Unidade 3
Livro Didático Digital
Elaine Christine Pessoa Delgado e Giselly Santos Mendes
Combate e Prevenção de
Incêndios e Pânicos
Gerente Editorial
CRISTIANE SILVEIRA CESAR DE OLIVEIRA Projeto Gráfico
TIAGO DA ROCHA Autor
ELAINE CHRISTINE PESSOA DELGADO GISELLY SANTOS MENDES
AS AUTORAS
Elaine Christine Pessoa Delgado
Eu, Elaine, sou graduada em Administração de Empresas pela Universidade Federal de Campina Grande (2007), com uma experiência técnico-profissional na área de gerência de empresas há mais de 10 anos.
Giselly Santos Mendes
Eu, Giselly, sou Mestra em Qualidade Ambiental, Tecnóloga em Polímeros, Administradora e Educadora, com uma experiência técnico- profissional na área de Processos Gerenciais e Educacionais há mais de 12 anos.
Somos apaixonadas pelo que fazemos e gostamos de transmitir nossas experiências de vidas àqueles que estão iniciando suas profissões.
Por isso, fomos convidadas pela Editora Telesapiens a integrar seu elenco de autores independentes. Estamos muito felizes em poder ajudar você nesta fase de muito estudo e trabalho. Conte conosco!
ICONOGRÁFICOS
Olá. Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez que:
INTRODUÇÃO:
para o início do desenvolvimento de uma nova compe- tência;
DEFINIÇÃO:
houver necessidade de se apresentar um novo conceito;
NOTA:
quando forem necessários obser- vações ou comple- mentações para o seu conhecimento;
IMPORTANTE:
as observações escritas tiveram que ser priorizadas para você;
EXPLICANDO MELHOR:
algo precisa ser melhor explicado ou detalhado;
VOCÊ SABIA?
curiosidades e indagações lúdicas sobre o tema em estudo, se forem necessárias;
SAIBA MAIS:
textos, referências bibliográficas e links para aprofundamen- to do seu conheci- mento;
REFLITA:
se houver a neces- sidade de chamar a atenção sobre algo a ser refletido ou dis- cutido sobre;
ACESSE:
se for preciso aces- sar um ou mais sites para fazer download, assistir vídeos, ler textos, ouvir podcast;
RESUMINDO:
quando for preciso se fazer um resumo acumulativo das últi- mas abordagens;
ATIVIDADES:
quando alguma atividade de au- toaprendizagem for aplicada;
TESTANDO:
quando o desen- volvimento de uma competência for concluído e questões forem explicadas;
SUMÁRIO
Segurança em edificações e a central de gases
combustíveis ...10
Segurança em edificações ...10
Central de gases combustíveis ...16
Análise preditiva técnica sobre situações de risco ... 20
Análise preditiva ...20
Isolamento de risco e carga de incêndio nas edificações ... 30
Isolamento de risco ...30
Carga de incêndio nas edificações ...34
Sistema preventivo móvel e fixo na prevenção de incêndio e pânicos ... 39
Sistema preventivo móvel ...39
Sistema preventivo fixo ...42
Hidrantes e mangotinhos ...43
Chuveiros automáticos ...45
UNIDADE
03
INTRODUÇÃO
Você sabia que a maior parte da segurança contra incêndios é definida na etapa do projeto? Que a edificação que não possui um plano e programa estabelecido para a sua manutenção está propensa a vários tipos de perdas, não apenas a de vidas e patrimoniais? E que o sistema preventivo móvel é formado pelos extintores, e o sistema preventivo fixo possui como elementos de aspersão a água sobre o fogo, os hidrantes, mangotinhos, chuveiros automáticos e projetores ou bicos nebulizadores?
Vários fatores influenciam para que o incêndio não se propague, por exemplo, o tamanho da edificação, o leiaute ou, até mesmo, o tipo de construção. Dessa forma, é imprescindível a implementação de programa preventivos para que se saiba os riscos e quais as ações necessárias para que se evite os sinistros. Como também é fundamental conhecer como é efetuado o isolamento de risco entre as edificações e como devem ser os sistemas preventivos fixo e móvel.
Entendeu? Ao longo desta unidade letiva, você vai mergulhar neste universo!
OBJETIVOS
Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 3. Nosso propósito é auxiliar você no desenvolvimento das seguintes objetivos de aprendizagem até o término desta etapa de estudos:
1. Identificar os requisitos funcionais na segurança de um edifício e a central de gases combustíveis;
2. Aplicar os procedimentos de análise preditivas técnicas sobre situações de risco;
3. Examinar o isolamento de risco e a carga de incêndio nas edificações;
4. Diferenciar e descrever os sistemas preventivos móveis e fixo.
Então? Preparado para uma viagem sem volta rumo ao conhecimento?
Ao trabalho!
Segurança em edificações e a central de gases combustíveis
INTRODUÇÃO:
Ao término deste capítulo, você será capaz de identificar os requisitos funcionais na segurança de um edifício e o que é a central de gases combustíveis e a sua utilidade.
E então? Motivado para desenvolver esta competência?
Então, vamos lá. Avante!
Segurança em edificações
Conforme Seito et al. (2008), em todos os espaços compreendidos pelo processo produtivo, assim como a utilização do edifício, deve ser levada em consideração a segurança contra incêndio, percorrendo desde o estudo prévio, da concepção do anteprojeto, do projeto executivo até a construção, operação e manutenção.
Buxton (2017) explica que o propósito das medidas de prevenção a incêndios dentro de uma edificação se baseia em dificultar a propagação e reduzir a disseminação das chamas, e os fatores que influenciam isso são: o tamanho da edificação (a área, a altura, o volume), o leiaute e a configuração internos da edificação, os usos oferecidos e as necessidades dos usuários, os materiais de construção, os revestimentos internos e externos, o tipo de construção, as instalações e o mobiliário.
Tudo o que foi previsto no projeto deve ser considerado na fase de construção do edifício, pois a maior parte da segurança contra incêndios é definida nesta etapa do projeto, assim como muitas diretrizes são encaminhadas para a solução geral do problema, garantindo, assim, tanto a confiabilidade quanto a efetividade anteriormente previstas, esclarece Seito et al. (2008).
IMPORTANTE:
Se a segurança contra incêndio for ignorada em qualquer uma das fases, o edifício ficará vulnerável a riscos funcionais inadequados, gastos excessivos e níveis de segurança impróprios (SEITO et al., 2008).
Deve-se, ainda, lembrar que parte considerável dos problemas relacionados à proteção contra incêndio acontece durante a fase de operação do edifício e depende da caracterização do tipo de ocupação, de usuário e das regulamentações compulsórias existentes, explana Seito et al. (2008).
Para Brentano (2007), devem ser tomadas várias medidas de proteção contra o fogo (Figura 1), com o propósito de proteger as pessoas e o patrimônio, cada vez que for construída uma edificação, pois, além da edificação possuir um projeto de sistema de proteção bem organizado e integrado com todos os elementos arquitetônicos, ele deve ser cumprido conforme o projetado e conservado permanentemente em condições máximas de uso.
