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Relatório estágio profissional

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Academic year: 2021

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Relatório Final

Estágio Profissionalizante do 6º Ano

Lisboa, junho de 2017

Orientador: Dr. António Mário Santos

João Pedro Dias Costa

Aluno nº 2010253, Turma 1

Ano letivo 2016-2017

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Índice

1. Introdução

2. Corpo de trabalho

2.1. Estágio Parcelar – Medicina Interna

2.2. Estágio Parcelar – Cirurgia Geral

2.3. Estágio Parcelar – Pediatria

2.4. Estágio Parcelar – Ginecologia/Obstetrícia

2.5. Estágio Parcelar – Saúde Mental

2.6. Estágio Parcelar – Medicina Geral e Familiar

2.7. Estágio Opcional – Medicina de Emergência e Catástrofe

2.8. Elementos Valorativos

3. Reflexão crítica

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1. Introdução

O Estágio Profissionalizante do 6º Ano, inserido no plano de estudos do Mestrado Integrado em Medicina da Nova Medical School, tem o objetivo de fornecer ao estudante de Medicina a oportunidade de obter um maior grau de autonomia e uma experiência mais alargada do que os estágios dos anos anteriores, oferecendo uma perceção mais realista do dia-a-dia das diferentes especialidades da Medicina, elevando o grau de responsabilidade dos alunos. Ao mesmo tempo, torna-se necessário garantir que estes mantenham a aprendizagem teórica que é, pela natureza da profissão, um processo contínuo e dinâmico. Para esse efeito, os alunos têm a possibilidade de assistir e participar em diferentes aulas teórico-práticas, seminários e reuniões formativas, ao longo do ano. É, também, um ano em que existe a possibilidade de realizar alguns procedimentos de carácter mais prático e em que a relação com o doente é muito mais pessoal do que em anos anteriores, sendo uma oportunidade para o aluno perceber algumas das estratégias a usar no futuro, de forma a estabelecer uma relação médico-doente produtiva.

Com este intuito, esta unidade curricular incorpora seis Estágios Parcelares de áreas que são consideradas pilares da formação médica: Medicina Interna, Cirurgia Geral, Pediatria, Ginecologia/Obstetrícia, Saúde Mental e Medicina Geral e Familiar. Defini para todos eles, como objetivos globais, a evolução dos meus conhecimentos teóricos, o desenvolvimento das capacidades de pensamento crítico e raciocínio clínico, a aprendizagem de novos procedimentos práticos e a capacidade de desenvolver uma relação médico-doente adequada a cada circunstância.

Este relatório visa destacar os aspetos mais importantes de cada Estágio Parcelar, expondo os objetivos individualizados para cada um e as atividades realizadas. Seguidamente, farei uma análise do meu Estágio Opcional e concluirei com uma reflexão crítica sobre a forma como este ano decorreu e aquilo que de mais importante pude retirar e aprender em cada estágio que frequentei.

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2. Corpo de trabalho

Apresento, de seguida, os diversos Estágios Parcelares, pela sua ordem cronológica.

2.1. Estágio Parcelar – Medicina Interna

O estágio decorreu na Unidade de Medicina 4 do Hospital de Santa Marta, entre os dias 12/09/16 e 04/11/16, tutorado pelas Dr.ªs Teresa Garcia e Patrícia Cachado e sob a regência do Prof. Dr. Fernando Nolasco.

Os objetivos que defini para este estágio, de acordo com o que era pedido pela regência da unidade curricular, foram: identificar e hierarquizar as situações clínicas de maior emergência; proceder de forma autónoma ao interrogatório e observação dos doentes; identificar as propostas terapêuticas apropriadas e propor a sua aplicação; elaborar notas de alta e diários clínicos; desenvolver a capacidade de comunicação com doentes, colegas e outros profissionais.

A atividade do estágio decorreu maioritariamente na enfermaria, onde todas as manhãs tinha lugar uma reunião inicial da equipa, com o objetivo de discutir a evolução anterior e os passos seguintes a tomar para cada doente. O resto da manhã era passado a avaliar os doentes que me tinham sido atribuídos, com tarefas que incluíam a recolha de dados da história clínica, exame objetivo, requisição de meios complementares de diagnóstico, elaboração de notas de alta e diários clínicos; em reunião, no final da manhã, eram discutidos, novamente em equipa, os aspetos mais importantes da evolução dos doentes nas 24 horas anteriores. Para além da enfermaria, pude ainda frequentar o SU do Hospital de S. José, em idas semanais, bem como aulas teórico-práticas que decorreram na NMS-UNL, às 4.as feiras.

