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VI- 064 BRINCANDO E APRENDENDO EM EDUCAÇÃO AMBIENTAL

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Academic year: 2021

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VI- 064 – BRINCANDO E APRENDENDO EM EDUCAÇÃO AMBIENTAL

Iara Amorim Leôncio

Bióloga pela Universidade Estadual da Paraíba

Monica Maria Pereira da Silva(1)

Bióloga pela Universidade Estadual da Paraíba; Especialista em Educação Ambiental/UEPB; Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente pelo PRODEMA/UFPB/UEPB; Professora da UEPB/CCBS/DFB-NEEA.

Alcicleide Porto Genuíno

Bióloga pela Universidade Estadual da Paraíba

Endereço: (1)

Rua Maria Barbosa de Albuquerque, 690 – Bodocongó II – Campina Grande PB CEP: 58.108320 Brasil -Tel: (083) 333-1436 – email: [email protected]

RESUMO

O Planeta Terra passa por grandes modificações ambientais, das quais o ser humano é o grande responsável, e necessita urgentemente despertar para a conscientização e buscar soluções para os problemas ambientais que estão surgindo a cada dia. Com o objetivo de sensibilizar, despertar e compreender as questões ambientais, a Educação Ambiental surge como proposta, que vem sendo discutida em todo o mundo, como forma de desenvolver uma sociedade mais justa e ambientalmente sustentável. Este trabalho consistiu de uma pesquisa participativa, realizada no período de maio a novembro de 2000, no Grupo Lafayete Cavalcanti, município de Campina Grande/PB, tendo como objetivos promover Educação Ambiental na escola; identificar a percepção ambiental dos educandos e sensibiliza-los através de atividades lúdicas. Os dados foram coletados através de questionários objetivos e subjetivos, entrevistas não estruturadas e observação participante. Como resultados identificamos a percepção ambiental dos educandos, onde 68% percebem o meio ambiente natural e 32% o meio ambiente construído e que apenas 40% incluem o ser humano no contexto. Os educandos apresentam uma visão ampla com relação aos problemas ambientais, pois destacam além das questões ecológicas, questões sociais, culturais e econômicas. No processo de sensibilização, os educandos participavam ativamente das atividades, discutiam, liam, cantavam, brincavam, ao mesmo tempo em que aprendiam. Conseguimos trabalhar o Meio Ambiente de forma transversal, permeando todas as disciplinas do currículo escolar, desde conceitos matemáticos, leitura, estudo de vocabulário, saúde, sexualidade, de forma dinâmica. Várias questões ambientais foram abordadas através de diversos tipos de atividades como: jogos, brincadeiras e dinâmicas; leitura e interpretação e dramatização de textos; vídeos; músicas; fantoches; oficina de sucata, além de outras. Enfim, atividades em Educação Ambiental favorecem o ensino-aprendizagem, saindo da rotina tradicional, fazendo com que as aulas sejam mais prazerosas, desde que aplicadas de forma criativa e dinâmica, considerando a realidade do educando e que através das pequenas ações e atitudes dos educandos, ao poucos esses vão assumindo o seu papel na tarefa de formar um mundo melhor e mais solidário para todos.

PALAVRAS-CHAVE: Educação Ambiental, percepção ambiental, atividades lúdicas, currículo escolar INTRODUÇÃO

O Planta Terra passa por grandes modificações ambientais, pelas quais os seres humanos são os maiores responsáveis, pois retiram da Natureza elementos para atender as suas necessidades, de maneira desordenada e irracional, tornando assim o ambiente insustentável. A destruição do ambiente, a diminuição dos recursos naturais, o aumento da população mundial e a fome, leva-nos a meditar sobre a consciência egoísta que torna o ser humano vilão do seu espaço vital e destruidor das novas gerações, a medida que transforma sem limites a natureza. Sendo assim, faz-se necessário despertar a consciência ambiental, sensibilizar em busca de soluções. A forma mais eficaz de sensibilizar o ser humano é a Educação, pois a medida que se desperta a consciência, pode-se esperar uma atitude transformadora. Para FREIRE (1983) a “educação é o desenvolvimento de uma

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Educação Ambiental que tem essa capacidade, por ser um processo contínuo permite que os indivíduos e a comunidade despertem a consciência, adquiram conhecimentos, valores, habilidades, experiências e determinação para resolver problemas ambientais, buscando a interação ser humano e natureza.

A Educação Ambiental tem um papel abrangente em todos os sentidos da vida, pois não se deve resumi-la a uma abordagem simplesmente naturalista, ou seja, superficial e conformista, permitindo dessa maneira a manutenção das desigualdades sociais e permanência das injustiças econômicas ambientais. Assim sendo, é de grande importância abordamos nos conteúdos de Educação Ambiental, o papel das relações sócio-ambientais vindas de uma ação estrutural, que tem um trabalho voltado a mudanças sociais.