Figura 1: Medidas de proteção contra o fogo
Fonte: Freepik
Carvalho Junior (2017, p. 160) cita que “todas as edificações e áreas de risco onde for exigida a segurança estrutural contra incêndio devem
obedecer aos parâmetros e exigências da Instrução Técnica nº 08/11 (Resistência ao fogo dos elementos de construção)”.
Mas qual a finalidade dessa Instrução Técnica?
Seu objetivo baseia-se em determinar os requisitos a serem cumpridos pelos elementos estruturais e de compartimentação que integram as edificações, quanto aos Tempos Requeridos de Resistência ao Fogo (TRRF), para que, na ocorrência de incêndio, seja evitado o colapso estrutural pelo tempo necessário para permitir a saída segura das pessoas e o acesso para as operações do Corpo de Bombeiros, descreve Carvalho Junior (2017).
IMPORTANTE:
As medidas de segurança contra incêndio nas edificações e áreas de risco devem ser exibidas ao Corpo de Bombeiros, lembra Carvalho Junior (2017).
Seito et al. (2008) destacam que as condições funcionais a serem seguidas por um edifício seguro estão associadas à sequência de estágios de um incêndio, as quais se desenvolvem no seguinte fluxo:
início do incêndio, crescimento do incêndio no local de origem, combate, propagação para outros ambientes, evacuação do edifício, propagação para outros edifícios e ruína parcial ou total do edifício.
Constituída a sequência de fases de um incêndio, Seito et al.
(2008) consideram que os requisitos funcionais atendidos pelos edifícios abrangem:
• impedir o acontecimento do princípio de incêndio;
• ocorrido o princípio de incêndio, bloquear a ocorrência da inflamação espalhada no ambiente;
• permitir a extinção do incêndio no local de origem, antes que a inflamação se espalhe;
• nstalada a inflamação generalizada no ambiente de origem do incêndio, atrapalhar o alastramento para outros lugares;
• possibilitar a evasão dos usuários do edifício;
• dificultar o alastramento do incêndio para edifícios próximos;
• conservar o edifício íntegro, sem danos, sem ruína parcial ou total;
• permitir intervenções de natureza de combate ao fogo e de resgate ou salvamento de vítimas.
Os edifícios podem ser divididos, segundo Carvalho Junior (2017), em grupos de risco, de acordo com, principalmente, três características:
tipos de ocupação (atividade ou uso da edificação), altura da edificação e a carga de incêndio.
NOTA:
As exigências do sistema de segurança são realizadas conforme a classificação de cada edifício (CARVALHO JÚNIOR, 2017).
A ocupação depende do tipo de serviço a que se dedica o empreendimento (habitações residenciais, edificações comerciais, industriais etc.). A altura e a limitação de área estão restritamente associadas ao combate ao fogo, assim, quanto maior a altura, mais difícil a saída das pessoas e o acesso das equipes de combate, deste modo, maiores são as exigências quanto aos sistemas de segurança, elucida Carvalho Junior (2017).
Buxton (2017) cita algumas precauções que devem ser tomadas, tais como: a proteção da estrutura, evitando o colapso estrutural inesperado; a determinação da combustibilidade dos principais elementos estruturais; o aprovisionamento adequado e correspondente de saídas de emergência; o acesso para os bombeiros (Figura 2) na extensão e através da edificação, para que eles possam alcançar o foco do incêndio e apagá-lo prontamente; e, a compartimentação e separação para limitar o alastramento das chamas, a conservação dessas divisões através da proteção das aberturas.
Figura 2: Acesso para os Bombeiros
Fonte: Freepik
Mas o que é compartimentação, você sabe?
Compartimentação de áreas diz respeito a uma medida de proteção passiva, formada de elementos de construção resistentes ao fogo com a finalidade de evitar ou minimizar a propagação do fogo, calor e gases, tanto interna quanto externamente ao edifício e no mesmo pavimento ou para pavimentos elevados sucessivos, informa o Corpo de Bombeiros de São Paulo (2006).
A compartimentação pode ser de forma horizontal ou vertical.
A compartimentação horizontal tem como objetivo evitar o alastramento do incêndio do lugar de origem para outros ambientes no plano horizontal. Ela pode ser alcançada através dos seguintes dispositivos: paredes e portas corta-fogo; registros corta-fogo nos dutos que transpassam as paredes corta--fogo; selagem corta-fogo da passagem de cabos elétricos; tubulações das paredes corta-fogo;
vedadores corta-fogo; e, afastamentos horizontais entre as aberturas, descreve Carvalho Junior (2017).
Já a compartimentação vertical tem como propósito evitar a propagação de incêndio na direção vertical, isto é, entre pavimentos elevados imediatos, e pode ser realizada na cobertura ou no interior dos edifícios. São exemplos: entrepisos corta-fogo; enclausuramento de escadas, por meio de parede corta-fogo; enclausuramento de poços de elevadores e monta-carga, por meio de parede corta-fogo; selos corta- fogo, entre outros, ilustra Carvalho Junior (2017).
SAIBA MAIS:
Quer se aprofundar neste tema? Recomendamos o acesso ao seguinte artigo, fonte de consulta e aprofundamento:
“Projeto de edificações visando à segurança contra incêndio”
(MORAES). Disponível pelo link: https://bit.ly/3dIdGuV.
(Acesso em: 20 ago. 2020).
Outras precauções que devem ser tomadas, de acordo com Buxton (2017), são: a instalação e manutenção seguras das estruturas, dos equipamentos que causam calor e dos equipamentos dos usuários;
o isolamento dos espaços de alto risco com uma construção resistente ao fogo, protegendo as áreas próximas; instalações ativas de combate a incêndio para detectar ou dominar o fogo desde o seu surgimento, assim como diminuir seu desenvolvimento; e, fornecimento de ventilação natural ou mecânica, exaustão de fumaça para possibilitar a evacuação e o combate a incêndios.
Além disso, tem: a limitação da propagação das chamas através do emprego rigoroso dos materiais; paredes externas resistentes ao fogo ou a separação de ambientes para evitar o alastramento do fogo para as propriedades próximas; a proteção das aberturas das paredes externas e nas coberturas a utilização de isolamento com a combustibilidade delimitada restringindo a ignição e a propagação; treinamento de pessoal (Figura 3) e procedimentos de evacuação, manutenção dos equipamentos
de prevenção a incêndios, análise de riscos, políticas de gerenciamento, explicita Buxton (2017).
Figura 3: Treinamento de pessoal
Fonte: Freepik
As exigências das medidas de segurança contra incêndio de uma edificação diferem de acordo com as características da construção, devendo-se analisar antecipadamente os riscos envolvidos e, em seguida, determinar o melhor sistema de segurança a ser projetado, tendo-se em mente que um bom projeto é aquele que compreende a maior segurança possível com o menor custo, ou seja, o projetista deve analisar também a relação “custo-benefício” do projeto como um todo, tornando-o seguro e economicamente viável, explana o Corpo de Bombeiros de São Paulo 2006.
