expressão dos seus desejos, pensamentos, criatividade e indignação, trata-se em suma de

fazer emergir o EU da lama indiferenciada do anonimato.”

(CORREIA, 1998)20

Quando se pensa em família, pensa-se em plural – em coletivo –, em grupos.

Talvez o grande catalizador dos impactos da tecnologia no meio familiar seja

justamente o contraponto com o coletivo. São as possibilidades individuais as

privilegiadas nesse ambiente – desde a criação do que se consome até a

ambiguidade que se apresenta com as situações de compartilhamento ou

interatividade: a distância física se faz necessária para que o meio se justifique. E

quando ela não existe necessariamente, é provocada voluntariamente – na busca

(39)

pela privacidade física, como o adolescente que se isola em seu quarto –

enquanto de forma oposta abre mão de qualquer privacidade virtual.

Por esse motivo é tão frequente ouvir-se relatos de pessoas da mesma família que

se comunicam online em cômodos diferentes de suas casas – relatos que não

trazem apenas um tom irônico de humor, mas também certa perplexidade diante da própria atitude.

Fisicamente, se for traçado um paralelo entre o computador, internet, videogames

e outros aparatos tecnológicos que também constituem formas de mídia individual

– tanto em mobilidade quanto em portabilidade –comparados à televisão, pode-se

imaginar que se está vivendo um período de transição – já que até mesmo o

consumo do conteúdo televisivo poderá passar paulatinamente a ser feito na

interface individual dos computadores, tablets e smartphones, de forma cada vez

mais segmentada e personalizada.

Das novas problemáticas que fazem parte do cenário familiar, pode-se refletir

sobre possíveis formas da tecnologia aqui descrita, ser utilizada para

desempenhar um papel que agregue a família em torno de atividades e interesses

comuns – ainda que restem certamente desafios adicionais inerentes a sua

formatação (essencialmente de uso individual).

O formato físico dessas tecnologias e mídias (computadores pessoais e laptops) é

primordialmente desenvolvido para utilização individual – mesmo quando das

propostas existentes para atividades compartilhadas, as mesmas se dão em um

ambiente virtual compartilhado, mas fisicamente em aparelhos distintos (a

(40)

A “individualização” proposta pelo formato de

uso do computador fomentou o surgimento de

provedores de conteúdo cada vez mais

segmentados, verticalizados e com propostas

de interesses específicos a públicos diferentes.

Estes fatores somados à ambição descrita por

Carlos Correia, que se apoia na distinção do self-media, permitindo que a

individualidade se projete no “mundo virtual”, podem colaborar entre si na

construção de desafios para competição da interação e convivência familiar (ou

social).

“A maioria das pessoas adora falar de si, dos seus problemas, expectativas, desejos e intenções. Muitos apreciam ler, ver, ou ouvir comentários anônimos, ou

personalizados às suas opiniões”21 (CORREIA,1998).

A interatividade e intimidade com desconhecidos, avatares22 (Figura 7) e

anônimos no ambiente virtual pode ser maior e mais atraente que a eventualmente disponível no ambiente familiar. Cabe refletir, porém, sobre o fato de que essa

interação com a máquina pode ser individual – mas nem sempre é solitária.

Um cenário ainda não detalhado refere-se ao quanto a distância ou proximidade

física existentes afetam ou modificam essas relações familiares. É preciso, no

entanto, contextualizar essa questão em cenários do passado para fazer qualquer

tipo de comparação – seja no contexto cultural, ou no contexto temporal – onde e

em que momentos seria possível realmente afirmar que a proximidade física,

21 Carlos Correia apresentou o conteúdo sobre Mass Media/Self Media: Tempos de Transição no Media DigIT – em 26.10.2007– na Casa da Imprensa – Lisboa.

22 Avatar representação visual de um usuário em realidade virtual. Figura 7 – Avatares (XBOX) são

(41)

ainda que presente, era exercida como facilitadora do contato físico como

manifestação de afeto entre os familiares.

Existem situações práticas nas quais uma proximidade (virtual) apenas torna-se

viável tecnologicamente porque os familiares encontram-se fisicamente distantes –

uma distância física real e representativa. São os casos onde famílias se

encontram em pontos geográficos distantes (cidades e/ou países) e apenas

poderem interagir entre si através das facilidades tecnológicas e multimídia. Essas

situações são explícitas na eficiência das ferramentas em promover aproximação

entre as pessoas. Há ainda a grande popularidade dos blogs feitos por mães com

o objetivo de registrar e compartilhar o crescimento de seus filhos não apenas com

outras mães, mas com parentes remotos.

Mas se para aqueles que contam apenas com essas soluções para sentirem-se

próximos parece ser melhor do que “nada”, ainda não se pode afirmar exatamente

o que motiva aos que estão fisicamente próximos a optarem pelo distanciamento.