Apresentei, ainda, um trabalho de grupo, no último dia do estágio, subordinado ao tema “Abordagem ao doente com Fibrilhação Auricular”, sob a forma de um caso clínico, com o objetivo de expor e refletir sobre as guidelines de 2016 para tratamento desta patologia.

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2.2. Estágio Parcelar – Cirurgia

O estágio de Cirurgia teve lugar no Hospital Beatriz Ângelo (HBA) em Loures, entre os dias 7/11/16 e 13/02/17, tutorado pela D.ra Rita Roque e sob a regência do Prof. Dr. Rui Maio. Tratou-se de um estágio de uma área da medicina em que eu sentia que os meus conhecimentos anteriores eram um pouco mais deficitários, pelo que defini como prioridades para a minha aprendizagem: conhecer as principais síndromes cirúrgicas e os fundamentos do seu diagnóstico e tratamento; executar um exame clínico metódico e completo, particularmente no doente com abdómen agudo; realizar uma história clínica de cirurgia de forma correta e aprender a realizar as técnicas mais comuns de pequena cirurgia.

O estágio estava organizado de forma a proporcionar aos alunos a maior variedade possível de experiências e aprendizagens. A primeira semana consistiu em aulas teórico-práticas no HBA, com diferentes oradores a exporem aspetos não apenas de Cirurgia, mas também do funcionamento do hospital. Durante uma semana frequentei o Serviço de Urgência, onde, para além de assistir a algumas pequenas cirurgias, pude observar a ponte que se realiza entre a Cirurgia Geral e a Medicina Interna. Duas semanas foram passadas na especialidade médico-cirúrgica escolhida por mim (Anestesiologia); o restante tempo decorreu entre o Bloco operatório, onde participei nalgumas cirurgias, a Consulta Externa de Cirurgia e o Internamento. Participei ainda num minicongresso onde os alunos expuseram casos clínicos observados ao longo do estágio e considerados particularmente interessantes e/ou complexos. O meu grupo apresentou o tema “Feocromocitoma bilateral”.

2.3. Estágio Parcelar – Pediatria

O estágio de Pediatria decorreu entre os dias 23/01/17 e 17/02/17, na Unidade de Cuidados Especiais Respiratórios e Nutricionais (UCERN) do Hospital D. Estefânia, tutorado pelo Dr. António Pedro Campos e sob a regência do Prof. Dr. Luís Varandas.

Os objetivos estabelecidos para este estágio foram: saber como fazer a abordagem à criança/adolescente internada(o); conhecer os princípios gerais da atuação nas doenças mais comuns da criança e adolescente no Serviço de Urgência; efetuar a colheita de dados

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anamnésticos e o exame físico de modo apropriado e adquirir a capacidade de comunicação adequada com os familiares.

A atividade do estágio decorreu maioritariamente na UCERN, onde procedi à observação diária e registo de diário clínico de uma das crianças internadas. Frequentei, ainda, os Serviços de Urgência e de Imunoalergologia, onde tinham lugar aulas teórico-práticas. Para além disso, pude acompanhar o meu tutor em consultas de Hepatologia Pediátrica. Participei ainda, com os meus colegas, num seminário onde apresentámos o tema “Síndrome de Miller-Fisher”.

2.4. Estágio Parcelar – Ginecologia/Obstetrícia

O estágio decorreu no serviço de Ginecologia-Obstetrícia do Hospital dos Lusíadas, entre os dias 20/02/17 e 17/03/17, sob tutoria da D.ra Ana Paula Maia e regência da Prof. D.ra Teresa Ventura.

Os meus objetivos individuais para este estágio, em linha com o proposto na Unidade Curricular, foram: conhecer os principais conceitos sobre contraceção feminina e suas complicações; fazer rastreios em ginecologia, aconselhamento pré concecional e vigilância da gravidez normal; reconhecer situações de gravidez de risco e desenvolver autonomia na colheita da história e exame objetivo em contexto de obstetrícia. Tinha, também, particular interesse em desempenhar um papel mais ativo no bloco de partos.

Durante este estágio, passei muito do meu tempo letivo no serviço de Procriação Medicamente Assistida (PMA), onde pude assistir a consultas de infertilidade, punções ováricas, transferências embrionárias e participar num procedimento de biópsia testicular. As restantes atividades desenvolvidas incluíram consultas de Obstetrícia e de Ginecologia, bloco de partos, bloco operatório, serviço de urgência, puerpério, procedimentos como histerossalpingografia ou curetagem uterina e realização de ecografias obstétricas.

