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Rev. paul. pediatr. vol.31 número3

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Academic year: 2018

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Rev Paul Pediatr 2013;31(3):276-7.

Editorial

Os pesquisadores e a produção científica em pediatria:

quanto valem?

The researchers and the scientifc production in Pediatrics: what is its value?

Marcelo Zubaran Goldani

Instituição: Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Porto Alegre, RS, Brasil

Professor-Titular do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da UFRGS, Porto Alegre, RS, Brasil

O artigo de Oliveira et al propõe uma avaliação do peril

dos pesquisadores na área da Pediatria por meio de uma análise bibliométrica da produção cientíica dos mesmos. Desfecho: somos poucos e produzimos muito; porém, nossa produção necessita de aprimoramento qualitativo(1).

Essa conclusão é consequência de uma análise e de uma leitura suiciente dos dados e dos resultados alcançados. Todavia, poderá ensejar a discussão do modelo de produção de conhecimento cientíico, no qual nós, pesquisadores, nos inserimos.

A universidade pós-moderna adentra o mundo do consu-mo, no qual o conhecimento se torna produto, os alunos são equiparados a commodities e os critérios de avaliação passam a

obedecer às métricas de mercado. Simultaneamente, ocorre um processo de classiicação dos pesquisadores em produti-vos (1A, 1B, 1C, 1D, 2) e improdutiproduti-vos (3?), o qual tomou conta do imaginário da comunidade universitária, inluindo nas decisões pessoais e nas políticas do setor. Esse panorama sugere que as universidades e os pesquisadores dos países emergentes devem obrigatoriamente alinhar-se aos critérios externos, pretensamente universais, os quais podem não ser os mais adequados à realidade brasileira e mundial(2).

A questão fundamental é: a ciência brasileira é a melhor possível para o Brasil e para o mundo? Pode-se fornecer uma alternativa superadora, na qual se modiique o modelo hegemônico central de produção de conhecimento para, então, reenviá-lo aos fóruns internacionais, acrescido de um viés local de pertinência e com qualidade universal-mente reconhecida?

Sim, acredito que os países periféricos detentores de proje-tos de desenvolvimento cientíico podem articular, dentro do campo hegemônico da ciência, as issuras necessárias para a

exposição do processo contraditório de globalização: qualida-de centralmente reconhecida e relevância local. Porém, nessa disputa, os países líderes não abrirão mão dos critérios de valoração da produção cientíica para além de qualquer perti-nência(3). Portanto, uma alternativa deverá promover também a releitura dos critérios de valor da ciência, recolocando-a no espaço das ações e das necessidades. No estudo de Oliveira

et al, nota-se a total aderência aos parâmetros bibliométricos

“universais”, certamente os parâmetros possíveis, porém não necessariamente os melhores.

Um segundo ponto a se destacar é a formação de redes de ideias e de processos, visando à contaminação de áreas contí-guas, do ponto de vista tanto geográico quanto sociocultu-ral. A participação como polo emergente mundial autoriza o Brasil a ser um agente disseminador dessa ideologia do mercado cientíico. Com tais premissas, o país pode servir de protagonista na revisão de um pensamento único, oferecendo uma versão reformada da agenda cientíica mundial, agora acrescida dos nossos penduricalhos nativos. Assim, o proces-so de expansão do modelo de produção cientíica brasileira adquire relevância estratégica signiicativa.

Proprietário de recursos humanos e tecnológicos de alta qualidade, o Brasil poderá derrubar, por intermédio da ciên-cia, as barreiras que impedem a última emancipação política e social do continente(4). A ciência brasileira, em especial, a área de Pediatria, poderia propor um pacto renovado por meio de uma agenda local, com objetivos, marcos teóricos e método cientíico voltados às nossas peculiaridades e necessidades, conservando, porém, o seu caráter universal.

Nesse sentido, discordo de Oliveira et al, pois acredito

que não seja possível, com os dados e índices expostos, ava-liar a qualidade da produção cientíica brasileira na área de

Endereço para correspondência: Marcelo Zubaran Goldani Rua Andre Puente, 200

CEP 90035-150 – Porto Alegre/RS E-mail: [email protected]

Conflito de interesse: nada a declarar

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Marcelo Zubaran Goldani et al

Pediatria. Contudo, o grande mérito desses autores reside em apontar para a necessidade fundamental de elegermos os critérios que permitam aferir o grau de aproximação entre o conhecimento e a ação no campo da Pediatria. Em síntese,

o conhecimento que qualiique signiicativamente a saúde da criança e do adolescente no mundo e, inclusive, no Brasil, é a melhor ciência para, enim, vencer a derradeira barreira da humanidade.

Referências bibliográficas

1. Oliveira MC, Martelli DR, Pinheiro SV, Miranda DM, Quirino IG, Leite BG

et al. Proile and scientiic production of National Counsel of Technological and Scientiic Development (CNPq) researchers in Pediatrics. Rev Paul

Pediatr 2013;31:279-85.

2. ASCB [homepage on the Internet]. San Francisco declaration on research assessment: putting science into the assessment of research [cited 2013

Dec 16]. Available from: http://am.ascb.org/dora/iles/SFDeclarationFINAL.pdf 3. Rochon PA, Mashari A, Cohen A, Misra A, Laxer D, Streiner DL et al. Relation

between randomized controlled trials published in leading general medical journals and the global burden of disease. CMAJ 2004;170:1673-7. 4. Glänzel W, Leta J, Thijs B. Science in Brazil. Part 1: a macro-level comparative

Referências

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