Central de gases combustíveis
Segundo o Corpo de Bombeiros de São Paulo (2006), o gás liquefeito de petróleo (GLP) é um produto formado de hidrocarbonetos com três ou quatro átomos de carbono (propano, propeno, butano, buteno), podendo
apresentar-se em mistura entre si e com pequenas frações de outros hidrocarbonetos, onde apresenta as seguintes características:
• apresenta-se na forma gasosa sob a pressão atmosférica (pressão normal do ambiente);
• é mais pesado que o ar, causa que o faz acumular-se nas partes mais baixas dos ambientes, até mesmo entrando em tubulações de esgoto através de ralos, em subsolos, porões etc.;
• torna-se líquido quando submetido a altas pressões e, nessa forma, é armazenado em recipientes de aço;
• oferece grande risco de explosão ambiental quando espalhado em locais fechados (sem ventilação suficiente);
• quando liquefeito apresenta temperatura muito abaixo de 0°C, causando queimaduras quando em contato com os seres vivos.
Por esses motivos, seu armazenamento deve ser realizado de acordo com as respectivas exigências.
Fernandes (2010) define a central de GLP (Gás Liquefeito de Petróleo) a área devidamente demarcada que compreende os recipientes transportáveis ou estacionário(s) e acessórios, indicados para o armazenamento de GLP para consumo da própria instalação.
Fernandes (2010) ainda explica que são obrigatórias as instalações de central de gases combustíveis em: todas as edificações de Risco Leve com 3 ou mais pavimentos ou área igual ou superior a 1.500 m², que usem gases combustíveis; todas as edificações de Risco Moderado ou Elevado que usem gases combustíveis; hospitais, clínicas, escolas e outros estabelecimentos com público transitório, que façam uso de gases combustíveis; todas as edificações que empreguem gases combustíveis com abastecimento a granel.
SAIBA MAIS:
Aprofunde-se nesse item lendo a Instrução Técnica 28/2018 – Manipulação, armazenamento, comercialização e utilização de gás liquefeito de petróleo (GLP), conforme dispõe o Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Estado de São Paulo. Disponível pelo link: https://bit.ly/34fLXid.
(Acesso em: 21 ago. 2020).
A central de gás tem suas instalações fixas (botijões e tubulações) com a finalidade de fornecimento de gás combustível para o consumo de uma edificação, assim como possui as caixas de reguladores de segundo estágio, que são instaladas em cada pavimento para diminuir a pressão do gás que sai do botijão, mencionam Liberato e Souza (2015).
O proprietário ou responsável pela edificação deverá demonstrar a existência de responsabilidade técnica pelo cumprimento e de manutenção periódica das instalações de gases combustíveis, explana Fernandes (2010).
RESUMINDO:
E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Neste capítulo, você deve ter compreendido que o tamanho da edificação, o leiaute e a configuração internos da edificação, os usos oferecidos e as necessidades dos usuários, os materiais de construção, os revestimentos internos e externos, o tipo de construção, as instalações e o mobiliário influenciam nas medidas de prevenção a incêndios de uma edificação, sendo de extrema importância que a construção seja de acordo com todas as etapas previstas no projeto arquitetônico, assim como devem ser conservados de forma permanente em condições máximas de uso. Viu, ainda, os requisitos funcionais que devem ser atendidos pelos edifícios, as exigências da IT 08/11 que devem ser obedecidas e as precauções que devem ser tomadas. Por fim, você conheceu o gás liquefeito de petróleo (GLP), suas principais características, o que é a central de gases liquefeitos de petróleo e onde existe a obrigação desse tipo de instalação.
Análise preditiva técnica sobre situações de risco
INTRODUÇÃO:
Neste capítulo, iremos aplicar os procedimentos de análise preditiva técnicas sobre situações de risco que possam acarretar um incêndio.
Análise preditiva
Para Seito et al. (2008), as medidas de segurança contra incêndio em uma edificação são imprescindíveis e essenciais para a prevenção e diminuição de acontecimentos e seus danos. A edificação que não tem um plano e programa estabelecido para a sua manutenção está propensa à situação de sinistros e, por conseguinte, aos riscos à vida, a perdas de ativos e a bens patrimoniais e impactos negativos ao meio ambiente.
A confiabilidade dos sistemas e equipamentos empregados na segurança contra incêndio deve ser verificado em todo o seu ciclo de vida, desde a concepção do projeto, especificações, construção, montagem, recebimento técnico, utilização, operação e manutenção, complementam Seito et al. (2008).
Almeida (2014) esclarece que o setor de manutenção também deve fornecer todos os recursos indispensáveis para assegurar que máquinas, equipamentos e instalações das edificações estejam em perfeito estado de desempenho. Isso compreende paredes, telhado, tubulações
hidráulicas, instalações elétricas e o amplo conjunto de móveis, veículos, máquinas, equipamentos, existentes no interior da edificação.
IMPORTANTE:
O uso inadequado de equipamentos elétricos, instalações elétricas subdimensionadas, gambiarras, falta de proteção nos circuitos, tomadas elétricas sobrecarregadas e equipamentos elétricos funcionando de forma irregular, exibindo faíscas, superaquecimento, como também os atritos que acontecem em máquinas e equipamentos com defeito de arrefecimento são algumas das causas de incêndios, informa Brentano (2007).
Dessa forma, a manutenção (Figura 4), tanto nos instrumentos de proteção quanto nas instalações e nos equipamentos das edificações, é imprescindível.
Figura 4: Manutenção
Fonte: Pixabay
Xenos (2014) classifica as manutenções em corretiva, preventiva e preditiva, sendo: a manutenção corretiva aquela que sempre é realizada depois que a falha aconteceu e do ponto de vista de manutenção ela se apresenta como a mais barata, contudo, pode gerar grandes perdas; a manutenção preventiva aquela que envolve algumas tarefas sistemáticas,
como inspeções, reformas e trocas de peças, e acaba se tornando mais cara devido à troca das peças e à reforma dos componentes antes de chegarem ao seu limite de vida útil; e, a manutenção preditiva permite otimizar a troca das peças ou reforma dos componentes e ampliar o intervalo de manutenção, pois possibilita antecipar quando a peça ou o componente estarão próximos do seu limite de vida útil.
NOTA:
A manutenção preditiva consiste em inspeções periódicas, em que dados como temperatura, vibração, ruídos excessivos, entre outros, são verificados através de aparelhos específicos, demonstra Almeida (2014).