No final do estágio, apresentei um trabalho individual com o tema: “Gravidez Ectópica e Procriação Medicamente Assistida”, com posterior discussão sobre este tema.

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2.5. Estágio Parcelar – Saúde Mental

O estágio decorreu, entre os dias 20/03/17 e 17/04/17, no Serviço de Internamento de Psiquiatria do Hospital Fernando da Fonseca, sob a tutoria do Dr. Bruno Trancas e a regência do Prof. Dr. Miguel Xavier.

Considero que, para mim, os mais importantes objetivos foram: desenvolver a capacidade de identificar sintomas psiquiátricos, saber identificar as situações individuais de risco, treinar a comunicação adequada com pacientes com perturbação psiquiátrica e conhecer melhor os princípios da prescrição de fármacos em Psiquiatria.

A atividade desenvolvida envolveu aulas de carácter teórico, na NMS-UNL, onde se puderam discutir casos psiquiátricos de grande prevalência na população. No hospital, muito do meu tempo foi passado na observação e realização de entrevistas clínicas no serviço de Internamento, onde tive o maior contacto com a patologia psiquiátrica. Pude participar em sessões de Electroconvulsivoterapia, observar reuniões de serviço de Psiquiatria, da equipa multidisciplinar da Amadora e sessões de terapia ocupacional e de grupo.

2.6. Estágio Parcelar – Medicina Geral e Familiar

O último estágio parcelar do ano decorreu na Unidade de Saúde Familiar (USF) de S. Julião, no Centro de Saúde de Oeiras, entre os dias 24/04/17 e 19/05/2017, sob a tutoria do Dr. Rizério Salgado e a regência da Prof. D.ra Isabel Santos.

Defini como meus objetivos para este estágio: desenvolver a capacidade de realizar a história clínica centrada na pessoa; identificar os problemas de saúde prevalentes na comunidade; reconhecer as indicações dos exames auxiliares de diagnóstico mais utilizados e fazer a sua interpretação; identificar riscos de saúde e adotar um comportamento mais profissional, particularmente quando estava sozinho no gabinete.

Nesta USF pude assistir a uma grande variedade de consultas: Saúde do Adulto, Saúde Materna, Saúde Infantil e Doença Aguda. Gradualmente, adquiri maior autonomia ao realizar a primeira parte de algumas consultas sem supervisão, de forma a desenvolver as minhas capacidades de interrogação, comunicação, exame objetivo dirigido às queixas e pensamento

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crítico. No final do estágio, elaborei e levei a discussão o Diário de Exercício Orientado relativo ao estágio.

2.7 Estágio Opcional – Medicina de Emergência e Catástrofe

A opcional escolhida por mim foi Medicina de Emergência e Catástrofe. A escolha prendeu-se com o meu interesse com os tópicos lecionados, que considero serem de valor para qualquer médico e por não descartar a possibilidade de me especializar em Medicina Intensiva, pelo que alguns dos conceitos lecionados tiveram para mim particular interesse. A atividade englobou aulas teórico-práticas na faculdade, mas também visitas guiadas às urgências e unidade de cuidados intensivos do Hospital de S. José, tendo tido ainda oportunidade de conhecer a VMER do CHLC, bem como a sede do INEM.

2.8 Elementos valorativos

Este ano frequentei o curso TEAM, que ensina alguns dos procedimentos que podem ser realizados para auxílio de vítimas em contexto de trauma. Para além disso, encontro-me desde 2015 envolvido num projeto com o nome “HyMe” que visa desenvolver um sensor de hidratação corporal destinado a indivíduos em risco de desidratação, em particular idosos residentes em lar. No concurso de empreendedorismo “NOVA Idea Competition” em 2015, este projeto obteve o 2º lugar e uma bolsa de 5.000 euros. (certificado em anexo).

3. Reflexão crítica

Com o final do Estágio Profissionalizante do 6º ano, penso que os objetivos globais que defini foram global, mas não completamente cumpridos. Por um lado, em todos os estágios parcelares, senti que houve a preocupação de que fossem ensinados os princípios teóricos fundamentais para cada especialidade, tanto através das aulas teórico-práticas e seminários lecionados, como pelos conhecimentos transmitidos pelos meus tutores. Foi também constante a estimulação do desenvolvimento do raciocínio clínico, tendo-me sido

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proporcionadas muitas oportunidades de contactar diretamente com os doentes, de modo a poder melhorar a minha capacidade de estabelecer com eles uma relação de empatia. No entanto, há aspetos que não foram perfeitos e estes serão realçados na avaliação de cada um dos estágios que agora me proponho a realizar.