Segundo os PCNs (1997) a questão ambiental vem sendo considerada como cada vez mais urgente e importante para a sociedade, pois o futuro da humanidade depende da relação estabelecida entre a natureza e o uso pelo homem dos recursos naturais disponíveis.

A Educação Ambiental é uma das mais importantes exigências educacionais, em todo o mundo, pois está ligada a possibilidade de estabelecer uma “sociedade ambientalmente sustentável, dentro de uma perspectiva

mais crítica para um projeto educacional” (GUIMARÃES, 2000).

O nosso trabalho que tem como tema Brincando e Aprendendo em Educação Ambiental, estimula através do brincar, aos educandos a ampliação dos conhecimentos a respeito do Meio Ambiente, de maneira prazerosa. Segundo BUSCAGLIA (1998) as escolas deveriam ser os lugares mais alegres do mundo.

A pesquisa teve como objetivos identificar a percepção ambiental dos educandos; sensibilizar os educandos através de atividades como jogos, brincadeiras, dinâmicas, leituras músicas e muitas outras; constatar o grau de motivação nos educandos através das atividades realizadas e contribuir para promover a Educação Ambiental na escola.

METODOLOGIA

O presente trabalho retrata uma pesquisa participativa, realizada no período de maio à novembro de 2000, na Escola Pública de Ensino Fundamental Grupo Escolar Lafayete Cavalcanti, localizado no Conjunto Habitacional Álvaro Gaudêncio, popularmente conhecido como Malvinas, no município de Campina Grande, Paraíba, com quatro turmas do 2º ciclo do Ensino Fundamental, num total de 112 educandos, que equivalem à 21% do total de 528, com faixa etária de 8 a 14 anos.

Na TABELA 1. São apresentados os percentuais de educandos das quatro turmas por faixa etária.

Tabela 1. Faixa etária dos educando das quatro turmas

IDADE 3ª MANHÃ 3ª TARDE 4ª MANHÃ 4ª TARDE

08 09 10 11 12 13 14 7% 55% 33% -9% 32% 35% 16% -3% 28% 25% 17% 7% 17% -3% 23% 19% 42% 3% 7%

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A partir dos dados coletados através de observações diretas e entrevistas não estruturada, ocorridas durante as visitas, elaboramos um plano de trabalho de acordo com a percepção, sensibilização e reconhecimento das questões ambientais observadas nas ações e atitudes dos educandos até aquele momento.

As estratégias elaboradas, foram baseadas em encontros utilizando o tema transversal Meio Ambiente. Realizamos encontros semanais de duração de 1 hora e 30 minutos em cada turma, onde utilizamos: aulas, questionários objetivos e subjetivos e de diversas atividades tais como: dinâmicas de grupo, discussões sobre algumas questões ambientais; música; paródias, brinquedos cantados; estórias infantis; ginástica; jogos e brincadeiras; dramatização; leitura e interpretação de textos exposição de cartazes; brinquedos; oficinas de sucata; teatro de fantoches; amostra de vídeo; além da realização de palestra envolvendo o tema Resíduos Sólidos, a qual ocorreu no projeto FLOR (2000). Os temas saúde e sexualidade foram abordados por estarem relacionados com os temas transversais, pois acreditamos que toda educação é voltada para o meio ambiente. As estratégias utilizadas ao longo do trabalho foram aplicadas com o objetivo de promover a percepção ambiental, o levantamento ambiental e no processo de sensibilização, além de facilitar a coleta de dados. No QUADRO 1. Apresentamos as estratégias de forma resumida para coleta de dados.

Quadro 1. Estratégias utilizadas para coleta de dados

Estratégias Resultados ou dados

Frases, desenhos e observações Percepção ambiental

Questionário e observações Levantamentos dos problemas ambientais segundo os educandos

Música, vídeo, jogos, brincadeira, dinâmicas, teatro fantoche, aula extra classe, leitura e interpretação de

texto.

Sensibilização

Os dados coletados foram analisados de forma quanti e qualitativa.

RESULTADOS

Tomando como base a classificação do MEC, a maioria dos educandos, 68%, entende o meio ambiente como natural e 32% como ambiente construído. E 40% dos educandos representaram o ser humano inserindo no ambiente e suas representações retratam em uma praia, jardim, montanha. Isso confirma a visão de QUINTAS (1995) que “ o ser humano pensa e age como se estivesse fora do ambiente”.

O levantamento dos problemas ambientais citados pelos educandos demonstra a percepção bastante ampliada pois incorporam além dos problemas ecológicos, aspectos sociais, culturais e econômicos.

Através da percepção ambiental podemos traçar um perfil da comunidade que se deseja intervir partindo da realidade da mesma.