As técnicas de manutenção preditiva têm sido gradativamente difundidas, até mesmo por alguns especialistas em manutenção como algo muito avançado e ausente aos outros métodos de manutenção, e, por causa do emprego de tecnologia desenvolvida, a manutenção preditiva costuma ser abordada de forma diferenciada dentro das empresas, quase como uma ciência avançada demais para ficar nas mãos de qualquer pessoa, ilustra Xenos (2014).
Com a manutenção preditiva é possível mostrar as reais condições de desempenho da máquina, conforme os dados adquiridos através dos fenômenos exibidos por ela quando alguma peça começa a se desgastar ou alguma regulagem é precisa, ou o que os mecânicos popularmente chamam de “ouvir a máquina”. Esta análise possibilita a verificação das reais situações do equipamento e como anda a evolução de um defeito, permitindo o planejamento em curto prazo para uma intervenção de manutenção para a troca de peças e a supressão do defeito, além de demonstrar o tempo de vida útil dos componentes das máquinas e dos equipamentos e as condições para que esse tempo de vida útil seja bem aplicado, esclarece Almeida (2014).
NOTA:
A manutenção preditiva, para Xenos (2014), é um dos elementos da manutenção preventiva, pois, ao executar a manutenção preditiva, suas atividades devem fazer parte do planejamento da manutenção preventiva.
Loser (2013) entende que, se considerarmos os resultados das investigações dos episódios desfavoráveis, os quais chamamos de acidentes, encontraremos fatores causais que aparecem com frequência, nas plantas operacionais das empresas. Dessa forma, faz-se imprescindível a implementação de programas preventivos para termos ciência dos riscos e ações essenciais e evitar que aconteça os sinistros. Muitos incêndios acontecem por falta de planos de lubrificação preventiva, em rolamentos, mancais, peças giratórias, assim como partes móveis, mal lubrificados e mal ajustados também estão entre as fontes de atrito e calor e são responsáveis por grandes incêndios.
Figura 5: Muitos incêndios
Fonte: Freepik
Os equipamentos e máquinas devem ter manutenção e lubrificação periódicas para impedir o aquecimento, que põe em risco o ambiente de trabalho, informa Senai (2017).
Desse modo, medidas preventivas de manutenção e lubrificação devem integrar a rotina de trabalho nas empresas, devendo ser oferecida atenção especial para máquinas e equipamentos situados em ambientes de difícil acesso, pois é corriqueiro nestes lugares os trabalhos de manutenção, lubrificação e de inspeção serem relaxados, menciona Loser (2013).
De acordo com Camilo Junior (2019), a maioria dos grandes incêndios já sucedidos surgiram devido a problemas elétricos, sobrecarga, curto-circuito e outros, por esse motivo é muito importante que todas as instalações sejam examinadas e bem dimensionadas, quanto à carga que irão aguentar, por profissionais especializados na área. A fiscalização é a melhor ação preventiva e a manutenção apropriada, sempre que preciso, é a arma contra o sinistro.
Camilo Junior (2019) ainda explica que a eletricidade estática é a aglomeração de potencial elétrico de um corpo em relação ao outro e aparece em máquinas em movimentos e este acúmulo pode ser evitado colocando “terra” às máquinas, pois o desenvolvimento de potencial elétrico não pode ser impedido, contudo, pode-se evitar o acúmulo, como no caso da descarga elétrica do raio.
IMPORTANTE:
Os incêndios causados pelos raios são muito comuns, por isso todas as edificações devem possuir a proteção de um para-raios, cuja instalação e manutenção devem ser realizadas por especialistas (SENAI, 2017).
Araújo (2005) complementa afirmando que o perigo mais elevado que a eletricidade estática pode efetuar são as faíscas que poderão
provocar explosão de vapores, gases, poeiras, inflamáveis etc., que decorrem em incêndio.
O aterramento relaciona-se com a ligação intencional de partes de uma instalação elétrica a uma ligação de terra comum e, geralmente, o aterramento protege contra dois riscos: incêndio e choque elétrico. Existe risco de incêndio quando uma corrente se evade de um fio energizado partido ou de uma conexão e chega a um ponto de tensão zero por algum caminho diferente do caminho normal, este caminho acaba apresentando uma resistência elevada, assim, a corrente pode gerar calor suficiente, por efeito Joule, para iniciar um incêndio, descreve Petruzella (2013).
Máquinas, equipamentos, prateleiras, contêineres, tanques etc., devem estar aterrados, senão poderá se desenvolver o Triângulo do Fogo, causando incêndios (SENAI, 2017).
VOCÊ SABIA?
Quando o fusível queima sucessivas vezes é sinal de problemas na instalação elétrica, assim, não se devem trocar fusíveis normais por outros de maior capacidade, adaptados ou mesmo por recursos caseiros, como moedas etc., pois esse improviso extingue a proteção da instalação elétrica, explana Senai (2017).
Outra maneira de prevenção é prestar atenção aos trabalhos efetivados nas empresas que possam provocar ignição, para isso, a Permissão de Trabalhos a Quente apresenta os procedimentos essenciais para vistoriar os ambientes e maneiras de desempenhar os trabalhos a quente (Figura 6) na manutenção de equipamentos e máquinas, dando orientação para a efetivação segura do trabalho e treinamentos para as atividades executadas, menciona Loser (2013).
Figura 6: Trabalho a quente
Fonte: Freepik
Valle (2019) lembra que, no Brasil, ainda não existe uma regulamentação que determine nesses casos a implantação de uma Norma sobre Trabalho a Quente, mas, com certeza, as boas práticas transformam essa norma essencial, pois fazer uma boa solda numa área de inflamáveis, sem adotar uma norma de trabalho a quente é, seguramente, um risco inaceitável.
Os processos de autorização de trabalho devem fazer menção, quando cabíveis, aos métodos de sinalização e bloqueio, liberação e supervisão de entrada em espaços confinados, cuidados no trabalho a quente, entre outros. Este procedimento também deve antecipar medidas claras de passagem de serviço assim como as fases de encerramento, relata Araújo (2010).
A finalização de um trabalho deve prever a liberação de pressões residuais, descontaminação de linhas, purga para evitar formação de misturas explosivas, destinação adequada de resíduos, guarda de equipamentos, entre outras situações perigosas, cita Araújo (2010, p. 236).
Aos trabalhos efetivados a quente, com probabilidade de produção de fontes de ignição ou inerentes à atividade (solda, corte, moagem,
perfuração, uso de ferramentas elétricas, trabalho em altura, entre outros), deve-se antecipar um processo formal de autorização que abarque o executante e as áreas acometidas. Como medidas preventivas, poderá ser realizado o acompanhamento dos níveis de explosividade da área, o bloqueio onde indispensável, o isolamento da área e de combustíveis em um raio mínimo sugerido de 10 m (ou maior, dependendo das condições da atividade), fornecimento adicional de ventilação ou exaustão, além de uma reunião de trabalho para explicar quais atividade serão realizadas e quais as demais medidas a serem tomadas, descreve Fazenda (2009).