O estágio de Medicina Interna foi, para mim, uma agradável surpresa. No meu contacto com a especialidade, em anos anteriores, tinha ficado algo desapontado, sentindo que o meu interesse pela área não era elevado. No entanto, desfrutei muito mais da experiência durante este ano, não só porque senti que passei a ter um entendimento muito mais completo da Fisiopatologia do corpo humano, mas também porque experienciei um grau de autonomia que nunca tinha vivido. Tive a liberdade de poder desempenhar as minhas tarefas diárias da forma que achasse mais adequada, sempre com o acompanhamento dos vários médicos do serviço para me guiarem e garantir que as decisões eram tomadas em equipa. Foi um estágio muito profícuo e enriquecedor, que desenvolveu muito a autoconfiança nas minhas capacidades, aumentou os meus conhecimentos e mudou a minha perspetiva sobre a Medicina Interna. O estágio de Cirurgia deixou-me sensações mistas. Mesmo admitindo que é uma área pela qual não pretendo enveredar, sinto que a organização do estágio enfermou de alguns problemas. Se, por um lado, o período passado no Serviço de Urgência e na Anestesiologia foi útil e interessante, o tempo que decorreu no Bloco Operatório teve o problema de este se encontrar sobrelotado com um rácio de 3 para 1 (alunos/tutor), levando a que muito do tempo fosse passado no exterior da sala de operações, impedindo os alunos de observar alguns momentos-chave de cada cirurgia. Penso que a experiência prática adquirida, ainda que um pouco mais extensa do que em anos anteriores, foi escassa para esta área.

O estágio de Pediatria foi uma experiência muito proveitosa, até porque se trata de uma especialidade que considero de interesse para o meu futuro profissional. Tive a oportunidade de poder observar, no Serviço de Urgência, as patologias mais comuns na criança. Para além disso, ao estar numa unidade de cuidados especiais infantis, contactei com patologias de elevada raridade e complexidade e observei o papel fundamental que o médico deve ter no apoio aos familiares em situações, muitas vezes, dramáticas.

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A experiência em Ginecologia/Obstetrícia foi também enriquecedora: por um lado, pude conhecer o funcionamento de um serviço de uma unidade de P.M.A: esta é uma oportunidade que nem todos os alunos têm durante o curso. Por outro lado, foi um estágio que me proporcionou uma variedade de atividades muito grande, permitindo uma visão global da especialidade, muito para além das minhas expectativas para um estágio de quatro semanas. O estágio de Saúde Mental foi talvez aquele onde houve menos possibilidade de desenvolver aspetos práticos, por razões inerentes à natureza da especialidade. No entanto, considero que foi um estágio de bastante aprendizagem, onde pude observar uma grande variedade de perturbações psiquiátricas. Sendo uma área que já considerava uma possibilidade para o meu futuro, sinto que esta hipótese foi ainda reforçada.

Em relação a Medicina Geral e Familiar foi um dos estágios onde mais aprendi. Percebi a importância que tem, para o médico de família, conhecer bem a população que assiste e a elevadíssima variedade de conhecimentos de que este deve dispor para ser um bom profissional. Como pude dar algumas consultas de forma autónoma, consegui também desenvolver os índices de confiança nas minhas capacidades e apercebi-me não apenas de que passei a saber muito mais do que sabia antes, mas que ainda tenho muito para aprender. Em resumo, o Estágio Profissionalizante do 6º Ano foi uma experiência de valor inestimável, tendo aprendido muito em termos teóricos e práticos (com as exceções salientadas acima). Sinto ter desenvolvido as minhas capacidades de interação, não só com doentes, como também com aqueles que, amanhã, serão os meus colegas de profissão. O aspeto das relações humanas é fundamental para que os jovens que hoje se formam se tornem médicos vistos pelos doentes como pessoas a quem podem confiar a sua saúde e bem-estar pessoal e não meros prescritores de medicamentos. Anseio por continuar a minha aprendizagem e espero que o caminho que vier a percorrer me leve a tornar-me um médico cientifica e tecnicamente competente e, acima de tudo, centrado no ser humano, com capacidade de ouvir atentamente, compreendendo assim melhor a natureza humana.

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