O processo de sensibilização teve por objetivo despertar a consciência ambiental, ou seja, a maneira como o ser humano entende o meio ambiente e como conseqüência interfere sobre ele; objetivamos também ampliar os conhecimentos dos educandos sobre as questões ambientais fazendo-os compreender que o ser humano é o responsável por estas questões, e estimular novas formas de comportamento e respeito relacionado com o meio ambiente.

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Após análise dos dados obtidos durante o processo de sensibilização, através das estratégias, em resumo foi possível alcançar os seguintes resultados:

• Envolver os educandos no processo de sensibilização; • Promover a integração dos educandos;

• Ampliar o conhecimento sobre o meio ambiente;

• Motivar os educandos através das atividades, tais como: leitura, música, jogos, brincadeiras e dinâmicas, entre outras;

• Estimular a criatividade, leitura, afetividade, socialização; • Trabalhar o corpo;

• Promover além da aprendizagem o lazer.

Portanto, as estratégias que promovem o desenvolvimento da Educação Ambiental tem como ponto de partida a sensibilização e que esta requer atividades que tornem os educandos participantes ativos no processo ensino-aprendizagem.

CONCLUSÕES

A crise ambiental que contrapõe o desenvolvimento e conservação do meio ambiente é decorrente da visão antropocêntrica do ser humano, na qual a natureza é tratada apenas como objeto de conhecimento e domínio. Como os reflexos e as consequências dessa crise atingem a todos, faz-se necessário repensar as ações, reconstruir conceitos, ampliar conhecimentos, para assim buscar viver em harmonia com o meio ambiente. O resultado desse estudo demonstra que a Educação Ambiental é um caminho eficaz para que ocorra uma transformação no comportamento do ser humano em relação ao meio ambiente, pois amplia o conhecimento possibilitando a compreensão crítica e complexa dos sistemas ambientais, suas inter-relações, como também o surgimento de possíveis soluções.

Temos como resultados dessa pesquisa, a constatação que os educandos em um primeiro momento percebem o meio ambiente natural, mas, apresentam uma compreensão sobre as questões ambientais bastante ampliada, inserindo no contexto questões sociais, culturais e econômicas além das ecológicas. O processo de sensibilização contribuiu para ampliação do conhecimento a cerca das questões ambientais, consequentimente favoreceu a uma melhor reconstrução de conceitos sobre o meio ambiente, em especial com alguns educandos que antes não percebiam o meio ambiente construído. Constatamos que as atividade práticas, onde o educando vê, toca e age, desperta maior interesse e participação, pois promove o contato direto com o meio ambiente e sempre relacionado com a realidade do educando.

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Figura 1. Meio Ambiente Como Tema Gerador.

Se faz necessário que o educador seja criativo, dinâmico e que ame o que faz, pois não existe receitas prontas para trabalharmos Educação Ambiental, tendo em vista que os conteúdos devem partir da realidade do educando.

Através desse estudo, não apresentamos conclusões definitivas, porque entendemos a Educação Ambiental como sendo um processo contínuo, o qual encontra-se sempre como ponto de partida o processo ensino-aprendizagem, pois o meio ambiente não é estático, e sim dinâmico, estando em constante modificação.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. BUSCAGLIA, Leo. Vivendo, amando e aprendendo. 22ª ed. Rio de Janeiro: Nova Era, 1998

2. FLOR, Ainda Maria Abrantes. Caracterização dos Resíduos Sólidos do Grupo Escolar Lafayete Cavalcanti; Uma contribuição para a implantação da coleta seletiva. Monografia. (Licenciatura e Bacharelado em Ciências Biológicas). 2000. UEPB. Campina Grande

3. FREIRE, Paulo. Educação e Mudança. 8º ed. Paz e Terra. Rio de Janeiro, 1983.

4. GUIMARÃES, Mauro. Educação Ambiental. Coleção “Temas em Meio Ambiente”. Unigranrio, Rio de Janeiro, 2000.

5. MINISTÉRIO da Educação e do Desporto. Parâmetros Curriculares Nacionais; Meio ambiente e saúde. Secretaria de Educação Fundamental. Brasília, 1997.

6. QUINTAS, J. S. Seminário sobre a formação do educador para atuar no processo de gestão ambiental. Brasília: Série Meio ambiente em Debate, IBAMA, 1995.

7. SILVA, Mônica Maria Pereira da. Estratégias em Educação Ambiental. Dissertação (mestrado em Desenvolvimento e Meio Ambiente – PRODEMA). 2000. Universidade Federal da Paraíba. Campina Grande

8. SILVA, Monica Maria Pereira da & LEITE, Valderi Duarte. Estratégias metodológicas para formação de educadores ambientais do ensino fundamental. In Anais XXVII Congresso Interamericano de Engenharia Sanitária e Ambiental. Porto Alegre, 2000

Referências

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