IMPORTANTE:
Todos os ambientes em que não são permitidos trabalhos a quente devem estar devidamente sinalizados, de acordo com a NR 26 – Sinalização de Segurança (LOSER, 2013).
O acesso a espaços confinados também é outra tarefa que devemos analisar, descritos como espaços fechados (tanques, caldeira, grande container, caixas subterrâneas, entre outros), recomenda-se um acompanhamento dos níveis de oxigênio e de explosividade para a efetivação dessas atividades, e a iluminação deve ser à prova de explosões de baixa voltagem. Todos os espaços confinados (Figura 7) devem ser inventariados e identificados, além disso, uma reunião entre executores, responsáveis pela área e pessoal de segurança, deve ser dirigida antes da autorização formal, que terá validade apenas para o tempo previsto para a realização da atividade, devendo ser reavaliada se necessário, lembra Fazenda (2009).
Figura 7: Espaços confinados
Fonte: Freepik
Vejamos mais alguns pontos:
Os líquidos inflamáveis não devem ser armazenados com materiais combustíveis sólidos, nem estocados em grandes quantidades nos ambientes de trabalho, pois o acúmulo de gases desprendidos dos materiais pode causar explosões que começariam incêndios, explica Senai (2017).
Deve-se, também, evitar o acúmulo de lixo nas prateleiras, assim como o acúmulo de materiais molhados de substâncias inflamáveis, como óleos, graxas e solventes, pois esses tecidos encharcados de óleo podem inflamar naturalmente, assim como a falta de arrumação e limpeza promove o crescimento do fogo, atrapalhando sua extinção (SENAI, 2017).
Senai (2017) ainda menciona que não se deve esquecer que apenas um simples cigarro pode causar grandes tragédias, assim, ao terminar de fumar, deve-se apagar totalmente o que restou dele e, ao jogar as cinzas
e pontas de cigarro no lixo, é imprescindível que se observe se estão realmente apagadas.
RESUMINDO:
Neste capítulo, você deve ter compreendido que os sistemas de segurança e equipamentos empregados no combate a incêndio devem ser continuamente verificados, assim como as máquinas, equipamentos, instalações e toda a estrutura da edificação, pois, sem a devida manutenção, corre-se o risco de acontecer os sinistros. Viu que as manutenções podem ser do tipo corretiva, preventiva e preditiva, e que a preditiva permite otimizar a troca de peças ou reforma dos componentes ampliando o intervalo de manutenção e possibilitando prever o momento em que estarão próximos do seu limite. Por fim, aprendeu que é imprescindível a observação de várias causas de incêndios, adotando meios preventivos para evitar seus acontecimentos, como no caso de falta de lubrificação preventiva em rolamentos, mancais, peças giratórias, assim como partes móveis, mal lubrificados e mal ajustados, que também estão entre as fontes de atrito e calor e são responsáveis por grandes incêndios, assim como os problemas elétricos, sobrecarga, curto-circuito e outros. Por esse motivo, é muito importante que todas as instalações sejam examinadas e bem dimensionadas quanto à carga que irão aguentar por profissionais especializados na área.
E, além disso, viu os trabalhos efetivados nas empresas que possam provocar ignição, por isso a Permissão de Trabalhos a Quente apresenta os procedimentos essenciais para vistoriar os ambientes e as maneiras de desempenhar os trabalhos a quente. Já o acesso a espaços confinados recomenda-se um acompanhamento dos níveis de oxigênio e de explosividade para a efetivação dessas atividades, e a iluminação deve ser à prova de explosões de baixa voltagem, como também nos casos dos líquidos inflamáveis, do acúmulo de lixo e da utilização do cigarro.
Isolamento de risco e carga de incêndio nas edificações
INTRODUÇÃO:
Neste capítulo, iremos examinar as principais características e a importância do isolamento de risco e a descrição da carga de incêndio das edificações.
Isolamento de risco
De acordo com Fernandes (2010), as edificações poderão ser classificadas em vários aspectos, quando seguidas as Normas Brasileiras e os Códigos de Prevenção de Incêndios existentes, contudo, no que se refere à construção e ao risco de incêndio elas podem ser classificadas da seguinte forma.
Quanto à construção:
• Combustíveis – abrangem as edificações construídas no todo ou em partes em madeira;
• Resistentes ao fogo – compreendem as edificações construídas com materiais que resistem ao fogo, como o ferro;
• Incombustíveis – abrangem as edificações construídas absolutamente em concreto.
Quanto ao risco de incêndio:
• Risco leve – envolvem as edificações de potencial calorífico sutil;
• Risco moderado – incluem as edificações de potencial calorífico limitado;
• Risco elevado – abarcam as ocupações de potencial calorífico intenso.
Para o dimensionamento da área de risco de uma edificação (Figura 8), são consideradas como área de risco todo ambiente coberto ou não, onde possa acontecer o incêndio, sendo que serão calculadas como área de risco as áreas cobertas, ainda que edificadas em material incombustível
ou resistente ao fogo, e as áreas descobertas serão calculadas como área de risco quando empregadas como depósito de materiais combustíveis, informa Fernandes (2010).
Figura 8: Risco de uma edificação
Fonte:Freepik
As áreas de risco, segundo Fernandes (2010), são classificadas em:
isoladas, compartimentadas e incorporadas:
• A área de risco isolada é a separada de qualquer outra área de risco por espaços desocupados e poderão ser dimensionadas em separado e peculiar a cada agrupamento de áreas isoladas.
• A área de risco compartimentada é aquela que possui compartimentação horizontal ou vertical através de elementos construturais, os quais apresentam resistência à propagação do fogo a outras partes do risco ou a outros riscos e poderão ter seus dimensionamentos efetuados sobre o risco específico de cada área compartimentada, sendo que o sistema preventivo será definido em razão da somatória destas áreas.
• Já a área de risco incorporada é aquela que não possui isolamento, tornando possível a propagação do fogo a outras áreas de risco e
terão seus dimensionamentos executados sobre o risco específico de cada área, obedecidas as exigências mínimas do risco predominante.
Para o Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro (2019, p. 3), o isolamento de risco apresenta-se com a “distância ou proteção que eliminam o risco de transmissão do fogo, de tal forma que, para fins de previsão das exigências de medidas de segurança contra incêndio, uma edificação seja considerada independente em relação à outra”.
De acordo com a Instrução Técnica nº 07/11 – Separação entre edificações – Isolamento de risco, o propósito da separação entre edificações (Figura 9) é controlar o risco de propagação do incêndio por radiação de calor, convecção de gases quentes e transmissão de calor, garantindo que o incêndio derivado de uma edificação não se alastre para outra, esclarece Carvalho Junior (2017).
Figura 9: Separação entre edificações
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Seito et al. (2008) explica que o isolamento de risco efetuado através do afastamento entre edificações pode ser alcançado por distâncias seguras entre fachadas (caso mais comum) ou entre a cobertura de uma edificação de menor altura e a fachada de uma edificação próxima. Essa distância segura está diretamente associada ao nível de radiação oriunda
da edificação expositora, condição que depende da severidade do incêndio, da área de aberturas da fachada e da resistência das paredes.