Dados coletados pela USC Annenberg School para o Center for Digital Future

(EUA)23 credita ao uso da internet a diminuição do tempo em família e menciona

que 44% das pessoas já se sentiram ignoradas por outros membros da família por

conta do tempo que estes investem online. Vale ressaltar que um percentual ainda

maior (48%) disse se sentir ignorado por os familiares assistindo à televisão – a

pesquisa não detalha, porém, a faixa etária das pessoas que se sentiram

preteridas, apenas ressalta que quanto mais jovem o público maior percentual de

uso de internet. A mesma pesquisa reporta que 52% dos respondentes

consideraram a internet como muito importante na manutenção de sua vida social,

(42)

embora admitam que tempo passado pessoalmente com os amigos vinha

diminuindo regularmente.

Ao constatar-se então a preferência por concentrar atenção nas mídias citadas –

sejam elas aqui a TV ou o PC, entende-se que o contato direto e pessoal com o

familiar pode ser preterido de forma a dar conta integralmente ao apelo e

oportunidades que esses “mundos-mídias” paralelos oferecem. O mergulho

nesses mundos torna o outro “invisível” momentaneamente, uma vez que as

percepções sensoriais do homem são abundantes e, dessa forma, ele não pode

atendê-las todas de uma única vez.24

Vale destacar ainda uma curiosa constatação reportada pelo Digital Center: a

diminuição do tempo passado pessoalmente com a família e amigos coincide com

o explosivo crescimento do tempo investido em relações virtuais através dos sites

de redes sociais e similares.

Figura 8 – A transformação mídias (imagem de elaboração do autor)

Essa situação torna comicamente viável o seguinte cenário: quando o filho ou filha

conectado não “ouvir” um apelo feito verbalmente, vale arriscar o computador mais

próximo e enviá-lo via comunicador instantâneo ou mensagem via celular.

Nas respostas coletadas por meio da pesquisa no site “Família Plugada”, pais e

mães respondentes dizem que utilizam meios digitais para interação de forma

(43)

frequente ou muito frequentemente (70%). O gráfico abaixo descreve os tipos de

interações realizadas:

Figura 9 – Família Plugada: Interação dos pais nos canais online dos filhos.

De acordo com as respostas dos questionários do site “Família Plugada”, também

fica visível que esses pais e mães – os quais fazem parte em sua maioria da

geração X – tendem a ter menos dificuldades de imersão no mundo das redes

sociais, uma vez que eles mesmos já fazem uso destas – como demonstra o

gráfico abaixo–, sendo que as mães são as grandes usuárias das redes sociais e

comunidades, os pais lideram utilitários, como o Skype, e os filhos, os jogos

online.

5%

42%

8% 24%

10%

11%

Interação dos pais nos canais online em que os filhos estão presentes

Lendo posts em blogs

Deixando recados

Enviando sms

Conversando via msn ou Skype

Trocando fotos via sms ou sites/e-mails

(44)

Figura 10 – Família Plugada: Uso de canais e ferramentas online.

Os respondentes também demonstram que já existe um monitoramento por parte

dos pais que têm filhos também presentes nas redes sociais, conforme 80% dos

pais que visitam os perfis de filhos – para observar o que o/a filho (a) vem

publicando ou para analisar os amigos (as) com quem eles vêm interagindo.

37% 18% 12% 5% 35% 27% 21% 44% 20% 16% 10% 39% 21% 15% 20% 10%

7% 8%

19% 6% 29% 6% 23% 29% 34% 6% 21% 14% Redes sociais (Orkut e Facebook)

Twitter Blogs Fotolog MSN

Messenger

Skype Jogos online Uso de canais e ferramentas online

(45)

Figura 11 – Família Plugada: Objetivo dos pais ao visitar redes sociais dos filhos.

O acompanhamento online nesses canais exige que pais e mais desenvolvam

seus conhecimentos e mantenham-se atualizados com as novidades do dinâmico

mundo online. De maneira geral, é a entrada da adolescência que, associada à

maior disponibilidade de tempo para exploração do mundo digital para lazer,

acaba por criar uma disparidade de conhecimentos entre pais e filhos em

gerações como a X, Y e Z. Pais e mães precisam buscar alternativas de

manterem-se atualizados sobre o que ocorre nesse mundo digital, da mesma

forma como se acompanha o que acontece em outros “mundos” habitados pelos

filhos, seja o escolar, emocional ou social – pois se trata de uma extensão a estes.

Mais detalhes sobre o questionário do site <www.familiaplugada.com.br> serão

encontrados no capítulo sete.

41%

39% 2%

18%

Objetivo principal dos pais ao visitar redes sociais dos filhos

Supervisionar a quantidade de informação pessoal que meu/s filho/s publicam

Conhecer os amigos com quem estão interagindo

Interagir online com meu/s filho/s

(46)

CAPÍTULO 4

A FAMÍLIA DIGITAL

4.1 Novas tecnologias e mídias presentes nos lares

A disposição física das residências também se modificou por conta da entrada de novas tecnologias. Salas de TV e home-office25 já passaram a fazer parte da planta de muitos apartamentos desenhados e lançados com foco nas famílias de classe média nas grandes cidades. A televisão que antes concentrava a atenção

de todos num único cômodo está agora espalhada por todos os quartos, assim

como os computadores pessoais. É possível vislumbrar alguns dos itens que podem estar nos lares dessas famílias:

 Televisão–e suas variações

Digital, 3D, com canais a cabo, satélite, que grava a programação, que

permite assistir a vários canais simultaneamente, que funciona como monitor para o computador ou para o videogame. Blue-Ray e DVD

complementam o uso da televisão como home-theater. Junto ao computador podem compor o midia center (centros de mídia) da casa.