NOTA:
A severidade do incêndio está associada ao tamanho do compartimento incendiado e à carga de incêndio da edificação, explanam Seito et al. (2008).
O isolamento de risco pode ser obtido por parede corta-fogo entre as edificações e isolamento de risco em instalações.
O isolamento de risco por parede corta-fogo se refere ao tipo de afastamento entre as edificações que pode ser trocado por uma parede corta-fogo construída de acordo com as normas técnicas e que tenha como características principais a resistência ao fogo, resistência mecânica, isolamento térmico e estanqueidade, sem qualquer tipo de abertura, mesmo que protegida. Deve ter resistência mecânica necessária para aguentar, sem grandes danos, impactos de cargas ou equipamentos normais em trabalho, assim como suportar o colapso da estrutura do telhado em caso de danos. A propriedade de isolamento térmico deve atribuir à parede corta-fogo a capacidade de suportar à transmissão de calor, evitando que a temperatura na face não exposta ao fogo supere determinados limites. A estanqueidade evita a passagem de chamas ou gases quentes, por um período de tempo determinado, esclarecem Seito et al. (2008).
Já o isolamento de risco em instalações demonstra que é possível fazer o isolamento de riscos em instalações da mesma maneira que em edificações, seja por distâncias seguras, de forma que o fogo não possa se alastrar, seja por paredes corta-fogo, tornando as instalações separadas.
Contudo, algumas diferenças devem ser consideradas, sendo a primeira delas a que todas as instalações de produção, armazenamento e distribuição de líquidos ou gases combustíveis ou inflamáveis devem possuir determinadas distâncias de edificações, vias de circulação (públicas ou internas à edificação), transformadores ou outros equipamentos elétricos etc., nessa situação, o isolamento de risco é
obrigatório, e não uma opção ao projetista. Outra diferença importante é que, nas prováveis situações de existir troca da distância por paredes corta-fogo, esses elementos devem possuir tempo de resistência ao fogo superior àqueles empregados para isolamento em edificações, sendo, assim, mais robustos, citam Seito et al. (2008).
Carga de incêndio nas edificações
A carga de incêndio, conforme Silva (2014), é a totalização dos potenciais caloríficos de todos os materiais nos interiores do compartimento, envolvendo mobiliário, revestimentos e outros materiais combustíveis e, possivelmente, até a estrutura (madeira).
Para Fernandes (2010), a carga de incêndio é o material combustível de uma edificação ou de parte dela, manifestado em termos de massa média de materiais combustíveis por unidade de área, sendo calculada a liberação de calor com base no valor calorífico dos materiais, abrangendo móveis e o seu conteúdo, divisórias, acabamento de pisos, paredes e forros, tapetes, cortinas e outros.
“Portanto, podemos resumir a definição de carga de incêndio de um prédio, na quantidade máxima de material combustível existente na sua estrutura e na sua ocupação, passíveis de queimar em caso de incêndio”, descreve Fernandes (2010, p. 21).
IMPORTANTE:
Para a análise da carga de incêndio, o fator mais importante a ser levado em consideração é o poder calorífico dos vários combustíveis, ou seja, o número de calorias tiradas por quilo de combustível completamente queimado, informa Fernandes (2010).
Buxton (2019) explica que a maioria da carga de incêndio de uma edificação é formada pelos materiais internos, sobre o qual o projetista talvez não desempenhe qualquer influência. Alguns tipos de ocupações apresentam controles ligados à possibilidade de ignição do mobiliário (as edificações domésticas e onde existe aglomeração de indivíduos, com
legislação relativa ao licenciamento, hospitais e prisões, segundo as normas governamentais).
A carga de incêndio de um prédio é um elemento que deixa analisar de acordo com a teoria a intensidade do fogo (Figura 10) na casualidade de acontecer um incêndio, deste modo dispensa colocar uma classificação da intensidade provável de incêndios em prédios conforme a sua ocupação, lembra Fernandes (2010).
Figura 10: Intensidade do fogo
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Fernandes (2010) esclarece que, na prática, alguns aspectos são importantes na análise da carga de incêndio, devendo sempre serem considerados:
• que a intensidade do incêndio é verificada pelo tipo de material incendiado e pela velocidade da queima;
• que a rapidez da combustão é altamente influenciada pela disposição do material, pois a velocidade da combustão será realizada na razão direta das áreas reveladas, assim, materiais estocados em pilhas sólidas queimarão mais vagarosamente que os organizados em
prateleiras tipo “racks” com extensos canais de ventilação verticais e horizontais;
• que na duração de um incêndio o principal motivo é a quantidade de material suscetível de ser incendiado;
• iguais quantidades de materiais de queima rápida e de queima lenta podem causar incêndios de duração diferentes e nem sempre comparáveis, pois as edificações em geral, conforme as suas características particulares, têm cargas de incêndios exclusivas de acordo com a sua ocupação.
SAIBA MAIS:
Aprofunde-se nesse tema lendo a Norma de Procedimento Técnico 014 – “Carga de incêndio nas edificações e áreas de risco” (CORPO DE BOMBEIROS DO PARANÁ). Disponível pelo link: https://bit.ly/35jse0r (Acesso em: 20 ago. 2020) O potencial calorífico é a grandeza que caracteriza a quantidade de energia térmica compreendida em um determinado material e é medido em megajoule (MJ), elucida Silva (2014).
Segundo Silva (2014), o valor da carga de incêndio pode ser determinado ou por medição ou levando em consideração valores padronizados. Determinar por medição significa avaliar a massa (kg) de cada material interno ao compartimento e multiplicar pelo seu respectivo potencial calorífico específico (MJ/kg), assim, o resultado final será a carga de incêndio (Figura 11).
Figura 11: Carga de incêndio
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Já os valores padronizados podem ser encontrados nas normas técnicas dos Corpos de Bombeiros dos Estado, por exemplo, na do Corpo de Bombeiros do Paraná.
Exemplo: Tome-se uma mesa de madeira de 20 kg arquivando 5 kg de papel. A carga de incêndio móvel será: 20 kg x 17,5 MJ/kg + 5 MJ x 20 MJ/kg = 450 MJ (tomando como referência o potencial calorífico da madeira sendo 17,6 MJ/kg e o do papel 20 MJ/kg), exemplifica Silva (2014).
Fernandes (2010) ainda demonstra que devido à sua carga de incêndio é que, de forma genérica, podemos classificar a edificação segundo o seu risco, sendo que:
• Risco Leve – Carga de Incêndio até 300 MJ/m²;
• Risco Moderado – Carga de Incêndio entre 300 e 1.200 MJ/m²;
• Risco Elevado – Carga de Incêndio acima de 1.200 MJ/m².
A carga de incêndio específica é o valor da carga de incêndio em um compartimento dividido pela área de piso do compartimento, portanto,
sua unidade de medida será em megajoule por metro quadrado (MJ/m2), menciona Fernandes (2010).
RESUMINDO:
Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que as edificações podem ser classificadas: quanto à construção em combustíveis, resistentes ao fogo e incombustíveis; e quanto ao risco de incêndio em risco leve, risco moderado e risco elevado; e, são consideradas como área de risco todo ambiente coberto que possa acontecer o incêndio e essas áreas de risco são classificadas em isoladas, compartimentadas e incorporadas. Viu que o isolamento de risco é a distância ou proteção que eliminam o risco de transmissão do fogo, de tal forma que, para fins de previsão das exigências de medidas de segurança contra incêndio, uma edificação seja considerada independente em relação à outra; que risco efetuado através do afastamento entre edificações pode ser alcançado por distâncias seguras entre fachadas ou entre a cobertura de uma edificação de menor altura e a fachada de uma edificação próxima, e que o isolamento de risco pode ser obtido por parede corta-fogo entre as edificações e isolamento de risco em instalações. Por fim, compreendeu a carga de incêndio que é a totalização dos potenciais caloríficos de todos os materiais nos interiores do compartimento, envolvendo mobiliário, revestimentos e outros materiais combustíveis e, possivelmente, até a estrutura (madeira), e como esta carga de incêndio pode ser calculada.
Sistema preventivo móvel e fixo na prevenção de incêndio e pânicos
INTRODUÇÃO:
Neste capítulo, iremos diferenciar e descrever os sistemas fixo e móvel, demonstrando as exigências de cada um deles nas edificações.
Sistema preventivo móvel
O sistema preventivo móvel é formado pelos extintores, e, como o próprio nome diz, eles podem ser movimentados, não sendo fixos.
Fernandes (2010) explica que será obrigatório o sistema móvel de proteção contra incêndios por extintores em todas as edificações submetidas ao Código de Prevenção de Incêndios do Corpo de Bombeiros, mesmo nas edificações em que for determinado o uso do sistema fixo de proteção contra incêndios por hidrantes.
O Corpo de Bombeiros de São Paulo (2018) determina que a quantidade e o tipo de extintores portáteis e sobre rodas devem ser dimensionados para cada ambiente conforme:
• a área a ser protegida;
• as distâncias a serem atravessadas para alcançar o extintor;
• os riscos a proteger (resultante de variável “natureza da atividade praticada ou equipamento a proteger”).
Os extintores deverão estar situados onde tiver menor probabilidade do fogo dificultar o seu acesso, onde ficarem visíveis, para que todos os usuários da edificação fiquem familiarizados com a sua localização, e não deverão ficar escondidos por pilhas de mercadorias, matérias-primas ou outro material qualquer, além de estarem protegidos contra golpes, explicita Fernandes (2010).
NOTA:
Os extintores devem ser espalhados de tal forma que seja adequado à extinção dos tipos de incêndios dentro de sua área de proteção, relata Carvalho Junior (2017).
Todos os extintores deverão possuir selos do INMETRO, e este selo deve conter a data de fabricação do extintor, e a cada 5 anos estes deverão ser submetidos a teste hidrostático para garantia do casco do aparelho.
Nas etiquetas de carga (Figura 12) e recarga dos extintores deverá estar incluído o nome do proprietário e o endereço da edificação ao qual os extintores devem proteger, informa Fernandes (2010).
Figura 12: Etiquetas de carga
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Carvalho Junior (2017) afirma que os extintores devem ser colocados em locais acessíveis e sem impedimentos para a utilização imediata em princípios de incêndio, não podendo ser acomodados em escadas e devem conservar--se desimpedidos, segundo o estabelecido na Instrução Técnica 20.
O sistema móvel de proteção por extintores, de acordo com Fernandes (2010), possui espaço de ação máxima de uma unidade extintora, conforme a classificação da edificação quanto ao risco de incêndio, sendo que:
• Risco Leve – 500 m², devendo os extintores ser organizados de tal forma que possam ser alcançados de qualquer ponto da área protegida, sem que tenha precisão do operador andar mais de 20 m;
• Risco Moderado – 250 m², devendo os extintores ser organizados de tal forma que possam ser alcançados de qualquer ponto da área protegida, sem que tenha precisão do operador andar mais de 15 m;
• Risco Elevado – 150 m², devendo os extintores ser organizados de tal forma que possam ser alcançados de qualquer ponto da área protegida, sem que tenha precisão do operador andar mais de 10 m.
IMPORTANTE:
Quando o risco for protegido por sistema de proteção por hidrantes, deverão ser previstos, preponderantemente, extintores próprios para as classes de fogo B e C, cita Fernandes (2010).
Os riscos especiais, como casa de medidores, cabinas de força, depósitos de gases inflamáveis e caldeiras, devem ser resguardados por extintores, independentemente de outros que protejam a área onde estão localizados os demais riscos. Devem ser previstas, no mínimo, independente da área, risco a proteger e distância a atravessar, duas unidades extintoras, sendo propostas para proteção de incêndio em sólidos e equipamentos elétricos energizados, esclarece o Corpo de Bombeiros de São Paulo (2018).
A disposição dos riscos é efetuada conforme a carga de incêndio encontrada na Instrução Técnica 14/2019 – Carga de Incêndio nas Edificações e Áreas de Risco, analisa Carvalho Junior (2017).
Carvalho Junior (2017) lembra, ainda, que quando os extintores forem colocados em paredes ou divisórias devem possuir altura máxima de fixação de 1,6 m do piso e a parte inferior deve conservar-se, no
mínimo, a 0,10 m do piso, sendo aceita a acomodação de extintores em abrigo ou sobre o piso acabado, desde que conservem-se amparados em suporte apropriados (Figura 13), com altura recomendada entre 0,10 m e 0,20 m do piso.
Figura 13: Suporte apropriados
Fonte: Pixabay
Quanto aos extintores sobre rodas, esses podem substituir até a metade da disposição dos extintores em um pavimento, não podendo, contudo, ser tratados como proteção única para uma edificação ou pavimento, e tanto os extintores portáteis quanto os extintores sobre rodas devem ter selo ou marca de conformidade de órgão competente ou credenciado e ser submetidos a inspeções e manutenções constantes, explana o Corpo de Bombeiros de São Paulo (2018).
Sistema preventivo fixo
Conforme Brentano (2007), os sistemas fixos são formados por redes de canalizações fixadas nas edificações e possui como elementos de
aspersão a água sobre o fogo, os hidrantes, os mangotinhos, os chuveiros automáticos e os projetores ou bicos nebulizadores.