 Videogames

Com ou sem controles, com consoles que permitem a conexão à internet,

jogos em rede ou compondo centros de mídia (com espaço para armazenamento de músicas e vídeos). Os videogames têm ainda a versão compacta e portátil.

(47)

 Computadores pessoais

PC ou laptops, netbooks, tablets, com banda larga, a cabo ou wireless – para acesso à internet, jogos online ou TV digital. O uso como substituto do

telefone através da tecnologia VOIP e webcam é crescente, assim como mencionado acima, midia center.

 Telefonia móvel

Smartphones ou celulares com câmeras, bluetooth, com 3G, GPS, acesso à internet, redes sociais e e-mails, vídeos e jogos. A função telefone tornou-se apenas mais uma das funções dos novos aparelhos.

4.2 Hábitos online e convivência familiar

A inclusão da televisão no cotidiano modificou os hábitos de convivência da família. Segundo Dumazedier, após a popularização da televisão, as noites foram

dominadas em geral pelo espetáculo que ela entregava. "A conversação não morreu, mas mudou, incluindo então um terceiro grupo, o dos atores,

apresentadores e estrelas da televisão, novos convidados da noite.”

(DUMAZEDIER, 1994).

A chegada dos computadores e videogames como novos mediadores de consumo

e interação midiáticospor certo também impacta as formas de convivência familiar

e, porque não considerar de forma análoga, que agrega outros elementos,

transformando assim a interação das pessoas. Talvez uma das alterações mais perceptíveis da entrada dos laptops e da popularização dos televisores é a descentralização da sala de estar como ambiente único, já que cada quarto possui

(48)

família à reunião naquele ambiente, dessa vez especialmente preparado para o

compartilhamento de filmes.

Analisando estatísticas sobre o tempo passado online, é possível se observar

alguns desses novos hábitos: o crescimento do tempo investido online é

expressivo e o número de horas navegadas nas residências brasileiras passou de 7h para quase 32h por mês nos últimos 10 anos (IBOPE/NetRatings26 figura 12).

Segundo informações do Comitê Gestor de Internet, 49% dos brasileiros são

usuários de computador e 45% são usuários de internet. O computador já está

presente em mais de 36% das residências brasileiras (TIC domicílios – 2010)27.

Figura 12 – Internautas domiciliares ativos e horas navegadas 2000-2010.

26 A pesquisa do Centro de Estudos sobre Tecnologias e da Comunicação (cetic.br) reúne dados do Painel IBOPE/NetRating também. Figura 12 copiada do site http://www.cetic.br/usuarios/ibope/tab02-01-cons.htm em 1 abr. 2011.

(49)

Os meios de comunicação há tempos fazem parte da rotina das famílias. Adentraram os lares ocupando espaço de todas as formas possíveis –os espaços de tempo e os espaços físicos.

Vale notar, porém, que ao longo de décadas, a televisão – como meio de

comunicação em massa –entregou opções de programações que agradavam e/ou podiam ser consumidas pela família como um todo. Mesmo hoje, após a chegada de uma variedade imensa de opções oferecidas pela TV a cabo, ainda existem canais com propostas de programação que atendem a toda a família.

As indústrias do cinema e da televisão continuam investindo na produção de conteúdo para toda a família – e isso pode ser visivelmente percebido pelas

piadas e paródias compreensíveis apenas por adultos que entremeiam os enredos de animações inicialmente produzidas com foco no público infantil.

O papel da televisão como agregador ou desagregador é discutível. Alguns autores defendem que a televisão inibe a interatividade –e outros contrapõem que muita da interação dentro dos lares decorre de estímulos advindos da programação televisiva compartilhada. Vale refletir a respeito se não se trata de

uma fora de comunicação, quando se está por um tempo envolvido na mesma

aventura e partilhando-se o mesmo prazer de uma emoção. (BESERRA, 2007

apud CHALVON, CORSET, & SOUCHON, 1991).

Autores como a psicóloga Mireille Chalvon, Pierre Corset e Michel Souchon, sustentam que, tendo em conta a utilização diversificada da TV nas famílias, ela assume muitas vezes papéis múltiplos: gera conflitos, mas é muitas vezes

Imagem

Figura 1  –  Página do grupo de Mães da Microsoft, com arquivos compartilhados
Figura 4 – Gerações: Baby Boomers, X e Y (Fonte: Agencia Web Raddar 14 )
Figura 6 – Família Plugada: cenários comparativos da infância dos pais x filhos.
Figura 9 – Família Plugada: Interação dos pais nos canais online dos filhos.
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