Vejamos as principais exigências de algum deles:
Hidrantes e mangotinhos
Fernandes (2010) informa que será obrigatório o sistema fixo de proteção contra incêndios por hidrantes (Figura 14) em todas as edificações que tenham três ou mais pavimentos para Risco Moderado ou Elevado, e quatro ou mais pavimentos para Risco Leve, não compreendendo como tal o 1º subsolo, desde que este não seja utilizado como piso de descarga, assim como todas as edificações com número qualquer de pavimentos e área igual ou superior a 1.500 m² se de Risco Leve, ou 1.000 m² se de Risco Moderado ou Elevado, também precisarão de sistema fixo de proteção por hidrantes.
Figura 14: Sistema fixo de proteção contra incêndio por hidrantes
Fonte: Freepik
Segundo o Corpo de Bombeiros de São Paulo (2018), o dimensionamento do sistema é projetado:
• conforme a classificação de carga de incêndio esperada;
• de modo a assegurar uma pressão e vazão mínima nas tomadas de água (hidrantes) mais desfavoráveis;
• que garanta uma reserva de água para o funcionamento de um número mínimo de hidrantes mais desfavoráveis, por um determinado tempo.
IMPORTANTE:
O dimensionamento do sistema de mangotinhos é idêntico ao sistema de hidrantes, lembra o Corpo de Bombeiros de São Paulo.
Todos os sistemas devem possuir dispositivo de recalque, tratando- se de um prolongamento de mesmo diâmetro da tubulação principal, cujos engates sejam compatíveis com os empregados pelos Corpo de Bombeiros, e este dispositivo de recalque deve ser de preferência do tipo coluna. Onde existir a impossibilidade técnica, o dispositivo de recalque pode ser colocado no passeio público, esclarece Carvalho Junior (2017).
NOTA:
Para os sistemas com vazão superior a 1.000 l/min deve existir duas entradas para o recalque de água através de veículo de combate a incêndio do Corpo de Bombeiros (CARVALHO JUNIOR, 2017).
A face mais próxima do hidrante de recalque do tipo enterrado (de passeio) deverá ser colocado a 50 centímetros da guia do passeio da rua onde estiver localizada a entrada principal da área do risco, em frente a este, e o seu abrigo deverá ser fabricado em caixa de alvenaria, com tampa metálica sinalizada com as palavras “HIDRANTE”, com dimensões de 0,70 m x 0,60 m, descreve Fernandes (2010).
O hidrante de recalque tipo “fachada” deverá ficar situado junto ao acesso principal da edificação, podendo ainda ser colocado no muro de fronteira do terreno com a rua, com a aceitação virada para a rua e para baixo em um ângulo de 45° e a uma altura entre 0,60 m e 1,00 m em relação ao piso do passeio, devendo ser colocado em abrigo padrão do Corpo de Bombeiros, de 45 x 75 x 18 cm, consideradas as demais exigências dos hidrantes de parede, relata Fernandes (2010).
Chuveiros automáticos
Conforme a NBR 10897:1990, os sistemas de chuveiros automáticos classificam-se em: sistema de tubo molhado, sistema de tubo seco, sistema de ação prévia, sistema dilúvio e sistema combinado de tubo seco e ação prévia.
O sistema de tubo molhado é aquele que utiliza chuveiros automáticos (Figura 15) associados aos ramais de uma rede de tubulação fixa compreendendo água sob pressão. O de tubo seco baseia-se em uma rede de tubulação fixa possuindo ar comprimido ou nitrogênio sob pressão, na qual estão situados chuveiros automáticos em seus ramais. O de ação prévia trata-se de uma rede de tubo seco englobando ar que pode estar ou não sob pressão, em cujos ramais são colocados os chuveiros automáticos. O de dilúvio compõe--se de uma rede de tubulação seca em cujos ramais estão colocados os chuveiros automáticos abertos, isto é, não têm elementos termossensíveis e nenhum tipo de obstrução. Já o combinado de tubo seco e ação prévia exibe as características essenciais desses dois tipos de sistema e é formado de uma rede de tubo seco possuindo ar comprimido, em cujos ramais estão colocados os chuveiros automáticos, e de um sistema suplementar de detecção de incêndio de operação muito mais sensível que os chuveiros automáticos, instalado na mesma área dos chuveiros, explicita Seito et al. (2008).
Figura 15: Chuveiros automáticos
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O Corpo de Bombeiros de São Paulo (2018) informa que o dimensionamento do sistema é realizado:
• conforme a severidade do incêndio que se espera;
• de modo a assegurar em toda a rede níveis de pressão e vazão em todos os chuveiros automáticos, com o objetivo de atender a um valor mínimo estabelecido;
• para que a distribuição de água seja de maneira satisfatória homogênea, dentro de uma área de alcance predeterminada;
• de modo que seja acionado automaticamente e com rapidez, com o objetivo de controlar ou eliminar o incêndio em seu começo;
• segundo o risco, sendo que o arranjo do material tanto no que diz respeito à ativação quanto ao acesso do agente extintor ao foco de incêndio são importantíssimos. Quando o armazenamento for superior a 3,7 m, obrigatoriamente deve atender à Instrução Técnica 24 – Chuveiros automáticos para áreas de depósitos, seja qual for o risco.
Carvalho Junior (2017) lembra que a norma brasileira que determina os espaçamentos, a localização e o alcance ou área de cobertura dos chuveiros automáticos é a NBR 10897/2014 – Sistemas de Proteção contra Incêndios por Chuveiros Automáticos – Requisitos. E os espaçamentos e alcances dos chuveiros automáticos alteram conforme os modelos e o posicionamento das instalações dos chuveiros automáticos, a classificação dos riscos do local a serem protegidos, áreas e distribuição espacial desses ambientes, características dos materiais e existência de obstrução nos tetos onde os chuveiros serão colocados.
NOTA:
Para conhecer as áreas de cobertura máxima entre chuveiros automáticos, o arquiteto deve examinar tabelas específicas, ilustra Carvalho Junior (2017).
A distância máxima aceita entre chuveiros automáticos deve ser fundamentada na distância entre chuveiros automáticos no mesmo ramal
ou ramais adjacentes, devendo esta ser medida ao longo da inclinação do telhado, explana Carvalho Junior (2017).
RESUMINDO:
Neste capítulo, você deve ter compreendido que o sistema móvel é formado pelos extintores e são obrigatórios mesmo nas edificações em que é determinado o uso do sistema fixo de proteção contra incêndios por hidrantes, que existem vários fatores que determinam a quantidade obrigatória de extintores portáteis e sobre rodas e a forma como devem ser dimensionados, sua localização correta e as principais exigências relacionados com os respectivos riscos. Viu também que o sistema preventivo fixo são canalizações fixadas nas edificações e podem ser os hidrantes, os mangotinhos, os chuveiros automáticos, os projetores ou bicos nebulizadores. Por fim, viu que os hidrantes e mangotinhos possuem o mesmo dimensionamento, conhecendo qual é a obrigatoriedade do uso de hidrantes e as principais exigências, assim como quais as classificações dos chuveiros automáticos, o dimensionamento e a distância máxima aceita.
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